quinta-feira, 18 de março de 2021

 

OS NOMES QUE O POVO DEU À MARIA, A MÃE DE JESUS

 

O amor inventa nomes. E nos nomes que o amor inventa está dito aquilo que mais se gosta na pessoa amada: sobressai a sua virtude, a sua beleza no nome que o amor dá à pessoa amada.

Quanto mais amada for a pessoa mais nomes a pessoa que a ama lhe dá. Se fôssemos falar todos  os nomes que o amor do povo deu à Maria ficaríamos aqui muito tempo e ainda não diríamos todos.         Tem nomes para todos os momentos da vida: desde o nascimento até a morte.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Bom Parto ou Nossa Senhora da Boa Hora para proteger a mãe quando chega a hora de se dar à luz.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Boa Viagem para pedir a sua proteção quando nos dispomos a viajar.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do bom Conselho ou Nossa Senhora do Bom Sucesso quando estamos em dúvidas e pedimos o auxílio de Maria.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro quando estamos em dificuldades.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Amparo e de Nossa Senhora da Ajuda quando precisamos de um apoio.

Chamamos Maria de Nossa Senhora dos Remédios e de Nossa Senhora da Saúde quando estamos doentes e necessitamos recuperar a saúde, ou alguém de nossa família está enfermo.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Guia ou de Nossa Senhora dos Navegantes quando estamos perdidos nas nossas decisões e não sabemos qual o caminho a tomar em nossa vida.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Consolação ou de Nossa Senhora das Dores quando neste mundo nos conforta e nada nos consola.

Chamamos Maria de Nossa Senhora das Angústias quando meditamos as suas angústias durante a sua vida e nos sentimos angustiados em nossa existência.

Chamamos Maria de Nossa Senhora Conquistadora quando alcançamos sucesso nas nossas empreitadas de nossa vida.

Chamamos Maria de Nossa Senhora das Graças quando pedimos e alcançamos graças sem fim de Nosso Deus e Senhor por mediação, por intermédio de Maria.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Boa Morte ou de Nossa Senhora do Bom Fim quando alguém de Nossa família está muito doente ou a gente se prepara para ter uma morte santa.

E quantos mais nomes poderíamos dar à Maria para nos socorrer em todos os momentos da nossa vida. Maria, a Nossa Senhora acompanha o seu povo no desterro, na solidão, neste vale de lágrimas, nas dores e na morte.

Maria, a Nossa Senhora vai com o seu povo em todo canto e no povo alimenta a esperança com a sua ajuda, com os seus conselhos, com a sua consolação.

Maria, a Nossa Senhora, ajuda e ampara, guia e socorre, dá remédios e liberta, conduz à vitória e introduz na glória.  Maria comunica a todos nós a sua alegria.

Maria tem nomes ligados aos lugares onde viveu, onde se manifesta e onde é venerada: Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora de Belém, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Aparecida, Nossa Senhora do Loreto, Nossa Senhora da Salete, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora do Líbano; todos esses nomes e muito mais são nomes dados pelo amor do povo à Maria.

Muitos lugares, dezenas de municípios, centenas de povoados em todo o território do Brasil tem nomes ligados ao nome de Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe.

A imagem de Maria, a Nossa Senhora, com o Menino Jesus nos braços, ou a imagem de Nossa Senhora da Conceição que pisa na cabeça da serpente, está pendurada e é venerada em quase todas as casas do nosso povo simples, pobre e humilde, porque é esse o povo que realmente confia em Deus     Maria é a imagem e o retrato fiel de todas as mães brasileiras que geram os seus filhos, acreditam na vida e, como Maria, derrotam a serpente do mal que quer empanar o brilho do reino de Deus que se espalha sobre nós.

(do livro - A Mãe de Jesus - de Carlos Maesters). 

quarta-feira, 17 de março de 2021

 

O SOFRIMENTO DE CRISTO É COMPLETADO NO DOENTE

 

            Na carta que o Apóstolo Paulo escreveu aos Colossenses, ele disse: “Meus irmãos, agora eu me alegro de sofrer por vocês e vou completando na minha própria carne o que falta aos sofrimentos de Jesus Cristo a favor  do seu corpo, que é a Igreja.” (Col 1, 24).

Quando eu leio essa passagem, essa frase, fico pensando nos nossos irmãos doentes.

Essa frase de São Paulo cabe certinho na boca dos doentes, dos nossos irmãos que estão passando por algum problema de saúde, que estão hospitalizados, acamados em tratamento médico.   Todos os doentes sofrem, de uma maneira ou de outra. E seria tão bom que todos os doentes dissessem como disse Paulo: “eu me alegro de sofrer... porque vou completando na minha carne o que falta aos sofrimentos de Jesus Cristo a favor da sua Igreja.”

Os doentes são os companheiros de Jesus Cristo a caminho do Calvário. Os doentes são os participantes  da agonia da cruz. Os sofrimentos dos doentes é a complementação do que falta aos sofrimentos de Jesus Cristo para a total salvação de todo o gênero humano.

Os doentes são o corpo flagelado de Jesus Cristo; os doentes são a cabeça coroada de espinhos de Jesus Cristo; os doentes são o coração sacrossanto de Jesus Cristo traspassado pela lança.        Os doentes sofrem, e esse sofrimento complementa o sofrimento de Jesus Cristo para a salvação de todos os homens.

Não existe sofrimento inútil. Não existe dor que não seja revertida para a salvação de quem sofre, para a salvação da família de quem sofre, para a salvação de todos os homens.

Todos nós lutamos para ter saúde, aliás, é um direito que todos nós temos, o de sermos sadios,  o de sermos perfeitos. Mas, apesar dos nossos esforços para sermos sadios e termos saúde, a nossa natureza humana é frágil, é fraca, e a doença, vez ou outra, nos assedia, nos ataca e, muitas vezes, em muitos irmãos, é uma companheira constante, e às vezes até a companheira de toda uma vida.

Então precisamos fazer da nossa doença, do nosso sofrimento, a tábua de salvação para todos nós, para quem sofre e para quem não sofre também. Paulo Apóstolo se alegra na dor e diz que a sua dor complementa o que falta no sofrimento de Jesus Cristo.

Assim, da mesma maneira, os doentes devem se alegrar porque eles são os amigos queridos de Jesus Cristo, eu diria até, os amigos íntimos de Jesus, porque, somente quem sofre pode valorizar o sofrimento de Jesus Cristo que, sem merecer, e de livre e expontânea vontade, se entregou por todos nós para sofrer a sua paixão, crucificação e morte para a salvação de todos os homens.

E todos nós, os que agora temos saúde, não devemos nos esquecer jamais  dos nossos irmãos doentes. Não podemos deixar que eles fiquem sozinhos nessa sua caminhada de dor.

Hoje temos saúde, amanhã os doentes poderemos ser nós mesmos. A nossa saúde é como um fio de linha que pode se romper a qualquer momento. Estejamos sempre preparados para a doença. E a melhor preparação para sermos pacientes e aceitar com resignação qualquer problema de saúde, é visitar com frequência os nossos irmãos doentes.

Você, meu irmão, não imagina como o nosso irmão doente necessita de nossa visita, de nossa ajuda, da nossa presença, da nossa palavra amiga. Lembremo-nos do que o Senhor Jesus disse no seu Evangelho, quando se referia ao Juízo Final: “Estive doente e você me visitou...” nosso irmão doente é o próprio Jesus Cristo que continua sofrendo para completar o sofrimento do Calvário para a salvação de todos os homens.

Ainda hoje, caro irmão, procure rezar por um doente e, quando possível, leve a ele uma palavra de conforto, dê a ele a satisfação de sua presença amiga nem que seja pela palavra,, e verá como você ficará recompensado por ter feito uma obra de  misericórdia...

terça-feira, 16 de março de 2021

 

MORTE, PASSAGEM PARA A VIDA...

 

Todos nós, sempre e de um modo especial, nos lembramos dos nossos mortos.

Todos temos dentro de nós uma lembrança, um vazio deixado por alguém a quem a gente amou e que partiu para a outra vida.       

Todos, de uma maneira ou de outra, conhecemos  a dor do luto, lamentamos o lugar que ficou vazio na mesa, no sofá da sala, reclamamos a voz que se calou, sentimos a falta da presença que se tornou ausência. Em muitos dos nossos lares, senão em quase todos, já passou a figura tenebrosa e indesejável da morte, e a morte já levou muitos dos nossos entes queridos.

Se não conhecêssemos a Cristo e a sua mensagem, talvez não houvesse esperanças em nossos corações e nossa vida seria uma fuga eterna da morte, uma fuga de uma realidade  que nenhum ser vivente sobre esta terra poderá se livrar; o que nos conforta, quando pensamos sobre a morte ou somos atingido por ela através de um ente querido são as palavras de Jesus Cristo, quando disse: “Em verdade, em verdade eu lhes digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte.”  (Jo 8,51).

Até Jesus Cristo e a sua Mãe Santíssima, Maria, conheceram a morte e passaram por ela; passaram pela morte, mas venceram a morte, nos dando a esperança e a certeza de uma vida plena depois da morte, a vida que não se acaba, a vida eterna, a vida que o Senhor Jesus nos veio trazer em abundância, e Jesus afirma isso no seu Evangelho quando conversava com as irmãs Marta e Maria: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre.” (Jo 11,15-26). 

A morte é para o cristão apenas a passagem que une o nosso tempo à eternidade; a morte é a porta que se abre para que nós possamos entrar na vida que Jesus Cristo preparou para todos nós, “e não nos devemos admirar porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que fizeram o bem, sairão para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal, para a ressurreição do juízo.”  (conf Jo, 5,28-29). 

Todos nós, quando morre alguém da nossa família, do nosso círculo de amizade, choramos, e às vezes choramos muito.         É bom chorar, é necessário que se chore porque as lágrimas sinceras são as provas mais evidentes do amor que tínhamos por aquela pessoa que se foi; as lágrimas são a demonstração e a exteriorização dos nossos sentimentos mais sinceros e mais íntimos. Todo cristão chora quando um ente querido parte para a vida eterna.            

Mas o cristão não chora de desespero, o cristão chora, sim, mas de saudade.

Nós sentimos saudade do ente querido que se foi, mas temos confiança  nos ensinamentos evangélicos de Jesus Cristo, acreditamos na sua mensagem e temos a certeza evangélica de que os nossos entes queridos que conviveram longo tempo conosco neste vale de lagrimas e que ouviram a voz do Bom Pastor e fizeram parte do seu rebanho, agora, depois de sua morte, estão na glória de Deus Pai, na casa do Pai onde, segundo uma das promessas de Jesus Cristo, existem muitas moradas, e Jesus nos diz no seu Evangelho: “Não se perturbe o seu coração; creia em Deus, creia também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse eu não teria dito isso para vocês, porque eu ou preparar um lugar para vocês. Quando eu tiver ido e tiver preparado um lugar para vocês, de novo voltarei e tomarei vocês comigo, para onde eu estiver estejam  também vocês.” (Jo 14,1-3).     

Paulo, Apóstolo, em sua carta aos Romanos, ele escreveu para nos confortar a respeito da morte: “Pelo batismo fomos sepultados com Cristo na morte a fim de que nós também, como o Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, levemos uma vida nova. Mas, se morremos com Cristo, cremos também que vivemos com ele, sabendo que o Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte não tem mais poder sobre ele.” (Rm 6,3-4.8-9).

Paulo, através dessa sua carta nos dá a certeza que a vida eterna já começou aqui e agora em nós pelo batismo e pela fé no Senhor Jesus.      João Evangelista, com sua mensagem de fé e amor, também nos conforta a todos e nos dá a certeza de que, um dia, após a nossa morte, nós veremos realmente a Deus tal qual ele é.    

Na sua primeira carta, João nos escreve: “Filhinhos, vejam como é grande o amor que o Pai tem por nós! Seu amor para conosco é tão grande que ele nos deu a graça de sermos chamados “Filhos de Deus”, e o somos de fato. O mundo não nos conhece, porque não conhece a Deus. Meus queridos amigos, já somos filhos de Deus aqui e agora, embora, externamente ainda não apareça o que vamos ser. Mas sabemos, com certeza, que, quando aparecer, seremos semelhantes a ele porque o veremos como ele realmente é. Todo aquele que tem essa esperança nele se torna puro, como também ele é puro.” (1Jo 3,1-3). O que nos conforta sobre os pensamentos que temos sobre os nossos mortos são as palavras de Jesus, quando diz: “Deus, não é Deus dos mortos, e sim dos vivos, porque para ele todos vivem.”  (Lc 20,38).

Tudo isso revigora a nossa certeza de que os nossos mortos, os nossos entes queridos por quem a gente derramou copiosas lágrimas de dor e saudade, todos eles estão na casa do Pai.

segunda-feira, 15 de março de 2021

 

ESPOSAS  E  MÃES,  PRESENÇAS DE MARIA  NO LAR...

 

O exemplo mais digno e vivo que temos de Maria em nossos dias e no nosso meio, são as donas de casa, as nossas esposas, as nossas mães, que hoje cumprem com os seus deveres matrimoniais, com suas obrigações de casa, com a educação de seus filhos e com os cuidados com o marido.

Você, minha irmã, que é esposa, que é mãe, você que mora na cidade ou no sítio, no centro ou na zona rural, que levanta cedo para preparar o café da família, cuidar do almoço dos que vão trabalhar na roça, no comércio, nas suas profissões liberais ou de empregados, ou em qualquer outra atividade.

Você minha irmã, que é esposa e mãe, que já de madrugada, de manhã bem cedo, está atarefada com suas obrigações domésticas de esposa, mãe e dona de casa,, você é o exemplo mais digno e vivo que temos no nosso meio de Maria, a mãe de Jesus.

Você, mãe e esposa, com Maria, é a continuação de Deus no seio da família, é a vontade de Deus que se faz presente no lar, é a aceitação da vida com todos os seus problemas, dificuldades, dores, tristezas e alegrias. Maria se entregava totalmente nas mãos de Deus até nos mais simples serviços domésticos.

Você, minha irmã, que é mãe e esposa,  temos certeza, já levanta de manhã com orações nos lábios e Deus no coração, como fazia Maria na sua pobrezinha casa de Nazaré. Maria, a Nossa Senhora, continua no nosso meio, no nosso lar na figura de nossas mães e nossas esposas, mulheres abnegadas que lutam no dia a dia para que a felicidade do lar seja completa, e não seja falha.

Você, minha irmã, que é mãe e esposa, é sempre a última pessoa no lar a se deitar à noite em sua casa, e é a primeira a se levantar todos os dias, e se houver algum problema de doença com os filhos ou com o marido, levanta a qualquer hora da noite para observar o estado de saúde de cada um. Você, esposa e mãe, não se deita à noite enquanto não se conscientizar que todos os seus familiares já estão acomodados e que tudo está bem.

Você, esposa e mãe, é a primeira a se levantar, e já levanta da cama trabalhando, catando coisas esparramadas por todo canto da casa, acendendo o fogo para o café e para ferver o leite das crianças e para esquentar a comida para a marmita dos que vão trabalhar o dia todo e, com paciência e amor, começa a chamar seu marido e seus filhos que devem ir para o trabalho ou para a escola.

A mãe e esposa é a sentinela vigilante dentro do lar. Se, durante a noite tiver alguém doente em sua casa, a mãe se levanta quantas vezes forem necessárias para lhe dar o remédio ou para ver se o doente está com febre, está coberto, está bem.

E, no dia seguinte, quando tem que se levantar, levanta com a mesma disposição, muito embora cansada, mas sem demonstrar no rosto qualquer traço desse cansaço que aqui na terra não tem recompensa alguma e que nem o marido e nem os filhos, na maior parte das vezes notam e reconhecem.

Você, minha irmã, que é esposa e mãe, você é como Maria, a Nossa Senhora, você é a imagem de Maria que temos dentro de casa, no nosso lar.

As esposas e mães são a figura de Maria no nosso lar, numa entrega total à vontade de Deus. É por isso que precisamos amar Maria.

É por isso que precisamos amar as nossas esposas e mãe dos nossos filhos. É por isso que precisamos amar as nossas mães.  

É por isso que precisamos ter sempre Maria em nossos corações. É por isso que não podemos esquecer jamais o sacrifício de nossas esposas e nossas mães. O exemplo mais vivo e mais digno que temos de Maria, a Nossa Senhora, em nossos lares, no nosso meio, são as nossas mães, são as nossas esposas, são as mães de nossos filhos.

Todo e qualquer serviço doméstico que elas fazem, não aparece, todo amor que elas dedicam, não é retribuído, todo sacrifício que elas fazem para que amam, não tem a sua recompensa neste mundo, mas, para o Senhor Nosso Deus, nada disso é passado desapercebido, e um dia, temos certeza, as nossas mães, as nossas esposas, as Mães dos nossos filhos, gozarão a plena felicidade com Maria, a Nossa Senhora, que também como as nossas mães, nossas esposas e mães dos nossos filhos, neste mundo só amou e sofreu, mas que hoje, junto de Deus Pai está sentada num trono celeste reservada para todas as mães e esposas que, como ela, neste mundo, souberam amar e sofrer em silencio, fazendo em tudo a vontade do Pai...

domingo, 14 de março de 2021

 

"POIS DEUS NÃO ENVIOU SEU FILHO AO MUNDO PARA JULGAR O MUNDO, MAS PARA QUE O MUNDO SEJA SALVO POR ELE.” (Jo 3,17).

 

IV DOMINGO DA QUARESMA

Ano – B; Cor – roxo; Leituras: 2Cr 36,14-16.19-23; Sl 136; Ef 2,4-10; Jo 3,14-21.

 

                                                                                                                             

Diácono Milton Restivo

 

O livro das Crônicas, do qual é tirada a primeira leitura, até a metade do século passado era conhecido e chamado de Paralipômenos.

Tenho em mãos a sexta edição da Bíblia Sagrada traduzida da Vulgata e anotada pelo padre Matos Soares das Edições Paulinas de 1953 onde os dois livros das Crônicas são chamados de “Livro Primeiro dos Paralipômenos” e “Livro Segundo dos Paralipômenos”.

Este nome foi conservado por São Jerônimo, quando da tradução da Vulgata do grego para o latim entre os fins do século IV e início do século V da era atual, que respeitou o nome dado pelos tradutores da Bíblia chamada dos “Setenta”, que fora traduzida do hebraico para o grego entre o terceiro e o primeiro século antes de Cristo, na cidade de Alexandria.

A palavra “Paralipômenos” é grega e significa “das coisas omitidas ou esquecidas”, ou seja, esses dois livros são uma complementação dos livros dos Reis e citam coisas que naqueles livros não constam relativos aos dois reinos, do Sul, Judá, e do Norte, Israel.

Portanto, os livros de Paralipômenos, atuais Crônicas, do hebraico “Palavras (Questões) dos Dias”, eram as coisas omitidas dos livros dos Reis.

Ainda, a título de curiosidade, até a metade do século passado, as Bíblias citavam quatro livros dos Reis, considerando que, os dois livros de Samuel eram nominados “Primeiro e Segundo Livro dos Reis” e os atuais livros dos Reis se transformavam em “Terceiro e Quarto Livro dos Reis”. Nas edições atuais das Bíblias houve a separação dos livros de Samuel e dos livros dos Reis, ficando “Primeiro e Segundo livro de Samuel” e “Primeiro e Segundo livro dos Reis”.

Os dois livros dos Reis e os dois livros das Crônicas narram as histórias de fidelidades e infidelidades dos reis que foram colocados à frente do povo para que esse mesmo povo não se afastasse das determinações de Yahweh.

Assim como o povo, os reis também não foram fiéis a Yahweh.

O povo falhou e foi dividido, de um reino que era Judá, em dois reinos: o do norte, Israel, e o do sul, Judá.

O reino de Israel caiu em apostasia, pois abandonou a Yahweh e estabeleceu outros centros de adoração, além do único centro que estava em Jerusalém.

O reino de Israel foi invadido, capturado e levado para o exílio pelos assírios, e mais tarde o reino do Judá teve o mesmo destino: foi invadido, capturado e levado para o exílio pelos babilônios.

E é exatamente disso que o livro das Crônicas trata nesta passagem: a infidelidade dos chefes dos sacerdotes e dos sacerdotes de Judá:

·         “imitando as práticas abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha santificado em Jerusalém.” (2Cr 36,14).

Apesar de Yahweh que:

·         “dirigia-lhes frequentemente a palavra por meio de seus mensageiros, admoestando-os com solicitude todos os dias, porque tinha compaixão de seu povo e da sua casa. Mas eles zombavam dos enviados do Senhor, desprezavam as suas palavras, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo, e não houve mais remédio.” (2Cr 36,15-16).

Foi então que:

·         “Nabucodonosor levou cativos, para a Babilônia, todos os que escaparam à espada, e eles tornaram-se escravos do rei e de seus filhos.” (2Cr 36,20a).

Mas Yahweh não desprezou o seu povo que lhe fora infiel.

O rei persa, Ciro, que mais tarde derrotaria os exércitos babilônicos, movido pelo espírito de Yahweh, publicou um decreto em todo o seu reino, libertando da escravidão, depois de mais de setenta anos de cativeiro, o povo judeu (cf 2Cr 36,22-23).

O Salmo 136, que é lido e meditado nesta liturgia, é exatamente um lamento dolorido do povo judeu cativo na Babilônia, relembrando com lágrimas os tempos felizes em que viviam na terra que Yahweh lhe tinha dado e que ele, este mesmo povo, pelas suas infidelidades, havia perdido e se tornado escravo de nações estrangeiras. 

Nas terras da Babilônia, onde o povo permaneceu cativo por longo tempo, não havia o Templo do Deus verdadeiro que Nabucodonosor havia mandado destruir em Jerusalém onde esse mesmo povo pudesse fazer suas orações e oferecer sacrifícios a Yahweh, e assim o povo se lamentava:

·         “Junto aos canais da Babilônia nos sentamos e choramos, com saudade de Sião. Nos salgueiros de suas margens penduramos nossas harpas. [...] Como cantar para Yahweh numa terra estrangeira? Se eu me esquecer de você, Jerusalém, que seque a minha mão direita. Que a minha língua se cole ao paladar, se eu não me lembrar de você, e se eu não elevar Jerusalém ao topo da minha alegria.” (Sl 136,1-2.4-6).

E o povo amaldiçoava Babilônia por ter-lhe feito tanto mal:

·         “Ó devastadora capital de Babilônia, feliz quem lhe devolver o mal que você fez para nós! Feliz quem agarrar e esmagar seus nenês contra o rochedo.” (Sl 136,8-9).

Mas esse povo não se esquecia que o mal que Babilônia lhe fizera foi porque ele se afastou do caminho de Yahweh e buscava reconciliação com o seu Deus.

Na segunda leitura Paulo chama a atenção dos cristãos de Éfeso dizendo que:

·         “Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo.” (Ef 2,5a).

Paulo lembra que, se Deus nos perdoa, não é por causa dos nossos méritos, porque não temos méritos nenhum diante de Deus, mas é por sua misericórdia:

·         “É por graça que vocês são salvos! [...] Assim, pela bondade que nos demonstrou em Jesus Cristo, Deus quis mostrar, através dos séculos futuros, a incomparável riqueza da sua graça. Com efeito, é pela graça que vocês são salvos, mediante a fé. E isso não vem de vocês; é dom de Deus! Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe.” (Ef 2,5b.7-9).

No Evangelho Jesus conversa com um homem importante entre os judeus: Nicodemos.

Numa certa noite, estando Jesus em Jerusalém para comemorar a Páscoa dos judeus, um fariseu;

·         “... chamado Nicodemos, um homem importante entre os judeus...", (Jo 3,1).

Nicodemos era homem muito rico foi ter com Jesus. Nicodemos era um dos poucos judeus que estava com sede da verdade e, para conhecê-la mais e melhor, não hesitou em ter, ainda que às escondidas e por medo de seus próprios compatriotas, ido a um encontro com Jesus, ainda que esse encontro tivesse sido à noite, possivelmente para que os demais fariseus, seus correligionários, desse encontro não tivessem conhecimento e o recriminassem.

Durante esse encontro a conversa foi animada e envolvente.

Nicodemos era um fariseu, isto é, profundo conhecedor e cumpridor da Lei de Moisés, e acreditava nos ensinamentos de Jesus, mas por ser alguém de destaque não quis conversar com Jesus nem de dia e nem em público e procurou Jesus à noite para que o povo não o criticasse e o julgasse por essa sua atitude:

·         “Entre os fariseus havia um homem chamado Nicodemos. Era um judeu importante. Ele foi encontrar-se com Jesus de noite...” (Jo 3,1-2).

A conversa de Jesus com Nicodemos foi proveitosa.

Depois de Nicodemos enaltecer Jesus e dizer que ninguém poderia fazer o que Jesus fazia;

·         “se Deus não está com ele” (cf Jo 3,2).

Jesus não perdeu a oportunidade e, considerando que pressentia que o momento da cruz estava chegando, diz a Nicodemos que:

·         “se alguém não nasce do alto, não poderá ver o Reino de Deus.” (Jo 3,3).

Nicodemos não entendeu bem do que Jesus estava falando: do nascimento de uma nova criatura, um novo homem que entenderia e viveria os ensinamentos do Filho que:

·         “Deus enviou ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele” (Jo 3,17) e faz a Jesus uma pergunta patética: “Como é que o homem pode nascer de novo se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mão e nascer?” (Jo 3,4).

Jesus explica a Nicodemos qual seria esse nascimento: o nascimento pelo Batismo:

·         “Eu garanto a você: ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nasce da água e do Espírito. Quem nasce da carne é carne, quem nasce do Espírito é espírito. Não se espante se eu digo que é preciso vocês nascerem do alto.” (Jo 3,5-7).

A seguir Jesus fez referência à serpente de bronze erguida por Moisés no deserto para que, os que o ouviam, entendessem a sua missão.

Disse Jesus a Nicodemos:

·         "Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que crer tenha a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3,14-16).

Os israelitas, sob o comando de Moisés, caminhavam pelo deserto à busca da terra prometida e, conforme narra o livro do Êxodo:

·         “Yahweh ia diante deles, de dia numa coluna de nuvem, para lhes mostrar o caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se retirou de diante do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo, durante a noite."  (Ex 13,21-22).

Essa atitude do Senhor mostra claramente o cuidado e carinho que Iahweh tinha com o povo que ele escolheu entre todos os povos para ser somente seu. Mas esse povo nem sempre e, quase sempre, não correspondeu a esse cuidado, a esse carinho do Senhor. Quantas e quantas vezes esse povo afastou-se de Iahweh, cometendo desvarios e pecados que ofendiam ao Senhor. 

Em determinada ocasião em que o povo virou as costas para Iahweh, afastando-se de seus preceitos e mandamentos, como castigo, conforme narra o livro sagrado, Iahweh povoou o deserto de serpentes venenosas para puni-lo, e todos aqueles que eram picados pelas serpentes, fatalmente morriam.

Ao ver o desespero do povo, Moisés intercede ao Senhor e Iahweh determina a Moisés, dizendo:

·         “’Faça uma serpente abrasadora e coloca-a em uma haste. Todo aquele que for mordido e a contemplar, viverá’. Moisés, portanto, fez uma serpente de bronze e a colocou em uma haste; se alguém era mordido por uma serpente, contemplava a serpente de bronze e vivia.” (Nm 21,8-9).

É a essa passagem que Jesus se refere e fala a Nicodemos.

Para que, no deserto, no Antigo Testamento, o povo fosse salvo das picadas venenosas das serpentes, no Novo Testamento, para libertar o povo do pecado e de todos os males, não seria a serpente a ser levantada, mas o próprio Filho de Deus:

·         “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.” (Jo 3, 14-15).

Jesus se identifica como a serpente de bronze levantada no deserto por Moisés.

A serpente de bronze levantada no deserto é o prenúncio, o símbolo de Jesus levantado na cruz entre o céu e a terra, no monte Calvário.

Assim como Moisés, após a calamidade das serpentes venenosas, exortou o povo para que não mais se afastassem dos caminhos de Iahweh, Jesus continua na sua evangelização:

·         "Pois Deus não enviou seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no nome do Filho Único de Deus. Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas obras eram más. Pois quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus." (Jo 3,17-21).

Jesus, nessa sua afirmativa, deixa clara a misericórdia de Deus: não é Deus quem condena quem quer que seja: é a própria pessoa, pelas suas atitudes e opções que se condena. Quem crê em Jesus e adere à sua mensagem, e a vive com responsabilidade, não é julgado. Agora, quem não crê e vira as costas para o sacrifício do Filho único do Pai, já está julgado pela opção que fez.

Assim como todos do povo de Israel que estavam no deserto preferiram adorar a deuses estranhos que não a Yahweh eram picados pelas serpentes venenosas, símbolo do pecado, se não olhassem para a serpente de bronze levantada no meio do deserto em uma haste morriam e os que recorressem a ela e a encarassem, viviam, assim também, os homens, de todos os tempos e lugares, picados e contaminados com o veneno do pecado, da injustiça e alheios à fraternidade que recorrem e contemplam Jesus levantado na cruz e acreditam que seu sacrifício foi para a redenção de todo o gênero humano, e que Jesus morreu por ele, "não perecem, mas tenham a vida eterna.”

As serpentes do mal continuam por ai, a picar todos aqueles que não levam a sério os ensinamentos de Jesus. Os menos avisados e omissos das coisas do Senhor que são picados e contaminados com o veneno da serpente do pecado e que não recorrem ao Senhor Jesus levantado na cruz, fatalmente morrerão, e a salvação não será para esses por suas próprias iniciativas:

·         "Pois Deus não enviou seu Filho para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no nome do Filho Único de Deus." (Jo 3,17-18).

Não é Deus que se afasta do homem; é o homem quem se afasta do seu amor, como diz Paulo:

·         “Deus é fiel e não permitirá que sejam tentados acima das forças que vocês têm. Mas, junto com a tentação, ele dará a vocês os meios de sair dela e a força de suportá-la” (1Cor 10,13).

Somente o amor salvará os homens que ainda não entenderam a misericórdia e o imenso amor que o Senhor tem por seus filhos a ponto de cometer a divina loucura de enviar a este mundo o seu Filho Único para ensinar a todos o caminho da volta para a casa do Pai e deixar o mandamento da salvação, o mandamento do amor:

·         “Dou a vocês um mandamento novo: que se amem uns aos outros. Nisso reconhecerão que vocês são meus discípulos se tiverem amor uns pelos outros." (Jo 13,34-35).

·         “Dei a vocês o exemplo para que, como eu fiz a vocês, também vocês o façam. Em verdade, em verdade eu digo a vocês: o servo não é maior que seu senhor, nem o enviado maior do que quem o enviou. Se compreenderem isso e praticarem, vocês serão felizes” (Jo 13,15-17).

Jesus nos amou até a morte, e morte de cruz. Os homens ainda não entenderam isso.

Jesus amou e deu exemplo de como se deve amar, mas, infelizmente, os homens não compreenderam e continuam uns escravizando aos outros, uns oprimindo aos outros, uns pisando nos outros, e muitos fazendo do dinheiro, de seus bens materiais, de suas riquezas os seus deuses, atraindo para si a ira do Senhor, infestando este mundo das serpentes venenosas da ambição, do egoísmo, do desamor, que picam tantos e tantos, adormecendo-os para o amor de Deus e amor aos irmãos.

O Filho de Deus se fez homem para que nenhum homem fosse tratado como escravo.

Jesus aceitou ser extremamente humilhado para que nenhum homem sofresse qualquer tipo de humilhação. Jesus aceitou a pobreza para que nenhum homem viesse a passar fome.

Jesus aceitou o sofrimento para que nenhum homem viesse sofrer a opressão que é imposta pelo próprio homem.  Jesus aceitou ser crucificado para que nenhum homem viesse a ser torturado.

Jesus aceitou a morte para que todos os homens pudessem viver para sempre:

·         "Eu vim para que tenham a vida, e a tenham em abundância." (Jo 10,10).

Deus Pai mandou seu Filho para a morte a fim de acabar com o sofrimento, com o domínio do homem sobre o homem, com a escravidão dos fracos imposta pelos ricos e poderosos; para acabar com a injustiça dos violentos, a opressão do pecado e o domínio da morte.

Deus Pai

·         "Não enviou seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele." (Jo 3,17).

O que o amor infinito não pode aceitar, e não aceita, são as situações e estruturas injustas que o homem impõe ao próprio homem, os ricos e poderosos oprimindo os mais fracos apenas para satisfazer a sua volúpia, a sua ganância, a sua busca desenfreada de prazer, de riqueza e de poder.

Somente pelo amor é que o mundo será salvo. 

O homem ainda não entendeu que, sem justiça não existe paz.

Na medida em que o amor tomar conta do mundo e dos corações dos homens, as serpentes venenosas do mal serão eliminadas, morrerão as injustiças, cessarão os gemidos dos pobres e oprimidos, cessará o domínio da morte.

Mas, infelizmente:

·         "este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque as suas obras eram más. Pois, quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam demonstradas como culpáveis." (Jo 3,19-20).

E Jesus termina sua conversa com Nicodemos com palavras confortadoras, satisfazendo plenamente a procura da verdade de quem queria realmente conhecer a verdade do Senhor, colocar em prática seus mandamentos e caminhar na luz:

·         "Mas, quem pratica a verdade, vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus." (Jo 3, 21).

           

 

 

 

 

 

sábado, 13 de março de 2021

 

MARIA, MÃE E COMPANHEIRA DE CAMINHADA

 

Mãe, em Fátima a Senhora disse aos pastorzinhos: “Eu nunca te abandonarei. O meu Coração Imaculado será o teu refúgio.”

Mãe, homem nenhum em tempo algum pode avaliar a tristeza, a amargura e o sofrimento do seu Coração ao acompanhar seu Filho Sacrossanto ao Calvário e presenciar o maior crime praticado pela humanidade contra Ele próprio: a crucificação e a morte do Filho de Deus, que é também seu Filho. Seu Coração estava amargo, sofrido e triste mas jamais chegou ao desespero, à revolta e à indignação  contra Deus por ver tamanha injustiça cometida  pelos homens contra seu Filho muito Amado.         

Quantos de nós, doce Mãe, estamos também caminhando pelos caminhos doloridos e espinhosos do Calvário, com o coração  em farrapos, cheio de angústia, de tristeza, de amargura e sofrimento, mas jamais, a seu exemplo, doce Mãe, jamais em desespero e revolta contra Deus pelas coisas que nos acontecem, porque sabemos que se algo desagradável nos acontece é culpa nossa mesmo, é consequência de nossas atitudes impensadas; mas o seu Filho, doce Mãe, o que de mal lhe aconteceu, não foi culpa dele e nem consequências de atos impensados que ele tenha praticado, mas foi culpa nossa.           

O seu Filho era inocente em todos os sentidos e de livre e espontânea vontade tomou a nossa natureza para colocar sobre seus ombros a nossa miséria e os nossos pecados.

Mas, às vezes, Senhora, muitos males se nos acometem, muitas doenças nos atingem e, na nossa caminhada neste vale de lágrimas e no nosso leito de dor repetimos como o seu Filho em sua última oração no monte das Oliveiras: “Pai, se é possível, afasta de mim esse cálice, mas não se faça como eu quero, mas sim como tu queres... Mas, se esse cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.”  (Mt 26, 39 e 42), e todos os dias repetimos a oração que o seu Filho nos ensinou: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mt 6, 10).

Mas, nos nossos momentos de dor, a quem poderíamos recorrer, senão à Senhora se, como disse Santo Afonso: “Tu és toda poderosa junto de Deus.”?

Nós sabemos, Mãe, e temos certeza e confiança que seu Divino Filho jamais deixou de atender a um pedido seu em qualquer circunstância: nós acreditamos que o seu Divino Filho jamais há de negar para a Senhora coisa alguma.

Diante de Santa Brígida o seu Divino Filho prometeu para a Senhora despachar favoravelmente a todos os que solicitarem dele alguma graça  por seu amor.

Também um Anjo disse a esta mesma Santa Brígida: “Não há ninguém que reze à Maria sem receber de sua caridade algum favor.”

Por isso, nós lhe pedimos, doce Mãe; roga ao seu Filho por todos nós, a Senhora que pode tudo o que quiser e pedir, e isso confiantes na promessa de seu Filho de jamais deixar de atender a um só pedido seu. Exemplo disso, doce Mãe, o Evangelista João nos dá na narração do casamento de Canaã, na Galiléia, quando a Senhora disse aos serventes da festa: “Façam tudo o que o meu Filho lhes disser.” (Jo 2, 5).

E seu Filho, a um pedido seu, transformou a água no mais saboroso dos vinhos.

Mãe, se a um pedido seu, seu Filho, por amor à Senhora e aos necessitados, altera até as leis da natureza, e até os ventos e o mar obedecem (cf Mt 8, 27); até os mortos voltam à vida por ordem de seu Filho, como na ressurreição do filho da viuva de Naim, (Lc 7, 11 ss), na ressurreição de Lázaro (Jo 11), e na ressurreição da filha de Jairo, quando ele disse:  “Talitha kum, que quer dizer: Menina, eu te ordeno, levanta-te.”  (Mc 5, 41).

Será, Mãe, que a um pedido seu, seu Filho não se compadeceria da nossa miséria, como fez com a viuva de Naim, que lhe devolveu com vida o seu filho que estava morto?

Ou o amor de seu Filho para conosco seria menor que aquele que ele demonstrou por Lázaro e suas irmãs Marta e Maria? Ou a nossa fé seria menor que a de Jairo?

Certo dia um leproso se aproximou de seu Divino Filho e lhe disse: “Senhor, se quiseres, podes limpar-me.”, e nós, com a mesma fé e no mesmo tom de súplica, dizemos ao seu Filho, pelo amor que ele tem pela Senhora: “Senhor, se o Senhor quiser, o Senhor pode nos livrar dos nossos pecados, das nossas misérias, das nossas doenças”.

É o seu Filho, Senhora, que nos dá essa confiança em pedir, porque foi ele mesmo quem nos incentivou a pedir, quando disse: “Peçam, e lhes será dado, busquem, e acharão, batam, e a porta se lhes abrirá.” (Mt 7,7). “Tudo o que vocês pedirem ao meu Pai em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se vocês pedirem alguma coisa em meu nome eu o farei.” (Jo 14, 13-14); e é com lágrimas, Senhora, que pedimos ao seu Filho, tendo a Senhora como intercessora, medianeira e advogada nossa, confiantes no que ele mesmo disse:  “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” (Mt 5,5). Confiamos sem sombra de qualquer dúvida na Senhora, doce Mãe, porque a Senhora “é cheia de graça e o Senhor está com a Senhora.” (cf Lc 1, 28). Na Senhora esperamos, porque a Senhora “é bendita entre as mulheres e bendito é o fruto do seu ventre."”(Lc 1, 42).

A Senhora mesma, doce Mãe, sentiu e testemunhou o poder do Altíssimo sobre a Senhora mesmo, quando em oração: “A minha alma glorifica ao Senhor, e o meu espirito exulta em Deus, meu Salvador. Porque lançou os olhos para a humilhação de sua serva; portanto, eis que de hoje em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada. Porque o Todo Poderoso fez em mim grandes coisas, o seu Nome é Santo.” (Lc 1, 46-49).

Os próprios ouvintes do seu Filho reconheceram a sua grandeza, Mãe, quando uma mulher, do meio da multidão, gritou em altos brados, para que todos pudessem ouvi-la: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos a que foste amamentado.” (Lc 11, 27).

São Bernardino de Sena ensinava que nenhuma graça vem do céu que não passe primeiro pelas suas mãos maternais.

São João Batista Maria Vianney, o Santo Cura de Ars, dizia que o Coração da Senhora é tão terno para nós que o coração  de todas as mães reunidas não passam de uma pedra de gelo aos pés do seu Coração, e que o seu Coração é só amor e misericórdia; o seu Coração só deseja ver-nos todos felizes; basta apenas nos dirigirmos à Senhora para sermos ouvidos.

Doce Mãe, nós lhe pedimos nos momentos difíceis de nossa vida que não nos deixe vacilar na fé; não permita, Senhora, que nos revoltemos contra aquilo que pode ser a vontade de Deus; cuida, Senhora, para que o desespero não se apodere dos nossos corações por qualquer motivo que seja que estejamos sendo provados na fé, e não nos deixe sozinhos na subida do nosso Calvário, porque nós acreditamos que assim como foi com o seu Filho, depois de todos os nossos sofrimentos vem a glória e a alegria da cura de todos os males e doenças, e sempre vamos continuar a lhe fazer esse apelo, porque, como disse São Luiz Maria Grignon de Montfort: “Um só suspiro seu tem maior poder do que as orações de todos os Anjos, Santos e homens juntos.”. Repetimos, nesse momento, Senhora, o que disse São João Damasceno: “Salve, Ò Mãe, esperança dos desesperados. Ò Mãe de Deus, se eu estiver debaixo de sua proteção, nada temerei.”

E, todos os dias, doce Mãe, repetiremos a singela oração que São Bernardo sempre recitava para a Senhora, quando dizia: “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades. Mas livrai-nos de todos os perigos, ò Virgem Gloriosa e Bendita.

sexta-feira, 12 de março de 2021

 

NOVE MULHERES QUE FORAM EXEMPLARES PARA A IGREJA E O MUNDO

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Há quem diga que a mulher não tem papéis importantes na Igreja. Entretanto, desde o início do cristianismo até a atualidade, Deus suscitou mulheres que orientaram o Povo de Deus, influenciando também no curso do Papado. Conheça 9 mulheres que foram exemplares para a Igreja.

1. A Virgem Maria

“Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4), disse Jesus à sua Mãe nas Bodas de Caná, em um casamento ao qual ambos tinham sido convidados. Cristo escutou sua mãe, a primeira mulher que acolhe o Senhor e motiva o primeiro milagre conhecido da vida pública de Jesus. Os primeiros séculos do cristianismo estão cheios de mulheres corajosas que não duvidaram em dar sua vida por Cristo, incentivando os demais cristãos a não fraquejar quando lhes chega o momento.

2. Santa Hildegarda de Bingen

Mais tarde, durante a Idade Média, a Igreja já não era perseguida, mas vivia-se uma cultura machista, própria da época. Isto não foi impedimento para Santa Hildegarda de Bingen (1098-1179), religiosa beneditina de origem alemã, que chegou a ter uma séria de visões místicas. Escreveu obras teológicas e de moral com notável profundidade e foi declarada Doutora da Igreja por Bento XVI no ano 2012, junto com São João d’Ávila. Sua popularidade fez com que muitas pessoas, entre bispos e abades, lhe pedissem conselhos. “Quando o imperador Federico Barbarroja provocou um cisma eclesial, opondo 3 antipapas ao Papa legítimo, Alexandre III, Hildegarda, inspirada em suas visões, não hesitou em recordar-lhe que também ele, o imperador, estava submetido ao juízo de Deus”, contou o Papa Bento XVI em sua audiência geral sobre esta santa em 2010.

3. Santa Catarina de Sena

Posteriormente, apareceria outra mística e Doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena (1347-1380), que vestiu o hábito da ordem terceira de Santa Domingo. Nesta época, os Papas viviam em Avignon (França) e os romanos se queixavam de ter sido abandonados por seus bispos, ameaçando com o cisma. Gregório XI fez um voto secreto a Deus de regressar a Roma e ao consultar Santa Catarina, ela lhe disse: “Cumpra com sua promessa feita a Deus”. O Pontífice ficou surpreso porque não tinha contado a ninguém sobre o voto e, mais tarde, o Santo Padre cumpriu sua promessa e voltou para a Cidade Eterna. Mais tarde, no pontificado de Urbano VI, os cardeais se distanciaram do Papa por seu temperamento e declararam nula sua eleição, designando Clemente VII, que foi residir em Avignon. Santa Catarina enviou cartas aos cardeais pressionando-os a reconhecer o autêntico Pontífice. A Santa também escreveu a Urbano VI, exortando-o a levar com temperança e alegria os problemas, controlando o temperamento. Santa Catarina foi a Roma, a pedido do Papa, que seguiu suas instruções. A Santa também escreveu aos reis da França e Hungria para que deixassem o cisma. Toma uma mostra de defesa do papado.

4. Santa Teresa de Jesus

Com a aparição do protestantismo, a Igreja se dividiu e foi realizado o Concílio de Trento. Estes são os anos de Santa Teresa de Jesus (1515-1582), religiosa contemplativa que marcou a Igreja com sua reforma carmelita. Apesar de ter sido incompreendida, perseguida e até acusada na Inquisição, seu amor a Deus a impulsionou a fundar novos conventos e a optar por uma vida mais austera, sem vaidades, nem luxos. Submersa muitas vezes em êxtases, nunca deixou de ser realista. Sendo Santa Teresa D’Ávila relativamente inculta, dialogava com membros da realeza, pessoas ilustres, membros eclesiásticos e santos de sua época para lhes dar conselhos, receber ajuda e levar adiante o que havia se proposto. Tornou-se escritora mística e é também Doutora da Igreja.

5. Santa Rosa de Lima

Do outro lado do mundo, na América, mais precisamente no Peru, Santa Rosa de Lima (1586-1617) tomou Santa Catarina de Sena como modelo e se omitiu àqueles que a pretendiam por sua grande beleza, para poder viver em virgindade, servindo aos pobres e doentes. “Provavelmente, não houve na América um missionário que com suas pregações tenha conquistado mais conversões do que as que Rosa de Lima obteve com sua oração e suas mortificações”, disse o Papa Inocêncio IX ao se referir à primeira Santa da América. São João Paulo II disse sobre a santa que sua vida simples e austera era “testemunho eloquente do papel decisivo que a mulher teve e segue tendo no anúncio do Evangelho”.

6. Santa Teresa de Lisieux

Do amor dos santos esposos franceses Louis Martin e Zélia Guérin, canonizados em outubro de 2015, nasceu Santa Teresa de Lisieux (1873-1897), Doutora da Igreja e padroeira universal das missões. Santa Teresa viveu somente 24 anos. Um ano depois de sua morte, a partir de seus escritos, foi publicado o livro “História de uma alma”, que conquistou o mundo porque deu a conhecer o muito que esta religiosa tinha amado Jesus. “Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face é a mais jovem dos ‘Doutores da Igreja’, mas seu ardente itinerário espiritual manifesta tal maturidade, e as intuições de fé expressas em seus escritos são tão vastas e profundas, que lhe merecem um lugar entre os grandes professores do espírito”, disse São João Paulo II sobre esta santa. O Papa Francisco também comentou em diversas ocasiões a profunda devoção que o une a esta santa e compartilhou em uma de suas viagens que antes de cada viagem ou diante de uma preocupação, costuma pedir “uma rosa”.

7. Santa Edith Stein

Durante a perseguição nazista no século XX, surgiu na Europa outra grande mulher, convertida do judaísmo, religiosa carmelita descalça e mártir, Santa Edith Stein, também conhecida como Santa Teresa Benedita da Cruz (1891-1942). Junto com outros judeus conversos, foi levada ao campo de concentração de Westerbork em vingança das autoridades pelo comunicado de protesto dos bispos católicos dos Países Baixos contra as deportações de judeus. Santa Edith foi transferida para Auschwitz, onde morreu nas câmaras de gás, junto com sua irmã Rosa, também convertida ao catolicismo, e muitos outros de seu povo. São João Paulo II diria sobre ela: “Uma filha de Israel, que durante a perseguição dos nazistas permaneceu, como católica, unida com fé e amor ao Senhor Crucificado, Jesus Cristo, e, como judia, ao seu povo”.

8. Santa Teresa de Calcutá

O testemunho de Santa Teresa de Calcutá (1910-1997) de servir a Cristo nos “mais pobres entre os pobres” ensinou que a maior pobreza não estava nos subúrbios de Calcutá, mas nos países “ricos” quando falta o amor ou nas sociedades que permitem o aborto. “Para poder amar, é preciso ter um coração puro e é preciso rezar. O fruto da oração é o aprofundamento da fé. O fruto da fé é o amor. E o fruto do amor é o serviço ao próximo. Isso nos conduz à paz”, dizia a também ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1979. Em sua canonização em outubro de 2016, o Papa Francisco disse que “Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que ‘quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável’”.

9. Santa Gianna Beretta Molla

Para encerrar esta lista de grandes mulheres que mudaram o mundo e a história, recordamos Santa Gianna Beretta Molla (1922-1962). Esta santa italiana adoeceu de câncer e decidiu continuar com a gravidez de seu quarto filho, em vez submeter-se a um aborto, como lhe sugeriam os médicos para salvar sua vida. Gianna estudou medicina e se especializou em pediatria. Seu trabalho com os doentes se resumia na seguinte frase: “Como o sacerdote toca Jesus, assim nós, os médicos, tocamos Jesus nos corpos de nossos pacientes”. Casou-se com o Pietro Molla, com quem teve quatro filhos. Durante toda sua vida, conseguiu equilibrar seu trabalho com sua missão de mãe de família. Gianna morreu em 28 de abril de 1962, aos 39 anos, uma semana depois de ter dado à luz. Foi canonizada em 16 de maio de 2004 pelo Papa João Paulo II, que a tornou padroeira da defesa da vida.

quinta-feira, 11 de março de 2021

 

COMO O POVO GOSTA DE CHAMAR MARIA, A MÃE DE JESUS

 

O amor inventa nomes. E nos nomes que o amor inventa está dito aquilo que mais se gosta na pessoa amada: sobressai a sua virtude, a sua beleza no nome que o amor dá à pessoa amada.

Quanto mais amada for a pessoa mais nomes a pessoa que a ama lhe dá. Se fôssemos falar todos  os nomes que o amor do povo deu à Maria ficaríamos aqui muito tempo e ainda não diríamos todos. Tem nomes para todos os momentos da vida: desde o nascimento até a morte.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Bom Parto ou Nossa Senhora da Boa Hora para proteger a mãe quando chega a hora de se dar à luz.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Boa Viagem para pedir a sua proteção quando nos dispomos a viajar.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do bom Conselho ou Nossa Senhora do Bom Sucesso quando estamos em dúvidas e pedimos o auxílio de Maria. Chamamos Maria de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro quando estamos em dificuldades.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Amparo e de Nossa Senhora da Ajuda quando precisamos de um apoio.

Chamamos Maria de Nossa Senhora dos Remédios e de Nossa Senhora da Saúde quando estamos doentes e necessitamos recuperar a saúde, ou alguém de nossa família está enfermo.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Guia ou de Nossa Senhora dos Navegantes quando estamos perdidos nas nossas decisões e não sabemos qual o caminho a tomar em nossa vida.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Consolação ou de Nossa Senhora das Dores quando neste mundo nos conforta e nada nos consola.

Chamamos Maria de Nossa Senhora das Angústias quando meditamos as suas angústias durante a sua vida e nos sentimos angustiados em nossa existência.

Chamamos Maria de Nossa Senhora Conquistadora quando alcançamos sucesso nas nossas empreitadas de nossa vida.

Chamamos Maria de Nossa Senhora das Graças quando pedimos e alcançamos graças sem fim de Nosso Deus e Senhor por mediação, por intermédio de Maria.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Boa Morte ou de Nossa Senhora do Bom Fim quando alguém de Nossa família está muito doente ou a gente se prepara para ter uma morte santa.

E quantos mais nomes poderíamos dar à Maria para nos socorrer em todos os momentos da nossa vida.

Maria, a Nossa Senhora acompanha o seu povo no desterro, na solidão, neste vale de lágrimas, nas dores e na morte.

Maria, a Nossa Senhora vai com o seu povo em todo canto e no povo alimenta a esperança com a sua ajuda, com os seus conselhos, com a sua consolação.

Maria, a Nossa Senhora, ajuda e ampara, guia e socorre, dá remédios e liberta, conduz à vitória e introduz na glória. Maria comunica a todos nós a sua alegria.

Maria tem nomes ligados aos lugares onde viveu, onde se manifesta e onde é venerada: Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora de Belém, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Aparecida, Nossa Senhora do Loreto, Nossa Senhora da Salete, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora do Líbano; todos esses nomes e muito mais são nomes dados pelo amor do povo à Maria.

Muitos lugares, dezenas de municípios, centenas de povoados em todo o território do Brasil tem nomes ligados ao nome de Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe. A imagem de Maria, a Nossa Senhora, com o Menino Jesus nos braços, ou a imagem de Nossa Senhora da Conceição que pisa na cabeça da serpente, está pendurada e é venerada em quase todas as casas do nosso povo simples, pobre e humilde, porque é esse o povo que realmente confia em Deus Maria é a imagem e o retrato fiel de todas as mães brasileiras que geram os seus filhos, acreditam na vida e, como Maria, derrotam a serpente do mal que quer empanar o brilho do reino de Deus que se espalha sobre nós. (do livro - A Mãe de Jesus - de Carlos Maesters).