segunda-feira, 24 de abril de 2017

MADRE TERESA DE CALCUTÁ SE TORNOU SANTA COM MILAGRE BRASILEIRO

MADRE TERESA DE CALCUTÁ SE TORNOU SANTA COM MILAGRE BRASILEIRO

       
Resultado de imagem para MADRE TERESA DE CALCUTÁ SE TORNOU SANTA COM MILAGRE BRASILEIRO

   Em um domingo, dia 19 de outubro de 2003, o finado Papa João Paulo II destacou na cerimônia de beatificação que Madre Teresa de Calcutá representava “o mais profundo significado da palavra serviço” por ter dedicado sua vida aos “famintos, sedentos, estranhos, desnudos, doentes e prisioneiros”. Neste domingo, diante de cem mil pessoas, a beata foi elevada ao status de santa menos de duas décadas após a sua morte, e graças a um milagre brasileiro.
— Durante sua vida, Madre Teresa apenas aceitou reconhecimento para chamar atenção para as necessidades dos mais pobres — disse Kathryn Spink, biógrafa autorizada da nova santa. — Certamente, este é o reconhecimento máximo de sua total dedicação ao próximo, e a melhor maneira de garantir que a mensagem sobre a necessidade desse serviço continue.
Pelas regras da Igreja, uma pessoa só se torna santa após a comprovação de dois milagres. O primeiro aconteceu em 5 de setembro de 1998, com a indiana Monica Besra, que afirma ter sido curada de um câncer por uma “luz cegante” vinda de uma fotografia da religiosa, morta exatamente um ano antes. O segundo salvou a vida do brasileiro Marcilio Haddad Andrino.
Natural de Santos, em São Paulo, Andrino esteve perto da morte ao ser diagnosticado com oito abscessos no cérebro, que formaram um quadro de hidrocefalia. No dia 9 de dezembro de 2008, os médicos recomendaram uma cirurgia de emergência, que por motivos burocráticos e de saúde, teve que ser adiada. No dia seguinte, Andrino acordou sem dores, o líquido no cérebro havia escoado e os abscessos, diminuído. Sem explicações científicas, a cura foi atribuída aos pedidos da esposa de Marcilio, Fernanda Nascimento Rocha, à Madre Teresa. 
    A equipe médica constatou que era algo extraordinário — disse Dom Roberto Lopes, delegado da Causa dos Santos da Arquidiocese do Rio, que acompanhou o trâmite de apuração do milagre no país. — O processo do Marcilio foi analisado por quase nove anos e os laudos constataram um fato excepcional, sem explicação pela medicina.

Multidão acompanhou cerimônia
Pelo apelo popular, a cerimônia que tornará Madre Teresa santa será concorrida. De acordo com o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, os cem mil bilhetes para a missa na Praça de São Pedro foram distribuídos, mas uma multidão deve acompanhar a canonização pelas ruas do entorno. A Santa Sé estima que meio milhão de pessoas acompanharão o ritual. Até a sexta-feira, 15 delegações oficiais haviam confirmado presença, sendo 13 lideradas por chefes de Estado, e 600 jornalistas foram credenciados.
Nascida em agosto de 1910 em Skopje, na época uma cidade albanesa e atual capital da Macedônia, Anjezë Gonxhe Bojaxhiu ingressou aos 18 anos na Ordem Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, com sede em Dublin, na Irlanda, onde passou a ser chamada Irmã Maria Teresa. Após alguns meses no convento, foi enviada a Calcutá, na Índia, onde se tornou professora de uma escola religiosa para meninas. Em 1937, professou seus votos perpétuos e passou a ser conhecida como Madre Teresa.
Em setembro de 1946, durante uma viagem de trem entre Calcutá e Darjeeling para um retiro anual, Madre Teresa recebeu seu “chamado dos chamados”. Nos meses seguintes, relatou visões com Jesus Cristo, que teria revelado sua dor pela negligência aos pobres e pedido à religiosa dedicação aos “mais pobres entre os pobres”. Em 1948, Madre Teresa vestiu o sari branco com detalhes em azul pela primeira vez, deixou a ordem de Loreto e foi viver em bairros pobres.
Nas favelas, cuidou de crianças desnutridas e de adultos famintos e doentes. Seu trabalho começou a atrair algumas de suas ex-alunas e, em outubro de 1950, a Congregação das Missionárias da Caridade foi oficialmente fundada na Arquidiocese de Calcutá. Hoje, o grupo religioso criado por Madre Teresa tem cerca de 4.500 membros espalhados por mais de cem países.
— Por seu trabalho, ela se tornou uma personalidade. Num mundo tão injusto, ela se voltou para aqueles que são as maiores vítimas, mostrou o amor cristão aos que não podiam dar nada em troca — analisa Maria Clara Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio.
Em 1979, Madre Teresa foi reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz. Em 1997, quando morreu, seu caixão foi carregado pela mesma carruagem usada na cerimônia fúnebre de Mahatma Gandhi.
O mais conhecido foi o jornalista britânico Christopher Hitchens, morto em 2011, autor do livro “The Missionary Position: Mother Teresa in Theory and Practice”, que acusa a religiosa de ser uma fraude por romantizar a pobreza para propagandear suas crenças contrárias ao aborto, a métodos contraceptivos e ao divórcio, além de supostamente manter relações com ditadores e aceitar doações de fontes questionáveis.
Até o primeiro milagre, da indiana Monica Besra, é contestado. Em 2002, Partho De, ex-ministro da Saúde do estado de Bengala Ocidental, onde a paciente foi tratada, refutou a intervenção divina:
— A senhora Besra se livrou do tumor graças aos medicamentos e aos tratamentos — declarou. — Não quero faltar com respeito à Madre Teresa, mas é uma deformação da verdade dizer que foi um milagre dela.dedicou a vida aos pobres.

Nenhum comentário:

Postar um comentário