quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

 

NOSSA SENHORA DE LOURDES

 

Nossa Senhora em Lourdes e sua devoção começaram no dia 11 de fevereiro de 1858, na pequena vila de Lourdes, França. Nesse dia, três amigas foram buscar lenha na mata que ficava perto da vila: Bernadete Soubirus de 14 anos, sua irmã Marie Toinette de 11 anos e a amiga Jeane Abadie, de 12 anos. 

 

História de Nossa Senhora em Lourdes

A caminho do rio Gave, passaram por uma gruta. Ali, Bernadete ouviu a voz de uma mulher chamando-a carinhosamente. A voz vinha de dentro da gruta. Curiosa e obediente, Bernadette entrou e viu a figura de uma jovem senhora vestida de branco, com uma faixa azul na cintura e um rosário de contas de pérolas em sua mão. As duas começaram a rezar juntas, e pouco depois, Maria desapareceu. Por um período de cinco meses, Nossa Senhora de Lourdes apareceu para as três meninas, sempre marcando o dia e a hora que iria aparecer para elas.

Sofrimento de Bernadete e das crianças

A notícia se espalhou e muitas pessoas foram à gruta no desejo de ver Nossa Senhora de Lourdes, mas só as crianças viam, o que gerou muita desconfiança e dúvida na população. Muitas vezes Bernadete foi vitima de agressões e zombarias feitas pela população. O próprio governo francês se envolveu na polêmica e interditou a gruta por um determinado tempo. Bernadete, porém, fortalecida pela graça de Deus, se manteve firme e insistia que Nossa Senhora pediu para que se construísse uma capela no local das aparições.

Milagres de Nossa Senhora de Lourdes

Tanto a população quanto a Igreja desconfiaram de Bernadete e das crianças que viam Nossa Senhora de Lourdes. E esta resistência começou a ficar muito séria. Por isso, Nossa Senhora, numa de suas últimas aparições, disse a Bernadete que fosse à gruta em determinado dia e hora e começasse a cavar o chão com as próprias mãos. Bernadete obedeceu e no local onde ela cavou, começou a brotar água e nunca mais parou. E era sabido por todos que ali, era um lugar seco onde jamais tivera fonte de água. Ao saber da água que brotou na gruta, o povo começou a ir até lá em busca de cura. Então, começaram a acontecer curas inexplicáveis entre o povo que se banhava nas águas da gruta de Lourdes. Curas de pessoas deficientes físicas, paraplégicos e de enfermidades incuráveis, confirmadas por médicos e cientistas. As curas, aliás, nunca deixaram de acontecer em Lourdes até hoje. Tanto que lá existe uma comissão de médicos pronta para avaliar e atestar se determinada cura foi ou não um milagre.

A posição da Igreja Católica

No dia 18 de janeiro de 1862, Dom Laurence, bispo de Tarbes, deu a declaração oficial proclamando a posição da Igreja diante dos acontecimentos de Lourdes: Inspirados pela Comissão composta por sábios, doutores e experientes sacerdotes que questionaram a criança, estudaram os fatos, examinaram tudo e pesaram todas as provas. Chamamos também a ciência, e estamos convencidos de que as aparições são sobrenaturais e divinas, e que por consequência, o que Bernadete viu foi a Santíssima Virgem Maria. Nossas convicções são baseadas no depoimento de Bernadete, mas, sobretudo, sobre os fatos que têm acontecido, coisas que não podem ser outra coisa senão uma intervenção divina.

 

Vida de Bernadete depois das aparições de Nossa Senhora de Lourdes

Depois que Nossa Senhora de Lourdes apareceu pela última vez, Bernadete ingressou na congregação das Irmãs de Caridade de Nevers. Ela estava com 22 anos e morreu aos 34 anos.

Imaculada Conceição

Uma das grandes revelações de Maria em Lourdes foi afirmar que Ela era a Imaculada Conceição, título que o Papa Pio IX havia dado a Maria 4 anos antes em Roma. Bernadete e as meninas não tinham conhecimento disso. Esse título é um Dogma de Fé da Igreja, uma verdade de fé que os católicos acreditam.

 

Devoção a Nossa Senhora de Lourdes

No ano de 1876 foi edificada a Basílica de Lourdes no local em que Maria havia aparecido. Um local que recebe anualmente milhões de peregrinos do mundo inteiro. Hoje este Santuário está em uma área com várias Igrejas e outras instituições construídas em torno da gruta. Bernadete foi Canonizada pelo Papa Pio XI no dia 8 de dezembro do ano de 1933 e Lourdes tornou-se um dos maiores locais de visitação dos peregrinos do mundo todo.

A mensagem de Nossa Senhora de Lourdes

A grande mensagem de Nossa Senhora em Lourdes é uma mensagem de conversão e de penitência. Nossa Senhora chamou insistentemente que aqueles que estão distantes de Deus voltem para a casa do Pai, pois estamos num tempo de grandes dificuldades. Oração do terço, penitência e conversão, esta é a grande mensagem de Nossa Senhora Lourdes.

 

Oração a Nossa Senhora de Lourdes

Ó Virgem Puríssima, Nossa Senhora de Lourdes, que vos dignastes aparecer a Bernadette, no lugar solitário de uma gruta, para nos lembrar que é no sossego e recolhimento que Deus nos fala, e nós falamos com Ele. Ajudai-nos a encontrar o sossego e a paz da alma, que nos ajudam a conservar-nos sempre unidos em Deus. Nossa Senhora da gruta, dai-me a graça que vos peço e tanto preciso, (pedir a graça). Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós.

São comemorados, também, neste dia: São Castrense, Santo Adolfo de Osnabruck (monge e bispo), São Gregório II (papa), São Lázaro de Milão (bispo), São Pascoal I (papa), Santa Teodora (imperatriz).

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

 

SANTA ESCOLÁSTICA, IRMÃ GÊMEA DE SÃO BENTO - 480-547

 

Fundou a Ordem das Irmãs Beneditinas.

O nome de Santa Escolástica, irmã de São Bento, nos leva para o século V, para o primeiro mosteiro feminino ocidental, fundamentado na vida em comum, conceito introduzido na vida dos monges por ele. Foi o primeiro a orientar para servir a Deus não "fugindo do mundo" através da solidão ou da penitência itinerante, como os monges orientais, mas vivendo em comunidade duradoura e organizada, e dividindo rigorosamente o próprio tempo entre a oração, trabalho ou estudo e repouso. Escolástica e Bento, irmãos gêmeos, nasceram em Nórcia, região central da Itália, em 480.

Eram filhos de nobres, o pai Eupróprio ficou viúvo quando eles nasceram, pois a esposa morreu durante o parto. Ainda jovem Escolástica se consagrou a Deus com o voto de castidade, antes mesmo do irmão, que estudava retórica em Roma. Mais tarde, Bento fundou o mosteiro de Monte Cassino criando a Ordem dos monges beneditinos.

Escolástica, inspirada por ele, fundou um mosteiro, de irmãs, com um pequeno grupo de jovens consagradas. Estava criada a Ordem das beneditinas, que recebeu este nome em homenagem ao irmão, seu grande incentivador e que elaborou as Regras da comunidade.

São muito poucos os dados da vida de Escolástica, e foram escritos quarenta anos depois de sua morte, pelo o santo papa Gregório Magno, que era um beneditino. Ele recolheu alguns depoimentos de testemunhas vivas para o seu livro "Diálogos" e escreveu sobre ela apenas como uma referência na vida de Bento, mais como uma sombra do grande irmão, pai dos monges ocidentais. Nesta página expressiva contou que, mesmo vivendo em mosteiros próximos, os dois irmãos só se encontravam uma vez por ano, para manterem o espírito de mortificação e elevação da experiência espiritual. Isto ocorria na Páscoa e numa propriedade do mosteiro do irmão.

Certa vez, Escolástica foi ao seu encontro acompanhada por um pequeno grupo de irmãs, quando Bento chegou também acompanhado por alguns discípulos. Passaram todo o dia conversando sobre assuntos espirituais e sobre as atividades da Igreja. Quando anoiteceu, Bento, muito rigoroso às Regras disse à irmã que era hora de se despedirem.

Mas Escolástica pediu que ficasse para passarem a noite, todos juntos, conversando e rezando. Bento se manteve intransigente dizendo que deveria ir para suas obrigações. Neste momento ela se pôs a rezar com tal fervor que uma grande tempestade se formou com raios e uma chuva forte caiu a noite toda, e ele teve de ficar. Os dois irmãos puderam conversar a noite inteira.

No dia seguinte o sol apareceu, eles se despediram e cada grupo voltou para o seu mosteiro. Essa seria a última vez que os dois se veriam. Três dias depois, em seu mosteiro Bento recebeu a notícia da morte de Escolástica, enquanto rezava olhando para o céu, viu a alma de sua irmã, penetrar no paraíso em forma de pomba.

Bento mandou buscar o seu corpo e o colocou na sepultura que havia preparado para si. Ela morreu em 10 de fevereiro de 547, quarenta dias antes que seu venerado irmão Bento.

Escolástica foi considerada a primeira monja beneditina e Santa, pela Igreja que escolheu o dia de sua morte para as homenagens litúrgicas.

São lembrados, também, neste dia: São Guilherme de Malavale, São Desiderato de Clermont (bispo), São Erlufo de Werden (bispo e mártir), Santa Sotéria de Roma (virgem e mártir). 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

 

LAVOU-LHE OS PÉS COM LÁGRIMAS.” (Lc 7, 36)

 

Jesus Cristo não fazia distinção de pessoas; Jesus Cristo jamais fez distinção de pessoas.

Jesus Cristo veio para todos os homens, ele veio para salvar a todos, a “todos os homens (e mulheres) de boa vontade.”        A pregação inicial de Jesus Cristo foi para que todos “mudassem de vida e de mentalidade e acreditassem no Evangelho, porque o Reino dos Céus estava próximo.”   Todos os que atenderam  ao chamamento de Jesus Cristo, todos os que seguiram o seu conselho, começaram a fazer parte  do Reino que ele viera trazer para todos os homens.       

Não interessava se era homem ou mulher, rico ou pobre, santo ou pecador, da própria pátria de Jesus ou estrangeiro; o importante é que mudassem de vida e de mentalidade e acreditassem no Evangelho. A todos os que se dirigiam a Jesus, ele os recebia com amor e carinho, curando as doenças de seus corpos e de suas almas, perdoando pecados e chamando-os  para uma vida mais santa e possível de ser vivida por que Jesus dizia estar com cada um que se propusesse a mudar de vida e de mentalidade e de seguir o seu Evangelho.

São Paulo, Apóstolo, entendeu tão bem esse chamamento de Jesus Cristo e o seguiu com tanto amor, dedicação e fé que chegou a declarar em uma de suas cartas, dizendo: “Estou crucificado com Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim. A minha vida atual eu a vivo pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou por mim.” (Gl 2,19-21).

Todos os que tinham boa vontade de mudar de vida e mentalidade se achegavam até Jesus, não importando que tipo de vida levavam antes desse encontro; importava, isso sim, o tipo de vida que se comprometessem a viver  depois desse encontro com Jesus.

E todos os que se achegavam a Jesus arrependidos de seus pecados com boa vontade de mudar de vida e de mentalidade, a todos Jesus abria os seus braços e os acolhia no seu reino de amor. Quantos exemplos disso temos nos Santos Evangelhos. Pecadores públicos, prostitutas, ladrões, exploradores do povo, todos os que se achegavam arrependidos aos pés de Jesus ele os acolhia com muito amor, os perdoava de seus pecados e os ajudava a se levantar na vida para começarem a viver uma vida mais voltada para Deus e para o próximo.

Certa vez, Jesus tomava uma refeição na casa de um rico fariseu.  

Nessa oportunidade achegou-se até ele uma mulher conhecida como pecadora na cidade, uma prostituta. Essa mulher havia trazido um vidro de um caro perfume. E enquanto Jesus estava assentado na mesa, com os demais, tomando a refeição, essa mulher se ajoelhou aos seus pés e começou a chorar e, com as lágrimas lavou os pés de Jesus e com os seus longos cabelos os enxugava enquanto cobria-os de beijos e derramava aquele rico perfume nos seus pés.

Todos os presentes naquela refeição ficaram escandalizados porque conheciam aquela mulher, todos conheciam a sua vida e os seus atos e todos sabiam que aquela mulher era uma prostituta. É assim que são os homens; fazem com que pessoas tomem caminhos errados na vida, e depois as marginalizam, as condenam, as criticam e jamais estendem a mão para lhes dar um apoio.

Mas, para quem se arrepende, para quem tem boa vontade e quer mudar de vida e de mentalidade, Jesus não se importa com a sua vida passada.   Jesus esquece tudo o que já passou; Jesus olha somente o coração, o interior da pessoa e a sua proposta de mudar de vida e de mentalidade. Não interessa para Jesus o mal que praticamos em nossa vida passada, os nossos pecados, o nosso desamor; interessa para Jesus, isso sim, o nosso arrependimento, a nossa boa vontade de mudar de vida e de mentalidade e seguir os seus preceitos.

Os homens continuarão a nos criticar, a nos marginalizar, a afastarem-se de nós como se fôssemos leprosos por termos cometidos algum ato que contraria os seus conceitos hipócritas de moral e bons costumes, mas Jesus nos acolhe, nos levanta, nos abraça com os seus braços divinos, nos apoia e nos  encaminha na vida.

Aquela mulher foi criticada e os homens que se diziam honestos sentiram-se mal com a sua presença dentro daquela sala onde todos tomavam refeição juntamente com Jesus.

Mas Jesus acolheu aquela mulher  e, com muito amor e carinho a levantou de seus pés, porque ela ainda estava ajoelhada, e lhe disse carinhosamente: “Mulher, os seus pecados estão perdoados... sua fé a salvou, vá em paz.” (Lc 7,36s).

Jesus Cristo não mede os nossos pecados. Jesus Cristo mede, isso sim, o nosso amor e, pelo tamanho do nosso amor será o perdão que ele nos dará porque: “quem muito ama, muito será perdoado...”

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

 

ONDE DEVEMOS BUSCAR REFÚGIO

 

Na Nossa vida temos momentos de ansiedade, de angústia, de tristeza, de expectativa.    

Isso é normal na vida de qualquer ser humano. Todos nós já vivemos dias sombrios; quantas vezes vivemos momentos de alegria e de exaltação e, de repente, sentimos que uma nuvem negra cobre o nosso entusiasmo, e os nossos dias de sol radiante se transformam em dias escuros, negros e sem vida, e passamos por profundas depressões.

Pensamos, então, que tudo está perdido, que a vida não tem mais sentido, que a existência não tem mais graça, e que essa fase da vida por qual passamos não vai ter mais fim. São momentos terríveis que nos fazem sofrer profundamente.

Às vezes perdemos até toda a nossa esperança. Quando as nossas condições de saúde estão precárias, quando estamos mal no trabalho, quando o nosso ambiente familiar já não é mais aquele que desejaríamos e que sempre sonhamos que fosse, quando o relacionamento com o marido, com a esposa ou com os filhos está difícil, quando não vemos mais saída para nada, nós começamos a nos sentir inúteis e fracos.     E, nesses momentos, nós procuramos refúgio em muitas coisas, em muitos lugares. Se não encontramos soluções para os nossos problemas com aquilo que fazemos ou nos lugares onde as buscamos, geralmente procuramos outras atividades ou estarmos em outros lugares que, na maioria das vezes, nos dá uma falsa segurança, uma falsa sensação de bem estar.

Outro dia uma senhora me dizia que, quando entrava em depressão, ela fumava dois maços de cigarro por dia. Outras pessoas se apegam em remédios e buscam médicos, numa tentativa de acabar com a sua depressão, acabar com a sua angústia.

Outros, ainda, procuram frequentar lugares de intenso barulho, como bailes, reuniões festivas e muitas outras coisas mais para tentarem  fugir dos problemas que tem, tanto na família, como no trabalho, no dia a dia, no relacionamento com vizinhos e amigos.

Mas, nada disso resolve. A nossa  depressão, a nossa angústia vem de dentro, e a cura também, para isso, deve vir de dentro. Aquela senhora fuma dois maços de cigarro por dia para fugir de seus problemas, de suas frustrações, de suas angústias; fuma dois maços de cigarro por dia para não pensar nas coisas que a deprime. Aquela outra gasta dinheiro com médicos e remédios e mesmo assim não encontra solução para os seus problemas. Outros, ainda, procuram frequentar lugares incompatíveis e perigosos, e com isso só aumentam a sua angústia, a sua tristeza, a sua depressão. E nós nos esquecemos do amor de Maria, nos esquecemos do colo de Maria, onde devemos nos refugiar quando nos afundamos nos nossos problemas. Foi no colo de Maria que Jesus chorou muitas vezes, e encontrou refúgio e apoio como homem. Foi no colo de Maria que Jesus, como homem, aprendeu a superar os seus problemas, e, mais tarde ele chamou para si, como Deus, a responsabilidade de confortar, como sua mãe o confortou, e nós não podemos nos esquecer do chamamento de Jesus, que é o único médico, tanto dos problemas do corpo como da alma.           

E Jesus nos diz: “Vinde a mim todos vocês que estão cansados, angustiados, que eu vos aliviarei. O meu peso é leve e o meu jugo é suave. Vinde a mim vocês todos.” Você, meu irmão, você minha irmã, que gasta dinheiro com cigarro, com médicos, com remédios, com diversões perigosas, para fugir dos seus problemas, se, ao contrario, você saísse de dentro de si próprio e fosse ao encontro do irmão necessitado, daquele que tem mais problemas que você, se, no momento de angústia e tristeza você saísse de  dentro de sua casa e fosse visitar um doente, sentira que nessa visita, além de ser um conforto para o irmão doente, vai ver que existe pessoas em pior situação que você. Se você for a um asilo visitar os velhinhos que lá estão esquecidos pela sociedade e esquecido por seus próprios filhos; se você for a um orfanato visitar as crianças que foram abandonadas nas tuas pelos pais; se você fosse a um hospital visitar os doentes que estão em fase terminal de vida, você viria que seus problemas são uma agulha perdida num palheiro.  Se nas horas em que você não está fazendo nada em sua casa, a não ser pensando que você é a mais infeliz das criaturas,  e se preocupasse em fazer, com os retalhos que você joga fora, alguma roupinha de bebê, e fosse visitar uma mãe pobre que, talvez, não tem com que se vestir e vestir os seus filhos, você se sentiria bem melhor. Se você, meu irmão, você minha irmã, saísse de dentro de si próprio e parasse de sentir dó de você mesmo, e começasse a se preocupar com o irmão necessitado, a sua angústia, a sua depressão sairia de suas almas e daria lugar à alegria cristã de ter parado de pensar em si próprio e de ter ido ao encontro do irmão necessitado. 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

 

“JESUS CUROU MUITAS PESSOAS DE DIVERSAS DOENÇAS” (Mc 1,34).

 

V DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ano – B; cor – verde; Leituras: Jó 7,1-4.6-7; Sl 146 (147); 1Cor 9,16-19.22-23; Mc 1,29-39.

 

Diácono Milton Restivo

 

A primeira leitura desta liturgia traz-nos o livro de Jó.

O livro de Jó é bastante polêmico, principalmente pela época em que fora escrito considerando que, para o povo do Antigo Testamento existia a doutrina tradicional da retribuição, ou seja, a riqueza material era sinal de que, quem a tivesse era porque era cumpridor da lei, e Yahweh assim retribuía a quem lhe fosse fiel.

Quem era pobre seria porque era descumpridor da lei, e Yahweh o punia com a pobreza e a doença, assim, da mesma forma, quem tinha saúde era uma retribuição de Yahweh, quem era doente era por castigo por sua infidelidade.

A questão do sofrimento dos justos é tema central da narrativa deste livro.

No livro de Jó o personagem principal, o próprio Jó, é descrito como sendo um homem rico e justo. Ninguém acreditava que os justos pudessem sofrer, ficar doentes ou pobres.

Se alguém sofresse doenças, infortúnios, pobreza, era sinal de que havia cometido um pecado grave e estava sendo punido por Yahweh de conformidade com a crença popular: “aqui se faz, aqui se paga”.

Jó foi colocado à prova. Yahweh tirou dele toda sua família, sete filhos e três filhas, todo seu rebanho, suas propriedades e até a sua saúde, fazendo-o leproso e desprezado até pelos que antes o tinham em alto estima.

Ainda hoje, nos nossos dias, essa doutrina da retribuição está em vigência em muitas igrejas que se dizem cristãs: se pagar o dízimo corretamente e em dia, conforme os dirigentes dessas igrejas determinam, Deus vai cumular o fiel de riqueza, saúde e prosperidade, casa, carro, pagamentos de dívidas, como se Deus necessitasse do nosso dinheiro para nos cumular de graças e amor.

Tal atitude não passa de uma tentativa de comercializar com Deus: pago o dízimo à minha igreja e Deus me faz rico, próspero, com saúde e sem dívidas.

Hoje, muitas igrejas fundadas por gananciosos e que se dizem, pretensiosamente, cristãs, não passam de empresas onde seus fiéis não passam de clientes. Enquanto líderes, que se autodenominam bispos, pastores, apóstolos, missionários, enriquecem a olhos vistos, o povo simples e mal informado, acreditando que com dízimos, doações e dinheiro compra-se a vida eterna, empobrece espiritual, cultural e financeiramente.

Não era diferente no tempo de Jó e no tempo de Jesus.

Jó não havia cometido pecado e, mesmo no mais profundo dos infortúnios, continuou fiel a Yahweh, não aceitando a hipótese de que tivesse sido castigado por Yahweh porque havia cometido um pecado grave.

Deus não impede que passemos por provações; afinal, são elas que mostrarão o tamanho da nossa fé e a confiança que temos em Deus que é Pai. Quando superamos essas provações e olhamos para o passado, vemos que esses foram tempo de aprendizado e fortalecimento na fé, e entendemos que as adversidades podem ser um sinal do amor do Pai para com seus filhos.

O Salmo convida os fiéis a louvar a Yahweh porque

·         “o nosso Deus merece harmonioso louvor” Sl 146 (147),1).

Este Salmo mostra todo amor e cuidado que Yahweh tem por aqueles que nele confia:

·         “Yahweh reconstrói Jerusalém, reúne os exilados de Israel. Cura os corações despedaçados e cuida dos seus ferimentos. [...] Yahweh sustenta os pobres e rebaixa os injustos até o chão. [...] Yahweh aprecia aqueles que o temem, aqueles que esperam por seu amor.” (Sl 147 (146),2.6.11).

Na segunda leitura Paulo deixa claro porque prega o Evangelho de Jesus Cristo:

·         “Pregar o evangelho não é para mim motivo de glória, é antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho!” (1Cor 9,16).

Paulo insiste em dizer que não espera recompensa nenhuma por pregar o evangelho porque, para ele, pregar o Evangelho “é uma necessidade... uma imposição”, não é mais do que obrigação, e isso ele o faz “por iniciativa própria”, sem ter a preocupação de receber por isso qualquer mérito ou recompensa porque, por melhor que façamos as coisas de Deus ainda somos inaptos, ineptos, inúteis e falhos, como disse Jesus:

·         “Assim também vocês: quando tiverem cumprido tudo o que lhes mandarem fazer, digam: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’.” (Lc 17,10).

Este ano litúrgico que vivemos traz-nos o Evangelho de Marcos para ser lido e meditado.

Marcos é um dos evangelhos chamados “sinóticos”, juntamente com Mateus e Lucas.

Sinóticos quer dizer: evangelhos vistos por uma mesma ótica.

Dentre os quatro Evangelhos, o de Marcos é o mais enxuto e direto, também chamado de Evangelho catequético e inicia mostrando que o seu objetivo é responder à pergunta: “Quem é Jesus?”, e isso ele já deixa claro já no seu início: “Começo da Boa Nova de Jesus, o Messias, o Filho de Deus” (Mc 1,1), e depois em 3,11, 8,29, 14,61 e 15,39.

Marcos quer deixar claro que “Jesus é o Messias, o Filho de Deus”, revelando sua condição divina, demonstrando que os milagres realizados por Jesus asseguravam ser ele o Messias prometido.

Os dezenove milagres registrados em seu curto livro demonstram o poder sobrenatural de Jesus. Oito deles provam seu poder sobre as enfermidades. Cinco demonstram seu poder sobre a natureza. Quatro demonstram sua autoridade sobre os demônios e dois demonstram sua vitória sobre a morte.

Marcos escreveu seu Evangelho com o objetivo de encorajar os cristãos romanos perseguidos, mostrando, também, Cristo como um servo em ação:

·         “Porque o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos” (Mc 10,45),

Marcos identifica Jesus com “o servo do Senhor” citado por Isaias:

·         “Vejam o meu servo, a quem eu sustento: ele é o meu escolhido, nele tenho todo o meu agrado”. (Is 42,1).

As narrativas mostram sempre Jesus agindo, fazendo milagres, curando, viajando, pregando, enfim, servindo.

O Evangelho segundo Marcos é o mais simples dos Evangelhos, o mais curto com apenas 16 capítulos e, apesar de ser apresentado como o segundo escrito no Novo Testamento, foi o primeiro Evangelho a ser escrito que, além de encorajar os cristãos romanos perseguidos, tinha por objetivo ajudar os indecisos e incrédulos a chegar até Jesus.

A leitura do Evangelho desta liturgia narra a passagem em que Jesus, após um dia cansativo de pregações e atendimento aos necessitados, procura descanso na casa de Simão (Pedro) e André:

·         "E logo, ao sair da sinagoga, foi à casa de Simão e André, com Tiago e João; a sogra de Simão estava de cama com febre, e eles imediatamente o mencionaram a Jesus.  Aproximando-se, ele, a tomou pela mão e a fez levantar-se. A febre a deixou e ela se pôs a servi-los." (Mc 1, 29-31).

Esta passagem encontra-se também nos Evangelhos de Mateus 8,14-15 e Lucas 4,38-39.

Se Pedro tinha sogra, com certeza, tinha esposa.

Nos ensinamentos de Jesus não há qualquer chamada de atenção sobre a incompatibilidade entre a vocação religiosa e o matrimônio. Com certeza, muitos outros apóstolos eram também casados. Isso afirma Paulo na sua primeira carta aos coríntios:

·         “Não temos direito de levar conosco, nas viagens, uma esposa cristã, como os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Cefas?” (1Cor 9,5 da Bíblia de Jerusalém, edição de 1998 – Paulus 2002).

A sogra de Simão Pedro estava doente e Jesus aproximou-se dela. Tomou-a pela mão e a fez levantar-se da cama, já curada. A febre passou imediatamente e ela, já recuperada de sua doença, prontamente e agradecida, pôs-se a servi-los.

Este atendimento a um doente feito por Jesus, recuperando-lhe a saúde, foi presenciado por poucas pessoas e sob o teto da casa de Pedro. Jesus, ao ver a mulher acamada, num gesto de carinho, solidariedade e amor, estendeu-lhe a mão, e ao toque de sua mão, a doente deixa de ter febre imediatamente e levanta-se do leito e, em sinal de retribuição ao gesto amoroso de Jesus, a mulher passa a servi-lo.

A presença de Jesus vale mais que qualquer remédio para curar os males que afetam os homens. Bastou que Jesus estendesse sua mão e segurasse a mão da sogra de Simão Pedro para que ela ficasse curada de sua doença.

Quantas vezes estamos doentes na fé, descrentes da vida. Quantas vezes estamos debilitados, desanimados, cansados, descrentes, e Jesus vem ao nosso encontro e nos estende a mão e nos sentimos novamente fortes e revitalizados na nossa fé, na nossa vida e ganhamos novas forças para servirmos a Deus e aos irmãos.

Quantas vezes estamos descrentes da vida e não ligamos para mais nada e eis que, de repente, surge Jesus que nos estende a mão, toca-nos, nos chama à realidade, levanta-nos de nossa apatia e ai encontramos forças para continuarmos a servir, como aconteceu com a sogra de Simão Pedro que, depois de ser curada de sua doença, ela se pôs a servi-los.

Jesus é, além de médico, remédio para todas as doenças da alma que originam a maior parte das doenças do corpo porque:

·         "As pessoas que tem saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. Eu não vim para chamar justos, e sim pecadores." (Mc 2, 17),

Essa afirmativa de Jesus nos tranquiliza ainda mais:

·         “... não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo." (Jo, 12,47).

Quando Jesus faz-se presente em nossa vida, as coisas boas acontecem.

Jesus está sempre a postos para a sua missão de libertar o homem de todos os males que o afligem. Jesus sempre se faz presente na luta contra a injustiça, contra a doença, contra o mal, seja ele ou ela qual for. Com Jesus presente encontramos forças renovadas para continuarmos na nossa caminhada rumo a casa do Pai.

Assim como fez com a sogra de Simão Pedro, Jesus segura na nossa mão e nos faz levantar das nossas quedas, do nosso desânimo, do nosso comodismo, revitaliza a nossa fé.

A presença de Jesus é quem nos dá forças para continuarmos firmes na fé e a servir os irmãos. O que precisamos é acreditar mais na presença de Jesus ao nosso lado, na nossa vida, animando-nos, ajudando-nos a enfrentar todos os obstáculos que a existência nos impõe.

Jesus é o melhor e mais honesto dos amigos que possamos ter; é infinitamente melhor que o nosso melhor amigo.

Jesus não nos abandona em momento algum da nossa vida, ainda que o abandonemos, e isso fazemos quase sempre.

Nas mãos de Jesus está o poder de libertar. Em nossas mãos está o poder de decidir, de escolher, de aceitar a libertação que nos é oferecida por Jesus.

Pouco adianta Jesus querer nos libertar se não colaborarmos com ele.

Jesus não força, não empurra, não obriga; ele só ajuda, e com muito amor e carinho, os que estão dispostos a sair do estado letárgico do comodismo, da falta de fé, do desânimo. Jesus não nos obriga, mas nos deixa este convite:

·         "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me", que precede essa advertência: “... pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la", seguida deste consolo: “... mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.", e com essa recomendação: "De fato, que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, mas arruinar a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca de sua vida?", e termina com essa consolação: "Pois o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com o seu comportamento", (Mt 16,24-27).

Quem não atende ao convite de Jesus é porque quer continuar doente e escravo: escravo do sexo, escravo da luxúria, escravo da riqueza, escravo do egoísmo, escravo de todos os pecados capitais que possam existir.

Se alguém ainda não conseguiu libertar-se de todas as doenças do corpo e da alma não é porque Jesus deixou de lhe estender a mão, mas porque preferiu continuar na escravidão rejeitando a mão estendida de Jesus.

Jesus é o remédio para todos os males. Jesus é o nosso Libertador; somente por ele seremos livres de tudo o que nos oprime e nos escraviza.

Dando sequência à sua narrativa o Evangelista diz que:

·         "Ao entardecer, quando o sol se pôs, trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos e endemoniados. E a cidade inteira aglomerou-se à porta. E ele curou muitos doentes de diversas enfermidades e expulsou muitos demônios." (Mc 1, 32-34).

Mas o comum ao tempo dos apóstolos e de Jesus, era que os enfermos fossem considerados “possuídos por maus espíritos”. Os aleijados, excluídos, não se atreviam a aproximar-se de quem quer que seja, pois eram considerados amaldiçoados por Yahweh.

No Antigo Testamento a doença era tratada como sinal de impureza ou pecado cometido pelo doente, e a regra era uma só: discriminar o doente e privá-lo do convívio social, caso típico dos leprosos. Os membros sadios da sociedade não olhavam e nem se aproximavam desses desgraçados.

Jesus, contrariando expectativas de ambos os lados, ignorava as regras, dispunha-se a servir os marginalizados com dedicação e cuidado, para curá-los.

Quando estava à mesa com os pecadores públicos na casa de Mateus e por ser recriminado por estar ceiando com pessoas que eram discriminadas pelos doutores da Lei que se julgavam santos pela suas atitudes por isso Jesus disse para que veio:

·         As pessoas que tem saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. Eu não vim para chamar justos, e sim pecadores.” (Mc 2, 17; Mt 9,12; Lc 5,31).

Paulo escreve aos Colossenses, dizendo:

·         “Meus irmãos, agora eu me alegro de sofrer por vocês e vou completando na minha própria carne o que falta aos sofrimentos de Jesus Cristo a favor do seu corpo, que é a Igreja.” (Cl 1, 24).

Essa frase de Paulo cabe certinho na boca dos doentes, dos nossos irmãos e irmãs que estão passando por algum problema de saúde, que estão hospitalizados, acamados em tratamento médico.

Todos os doentes sofrem de uma maneira ou de outra. E seria tão bom que todos os doentes dissessem como disse Paulo:

·         “eu me alegro de sofrer... porque vou completando na minha carne o que falta aos sofrimentos de Jesus Cristo a favor da sua Igreja.”.

Os doentes são os companheiros de Jesus Cristo a caminho do Calvário, ajudando-o carregar a sua cruz. Os doentes são os participantes da agonia da cruz.

Os sofrimentos dos doentes são a participação dos sofrimentos de Jesus para a total salvação de todo o gênero humano.

Os doentes são o corpo flagelado de Jesus; são a cabeça coroada de espinhos de Jesus; são o coração sacrossanto de Jesus traspassado pela lança.

Os doentes sofrem, e esse sofrimento complementa o sofrimento de Jesus para a salvação de todos os homens. São para esses que Jesus estende a mão, buscando, se não a cura da enfermidade física, dar-lhe o conforto por ser-lhe um companheiro na sua missão de ser o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

A doença, apesar de ser um mal, é também um meio de santificação; pela doença chegamos à conclusão de que nada somos e nada podemos se não tivermos fé, porque:

·         "Tudo é possível àquele que crê." (Mc 9,23) e "Para Deus, com efeito, nada é impossível." (Lc 1,37).

 Amparados pela nossa fé concluímos que, sem Jesus Cristo nada somos e nada podemos

·         "Porque sem mim, nada podeis." (Jo 15,5).

Ao entardecer e anoitecer de nossas vidas, ao pôr-do-sol de nossa existência, procuremos Jesus, vejamos em qual casa ele possa estar e peçamos-lhe que nos cure das doenças do corpo e, principalmente, das doenças da alma, para sermos livres e livres das ilusões e vaidades do mundo possamos adorar ao Senhor Nosso Deus e Criador, adorar ao Deus de Misericórdia que nos mandou seu Filho Único para nos libertar de todos os males. 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

 

MARIA DE MINHA INFÂNCIA

 

“Eu era pequeno, nem me lembro, só lembro que a noite, aos pés da cama, juntava as mäozinhas e rezava apressado, mas rezava como alguém que ama...”

Essa música, do Padre Zézinho, Maria da minha infância, retrata bem como foi o nosso relacionamento com Maria, na nossa infância e adolescência, e como está sendo o nosso relacionamento com Maria ainda hoje. Com fé, amor e devoção, quando éramos crianças, juntávamos nossas mãos em oração e rezávamos, inocentemente a aprece da Ave Maria, repetindo palavras que nem sabíamos direito os seus significados, mas, com que confiança rezamos.           

Que segurança sentíamos quando nos dirigíamos a Maria, repetindo as palavras de nossa  mãe ou avó, aquela oração  que fazia e faz de Maria a mais cheia de graça, a mais pura entre as mulheres. Mas isso, quando éramos pequenos. Quando éramos crianças. Que confiança as crianças tem na maezinha do céu.

E o Senhor Jesus também foi criança nos braços de Maria – Jesus se entrega confiantemente nos braços virginais de sua mãe, Maria, e sem dúvida, sentia ali confiança, apoio, segurança, carinho, e que grande amor. E quando Jesus era criança nos braços de Maria, ele se sentia no céu e, talvez, tenha sido por isso mesmo que, anos mais tarde, ele tenha dito aos seus apóstolos e discípulos, e nos diz ainda hoje – SE VOCÊS NÄO SE TORNAREM CRIANÇAS, VOCÊS NÄO ENTRARÃO NO REINO DOS CÉUS -. Isso, sem dúvida, ele aprendeu nos braços de Maria, isso ele experimentou nos braços maternais e virginais de Maria – se nos entregamos nos braços de Maria, como fez Jesus Menino, nós também nos sentiremos nos céus.       Como confiamos em nossa mãe quando somos crianças, quando somos pequenos.

Nos entregamos totalmente aos seus cuidados, e jamais duvidamos de qualquer palavra que ela diz – quando somos crianças, a palavra de nossa mãe é lei.         

Confiamos em tudo o que ela diz e faz, e isso sem sombra de qualquer dúvida. 

E foi nossa mãe quem nos ensinou amar Maria, foi nossa mãe quem nos ensinou confiar em Maria, foi nossa mãe que nos ensinou a oração da Ave Maria.          

Quando éramos crianças, dificilmente dormíamos sem antes recitarmos pelo menos uma Ave Maria, muitas vezes, como diz a música do Padre Zézinho, apressados, correndo, engolindo palavras, mas rezávamos. Depois, fomos crescendo, fomos deixando de sermos crianças, e fomos achando que era cafona rezar, que rezar era coisa para beatos e beatas, e que as coisas do céu já eram, que as coisas do céu eram somente para crianças inocentes que não sabiam nada da vida, e a gente foi esquecendo aquela amizade pura, simples e santa, que sempre tivemos, quando crianças, com a Mãe de Deus.          

Mas, quando um filho parte, a mãe fica sempre com o coração na mão e sempre na expectativa do seu regresso.          E, quando ele volta, a mãe, como o pai do filho pródigo, o recebe nos braços com festas e carinho. Assim é Maria para todos nós.

Quando éramos crianças nós a amamos muito, nós confiamos muito nela, mas, depois, fomos crescendo, fomos deixando de ser crianças, fomos deixando de confiar, enveredamos por outros caminhos e julgamos que, sendo grandes, já não precisaríamos mais dos cuidados da mãe, da mãe da terra e nem da Mãe do céu. 

E como nos enganamos.  Como nos iludimos. Quantos encontrões damos na vida por faltar ao nosso lado a presença amiga de nossa mãe, o apoio de nossa mãe, principalmente da nossa Mãe do Céu. É por isso que Jesus nos diz – SE VOCÊS NÄO SE TORNAREM CRIANÇAS, VOCÊS NÄO  ENTRARÃO NO REINO DOS CÉUS -.           

É por isso que precisamos continuar sendo sempre crianças, porque, qualquer que seja a idade que tivermos, se continuarmos com a confiança e a inocência de uma criança, sempre teremos um espaço nos braços maternais de Maria, e ela jamais desampara quem se entrega de corpo e alma aos seus cuidados maternais.      Jesus Cristo passou por essa experiência, e por isso que ele nos diz e repete – SE VOCÊ NÄO SE TORNAR COMO UMA CRIANÇA, VOCÊ NÄO ENTRARÁ  NO REINO DOS CÉUS -. Se não permanecermos sempre crianças, sempre conversando com a nossa Mãe do céu, sempre confiando totalmente na sua guarda, jamais partilharemos do reino que Jesus veio  trazer para todos os homens de boa vontade, por meio de Maria.

Se já deixamos de ser crianças, é o momento de voltarmos a ser crianças e nos jogarmos nos braços maternais  de Maria, e confiar a ela todos os nossos problemas, nossas preocupações, nossas alegrias e tristezas, e ela, mais do que ninguém neste mundo, nos entenderia como mãe amorosa que é, jamais nos desamparará, e nos pegará no colo e nos levará na presença do Nosso Pai, por meio de Jesus Cristo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

 

ESPOSAS  E  MÃES,  MARIA  NO LAR...

 

O exemplo mais digno e vivo que temos de Maria em nossos dias e no nosso meio, são as donas de casa, as nossas esposas, as nossas mães, que hoje cumprem com os seus deveres matrimoniais, com suas obrigações de casa, com a educação de seus filhos e com os cuidados com o marido.

Você, minha irmã, que é esposa, que é mãe, você que mora na cidade ou no sítio, no centro ou na zona rural, que levanta cedo para preparar o café da família, cuidar do almoço dos que vão trabalhar na roça, no comércio, nas suas profissões liberais ou de empregados, ou em qualquer outra atividade.         

Você minha irmã, que é esposa e mãe, que já de madrugada, de manhã bem cedo, está atarefada com suas obrigações domésticas de esposa, mãe e dona de casa,, você é o exemplo mais digno e vivo que temos no nosso meio de Maria, a mãe de Jesus.

Você, mãe e esposa, com Maria, é a continuação de Deus no seio da família, é a vontade de Deus que se faz presente no lar, é a aceitação da vida com todos os seus problemas, dificuldades, dores, tristezas e alegrias. Maria se entregava totalmente nas mãos de Deus até nos mais simples serviços domésticos.           Você, minha irmã, que é mãe e esposa,  temos certeza, já levanta de manhã com orações nos lábios e Deus no coração, como fazia Maria na sua pobrezinha casa de Nazaré.

Maria, a Nossa Senhora, continua no nosso meio, no nosso lar na figura de nossas mães e nossas esposas, mulheres abnegadas que lutam no dia a dia para que a felicidade do lar seja completa, e não seja falha.

Você, minha irmã, que é mãe e esposa, é sempre a última pessoa no lar a se deitar à noite em sua casa, e é a primeira a se levantar todos os dias, e se houver algum problema de doença com os filhos ou com o marido, levanta a qualquer hora da noite para observar o estado de saúde de cada um.

Você, esposa e mãe, não se deita à noite enquanto não se conscientizar que todos os seus familiares já estão acomodados e que tudo está bem.

Você, esposa e mãe, é a primeira a se levantar, e já levanta da cama trabalhando, catando coisas esparramadas por todo canto da casa, acendendo o fogo para o café e para ferver o leite das crianças e para esquentar a comida para a marmita dos que vão trabalhar o dia todo e, com paciência e amor, começa a chamar seu marido e seus filhos que devem ir para o trabalho ou para a escola. A mãe e esposa é a sentinela vigilante dentro do lar. 

Se, durante a noite tiver alguém doente em sua casa, a mãe se levanta quantas vezes forem necessárias para lhe dar o remédio ou para ver se o doente está com febre, está coberto, está bem.             E, no dia seguinte, quando tem que se levantar, levanta com a mesma disposição, muito embora cansada, mas sem demonstrar no rosto qualquer traço desse cansaço que aqui na terra não tem recompensa alguma e que nem o marido e nem os filhos, na maior parte das vezes notam e reconhecem. Você, minha irmã, que é esposa e mãe, você é como Maria, a Nossa Senhora, você é a imagem de Maria que temos dentro de casa, no nosso lar.

As esposas e mães são a figura de Maria no nosso lar, numa entrega total à vontade de Deus.   É por isso que precisamos amar Maria.

É por isso que precisamos amar as nossas esposas e mãe dos nossos filhos.        

É por isso que precisamos amar as nossas mães.    

É por isso que precisamos ter sempre Maria em nossos corações.             

É por isso que não podemos esquecer jamais o sacrifício de nossas esposas e nossas mães.        O exemplo mais vivo e mais digno que temos de Maria, a Nossa Senhora, em nossos lares, no nosso meio, são as nossas mães, são as nossas esposas, são as mães de nossos filhos.           

Todo e qualquer serviço doméstico que elas fazem, não aparece, todo amor que elas dedicam, não é retribuído, todo sacrifício que elas fazem para que amam, não tem a sua recompensa neste mundo, mas, para o Senhor Nosso Deus, nada disso é passado desapercebido, e um dia, temos certeza, as nossas mães, as nossas esposas, as Mães dos nossos filhos, gozarão a plena felicidade com Maria, a Nossa Senhora, que também como as nossas mães, nossas esposas e mães dos nossos filhos, neste mundo só amou e sofreu, mas que hoje, junto de Deus Pai está sentada num trono celeste reservada para todas as mães e esposas que, como ela, neste mundo, souberam amar e sofrer em silencio, fazendo em tudo a vontade do Pai...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

 

ZÉLIA E JERÔNIMO – O PRIMEIRO CASAL A SER BEATIFICADO NO BRASIL

 

As histórias virtuosas de Zélia Pedreira Abreu Magalhães (1857-1919) e de Jerônimo de Castro Abreu Magalhães (1851 -1909) cruzaram-se pelo casamento. No entanto, mesmo antes disso, ambas apresentavam características da mais profunda fé cristã.

Zélia, a primogênita de João Pedreira do Couto Ferraz, secretário do Supremo Tribunal de Justiça e aposentado do Supremo Tribunal Federal, e de Elisa Amália de Bulhões Pedreira, nasceu em 5 de abril de 1857, no bairro do Ingá, em Niterói, capital da então Província do Rio de Janeiro.

Recebeu primeiramente o nome da mãe, Elisa, logo trocado pelo anagrama Zélia, composto pelo pai. De família proeminente, Zélia teve como avós paternos o Desembargador Luís Pedreira do Couto Ferraz e Guilhermina Amália Correia Pedreira e como avós maternos, o Comendador José Manuel de Carvalho Bulhões e Justina Justa de Oliveira Bulhões.

Entre os parentes próximos, havia o Barão do Bom Retiro, presidente da Província do Rio de Janeiro, cargo que hoje corresponde ao de Governador do Estado, seu tio paterno; a Baronesa de Anadia, sua tia materna; o Visconde de Duprat, seu cunhado; e o Arcebispo de Porto Alegre, Dom José Claudio Ponce de Leão, seu primo.

Filho do fazendeiro Fernando de Castro Abreu Magalhães e de Rosa Rodrigues Magalhães, Jerônimo de Castro Abreu Magalhães (1851-1909) nasceu em Magé, Província do Rio de Janeiro, em 26 de julho de 1851. Seu pai, que veio para o Brasil acompanhar o irmão, Monsenhor Baccelar, Capelão do Imperador, construiu a grande fazenda de café Santa Fé, próxima ao Carmo do Cantagalo, e fez grande fortuna. Colaborou para o desenvolvimento da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, onde situava-se a fazenda, cooperou com a fundação do Colégio Anchieta em Nova Friburgo e extinguiu a escravatura em sua fazenda muito antes do decreto imperial. Teve quatro irmãos sacerdotes e algumas sobrinhas religiosas.

Jerônimo fez os estudos preparatórios em Lisboa, mas formou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro em 1873.

Zélia, enquanto isso, recebia primorosa educação literária, artística e científica e apresentava especial pendor para o estudo de idiomas. Aprendeu a falar e escrever fluentemente o francês, inglês, espanhol e italiano, além do português. Conhecia também alemão, latim e grego.

Aos 14 anos, traduziu do italiano para o português obra “Il Giovinetto” de Cesare Cantu, que publicou com o título de “O Adolescente”. O livro, de 250 páginas, foi oferecido ao Imperador D. Pedro II que agradeceu através de carta. Sua vida espiritual sempre recebeu grande atenção.

Durante dez anos, foi orientada pelo frade capuchinho Frei Luiz Gubbio e, depois de casada, recebeu orientação do grande sacerdote jesuíta padre Yabar e de outros sacerdotes importantes que frequentavam sua casa.

Em 27 de julho de 1876, Zélia, com pouco mais de 19 anos, e Jerônimo, com 25 anos recém-feitos, casaram-se na Chácara da Cachoeira, no bairro da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro.

Após uma temporada em Petrópolis, o casal fixou residência na Fazenda Santa Fé, de propriedade da família de Jerônimo e constituiu um autêntico lar cristão.

Na fazenda havia uma capela onde Zélia rezava inúmeras vezes ao dia. O casal jamais tratava os escravos, que viviam em liberdade e recebiam salário, como propriedade.

Eles iniciavam seu dia de trabalho com uma oração guiada por ela e acompanhada por Jerônimo, no coreto do pátio da fazenda. A preocupação de Zélia e Jerônimo com a vida espiritual desses homens, mulheres e crianças era tão grande que eles sempre participavam da Missa, das confissões e da catequese promovidas pelo casal e Zélia, pessoalmente, encarregava-se da catequese e da assistência aos escravos e necessitados. Tanto que construiu uma enfermaria para tratar dos doentes com visitas periódicas de um médico, dela mesma e de seus filhos.

Ao ser assinada a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, os escravos agora libertos legalmente lá permaneceram, uma vez que sempre haviam sido tratados como pessoas livres, a partir do exemplo do pai de Jerônimo.

Do feliz casamento nasceram treze filhos, quatro dos quais falecidos em tenra idade.

Todos os demais abraçaram ordens religiosas. Os três homens tornaram-se um Lazarista, um Jesuíta e um Franciscano. Dentre as seis mulheres, quatro tornaram-se Dorotéias e duas da Congregação do Bom Pastor.

O casal sempre preocupou-se com a educação dos filhos. A princípio, Zélia e Jerônimo os educavam em casa, em um ambiente intensamente cristão, frequentado por sacerdotes e bispos com assiduidade, no qual sempre havia Missas, Confissões e eram ministrados os demais sacramentos.

Já um pouco mais velhos, os filhos eram encaminhados para colégios católicos para aprimorarem não apenas os conhecimentos intelectuais como religiosos.

Jerônimo era tão dedicado à formação dos futuros sacerdotes seculares que reservava parte de suas economias para enviar aos seminários e casas religiosas, além de ajudar a propagação da mais profunda vivência da fé cristã. Sempre reunia os fazendeiros da região, não apenas para participarem da Missa e da Confissão, como para ajudarem com doações para a Igreja.

Por ter, assim como Zélia, entre seus diretores espirituais, o jesuíta padre Yabar, Jerônimo tinha muita afeição e espiritualidade inaciana, mas teve São Francisco como modelo de desprendimento dos bens terrenos e chegou a tornar-se franciscano da Ordem Terceira. Mas, na fazenda Santa Fé, Zélia e Jerônimo acolhiam diversos missionários Lazaristas, Redentoristas, Franciscanos e Jesuítas em missões que abrangiam toda a região e todo o povo de Deus, de escravos e colonos até fazendeiros insignes.

Como pai de família, Jerônimo, por várias vezes renovou o sacrifício de oferecer a Deus cada um dos seus filhos. Além disso, escreveu a um sacerdote que, seguindo os desígnios de Deus, ele próprio e sua esposa seguiriam ordens religiosas. Quando isso ocorresse, ele iria doar a Fazenda Santa Fé para alguma congregação e os demais bens para a Igreja e para os pobres.

No entanto, ele não pode concretizar sua vontade. Faleceu em alto grau de perfeição de vida cristã em 12 de agosto de 1909, aos 58 anos, deixando nove filhos religiosos, Zélia e acima de tudo um exemplo de santo pai amoroso.

Com a morte de Jerônimo, Zélia foi cuidar de seu pai viúvo com quem morou até a morte dele em 1 de novembro de 1913, quando tornou-se religiosa, ao ingressar no convento das Servas do Santíssimo Sacramento, o “Venite Adoremus”, estabelecido em 1912, no Largo do Machado, Rio de Janeiro. No entanto, a doença grave de uma das filhas e o filho mais novo, Fernando, jesuita, ainda sem os votos perpétuos, fizeram-na adiar um pouco o atendimento ao chamado de Cristo.

Após vender e doar seus bens aos mais necessitados e à Igreja, conforme o desejo de Jerônimo e a passagem do Evangelho, Zélia concretizou o total desprendimento dos bens materiais, tomou o hábito religioso em 22 de janeiro de 1918 e adotou o nome de Irmã Maria do Santíssimo Sacramento.

Em 8 de setembro de 1919, a edificante vida de Zélia, a Irmã Maria do Santíssimo Sacramento, teve fim. Ela foi sepultada em um simples jazigo no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Por causa do grande número de fiéis que frequentavam seu túmulo para rezar, seus restos mortais foram transladados para a Paróquia Nossa Senhora de Copacabana em uma cerimônia que deveria ser discreta, com Missa celebrada pelos três filhos. Mas, a notícia da transladação fez acorrer uma multidão para o cemitério e o número de fiéis foi tão grande que mais parecia uma procissão. A igreja não comportou o povo que acomodou-se nas ruas laterais da Paróquia.

A Missa teve transmissão através da Rádio Nacional e todos os jornais noticiaram o ocorrido.
A fama de Zélia espalhou-se por todo o país. Sua biografia chegou à 7ª edição, ainda em 1960, e foi traduzida para o alemão, o inglês, o francês, o espanhol, o italiano, o eslavo e publicada em português de Portugal. Inúmeras são as graças e milagres alcançados por esta grande mãe de família, filha fiel e toda de Deus.

O casal Zélia e Jerônimo não apenas renovou o sacrifício de entregar todos os seus filhos a Deus como entregar a si mesmos, como maior prova de amor.

São lembrados, também, neste dia: Santa Catarina de Ricci (virgem), Santa Joana de Valois (rainha, viúva, fundadora), Santo André Corsini, São Gilberto. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

 

SÃO BRÁS – O SANTO DA BENÇÃO DA GARGANTA

 

A vida e os feitos de São Brás atingem aquele ápice de alguns poucos, que atraem a profunda fé e a admiração popular. Ele é venerado no Oriente e Ocidente com a mesma intensidade ao logo de séculos, e até hoje, mães aflitas recorrem à sua intercessão quando um filho engasga ou apresenta problemas de garganta. A bênção de São Brás, procurada principalmente por quem tem problemas nesta parte do corpo, onde é ministrada nesta data em muitas igrejas do mundo cristão.

O prodígio atribuído à ele quando era levado preso, para depois ser torturado, é dos mais conhecidos por pessoas de todo o planeta. Consta que uma mãe aflita jogou-se aos seus pés pedindo que socorresse o filho, que agonizava com uma espinha de peixe atravessada na garganta.

O santo rezou, fez o sinal da cruz sobre o menino e este se levantou milagrosa, e imediatamente como se nada lhe tivesse acontecido. Brás nasceu na Armênia, era médico, sacerdote e muito benevolente com os pobres e cristãos perseguidos e por essas virtudes foi nomeado bispo de Sebaste , isto no século três. Também sabemos que, apesar de aqueles anos marcarem os finais das grandes perseguições aos cristãos, muitos ainda torturados e mortos na mão dos poderosos pagãos.

Brás abandonou o bispado e se protegeu na caverna de uma montanha isolada e mesmo assim, depois de descoberto e capturado, morreu em testemunho de sua fé sob as ordens do imperador Licínio, em 316. Muitas tradições envolvem seus prodígios, graças e seu suplício. Segundo elas, fama de sua santidade rodou o mundo ainda enquanto vivia e sua morte foi impressionante.

O bispo Brás teria sido terrivelmente flagelado e torturado, sendo por fim pendurado em um andaime para morrer. Como isso não acontecia, primeiro lhe descarnaram os ossos com pentes de ferro. Depois tentaram afogá-lo duas vezes e, frustrados, o degolaram para ter certeza de sua morte. O corpo do santo mártir ficou guardado na sua catedral de Sebaste da Armênia, mas no ano 732 uma parte de suas relíquias foram embarcadas por alguns cristãos armênios que seguiam para Roma.

Nessa ocasião uma repentina tempestade interrompe a viagem na altura da cidade de Maratea, em Potenza; e alí os fieis acolhem as relíquias do santo numa pequena igreja, que depois se tornaria sua atual basílica e a localidade receberia o nome de Monte São Brás. Mais recentemente, em 1983 no local da igrejinha inicial foi erguida uma estátua de São Brás, com a altura de vinte e um metros.

Como dissemos, do Oriente ao Ocidente, todo mundo cristão se curva à devoção de São Brás nomeando ainda hoje cidades e locais, para render-lhes homenagem e veneração.

Bênção da garganta - Por intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, livra-te Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

 

APRESENTAÇÃO DO SENHOR NO TEMPLO

 

A data de hoje lembra o cumprimento, por Maria e José, de um preceito hebraico.

Quarenta dias após dar à luz, a mãe deveria passar por um ritual de "purificação" e apresentar o filho ao Senhor, no templo.

Desde o século quatro essa festa era chamada de "Purificação de Maria". Com a reforma litúrgica de 1960, passou-se a valorizar o sentido da "apresentação", oferta de Jesus ao Pai, para que seu destino se cumprisse, marcando em conseqüência a aceitação por parte de Maria do que o Pai preparara para o fruto de sua gestação.

A data passou a ser lembrada então como a da "Apresentação do Senhor". No templo, a família foi recebida pelo profeta Simeão e pela profetiza Ana, num encontro descrito por São Lucas no seu evangelho, da seguinte maneira: "Assim que se completaram os dias da purificação conforme a Lei de Moisés, levaram o Menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, segundo está escrito na Lei do Senhor, que "todo varão primogênito será consagrado ao Senhor" e para oferecerem em sacrifício, segundo o que está prescrito na Lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.

Havia em Jerusalém um homem justo chamado Simeão, muito piedoso, que esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.

Pelo Espírito Santo foi-lhe revelado que não veria a morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, veio ele ao templo e, ao entrarem os pais com o Menino Jesus, também ele tomou-o em seus braços, bendizendo a Deus, e disse: "Agora, Senhor, já podes deixar teu servo morrer em paz segundo a tua palavra, porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste ante a face de todos os povos, luz para iluminação das gentes e para a glória do teu povo, Israel".

José e Maria estavam maravilhados com as coisas que se diziam de Jesus. Simeão os abençoou e disse a Maria, sua Mãe: "Este Menino será um sinal de contradição, para ruína e salvação de muitos em Israel; e uma espada atravessará a tua alma para que se descubram os pensamentos de muitos corações". (Lc 2,22-35).

Ambos, Simeão e Ana, reconheceram em Jesus o esperado Messias e profetizaram o sofrimento e a glória que viriam para Ele e a família.

É na tradição dessa profecia que se baseia também a outra festa comemorada nesta data, a de Nossa Senhora da Candelária, ou da Luz, ou das Candeias, ou ainda, dos Navegantes.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

 

MUITAS CASAS... MUITAS RESIDÊNCIAS... POUCOS LARES...

 

Vivemos hoje num mundo cheio de violência, de intolerância, de agressão. Por onde quer que vamos ou andamos, respiramos insegurança e instabilidade.

Os nossos jornais, muitos deles, só trazem manchetes de violência e sangue; os noticiários de rádio e televisão só transmitem guerras, revoluções, mortes, insatisfações e desordem por toda parte. Os homens não se entendem. Os filhos se queixam dos pais e os pais dizem que já não entendem mais os filhos. Muitas coisas estão erradas e estudando cada mal, verificando cada insatisfação, vamos encontrar suas raízes no sei da família. 

A educação que os pais não receberam na sua infância, adolescência e maturidade não permitem que eles transmitam  uma boa educação para os seus filhos, porque ninguém dá daquilo que não tem. Os pais não foram bem educados por seus pais e por sua época, e, em consequência, por essa deficiência, não podem transmitir uma boa educação para os seus filhos.

Um dos grandes males da família moderna é que, dentro de casa, dentro da família, cada um não se coloca no seu devido lugar: os pais não foram educados para serem pais, e por isso, por essa deficiência de educação, não podem exigir dos filhos que sejam realmente filhos como deveriam ser.

Não quer dizer que não exista, mas, dificilmente encontramos pais que eduquem seus filhos através do amor; o que vemos são educações através da chantagem, da violência e da opressão. As vidas nos lares correm paralelamente, sem se encontrarem.

Os pais vivem o ontem, e os filhos querem viver o amanhã, e ninguém vive o hoje. Existem muitas, casas, muitas residências, mas... poucos lares. Lar é o local onde vivem pessoas que se amam, que se doam, que se aceitam.

Um lar ideal é sustentado por quatro colunas principais: a primeira coluna é o pai, que é o chefe, o responsável pela manutenção e a autoridade constituída perante Deus e a sociedade, o que não o impede de ser um verdadeiro amigo para seus filhos e sua esposa.      

A segunda coluna é representada pela mãe, que é o símbolo do amor, é o amor personificado, é a figura de Maria no lar, e é o elo de ligação entre os membros da família e entre o céu e a terra.

A terceira coluna é representada pelos filhos, que são o fruto do amor do casal, e, entre os filhos, deve reinara a fraternidade, o espírito de conjunto e a união das vontades.

E a quarta coluna é o espírito de família, é o calor humano que deve reinar dentro do lar e que deve unir todos os membros da família.            Se não houver esse calor humano não existirá o lar, mas sim uma casa com quatro paredes onde se agrupam pessoas que podem até pertencer a uma mesma família, mas que são estranhos entre si.

Lar é a casa onde  vivem pessoas que se amam de verdade; e, para que esse amor seja constante, todos os membros da família devem se interessar uns pelos outros, um sentir o problema do outro, um auxiliar o outro e todos se amarem, lutando juntos pela sobrevivência.        

Todos devem se valorizar e valorizar um ao outro. No lar deve reinar a ajuda gratuita, se ajudando mutuamente sem esperar trocas ou recompensas e sem chantagens.           

Quem ama perdoa, e onde existe o verdadeiro amor, deve existir o verdadeiro perdão, e o perdão é indispensável para a harmonia do lar.

Onde não há amor, não há perdão, e onde não há perdão, a vida se transforma num inferno.

Onde não há amor, não há perdão, não há harmonia, não há paz, não há segurança, não há compreensão. Na família deve existir o espírito de renúncia visando sempre o bem de todos.

 Um lar feliz é um lar onde está Deus, porque um lar feliz é um lar onde reina o amor, e Deus é Amor. A religião é um elo muito importante no seio da família.

Os pais, antes de impor a religião aos seus filhos, devem viver a religião, devem dar o exemplo da vida cristã, seguindo sempre o exemplo de Cristo que, antes de ensinar, ele viveu o que ensinou. Se existissem verdadeiros lares, verdadeiras famílias, verdadeiros pais que transmitissem amor aos seus filhos, não existiria no mundo tanta violência, tanto desamor, tanta crueldade.

É no seio da família bem organizada que nascem os santos, mais é também no seio da família mal estruturada e mal organizada que nascem e se forma os facínoras, os assassinos, os maníacos, e os ladrões. A nossa família está nas nossas mãos.

O futuro de nossos filhos depende do nosso modo de vida e do nosso exemplo de pais.