quarta-feira, 10 de março de 2021

 

OS QUARENTA SANTOS MÁRTIRES DE SEBASTE - (+ ARMÊNIA, 320)

 

Eram quarenta soldados cris­tãos, de várias nacionalidades, que foram presos e submetidos ao su­plício, em Sebaste, na Armênia no ano 320.Nessa época foi publicada na cidade uma ordem do governador Licínio, grande inimigo dos cristãos, afirmando que todos aqueles que não oferecessem sacrifícios aos deuses pagãos seriam punidos com a morte.

Contudo se apresentou diante da autoridade uma legião inteira de soldados, afirmando serem cristãos e recusando-se a queimar incenso ou sacrificar animais. Para testar até onde ia a coragem dos soldados, o prefeito local mandou que fossem presos e flagelados com correntes e ferros pontudos. De nada adiantou o castigo, pois os quarenta se mantiveram firmes em sua fé. O comandante os procurou então, dizendo que não queria perder seus mais valorosos soldados, pedindo que renegassem sua fé. Também de nada adiantou e os legionários foram condenados a uma morte lenta e extremamente dolorosa. Foram colocados, nus, num tanque de gelo, sob a guarda de uma sentinela. A região atravessava temperaturas muito baixas, de frio intenso. Ao lado havia uma sala com banhos quentes, roupas e comida para quem decidisse salvar a vida. Mas eles preferiram salvar a alma e ninguém se rendeu durante três dias e três noites. Foi na terceira e última noite que aconteceram fatos prodigiosos e plenos de graça. No meio da gélida madrugada, o sentinela viu uma multidão de anjos descer dos céus e confortar os soldados. Isto é, confortar trinta e nove deles, pois um único legionário desistira de enfrentar o frio e se dirigira à sala de banhos. Morreu assim que tocou na água quente.

Por outro lado, o sentinela que assistira à chegada dos anjos se arrependeu de estar escondendo sua condição religiosa, jogou longe as armas, ajoelhou-se, confessou ser cristão tirando as roupas e se juntou aos demais. Morreram quase todos congelados. Apenas um deles, bastante jovem, ainda vivia quando os corpos foram recolhidos e levados para cremação. A mãe desse jovem soldado, sabendo do que sentia o filho, apanhou-o no colo e seguiu as carroças com os cadáveres.

O legionário morreu em seus braços e teve o corpo cremado junto com os companheiros. Eles escreveram na prisão uma carta coletiva, que ainda hoje se conserva nos arquivos da Igreja e que cita os nomes de todos. Eis todos os mártires: Acácio, Aécio, Alexandre, Angias, Atanásio, Caio, Cândido, Chúdio, Cláudio, Cirilo, Domiciano, Domno, Edélcion, Euvico, Eutichio, Flávio, Gorgônio, Heliano, Helias, Heráclio, Hesichio, João, Bibiano, Leôncio, Lisimacho, Militão, Nicolau, Filoctimão, Prisco, Quirião, Sacerdão, Severiano, Sisínio, Smaragdo, Teódulo, Teófilo, Valente, Valério, Vibiano e Xanteas.

terça-feira, 9 de março de 2021

 

SANTA FRANCISCA ROMANA - 1384-1440

 

Fundou a Ordem das Irmãs Oblatas.

Santa Francisca Romana tem uma importância muito grande na história da Igreja, por ser considerada exemplo de mulher cristã a ser seguido por jovens, noivas, esposas, mães, viúvas e religiosas, pelo modelo que foi. Francisca Bussa de Buxis de Leoni nasceu em 1384, em uma nobre e tradicional família romana cristã e, desde jovem, manifestou a vocação para uma vida de piedade e penitência. Queria ser uma religiosa, mas seu pai prometeu-a em casamento ao jovem Lourenço Ponciano, também cortejado por ser nobre e muito rico.  Contudo, era um bom cristão e os dois se completaram, social e espiritualmente. Tiveram filhos, cumpriam suas obrigações matrimoniais com sobriedade e serenidade, respeitando todos os preceitos católicos de caridade e benevolência. Dedicavam tanto tempo aos pobres e doentes que sua rica casa acabou se transformando em asilo, ambulatório, hospital e albergue, para os necessitados e abandonados. O casal teve seis filhos que deveriam ser apenas fontes de felicidade para os pais, porém acabaram por se tornar a origem de muita dor e sacrifício.

Numa sucessão de acontecimentos Francisca viu morrer três de seus filhos. Roma, naquela época, atravessou períodos terríveis de sua história, sendo flagelada por duas guerras, revoluções, epidemias, fome e miséria. Francisca ainda assistiu outro dos filhos ser feito refém, enquanto o marido se tornava prisioneiro, depois de ferido na guerra.

Mesmo assim, continuou sua obra de caridade junto aos necessitados, vendendo quase tudo que tinha para mantê-la. Foi justamente nesse período que recebeu o título de "Mãe de Roma". Freqüentava a igreja de padres beneditinos de Santa Maria Nova e ali reuniu as ricas amigas da corte romana para trabalharem em benefício da sociedade.

Mesmo sem vestirem hábito algum, sem emitirem votos e sem formarem uma família religiosa, pois, viviam uma vida normal de mães e donas de casa, mas encontrando tempo para se dedicarem à comunidade carente.

Quando o marido morreu, Francisca entregou-se de maneira definitiva à vida religiosa, fundando com algumas dessas companheiras, também viúvas, a Ordem das Irmãs Oblatas Olivetanas de Santa Maria Nova.

Tinha cinquenta e seis anos quando morreu, no dia 09 de março de 1440, depois de ser eleita superiora pelas companheiras de convento. Sua biografia oficial registra ainda várias manifestações da graça do Senhor em sua vida, como a presença constante e real de um anjo da guarda.

Foi proclamada Santa Francisca Romana em 1608 e considerada mística, pela Igreja. Narram os registros que, quando morreu, foram necessários três dias para que toda a população de Roma pudesse visitar seu caixão, de tanto que era admirada e querida pelo povo, devotos e fiéis.

São lembrados também, neste dia: São Teófilo, São João José da Cruz, Santo Euzébio e São Virgílio de Arles, Santo Antonio de Froidemont (monge), Catarina de Bolonha (clarissa, virgem), São Domingos Sávio (adolescente de Turim, discípulo de São João Bosco) São Gegório de Nissa.

segunda-feira, 8 de março de 2021

 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

Hoje é o dia da mulher. Na nossa Igreja, como entendemos a influência, o trabalho e a participação da mulher na difusão do Evangelho de Jesus Cristo? Qual seria a tarefa da mulher? Para muitos, a função da mulher seria apenas para a limpeza da igreja, enfeitar o altar nos dias festivos ou casamentos.

Muitos ignoram qua a mulher é um membro adulto da Igreja.

Como todos os demais, a mulher foi batizada e, pelo batismo, assumiu com responsabilidade a ordem de Jesus Cristo antes de subir para o Pai: “Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que eu ordenei a vocês. eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,19-20).

A mulher é uma cristã que recebeu o sacramento do crisma e, pelo crisma, é portadora em potencial dos dons do Espírito Santo.

Pelo batismo e pelo crisma a mulher, como todos os cristãos, é enviada para uma missão; não precisa esperar um convite ou uma benção especial para atuar dentro da Igreja.

A evangelização e a catequese são o campo prioritário considerando o espírito maternal que é implícito na mulher no trato com a infância, adolescência e juventude.

Não podemos imaginar a Igreja no Brasil sem a participação da multidão de moças e senhoras catequistas dispostas a não medir esforços para anunciar o Evangelho e para catequisar, que é a primeira missão da nossa Igreja.

Quem não se lembra com saudade, amor e carinho da catequista que ensinou a cada um de nós, com amor, carinho e paciência, o Sinal da Cruz? E a Ave Maria? E o Pai Nosso?

Também é na família que as crianças recebem a sua primeira formação cristã. É na família onde é patente a participação e a influência da mãe, da avó, da tia na educação cristã da criança.

A mulher, corajosamente, deve fazer ouvir a sua voz na participação do serviço da sua comunidade, nos conselhos paroquiais e diocesanos.

O Papa Paulo VI não descartou a idéia da mulher ter voz nas decisões da Igreja.

Se Maria deu o seu “sim”, tomando parte no plano de salvação de todos os homens, porque a mulher ainda não tem lugar de proeminência dentro da Igreja? Porque na Igreja trata-se tanto dos problemas da mulher sem a presença da mulher para dar o seu parecer?

Trata-se dos problemas da mulher sem a presença da mulher e sem ouvir a sua voz. Devemos ficar atentos para a ação do Espírito Santo na Igreja. Muitas coisas que acontecem hoje na Igreja nem se podia pensar a trinta ou cincoenta anos atrás.

Será que, hoje, Jesus excluiria a mulher de certas tarefas dentro da Igreja simplesmente por ela ser mulher? Jesus também teve que levar em consideração e suplantar as estruturas da sociedade do seu tempo, mas lutou para libertar a mulher de sua situação de imposta inferioridade.

Essas  divergências de interpretações mostram que precisamos de muita reflexão.devemos deixar mais amadurecer as coisas que são, em grande parte, determinadas pela sociedade, pelo machismo e pelas estruturas da época. Enquanto isso a mulher está atuante.

Na Igreja do Brasil temos exemplos numerosos: a mulher dirige comunidades e até paróquias, basta conhecer a realidade do norte e nordeste do Brasil. A mulher dirige o culto sem presbítero, levando a sério a liturgia da Palavra que é o Cristo revelando-se aos pobres.

A mulher é chamada pelos bispos para preparar os novos cristãos para o Batismo e, em muitos casos, para administar o Sacramento do Batismo, para preparar os casais para o matrimônio e até para administrar o Sacramento do Matrimônio, basta conhecer a realidade do norte e nordeste do Brasil.

A Bíblia diz: “E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher. E Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sejam fecundos, multipliquem-se, encham e submetam a terra; dominem os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres vivos que rastejam sobre a terra’.” (Gn 1,27-28).

Partindo desta citação bíblica, onde Deus colocou o homem superior à mulher?

A sociedade humana só terá equilíbio se homem e mulher tiverem igual chance de partircipação. Nem homem, nem mulher deve dominar.

domingo, 7 de março de 2021

 

"DESTRUAM ESSE TEMPLO, E EM TRÊS DIAS O LEVANTAREI." (Jo 2,19).

 

TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA

Ano – B; Cor – Roxo; Leituras: Ex 20,1-17; Sl 18; 1Cor 22-25; Jo 2,13-25.

 

Diácono Milton Restivo

 

Na primeira leitura Moisés recebe de Yahweh o decálogo, as dez palavras, os dez mandamentos para que o povo israelita entendesse qual seria o coração da lei mosaica.

A Lei da Antiga Aliança vai manter o seu valor na nova Aliança.

Jesus lembra os mandamentos dados por Yahweh aos israelitas no deserto, acrescentando a eles o selo da perfeição, os conselhos evangélicos, conforme consta em Marcos 10,7-21.

Os mandamentos, também chamados de Aliança de Yahweh com seu povo, determinam os princípios fundamentais da lei hebraica:

·         “Ele (Yahweh) lhes comunicou então a sua Aliança, para que vocês a cumprissem: as Dez Palavras, que ele escreveu em duas tábuas de pedra.” (Dt 4,13).

O livro do Êxodo inicia a narrativa do decálogo dizendo que os dez mandamentos foram transmitidos oralmente por Yahweh a Moisés:

·         “Então Deus pronunciou todas estas palavras...” (Ex 20,1).

Já, em outras partes desse mesmo livro, diz-se que Yahweh escreveu, com suas próprias mãos, os dez mandamentos e os entregou a Moisés:

·         “Yahweh disse a Moisés: ‘Suba até junto de mim na montanha, pois eu estarei ai para lhe dar as tábuas de pedra com a lei e os mandamentos que escrevi para você os instruir.” (Ex 24,12);

·         “As tábuas eram obras de Deus, e a escritura era feita por Deus, gravada nas tábuas.” (Ex 32,16);

·         “Yahweh disse a Moisés: [...] e eu escreverei as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas que você quebrou.” (Ex 34,1).

Depois de receber os mandamentos e outras orientações e descer do monte, e ao ver que o povo havia se afastado de Deus, adorando um bezerro de ouro (cf Ex 32,1-6), Moisés, num ímpeto de raiva quebrou as tábuas:

·         “Quando se aproximou do acampamento e viu o bezerro e as danças, Moisés ficou enfurecido, jogou as tábuas e as quebrou no pé da montanha.” (Ex 32,19).

Yahweh, porém, determinou a Moisés que subisse novamente à montanha para receber novas tábuas:

·         “Yahweh disse a Moisés: Corte duas tábuas de pedra, como as primeiras, suba ao meu encontro na montanha, e eu escreverei as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas que você quebrou.” (Ex 34,1).

Os dez mandamentos deveriam ser os conceitos fundamentais da lei mosaica para o povo da Antiga Aliança, aperfeiçoados por Jesus para o povo da Nova Aliança.

Os mandamentos dados por Yahweh a Moisés estão repetidos na sua íntegra no livro do Deuteronômio 5,6-21 e são chamados, também, de “Aliança” (cf Dt 4,13).

O objetivo dos mandamentos dados por Yahweh a Israel era que esse povo tivesse uma vida de santidade e justiça. No livro do Levítico 19,1-2,

·         “Yahweh falou a Moisés, dizendo: fala a toda a comunidade dos filhos de Israel e dize-lhes: “Sejam santos, porque eu, o Senhor de vocês, sou santo”.

Jesus resumiu os mandamentos da Antiga Aliança em apenas dois mandamentos: amar a Deus acima de tudo, com todo o nosso coração, alma, fé e entendimento, e ao nosso próximo como a nós mesmo:

·         “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ame ao seu próximo como a si mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.” (Mt 22,36-40).

Jesus resume os mandamentos da Antiga Aliança no mandamento do amor:

·         “Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos.” (Jo 13,34-35).

Este é o grande e o único mandamento da nova Lei: o Amor. Amar em primeira instância a Deus, depois ao próximo.

Quem ama de verdade o próximo não mata, não rouba, não comete violência, não levanta falsos testemunhos, não deseja nada do que é do próximo, não comete adultério e não faz nada que possa prejudicar de qualquer maneira o próximo.

No novo mandamento do amor deixado por Jesus estão incluídos todos os demais mandamentos.

No Salmo 18 Davi agradece a Yahweh por ter ouvido suas orações e súplicas e manifesta seu amor e adoração a Yahweh:

·         “Eu te amo, Yahweh. Tu és a minha força. (Sl 18,3).

Davi fala de sua felicidade e vitória na confiança em Deus e expressa tudo aquilo que Yahweh representa em sua vida:

·         “Yahweh, meu rochedo, minha fortaleza, meu libertador; meu Deus, rocha minha, meu refúgio, meu escudo, força que me salva, meu baluarte! Louvado seja! Eu invoquei Yahweh, e fui salvo dos meus inimigos!” (Sl 18,3-4).

Neste salmo de adoração pública, o salmista louva a Deus por livrá-lo de todos os seus inimigos:

·         “Louvado seja! Eu invoquei Yahweh, e fui salvo dos meus inimigos. [...] Livrou-me de um poderoso inimigo, de adversários mais fortes do que eu.” (Sl 18,4.18).

Davi considera sua vitória uma recompensa de Deus ao seu modo justo de viver:

·         “Yahweh me tratou segundo minha justiça, e me retribuiu conforme a pureza de minhas mãos, porque observei os caminhos de Yahweh, e não me rebelei contra meu Deus. [...] Yahweh retribuiu a minha justiça, a pureza de minhas mãos em sua presença.” (Sl 18,21-22.25).

Davi enaltece o caminho de Deus e atesta a veracidade da Palavra de Yahweh:

·         “O caminho de Deus é perfeito, a palavra de Yahweh é comprovada, Ele é um escudo para os que nele se abrigam. Quem é Deus além de Yahweh? E quem é rochedo, fora o nosso Deus? Ele é o Deus que me cinge de força, e torna perfeito o meu caminho.” (Sl 18,31- 33).

Davi agradece e dá vivas a Yahweh por te-lo atendido em suas orações:

·         “Viva Yahweh! Bendito seja o meu rochedo! Exaltado seja o meu Deus e salvador, o Deus que me concedeu as vinganças e submeteu a mim os povos; que me livrou de inimigos furiosos, me exaltou sobre os meus agressores, e me salvou do homem cruel. Por isso eu te louvo entre as nações, Yahweh, e toco em honra de teu nome.” (Sl 18,47-50).

A oração é expressão de confiança. Somente aqueles que confiam em Deus o invocam.

No Evangelho deste domingo

·         “Estando próxima a páscoa dos judeus, Jesus subiu a Jerusalém.” (Jo 2,13).

Chegando à cidade de Jerusalém Jesus sentiu necessidade de recolhimento e oração e dirigiu-se ao Templo, aquele mesmo majestoso Templo construído pelo rei Salomão e, depois, reconstruído pelo rei Herodes, e que era o orgulho da nação judaica. Ao adentrar no Templo, que decepção: Jesus

·         “encontrou os vendedores de bois, de ovelhas, de pombas e os cambistas sentados.” (Jo, 2, 14).

Jesus, cuidadoso com as coisas do Pai e, como não poderia deixar de ser e mostrando plena coerência com aquilo que, quando aos doze anos de idade, havia dito à sua mãe quando por ela foi encontrado no Templo

·         “... sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os” (Lc 2,46), tendo afirmado: “Porque me procuravam? Não sabia que eu devo estar na casa do meu Pai?” (Lc, 2,49).

Ao ver aquela baderna no interior do Templo que mais parecia um mercado persa ou mercado de peixe, ficou extremamente indignado e, sem pensar duas vezes,

·         “... fez um chicote de cordas, expulsou todos do Templo, com as ovelhas e com os bois; lançou ao chão o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas, e disse aos que vendiam pombas: Tirem tudo isso daqui; não façam da casa de meu Pai uma casa de comércio.” (Jo 2,15-16).          

O sangue de Jesus ferveu nas veias.  Ele não podia suportar e permitir tão grande desrespeito com o Templo, a casa do Senhor. Não titubeou: lançou mão de uma corda, fazendo-a de chicote como fazem as mães que querem disciplinar seus filhos por algo que tenham feito de errado, (pelo menos antigamente) e começou a bater indistintamente em quem vendia ou comprava promovendo aquela baderna no Templo expulsando-os a todos e, indignado, dizendo, como já havia dito seiscentos anos antes o profeta Isaias:

·         “A minha casa será chamada casa de oração, mas vocês fizeram dela um covil de ladrões.” (Mt 21,13; Is 56,6b).

Em seguida, Jesus compara o Templo de pedra com o seu próprio corpo, fazendo uma alusão à sua morte e ressurreição ao terceiro dia depois de os judeus terem-no interpelado sobre com que autoridade Jesus agira daquela maneira, dizendo:

·         “Com que sinal nos mostras tu que tens autoridade para fazer estas coisas?’ Jesus respondeu-lhes e disse: ‘Destruí este templo e eu o reedificarei em três dias’.”  (Jo 2,18-19).

Jesus se referia ao Templo de seu corpo que seria entregue para a morte e ao terceiro dia seria reedificado pela ressurreição. Mas os judeus não o entenderam, julgando que ele falava do Templo de pedra que Herodes levara quarenta e seis anos para reconstruir e como Jesus o reconstruiria, depois de destruído, em apenas três dias? 

·         Replicaram, pois, os judeus: ‘Este templo foi edificado em quarenta e seis anos, e tu o reedificarás em três dias?’ Ora, ele falava do templo de seu corpo. Quando, pois, ressuscitou dos mortos lembraram-se seus discípulos do que ele dissera e creram na Escritura e nas palavras que Jesus tinha dito." (Jo 2, 20-22).

O Apóstolo Paulo, mais tarde em suas cartas, corrobora essa afirmativa de Jesus, dizendo:

·         “Vocês não sabem que são Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se algum violar o Templo de Deus, Deus o destruirá. Com efeito, é santo o Templo de Deus, que são vocês.” (1Cor 3,16-17). 

Jesus fica indignado com o desrespeito promovido contra a casa do Senhor, o Templo de pedra construído por mãos humanas, mas deixa claro que, mais importante que o Templo de pedra é o Templo de carne e osso que somos nós, que é o nosso próprio corpo, conforme afirmativa de Paulo, Apóstolo:

·         “Porventura vocês não sabem que os seus membros são Templo do Espírito Santo que habita em vocês, que foi dado a vocês por Deus, e que não vocês não pertencem a si mesmos? Porque vocês foram comprados por um grande preço. Glorifiquem e tragam Deus no seu corpo.” (1Cor 6,19-20).

Jesus teve tanto zelo com o Templo de pedra, quanto mais os cristãos deveriam ter zelo com o seu próprio corpo que é a casa de Deus, o templo do Espírito Santo.  

Ao expulsar os vendilhões do templo Jesus diz indignado:

·         “... minha casa será chamada casa de oração. Vocês, porém, fazem dela um covil de ladrões.” (Mt 21,13).

Quantas vezes transformamos o nosso corpo em “covil de ladrões", permitindo que pensamentos escusos, ações indignas, gestos agressivos, atitudes anticristãs, desrespeito ao próximo, mentiras, falsos testemunhos, infidelidades se apoderem do nosso corpo, maculando, assim, o templo do Espírito Santo.       

Quantas vezes permitimos que o nosso corpo se transforme num “covil de ladrões”, um esconderijo de más intenções e de atitudes dúbias e escusas que magoam o coração de Jesus, e ele, zeloso como é com as coisas de Deus, não tem outra alternativa senão empunhar uma corda, dobrá-la em duas, fazer dela um chicote e nos chicotear através de uma chamada de atenção, de uma doença, de uma infelicidade, de um contratempo, de um mau negócio para nos dizer que alguma coisa está errada em nossas atitudes, em nossas vidas.

Como profanamos o nosso corpo; como o desrespeitamos sem medirmos consequências.  Todos os excessos que praticamos são prejudiciais à saúde e um ultraje ao nosso corpo, em suma, uma profanação ao Templo do Espírito Santo.

O cigarro fumado indiscriminadamente e em qualquer lugar envenena os pulmões, contamina o sangue, atingindo com a sua fumaça e nicotina a todos os que circundam o fumante, poluindo o ambiente.

A bebida alcoólica que é ingerida contamina o sangue, diminui a capacidade de ação e raciocínio do cérebro, tira a sobriedade e a seriedade da vida normal, fazendo quem ingere tais bebidas ser agressivo ou passar por chacotas.

Os remédios em excesso que é ingerido provocam distúrbios de toda espécie. Drogas violentam a natureza humana e a saúde.

A prostituição degrada ao nível dos animais irracionais, e quantas coisas mais que são feitas que profanam o corpo humano que é a casa de Deus, o Templo do Espírito Santo.

Tudo o que é feito e que coloca em risco a saúde, o bem estar, a integridade física, males tanto materiais como espirituais, está profanando o Templo de Deus, que é o corpo:

·         “Vocês não sabem que os seus membros são templo do Espírito Santo que habita em vocês, que foi dado a vocês por Deus, e que vocês não pertencem a si mesmos?... Glorifiquem e tragam a Deus no vosso corpo.” (1Cor 6,19-20).

Assim como Jesus expulsou do templo os vendilhões que profanavam a casa do Senhor, usando até de violência, nós também devemos ter a dignidade e coragem de expulsar do corpo, que é o Templo de Deus, tudo aquilo que o macula, o deturpa, o diminui, o degrada.        

Assim como Jesus Cristo, ao expulsar os que desrespeitavam a casa de Deus, derrubou mesas, bancas e animais que estavam à venda, deve-se também derrubar preconceitos, violências, discriminações e expulsar do corpo pecados, ações pouco dignas e atitudes que contradizem os ensinamentos do Senhor. Jesus fez uma operação limpeza no Templo de Jerusalém e nos chama a atenção para também fazermos uma operação limpeza no nosso corpo, que é a primeira morada de Deus no nosso meio.

Jesus Cristo apanhou um chicote para expulsar do Templo de pedra de Jerusalém todos aqueles que o profanavam. A exemplo de Jesus veríamos, nem que seja a poder de violência, expulsar  do nosso corpo tudo aquilo que profana a morada de Deus, o Templo do Espírito Santo.

E muitos pecados só conseguimos expulsar do nosso corpo praticando violência contra nós mesmos...  O nosso corpo é a morada de Deus, o Templo do Espírito Santo. Não podemos profaná-lo e nem permitir que seja profanado.

O cuidado que Jesus teve com o Templo de pedra de Jerusalém é o mesmo e muito mais que precisamos ter com o nosso corpo.  Nós somos o Templo de Deus e a morada do Espírito Santo.

Não vamos provocar a ira de Jesus para que não haja necessidade de ele empunhar o chicote e nos ferir a fim de nos chamar a atenção de que algo em nossa vida ou em nossas atitudes não esteja de conformidade com os seus ensinamentos e, para que isso aconteça, estejamos sempre alertas para recepcioná-lo, cuidando para que o nosso corpo, que é a casa de Deus e o Templo do Espírito Santo, esteja sempre limpo e bem arrumado. 

sábado, 6 de março de 2021

 

SÃO DOMINGOS SÁVIO -(+ Riva de Chieri, Itália, 1857)

Aluno e filho espiritual de São João Bosco, morreu com apenas 15 anos de idade. Seu lema de vida era "antes morrer que pecar". É um dos patronos da juventude ca­tólica.

Domingos Sávio nasceu em 2 de abril de 1842 em Riva, na Itália. Era filho de pais muito pobres, um ferreiro e uma costureira, cristãos muito devotos. Ao fazer a primeira comunhão, com sete anos, fez um juramento para si mesmo que seria seu modelo de vida: "Antes morrer do que pecar". Cumpriu-o integralmente enquanto viveu. Nos registros da Igreja encontramos que, com dez anos, chamou para ele próprio a culpa de uma falta que não cometera, só porque o companheiro de escola que o fizera tinha maus antecedentes e poderia ser expulso do colégio.

Já para si, Domingos sabia que o perdão dos superiores seria mais fácil de ser alcançado. Em outra ocasião, colocou-se entre dois alunos que brigavam e ameaçavam atirar pedras um no outro. "Atirem a primeira pedra em mim" disse, acabando com a briga.

Esses fatos não passaram despercebidos pelo seu professor e orientador espiritual, João Bosco, que a Igreja declarou santo, que encaminhou o rapaz para a vida religiosa.

No dia 08 de dezembro de 1854, quando foi proclamado o dogma da Imaculada Conceição, Domingos Sávio se consagrou à Maria, começando a avançar para o caminho da santidade. Em 1856 fundou entre os amigos a "Companhia da Imaculada" para uma ação apostólica de grupo, onde rezavam cantando para Nossa Senhora.

Mas Domingos Sávio tinha um sentimento que não conseguiria tornar-se sacerdote.

Estava tão certo disso que, quando caiu doente, despediu-se definitivamente de seus colegas, prometendo encontrá-los quando estivessem todos na eternidade, ao lado de Deus.

Ficou de cama e, após uma das muitas visitas do médico, pediu ao pai para rezar com ele, pois não teria tempo para falar com o pároco. Terminada a oração, disse estar tendo uma linda visão e morreu. Era o dia 09 de março de 1857.

Domingos Sávio tinha dois sonhos na vida, tornar-se padre e alcançar a santidade. O primeiro não conseguiu porque a terrível doença o levou antes, mas o sonho maior foi alcançado com uma vida exemplar. Curta, pois morreu com quinze anos de idade, mas perfeita para os parâmetros da Igreja, que o canonizou em 1957.

Nessa solenidade o Papa Pio XII o definiu como "Pequeno, porém um grande gigante de alma" e o declarou padroeiro dos cantores infantis. Suas relíquias são veneradas na basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Torino, Itália, não muito distantes do seu professor e biógrafo São João Bosco.

A sua festa foi marcada para o dia 05 de maio.

São lembrados também, neste dia: São Teófilo, São João José da Cruz, Santo Euzébio e São Virgílio de Arles, Santo Antonio de Froidemont (monge), Catarina de Bolonha (clarissa, virgem), Santa Francisca Romana, São Gegório de Nissa.

sexta-feira, 5 de março de 2021

 

“PAI, PERDOA-LHES...” (Lc 23,34)

 

            Andando solitário, saudoso, melancólico, esnobado e descrente pelas estradas poeirentas da vida, deparei-me com um homem de porte majestoso, alto, de pele bronzeada, rosto suave, olhos meigos, cabelos negros e longos, roupas longas, pés descalços, gestos medidos, voz cativante, palavras de vida eterna. Aproximou-se alguém de mim que, como eu, o via passar, estendeu o seu braço direito e, com o dedo indicador em riste, apontou para aquele homem majestoso e me diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (João, 1, 29).

            Passei, então, a seguí-lo, em seu caminhar silencioso e meditativo.

            Ao notar minha presença, ele se volta, e pergunta: “Que está procurando?”, e eu lhe respondo, com outra pergunta: “Mestre, onde moras?” e ele me responde prontamente: “Vem e vê.” (Jo 1,38-39).    

Comecei a caminhar ao seu lado, e ele se volta para mim encarando-me com seu olhar doce,  meigo e profundo e me diz: “Arrepende-se, porque está próximo o Reino dos Céus.” (Mt 4,17), e, como se estivesse vivendo em uma outra dimensão sem tirar os pés do chão, continuou: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.” (Mt 16,24-25), e, a seguir, dizendo: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. se não fosse assim, eu lhe teria dito, pois vou lhe preparar um lugar, virei novamente e lhe levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, você esteja também” (Jo 14,2-3), acrescentando: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.” (Jo 14,6).

Dizendo isso  me convida a conhecer as suas moradas...     Levou-me até onde brincava uma inocente criança, abraçando-a olhando profundamente os seus olhinhos inocentes, calmos e cristalinos como uma lagoa que assimila e reflete o azul do céu e os raios dourados do sol,  e me diz: “... se você não se converter  e não se tornar  como as crianças, de modo algum  entrará no Reino dos Céus. Aquele, portanto, que se tornar pequenino como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus.” (Mt 18,2-4). “Aquele que receber uma criança como esta por causa do meu nome, recebe a mim, e aquele que me recebe, recebe aquele que me enviou...” (Lc 9,46-48);  “Em verdade lhe digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. (Mc 10,15), porque, como essa criança, serão “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mt 5,8).           

Passamos, depois, por diversas outras moradas do Mestre: o faminto, o sedento, o despido, o peregrino, o doente, o encarcerado e, olhando e apontando  para cada um deles,  me disse o Mestre: “E quem der, nem que seja um copo d’água a um desses pequeninos... em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.”(Mt, 10,42), porque serão “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus.” (Mt 5,8); socorra sempre os necessitados, disse-me ele, e aprenda esta regra de ouro: “Tudo aquilo, portanto, que você quer que os homens lhe faça, faça você a eles, pois esta é a Lei e os Profetas.” (Mt 7,12).  

O Mestre, vendo-me calado e, penetrando em meu coração notou tantas amarguras, mágoas, ressentimentos e dores, colocou a mão em meu ombro e me conforta: “Ame os seus inimigos, faça o bem aos que lhe odeiam, bendiga os que lhe amaldiçoam, ore por aqueles que lhe difamam. A quem lhe ferir numa face, oferece a outra; a quem lhe arrebatar a capa, não recuse a túnica. Dá a quem lhe pedir e não reclame a quem tomar o que é seu. Como você quer que os outros lhe façam, faça também a eles. Se você ama os que lhe amam, que graça você vai alcançar? ...ame seus inimigos, faça o bem e empreste sem esperar coisa alguma em troca. Será grande a sua recompensa, e você será filho do Altíssimo, pois ele é bom para com os ingratos e maus.” (Lc 6,27-35).

Ao me dizer isso, eu o encarei descrente dessa possibilidade, pois, como iria eu amar meus inimigos que tantos males me fizeram? E os que disseram serem meus amigos, se só tentaram me prejudicar? E as pessoas que disseram que me amavam, se só pensaram em si próprias?   

            Como poderia eu amar quem me fez mal?

O Mestre, ao observar a minha descrença e na impossibilidade do perdão, acrescenta: “Seja misericordioso como o seu Pai é misericordioso. Não julgue para não ser julgado; não condene para não ser condenado; perdoa, e lhe será perdoado. Dê, e lhe será dado; será derramada no seu regaço uma boa medida, calcada, sacudida, trasbordante, pois com a medida com que você medir, você será medido também.” (Lc 6,36-38), e continuou: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” (Mt 5,7); e disse ainda para que eu não esquecesse o seu mandamento novo, quando afirmou: “Dou a você um mandamento novo: que amem-se uns aos outros. Como eu amei voces, vocês devem se amar também uns aos outros.” (Jo13,34). 

E eu lhe respondi: “Mestre, amo a Deus, mas é tão difícil perdoar a quem nos fez mal, é tão difícil esquecer as ofensas, é tão difícil esquecer as esnobações, é tão difícil esquecer ingratidões, despresos, traições...”, ele, prontamente, me respondeu: “não se esqueça do que eu disse, do alto da cruz, me referindo aos meus algozes: “Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem” (Lc 23,34); porque, se lhe prenderam, a mim prenderam também, se lhe caluniaram, a mim caluniaram também, se lhe desacreditaram, a mim desacreditaram também, se falaram mentiras a seu respeito, falaram também ao meu respeito, se lhe levaram a um tribunal, a mim levaram também, se lhe humilharam, lhe abandonaram, a mim fizeram isso também, porque você quer ser diferente de mim? Lembre-se do que eu disse: “Não existe discípulo superior ao seu mestre, nem servo superior ao seu senhor.”  (Mt 10,24); então, porque você quer ser diferente? Não se esqueça do que o meu Apóstolo João escreveu: “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, é um mentiroso: pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar. E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão.” (1Jo 4,20-21). E o Mestre continuou: “Quando você estiver rezando, perdoe tudo o que tiver contra alguém, para que o seu Pai que está no céu também perdoe os seus pecados. Porque, se você não perdoar, o seu Pai que está no céu também não perdoará os seus pecados” (Mc 11,25-26). Ao ouvir isso do Mestre, mesmo com o peito ferido e o coração sangrando, mesmo sem ver perspectivas de dias melhores, eu lhe respondo, do fundo do coração:

            “SENHOR,...  EU... AMO... EU PERDOO... 

quinta-feira, 4 de março de 2021

 

MARIA VIVEU INTENSAMENTE A QUARESMA.

 

Quando meditamos sobre a quaresma, quando meditamos o recolhimento de Jesus no deserto por quarenta dias em completo jejum, penitência e oração, quando meditamos o seu afastamento de sua pequena Nazaré para dar início a uma vida totalmente nova e diferente daquela que levara por trinta anos em companhia de sua mãe, Maria, na pobreza da casa de Nazaré, talvez ainda não nos tenha ocorrido pensar em uma figura de suma importância em tudo isso e que foi responsável pela realização dos planos de Deus Pai para a salvação de toda a humanidade.

Quando chegou o tempo em que o Senhor Jesus deveria deixar sua casa, seus amigos, seu trabalho, para dedicar-se inteiramente ao serviço do Senhor, essa figura, que nos referimos, deve tê-lo acompanhado com os olhos até ele se perder no horizonte, com os olhos marejados de lágrimas e com o coração acompanhando Jesus em todos os seus passos e minutos da vida que ele se propusera viver para que a misericórdia de Deus atingisse todos os homens.

Essa figura não é outra senão Maria.

Durante toda a infância de Jesus, os santos evangelhos nos dizem que Maria observava tudo e guardava e meditava tudo em seu coração.

E nessas meditações lhe fora revelado tudo o que o seu Divino Filho deveria passar, sofrer, ser perseguido e até morrer pela salvação de todos os homens a quem ele viera para salvar.

E agora havia chegado a hora de seu filho Jesus cuidar das coisas do Pai e parte, parte para não mais voltar para aquela casa pobre e humilde de Nazaré, e, a única vez que Jesus tenta voltar para a sua casa, para a sua cidade, o povo já não o aceita mais, o povo já não mais acredita nele, e o que é o pior, aqueles que foram seus amigos de infância, aqueles que frequentaram a escola, que brincaram com seu Filho nas ruas ensolaradas e poeirentas de Nazaré e que foram com ele buscar água na fonte, aqueles mesmos que se diziam amigos de seu Filho e amigos da família, não entenderam a sua mensagem de salvação e pegaram pedras para apedrejar o seu Divino Filho e acabaram por expulsá-lo da cidade, e, a partir desse acontecimento, seu Filho parte da cidade de Nazaré para não mais regressar.        

Maria continuava observando tudo e guardando tudo em seu coração  de mãe. 

A vida toda de Maria foi de orações, sacrifícios, penitências, sobressaltos, muito embora ela já soubesse tudo o que iria acontecer com o seu Divino Filho. Maria via, ouvia e observava tudo, e guardava tudo em seu coração.

Como o coração de Maria deve ter sido grande e generoso.

Como o coração de Maria foi paciente e misericordioso por ver tudo o que fizeram com o seu Filho e perdoar a todos pelas injustiças que praticaram  contra aquele a quem ela mais amou neste mundo em todos os tempos: o seu amado Filho, o seu querido Deus.

A vida de Maria foi uma quaresma permanente.   

Muitas vezes o seu Divino Filho escapava de suas vistas mas jamais ela deixou de o seguir, onde quer que ele fosse, com o seu coração.

Maria aguardou pacientemente passar os quarenta dias que o Senhor Jesus, o seu Filho, passara no deserto, e, como ele, com toda a certeza, nesses quarenta dias, em sua pobre casa de Nazaré, também fez penitências, jejuou e orou com muito fervor e, nesse período, não tenham dúvidas meus irmãos, Maria se preparou mais e melhor para o que estava por vir e colocou o seu Divino Filho nas mãos de Deus Pai, a vítima perfeita que seria imolada  para que o pecado do mundo fosse tirado; a vítima sem pecado, mais limpa, mais pura e mais sacrossanta; o seu próprio Filho e Filho de Deus que se fizera homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus.

Depois, quando Jesus partiu definitivamente para a evangelização de todos os homens, onde quer que ele estivesse, ali estava Maria acompanhando-o em todos os seus passos, em todos os momentos de sua vida, até o momento supremo do Calvário.

É isto que a Igreja convida-nos a fazer nesta quaresma: seguir o exemplo de Maria e nos prepararmos para acompanhar passo a passo Jesus até o Calvário.

É isso que devemos fazer nesta quaresma: colocarmo-nos sob o manto protetor da Santíssima Virgem  e com ela viver a quaresma para que possamos, através de Maria, entender melhor o sacrifício de Jesus, porque Maria não fez outra coisa melhor em sua vida senão guardar tudo e meditar em seu coração, e agora, o que ela guardou e meditou ela nos transmitirá nesta caminhada rumo ao calvário e assim poderemos entender melhor o sacrifício de um Deus feito homem.

quarta-feira, 3 de março de 2021

 

AMOR DE DEUS... AMOR DE MÃE...

 

O profeta Isaias enaltece o amor de mãe que é tão grande e tão bonito que chega a ser comparado, na Bíblia, com o próprio amor de Deus: “Pode a mãe se esquecer do seu nenê, pode ela deixar de ter amor pelo filho de suas entranhas?” (Is 49,15a).

Para justificar o sucesso do homem, costuma-se dizer que, por trás de um homem realizado há sempre a figura de uma grande mulher e, com mais definição, quando essa mulher é a mãe.

O amor de mãe é tão importante e indispensável na vida e na formação de um filho que, para se fazer homem, o Filho de Deus quis ter uma mãe para ser gerado como homem: “Quando, porém, chegou à plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher...” (Gl 4,4) e, por isso, por ter escolhido entre os humanos uma mãe e ter nascido de mulher, podemos dizer que “é em Cristo que habita, em forma corporal, toda plenitude da divindade” (Cl 2,9) e, ainda mais, que Isabel reconheceu em Maria a mãe de um Deus que se fez homem: “Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1,42-43).

O amor materno de Maria para com Jesus foi tão grande que, nos estertores da morte, foi à sua mãe que Jesus se dirigiu pela última vez na cruz, transferindo, para a pessoa de João, que representava toda a humanidade naquele momento, todo amor maternal que Maria lhe dedicou em toda a sua vida terrena.

A mãe é a face feminina de Deus no lar e tem a consciência de ser a colaboradora desse mesmo Deus na geração de novos filhos. A mãe sabe que seus filhos são uma benção de Deus e se torna responsável pela educação cristã de sua família.

Quantas vezes somos esquecidos por amigos, parentes ou quem sabe, até pelo cônjuge que não se lembra de datas importantes da nossa vida como, por exemplo, de aniversário e de casamento, mas a mãe responsável jamais se esquece de qualquer coisa que deixa o seu filho feliz.

Não foi por acaso que o profeta Isaias, para demonstrar o grande amor que Deus tem por nós, recorre à figura materna com os seus cuidados e amor em relação aos seus filhos: “Pode a mãe se esquecer do seu nenê, pode ela deixar de ter amor pelo filho de suas entranhas?” (Is 4915a).

Isaias não para por ai, vai além, e chega ao âmago do amor extremado de Deus por seus filhos: “Ainda que ela se esqueça, eu não me esquecerei de você” (Is 49,15b).

Pena que a citação de Isaias, na leitura, parou por ai. O que vem a seguir e que não consta da leitura desta celebração é tão forte e envolvente como o que está contido no versículo 15. Yahweh continua declarando o seu amor e diz: “Eu tatuei você na palma de minha mão” (Is 49,16a).

Gravar ou tatuar é colocar uma imagem de uma pessoa amada, permanente, indelével e impossível de ser apagada. A pessoa que tem alguém tatuado em sua pele tem por objetivo manifestar o seu amor e para jamais se esquecer da pessoa retratada na tatuagem.

E Deus tatuou a cada um de nós na palma de sua mão para não ter como se esquecer de nós. Pode haver lugar do corpo mais visível para a própria pessoa do que a palma da mão? E é na palma de sua mão que Yahweh diz ter tatuado o nosso nome e o nosso semblante. Maior do que o amor de mãe, só o amor do Pai, amor que “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13,7).  

As Sagradas Escrituras também comparam o amor de Deus aos seus filhos ao amor da ave pelos seus filhotes: “Como águia que cuida de seu ninho e revoa por cima dos filhotes, ele o tomou, estendendo as suas asas, e o carregou em cima de suas penas” (Dt 32,11).

Mais tarde Jesus usaria o mesmo exemplo, a mesma metáfora para queixar-se da ingratidão dos homens: “Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os que foram enviados a você! Quantas vezes eu quis reunir seus filhos como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas você não quis” (Mt 23,37). O profeta Oséias compara a ira do Senhor contra quem fere os seus filhos à selvageria da ursa de quem roubaram os filhotes: “... vou atacá-los como a ursa da qual roubaram os filhotes... (Os 13,8a).

terça-feira, 2 de março de 2021

 

LUTO - CINCO FASES FUNDAMENTAIS

 

Todos estamos numa fila invisível da morte com uma senha na mão. Um dia a nossa senha será chamada, e lá estamos nós, diante do Criador. Quanto mais longa e íntima for a relação com a pessoa que perdemos, maior o sentimento de perda que ela gera. A mente tem suas ferramentas para lidar com essa ausência e há todo um processo, que pode ocorrer sucessiva ou simultaneamente, ou que seja igual para todos. O tempo e a forma como cada um lida com a dor varia de pessoa para pessoa. Alguns passam muito tempo negando, outros sofrendo, outros com raiva e assim vai. Existem cinco fases básicas do luto. Luto, aqui, está relacionado a qualquer perda significante, inclusive o término de um relacionamento amoroso.

 

1. Negação

Negação é o primeiro mecanismo que a pessoa utiliza para se proteger da dor psíquica diante de uma perda. A intensidade da negação varia, quanto melhor alguém consegue lidar com sua dor, menor o grau de negação. Geralmente essa fase é curta. A negação é a primeira fase do luto. É o momento que nos parece impossível a perda, em que não somos capazes de acreditar. A dor da perda seria tão grande, que não pode ser possível, não poderia ser real.

 

2. Raiva

Como não dá pra viver em negação pra sempre sem ficar louco, a raiva é a reação da pessoa ao ter que encarar a realidade. Inveja e ressentimento andam de mãos dadas com a raiva, que geralmente tem como alvo todo ambiente externo. Tudo é hostilizado, nada é bom. A raiva surge depois da negação. Mas mesmo assim, apesar da perda já consumada negamo-nos a acreditar. Pensamento de “porque comigo?” surgem nesta fase, como também sentimentos de inveja e raiva. Nesta fase, qualquer palavra de conforto, parece-nos falsa, custando acreditar na sua veracidade.

 

3. Barganha

Quando a pessoa percebe que não dá para negar o que aconteceu e a fúria, a raiva também não resolveu, ocorre a tentativa de negociação para que as coisas “voltem a ser como antes”. Súplicas e promessas são os atores principais nessa fase, principalmente aqueles feitos “em segredo”, numa tentativa desesperada de preencher a lacuna. A negociação surge quando o individuo começa a entender o peso da perda, e perante isso tenta negociar, a maioria das vezes com Deus, para que esta não seja verdade. As negociações com Deus são sempre sob forma de promessas ou sacrifícios.

 

4. Depressão

Quando não resta mais nada a não ser encarar a perda, vem a fase de maior sofrimento, a depressão. Geralmente essa fase vem acompanhada da necessidade de introspecção e isolamento. As perspectivas da perda se tornam claras e a dor mais profunda. A depressão surge quando se toma consciência que a perda é inevitável e incontornável. Não há como escapar à perda, e começa a sentir o “espaço” vazio da pessoa que perdeu. Toma consciência que nunca mais irá ver aquela pessoa, e com o desaparecimento dela, vão com ela todos os sonhos, projetos e todas as lembranças associadas a essa pessoa ganham um novo valor.

 

5. Aceitação

Aqui, além de ter plena consciência de sua realidade, a pessoa se habilita a enfrentá-la, mesmo com todas as limitações existentes. Apesar de não ser uma fase propriamente “feliz”, já que é destituída de sentimentos, é o primeiro passo para voltar à vida normal. A aceitação é a última fase do luto. Esta fase é quando a pessoa aceita a perda com paz e serenidade, sem desespero nem negação. Nesta fase o espaço vazio deixado pela perda é preenchido. Esta fase depende muito da capacidade da pessoa mudar a perspectiva e preencher o vazio. Devemos sempre valorizar o que temos, enquanto o temos. Pois não sabemos quando o vamos deixar de ter. Curiosamente muitas vezes só nos apercebemos da importância de determinada pessoa quando a perdemos, porque o valor dessas pessoas dilui-se no valor das coisas que a rodeiam. Porém quando a perdemos, não a perdemos apenas a ela, mas muito do valor das coisas que a rodeavam e é aí que notamos a sua falta. Metaforicamente falando, como se o ambiente que a envolvia “entristecesse” e “perdesse a cor”, e dificilmente voltará a ser como era.



segunda-feira, 1 de março de 2021

 

A ORAÇÃO QUE O SENHOR NOS ENSINOU... (Mt, 6, 9.)

 

PAI... um mundo tão grande em três letras apenas. O tesouro de um Pai. A graça de um Pai. Devemos agradecer emocionados e felizes tudo o que um pai representa na vida da gente. PAI NOSSO... não apenas meu... não apenas seu... Pai meu e Pai seu; Pai do rico e Pai do pobre; Pai do bom e Pai do mau: Pai do branco e Pai do preto; Pai do livre e Pai do encarcerado...  Pai de todos os homens de todas as nacionalidades, ideologias e religiões.  Deus é Pai de todos. É Pai Universal que nos ama infinitamente e deseja a nossa felicidade e realização, a nossa plenitude... Enviou seu Filho  para nos redimir. Deixou-nos os ensinamentos das Sagradas Escrituras para nos abastecer, orientar e santificar.  Somos filhos do Pai, filhos de Deus, e, portanto, filhos do Rei e herdeiros dos céus.

PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS... que está nos céus, está na terra, está nos corações, está em nossas vidas, está em todas as partes. O nosso Pai é Onipotente e Onipresente. Quem vive está com Deus, sempre, em todos os momentos, na dor, na alegria, na vivência da fraternidade, especialmente do amor. Onde existe amor, Deus aí está, porque "Deus é amor." (Jo 4,8).

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME... Seja santificado por mim, por você, por todos os homens, por todas as criaturas, por toda a natureza. Santificado e adorado seja agora e para sempre o Santo Nome do Senhor. Santificado seja o teu Nome através do dom da vida, do apostolado que realizamos, do nosso testemunho de vida cristã, da nossa caridade vivida no dia-a-dia.

VENHA O TEU REINO... reino de paz, de alegria, de justiça, de concórdia, de amor. Reino que acontece no silêncio dos corações dos homens de boa vontade, homens e mulheres, não pela força das armas, da violência, da coação e da opressão. Reino invisível, reino eterno, reino libertador, reino espiritual. Reino que Jesus veio trazer para todos nós, o reino de amor, reino de união, reino de confraternização. Venha o teu reino que deverá ser participado por todos os homens e mulheres de boa vontade.

SEJA FEITA A TUA VONTADE...  e a vontade do Pai é que todos os homens sejam seus filhos e filhos felizes.  Que todos os seus filhos se amem uns aos outros, assim como o próprio Jesus amou e ensinou a todos se amarem. A vontade do Pai é que não haja mais desavenças, brigas, ódios, guerras, roubos, mortes, violências, acidentes, abortos, desuniões, infidelidades... Mas, infelizmente, não cumprimos a vontade do Pai e, bem por isso, existem tantas infidelidades, desuniões, ódios...  Humanos e egoístas que somos, buscamos fazer, quase sempre, a nossa vontade, negligenciando a vontade do Pai, tentando adaptar a vontade divina à nossa vontade. Nas horas fáceis, é fácil dizer: "Seja feita a tua vontade...", mas, nos momentos ásperos da vida, nas horas da provação, do sofrimento maior, custa-nos muito aceitar  a vontade do Pai. O céu desce até nós quando construímos ambientes de paz de harmonia, de amizade, de amor, de compreensão. O céu se afasta de nós e o inferno se instala em nosso meio quando campeiam o ódio, a inveja, a infidelidade, a injustiça, o ciúme, a inimizade, o rancor, a desavença, o desrespeito, o ressentimento, a falta de perdão, a impaciência, o desamor... Porque nos odiamos e nos infernizamos se temos tão pouco tempo para nos amar e nos querermos bem? E Jesus, na agonia que antecedeu a sua paixão e morte,  já sabendo qual seria o seu fim, naquela angústia em que até a alma fica aterrorizada diante da possibilidade da morte,  como ele mesmo disse: "Minha alma está triste até a morte." (Mt 26,38), não fugiu do destino que Deus Pai lhe havia determinado e faz uma súplica angustiante, entregando tudo de acordo com a vontade do Pai: "Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice; contudo não seja como eu quero, mas como tu queres." (Mt 26,39.42). Jesus se entregou à morte, e morte de cruz para obedecer e fazer cumprir a vontade do Pai. Exemplo que Jesus nos deixa é que a vontade do Pai está sobre e acima até de nossa própria vida. Maria, a escolhida por Deus para ser a mãe de seu Filho, também aceita sem reservas a vontade do Pai, e afirma: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra." (Lc 1,38).

NA TERRA COMO NO CÉU...   na terra, onde o Pai, depois de ter criado todas as coisas, depois de ter criado o homem e a mulher e "Deus viu o que tinha feito, e era muito bom." (Gn 1,31), onde deveria imperar a vontade do Pai,  vem o demônio, personificado numa serpente, e destroi tudo de bom que o Senhor havia feito, (Gn 3,1-24). Mas o Senhor  quis e quer que a sua vontade seja feita na terra e por isso nos mandou seu Filho Jesus, sendo que "...todos os que o receberam deu o poder  de se tornarem filhos de Deus...  (Jo 1,12). E hoje, cabe a cada um de nós, que nos dizemos cristãos, fazer com que a vontade de Deus seja feita aqui na terra, porque, no céu, os Anjos não se cansam de cantar os seus louvores, e não cessam de o louvar e o adorar.

O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE...  e qual seria esse pão? É o próprio Jesus quem nos responde: "Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu, mas é meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu; porque o pão de Deus é aquele que desce dos céus e dá vida ao mundo." (Jo 6,32-33), e completa: "Eu sou o pão da vida.  Quem vem a mim,  nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede." (Jo 6,35). Jesus se auto afirma "o pão espiritual" para as nossas almas, para o nosso espírito; é o pão que Deus Pai nos manda do céu para que não tenhamos mais fome  e nem sede das coisas do Pai. Mas, também precisamos do pão material da mesma forma que precisamos do pão dos valores eternos.  O pão de trigo, sem bromato. O pão da verdade, sem mentiras. O pão da fidelidade, sem traições. O pão da justiça, sem injustiças. O pão da liberdade, sem opressão. O pão do amor, sem ódio. O pão da união, sem abandono. O pão da luz, sem trevas. O pão da alegria, sem tristezas. O pão da fé, sem dúvidas. O pão do perdão, sem mágoas. Esse pão que devemos repartir com os nossos irmãos. O pão que sobra na mesa dos ricos e faz falta na mesa dos pobres. O pão que os egoístas querem só para si enquanto centenas e milhares morrem à mingua por falta do pão de trigo, do pão da justiça, do pão da liberdade. O pão da amabilidade que revela nobreza de coração e respeito à individualidade do outro. O pão vindo do céu, que é o Senhor Jesus, que alimenta nossos ideais de apostolado cristão. O pão da solidariedade de quem reparte tempo, atenção, alegria e jovialidade com seus irmãos. O pão da fé e da esperança num mundo descrente, confuso, desencantado, materialista e pagão. O pão da justiça e do respeito aos direitos humanos, numa sociedade de opressores e oprimidos,  nesse século que nós, cristãos, desejamos cristianizar e converter o mundo para Deus.

E PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS... Ah! Senhor Deus, perdoa a nossa mediocridade, a nossa falta de idealismo, o nosso cansaço, as nossas rebeldias, as nossas críticas precipitadas, a nossa violência, as nossas omissões e comodismo, a nossa fé nem sempre adulta, a nossa fragilidade, a nossa impaciência em aceitar as limitações próprias  e as limitações dos nossos irmãos; perdoa, Senhor, as nossas  dívidas, que temos convosco e com os nossos irmãos...

COMO TAMBÉM NÓS PERDOAMOS OS NOSSOS DEVEDORES... Perdoa, oh! Pai, as nossas dívidas, as nossas ofensas, que são tantas, mas ensina-nos, também, a perdoarmos os que nos ofendem, porque, o seu perdão, Pai,  só o recebemos na medida em que sabemos perdoar a quem nos tem ofendido. Sabemos, Pai, que se não soubermos perdoar, também não seremos perdoados pelo Senhor. Se guardarmos ódio contra os irmãos no coração, não receberemos o perdão do Pai. Se guardarmos mágoa contra qualquer irmão,  somos indignos de repetir a oração do Pai Nosso que Jesus nos ensinou. Se quisermos repetir a oração do Pai Nosso, é indispensável que antes tenhamos perdoado a todos os que nos tem ofendido, indistintamente. Magoamos e somos magoados a cada passo. Decepcionamos os nossos irmãos, e somos decepcionados por eles. Não amamos como deveríamos e nem somos amados como gostaríamos. Ferimos tantas, vezes, e até sem querer... Somos feridos muitas vezes. até sem merecer... Nem sempre é fácil perdoar injustiças e maldades, ofensas e incompreensões, desamores e infidelidades... A ingratidão dói, a indelicadeza nos desalenta. Perdoar exige heroísmo, muitas vezes. Especialmente quando fomos magoados pelas pessoas que amamos. Mas o Pai nos perdoa na medida em que perdoarmos a quem nos tem ofendido, porque, assim nos disse Jesus: "Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis, sereis medidos"... (Mt 7,1-2).

E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO... à tentação do mais fácil, do mais cômodo. À tentação da vanglória e da inimizade. Na tentação de seguir os nossos caprichos e leviandades. Na tentação de abandonarmos o seu Reino e buscarmos o nosso próprio reino, o reino do mundo, vulgar, mesquinho, egoísta. Na tentação de vivermos uma fé sem obras, de uma religião desencarnada da verdade e da realidade. A tentação de quem prega Jesus Cristo mas desconhece as Sagradas Escrituras, os Santos Evangelhos. A tentação de quem fala em paz e só promove intrigas;  de quem prega a justiça e só pratica a injustiça; que quem diz que vive o amor e semeia o desamor, o ódio, a desconfiança. Não nos exponha à tentação de abandonar a doutrina  pregada e vivida por Jesus Cristo. Não nos exponha à tentação de virarmos as costas para os nossos irmãos necessitados, tanto material como espiritualmente. Não nos exponha à tentação de querermos tudo para nós e não repartirmos nada cos os outros....

MAS LIVRA-NOS DO MAL... livra-nos do mal da auto-suficiência, da vaidade, do orgulho, da presunção, da prepotência. Alguém já disse que "os maus não são bons porque os bons não são melhores." Todos necessitamos de conversão. Continuamos recitando muitos Pais Nossos de mentirinha. Os nossos lábios falam e recitam a prece mas o nosso coração e a nossa vivência cristã desmentem o que os lábios dizem.

AMÉM... Pai, dá-nos  a vossa redenção. Ajuda-nos a vivenciar e não apenas recitar essa magnífica prece que o próprio Senhor Jesus nos ensinou.  Pai, aceita e recebe a nossa boa vontade, o nosso desejo de acertar e crescer no seu amor. Queremos ser instrumentos de seu amor num reino a construir hoje e sempre...