sexta-feira, 9 de outubro de 2020

 

REZAR O TERÇO TODOS OS DIAS

           

Uma das mais belas orações, senão a mais bela das orações que podemos e devemos recitar para a nossa querida Mãe do Deus, é a reza do terço, a oração do rosário. É a oração que mais agrada a Virgem Mãe de Deus e nossa.

A reza do terço deveria acontecer todos os dias  em todas as casas dos que dizem devotos e filhos de Maria. Quando gostamos de alguém, procuramos fazer as coisas  que esse alguém gosta; se gostamos realmente de Maria, se amamos Maria, deveríamos fazer a coisa que ela mais gosta, que é a reza do terço.          

Através da reza do terço meditamos as principais passagens evangélicas que falam da nossa redenção, da nossa salvação, do grande amor que Deus Pai tem por nós, seus filhos. Nós meditamos a presença do Espírito Santo que encarna no seio puríssimo da Virgem Maria o Deus Filho que se fez homem e que veio a este  mundo para reerguer o homem caído  no lodo do pecado e transformá-lo em filho de Deus.

Todos os cristãos que dizem amar Maria ou que se socorre a ela em seus momentos de dificuldades, para agradá-la, deveriam rezar o terço todos os dias. Cada conta do terço que passamos entre os dedos e rezamos uma Ave Maria, é um passo a mais que damos em direção à Maria.

A reza do terço tem que ser uma necessidade para o cristão, principalmente para aquele cristão que diz amar Maria e que sempre corre até ela quando está em dificuldades. Maria, identificada como Nossa Senhora de Fátima, recomendava aos pastorzinhos que rezassem o terço todos os dias, e não somente fez essa recomendação como ensinou os pastorzinhos a rezar o terço, e mais do que isso, rezou o terço com eles.

Maria, identificada como Nossa Senhora de Lourdes, rezou o terço com a sua vidente, Bernadete. Não podemos entender uma pessoa cristã que diz que ama Maria e que não faz aquilo que Maria mais gosta e mais pede que é a reza do terço.

O terço, na nossa vida, na nossa alma, deve ser tão importante e necessário como o alimento é importante e necessário para o nosso corpo, para a nossa saúde, como o ar é necessário para a nossa sobrevivência. São Bernardo dizia que “jamais se ouviu dizer que alguém tivesse recorrido  à proteção da Santíssima Virgem Maria com confiança e perseverança e tivesse sido por ela desamparado.”, e a melhor maneira de demonstrarmos o nosso amor e a nossa confiança em Maria é através da reza do terço.

Cada conta do terço que passa entre os nossos dedos indicando que se deve rezar mais uma Ave Maria, é mais um passo largo que damos em direção à Maria para nos jogarmos no seu colo. E como é gostoso a gente correr para os braços da mãe; e porque é que nós não corremos, então ao encontro da nossa boa Mãe do Céu rezando todos os dias o terço, que é a devoção que mais agrada a Maria.?

Se amamos de verdade Maria não podemos deixar de rezar o terço, não somente no mês de maio ou de outubro, mas todos os dias de nossa vida. Não é necessário se ter um horário especial para se rezar o terço; qualquer hora é hora.

Quando estamos caminhando na rua, quando estamos dirigindo o carro, a moto, quando estamos no nosso trabalho, quando a dona de casa está passando roupa, escolhendo arroz, fazendo café, arrumando a cama, não importa o que se está fazendo, pode rezar o terço e transformar o seu serviço em oração juntamente com o terço, e não se perde tempo. Nós gostamos de dizer, e dizemos que Maria é a Virgem do Silêncio.

Onde quer que estejamos, não importa onde, às vezes na mais barulhenta das ruas,  basta que façamos silêncio no nosso coração e já está preparado o ambiente para se rezar o terço. Ao invés de ligarmos o rádio para ouvirmos uma música, o que é muito bom e às vezes até necessário, deixemos o rádio ou a televisão desligados por alguns instantes e rezemos o terço.

Não são mais do que quinze ou vinte minutos, e o tempo é a gente quem escolhe. Algumas pessoas dizem que não rezam o terço porque é muito cansativo, porque o terço é uma oração muito repetitiva e se fica repetindo um monte de Ave Marias sem cessar, mas eu pergunto: qual é a mãe que não gosta de ouvir dos lábios do seu filho cinco, dez, vinte, cincoenta centenas de vezes seguidas: “mamãe, eu te amo”?

Qual é a esposa, ou  noiva, ou namorada  que não gosta de ouvir do seu amado, mil vezes, esta frase, “meu bem, eu te amo?”. Então, a reza do terço é exatamente isso: cada Ave Maria que rezamos é como se disséssemos para Maria: “Minha mãe, eu te amo, e como te amo...” Se não gostássemos de coisas repetitivas, então não almoçaríamos ou jantaríamos, porque, quantos garfos de alimentos nós colocamos na boca na hora da refeição?          

E isso não é uma atitude repetitiva? Repetitiva, sim, mas muito necessário para a saúde do nosso corpo, assim como a reza do terço é necessária para a nossa vida espiritual, para a saúde da nossa alma. Cada Ave Maria do terço que rezamos é mais uma pérola que colocamos no colar, que é o terço, e, no final, colocamos esse colar de pérolas preciosas no pescoço de Maria, como um presente que a mãe recebe de seu filho muito amado.

Rezar o terço é a melhor maneira de declararmos o nosso amor pela Virgem Santíssima que disse ser escrava de Deus para se tornar a Rainha de todos os homens.

Outros dizem que preferem ler os Santos Evangelhos do que rezar o terço; isso é ótimo, sem dúvidas, precisamos realmente ler os Santos Evangelhos todos os dias, mas, o que é o terço senão a meditação pura e simples dos Santos Evangelhos? Então, vamos ler o Evangelho, sim, mas sem deixar de rezar o terço.

Cada mistério do terço é uma passagem do Evangelho; cada oração que se reza no terço é extraída do Evangelho. O terço é o Evangelho vivido e meditado. Não tem desculpas; uma das melhores maneiras de meditarmos os Evangelhos e ao mesmo tempo agradarmos a Mãe de Deus e nossa é rezando e meditando o terço.

Maria Santíssima, em uma de suas aparições a São Domingos de Gusmão, disse: “Os que rezarem o meu rosário acharão, durante a vida e a morte, conforto e luz.” Em Fátima, Nossa Senhora, a nossa Maria, disse aos três pastorzinhos: “Rezem o terço todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz no mundo e o fim da guerra, porque  só ela  poderá valer  e todos obterão as graças desejadas  se rezarem diariamente o terço.”

São Francisco de Sales dizia que “O rosário é a melhor maneira de rezar.” Então, o que estamos esperando para começarmos a rezar o terço todos os dias, se ainda não o fazemos???

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

 

A ORIGEM DO ROSÁRIO

 

          Uma das mais belas orações que podemos fazer para Maria, a Mãe de Deus e nossa Mãe, é a rezado terço, a reza do rosário.

A reza do terço é uma prática recomendada pessoalmente pela própria Virgem Maria em muitas de suas manifestações a vários de seus fieis, de modo especial em Fátima, quando ela se revelou a três pastorzinhos e, naquela oportunidade, Maria recomenda às três crianças a reza constante do terço, a reza do terço todos os dias, e não somente isso: Maria  reza o terço com as três crianças, e pede que o mundo inteiro reze o terço para se ver livre de guerras, de calamidades públicas, das doenças e de tudo mais que possa trazer mal e infelicidade aos homens.

A oração do terço deveria acontecer todos os dias em todas as casas dos que se dizem devotos e filhos de Maria. Quando gostamos de alguém procuramos fazer as coisas que esse alguém gosta; se gostamos de Maria como dizemos que a amamos, deveríamos fazer a coisa que mais lhe agrada, que ela mais gosta que é a oração do terço.

Em várias manifestações de Maria ela trazia em suas mãos um terço ou rosário e em muitas delas Maria rezou o terço com os videntes e incentivou muito a reza do terço todos os dias.

Como a nossa curiosidade é muito grande, (e é bom sermos curiosos, porque assim procuramos pesquisar os acontecimentos e, dessa forma aumentar o nosso conhecimento), pois é, como eu ia dizendo, como a nossa curiosidade é muito grande, logo vem na nossa cabeça a pergunta: como começou a ser propagada a devoção do Santo Rosário, do Santo Terço? Pois bem, vamos aos acontecimentos: no início do Século XIII surgiu na França uma heresia dirigida por dois senhores da região de Albi, que desejavam impor as suas idéias erradas de religião, como acontece ainda em nossos dias.

Os seus seguidores passaram a se chamar albigenses, e eles queimavam as igrejas, profanavam as imagens dos Santos e perseguiam os católicos, espalhando o terror no sul da França. Auxiliado por alguns sacerdotes, o frei Domingos de Gusmão foi encarregado pelo Papa Inocêncio III de combater a terrível heresia  e reconquistar as almas para a Igreja de Jesus Cristo.

Apesar de seus grandes esforços, a má vontade dos homens era grande e frei Domingos passava as noites acordado ao pé do altar, implorando o auxílio de Deus. Certo dia, enquanto rezava em sua cela, apareceu ao frei Domingos a Virgem Maria sobre uma nuvem luminosa e ensinou-lhe um método de oração garantindo-lhe que daria resultados maravilhosos.

Assim surgiu a devoção  do Rosário ou Terço, composto sob a orientação da Rainha dos Céus e que, em pouco tempo, trouxe de volta, ao seio da Igreja, inúmeros pecadores. Em uma de suas aparições a São Domingos de Gusmão, Maria Santíssima disse-lhe que “os que rezarem o meu rosário  acharão durante a vida e na morte, conforto e luz.”

No dia 11 de fevereiro de 1.858, Maria, depois com o título de Nossa Senhora de Lourdes, se manifestou a uma jovem da França, mais precisamente da região da aldeia conhecida como Lourdes, e o nome dessa jovem era Bernadete Soubirous, que fora catar lenha nas margens do rio Gave. Maria, nessa ocasião, se apresentou como uma Senhora de grande beleza, circundada por deslumbrante resplendor.

Essa Senhora estava de pé, trajando um vestido  e um véu branco como a neve. Tinha na cintura uma faixa azul, os pés estavam ornados de rosas, e essa Senhora segurava nas mãos um rosário, cujas contas ia passando entre os dedos, como se estivesse rezando, em silêncio. Bernadete, ao ver tão maravilhosa aparição, extasiada, caiu de joelhos, tirou o terço do bolso, e começou a rezá-lo, acompanhando os lábios daquela Senhora.

Quando acabou a última Ave Maria do terço, aquela bela Senhora desapareceu. Esta primeira aparição foi seguida por mais dezessete aparições e, em todas elas, Bernadete rezou o terço com Maria, a Senhora de Lourdes. No dia da festa da Anunciação, Bernadete pediu àquela Senhora que tivesse a bondade de dizer quem ela era, qual seria o seu nome. A Virgem, então, unindo as mãos como que em oração, olhando para o céu, disse: “EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO.”

Quando Maria se manifestou em Fátima, ela trazia na mão direita um rosário, e assim nos disse Lúcia, uma das três crianças videntes de Fátima, a mais velha delas, quando descreveu assim sobre a Senhora que lhe se manifestou sobre a azinheira, na cova da Iria: “Era uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. A sua face era indiscritivelmente bela, não era nem triste e nem alegre, mas séria, com ar de suave censura. As mãos juntas, como a rezar, apoiadas no peito e voltadas para cima. Da mão direita pendia um rosário...”

Em todas as manifestações que Maria realizou em Fátima aos três pastorzinhos ela recomendou a reza do terço, senão vejamos: - Na primeira aparição, no dia 13 de maio de 1.917, Maria disse aos pastorzinhos: “Rezem o terço todos os dias  para alcançar a paz para o mundo e o fim da guerra.”

Na segunda aparição, no dia 13 de junho de 1.917, Maria lhes diz:  “Quero que vocês venham aqui no dia 13 do mês que vem, que rezem o terço todos os dias...”

Na terceira aparição, no dia 13 de julho de 1.917, Maria diz aos pastorzinhos:  “Quero que vocês venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela poderá lhes valer.” E, nesta mesma aparição, Maria recomenda aos pastorzinhos, dizendo:  “Quando vocês rezarem o terço, digam, depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, principalmente aquelas que mais precisarem.” Então nós vemos ai que essa jaculatória, que normalmente repetimos no final de cada mistério do terço, foi ensinada pela própria Virgem Maria, investida de Nossa Senhora de Fátima que ensinou aos pastorzinhos e, consequentemente, a todos nós, que a repetimos até o dia de hoje e continuaremos a repetir sempre.

Na quarta aparição, no dia 15 de agosto de 1.917, Maria diz aos pastorzinhos:  “Quero que vocês continuem a ir  à Cova da Iria no dia 13 e que continuem a rezar o terço todos os dias. No último mês farei o milagre para que todos acreditem.”

Na quinta aparição, 13 de setembro de 1.917, Maria diz aos pastorzinhos: “Continuem a rezar o terço para alcançarem o fim da guerra...”         Na sexta e última aparição, no dia 13 de outubro de 1.917, Maria disse aos pastorzinhos: “Quero dizer a vocês que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas.”, para, logo em seguida, dizer, tomando um aspecto muito triste: “Não ofendam mais a Deus, Nosso Senhor, que já está muito ofendido.”

Em muitas outras manifestações de Maria em que ela aparece vestida de modos diferentes, ela incentiva a oração do Santo Rosário, do terço, e esta é a oração do povo pobre, simples e humilde, assim como eram pobre, simples e humilde Maria e Jesus de Nazaré. O terço é a oração e a devoção de todos os filhos de Maria, todos os que amam verdadeiramente Maria jamais poderão deixar de rezar o terço.

Não podemos entender uma pessoa que se diz cristã, que diz que ama Maria e que não faça o que Maria mais gosta e mais pede, que é a reza do terço. O terço na nossa vida e para a nossa alma deve ser tão necessário como o alimento é necessário para o nosso corpo, para a nossa saúde, assim como o ar é necessário para a nossa sobrevivência.

São Bernardo dizia que “Jamais se ouviu dizer que alguém tivesse recorrido à proteção da Santíssima Virgem Maria com confiança e perseverança e tivesse sido por ela desamparado”, e a melhor maneira de demonstrarmos a nossa confiança a Maria é através da reza do terço.

Numa carta escrita pela irmã Lúcia, uma das videntes de Fátima, assim ela se expressa: “A oração do rosário ou do terço é, depois da Sagrada Liturgia Eucarística, a que mais nos une a Deus pela riqueza das orações que compõe, todas elas vindas do céu, ditadas pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. ...a oração do terço é, depois da Sagrada Liturgia Eucarística, a que mais nos traz ao espírito os mistérios da Fé, da Esperança e da Caridade.        É o pão espiritual das almas; quem não reza, definha e morre. É na oração que nos encontramos com Deus, e é nesse encontro que Ele nos comunica a Fé, a Esperança e a Caridade, virtudes essas sem as quais não nos salvaremos. O terço é a oração do pobre e do rico, dos sábios e dos ignorantes; tirar das almas essa devoção é tirar-lhes o pão espiritual de cada dia. A oração do terço é que sustenta a pequenina chama da fé que ainda de todo não se apagou em muitas consciências. Mesmo para aquelas almas que rezam sem meditar, o simples ato de tomar o terço para rezar é já um lembrar-se de Deus, do sobrenatural. A simples recordação dos mistérios de cada dezena é mais um raio de luz a sustentar nas almas a mecha que ainda fumega.” (bibliografia: 112 Invocações da Virgem Maria no Brasil, de Nilza Botelho Megale - As Aparições e a Mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, de Antônio Augusto Borelli Machado - Mensageiro do Sagrado Coração).

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

 

NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

 

O Rosário é uma forma de oração muito antiga, usada pelos cristãos dos primeiros tempos. Desde os monges do oriente, até os beneditinos e agostinianos, era costume contar as preces com pedrinhas. Aliás, foi um beneditino, o venerável Santo Beda, a sugerir que elas fossem enfileiradas em um cordão, para facilitar o transporte e manuseio.

A prática da oração do Rosário, como conhecemos hoje, nasceu no início do século XVII. E se tornou de grande valia na solução de um problema relevante das novas Ordens de frades mendicantes, franciscanos e dominicanos, onde a maioria era de analfabetos.

Nessa época, o Papa Inocêncio III decidiu colocar um fim à heresia albigense, instalada no sul da França. O pontífice enviou para lá dois sacerdotes, Diego de Aceber e Domingos de Gusmão. Como o primeiro teve morte súbita, a missão ficou por conta do segundo.

Mas a questão foi resolvida com muita eficiência, pois ele acabou contando com uma forte aliada: a Virgem Maria.

Diz a tradição que em 1207, o então fundador da Ordem dominicana estava na cidade francesa de Santa Maria de Prouille inaugurando o primeiro convento feminino de sua congregação.

Na capela desse convento, Nossa Senhora apareceu à Domingos de Gusmão e lhe ensinou a oração do Rosário, para ser difundida como arma da fé contra todos os inimigos do cristianismo e também, para a salvação dos fieis.

A partir daí a Ordem Dominicana se tornou a guardiã do Rosário, cujos missionários iniciaram a propagação do culto em todo o mundo.

Outra intercessão de Nossa Senhora sob a força da oração do Rosário se deu no século XVI, quando os turcos muçulmanos pretendiam dominar a Europa.

O Papa Pio V convocou as nações católicas a unirem suas tropas e seguirem para Veneza, que há três anos lutava sozinha, impedindo o avanço do exército turco.

E pediu para toda comunidade cristã rezar o Santo Rosário pedindo ajuda à Virgem Maria, nesse momento tão decisivo.

No dia 07 de outubro de 1571, as tropas cristãs se uniram e houve a famosa batalha naval de Lepanto, nas águas da Grécia, sob domínio turco.

Num combate de três horas, os cristãos venceram os muçulmanos, colocando um ponto final na ameaça turca à Europa pelo mar. No ano seguinte, o mesmo Papa Pio V, instituiu a festa à "Nossa Senhora da Vitória", para celebrar o Rosário e recordar o êxito obtido na batalha de Lepanto por intercessão de Maria Santíssima.

A celebração ocorria em toda a cristandade, mas em datas diferente. Em 1913, o Papa Pio X fixou a data da celebração, em 07 de outubro, para toda a Igreja.

A partir de 1960, com a reforma do calendário litúrgico, o Papa João XXIII proclamou o novo título mariano para essa festa: Nossa Senhora do Rosário, e dedicou o mês de outubro ao Santo Rosário e às missões apostólicas.

O culto chegou às Américas através dos missionários dominicanos, vindos com as expedições colonizadoras, nas primeiras décadas do século XVI.

São celebrados também, nesta data: Santa Osita, Santo Helano, São Mateus de Mântua, Santo Augusto de Bourges (abade), Santa Júlia (martir de Augusta do Eufrates), Santa Justina de Pádua (virgem e mártir), Santos Marcelo e Apuleu (mártires de Roma).

terça-feira, 6 de outubro de 2020

 

SÃO BRUNO - 1030-1101

 

Fundou a Ordem dos monges Cartuxos. Em meados do primeiro milênio depois de Cristo, Hugo, o bispo da diocese francesa de Grenoble, sonhou certa vez com sete estrelas que brilhavam sobre um lugar escuro, muito deserto.

Achou estranho. Algum tempo depois, foi procurado por sete nobres e ricos, que queriam converter-se à vida religiosa e buscavam sua orientação, por causa da santidade e do prestígio do bispo. Hugo, reconhecendo na situação o sonho que tivera, ouviu-os com atenção e ofereceu-lhes fazer sua obra num lugar de difícil acesso, solitário, árido e inóspito.

Assim, tiveram todo o seu apoio episcopal. Esses homens buscavam apenas o total silêncio e solidão para orar e meditar. Tudo o que desejavam, ou seja, queriam atingir a elevação espiritual, cortando definitivamente as relações com as coisas mundanas. Eles eram Bruno e seus primeiros seis seguidores e a ordem que fundaram foi a dos monges cartuxos. Bruno era um nobre e rico fidalgo alemão, que nasceu e cresceu na bela cidade de Colônia.

Sua família era conhecida pela piedade e fervorosa devoção cristã. Cedo aquele jovem elegante resolveu abandonar a vida de vaidades e prazeres, que considerava inútil, sem sentido e improdutiva. Como era propício à nobreza, foi estudar na França e Itália. No primeiro país concluiu os estudos na escola da diocese de Reims, onde também se ordenou e posteriormente lecionou teologia. Como aluno, teve até mesmo um futuro papa. Mas também conhecia a fama de santidade do bispo de Grenoble, por isso decidiu procurá-lo.

Assim, no lugar indicado por ele, Bruno liderou a construção da primeira Casa de Oração, com pequenas celas ao redor. Nascia a Ordem dos monges Cartuxos, cujas Regras foram aprovadas em 1176, mas ele já havia morrido. Lá, ele e seus discípulos se obrigaram ao silêncio permanente e absoluto. Oravam, trabalhavam, repousavam e comiam, mas no mais absoluto e total silêncio.

Em 1090, o sumo pontífice era seu ex-aluno, que, tomando o nome de papa Urbano II, chamou Bruno para ser seu conselheiro. Ele, devendo obediência, abandonou aquele lugar ermo que amava profundamente. Porém não resistiu muito em Roma.

Logo obteve aprovação do papa para construir seu mosteiro de Grenoble e também a autorização para fundar outra Casa da Ordem dos Cartuxos, na Calábria, num local ermo chamado bosque de La Torre, hoje chamado Serra de São Bruno, província de Vito Valentia.

Viveu assim recolhido até que adoeceu gravemente. Chamou, então, os irmãos e fez uma confissão pública da sua vida e reiterou a profissão da sua fé, entregando o espírito a Deus em 6 de outubro de 1101. Gozando de fama de santidade, seu culto ganhou novo impulso em 1515. Na ocasião, o seu corpo, enterrado no cemitério no Convento de La Torre, foi exumado e encontrado completamente intacto, tendo, assim, sua celebração confirmada.

Em 1623, o papa Gregório XV declarou Bruno santo da Igreja. Seguindo o carisma de seu fundador, a Ordem dos Cartuxos é uma das mais austeras da Igreja Católica e seguiu assim ao longo dos tempos, como ele mesmo previu: "Nunca será reformada, porque nunca será deformada". Entretanto, atualmente, conta apenas com dezenove mosteiros espalhados pelo mundo todo.

São comemorados também nesta data: Santa Maria Francisca, Santa Erotides, Santa Alberta de Agen (mártir), São Barto de Vaison (bispo), Santos Marcelo, Casto, Saturnino (mártires de Cápua).

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

 

SANTA MARIA FAUSTINA KOWALSKI - 1905-1938

 

Não podemos dizer que exista alguma novidade numa irmã que fale sobre a Misericórdia Divina e do nosso dever de ser misericordioso.

Assim como sabemos que, sob a insígnia da Misericórdia, nasceram muitas comunidades e instituições cristãs, ao longo de todos os tempos. O diferencial de santa Faustina foi ter dado vida, sob essa insígnia, a um grande movimento espiritual, justamente quando a humanidade mais carecia de misericórdia: entre as duas guerras mundiais.

Nascida na aldeia Glogowiec, na Polônia central, no dia 25 de agosto de 1905, em uma numerosa família camponesa de sólida formação cristã, foi batizada com o nome de Helena, terceira dos dez filhos de Mariana e Estanislau Kowalski.

Desde a infância, sentiu a aspiração à vida consagrada, mas teve de esperar diversos anos antes de poder seguir a sua vocação. Mas desde aquela época só fez percorrer a via da santidade.

Aos dezesseis, anos deixou a casa paterna e começou a trabalhar como doméstica, na cidade de Varsóvia, da Polônia independente. Lá, maturou na oração a sua verdadeira vocação de religiosa. Assim, em 1925, ingressou na Congregação das Irmãs da Bem-Aventurada Virgem Maria da Misericórdia, adotando o nome de Maria Faustina.

O carisma desse Instituto está voltado para a educação das jovens e para a assistência das mulheres necessitadas de renovação espiritual. Após concluir o noviciado e emitir os votos perpétuos, percorreu diversas casas, exercendo as mais diversas funções, como cozinheira, jardineira e porteira. Teve uma vida espiritual muito rica de generosidade, de amor e de carismas, que escondeu na humildade do seu cotidiano.

Irmã Faustina, como era chamada, ofereceu-se a Deus pelos pecadores, sobretudo por aqueles que tinham perdido a esperança na Misericórdia Divina. Nutriu uma fervorosa devoção à eucaristia e à Virgem Maria, e amou intensamente a Igreja. Com freqüência, era acometida por visões e revelações, até que seu confessor e diretor espiritual lhe sugeriu anotar tudo.

Assim, em 1934 ela começou a escrever um diário, intitulado "A Divina Misericórdia em minh'alma", mais tarde traduzido e publicado em vários países.

Em seu diário, irmã Faustina escreveu que à perfeição chegamos através da união íntima da alma com Deus, e não por meio de graças, revelações ou êxtases. Ela se manteve sempre tão humilde que não acreditava, na sua própria experiência mística, um sinal de santidade. Expressou todo o seu amor ao Senhor por meio de uma fórmula muito simples, que fez questão de propagar entre os fiéis: "Jesus, confio em vós".

Consumida pela tuberculose, ela morreu no dia 5 de outubro de 1938, com apenas trinta e três anos de idade, na cidade de Cracóvia, Polônia.

Beatificada em 1993, foi proclamada santa Maria Faustina Kowalski pelo papa João Paulo II em 2000. As suas relíquias são veneradas no Santuário da Divina Misericórdia, de Cracóvia.

Celebrados também na data deste dia: São Benedito, o Negro (religioso), Santa Flávia, Bem-aventurado Francisco Xavier Sellos, São Marcelino de Rayenne (bispo), São Mateus Carrieri (presbítero, dominicano), São Palmácio e comapanheiros (mártires de Treves).

domingo, 4 de outubro de 2020

 

SÃO FRANCISCO, O POBREZINHO DE ASSIS - 1182-1226

 

Fundou a Ordem dos Franciscanos a Ordem dos Capuchinhos e a Ordem dos Franciscanos Conventuais. Filho de comerciantes, Francisco Bernardone nasceu em Assis, na Umbria, em 1182.

Francisco em berço de ouro, pois a família tinha posses suficientes para que levasse uma vida sem preocupações.

Não seguiu a profissão do pai, embora este o desejasse. Alegre, jovial, simpático, era mais chegado às festas, ostentando um ar de príncipe que encantava.

Mas mesmo dado às frivolidades dos eventos sociais, manteve em toda a juventude profunda solidariedade com os pobres. Proclamava jamais negar uma esmola, chegando a dar o próprio manto a um pedinte por não ter dinheiro no momento.

Jamais se desviou da educação cristã que recebeu da mãe, mantendo-se casto. Francisco logo percebeu não ser aquela a vida que almejava.

Chegou a lutar numa guerra, mas o coração o chamava à religião. Um dia, despojou-se de todos os bens, até das roupas que usava no momento, entregando-as ao pai revoltado.

Passou a dedicar-se aos doentes e aos pobres. Tinha vinte e cinco anos e seu gesto marcou o cristianismo. Foi considerado pelo papa Pio XI o maior imitador de Cristo em sua época.

A partir daí viveu na mais completa miséria, arregimentando cada vez mais seguidores. Fundou a Primeira Ordem, os conhecidos frades franciscanos, em 1209, fixando residência com seus jovens companheiros numa casa pobre e abandonada. Pregava a humildade total e absoluta e o amor aos pássaros e à natureza. Escreveu poemas lindíssimos homenageando-a, ao mesmo tempo que acolhia, sem piscar, todos os doentes e aflitos que o procuravam. Certa vez, ele rezava no monte Alverne com tanta fé que em seu corpo manifestaram-se as chagas de Cristo.

Achando-se indigno, escondeu sempre as marcas sagradas, que só foram descobertas após a sua morte. Hoje, seu exemplo muito frutificou. Fundador de diversas ordens, seus seguidores ainda são respeitados e imitados. Franciscanos, capuchinhos, conventuais, terceiros e outros são sempre recebidos com carinho e afeto pelo povo de qualquer parte do mundo.

Morreu em 4 de outubro de 1226, com quarenta e quatro anos. Dois anos depois, o papa Gregório IX o canonizou. São Francisco de Assis viveu na pobreza, mas sua obra é de uma riqueza jamais igualada para toda a Igreja Católica e para a humanidade.

O Pobrezinho de Assis, por sua vida tão exemplar na imitação de Cristo, foi declarado o santo padroeiro oficial da Itália. Numa terra tão profundamente católica como a Itália, não poderia ter sido outro o escolhido senão são Francisco de Assis, que é, sem dúvida, um dos santos mais amados por devotos do mundo inteiro.

Assim, nada mais adequado ter ele sido escolhido como o padroeiro do meio ambiente e da ecologia. Por isso que no dia de sua festa é comemorado o "Dia Universal da Anistia", o "Dia Mundial da Natureza" e o "Dia Mundial dos Animais".

Mas poderia ser, mesmo, o Dia da Caridade e de tantos outros atributos.

A data de sua morte foi, ao mesmo tempo, a do nascimento de uma nova consciência mundial de paz, a ser partilhada com a solidariedade total entre os seres humanos de boa vontade, numa convivência respeitosa com a natureza.

Também lembrados neste dia: São Petrônio, São Amônio, Santos Caio, Fausto, Eusébio, Queremon, Lúcio e seus companheiros (mártires de Alexandria).

 

04 DE OUTUBRO DE 2017/2019/2020

SÃO FRANCISCO DE ASSIS – O POBREZINHO DE ASSIS - 1182-1226

 

O nascimento.

Filho de Pietro Bernardone e Dona Pica Bernardone, Francisco nasceu entre 1181 e 1182, na cidade de Assis, província da Umbria no centro da Itália. Seu pai era um rico e próspero comerciante de tecidos, que viajava frequentemente em negócios principalmente para França, de onde trazia a maior parte de suas mercadorias.

Foi de lá também que ele trouxe sua linda e bondosa esposa, Dona Pica. A mãe de Francisco foi de fato a mulher da sua vida e foi ela que emocionado muitas vezes invocou. Francisco sempre nutriu uma atenção e um carinho especial pela relação materna em geral.

 

A sua grande ligação espiritual a Maria, mãe de Jesus é mais um sinal do seu particular respeito e Amor pelas mães de todo o mundo. Era frequente usar a relação materna em geral, como exemplo de Amor nos seus diálogos e pregações.

Em relação ao pai, apesar do amor e respeito que nutria por ele, a relação não foi um exemplo e assim conheceu alguns episódios desagradáveis. Francisco teve um irmão, de que a história pouco fala.

Chegado o momento do parto, Dona Pica, assistida por várias pessoas que ajudavam, teve muitas dificuldades e o nascimento da criança parecia se complicar. Eis que batem à porta, e a criada ao atender depara-se com um mendigo que lhe transmite que a senhora da casa deverá dar à luz no estábulo da casa, junto aos animais.

Dona Pica, ao saber do sucedido, pediu ajuda às criadas para a levarem até ao estábulo. Lá chegada, a criança nasceu e foi lhe dado o nome de João (Giovanni). O pai, quando regressou, em homenagem à França, mudou-lhe o nome para Francisco.

 

           
A Juventude

Francisco era o líder da juventude de sua cidade. Alegre, amante da música e das festas, com muito dinheiro para gastar, tornou-se rapidamente um ídolo entre seus companheiros. Adorava banquetes, noitadas de diversão e cantar serenatas para as belas damas de sua cidade.

A Itália, como toda a Europa daquela época, vivia uma fase bastante conflituosa de sua história, marcada pela passagem do sistema feudal (baseado na estabilidade, na servidão e nas relações desiguais entre vassalos e suseranos) para o sistema burguês, com o surgimento das "comunas" livres (pequenas cidades). Eram frequentes, nesta época, guerras e batalhas entre os senhores feudais e as emergentes comunas.

Como todo jovem ambicioso de sua época, Francisco desejava conquistar, além da fortuna, também a fama e o título de nobreza. Para tal, fazia-se necessário tornar-se herói em uma dessas frequentes batalhas.

No ano de 1201, incentivado por seu pai, que também ansiava pela fama e nobreza, Francisco partiu para mais uma guerra que os senhores feudais, baseados na vizinha cidade de Perúsia, haviam declarado contra a Comuna de Assis.

Durante os combates, em uma tarde de inverno, Francisco caiu prisioneiro, sendo levado para a prisão de Perúsia, onde permaneceu longos e gelados meses. Para um jovem cheio de vida como ele, a inércia da prisão deve ter sido especialmente dolorosa.

Somente seu espírito alegre, seu temperamento descontraído e seu gosto pela música o salvaram do desespero. Encontrava ainda forças para reconfortar e reanimar a seus companheiros de infortúnio. Costumava dizer, em tom de brincadeira para seus companheiros: "Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam?

O mundo inteiro ainda falará de mim!" Ao término de um ano foi solto da prisão, retornando para Assis, onde se entregou novamente aos saudosos divertimentos da juventude e às atividades na casa comercial de seu pai.

 

Enfermidade e o início da conversão

O clima insalubre da prisão, agravado pelos prolongados meses de inverno, haviam-lhe enfraquecido o organismo, provocando agora uma grave enfermidade. Depois de longos meses de sofrimento, sem poder sair da cama, finalmente conseguiu melhorar.

Ao levantar-se, porém, não era mais o mesmo Francisco. Sentiu-se diferente, sem poder compreender o porque. A verdade é que a humilhação e o sofrimento da prisão, somado ao enfraquecimento causado pela doença, provocaram profundas mudanças no jovem Francisco. Foi o caminho que Deus escolheu para entrar mais profundamente em sua vida. Já não sentia mais prazer nas cantigas e banquetes em companhia dos amigos.

Começou a perceber a leviandade dos prazeres puramente terrenos, embora ainda não buscasse a Deus. Na verdade, Francisco não nasceu santo, mas lutou muito para se tornar santo!

Francisco havia perdido o gosto pelos prazeres mundanos, mas conservava ainda a ambição da fama. Por esse motivo, sonhava com a glória das armas e a nobreza, que se conquistavam nos campos de batalha. Por isso, aderiu prontamente ao exército que o Conde Gentile de Assis estava organizando para ajudar o Papa Inocêncio III na defesa dos interesses da Igreja.

Contou para isso com a aprovação entusiasmada do pai, que vislumbrava aí a oportunidade tão longamente esperada de enobrecer sua família. Deus, porém, lhe reservava algumas surpresas...

Antes de partir, num impulso de generosidade, Francisco cedeu a um amigo mais pobre os ricos trajes e a armadura caríssima que havia preparado para si. Isso lhe valeu um sonho estranho: viu um castelo repleto de armas destinadas a ele e a seus companheiros.

Francisco não conseguiu entender o significado do sonho. Pensou que estava, talvez, destinado a ser um famoso guerreiro! O fato é que o sonho não lhe saía do pensamento. Ao chegar ao povoado de Espoleto, Deus tornou a lhe falar em sonhos, desta vez com maior clareza, de modo que ele reconheceu a voz divina que lhe perguntava: "A quem queres servir: ao Servo ou ao Senhor?" Francisco respondeu prontamente: "Ao Senhor, é claro!" A voz tornou a lhe falar: "Por que insistes então em servir ao servo? Se queres servir ao Senhor, retorna a Assis. Lá te será dito o que deves fazer!"

Francisco entendeu, então, que estava buscando apenas a glória humana e passageira. Estava fazendo a vontade de pessoas ambiciosas e mesquinhas e não a vontade do Senhor do Universo. Desafiando os sorrisos de desdém dos vizinhos e a cólera de Pedro Bernardone, contrariado em seus projetos, Francisco retornou a Assis, dando prova da energia de seu caráter e do valor do seu ânimo, virtudes que se mostrariam valiosas mais tarde nos percalços de seu novo caminho.

Começou a longa busca e a longa espera: "O que Deus quer de mim? O que Ele quer que eu faça?" Era esse o constante questionamento de Francisco. Para tentar desvendar os desígnios de Deus, passou a se dedicar à oração e à meditação.

Percorria campos e florestas em busca de lugares mais tranquilos, em busca de respostas para suas dúvidas e inquietações. Para ele, tudo passou a ter outro sentido. Passou a enxergar as coisas com outros olhos e outro coração.

 

                      
Viagem a Roma

Em busca de respostas, decidiu viajar para Roma, isso no ano de 1205. Visitou a tumba do Apóstolo São Pedro e, indignado pelo que viu, exclamou: "É uma vergonha que os homens sejam tão miseráveis com o Príncipe dos Apóstolos!" E jogou um grande punhado de moedas de ouro, contrastando com as escassas esmolas de outros fiéis menos generosos. A seguir, trocou seus ricos trajes com os de um mendigo e fez sua primeira experiência de viver na pobreza.

Voltou a Assis, à casa paterna, entregando-se ainda mais à oração e ao silêncio.

A família e os amigos estavam preocupados com o jovem Francisco: o que lhe estaria acontecendo? Será que ainda estava em pleno juízo? Seu pai, então, não se conformava! Não era isso que ele tinha sonhado para seu filho! Indignado, forçava-o a trabalhar cada vez mais em seu estabelecimento comercial.


O beijo no leproso e o novo chamado de Deus

Em 1206, passeando a cavalo pelas campinas de Assis, viu um leproso, que sempre lhe parecera um ser horripilante, repugnante à vista e ao olfato, cuja presença sempre lhe havia causado invencível nojo.

Mas, então, como que movido por uma força superior, apeou do cavalo, e, colocando naquelas mãos sangrentas seu dinheiro, aplicou ao leproso um beijo de amizade. Falando depois a respeito desse momento, ele diz: "O que antes me era amargo, mudou-se então em doçura da alma e do corpo. A partir desse momento, pude afastar-me do mundo e entregar-me a Deus".

Pouco depois, entrou para rezar e meditar na pequena capela de São Damião, semi destruída pelo abandono. Estava ajoelhado em oração aos pés de um crucifixo bizantino, que a piedade popular ali venerava, quando uma voz, saída do crucifixo, lhe falou: "Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas".

Não percebendo o alcance desse chamado e vendo que aquela Igrejinha estava precisando de urgente reforma, Francisco regressou a Assis, tomou da loja paterna um grande fardo de fina fazenda e vendeu-a. Retornando, colocou o dinheiro nas mãos do sacerdote de São Damião, oferecendo-se para ajudá-lo na reconstrução da capela com suas próprias mãos.

Conhecendo o caráter de Pedro Bernardone, é fácil imaginar sua cólera ao ver desfalcada sua casa comercial e perdido o seu dinheiro. Não bastava já o desfalque que dava ao entregar gratuitamente mercadorias e alimentação para os "vagabundos" necessitados? Agora mais essa! E Francisco teve que se esconder da fúria paterna. Certo dia saiu resolutamente a mendigar o sustento de porta em porta na cidade de Assis.

Para Bernardone isso já era demais! Como podia ele envergonhar de tal forma sua família? Se seu filho havia perdido o juízo, era necessário encarcerá-lo! Assim, Francisco experimentou mais uma vez o cativeiro, desta feita num escuro cubículo debaixo da escada da própria casa paterna. Depois de alguns dias, movida pela compaixão, sua mãe abriu-lhe às escondidas a porta e o deixou partir livremente para seguir o seu destino.


O despojamento das vestes e dos bens materiais  

 

Ao final de 1206, Pedro Bernardone, convencido de que nem as razões nem a força podiam torcer o ânimo de Francisco, decidiu recorrer ao Bispo, instaurando-se um julgamento como nunca aconteceu na história de outro santo.

O palco do julgamento foi à própria Praça Comunal de Assis, junto à igreja de Santa Maria e à casa do bispo, bem à vista de todos. Bernardone exigiu que seu filho lhe devolvesse tudo quanto recebera dele. Francisco sem vacilar um momento se despojou de tudo até ficar nu, jogou os trajes e o dinheiro aos pés de seu pai, e exclamou: "Até agora chamei de pai a Pedro Bernardone. Doravante não terei outro pai, senão o Pai Celeste".

O Bispo, então, o acolheu, envolvendo-o com seu manto.

Daquele momento em diante, cantando "Sou o arauto do Grande Rei, Jesus Cristo", afastou-se de sua família e de seus amigos e entregou-se ao serviço dos leprosos, tratando de suas feridas, e à reconstrução das Capelas e Oratórios que cercavam a cidade.

Cada dia percorria as ruas mendigando seu pão e convidando as pessoas para que contribuíssem com pedras e trabalho na restauração das "Casas de Deus" que estavam em ruínas. De alguns recebia apoio e incentivo. De muitos, o desprezo e a zombaria.

No entender da maioria, o filho de Pedro Bernardone havia perdido completamente o juízo. Estava já terminando a restauração da última Igrejinha da redondeza, a capelinha de Santa Maria dos Anjos e perguntava-se o que faria depois. O que mais lhe pediria Deus? Não havia entendido ainda que a Igreja que devia restaurar não era a de pedra, mas a própria Igreja de Cristo, enfraquecida na época pelas divisões, heresias e pelo apego de seus líderes às riquezas e ao poder. Devia ser aquele o ano de 1209.

Certo dia, Francisco escutou, durante a missa, a leitura do Evangelho: tratava-se da passagem em que Cristo instruía seus Apóstolos sobre o modo de ir pelo mundo, "sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso..." (Lc 9,3).

Tais palavras encontraram eco em seu coração e foram para ele como intensa luz. E exclamou, cheio de alegria: "É isso precisamente o que eu quero! É isso que desejo de todo o coração!" E sem demora começou a viver, como o faria em toda a sua vida, a pura letra do Evangelho. Repetia sempre para si e, mais tarde, também para seus companheiros: "Nossa regra de vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo"!

A partir daquele dia, Francisco iniciou sua vida de pregador itinerante, percorrendo as localidades vizinhas e pregando, em palavras simples, o Evangelho de Cristo. Muitos começaram, enfim, a compreender o sentido dessa vida e manifestaram o desejo de seguí-la.

No ano de 1210, Francisco e seus seguidores viajaram até Roma para buscar a aprovação do Papa para o seu modo de vida. Mas como aquele bando de mendigos, maltrapilhos e desconhecidos seria recebido pelo severo Inocêncio III?

Francisco rezava e confiava. Afinal, não era o próprio Cristo que o estava conduzindo? Por coincidência ou providência divina, encontrava-se em Roma, nessa ocasião, o Bispo de Assis, grande admirador de Francisco.

Graças a ele o Papa os recebeu. Inocêncio III ficou maravilhado com o propósito de vida daquele grupo e, especialmente, com a figura de Francisco, a clareza de sua opção e a firmeza que demonstrava. Reconheceu nele o homem que há pouco vira em sonho, segurando as colunas da Igreja de Latrão (a igreja-mãe de todas as Igrejas do mundo!), que ameaçava ruir.

O Papa reconheceu que era o próprio Deus quem inspirava Francisco a viver radicalmente o Evangelho, trazendo vida nova a toda a Igreja, naquele tempo tão distanciada dos ensinamentos de Cristo! Por isso deu a seu modo de viver o Evangelho a aprovação oficial da Igreja. Autorizou Francisco e seus seguidores a pregar o Evangelho nas igrejas e fora delas e os despediu com sua bênção. Este fato histórico ocorreu a 16 de Abril de 1210, marcando o nascimento oficial da Ordem Franciscana.

Ao voltar de Roma, Francisco e seus companheiros resolveram ficar por uns tempos em Rivotorto. No lugar de Rivotorto, existia um pequeno casebre, cuja função era apoiar e dar abrigo aos viajantes que pontualmente passavam por ali.


A morte de Francisco

Quando percebeu que estava próximo de morrer, mandou que o levassem para a sua pequena cela na Porciúncula. No sábado, dia 03 de Outubro, o Santo vivia os seus últimos momentos. Ao entardecer começou a cantar o Salmo 141 de David, rodeado pelos frades que choravam e não queriam deixá-lo sozinho.

Com o passar do tempo, o som de sua voz foi perdendo a intensidade até que emudeceu inteiramente. Seus lábios fecharam para sempre e foi cantando, que entrou na eternidade. Deus infinita bondade, ainda permitiu uma última saudação ao seu humilde cantor. Por cima de sua cabana e ao redor, apenas a voz do Santo calou, o espaço foi ocupado por um sonoro e imprevisto coro de vozes de todas as aves, que em profusão e admirável alarido vieram cantando dar-lhe o último adeus.

 

Dois anos após sua morte foi beatificado e em 1228, declarado Santo no dia 16 de Julho pelo Papa Gregório IX. Seu Mausoléu encontra-se na Basílica com o seu nome, em Assis. São Francisco foi escolhido oficialmente padroeiro da Itália.

 

Uma ordem de irmãos

A Ordem Franciscana foi criada como uma Ordem de Irmãos, que assumiam a missão de viver e pregar o Evangelho. Não era uma Ordem Clerical (Ordem composta por sacerdotes), como outras que já existiam.

O próprio Francisco não quis ser sacerdote e os primeiros frades também não tinham esse objetivo. Desde o início, porém, houve o ingresso de alguns sacerdotes já formados, que desejavam ser franciscanos. Algum tempo depois, sobretudo quando Santo Antonio, professor de Teologia, ingressou na Ordem, passou a ensinar Teologia aos frades e alguns deles passaram a se ordenar sacerdotes.

Mais tarde, devido principalmente às necessidades da Igreja, a maioria dos frades passou a se ordenar. Mas até hoje, dentro da ordem Franciscana, convivem como irmãos, em igualdade de condições, frades sacerdotes e não sacerdotes (estes chamados outrora de irmãos leigos, por não serem sacerdotes), cada um exercendo a sua função.

Esse é, sem dúvidas, um dos aspectos mais belos da Ordem criada por São Francisco.

 

As Clarissas

Francisco, além de fundar a 1ª Ordem Franciscana (masculina), foi também o fundador da 2ª Ordem Franciscana, conhecida também por Ordem de Santa Clara, abrindo assim a vivência do ideal franciscano para o ramo feminino.

A primeira religiosa franciscana foi a jovem Clara Offreduccio, mais tarde chamada de Santa Clara de Assis, jovem de família nobre e admiradora de Francisco desde que o conhecera como "Rei da Juventude" pelas ruas e festas de Assis. Passou a admirá-lo mais ainda, quando se tornou um inflamado pregador da alegria e da paz, da pobreza e do amor de Deus, não só através de palavras, mas com o exemplo de sua própria vida.

Era isso precisamente o que almejava a jovem Clara. Não estava satisfeita com os esplendores do palácio de sua família, nem com o sonho do futuro enlace principesco ao qual seus pais a estavam encaminhando. Sonhava com uma vida mais cheia de sentido, que lhe trouxesse uma verdadeira felicidade e realização.

O estilo de vida dos frades a atraía cada vez mais.

Depois de muitas conversas com Francisco, aos 18 de março de 1212, (Domingo de Ramos), saiu de casa sorrateiramente em plena noite, acompanhada apenas de sua prima Pacífica e de outra fiel amiga, e foi procurar Francisco na Igrejinha de Santa Maria dos Anjos, onde ele e seus companheiros já a aguardavam.

Frente ao altar, Francisco cortou-lhe os longos e dourados cabelos, cobrindo-lhe a cabeça com um véu, sinal de que a donzela Clara fizera a sua consagração como Esposa de Cristo. Nem a ira dos seus parentes, nem as lágrimas de seus pais conseguiram fazê-la retroceder em seu propósito.

Poucos dias depois, sua irmã, Inês, veio lhe fazer companhia, imbuída do mesmo ideal. Alguns anos após, sua mãe, Ortulana, juntamente com sua terceira filha Beatriz, seguiu Clara, indo morar com ela no conventinho de São Damião, que foi a primeira moradia das seguidoras de São Francisco.

Com o correr dos anos, rainhas e princesas, juntamente com humildes camponesas, ingressaram naquele convento para viver, à luz do Evangelho, a fascinante aventura das Damas Pobres, seguidoras de São Francisco, muitas das quais se tornaram grandes exemplos de santidade para toda a Igreja. Assim, nada mais adequado ter ele sido escolhido como o padroeiro do meio ambiente e da ecologia.

Por isso que no dia de sua festa é comemorado o "Dia Universal da Anistia", o "Dia Mundial da Natureza" e o "Dia Mundial dos Animais". Mas poderia ser mesmo o Dia da Caridade e de tantos outros atributos.

A data de sua morte foi, ao mesmo tempo, a do nascimento de uma nova consciência mundial de paz, a ser partilhada com a solidariedade total entre os seres humanos de boa vontade, numa convivência respeitosa com a natureza.

Também lembrados neste dia: São Petrônio, São Amônio, Santos Caio, Fausto, Eusébio, Queremon, Lúcio e seus companheiros (mártires de Alexandria).

 

OS TRABALHADORES DA VINHA

 

“A PEDRA QUE OS CONSTRUTORES REJEITARAM TORNOU-SE A PEDRA ANGULAR” (Mt 21,42).

 

XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ano – A; Cor – verde; Leituras: Is 5,1-7; Sl 79 (80); Fl 4,6-9; Mt 21,33-43.

 

Diácono Milton Restivo

 

Isaias foi um profeta apaixonado para as coisas de Yahweh. Não se conformava em ver a ingratidão do povo que virara as costas para o seu Deus e insistia em permanecer na situação de ignorância voluntária no que diz respeito aos mandamentos e convites amorosos que Yahweh lhe fazia para que vivesse na paz, na justiça e no amor fraterno.

Isaias sabia que esse afastamento iria trazer ao povo consequências drásticas. Isaias insiste em chamar a atenção do povo e é constante nas suas denúncias.

A primeira leitura de hoje nos traz um dos cânticos mais famosos do livro de Isaias, um poema lírico de grande beleza, uma canção de amor, retratando o amor e os cuidados que Yahweh tem por seu povo que, em troca, só demonstra ingratidão e desrespeito.

Nesta leitura Isaias conta uma parábola apresentando Yahweh como agricultor de uma vinha, o que viria a ser ratificado mais tarde por Jesus, que se identifica como a verdadeira videira, quando disse: “Eu sou a verdadeira videira, e meu Pai é o agricultor.” (Jo 15,1).

Isaias demonstra o extremo amor que Yahweh tem por sua vinha: “Neste dia, cantarão para a vinha formosa: eu, Yahweh, sou responsável por ela. Eu a rego com frequência; para que ninguém venha estragá-la, eu a vigio dia e noite. Eu não estou encolerizado. Se alguém produzisse nela espinhos e ervas daninhas, eu me lançaria contra ele para queimá-lo. Quem busca a minha proteção fará as pazes comigo; sim, comigo fará as pazes.” (Is 27,2-5).

Na leitura desta liturgia Isaias apresenta aqui uma vinha plantada pelo agricultor com extremo cuidado e carinho, tendo sido logrado no seu trabalho, porque a vinha nada de bom produziu. O agricultor “capinou a terra, tirou as pedras e plantou nela videiras de uvas vermelhas. No meio, construiu uma guarita e fez um tanque de pisar uvas. Esperava que produzisse uvas boas, mas ela produziu uvas azedas.” (Is 5,2).

Na sua frustração, o agricultor lamenta profundamente o resultado colhido da videira boa que havia plantado, porque ela deveria produzir “uvas boas, mas ela produziu uvas azedas”, e lamenta com pesar: “o que mais eu deveria ter feito pela minha vinha, que não fiz? Por que esperei que desse uvas boas, e ela me deu uvas azedas?” (Is 5,4). E toma uma decisão drástica: “Pois agora vou dizer-lhes o que farei com minha vinha: vou arrancar a sua cerca para que sirva de pasto; derrubarei o seu muro para que seja pisada. Vou fazer dela um matagal: ficará sem podar e nem capinar; só mato e espinhos crescerão nela; e às próprias nuvens eu mandarei que não chovam sobre ela.” (Is 5,5-6).

A seguir Isaias, através de um belo jogo de palavras, identifica quem seja a vinha e o que Yahweh esperava dela: “A vinha de Yahweh dos exércitos é a casa de Israel, e sua plantação preferida são os homens de Judá. Eu esperava deles o direito, e produziram injustiça; esperava justiça, e ai estão gritos de desespero.” (Is 5,7).

Outro profeta, Jeremias, também narra a desilusão do agricultor quando viu sua vinha não corresponder aos seus anseios, aos seus cuidados e amor: “Eu havia plantado você como lavoura especial, com mudas legitimas. E como é que você se transformou em ramos degenerados de vinha sem qualidade?” (Jr 2,21).

Uma vinha que não dá frutos bons só serve para ser arrancada e jogada no fogo, como disse Jesus: “esses ramos serão ajuntados, jogados no fogo e queimados” (Jo 15,6b), repetindo o que dissera o profeta Ezequiel a respeito do mesmo assunto: “Veja! Ela é jogada no fogo para queimar, e o fogo devora as duas pontas, e também o meio fica queimado. Será que vai servir para alguma coisa? Se quando ela estava inteira não servia para nada, quanto mais agora que o fogo a consumiu e ela ficou queimada.” (Ez 15,4-5).

No Salmo 80 (79), que é o Salmo desta liturgia, o salmista recorda que Yahweh havia tirado uma videira do Egito, expulsado nações e a transplantado nos lugares das nações expulsas de suas terras. Diz que Yahweh “preparou o terreno e, lançando raízes, ela encheu a terra. Sua sombra cobria as montanhas, e seus ramos, os cedros de Deus. Ela estendia os galhos até o mar, e até o rio os seus rebentos.” (cf Sl 80 (79), 9-12). A seguir, o salmista reconhece que a videira não foi generosa com o agricultor que derrubou as suas cercas “para que os viandantes a saqueiem, e os javalis da floresta a devastem, e as feras do campo a devorem.” (cf Sl 80 (79), 13-14).

Muitas outras passagens a respeito do amor e da frustração do agricultor, que é Yahweh, com a sua vinha, que é o povo de Judá que, na maior parte das vezes é infiel (cf Is 5,7) encontramos em outras passagens do Antigo Testamento, como em Ezequiel 19,10-14, Oséias 10,1, e outras.

As uvas eram culturas de subsistência na Palestina. Por isso, Yahweh no Antigo Testamento e Jesus no Novo Testamento lançam mão da vinha ou videira como símbolo e exemplo do povo de Israel e Judá (cf Ez 15,1-8; 19,10-14; Sl 80,8-16; Jr 5,10; 6,9).

O profeta Oséias, 10,1-2, compara o fracasso do povo de Israel em cumprir as expectativas de Yahweh com a parreira que servia de riqueza para construir os altares dos deuses pagãos. Israel fracassou. Mas Jesus é a verdadeira videira, cumprindo o chamado e o destino de Israel (Jo 15,1).

A figueira e a oliveira, assim como a videira, também são símbolos de fertilidade e prosperidade para o povo de Israel. A oliveira simboliza, principalmente, a fidelidade e a determinação. O salmista diz: “Quanto a mim, como oliveira verdejante na casa de Deus, é no amor de Deus que eu confio” (Sl 52,8).

Yahweh usa a figura da vinha para compará-la ao povo escolhido por ele. “A vinha de Yahweh dos exércitos é a casa de Israel, e sua plantação preferida são os homens de Judá.” (Is 5,7). O mesmo cuidado que o agricultor deve ter pela vinha que plantou, Yahweh deixa claro que tem pelo seu povo e sempre buscou colocar dirigentes que deveriam ser responsáveis para o encaminhamento deste povo, mas muitas vezes também se desiludiu com as atitudes desses pastores que destruíram a sua vinha, pisaram o seu campo e a tornaram desolada como um deserto infrutífero: “Muitos pastores devastaram a minha vinha e pisotearam a minha propriedade; transformaram minha propriedade querida num deserto desolado; dela fizeram um lugar devastado, e a deixaram em estado deplorável; está desolada diante de mim: o país inteiro foi devastado, e ninguém se preocupa com isso.” (Jr 12,10-11).

O preço a ser pago por muitos homens de Deus, que se portam com indiferença ao cuidar da vinha de Senhor, será altíssimo. Vinhas abandonadas e destruídas pelos animais selvagens são vistas em toda a terra. Os pastores responderão por isso. Esse comportamento os identifica como mercenários citados por Jesus no Evangelho de João na parábola do bom Pastor: “O mercenário foge porque trabalha só por dinheiro, e não se importa com as ovelhas.”. (Jo 10,13).

A parábola dos trabalhadores infiéis da vinha é contada exatamente para os dirigentes religiosos do povo judeu, - (não seria para os de hoje também?) - porque estava conversando com eles, como cita Mateus anteriormente: “Jesus voltou ao Templo. Enquanto ensinava, os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo se aproximaram...” (Mt 21,23).

É para eles, às autoridades religiosas, aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo que Jesus conta a parábola dos dirigentes infiéis da vinha de Yahweh, porque eram eles que cuidavam da vinha de Yahweh no tempo de Jesus.

Na parábola Jesus diz que o dono da vinha a havia construído num lugar propício e, para que a vinha não fosse atacada ou invadida por animais selvagens que a danificasse ou destruísse, colocou em sua volta uma cerca. Não contente com isso e, demonstrando o seu extremo amor e cuidado para com a vinha, construiu no centro da vinha uma alta torre, onde colocou um sentinela permanente para evitar a invasão sorrateira de quem quer que fosse. Como tinha que viajar para terras distantes, arrendou a sua amada vinha para vinhateiros. “Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos.” (Mt 21,34-).

Vou apenas repetir o óbvio: o dono da vinha é Yahweh. A vinha é o povo de Israel, que foi cuidado por Yahweh com extremo cuidado e amor: “A vinha de Yahweh dos exércitos é a casa de Israel, e sua plantação preferida são os homens de Judá.” (Is 5,7). A vinha, hoje, continua sendo de Yahweh, e quem deve cuidar dessa vinha são as autoridades constituídas para essa finalidade.

 Os vinhateiros, a quem Yahweh entregou os cuidados de sua vinha, no Antigo Testamento, eram as autoridades religiosas do povo, os sacerdotes, os escribas, os anciãos e os doutores da Lei. Os empregados que Yahweh mandou para colher os frutos de sua vinha, eram os profetas do Antigo Testamento enviado por Yahweh. Mas, o que aconteceu com eles? “Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espacaram a um, mataram o outro e ao terceiro apedrejaram. O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles o trataram da mesma forma.” (Mt 21,35-36).

Jesus, através das parábolas da vinha que vem contando, procura refrescar a memória das autoridades religiosas dos judeus que, em tempos passados, não receberam e mataram os profetas enviados por Yahweh e que agora manipulavam o povo e o conduzia por caminhos tortuosos, seguindo o exemplo de seus próprios pais: “Ai de vocês, também especialistas em leis! Porque vocês impõem sobre os homens cargas insuportáveis, e vocês mesmos não tocam essas cargas nem com um só dedo. Ai de vocês, porque constroem túmulos para os profetas; no entanto, foram os pais de vocês que os mataram. Com isso, vocês são testemunhas e aprovam as obras dos pais de vocês, pois eles mataram os profetas, e vocês constroem os túmulos.” (Lc 11,46-48).

O dono da vinha, não acreditando na ingratidão e maldade dos vinhateiros, mandou seu próprio filho para colher os frutos da vinha, julgando: “Ao meu filho eles vão respeitar.” (Mt 21,37). Mas, o que aconteceu? “Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e tomar posse da sua herança’. Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram.” (Mt 21,38-39).

Identificamos já quem seria o filho do dono da vinha? E porque o agarram, jogaram para fora e o mataram? O filho do dono da vinha é o Filho único do Pai que, como os demais empregados do dono da vinha foi rejeitado, julgado dentro da cidade de Jerusalém e conduzido para ser morto fora da cidade, tendo, assim Jesus antevisto a maneira como seria morto.

Jesus, na sua pedagogia, perspicácia e psicologia, faz com que as autoridades religiosas dos judeus dêem o próprio veredicto da sua condenação, perguntando-lhes: “Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros’? Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: ‘Com certeza, mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhes entregarão os frutos no tempo certo.” (Mt 21,40-41).

Sem perceber, e nas suas arrogância e prepotência, as autoridades religiosas judaicas decretam a sua própria condenação. E no ano 70 da era cristã, trinta e cinco anos após a Ascensão de Cristo aos céus, quando, sob o domínio de Tito, general romano, toda a Palestina fora destruída, e os judeus tiveram que se dispersar pelo mundo, concretiza-se essa previsão de Jesus e a profecia de Jesus quando, inconformado, chorou sobre a cidade de Jerusalém: “Se também você compreendesse hoje o caminho da paz! Agora, porém, isso está escondido aos seus olhos! Vão chegar dias em que os inimigos farão trincheiras contra você, a cercarão e apertarão todos os lados. Eles esmagarão você e seus filhos, e não deixarão em você pedra sobre pedra. Porque você não reconheceu o tempo em que Deus veio para visitá-la.” (Lc 19,42-44).

Anteriormente Jesus já dissera às autoridades religiosas: “É por isso que a sabedoria de Deus disse: ‘eu lhes enviarei profetas e apóstolos. Eles o matarão e perseguirão, a fim de que se peçam contas a essa geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o Santuário. Sim, eu digo a vocês: pedirão contas disso a essa geração. Ai de vocês, especialistas em leis, porque vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar.” (Lc 11,49-52).

Dando continuidade à parábola dos vinhateiros infiéis, Jesus continua: “Vocês nunca leram nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se a pedra angular, isso foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos’? (Mt 21,42). A pedra rejeitada é o próprio Jesus que tornou-se a pedra principal da nossa fé, da nossa Igreja.

Jesus finaliza, dizendo: “Por isso eu digo a vocês: o Reino de Deus será tirado de vocês e entregue a um povo que produzirá frutos.” (Mt 21,43).

O Reino de Deus pelas obras dos apóstolos passou a outros povos.

 

sábado, 3 de outubro de 2020

 

OS SANTOS DO RIO GRANDE DO NORTE

BEM-AVENTURADOS ANDRÉ DE SOVERAL, AMBRÓSIO FRANCISCO FERRO, MATEUS MOREIRA E COMPANHEIROS, PROTOMÁRTIRES BRASILEIROS.

 

Dentro da conturbada invasão dos holandeses no nordeste do Brasil, encontram-se os dois martírios coletivos: o de Cunhaú e o de Uruaçu. Estes martírios aconteceram no ano de 1645, sendo que o padre André de Soveral e Domingos de Carvalho foram mártires em Cunhaú e o padre Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira em Uruaçu; dentre outros.

No Engenho de Cunhaú, principal pólo econômico da capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte), existia uma pequena e fervorosa comunidade composta por setenta pessoas sob os cuidados do padre André de Soveral.

No dia 15 de julho chegou em Cunhaú Jacó Rabe, trazendo consigo seus liderados, os ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe jerera e soldados holandeses. Jacó Rabe era conhecido por seus saques e desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava.

Dizendo-se em missão oficial pelo supremo conselho holandês do Recife, convoca a população para ouvir as ordens do conselho após a missa dominical no dia seguinte.

Durante a santa missa, após a elevação da hóstia e do cálice, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos holandeses com a ajuda dos tapuias e dos potiguares.

A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o Rio Grande e capitanias vizinhas, mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da fortaleza dos Reis Magos.

Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário padre Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto. Os outros moradores, a grande maioria, não podendo ficar no forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 km de Fortaleza.

Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes.

Após passar por várias localidades do rio grande e da Paraíba, Jacó Rabe foi então à Potengi, e encontrou heróica resistência armada dos fortificados.

Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por desesseis dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las. Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos de Deus. Cinco reféns foram levados à fortaleza: Estêvão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia.

Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois grupos: doze na fortaleza e o restante sob custódia em Potengi. Dia 2 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, 3 de outubro.

Os holandeses decidiram eliminar primeiro os doze da fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário. Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o chefe indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados.

Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia.

Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração pelas costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento", por isso o Papa João Paulo II o declarou padroeiro dos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística do Brasil.

A 05 de março de 2000, na praça de são Pedro, no Vaticano, o Papa João Paulo II beatificou os trinta protomártires brasileiros.

Sãoa venerados, também hoje, São Dionísio Areopagita (mártir), Bem-aventurado Columba José Marmion, Santa Maria Josefa, São Geraldo de Brogne, Santos Cândida e Cândido (mártires de Roma), Santos Dionísio, Fausto, Caio, Pedro, Paulo (mártires de Alexandria), Santos Evaldo e Evaldo (dois santos com o mesmo nome, monges beneditinos, mártires).

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

 

SANTOS ANJOS DA GUARDA

 

Deus, que criou todas as coisas, criou também os anjos, para que o louvem, obedeçam e atendam. Criou-os para serem eternamente felizes e para que nos ajudem e guiem, especialmente toda a sua Igreja. Entretanto uma grande parte desses anjos cometeu o grave pecado da soberba, desejando tornar-se iguais ao próprio Criador.

Por isso Deus os condenou e os precipitou no inferno, onde permanecerão para todo o sempre. Esses anjos rebeldes são chamados espíritos maus, diabos ou demônios, e têm como chefe Satanás.

Os anjos que ficaram fiéis a Deus são os chamados anjos bons ou simplesmente: anjos. Dentre esses é que Deus escolhe nosso Anjo da Guarda, que é pessoal e exclusivo, cuja função é proteger-nos até o retorno da nossa alma à eternidade.

Ele nos ampara e nos defende dos perigos com que os espíritos maus nos tentam, na nossa vida terrena. "Porque aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos, eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra" (Sl 90,11-12).

Os Anjos da Guarda estão repletos de dons e privilégios especiais, com uma missão insubstituível ao longo da criação. Eles possuem a natureza angélica espiritual, que é a síntese de toda a beleza e de todas as virtudes de Deus, por isso impossível de ser representada.

Em um dos seus textos, são Francisco de Sales esclarece que a tarefa dos anjos é levar as nossas orações à bondade misericordiosa do Altíssimo e de informar-nos se elas foram atendidas. Assim sendo, as graças que recebemos nos são dadas por Deus, que é o princípio e o fim de nossa vida, através da intercessão de nosso Anjo Bom. Deus confiou cada criatura a um Anjo da Guarda.

Esta é uma verdade que está em várias páginas da Sagrada Escritura e na história das tradições da humanidade, sendo um dogma da Igreja Católica, atualmente também confirmado pelos teólogos.

A devoção dos anjos é mais antiga até que a dos próprios santos, ganhando maior vigor na Idade Média, quando os monges solitários receberam a companhia dessas invisíveis criaturas, cuja presença era sentida nas suas vidas de silenciosa contemplação e íntima comunhão espiritual com Deus-Pai.

Todavia o Eterno Guardião, como o Anjo da Guarda também é chamado, tão solicitado e cuidado durante a infância, está totalmente esquecido no cotidiano do adulto, que, descuidando de sua exclusiva e própria companhia, não se apercebe mais de sua angélica presença.

Mas este espírito puro continua vigilante, constante dos pensamentos e de todas as ações humanas. O Anjo da Guarda é um ser mais perfeito e digno do que nós, criaturas humanas.

Não podemos ignorá-lo. Devemos amá-lo, respeitá-lo e segui-lo, pois está sempre pronto a proteger-nos, animar e orientar, para cumprirmos a missão da vida terrena, trilhando o caminho de Cristo e, assim, ingressarmos na glória eterna.

A celebração especialmente dedicada aos Anjos da Guarda começou na Espanha, no final do ano 400, propagando-se por toda a Europa em poucos séculos. Antes, ela ocorria no dia 29 de setembro, junto com a do arcanjo Miguel, guardião e protetor por excelência.

O dia 2 de outubro foi fixado em 1670, pelo papa Clemente X, para celebrar separadamente o nosso santo Anjo da Guarda. E para ele a Igreja ditou uma das mais belas orações, que diz: "Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a Piedade Divina, sempre me rege, me guarda, me governa e ilumina, agora e sempre. Assim seja".

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

 

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS (DE LISIEUX) - 1873-1897

 

A vida da santa Teresa de Lisieux, ou santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, seu nome de religiosa e como o povo carinhosamente a prefere chamar, marca na história da Igreja uma nova forma de entregar-se à religiosidade.

No lugar do medo do "Deus duro e vingador", Terezinha coloca o amor puro e total a Jesus como um fim em si mesmo para toda a existência eterna. Um amor puro, infantil e total, como deixaria registrado nos livros "Infância espiritual" e "História de uma alma", editados a partir de seus escritos.

Sua vida foi breve, mas plena de dedicação e entrega. Morreu virgem como Maria, a Mãe que venerava, e jovem como o amor que vivenciava a Jesus, pela pura ação do Espírito Santo.

Teresinha nasceu em Alençon, na França, em 2 de janeiro de 1873.

Foi batizada com o nome de Maria Francisca Martin e desde então destinada ao serviço religioso, assim como suas quatro irmãs.

Os pais, quando jovens, sonhavam em servir a Deus. Mas circunstâncias especiais os impediram e a mãe prometeu ao Senhor que cumpriria seu papel de genitora terrena, mas que suas filhas trilhariam o caminho da fé. E assim foi, com entusiasmada aceitação por parte de Teresinha desde a mais tenra idade.

Caçula, viu as irmãs mais velhas, uma a uma, consagrando-se a Deus até chegar sua vez.

Mas a vontade de segui-las era tanta que não quis nem esperar a idade correta. Aos quinze anos, conseguiu permissão para entrar no Carmelo, em Lisieux, permissão concedida especial e pessoalmente pelo papa Leão XIII.

Terezinha própria escreveu que, para servir a Jesus, desejava ser cavaleiro das cruzadas, padre, apóstolo, evangelista, mártir...

Mas ao perceber que o amor supremo era a fonte de todas essas missões, depositou nele sua vida. Sua obra não frutificou pela ação evangelizadora ou atividade caritativa, mas sim em oração, sacrifícios, provações, penitências e imolações, santificando o seu cotidiano enquanto carmelita. Essa vivência foi registrada dia a dia, sendo depois editada, perpetuando-se como livro de cabeceira de religiosos, leigos e da elite dos teólogos, filósofos e pensadores do século XX.

Teresinha teve seus últimos anos consumidos pela terrível tuberculose, que, no entanto, não venceu sua paciência com os desígnios do Supremo.

Morreu em 1° de outubro de 1897, com vinte e quatro anos, depois de prometer uma chuva de rosas sobre a Terra quando expirasse.

Essa chuva ainda cai sobre nós, em forma de uma quantidade incalculável de graças e milagres alcançados através de sua intervenção em favor de seus devotos. Teresa de Lisieux foi beatificada em 1923 e canonizada em 1925 pelo papa Pio XI.

Terezinha, que durante toda a sua vida teve um grande desejo de evangelizar e ofereceu sua vida à causa missionária, foi aclamada, dois anos depois, pelo mesmo pontífice, como "padroeira especial de todos os missionários, homens e mulheres, e das missões existentes em todo o universo, tendo o mesmo título de são Francisco Xavier".

Esta "grande santa dos tempos modernos" foi proclamada doutora da Igreja pelo papa João Paulo II em 1997.

Também comemorados no dia de hoje: Santo Aretas e seus 104 companheiros (mártires de Roma), São Dommino de Tessalônica (mártir), Santos Prisco, Crescente e Evágrio (mártires de Tomes), São Remígio ou Remy, São Versíssimo, São Milor.