sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

 

ELES NÃO TÊM MAIS VINHO

 

Em certas ocasiões dos Evangelhos não é tão importante o que está escrito, mas o que está contido nas entrelinhas. Imaginemos a situação no casamento de Caná, na Galiléia, onde Jesus e sua mãe Maria estavam presentes.

Com que confiança, amor e carinho Maria se aproxima de seu Filho para pedir, na certeza que seria atendida, e, com que olhar de amor, carinho e respeito Jesus dirigiu à sua mãe chamando-lhe à realidade que ainda não havia chegado a sua hora, mas, na certeza de que atenderia sua mãe, qualquer que fosse o pedido que ela lhe fizesse, seguro de que ela não pedia para si e sim para alguém em dificuldades, ele anteciparia a sua hora por um pedido de sua mãe.

O momento do Filho Único de Deus se manifestar com toda a sua glória, o momento de Jesus mostrar a que veio, de derramar a misericórdia e os poderes de Deus a todos os necessitados ainda não havia chegado, e assim, taxativamente, ele se expressa: “Minha hora ainda não chegou.” (Jo 2,4), e, essa hora,  não era outra, senão a hora da cruz.

Mas aquele era um momento especial; era a sua mãe que estava pedindo. Era aquela a quem ele, o Filho Único de Deus, havia escolhido por mãe desde a queda do homem, desde o primeiro pecado, “E o Senhor disse à serpente: “...Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar.” (Gn 3,14-15), e Jesus, pelo grande amor que dedicava à sua mãe, não resistiu aquele pedido e antecipou a sua hora...

Jesus não precisou dizer nada para sua mãe; entre os dois não havia necessidade de palavras; bastava apenas um olhar, e Maria entendeu que ele atendera à sua súplica, e Jesus, a uma mediação de sua mãe antecipa a sua hora e “Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5). 

Maria, através dos tempos, continua dizendo a todos os cristãos, a todos os discípulos, apóstolos e seguidores de seu Divino Filho: “Fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5).

Naquele casamento, “havia seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma contendo de duas a três medidas. (correspondente a cerca de quarenta litros). Jesus lhes disse: Enchei as talhas de água.” Eles as encheram até a borda. Então lhes disse: “Tirai agora e levai ao mestre sala.” Eles levaram. Quando o mestre-sala provou a  água transformada em vinho - ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água - chamou o noivo e lhe disse: “Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados, serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora.” (Jo 2,6-10).

O mestre-sala, o organizador da festa do casamento não sabia que o vinho havia acabado e desconhecia o milagre realizado por Jesus e, ao provar do vinho, ficou admirado, pois era costume nas festas servir primeiro o melhor vinho para, depois, “...quando os convidados já estão embriagados, serve o inferior” e, por isso, chama a atenção do noivo.

Essa foi a participação de Jesus num casamento. Não somente ele, mas sua mãe, Maria, que teve uma participação fundamental e salvadora para os noivos.

Jesus marcou presença, e deixou registrado ali, naquela festa, naquele cerimônia nupcial, o seu primeiro milagre, antecipado e realizado a pedido de sua mãe, Maria.

E Jesus, mais adiante, em seus ensinamentos, determina: “Não lestes que desde o princípio o Criador os fez homem e mulher? E que disse: “Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne?” PORTANTO, O  QUE  DEUS  UNIU, O  HOMEM NÃO   DEVE   SEPARAR.” (Mt 19,4-6).

  E depois, Jesus “acrescentou: “Nem todos são capazes de compreender essa palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.” (Lc 18,18).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

 

A SUA CRUZ É PESADA?

 

Geralmente achamos a nossa cruz pesada, e sempre reclamamos disso. E, bem a propósito, vale aqui registrar uma pequena estória.

Certo cidadão vivia reclamando dos seus problemas, da sua cruz. Achava que a sua cruz era pesada demais e que as dos outros sem se comparavam com a sua por considerá-las leves. Determinado dia ele foi reclamar com o próprio Senhor Jesus sobre o peso de sua cruz, e Jesus, em sua infinita misericórdia e paciência, o leva até um campo onde estavam depositadas milhares de cruzes, e diz ao reclamante que escolhesse uma para si. Ele se pôs a procurar uma bem leve, passando por entre gigantescas cruzes de todos os tamanhos e pesos, até encontrar uma bem pequenina que se encontrava num canto. Feliz da vida ele a pega diz para Jesus: “Senhor eu troco a minha cruz por essa.” Jesus, então, lhe diz: “Não há como trocar, meu filho, essa cruz é a sua mesmo, da qual você tanto reclama”. Veja como os teus irmãos tem cruzes muito mais pesadas que a sua, e nenhum deles vem aqui reclamar de seus pesos porque as aceitam com resignação e amor, e esses terão a sua recompensa no céu.

Isso é apenas uma pequena ilustração, mas que serve para aqueles que só sabem reclamar dos seus problemas, ignorando os problemas dos irmãos, que resignadamente, aceitam as suas cruzes.

Repito: se quisermos seguir Jesus, devemos tomar a nossa cruz de cada dia.

Aceitar o dia como ele é.  Problemas, preocupações, desilusões, sempre as teremos.  Faz parte do nosso dia-a-dia. A nossa cruz de cada dia é a nossa própria vida vivida minuto a minuto, com todas as suas alegrias e tristezas, realizações e frustrações, saúde e doença, felicidade e desilusões, e tudo o mais o que a vida nos oferece a cada momento.

A nossa cruz  de cada dia se apresenta de muitas maneiras, de vários modos, tamanhos e lugares diversos; mas, qualquer que seja o seu tamanho e o seu peso, devemos tomá-la com amor, sem reclamar, assim como fez o próprio Jesus, e, como Jesus, devemos carregá-la rumo ao nosso Calvário, porque, se não passarmos pelo Calvário, jamais subiremos com Jesus no monte Tabor para a transfiguração e jamais chegaremos à glória da ressurreição.

Se quisermos nos livrar da cruz para termos uma vida mais cômoda, a nossa vida não terá nenhum valor; mas, se abraçarmos a nossa cruz e com isso deixarmos de viver as alegrias frívolas e futilidades que o mundo nos oferece, estamos salvando a nossa vida e reservando o nosso cantinho ao lado do Cristo Senhor na casa do Pai.

Pedro, Apóstolo, sem dúvida, estava inspirado pelo Espírito do Pai quando escreveu: “É louvável que alguém suporte aflições, sofrendo injustamente por amor de Deus. Mas que glória há de suportar com paciência, se vocês são bofeteados por terem errado? Ao contrário, se, fazendo o bem, vocês são pacientes no sofrimento, isso sim constitui uma ação louvável diante de Deus. Com efeito, para isto é que vocês foram chamados, pois que também Cristo sofreu por vocês, deixando para vocês um exemplo, a fim de que sigam os seus passos. Ele não cometeu nenhum pecado; mentira nenhuma foi achada em sua boca.           Quando injuriado, não revidava; ao sofrer, não ameaçava, antes, punha a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça.  Sobre o madeiro, levou os nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os nossos pecados, vivêssemos para a justiça. Por suas feridas vocês foram curados, pois vocês estavam desgarrados como ovelhas, mas agora vocês retornaram ao Pastor e Supervisor de vossas almas.” (1Pd, 2,19-25).

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

 

SÃO JOÃO (JUAN) DIEGO CUAUHTLATOATZIN – 1473/1548

 

Os registros oficiais narram que Juan Diego, para nós João Diego, nasceu em 1474 na calpulli, ou melhor, no bairro de Tlayacac ao norte da atual Cidade do México. Era um índio nativo, que antes de ser batizado tinha o nome de Cuauhtlatoatzin, traduzido como "águia que fala" ou "aquele que fala como águia".

Era um índio pobre, pertencia à mais baixa casta do Império Azteca, sem ser, entretanto, um escravo. Dedicava-se ao difícil trabalho no campo e à fabricação de esteiras.

Possuía um pedaço de terra, onde vivia feliz com a esposa, numa pequena casa, mas não tinha filhos. Atraído pela doutrina dos padres franciscanos que chegaram ao México em 1524, se converteu e foi batizado, junto como sua esposa. Receberam o nome cristão de João Diego e Maria Lúcia, respectivamente.

Era um homem dedicado, religioso, que sempre se retirava para as orações contemplativas e penitências. Costumava caminhar de sua vila à Cidade do México, a quatorze milhas de distância, para aprender a Palavra de Cristo. Andava descalço e vestia, nas manhãs frias, uma roupa de tecido grosso de fibra de cactos como um manto, chamado tilma ou ayate, como todos de sua classe social.

A esposa, Maria Lúcia, ficou doente e faleceu em 1529.

Ele, então, foi morar com seu tio, diminuindo a distância da igreja para nove milhas. Fazia esse percurso todo sábado e domingo, saindo bem cedo, antes do amanhecer.

Durante uma de suas idas à igreja, no dia 9 de dezembro de 1531, por volta de três horas e meia, entre a vila e a montanha, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, num lugar hoje chamado "Capela do Cerrinho", onde a Virgem Maria o chamou em sua língua nativa, nahuatl, dizendo: "Joãozinho, João Dieguito", "o mais humilde de meus filhos", "meu filho caçula", "meu queridinho".

A Virgem o encarregou de pedir ao bispo, o franciscano João de Zumárraga, para construir uma igreja no lugar da aparição. Como o bispo não se convenceu, ela sugeriu que João Diego insistisse. No dia seguinte, domingo, voltou a falar com o bispo, que pediu provas concretas sobre a aparição.

Na terça-feira, 12 de dezembro, João Diego estava indo à cidade quando a Virgem apareceu e o consolou. Em seguida, pediu que ele colhesse flores para ela no alto da colina de Tepeyac. Apesar do frio inverno, ele encontrou lindas flores, que colheu, colocou no seu manto e levou para Nossa Senhora. Ela disse que as entregasse ao bispo como prova da aparição.

Diante do bispo, João Diego abriu sua túnica, as flores caíram e no tecido apareceu impressa a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Tinha, então, cinqüenta e sete anos.

Após o milagre de Guadalupe, foi morar numa sala ao lado da capela que acolheu a sagrada imagem, depois de ter passado seus negócios e propriedades ao seu tio. Dedicou o resto de sua vida propagando as aparições aos seus conterrâneos nativos, que se convertiam.

Ele amou, profundamente, a santa eucaristia, e obteve uma especial permissão do bispo para receber a comunhão três vezes na semana, um acontecimento bastante raro naqueles dias. João Diego faleceu no dia 30 de maio de 1548, aos setenta e quatro anos, de morte natural.

O papa João Paulo II, durante sua canonização em 2002, designou a festa litúrgica para 9 de dezembro, dia da primeira aparição, e louvou são João Diego, pela sua simples fé nutrida pelo catecismo, como um modelo de humildade para todos nós.

Também são comemorados neste dia: São Pedro Fourier (presbítero fuindador), São Basiano, Santa Leocádia de Toledo (virgem e mártir), e Santa Gorgônia.+

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

 

IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA - COMEMORAÇÃO FESTIVA

 

Hoje, não comemoramos a memória de um santo, mas a solenidade mais elevada, maior e mais preciosa da Igreja: a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, a rainha de todos os santos, a Mãe de Deus.

O dogma da Imaculada Conceição de Maria é um dos dogmas mais queridos ao coração do povo cristão. Os dogmas da Igreja são as verdades que não mudam nunca, que fortalecem a fé que carregamos dentro de nós e que não renunciamos nunca.

A convicção da pureza completa da Mãe de Deus, Maria, ou seja, esse dogma, foi definida em 1854, pelo papa Pio IX, através da bula "Ineffabilis Deus", mas antes disso a devoção popular à Imaculada Conceição de Maria já era extensa. A festa já existia no Oriente e na Itália meridional, então dominada pelos bizantinos, desde o século VII. A festa não existia, oficialmente, no calendário da Igreja.

Os estudos e discussões teológicas avançaram através dos tempos sem um consenso positivo. Quem resolveu a questão foi um frade franciscano escocês e grande doutor em teologia chamado bem-aventurado João Duns Scoto, que morreu em 1308.

Na linha de pensamento de são Francisco de Assis, ele defendeu a Conceição Imaculada de Maria como início do projeto central de Deus: o nascimento do seu Filho feito homem para a redenção da humanidade. Transcorrido mais um longo tempo, a festa acabou sendo incluída no calendário romano em 1476. Em 1570, foi confirmada e formalizada pelo papa Pio V, na publicação do novo ofício, e, finalmente, no século XVIII, o papa Clemente XI tornou-a obrigatória a toda a cristandade. Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram as prodigiosas confirmações dessa verdade, do dogma. De fato, Maria proclamou-se, explicitamente, com a prova de incontáveis milagres: "Eu sou a Imaculada Conceição". Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. No seu projeto de redenção da humanidade, manteve a Mãe de Deus, cheia de graça, ainda no ventre materno.

Assim, toda a obra veio da gratuidade de Deus misericordioso. Foi Deus que concedeu a ela o mérito de participar do seu projeto. Permitiu que nascesse de pais pecadores, mas, por preservação divina, permanecesse incontaminada. Maria, então, foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor, que é o pecado original. Em vista disso, a Imaculada Conceição foi a primeira a receber a plenitude da bênção de Deus, por mérito do seu Filho, e que se manifestou na morte e na Ressurreição de Cristo, para redenção da humanidade que crê e segue seus ensinamentos.

São comemorados no dia de hoje: Santa Ana (mãe do profeta Samuel, profetisa do Antigo Testamento), São Badilon de Leuze (abade), Santa Brígida da Turíngia (monja), São Eucário de Tréves (bispo), Bem-aventurado Luís (Alojzy) Liguda e companheiros, São Romário e Santa Lucila.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

 

A EXPECTATIVA DE MARIA, A MÃE DE JESUS.

 

Durante nove meses a Santíssima Virgem Maria trouxe consigo, dentro de seu ventre, o Filho de Deus que se fazia homem. Durante nove meses a Santíssima Virgem Maria foi o sacrário vivo  da Majestade Infinita. O Filho de Deus se fez homem no seio da Virgem, e por isso, o Filho de Deus é também o Filho da Virgem Maria.

O Filho de Deus formou-se no seio de Maria como qualquer ser humano forma-se no seio de sua mãe. O Filho de Deus alimentou-se do sangue da Virgem Maria, formou sua carne no ventre de Maria e fez com que a Virgem tivesse as indisposições normais de uma gravides normal; pulou no ventre da Virgem como qualquer criança sadia pula no ventre de sua mãe, fez com que o corpo da Virgem sofresse as alterações normais do corpo de uma mulher quando está grávida: o ventre cresceu, as pernas, em determinados períodos se incharam , o andar da Virgem durante a gravides foi cuidadoso, a respiração ofegante, tendo sempre mal estar e precisando repousar com frequência, como qualquer mulher grávida.

Então nada foi diferente a gravides da Virgem com a gravides de qualquer mulher que espera seu filho. Durante nove meses a Virgem Maria viveu a expectativa do nascimento de seu Filho, que era também o Filho de Deus. Podemos imaginar os colóquios amorosos, as conversas carinhosas da Santíssima Virgem com o Tesouro que ela portava e trazia dentro de si.       

Podemos imaginar os momentos de oração e êxtase que a Virgem Maria passava no seu silêncio, conversando com aquele que é Deus e se formava homem dentro de seu ventre; aquele que se humilhava  e tomava a natureza humana para que todos os humanos tomassem a filiação divina.

Podemos imaginar os cuidados  da Virgem nas suas longas viagens, primeiramente indo de Nazaré até a casa de Isabel, em uma cidade na região montanhosa de Judá, quando já estava grávida, depois, saindo de Nazaré e indo até Belém, e, desta feita, já no fim de sua gravides.   

Podemos imaginar a entrega total da Virgem nas mãos de Deus quando, em Belém, ela e José procuravam um lugar para descansar e já o Menino prestes a nascer, e não encontraram lugar nas casas de família, nos hotéis, nas hospedarias, e tiveram que recorrer a um curral de animais para passar a noite, e ali o Menino Jesus acaba nascendo.

Podemos imaginar quando a Virgem toma o Menino Jesus pela primeira vez nos braços, quando ela se sentiu recompensada por todos os sacrifícios, por todas as ingratidões dos homens, por todas as preocupações e por toda a indiferença que sofreu durante todo o tempo de espera do seu amado Filho.

Depois de nove meses de incompreensões, incompreensão até da parte de José, na época seu noivo e agora seu esposo; depois de um final de gravides agitado, tendo de fazer uma viagem de mais ou menos oitenta quilômetros e por caminhos perigosos, a Virgem se sente recompensada porque agora tem em seus braços aquele que o mundo esperava desde o início dos tempos, aquele que Deus Pai prometera  através dos santos e dos profetas do Antigo Testamento; aquele que era esperado por todo povo para ser a salvação de Israel, a glória de Judá e o Mediador entre Deus e os homens. Agora a Virgem Maria tem em seus braços o Filho de Deus que se fez homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus; o filho que ela tem em seus braços é também o Filho de Deus. Podemos imaginar como agora ela o aperta em seus seios, e ela o beija, consciente que está beijando o seu filho que é também o Filho de Deus, e que é, portanto, Deus, um Deus que é seu Filho. Se não fosse por Maria não teríamos Jesus, não teríamos a Salvação.

Se Maria não tivesse dito o seu “sim” não teríamos no nosso meio, como um de nós, o Filho de Deus. Se Maria não se fizesse “a escrava do Senhor”, a Salvação não nos teria chegado.

Como devemos amar Maria. Como devemos lhe agradecer o presente que ela deu à humanidade na noite do Natal. Devemos nos entregar nas mãos da Santíssima Virgem Maria assim como o Filho de Deus, que se fez homem, se entregou confiantemente.

Devemos nos alimentar da vida espiritual de Maria assim como o Filho de Deus se alimentou com o seu leite materno. O Filho de Deus confiou totalmente em Maria, e é esse o exemplo  que ele nos dá: como ele, devemos confiar totalmente e sem restrições em Maria.

O Filho de Deus veio até nós por meio de Maria, e todos nós devemos chegar ao Filho de Deus, ao próprio Deus, por meio de Maria.      

Vamos todos a Jesus, mas conduzidos pelas mãos virginais e maternais de Maria...

domingo, 6 de dezembro de 2020

 

QUEM FOI JOÃO BATISTA?

“DEPOIS DE MIM VIRÁ ALGUÉM MAIS FORTE QUE EU”. (Mc 1,7).

 

II DOMINGO DO ADVENTO

Ano – B; Cor – Roxo; Leituras: Is 40,1-5.9-11; Sl 84 (85); 2Pd 3,8-14; Mc 1,1-8.

 

Diácono Milton Restivo

 

Estamos vivendo o Tempo do Advento, na expectativa da vinda da Luz do mundo:

ü  “O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e aos que habitavam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.” (Is 9,2).

O profeta Isaias é uma constante no Tempo do Advento.

O livro do profeta Isaias tem uma particularidade única: é dividido em três partes chamadas Proto-Isaías, do capítulo 1 ao 39, Segundo Isaias também chamado Dêutero-Isaías ou “Livro da Consolação” que compreende dos capítulos 40 ao 55 e o Trito-Isaías, dos capítulos 56 a 66.

A história dos poemas narrativos constantes do Dêutero-Isaías ou Livro da Consolação tem a ver com o regresso dos judeus depois do cati­veiro da Babilônia.

A primeira deportação dos judeus para a Babilônia deu-se em 597 aC; em 586 aC é a conquista de Jerusalém e a segunda deportação.

No “Livro da Consolação” Isaías fala em palavras luminosas, não só da restauração de Judá, mas da vinda do “Servo de Yahweh”, que seria o Rei Messias, o próprio Servo de Yahweh que iria remir o seu povo.

Num período sombrio da história do seu povo, através do seu profeta Isaías, Yahweh torna-se presente. A mensagem do Livro da Consolação (Is 40 – 55) é clara: num momento em que o povo conhece o exílio e o sentimento de abandono, Yahweh escuta e responde à sua súplica enviando um profeta para anunciar que o fim da desgraça está próximo. A imagem de Deus que os judeus tinham adquirido foi purificada através da enorme provação do exílio.

Quando o Segundo Isaías fala de Yahweh, não se encontram referências à cólera, nem às ameaças, nem a afirmações autoritárias. Deus ama, e ama apenas por causa do seu amor:

ü  “... porque você é precioso para mim, é digno de estima e eu o amo; dou homens em troca de você, e povos em troca de sua vida. Não tenha medo, pois eu estou com você. [...] Era eu mesmo, por minha conta quem acabava limpando suas transgressões e não me lembrava mais de seus pecados.” (Is 43,4-5ª.25); “Num ímpeto de ira, por um momento eu escondi de você o meu rosto; agora, com amor eterno, volto a me compadecer de você, diz Yahweh, seu redentor. Como no tempo de Noé, agora faço a mesma coisa: jurei que as águas do dilúvio nunca mais iriam cobrir a terra; da mesma forma, agora eu juro que não deixarei minha ira se inflamar contra você e que nunca mais vou castigá-la.” (Is 54,8-9).  

As primeiras palavras deste pequeno conjunto de textos e da leitura deste domingo são repetidas insistentemente:

ü  “Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês.” (Is 40,1).

O anúncio, que consta da primeira leitura da liturgia deste segundo domingo do Advento, começa com a palavra: “Consolem” não uma única vez, mas duas vezes.

Deus não está mais contra o seu povo, como o sofrimento poderia fazer crer. Depois de um tempo de grande desolação, o povo deve ser consolado, o que significa que deverá poder deixar de se lamentar, para se pôr de pé e retomar o ânimo e a confiança.

Apesar de o povo estar numa situação limite, a consolação deve mostrar que o seu futuro jorrará do coração de Deus:

ü  “Falem ao coração de Jerusalém, gritem para ela que já se completou o tempo de sua escravidão, que o seu crime já foi perdoado, que ela já recebeu da mão de Yahweh o castigo em dobro por todos os seus pecados.” (Is 40,2).

Deus não quer o desespero humano. Ele não usa o sofrimento para ganhar o seu povo, quer antes abrir-lhe um caminho de vida dando-lhe uma vida futura.

Isaias, nesta leitura, não para por ai. Como Isaias é o mais messiânico e mais evangélico de todos os profetas, mais ou menos seiscentos antes de Cristo, ele antevê e profetiza sobre o precursor do Messias anunciado por ele:

ü  “Uma voz grita: ‘Abram no deserto um caminho para Yahweh; na região da terra seca, aplainem uma estrada para o nosso Deus. Que todo vale seja aterrado, e todo monte e colina sejam nivelados; que o terreno acidentado se transforme em planície, e as elevações em lugar plano.” (Is 40,3-4).

No seu Evangelho Mateus confirma a veracidade dessa profecia, quando afirma:

ü  “Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia: ‘Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo’. João foi anunciado pelo profeta Isaias, que disse: ‘Esta é a voz daquele que grita no deserto: Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas’.” (Mt 3,1-3).

A figura de João Batista começa a ser delineada através da profecia de Isaias. Como Isaias, João Batista é personagem indispensável neste Tempo do Advento. É o mensageiro da Boa Nova.

O profeta Malaquias, também, anuncia o mensageiro que haveria de vir antes da Boa Nova:

ü  “Vejam! Estou mandando o meu mensageiro para preparar o caminho à minha frente. De repente, vai chegar ao seu Templo o Senhor que vocês procuram, o mensageiro da Aliança que vocês desejam. Olhem! Ele vem! – diz Yahweh dos Exércitos.” (Ml 3,1).

Malaquias compara João Batista ao profeta Elias pela sua coragem e destemor em acusar os pecados dos reis e das autoridades de sua época:

ü  “Vejam, eu mandarei a vocês o profeta Elias, antes que venha o grandioso Dia de Yahweh. Ele há de fazer que o coração dos pais volte para os filhos e o coração dos filhos para os pais; e assim, quando eu vier, não condenarei o país à destruição total.” (Ml 3,23-24).

João Batista começa a sua missão identificando-se:

ü  “Eu não sou o Messias.” (Jo 1,20)

E declara ser  aquela voz que prepara o caminho do rei:

ü  “Eu sou uma voz gritando no deserto: ‘Aplainem o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaias.” (Jo 1,23). 

O anjo Gabriel, no Evangelho de Lucas, quando anunciava o nascimento de João Batista ao seu pai, reafirma a profecia de Malaquias a respeito de João:

ü  “Caminhará à frente deles, com o espírito e o poder de Elias, a fim de converter o coração dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, preparando para o Senhor um povo bem disposto.” (Lc 1,17).

No Evangelho de Mateus, Jesus, falando sobre João Batista, diz:

ü  “É de João que a Escritura diz: ‘Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti. [...] E se vocês o quiserem aceitar, é este o Elias que devia vir.” (Mt 11,10.14).

João Batista, que teria nascido aproximadamente seis meses antes do Messias (cf Lc 1,26.36), foi esse mensageiro enviado por Yahweh para abrir as cortinas do Novo Testamento, de uma Nova Aliança, e apontar aos seus discípulos a chegada da Salvação e proclamar a presença do Cordeiro de Deus no meio do seu povo:

ü  “No dia seguinte, João viu Jesus, que se aproximava dele. E disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. Este é aquele de quem eu falei; Depois de mim vem um homem que passou na minha frente, porque existia antes de mim’. (Jo 1,29.35).

João declarou sua insignificância diante do Messias que já estava no meio do povo, e antecipou a missão do Messias:

ü  “Eu batizo vocês com água. Mas vai chegar alguém mais forte do que eu. Eu não sou digno nem sequer de desamarrar a correia das sandálias dele. Ele é quem batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo. Ele terá na mão uma pá; vai limpar sua eira, e recolher o trigo no seu celeiro; mas a palha ele vai queimar no fogo que não se apaga.” (Lc 3,16-17).

Mais tarde, o próprio Jesus destacaria a importância do ministério profético de João Batista, quando disse:

ü  “Eu garanto a vocês: de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior que João Batista.” (Mt. 11,11).

João Batista foi um homem de aspecto rude e caráter firme. Era austero, com hábitos aparentemente anti-sociais; sua vestimenta era primária e seu alimento era apenas aquilo que a natureza lhe oferecia:

ü  “João usava roupas de pelos de camelo, e cinto de couro na cintura; comia gafanhotos e mel silvestre.” (Mt 3,4; Mc 1,6).

João Batista não tinha papas na língua, jamais vacilou em falar clara, aberta e contundentemente quando se fizesse necessário e, para ele não importava quem estivesse cometendo algum delito, fosse gente do povo, fosse autoridade ou até rei. 

Às pessoas simples do povo, os publicanos, que eram considerados pecadores públicos, aos soldados e ao povo em geral, que buscavam a verdade, o amor, o perdão e a reconciliação com Deus, e que perguntavam a João Batista: “O que é que devemos fazer?” (Lc 3,10), João recomendava a partilha e a generosidade:

ü  “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem. E quem tiver comida, faça a mesma coisa.” (Lc 3,10-11).

Para aqueles que tinham cargos públicos e que podiam se aproveitar dos impostos que cobravam do povo, João recomendava a honestidade:

ü  “Não cobrem nada além da taxa estabelecida.” (Mt 3,13).

Para aqueles que eram responsáveis pela segurança do povo, os soldados, João recomendava a não violência e o contentamento pelo salário recebido:

ü  “Não maltratem ninguém; não façam acusações falsas, e fiquem contentes com o salário de vocês.” (Lc 3,14).

A preparação feita por João Batista para receber a Salvação que vinha de Deus, foi para um caminho de santidade, e o povo de Deus deve andar nesse caminho, conforme dissera o profeta Isaias:

ü  “Haverá ai uma estrada, um caminho, que chamarão de caminho santo. Impuro nenhum passará por ele, e os bobos não vão errar o caminho. [...] Por ele andará os que foram redimidos e os que foram resgatados por Yahweh.” (Is 35,8.9b.10a).

Mas, voltando-se para os fariseus e saduceus que eram as autoridades religiosas e civis do povo judeu, que se julgavam santos e superiores a tudo e a todos, que exploravam o povo simples e humilde, que se julgavam já salvos simplesmente por se acharem filhos de Abraão, João Batista denunciou a religiosidade aparente e falsa deles, que eram as classes sociais abastadas, assim os condenou, dizendo:

ü  “Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: ‘Raça de cobras venenosas, quem lhes ensinou a fugir a ira que vai chegar? Façam coisas que provem que vocês se converteram. Não pensem que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’. Porque eu lhes digo: até destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão. O machado já está posto na raiz das árvores. E toda árvore que não der bom fruto, será cortada e lançada no fogo.” (Mt 3,7-10; Lc 3,7-9).

Ao rei Herodes, que era um homem violento e sanguinário, mas fraco e acovardado, que fora influenciado por Herodíades, que fora esposa de seu irmão e a quem o rei havia tomado-a para si, João Batista não se intimidou e o condenou abertamente, o que lhe custou a própria vida:

ü  “João dizia a Herodes: ‘Não é permitido você se casar com a mulher do seu irmão’. Por isso, Herodíades ficou com raiva de João e queria matá-lo, mas não podia. Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava.” (Mc 6,18-20).

O resultado dessa ousadia e sinceridade foi a decapitação de João Batista a pedido da própria Herodíades (cf Mc 6,17-29; Mt 14,1-12).

Mais tarde, talvez corroído pelo remorso, como se isso fosse possível, o rei Herodes viu em Jesus a ressurreição de João Batista:

ü  “Herodes, governador da Galiléia, ouviu falar da fama de Jesus. Disse então aos seus oficiais: ‘Ele é João Batista que ressuscitou dos mortos. É por isso que os poderes agem nesse homem.” (Mt 14,1-2).

As Sagradas Escrituras não informam se João Batista e Jesus se conheciam antes de se encontrarem no rio Jordão, por ocasião do batismo de Jesus, mas o próprio João Batista afirma que:

ü  Eu mesmo não o conhecia...”. (Jo 1,31).

João Batista era filho do sacerdote Zacarias e Isabel (Lc 1,15-25).

O mesmo Lucas diz que Isabel era “parenta” de Maria, possivelmente prima (cf Lc 1,36).

Jesus se dirige ao rio Jordão para ser batizado por João Batista, muito embora não precisasse desse ritual para se lavar dos pecados, porque ele, Jesus, não os tinha; Jesus não precisava do batismo de João Batista, pois não tinha qualquer culpa, a não ser a culpa da humanidade que ele assumira. Quis, entretanto, nos deixar o exemplo do que fazer e a lição de que ninguém é puro, a não ser ele próprio, Jesus.

A princípio, João, conhecedor dessa realidade, se recusa a batizar Jesus, conforme narra Mateus no seu Evangelho:

ü  “Jesus foi da Galiléia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João, e ser batizado por ele. Mas João procurava impedi-lo, dizendo: ‘Sou eu que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim’. Jesus, porém, lhe respondeu: ‘Por enquanto deixe como está! Porque devemos cumprir toda a justiça’. E João concordou.” (Mt 3,13-15).

Nessa oportunidade acontece uma teofania: pela primeira vez e publicamente, a Santíssima Trindade se manifesta:

ü  “Logo que Jesus saiu da água, viu o céu se rasgando, e o Espírito como pomba, desceu sobre ele. E do céu veio uma voz: ‘Tu és o meu Filho amado; em ti encontro o meu agrado’.” (Mc 1,10-11),

O fato acima foi testemunhado pelo próprio João Batista:

ü  “Eu vi o Espírito descer do céu, como uma pomba, e pousar sobre ele.” (Jo 1,32). ”

A vida pública de Jesus tem início com seu Batismo por João, no rio Jordão:

ü “Jesus tinha cerca de trinta anos quando começou sua atividade pública.” (Lc 3,23).     

Até para o povo e para os próprios discípulos de Jesus, a figura de João Batista, depois de sua morte, ainda permanecia entre todos porque, quando Jesus perguntou aos discípulos quem os homens diziam que ele era, eles responderam:

ü  “Alguns dizem que é João Batista...” (Mt 16,14).

A vaidade, o orgulho, a soberba, jamais estiveram presentes na vida de João Batista.

Por sua austeridade e fidelidade ao seu Deus, João Batista foi confundido com o próprio Cristo, mas, imediatamente, retruca:

ü  “Eu não sou o Cristo” (Jo 3,28) e ainda “não sou digno de desatar a correia de sua sandália”. (Jo 1,27; Mc 1,7).

Quando seus discípulos hesitavam, sem saber a quem seguir, João Batista apontava em direção ao único caminho, demonstrando o rumo certo, ao exclamar:

ü  "Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". (Jo 1,29).

A pregação de João Batista foi totalmente cristológica.

Como faltam profetas como João Batista nos nossos dias...

 

sábado, 5 de dezembro de 2020

 

JESUS GOSTAVA DE FESTAS. ESTEVE NO CASAMENTO DE CANÁ.

 

Com sua presença no casamento de Caná da Galiléia (Jo 2,1-12), Jesus quer mostrar que está sempre presente nos grandes momentos de nossa vida. Ele compartilha conosco de nossas alegrias e realizações. Jesus se faz presente quando o nosso coração transborda de alegria e está em festa.

Jesus é um Deus de alegria, da alegria; gosta de ver as pessoas que ama alcançando a felicidade almejada, realizando seus desejos, suas aspirações, e, para dois jovens que se amam, qual seria o maior desejo, felicidade e aspiração senão de se unirem em matrimônio?         

Jesus foi convidado para aquele casamento. Não somente ele, mas também sua mãe, Maria, e seus discípulos também: “No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galiléia e a mãe de Jesus estava lá. Jesus foi convidado para o casamento e os seus discípulos também.” (Jo 2,1-2).

Jesus e sua mãe, Maria, foram convidados, e não se fizeram de rogados. Lá estava Jesus.  Lá estava a mãe de Jesus, Maria; e não somente Jesus e Maria, mas também os amigos mais íntimos de Jesus, os seus discípulos, que também haviam sido convidados para aquele casamento.   

Como em todos e em qualquer casamento, a alegria era geral. Os noivos recebiam cumprimentos e presentes de todos os convivas.

Jesus e Maria participavam efetivamente daquela alegria.

Maria, por sua vez, não se prendeu entre os convivas e, prestativa como sempre foi (Lc 1,39), colocou-se entre aqueles que serviam os convidados, sempre atenta aos acontecimentos, sempre preocupada para que nada empanasse a alegria dos noivos, de seus familiares e dos convidados.

Mas, de repente “...não havia mais vinho, pois o vinho do casamento tinha-se acabado.” (Jo 2,3), e, por isso, Maria observa que os rostos daqueles que serviam a festa começaram a ficar preocupados, tensos, e ao verificar qual o motivo, descobriu que o vinho da festa, que deveria durar por vários dias enquanto houvesse festa, havia se acabado e, com certeza, aquilo seria uma decepção muito grande para os convidados e uma infelicidade para os noivos e seus familiares.

Nem o mestre-sala, aquele que organizava a festa, nem os noivos sabiam disso, e Maria se preocupou para que eles não ficassem sabendo para não obscurecer a sua alegria.         

Maria sabia que naquela festa havia alguém que poderia resolver aquele problema.

Maria sabia que ali existia alguém que não iria permitir que os noivos passassem por aquele vexame; no momento em que a festa estava mais animada, acabara o vinho. Com todo amor que tinha em seu coração, com toda a confiança que tinha e tem em Deus e no seu Amado Filho, Filho também do Altíssimo, e com todo o desejo para que os noivos fossem realmente felizes desde os primeiros momentos de seu casamento e que nada turvasse aquela felicidade, Maria se aproxima de Jesus e lhe diz: “Eles não tem mais vinho.” (Jo 2,3).

Até aquela altura de sua vida Jesus ainda não tinha realizado nenhum milagre, nenhuma maravilha; Jesus ainda não havia se manifestado  com toda a sua misericórdia para atender as necessidades dos oprimidos de uma maneira mais clara e precisa e, na nossa sensibilidade, dá-nos a impressão que, à primeira vista, Jesus foi indelicado com sua mãe, e disse: “Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou.” (Jo 2,4).

Essa expressão “mulher” dá a impressão de um distanciamento entre Jesus e Maria, mas, absolutamente, não é nada disso e, Paulo Apóstolo é de uma felicidade divina ao se referir a isso, quando diz: Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei, para remir os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção filial.” (Gl 4,4-5).

Assim como a primeira “mulher”, Eva, foi causa de pecado e degradação do gênero humano (Gn 3, 1ss), a “mulher”, a que se refere Jesus, não é outra, senão Maria, que serviu de degrau para que a Salvação chegasse ao mundo e de porta para que a misericórdia divina se esparramasse sobre os homens: a primeira mulher,

Eva, a primeira mulher, foi causa de queda; a segunda mulher, Maria,  de soerguimento do gênero humano mergulhado no pecado e elo de ligação entre o Criador e as criaturas, entre o Pai e seus filhos. Maria foi a ponte sobre o abismo do pecado que separava Deus dos homens e sobre a qual passou e nos veio a salvação e a redenção na pessoa de Jesus Cristo!!!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

 

SANTA BÁRBARA DE NICOMÉDIA - SÉCULO III

 

Filha de pais pagãos, Bárbara aprendeu a amar a Deus observando a natureza, o céu, o sol, as estrelas e todas as maravilhas da terra. Bárbara nasceu na Nicomédia, Bitínia, atual Turquia. Num lar pagão, desde pequena participava dos cultos e homenagens aos deuses.

A menina cresceu bela e inteligente e aprendeu os valores cristãos a ponto de apegar-se a eles com toda a força da alma. Assim, instruída no cristianismo às escondidas, recebeu o batismo. Mas chegou o dia em que seu pai tomou conhecimento disso. A princípio, tentou persuadi-la a voltar aos valores pagãos com argúcia e artimanhas. O tempo foi passando e nada de Bárbara render-se.

As pressões sobre ela aumentaram e a sua desobediência também. Até que, um dia, o pai a agrediu fisicamente, com castigos severos. Bárbara resolveu fugir de suas mãos e escondeu-se numa gruta. Foi encontrada por dois pastores e entregue ao pai, que a maltratou, novamente, de maneira terrível. Estava apenas começando o seu sofrimento e martírio.

Nada conseguindo, o pai a entregou ao governador romano Marciano. Impressionado com a beleza da jovem, o governante, a princípio, evitou maltratá-la. Tentou a tática da conquista, não somente para sua religião como também para si. Nada conseguiu e a jovem começou a ser flagelada sadicamente, várias horas seguidas, durante dias inteiros.

Conta-se que jamais se ouviu uma queixa ou lamento. Segundo a tradição, Bárbara era confortada e tratada à noite por um anjo, de tal modo que no dia seguinte se apresentava a Marciano como se nada lhe tivesse acontecido durante o dia anterior. Tanto foi seu sofrimento que uma outra jovem cristã se ofereceu para tomar o seu lugar. Tinha vinte anos de idade e seu nome era Emiliana. Não conseguiu substituí-la, sendo depois morta no mesmo dia que ela. Nessa ocasião, foi seu próprio pai que lhe serviu de carrasco.

O golpe da espada paterna fez rolar sua cabeça e nesse instante foi fulminado por um raio que caiu sobre ele. Tudo isso transcorreu no século III. Por isso, até hoje, santa Bárbara é invocada a proteger seus devotos durante as grandes tempestades de raios e trovões.

A cristandade do mundo todo a homenageia com a escolha do nome no batismo, também emprestado para várias cidades que a têm como padroeira.

A sua tradicional festa acontece no dia 4 de dezembro.

Também são comemorados no dia de hoje: São João Damasceno, Santo Annon de Colônia (bispo), São Cirano de Bourges (abade), São Cristiano da Prússia (bispo), e São Bernardo de Parma.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

 

SÃO FRANCISCO XAVIER - 1506-1552

                                                                                                                                                    

          São Francisco Xavier - 1506-1552    A Igreja sempre se apoiou nos missionários para sua expansão no decorrer dos séculos. Primeiro foram os apóstolos que se espalharam pelo mundo após a ressurreição de Jesus. Durante o período do descobrimento, entre os séculos XV e XVI, o cristianismo encontrou nos missionários da Companhia de Jesus, os jesuítas, a forma de iniciar a evangelização nas Américas e no Oriente: Índia, Japão e China. Francisco Xavier, considerado o maior dos missionários jesuítas, foi o fundador dessas missões no Oriente.

Nasceu no reino de Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506. Era filho de uma família nobre, que havia projetado para ele um futuro de glória e riqueza no mundo, matriculando-o, com dezoito anos, na Universidade de Paris. Mas não foi no campo terreno que ele se sobressaiu e sim no espiritual. Francisco formou-se em filosofia e lecionava na mesma universidade, onde conheceu um aluno bem mais velho e de idéias objetivas e tudo mudou. Tratava-se do futuro santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas.

Loyola sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do cristianismo no mundo. Viu em Francisco alguém capaz de ajudá-lo na empreitada e tentou conquistá-lo para a causa. Tarefa que se revelou nada fácil, por causa do orgulho e da ambição que Xavier tinha, projetadas em si por sua família. Loyola, enfim, convenceu-o com uma frase que lhe tocou a alma: "De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?" (Mc 8, 36). Francisco tomou-a como lema e nunca mais a abandonou, nem ao seu autor, Jesus Cristo.

Os papéis se inverteram e Inácio passou a ser mestre de seu professor, ensinando-lhe o difícil caminho da humildade e dos exercícios espirituais. Francisco, por fim, se retirou por quarenta dias na solidão, preparando-se para receber a ordenação sacerdotal. Celebrou sua primeira missa com trinta e um anos e se tornou co-fundador da Companhia de Jesus. Passou, então, a cuidar dos doentes leprosos, doença de então, segregados pela sociedade. Com outros companheiros, fixou-se, em 1537, em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de recolher.

Foi então que D. João III, rei de Portugal, pediu a Inácio de Loyola para organizar um grupo de sacerdotes que acompanhassem as expedições ao Oriente e depois evangelizassem as Índias. O grupo estava pronto e treinado quando um dos missionários adoeceu e Francisco Xavier decidiu tomar o seu lugar. O navio, com novecentos passageiros, entre eles Francisco Xavier, partiu de Lisboa com destino às Índias. Foi o início de uma viagem perigosíssima e cheia de transtornos, que demorou praticamente um ano. Durante todo esse tempo, Francisco trabalhou em todos os serviços mais humildes do navio.

Era auxiliar de cozinha, faxineiro e enfermeiro. Finalmente, chegaram ao porto de Goa.

Desde então, Francisco Xavier realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. Ia de aldeia em aldeia, evangelizava os nativos, batizava as crianças e os adultos. Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais e deixava outro sacerdote para tocar a obra, enquanto investia em novas frentes apostólicas noutra região. Acabou saindo das Índias para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China. Numa delas, na ilha de Sacian, adoeceu e uma febre persistente o debilitou, levando-o à morte, em 3 de dezembro de 1552, com apenas quarenta e seis anos de idade.

A Igreja o beatificou em 1619, canonizando-o em 1622. Celebrado no dia de sua morte, como exemplo do missionário moderno, são Francisco Xavier foi, com toda justiça, proclamado pela Igreja patrono das missões, e pelo trabalho tão significativo recebeu o apelido de "são Paulo do Oriente".

São lembrados também, neste dia: São Galgano Guidotte, São Sofonias e São Birino, São Jasão, São Mauro e sessenta e dois soldados (mártires de Roma), Santo Henrique da Suécia (monge), São Lúcio (rei da Bretanha), São Lúcio de Coira (bispo), São Galgano Guidote. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

 

PADRE DONIZETTI DE TAMBAÚ – AGORA BEATO

VEJA A TRAJETÓRIA E SETE CURIOSIDADES SOBRE A VIDA DE DONIZETTI TAVARES DE LIMA

 

Padre que ficou conhecido em Tambaú (SP) é lembrado como uma pessoa séria, mas muito acolhedora. Padre Donizetti foi um dos 16 filhos da professora Francisca e do advogado Tristão, o padre Donizetti Tavares de Lima nasceu em Cássia (MG) e ficou conhecido por sua trajetória cercada de relatos milagrosos em Tambaú (SP). Dos corações devotos de quem o conheceu, ele é lembrado como uma pessoa séria, mas muito acolhedora.

O sacerdote foi beatificado pela Igreja Católica no sábado, dia 23 de novembro de 2019.

Nascido em 1882, veja abaixo como foi a vida de Donizetti, sua relação com Nossa Senhora Aparecida, a perseguição e ameaças que sofreu por ser considerado comunista, os relatos de quem conviveu com o padre, as músicas em sua homenagem e a última benção, que foi gravada e todos os domingos é ouvida pelos fiéis que vão até Tambaú.

 

CONFIRA A TRAJETÓRIA DO PADRE DONIZETTI:

1882 - Donizetti Tavares de Lima nasce, por volta das 8h45 de 3 de janeiro, em Cássia (MG).

1894 - Com apenas 12 anos, entra no Seminário Episcopal de São Paulo, na capital, para aprimorar os estudos.

1897 - Aos 15 anos inicia os estudos no Colégio Monsenhor João Soares em Sorocaba.

1900 – Aos 18 anos, ele resolve seguir os passos do pai e se matricula na Faculdade de Direito no Largo São Francisco, em São Paulo.

1903 – Com 21 anos, decide tentar o sacerdócio e se matricula na Faculdade de Filosofia do Seminário, em São Paulo.

1907 - É nomeado clérigo na Diocese de Pouso Alegre (MG) e ordenado diácono em 24 de junho.

1908 - No dia 12 de julho, dom João Baptista Correa Nery confere o título de sacerdote a ele. No mesmo dia, por escolha própria, ele faz o voto de pobreza.

1908 - É nomeado Vigário da Paróquia de Santa Maria em Jaguariúna.

1909 – Para ficar mais perto da família, é nomeado Vigário de Vargem Grande do Sul.

1926 – Devido à perseguição política e social, é transferido como Vigário para a Paróquia de Tambaú (SP). A partir daí começam os relatos de milagres na cidade. 

1938 - Faz um testamento nomeando a Paróquia de Tambaú como sua herdeira universal.

1954 - Iniciam-se as grandes peregrinações à cidade de Tambaú em busca de sua benção.

1955 – Última benção coletiva, às 20h de 30 de maio. O momento ficou eternizado por causa das pétalas de rosas jogadas de um avião sobre a região da Casa Paroquial.

1960 – É internado pela primeira vez, em 30 de novembro, com edema agudo no pulmão na Santa Casa de Tambaú (SP).

1961 – É internado, em 7 de março, com arteriosclerose generalizada.

1961 – Aos 79 anos, morre de insuficiência cardíaca, às 11h15 de 16 de junho, na Casa Paroquial de Tambaú (SP).

 

SETE CURIOSIDADES SOBRE DONIZETTI

 

1 - Luta por direitos trabalhistas e ameaças

De acordo com os documentos da Comissão Pró-Beatificação de Padre Donizetti, no início da década de 1920 o beato Donizetti começou a ser perseguido em Vargem Grande do Sul, onde atuava. O problema foi desencadeado por causa do seu apoio à luta pelos direitos trabalhistas. Ele foi acusado de agitador, comunista, alcoólatra e até ameaçado de morte.

Diante da gravidade e da tensão social, o padre foi transferido para a cidade de Tambaú.

 

2 - Fama e os três dons de santidade

Segundo os relatos dos fiéis, o primeiro fato aconteceu logo que o padre chegou a Tambaú. Ele tinha encomendado uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, que chegou à estação ferroviária e foi levada em procissão até a Matriz de Santo Antônio. Neste dia, chovia muito na cidade e todos ficaram preocupados que a água destruísse a imagem nova.

De acordo com inúmeros relatos documentados, o padre ordenou que a procissão seguisse e, por onde as pessoas passavam, a chuva não caía e não molhava. Desde então, durante as bençãos dadas pelo padre nas missas, as pessoas começaram a relatar curas. Com o tempo e graças à divulgação dos casos na mídia, a fama de "milagreiro" se espalhou e atraiu pessoas de todo o mundo. De acordo com a Igreja Católica, é comum que figuras de santidade tenham dons que fujam do "normal" e que os ajudam a atuar em prol da comunidade. Segundo relatos dos fiéis, o padre Donizetti manifestou três dons de santidade:

Levitação enquanto dava as bênçãos nas celebrações de Sexta-feira Santa;

Premonição sobre fatos históricos e sobre a vida das pessoas;

Bilocação, pois foi visto dando bençãos em cidades vizinhas enquanto estava na Casa Paroquial de Tambaú.

 

3 - Devoção transmitida e voto de pobreza

Devoto de Nossa Senhora Aparecida desde criança, o beato sempre afirmou que não tinha o poder de fazer milagres e que era apenas uma ponte entre os fiéis e a santa, a verdadeira responsável por interceder pelas preces a Deus.

“A minha devoção foi transmitida desde o leite materno pela minha saudosa e santa mãe”, foi uma frase do padre que ficou eternizada no coração dos devotos.

Por isso, apesar da fama de “milagreiro”, o padre não gostava de ser visto dessa forma e sempre relembrava que quem operava os milagres era Deus, o único capaz de conceder graças.

Após fazer o voto de pobreza, por vontade própria, o padre passou a viver com o mínimo de bens possíveis. Segundo os relatos, ele chegou a Tambaú levando livros, uma imagem de Nossa Senhora doada pela sua mãe e apenas duas batinas.

Ele não tinha cama e dormia em um colchonete no chão com tijolos de travesseiro. Esse hábito mudou apenas nos últimos anos de vida, quando adoeceu e aceitou uma doação.

 

4 - Imagem de Nossa Senhora após fogo

No dia 11 de outubro de 1929, por volta das 8h, o padre Donizetti estava celebrando uma missa na Igreja São José, quando foi avisado que a Matriz de Santo Antônio estava em chamas devido a um curto-circuito. O incêndio destruiu tudo o que estava dentro da igreja e abalou a estrutura. Quando as chamas foram controladas, o padre entrou nos escombros para pegar a imagem de Nossa Senhora Aparecida, ainda intacta, entre as cinzas. O fato ficou conhecido como um milagre na cidade e, desde então, a imagem o acompanhou até a sua morte.

 

5 - Três milhões de pessoas em um semestre

O processo de santidade ainda não está consolidado, mas a fama de santo se espalhou ainda durante o sacerdócio do padre.

Na década de 1950, romeiros de todos os cantos do Brasil e até de outros países passaram a visitar Tambaú para receber a benção milagrosa. as devido a grande quantidade de pessoas, as visitas começaram a fugir do controle e da capacidade de Tambaú. Entre maio de 1954 e maio de 1955, a cidade foi invadida por um "enxame humano" e chegou a receber 200 mil pessoas em apenas um dia e três milhões de pessoas em um semestre, de acordo com os registros da Igreja.

Essas intensas romarias resultaram em problemas de convivência, higiene, alimentação, pouso, atendimento médico e trânsito. O padre não podia passar pela multidão porque queriam arrancar ao menos um pedaço da sua batina.

Aos 95 anos, Euclides Sartori, um dos amigos e ex-secretário do Círculo Operário Católico – entidade criada pelo padre para defender o trabalhador, lembra do compromisso e da bondade do religioso. Um documento das época  mostra a multidão de pessoas com as mais variadas doenças chegando a Tambaú para receber a benção do padre Donizetti. A obra está disponível no YouTube em sete episódios de aproximadamente 10 minutos.

 

6 - A última benção gravada

Por interferência do então governador de São Paulo, Jânio Quadros, o sacerdote foi obrigado a dar sua última benção coletiva em 30 de maio de 1955, às 20h, para evitar que o caos aumentasse.

O momento, feito em latim, ficou eternizado por causa das pétalas de rosas jogadas de um avião sobre a região da Casa Paroquial. O áudio da benção foi gravado e até hoje é reproduzido no encerramento das missas todos os domingos em Tambaú.

 

7 - Biografia e homenagens em músicas

A fama de acolhedor e amoroso de padre Donizetti foi repassada de geração em geração e acabou registrada também em músicas. A mais recente delas foi lançada pela dupla Kleber e Rafael na última semana de outubro. Na homenagem "Padre Donizetti", os cantores contam a história do padre, a opressão que ele viveu enquanto atuava a favor dos trabalhadores e também cita um dos milagres com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Segundo o compositor Kleber Della Libera, a música teve grande repercussão ainda antes de ser oficialmente divulgada.

Além da dupla, outro cantores usaram a música para homenagear e demonstrar sua devoção ao beato:

Padre Lima – Tonico e Tinoco.

Padre Donizetti Santo – Walgra Maria.

O Milagre de Tambaú – Padre Alessandro Campos (Palmeira e Biá).

Ele é Santo Sim - Pelé;

Fenômeno Divino - Pelé.

Por Gabrielle Chagas, G1 São Carlos e Araraquara

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

 

BEM-AVENTURADA MARIA CLEMENTINA ANUARITE NENGAPETA – 1939/1964

 

Anuarite Nengapeta era a quarta das seis filhas de Amisi e Isude. A família de pagãos africanos da etnia Wadubu vivia na periferia de Wamba, no Congo.

Ela nasceu no dia 29 de dezembro de 1939, como depois comprovou a Santa Sé. Ao ser batizada em 1943, acrescentaram-lhe o nome Afonsina. Na ocasião, também receberam esse sacramento sua mãe e quatro irmãs. A mais velha nunca acompanhou a doutrina cristã.

Seu pai, ao contrário, até começou a preparar-se para a conversão. Mas depois desistiu, pois formou outra família, enquanto trabalhava como soldado do exército congolês. A nova situação familiar refletiu pouco na formação de Anuarite, que teve uma infância e adolescência consideradas normais. Era vivaz e caridosa, de personalidade marcante e temperamento amistoso e generoso.

O nervosismo, porém, era o ponto fraco do seu caráter. Era muito sensível e instável, talvez por causa da separação de seus pais. Gostava de frequentar a igreja, ia à missa aos domingos, com a mãe e as irmãs. Em seguida, ficava estudando o catecismo para poder receber a primeira comunhão, que ocorreu em 1948. Iniciou os seus estudos e diplomou-se junto ao colégio das Irmãs do Menino Jesus de Nivelles, missionárias na África.

Em 1957 decidiu ingressar na Congregação da Sagrada Família. Foi aceita e, durante o noviciado, teve como orientador espiritual o bispo de Wamba.

Em 1959 diplomou-se professora, vestiu o hábito e emitiu os votos definitivos, tomando o nome de Maria Clementina. Desde então se dedicava e empenhava muito às funções destinadas: foi sacristã, auxiliar de cozinheira e professora de uma escola primária. Devota extremada de Maria e de Jesus, vivia feliz por ter-se consagrado ao seu serviço.

O Congo da época era governado pelos brancos. Em 1960, havia uma grande campanha contra esse domínio europeu. Fervilhava o ódio racial e não durou muito para traduzirem-se em barbárie os ideais políticos. A revolução dos Simbas explodiu no ano seguinte, iniciando um violento massacre para eliminar todos os europeus, seus amigos e colaboradores negros.

No Convento de Bafwabaka, tudo era calmo até 1964. Em agosto daquele ano, os rebeldes já tinham ocupado grande parte do país. A cada dia avançavam mais, saqueando e matando milhares de civis congoleses indefesos. Mais de cento e cinquenta missionários, entre sacerdotes, religiosos e irmãos já haviam morrido também.

Os rebeldes chegaram ao convento em 29 de novembro e levaram as trinta e seis integrantes da Sagrada Família, entre elas irmã Maria Clementina Anuarite, de caminhão, para Isiro. Na noite do dia primeiro de dezembro de 1964 o coronel Olombe tentou seduzi-la. Mas como ela se recusou a satisfazer seus desejos carnais, ele a esbofeteou e golpeou com a coronhada do fuzil, depois disparou, matando-a. Antes, porém, ela o perdoou e clamou ao Pai para que o perdoasse.

O papa João Paulo II, durante sua viagem ao Congo em 1985, beatificou Maria Clementina Anuarite Nengapeta. Tornou-se a primeira mulher "banto" a ser elevada aos altares da Igreja Católica, cuja festa deve ser no dia de sua morte.

Na solenidade de beatificação, o sumo pontífice definiu Anuarite como modelo de fidelidade para todos os católicos do mundo. Depois, enalteceu sua castidade, e a igualou a Santa Inês, mártir do início da cristandade, dizendo: "Anuarite é a Inês do continente africano".

Também são lembrados neste dia: Santo Elói (Elígio), Santa Cândida de Roma e Bem-aventurado Charles de Foucauld, São Candres de Maestricht (bispo), São Castriciano de Milão (bispo), São Constanciano de Javron (abade), Santos Edmundo Campion, Alexandre Briant e Rafael Sherwin (presbíteros).