domingo, 18 de abril de 2021

 

“E VOCÊS SÃO TESTEMUNHAS DISSO” (Lc 24,48).

 

TERCEIRO DOMINGO DA PÁSCOA

Ano – B; Cor – Branco; Leituras: At 3,13-15.17-19; Sl 4; 1Jo 2,1-5; Lc 24,35-48

 

Diácono Milton Restivo

 

Nos domingos do Tempo Pascal a Igreja focaliza, nas primeiras leituras de cada liturgia, o livro dos Atos dos Apóstolos.

No domingo da Páscoa da Ressurreição Pedro tomou a palavra em praça pública e, depois de um longo discurso testemunhando o Cristo ressuscitado, arremata, dizendo:

·         “Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados.” (At 10,43).

No segundo domingo, que foi o domingo passado, esse mesmo livro relata como era a igreja que estava se iniciando, dizendo que

·         “a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma”, que “os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” e que, entre os primeiros cristãos “ninguém passava necessidade”. (At 4,32.33.34).

Neste terceiro Domingo da Páscoa, os Atos narram Pedro dirigindo-se ao povo, novamente em praça pública após haver recebido o Espírito Santo em companhia de Maria, a Mãe de Jesus e dos demais apóstolos e discípulos (cf At 2,1-13), testemunhando, destemidamente, o Cristo ressuscitado, dizendo que eles, os apóstolos, eram testemunhas do julgamento iníquo do Filho de Deus e de sua morte e ressurreição dizendo: “e disso nós somos testemunhas” (At 3,15), arrematando, dizendo:

·         “Portanto, arrependam-se e convertam-se para que os pecados de vocês sejam perdoados.” (At 3,19).

O Salmo desta liturgia é o 4, que é uma oração individual de extrema confiança em Yahweh, através do qual o pobre adquire forças para enfrentar os inimigos e encorajar, assim, seus próprios companheiros:

·         “Quando te invoco, responde-me, ó Deus, meu defensor! Na angústia tu me aliviaste: tem piedade de mim, ouve a minha prece! [...] Saibam que Yahweh faz maravilhas por seu fiel: Yahweh ouve quando o invoco. [...] Em paz me deito e logo adormeço, porque só tu, Yahweh, me fazes viver tranquilo.” (Sl 4,2.4.9).

Este Salmo dá ao fiel a tranquilidade da presença de Deus em sua vida e da sua misericórdia derramada abundantemente, e que o Senhor não leva em consideração os pecados quando a ele se volta, cheio de confiança, o pecador.

Na segunda leitura, na sua primeira carta, João tranquiliza o fiel que tenha cometido algum deslize contra os ensinamentos do Senhor, e atesta que,

·         “se alguém pecar, temos junto do Pai um defensor: Jesus Cristo, o justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos pecados, mas também pelos pecados do mundo inteiro.” (1Jo 2,1-2).

João é taxativo e não deixa margem a dúvidas num teste se o fiel segue realmente os mandamentos, quando afirma:

·         “Quem diz: ‘Eu conheço Deus’, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Naquele, porém, que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado.” (1Jo 2,4-5).

O Evangelho desta liturgia, apesar de a Igreja privilegiar o Evangelho de Marcos neste ano litúrgico, traz uma passagem do Evangelho de Lucas.

Os acontecimentos que antecedem a narrativa exposta neste domingo é uma passagem que só é narrada por Lucas e por nenhum mais dos outros Evangelistas: os discípulos de Emaús (cf Lc 24,13-35).

A narrativa desta liturgia começa exatamente quando termina a dos discípulos de Emaús, no seu versículo 35, quando, após a manifestação de Jesus a eles e eles haverem reconhecido o Mestre ao partir o pão,

·         “na mesma hora eles se levantaram e voltaram para Jerusalém, onde encontraram os Onze, reunidos com os outros.” (At 24,33).

Pelo visto, os apóstolos já tinham conhecimento da ressurreição do Mestre porque confirmaram, dizendo:

·         “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão’!” (Lc 24,34).

Na sequência os discípulos de Emaús

·         “contaram o que tinha acontecido no caminho, e como eles tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão.” (At 24,35).

Esse “partir o pão tem um significado muito especial. Todas as vezes que, nos Santos Evangelhos, vemos que Jesus partia o pão, estava acontecendo alguma coisa muito especial.

Partir o pão é “doar-se!” Partir o pão é “evangelizar!” Partir o pão é tornar Jesus presente. Partir o pão é transmitir a palavra de Deus aos famintos da verdade. É no ouvir a Palavra e no partir do pão da verdade que reconhecemos Jesus Ressuscitado.

Ouvir a Palavra e repartir o pão da verdade é dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, visitar os doentes, orar pelos pecadores, consolar os aflitos e desesperados, conduzir para o bom caminho os extraviados pelas estradas da existência.

Ouvir a Palavra e repartir o pão, no sentido cristão, é socorrer os irmãos em suas necessidades, tanto materiais como espirituais. E somente chegaremos à conclusão da extensão das maravilhas e satisfação desse ouvir a Palavra e desse repartir o pão quando sentimos aquele ardor no coração que vem do Espírito Santo, assim como sentiram os discípulos de Emaús e tantas outras personagens santas das Sagradas Escrituras e de todos os tempos.

Os discípulos de Emaús

·         “ainda estavam falando, quando Jesus apareceu no meio deles, e disse: ‘A paz esteja com vocês.” (Lc 24,36).

É dessa paz que o mundo precisa. É dessa paz que cada um de nós precisa. A verdadeira paz que vem do Ressuscitado. Então, porque não falar dessa paz?

Às vezes, em muitas circunstâncias da vida, como os apóstolos estavam se sentindo após a crucificação e morte de Jesus, nos sentimos sozinhos, abandonados, isolados.

Nesse isolamento sentimos um vazio intenso e o silêncio grita alto dentro de nós todas aquelas coisas que gostaríamos que se tornassem conhecidas e aceitas para provar que somos humanos, que acertamos algumas vezes e erramos outras tantas; e o silêncio explode dentro de nosso cérebro, dentro do nosso peito, dentro do nosso coração, ressoando fortemente em nossa alma e, desesperadamente, buscamos paz, procuramos a paz, lutamos pela paz, desejamos ardentemente a paz... paz... paz...

Como necessitamos de paz. Como procuramos a paz, como desejamos a paz. Paz interior. Paz de espírito. Paz na alma. Paz onde vivemos. Paz onde trabalhamos. Como procuramos a paz.

Mas como a procuramos nos lugares mais equivocados, nos lugares onde, absolutamente, ela não está, não se encontra, e, nessa busca desenfreada pela paz mais nos confundimos, mais nos desesperamos, mais nos perdemos, mais nos equivocamos.

Mas, o que é paz? Se procurarmos no dicionário encontraremos que paz é ausência de guerra, é tranquilidade, serenidade, sossego, descanso, ausência de hostilidade, silêncio... Mas a paz que o nosso espírito, o nosso coração, a nossa alma busca não é somente ausência de guerra, nem tranquilidade, nem o que tudo o mais que o dicionário pressupõe.

A paz que buscamos, a paz verdadeira é estarmos de bem conosco mesmos e com Deus, mesmo que à nossa volta haja confusão, guerra, incompreensão, agressões...

A paz verdadeira vem de Deus, somente de Deus; paz interior, paz de consciência, paz de espírito, paz na alma, paz no coração...

A paz que buscamos não é essa paz que é sinônimo de tranquilidade, mesmo contrariando a definição de paz que nos dão os dicionários da nossa língua portuguesa.

Realmente, a paz que vem de Deus não pode ser sinônimo de tranquilidade, porque, por um paradoxo, o Senhor Nosso Deus nos dá a sua paz exatamente para não nos deixar em paz, para não nos deixar tranquilos, porque, quem tem a paz que vem do Senhor não pode estar tranquilo ao conviver com tantas injustiças, tantas mentiras, agressões, infidelidades, falsidades, desumanidade, desamor, tantos interesses escusos e mesquinhos que existem entre as pessoas, e o pior, pessoas que se dizem cristãs, e isso em quaisquer seguimentos cristãos e no mundo inteiro.

Quem tem a paz que vem do Senhor não pode se acomodar, não pode se tranquilizar, porque a paz que o Senhor nos dá não é a mesma paz que o mundo transmite:

·         “A minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.” (Jo 14,27).

Quem tem a paz que vem do Senhor Nosso Deus não pode se omitir ao ver tantas e tantas faltas e falhas, tantos pecados imperarem nos locais que, por força das circunstâncias e princípios, deveriam ser santos; não podem concordar com aqueles que deveriam se postar em defesa dos oprimidos e dos injustiçados se calarem criminosa e covardemente; não podem ter repouso ao presenciar tantas agressões covardes contra aqueles que não podem e não sabem e nem tem condições de se defender, tanto física quanto moral, psicológica e até religiosamente.

Por isso, a paz não é e nem pode ser sinônimo de tranquilidade.

O Senhor nos dá a paz, mas não nos deixa em paz...

A paz que vem do Senhor é aquela que deve nos desalojar do nosso comodismo da mesma maneira como aconteceu com Maria, a mãe de Jesus que, após receber em seu coração e no seu ventre a Paz Personificada no Filho de Deus, não se acomodou e partiu para uma longa viagem ao tomar conhecimento, pela boca do Anjo que viera lhe trazer a Boa Nova da vinda do Messias, que a sua parenta Isabel, mulher já de idade avançada, necessitava de sua ajuda, de sua presença para auxiliá-la nos preparativos dos últimos dias de sua gravidez temporã, conforme narra Lucas, 1,26-27.

Só os valentes têm essa paz verdadeira. Os valentes que assumem de corpo e alma os preceitos emanados das Sagradas Escrituras e ditados pelo Senhor Nosso Deus e que se sintonizam com a vontade divina para servirem de instrumentos nas mãos do Pai a fim de dar continuidade ao plano de salvação iniciado por Jesus Cristo e que se prolonga na luta do dia-a-dia de sua Igreja.

E o resultado dessa paz nem sempre é uma velhice tranquila ou uma aposentadoria sem lutas e abastada como todos desejariam que fossem, como aconteceu com a irmã Dóroty.

O resultado dessa paz é, muitas vezes, a incompreensão dos homens e do mundo, é uma coroa de espinhos, são flagelos, chacotas, indiferenças e dores que, muitas vezes, terminam ao se ver o mundo do alto, mas do alto de uma cruz, como aconteceu com o Senhor Jesus, e isso não é novidade pois que, o Senhor Jesus já nos alertava a respeito disso:

·         “Não existe discípulo superior ao mestre, nem servo superior ao seu senhor. Basta que o discípulo se torne como o mestre e o servo como o seu senhor.” (Mt 10,24-25).

Essa paz que buscamos desesperadamente somente a encontramos, e gratuitamente, nos é transmitida, através dos apóstolos e discípulos, pelo Senhor Jesus: ”A paz esteja com vocês”. (Lc 24,36; Jo 20,21.26), e

·         “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá. Não fiquem perturbados , nem tenham medo.” (Jo 14,27).        

Por incrível que possa parecer, vemos que todos aqueles que receberam a paz diretamente do Senhor Jesus e, estando em pleno gozo dessa paz, foram perseguidos, caluniados, flagelados, assassinados, martirizados.

E ai nos vem a pergunta:

·         “Que tipo de paz é essa que, para gozá-la plenamente, passa-se por todas essas privações?”

Essa é a paz verdadeira que vem do Senhor Nosso Deus nos dando plena segurança de que vale à pena ser perseguido injustamente pelo mundo e incompreendido pelos homens e até por aqueles que amamos de verdade; vale à pena, desde que permaneçamos fieis às observâncias dos preceitos evangélicos transmitidos por Jesus Cristo e consolados por sua exortação:

·         “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados são vocês, quando lhes injuriarem e lhes perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vocês por causa de mim. Alegrem-se e regozijem-se, porque será grande a recompensa de vocês nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vocês.” (Mt 5,10-12).

A paz que recebemos do Senhor Nosso Deus nos traz alegria interior. A paz que o mundo nos oferece se transforma em remorso.

O Senhor faz bem-aventurados todos aqueles que vivem na sua paz e a sua paz e as bem-aventuranças evangélicas são o conforto que o Senhor dá aos que vivem na sua paz.

Bem-aventurados os que buscam a paz no Senhor, os que vivem plenamente essa paz e que a transmitem a todos os que o cercam.

Precisamos dessa paz, buscamos essa paz e somente essa paz porá fim ao silêncio gritante que ecoa em nossos corações pelas indecisões que a vida nos traz.

No Evangelho de João, na oportunidade dessa mesma narrativa, Jesus transmite a paz juntamente com o envio dos apóstolos para o mundo, transmitindo a eles o Espírito Santo que ele havia prometido durante quase toda a sua pregação, além de lhes facultar uma atitude que só a Deus pertence: a de perdoar pecados: “Jesus disse de novo para eles:

·         A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou eu também envio vocês. Tendo falado isso Jesus soprou sobre eles, dizendo: ‘Recebam o Espírito Santo. Os pecados que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados que vocês não perdoarem, não serão perdoados.” (Jo 20,21-23).

A presença do Espírito Santo transmitido à Igreja de Jesus Cristo só pode trazer e transmitir a paz, não a paz do mundo,

·         “a paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá”.

A presença do Espírito Santo na Igreja patrocina o perdão pleno e irrestrito dos pecados.

A presença do Espírito Santo transmitido por Jesus ao soprar sobre os seus apóstolos, deve ser materializada no amor, porque, como disse João na sua carta:

·         “Filhinhos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. E todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor. [...] “Nós reconhecemos o amor que Deus tem por nós e acreditamos nesse amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.” 1Jo 4,7-8.16).

sábado, 17 de abril de 2021

 

NOSSA SENHORA DAS DORES - MARIA AO PÉ DA CRUZ -

 

Todo cristão, filho de Maria e que a ama realmente, já, desde a manhã a tem no pensamento e a venera como a Rainha do Céu, Rainha da terra e Rainha de todos os lares.

E nesta Semana Santa, mais do que em qualquer outro tempo do ano, devemos venerar Maria como a Mãe das Dores e, nesta semana santa devemos acompanhar passo a passo o sofrimento de uma mãe condenada a assistir a crucificação e morte de seu próprio filho.

Quando um Anjo do Senhor perguntou à Maria se ela aceitava ser a mãe do Salvador, Maria bem sabia que estava sendo convidada a trilhar um caminho repleto de espinhos e lágrimas.

Maria conhecia os homens, Maria conhecia o seu povo, Maria conhecia  os dirigentes de sua nação, Maria conhecia o coração dos homens.

Maria sabia que estava unindo a sua sorte à sorte do Filho de Deus.

E a profecia do velho Simeão nos portais do templo, quando da apresentação do Menino Jesus, ainda ressoava em seus ouvidos e Maria, trinta anos depois, ainda ressoava em seus ouvidos as palavras do velho profeta que dizia e repetia sem cessar: “Uma espada de dor traspassará teu coração” (Lc 2,3).  Naquela oportunidade Maria poderia ter-se surpreendido pela franqueza e honestidade de um homem temente a Deus, mas aquela profecia, de maneira nenhuma desencorajou Maria e nem tão pouco lhe deu razões para temer alguma coisa no futuro, porque ela já tinha se colocado inteiramente nas mãos de seu Deus e Senhor quando havia dito: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua vontade.” O seu Divino Filho viera para pregar a Boa Nova, para formar um novo povo de Deus.

As palavras de Jesus sobre a justiça, sobre o amor fraterno, a maneira como ele falava que o primeiro deveria ser o último e quem tinha poder de mando era para servir e não para dominar o irmão; aquela multidão de oprimidos que corria até ele e a ele se agarrava como sendo a única esperança, tudo isso teve uma reação fulminante por parte dos grandes do povo que viram a sua posição privilegiada ameaçada pelos ensinamentos de justiça de Jesus; e ai o Filho de Maria foi preso, foi flagelado, tudo injustamente e injustamente condenado à morte. Assim a sociedade agia e reagia; quando se viam ameaçados os poderosos procurava dar um fim naquele que colocava em risco a sua sede de poder; e hoje a sociedade dos poderosos não mudou nada, continua tentando dar um fim a todos aqueles que se colocam no seu caminho e põem em risco a sua sede de poder.

Condenando o Filho, condenaram também a Mãe... Todos nós sabemos que, quando maltratamos Jesus, maltratamos também Maria; quando crucificamos Jesus, crucificamos também Maria. E hoje a figura de Maria se reflete em todas as mães condenadas a ver o sofrimento de sua família pela incompreensão dos ricos e poderosos.

A figura de Maria, a Mãe das Dores,  se reflete nas mães desesperadas que se encontram na cabeceira de um filho doente e agonizante, nas mães que carregam a cruz da pobreza e da miséria, nas mães que pedem esmolas para comprar um pão ou um litro de leite  para o seu filhinho que dorme de fraqueza em seus braços, nas mães abandonadas pelos maridos, nas mães abandonadas pelos filhos.

A figura de Maria, a Mãe das Dores, também se reflete nas mães que se vendem para não verem os seus filhos chorarem de fome ou morrerem na miséria.

Maria, a mulher forte. Condenada a assistir a morte de Jesus, Maria permanece de pé, junto da cruz de seu Divino Filho agonizante. Chorando, é claro, sofrendo desesperadamente, mas essa atitude de Maria dizia a todos que o seu gesto era o mesmo de Jesus, e ali estava Maria disposta a entregar-se também, para, a exemplo de Jesus,  ser também crucificada, se preciso for, para a salvação de todos os homens. E Maria permanece de pé, junto da cruz, até que tudo esteja consumado.

E Maria acompanha, com o coração traspassado não por sete, mas por milhões de espadas de dores, o último suspiro de seu adorado Filho.

Pessoas amigas retiraram o corpo inerte e massacrado de Jesus da cruz.

Maria recebe aquele corpo dilacerado com amor infinito e o cobre de beijos, passando suavemente sua virginal mão pela fronte ensanguentada de seu Filho, tentando ajeitar o cabelo já duro pelo sangue ressecado que já grudou na testa e no couro cabeludo.

Maria aperta aquele corpo inerte contra o seu peito, e o comprime contra o seu coração de mãe.           Nos braços de Maria, morto,  está o autor da vida.

Maria é o retrato fiel  de todas as mães que vêem seus filhos morrerem  injustamente por razões  que elas mesmas não entendem.

Maria é o retrato fiel das mães de todos aqueles que morreram nos incêndios de tantos prédios e casas, de todos aqueles que morrem nas enchentes do centro-oeste e do sul e na seca do norte e nordeste; Maria é o retrato fiel das mães de todos aqueles que morrem nas mãos dos sequestradores, marginais, e até, pela própria polícia; Maria é o retrato fiel das mães de todos aqueles que morrem todos os dias, às centenas, no transito, nos acidentes de trabalho ou pela negligência, inoperância e irresponsabilidade dos médicos e do sistema de saúde do governo, tanto municipal, como estadual e federal.  Maria, com o seu Filho morto nos braços, é o retrato fiel da dor, de uma dor que não tem consolo, e, se existe consolo, o único consolo para essa dor é saber que em tudo isso está sendo cumprida a vontade do Pai para a salvação de todos os homens.

Jesus está morto nos braços de Maria, mas o sofrimento de Maria continua, a crucificação de Maria  permanece sem fim. E numa situação dessa, o que devemos fazer?            O  que poderemos fazer? Devemos nos achegar a Maria e lhe dizer carinhosamente e dolorosamente: “Virgem Mãe Maria, o que poderíamos fazer neste momento senão chorar com a Senhora uma injustiça que nós mesmos cometemos? Como pode a Senhora nos receber como filhos se fomos nós mesmos que lhe causamos todas essas dores, todos esses sofrimentos? Foram os nossos pecados que crucificaram  e mataram o seu Divino Filho, e a Senhora, com todo o amor que tem em seu coração, ainda nos acolhe como filhos. Não dá para entender, Senhora. Somente um amor que vem de Deus é que pode refletir tanta misericórdia. Perdão doce Mãe, perdão pelo sofrimento que lhe causamos e, nesses momentos de dor, queremos permanecer com a Senhora junto da cruz de seu Divino Filho para podermos chorar os nossos pecados, as nossas ingratidões. Senhora, dê a nós o discernimento para que possamos entender o grande amor que Deus Pai tem por todos nós a ponto de nos dar o seu próprio Filho para que morresse por nossos pecados, e que morte mais dolorosa e violenta... a morte de cruz... Se não tem jeito de consolar a Senhora nesse momento, permita, pelo menos, que possamos chorar com a Senhora essa tão terrível dor...

sexta-feira, 16 de abril de 2021

 

SANTA BERNADETE SOUBIROUS – A VIDENTE DE LOURDES

 

Bernarda, era o nome a filha de Francisco Soubirous e Luisa Casterot, nascida em 7 de janeiro de 1844, em Lourdes, uma região montanhosa da França, os famosos Pirineus.

Mas era chamada pela forma carinhosa do nome no diminutivo: Bernadete. A família de camponeses era numerosa, religiosa e muito pobre. Desde a infância, a pequena tinha problemas de saúde em conseqüência da asma.

Era analfabeta, mas tinha aprendido a rezar o terço, o que fazia diariamente enquanto cuidava dos afazeres da casa. Numa tarde úmida e fria, Bernadete foi, junto com a irmãzinha e algumas companheiras, procurar gravetos.

Tinham de atravessar um riacho, mas ela se atrasou porque ficou com receio de molhar os pés, quando ouviu um barulho nos arbustos, ergueu os olhos e viu uma luz, dentro da gruta natural na encosta da montanha.

Olhando melhor, viu Nossa Senhora vestida de branco, faixa azul na cintura, terço entre as mãos, que a chamou para rezar.

Era o dia 11 de fevereiro de 1858. Quando chegaram em casa, a sua irmãzinha contou o ocorrido para os pais, que a proibiram de sair de casa. Bernadete chorou muito e adoeceu, então os pais deixaram que ela voltasse para lá. A aparição se repetiu, sete dias depois, quando Nossa Senhora lhe disse: "Não te prometo a felicidade neste mundo, mas no outro".

Voltou mais dezoito vezes, até 16 de julho, na gruta de Massabielle, nos montes Pirineus. O pároco da diocese, no início, mostrou-se incrédulo quanto às aparições, por isso disse a Bernadete: "Peça a essa senhora que diga o seu nome".

A resposta foi: "Eu sou a Imaculada Conceição". O que mais se admirou em Bernadete foi a sua modéstia, autenticidade e simplicidade. Compreendeu que tinha sido escolhida como instrumento para a mensagem que a Virgem queria transmitir ao mundo, que era a conversão, a necessidade de rezar o terço e o seu próprio nome: "Imaculada Conceição".

Bernadete sofreu muitas e pesadas provações para ser acreditada em suas visões, que só os numerosos milagres confirmaram como obra divina. Enquanto o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes se tornava um dos lugares mais visitados pelos peregrinos do mundo e a água da fonte era considerada milagrosa pelos devotos, Bernadete se recolhia na sombra. Ingressou na Congregação das Irmãs de Caridade de Nevers, sendo admitida no noviciado seis anos depois por motivo de saúde. Ao tomar o hábito definitivo, recebeu o nome de Maria Bernarda.

Mas nunca recebeu um privilégio das irmãs, parecia que essa frieza fazia parte de sua provação. Sempre bem-humorada, trabalhou como enfermeira no interior do convento, depois foi sacristã. Contudo sua doença se agravou e ela viveu nove anos numa cama, entre a vida e a morte.

Rezava não para livrar-se do sofrimento, mas para ter paciência e forças para tudo suportar, pois queria purificar-se para poder rever Nossa Senhora. Bernadete morreu em 16 de abril de 1879.

O papa Pio XI canonizou-a em 8 de dezembro de 1933, dia da Imaculada Conceição, designando sua festa para o dia de sua morte.

Também são lembrados neste dia: São Bento ou Benedito José Labre (peregrino mendicante), Santos Caio e Cremêncio (mártires de Zaragoza).

terça-feira, 13 de abril de 2021

 

PADRE DONIZETTI DE TAMBAÚ

 

O sacerdote brasileiro Donizetti Tavares de Lima, nascido em 3 de janeiro de 1882, foi beatificado depois que o Papa Francisco assinou o decreto que reconhece o milagre por sua intercessão.

Filho do advogado Tristão Tavares de Lima e da professora Francisca Cândida Tavares de Lima, nasceu na cidade de Cássia (MG), mas aos 4 anos mudou-se para a cidade de Franca (SP).

Ingressou no seminário diocesano aos 12 anos e, três anos mais tarde, cursou o colégio em Sorocaba (SP), mas depois voltou para o Seminário. Estudou Direito e depois Filosofia e Teologia para se preparar para o sacerdócio.

Recebeu a ordem sacerdotal em 12 de julho de 1908 e foi incardinado na Diocese de Pouso Alegre (MG), onde realizou seu trabalho pastoral na paróquia de São Caetano.

Mais tarde foi para a Diocese de Campinas (SP) e foi vigário da Paróquia Santa Mãe de Deus, em Jaguariúna (SP). Em 1909, foi nomeado pároco de Sant´Ana, em Vargem Grande do Sul, pertencente à Diocese de Ribeirão Preto (SP). Como pároco, destacou-se pelo intenso trabalho pastoral, ensinando o evangelho junto com uma forte dimensão social.

Assim, destacou-se pela defesa dos pobres e dos trabalhadores vítimas da exploração do trabalho. Por essa razão, recebeu uma injusta e falsa acusação de ser simpatizante do comunismo. Pelo contrário, sua missão estava profundamente enraizada no Evangelho e dizia que se inspirava em Nossa Senhora Aparecida para realizar seu trabalho pastoral.

Deste modo, construiu a igreja paroquial e duas capelas dedicadas a Nossa Senhora Aparecida e a São Benedito. Em 1926, foi nomeado pároco de Santo Antônio em Tambaú (SP).

Além disso, outra característica de seu trabalho evangelizador foi o compromisso de ensinar a religião verdadeira, afastada da idolatria e do sincretismo religioso que afetavam a sua comunidade que vivia uma religiosidade popular afastada do Evangelho.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

 

SANTA GEMA GALGANI - 1878-1903

 

Ao nascer, em 12 de março de 1878, na pequena Camigliano, perto de Luca, na Itália, Gema recebeu esse nome, que em italiano significa jóia, por ser a primeira menina dos cinco filhos do casal Galgani, que foi abençoado com um total de oito filhos.

A família, muito rica e nobre, era também profundamente religiosa, passando os preceitos do cristianismo aos filhos desde a tenra idade.

Gema Galgani teve uma infância feliz, cercada de atenção pela mãe, que lhe ensinava as orações e o catecismo com alegria, incutindo o amor a Jesus na pequena.

Gema aprendeu tão bem que não se cansava de recitá-las e pedia constantemente à mãe que lhe contasse as histórias da vida de Jesus. Mas essa felicidade caseira terminou aos sete anos. Sua mãe morreu precocemente e sua ausência também logo causou o falecimento do pai.

Órfã, caiu doente e só suplantou a grave enfermidade graças ao abrigo encontrado no seio de uma família de Luca, também muito católica, que a adotou e cuidou de sua formação.

Conta-se que Gema, com a tragédia da perda dos pais, apegou-se ainda mais à religião. Recebeu a primeira eucaristia antes mesmo do tempo marcado para as outras meninas e levava tão a sério os conceitos de caridade que dividia a própria merenda com os pobres.

Demonstrava, sempre, vontade de tornar-se freira e tentou fazê-lo logo depois que Nossa Senhora lhe apareceu em sonho. Pediu a entrada no convento da Ordem das Passionistas de Corneto, mas a resposta foi negativa.

Muito triste com a recusa, fez para si mesma os juramentos do serviço religioso, os votos de castidade e caridade, e fatos prodigiosos começaram a ocorrer em sua vida.

Quando rezava, Gema era constantemente vista rodeada de uma luz divina.

Conversava com anjos e recebia a visita de são Gabriel, de Nossa Senhora das Dores passionista, como ela desejara ser.

Logo lhe apareceram no corpo os estigmas de Cristo, que lhe trouxeram terríveis sofrimentos, mas que era tudo o que ela mais desejava.

Entretanto, fisicamente fraca, os estigmas e as penitências que se auto-infligia acabaram por consumir sua vida. Gema Galgani morreu muito doente, aos vinte e cinco anos, no Sábado Santo, dia 11 de abril de 1903.

Imediatamente, começou a devoção e veneração à "Virgem de Luca", como passou a ser conhecida. Estão registradas muitas graças operadas com a intercessão de Gema Galgani, que foi canonizada em 1940 pelo papa Pio XII, que a declarou modelo para a juventude da Igreja, autorizando sua festa litúrgica para o dia de sua morte.

São comemorados, também, neste dia: Santo Estanislau, Santo Isaac, Bem-aventurada Helena Guerra, Santo AGérico de Tours (abade), Santo Aido de Achad-Finglas (abade), Santo Antipas de Pégamo (bispo e mártir), São Filipe de Gortyna (bispo).

domingo, 11 de abril de 2021

 

FELIZES OS QUE NÃO VIRAM E CRERAM.” (Jo 20, 29).

 

SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA – DIVINA MISERICÓRDIA

Ano – B; Cor – Branco; Leituras: At, 4,32-35; Sl 117; 1Jo 5,1-6; Jo 20,19-31.

 

 

Diácono Milton Restivo

 

Estamos comemorando, neste domingo, a divina misericórdia do Pai.

A ressurreição de Jesus é uma realidade e a sua presença acontece em cada irmão, principalmente naquele mais necessitado, no pobre, no doente, no carente. Na quinta-feira, na última ceia de Jesus com seus discípulos e apóstolos, antes de Jesus instituir o sacerdócio e deixar para a sua Igreja a Eucaristia, Jesus foi o diácono por excelência, praticou a diaconia, isto é, o ato de caridade, de serviço para com os seus irmãos; lavou os pés dos seus apóstolos e:

“Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto, sentou-se de novo e perguntou: ‘Vocês compreenderam o que eu acabei de fazer? Vocês dizem que eu sou o Mestre e o Senhor. E vocês têm razão; eu sou mesmo. Pois bem, eu que sou o Mestre e o Senhor, lavei seus pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz. [...] Se vocês compreenderam isso, serão felizes se o puserem em prática.” (Jo 1312-15.17).

A igreja primitiva, conforme consta da primeira leitura tirada do livro dos Atos dos Apóstolos, seguiu fielmente o exemplo de diaconia ensinado e deixado por Jesus:

“a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum.” (At 4,32).

No encerramento da vida de Jesus e no início da vida da Igreja primitiva, fica patente as três mesas através das quais o cristão deve viver a sua vida e desempenhar o seu apostolado.

Primeiro: a mesa da Palavra:

“A Palavra se fez homem e veio habitar entre nós. E nós contemplamos a sua glória: glória do Filho único do Pai, cheio de amor e fidelidade.” (Jo 1,14).

A liturgia da Palavra é o desdobramento da Aliança de Deus com o seu povo, e é o comprometimento da Igreja ratificada na celebração litúrgica (cf AG 10). Onde se ouve a Palavra, se faz o discernimento e se ratifica a Aliança. Jesus Cristo é a Palavra do Pai encarnada em nossa humanidade. Segundo a carta aos Hebreus, no Antigo Testamento Deus falou com a humanidade de muitas maneiras; por fim manifestou-se na pessoa de Jesus Cristo:

“Nele Deus se expressou tal como ele é em si mesmo.” (Hb 1,1-4).

Segundo: a mesa da Eucaristia, a mesa do vinho e do pão. Depois do discernimento na Mesa da Palavra, a comunidade ratifica a Aliança no sangue de Jesus. Em Jesus Cristo a Aliança está completa, está realizada. É eterna. Então, ratificada a Aliança no vinho, sangue do cordeiro derramado, e no pão, corpo entregue, a comunidade de fé parte para a missão que brota da Aliança: a mesa do serviço da Caridade no Amor, que é a terceira mesa.

Terceiro: a Mesa da Caridade e do Amor, que se concretiza, basicamente, em duas afirmativas:

“Façam isso em memória de mim” (Lc 22,19) e “Deus é Amor” (1Jo 4,8).

Depois do discernimento da palavra e da ratificação da Aliança, a comunidade continua a celebração fora do templo, no serviço à Mesa da Caridade. A Igreja primitiva espelhou-se no seguimento e no discernimento dessa sequência: primeiro: ouviram e transmitiram a Palavra através da Mesa da Palavra:

“Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos...” (At 2,42a);  segundo: se alimentavam e se fortaleciam do pão e do sangue através da Mesa da Eucaristia:

“... na comunhão fraterna, no partir o pão e nas orações. [...] Diariamente todos juntos frequentavam o Templo e nas casas partiam o pão, tomando alimento com alegria e simplicidade de coração.” (At 2,42b) e, terceiro, auxiliavam-se mutuamente buscando socorrer a necessidade do irmão:

“Todos os que abraçavam a fé eram unidos e colocavam  em comum todas as coisas; vendiam suas propriedades e seus bens, e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um.” At 2,44-45).

Após a ressurreição de Jesus

“com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e todos eles gozavam de grande aceitação” (At 4,33) e, após terem participado da Mesa da Palavra, da Mesa da Eucaristia e da Mesa da Caridade,

“louvavam a Deus, eram estimados por todo o povo. E a cada dia o Senhor acrescentava à comunidade outras pessoas que iam aceitando a salvação.” (At 2,47).

O Evangelho narra que:

“ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana...” (Jo 20,19).

Era um primeiro dia da semana. Não era, portanto, uma segunda-feira. Era o dia da semana que o mundo cristão, posteriormente, passaria a chamar de “domingo”, isto é, Dia do Senhor.

Jesus havia sido crucificado na sexta-feira. Havia sido retirado da cruz e sepultado (Jo 19,38-42). Na manhã daquele primeiro dia da semana, daquele domingo, portanto, algumas mulheres haviam se dirigido até o sepulcro e lá não acharam o corpo do Senhor. A pedra que tapava a entrada do sepulcro estava removida (cf Jo 20,11-13):

“Eles, porém disseram: Porque você busca entre os mortos o que está vivo? Ele não está aqui, ressuscitou. Lembre-se do que ele disse, quando estava na Galiléia: Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos dos homens pecadores, seja crucificado, ressuscite ao terceiro dia.”(Lc 24,5-7).

E, nessa oportunidade, dois anjos vestidos de branco aparecem no túmulo de Jesus às mulheres e dizem que o Senhor havia ressuscitado como havia dito. (cf Lc 24,5-7). As mulheres vão e contam aos Apóstolos o acontecido, dizendo que o corpo do Senhor havia desaparecido. João, o Apóstolo amado e Pedro, dois Apóstolos queridos do Senhor, saíram correndo de onde estavam e dirigiram-se a toda pressa até o sepulcro onde, três dias antes, haviam depositado o corpo do Senhor, sem vida. Ao lá chegarem notaram que, realmente, a pedra de entrada do sepulcro havia sido removida e que o corpo do Senhor Jesus já não estava mais lá. Viram apenas alguns panos no chão, os mesmos panos que haviam envolvido o corpo inerte do Senhor. Ficaram confusos. Já não estavam entendendo mais nada.

O Senhor Jesus havia prometido que ressuscitaria ao terceiro dia, mas a fé dos Apóstolos ainda não era tão grande assim, a ponto de acreditarem de imediato na maravilhosa realização da promessa do Senhor. Não era para menos; depois de tudo o que o Senhor passou depois de seu corpo ter sido esmagado pelo sofrimento, era até impossível, humanamente falando, acreditar que realmente ele ressuscitaria.

E ainda mais: se ele tivesse realmente o poder para ressuscitar dos mortos, então porque se submeteu a tantas humilhações, a tantos sofrimentos?  Com o seu poder, ele poderia ter evitado tudo aquilo. Era realmente difícil acreditar que Jesus ressuscitasse dos mortos depois de tudo aquilo que fizeram com ele e por tudo que ele havia passado.

Mas algumas mulheres que foram até o sepulcro na madrugada de domingo vieram afirmando que dois anjos apareceram a elas e que afirmaram que o Senhor Jesus ressuscitara dos mortos como havia prometido. Acreditar naquelas mulheres naquela altura dos acontecimentos não era nada fácil; ainda mais que as mulheres na sociedade judaica e contemporânea de Jesus não tinham tanto crédito assim.  Aquelas mulheres haviam acompanhado o Senhor em toda a sua "via crucis" e, sem sombra de dúvida, por tudo aquilo que haviam presenciado seu estado emocional estava completamente arrasado: será que não tiveram uma alucinação coletiva?   

As dúvidas persistiam; talvez, na hora em que elas foram ao sepulcro ainda estava por demais escuro e, possivelmente, se confundiram com alguma coisa, viram algum vulto e deram asas à imaginação, e aumentaram na narração dos fatos, dizendo que haviam visto anjos vestidos de branco, e mais, até que haviam conversado com eles.

Por via das dúvidas, os Apóstolos Pedro e João, ainda que, a princípio, incrédulos, quiseram confirmar o fato "in loco", e foram correndo até o sepulcro. Chegando constataram que o corpo do Senhor lá não se encontrava.

  O boato de que haviam roubado o corpo de Jesus do túmulo que já corria pela cidade era que os seguidores fanáticos de Jesus haviam roubado o seu corpo para dizer que ele ressuscitara como havia prometido, porque:

 “Enquanto elas (as mulheres) iam a caminho, eis que foram à cidade alguns dos guardas e noticiaram aos príncipes tudo o que tinha sucedido. Tendo eles congregado com os anciãos, depois de tomarem conselho, deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: ‘Digam: Os seus discípulos vieram de noite e, enquanto nós estávamos dormindo, o roubaram. Se chegar isto aos ouvidos do governador, nós o aplacaremos e vocês estarão seguros’. Eles, recebido o dinheiro, fizeram como lhes tinha sido ensinado. E esta voz divulgou-se entre os judeus  e dura até o dia de hoje.” (Mt 28, 11-15). 

A situação estava muito confusa e ninguém poderia, em sã consciência, acreditar em nada por medo de ser enganado. E assim os Apóstolos, discípulos, mulheres e seguidores de Jesus passaram aquele dia na maior das angústias, todos reunidos e trancafiados em uma casa com medo dos judeus e sem saberem o que fazer.

Parecia que tudo havia terminado, e da forma mais triste e melancólica: Jesus havia sido julgado, condenado, crucificado, morto e sepultado. O remédio era cada um voltar para sua casa, esquecer tudo o que havia acontecido, retomar de novo seus afazeres e trabalhos, começar vida nova, porque, os momentos que passaram com Jesus foram, sem sombra de dúvida, maravilhosos, mas que não passaram de um sonho, e a realidade mostrava que tudo acabara tragicamente.  Tinham que se conscientizar que o Senhor Jesus morrera e eles ficaram sozinhos: essa era a triste realidade...

E, nessa angústia, o dia vai terminando, vai chegando a noite daquele primeiro dia da semana após o trágico fim de Jesus. As portas e janelas da casa onde eles estavam encontravam-se todas cuidadosamente trancadas por medo dos judeus, mas:

“Chegada, pois, a tarde daquele dia, que era o primeiro da semana, e estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se achavam juntos, com medo dos judeus, foi Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: ‘A paz esteja com vocês’. Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Alegraram-se, pois os discípulos ao ver o Senhor. Ele disse-lhes novamente: ‘A paz esteja com vocês’.” (Jo 20, 19-21).

Não havia mais dúvidas: o Senhor Jesus havia, em verdade, ressuscitado dos mortos e ali estava ele afastando qualquer dúvida, dirimindo qualquer suspeita e consolando os seus apóstolos e discípulos, afirmando:

“Porque vocês estão perturbados e que pensamentos são esses que sobem aos corações de vocês? Olhem para as minhas mãos e pés, porque sou eu mesmo; apalpem e vejam, porque um espírito não tem carne, nem ossos, como vocês vêem que eu tenho. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas, não crendo eles ainda e estando fora de si com a alegria, disse-lhes: ‘Vocês têm aqui alguma coisa que se coma’? Eles apresentaram-lhe uma posta de peixe assado e um favo de mel. Tendo-os tomado comeu-os à vista deles.” (Lc 24,38-43).

Mas... Em todas as histórias felizes há sempre um "mas"...; naquela oportunidade não estava ali presente um dos apóstolos, e não era outro senão Tomé que, ainda com o estado emocional abalado pelos acontecimentos, relutou em acreditar no que diziam os apóstolos.     

Quando Tomé retornou onde estavam todos os apóstolos, os apóstolos cheios de alegria e transbordando felicidade, correram para lhe dar a boa nova: o Senhor havia ressuscitado dentre os mortos:

“... Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles, quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: ‘Nós vimos o Senhor’. Mas ele disse-lhes: ‘Se não vir em suas mãos a abertura dos cravos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, não creio’.” (Jo 20, 24-25).       

Que lástima, diríamos nós; mas, quantos de nós somos iguais a Tomé; não temos fé, não acreditamos e fazemos pouco das verdades fundamentais das promessas e ensinamentos do Senhor Jesus.          Não cremos no poder do Senhor Jesus. Ainda hoje quantos de nós, como Tomé, duvidam que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos, que Jesus Cristo é o “Filho de Deus que se fez homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus”, enfim, que Jesus Cristo é o Filho de Deus.

Quantas vezes somos Tomé; quantos Tomé temos no nosso meio.

Mas... Sempre o mas...:

“Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, pôs-se no meio e disse: ‘A paz esteja com vocês’. Em seguida disse a Tomé: ‘Põe aqui o teu dedo, vê as minhas mãos, aproxima também a tua mão, põe-na no meu lado; e não seja incrédulo, mas fiel’.” (Jo 20, 26-27).           

Que susto deve ter tomado Tomé; ao Jesus lhe determinar que lhe tocasse, instintivamente Tomé levou a mão e tocou nas chagas dos cravos nas mãos e na ferida provocada pela lança no peito de Jesus e, vencido pala realidade dos fatos, em atitude de adoração, acreditando que realmente o Senhor Jesus jamais faltou com suas promessas e cumprira o que prometera que ressuscitaria ao terceiro dia, cai de joelhos e exclama:

Meu Senhor e meu Deus.” (Jo 20, 28). E o Senhor Jesus lhe adverte em tom de amargurada doçura:

“Você creu, Tomé, porque me viu; bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20, 29).                

Com essa sentença, o Senhor Jesus define o que seja fé: ter fé é exatamente acreditar naquilo que não se vê e nem se toca, mas confiar de corpo e alma nos ensinamentos e promessas que o Senhor Nosso Deus nos transmite de diversas maneiras, de um modo especial pelas Sagradas Escrituras e sua Igreja. Ter fé não é somente dizer que acredita; é, antes de tudo, viver o que acredita. Ter fé não é somente dizer que crê, mas, acima de tudo, viver o que crê.

E ainda hoje, depois de dois mil anos, quantos ainda colocam dúvidas sobre a ressurreição e a divindade do Senhor Jesus.

Vários seguimentos que se dizem religiosos ou filosóficos não aceitam a ressurreição de Jesus porque pregam a reencarnação e, bem por isso, colocam em cheque a divindade de Jesus Cristo.

E quantos se dizem cristãos e crentes e seguem essa filosofia perigosa que nega o que há de mais importante, sagrado e sublime na nossa fé: a ressurreição do Senhor Jesus e a sua natureza divina.

O Senhor Jesus ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e assim nos ensina o Apóstolo Paulo:

“E, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns entre vocês, que não há ressurreição dos mortos? Pois, se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou é, pois, vã a nossa pregação, é também vã a fé de vocês e somos assim considerados falsas testemunhas de Deus, porque demos testemunho contra Deus dizendo que ressuscitou a Cristo, ao qual não ressuscitou, se os mortos não ressuscitam. Verdadeiramente, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a fé de vocês, porque ainda vocês permaneceis nos pecados de vocês. Também, por conseguinte, os que adormeceram em Cristo, pereceram. Se nesta vida somente esperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas Cristo ressuscitou dos mortos, sendo ele as primícias dos que dormem, porque, assim como a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. E, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” (1Cor 15, 12-22).

O Senhor Jesus ressuscitou dos mortos. É a nossa fé quem nos garante. Não precisamos ser iguais a Tomé que necessitou tocar para crer.

Sejamos cristãos autênticos e não permitamos que crenças ou filosofias que negam a divindade e a ressurreição de Jesus Cristo coloquem dúvidas em nossas cabeças e enfraqueçam a nossa fé. Não aconteça que Jesus Cristo Ressuscitado se dirija a nós, como o fez a Tomé, e nos diga:

“felizes os que não viram e creram” (Jo 20,29).

 

sábado, 10 de abril de 2021

 

ONDE DEVEMOS BUSCAR REFÚGIO

 

Na Nossa vida temos momentos de ansiedade, de angústia, de tristeza, de expectativa. Isso é normal na vida de qualquer ser humano.

Todos nós já vivemos dias sombrios; quantas vezes vivemos momentos de alegria e de exaltação e, de repente, sentimos que uma nuvem negra cobre o nosso entusiasmo, e os nossos dias de sol radiante se transformam em dias escuros, negros e sem vida, e passamos por profundas depressões.

Pensamos, então, que tudo está perdido, que a vida não tem mais sentido, que a existência não tem mais graça, e que essa fase da vida por qual passamos não vai ter mais fim. São momentos terríveis que nos fazem sofrer profundamente.

Às vezes perdemos até toda a nossa esperança. Quando as nossas condições de saúde estão precárias, quando estamos mal no trabalho, quando o nosso ambiente familiar já não é mais aquele que desejaríamos e que sempre sonhamos que fosse, quando o relacionamento com o marido, com a esposa ou com os filhos está difícil, quando não vemos mais saída para nada, nós começamos a nos sentir inúteis e fracos.    

E, nesses momentos, nós procuramos refúgio em muitas coisas, em muitos lugares. Se não encontramos soluções para os nossos problemas com aquilo que fazemos ou nos lugares onde as buscamos, geralmente procuramos outras atividades ou estarmos em outros lugares que, na maioria das vezes, nos dá uma falsa segurança, uma falsa sensação de bem estar.          

Outro dia uma senhora me dizia que, quando entrava em depressão, ela fumava dois maços de cigarro por dia. Outras pessoas se apegam em remédios e buscam médicos, numa tentativa de acabar com a sua depressão, acabar com a sua angústia.

Outros, ainda, procuram frequentar lugares de intenso barulho, como bailes, reuniões festivas e muitas outras coisas mais para tentarem  fugir dos problemas que tem, tanto na família, como no trabalho, no dia a dia, no relacionamento com vizinhos e amigos.

Mas, nada disso resolve. A nossa  depressão, a nossa angústia vem de dentro, e a cura também, para isso, deve vir de dentro. Aquela senhora fuma dois maços de cigarro por dia para fugir de seus problemas, de suas frustrações, de suas angústias; fuma dois maços de cigarro por dia para não pensar nas coisas que a deprime.

Aquela outra gasta dinheiro com médicos e remédios e mesmo assim não encontra solução para os seus problemas. Outros, ainda, procuram frequentar lugares incompatíveis e perigosos, e com isso só aumentam a sua angústia, a sua tristeza, a sua depressão. E nós nos esquecemos do amor de Maria, nos esquecemos do colo de Maria, onde devemos nos refugiar quando nos afundamos nos nossos problemas.

Foi no colo de Maria que Jesus chorou muitas vezes, e encontrou refúgio e apoio como homem. Foi no colo de Maria que Jesus, como homem, aprendeu a superar os seus problemas, e, mais tarde ele chamou para si, como Deus, a responsabilidade de confortar, como sua mãe o confortou, e nós não podemos nos esquecer do chamamento de Jesus, que é o único médico, tanto dos problemas do corpo como da alma.

E Jesus nos diz: “Vinde a mim todos vocês que estão cansados, angustiados, que eu vos aliviarei. O meu peso é leve e o meu jugo é suave. Vinde a mim vocês todos.” Você, meu irmão, você minha irmã, que gasta dinheiro com cigarro, com médicos, com remédios, com diversões perigosas, para fugir dos seus problemas, se, ao contrario, você saísse de dentro de si próprio e fosse ao encontro do irmão necessitado, daquele que tem mais problemas que você, se, no momento de angústia e tristeza você saísse de  dentro de sua casa e fosse visitar um doente, sentira que nessa visita, além de ser um conforto para o irmão doente, vai ver que existe pessoas em pior situação que você. Se você for a um asilo visitar os velhinhos que lá estão esquecidos pela sociedade e esquecido por seus próprios filhos; se você for a um orfanato visitar as crianças que foram abandonadas nas tuas pelos pais; se você fosse a um hospital visitar os doentes que estão em fase terminal de vida, você viria que seus problemas são uma agulha perdida num palheiro. 

Se nas horas em que você não está fazendo nada em sua casa, a não ser pensando que você é a mais infeliz das criaturas,  e se preocupasse em fazer, com os retalhos que você joga fora, alguma roupinha de bebê, e fosse visitar uma mãe pobre que, talvez, não tem com que se vestir e vestir os seus filhos, você se sentiria bem melhor.

Se você, meu irmão, você minha irmã, saísse de dentro de si próprio e parasse de sentir dó de você mesmo, e começasse a se preocupar com o irmão necessitado, a sua angústia, a sua depressão sairia de suas almas e daria lugar à alegria cristã de ter parado de pensar em si próprio e de ter ido ao encontro do irmão necessitado. 


sexta-feira, 9 de abril de 2021

 

BEATA LINDALVA JUSTO DE OLIVEIRAMÁRTIR BRASILEIRA

 

Lindalva Justo de Oliveira, (nascida em Assu, Rio Grande do Norte, em 20 de outubro de 1953 e ma rtirizada em o9 de abril de 1993 na cidade de Salvador, Bahia, foi uma religiosa das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, proclamada beata mártir no dia 02 de dezembro de 2007. Lindalva nasceu no Sítio Malhada da Areia, no município de Assu, no Rio Grande do Norte.

Filha do segundo matrimônio do agricultor João Justo da Fé – viúvo com três filhos – com a jovem Maria Lúcia da Fé. Lindalva foi a sexta, dos treze filhos do casal.

Foi batizada no dia 07 de janeiro de 1954, na Capela de Olho D'Água, da Paróquia de São João Batista, pelo Monsenhor Júlio Alves Bezerra. Em 1961 a família muda-se para a sede do município de Assú, para possibilitar o estudo regular dos filhos do casal. João e Maria adquiriram uma casa e nela se estabeleceram.

Educada e orientada pelos pais na prática da piedade, da devoção e da caridade, manifestou precocemente sua inclinação para a vida de oração e para a prática da caridade para com os empobrecidos. Ainda jovem deu mostras de sua sensibilidade para com as necessidades alheias.

Em um episódio emblemático, a todos surpreendeu ao doar as próprias roupas aos pobres.

Ao concluir o ensino fundamental, aos 12 anos, fez sua primeira comunhão.

Teve uma adolescência e juventude comum – considerando a realidade rural do nordeste brasileiro – entre atividades escolares, brincadeiras e atividades domésticas. Cuidava dos sobrinhos, dos irmãos mais novos e de outras crianças.

Ajudava também, nos finais de semana, na lavoura. Era constante sua inclinação para ajudar os pobres, doentes e idosos. Lindalva Transferiu-se para a cidade de Natal, capital do Rio grande do Norte para continuar os estudos. Passou a residir com a família de seu irmão Djalma.

Em 1979, concluiu o ensino médio na Escola Helvécio Dahe. Cooperava na educação de seus sobrinhos e nos afazeres da casa. Entre seus amigos teve alguns namoros. De 1978 a 1988 trabalhou em algumas empresas. O dinheiro que ganhava, enviava á família em Assu, ficando com pouco para o seu uso pessoal.

Nos anos que morou em Natal frequentou a casa das Irmãs da Caridade e trabalhou como voluntária no Instituto para os Anciãos.

Em 1982 seu pai faleceu de um câncer no abdomem, tendo tido a assistência de Lindalva nos últimos meses de vida. Após a morte do pai, iniciou um curso de técnica em enfermagem, bem como de violão.

Sua vida religiosa come çou quando as irmãs religiosas notaram sua natural propensão a ajudar as crianças e marginalizados. Era tomada de uma sincera alegria quando servia os anciãos e exortava aqueles que os serviam a fazê-lo com sincero amor.

A partir de 1986 passou a frequentar o movimento vocacional das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, iniciando o seu processo de discernimento vocacional à vida religiosa.

No final do ano de 1987, pediu ingresso na congregação.

No dia 28 de novembro de 1987 recebeu o sacramento do crisma das mãos de Dom Nivaldo Monte, arcebispo de Natal.

No dia 28 de dezembro do mesmo ano recebe carta da madre provincial das Filhas da Caridade aceitando-a ao postulantado da congregação. Lindalva inicia seu postulantado – que é um período preparartório ao nokviciado – no dia 11 de fevereiro de 1988, em Recife, na Casa Provincial das Irmãs da Caridade. Pediu seu ingresso no noviciado no dia 03 de junho de 1989, “com o mais profundo ideal de servir a Cristo nos pobres.”

No dia 16 de julho de 1989, dia de Nossa Senhora do Carmo, Lindalva e outras cinco companheiras iniciaram o noviciado em Recife. Tendo encerrado o noviciado, Irmã Lindalva emite votos simples de pobreza, castidade e obediência.

No dia 29 de janeiro de 1991, Irmã Lindalva é enviada para a Bahia, onde trabalhará no Abrigo Dom Pedro II, no bairro do Roma, na cidade baixa, em Salvador.

Esta instituição, fundada em 1887, presta assistência a idosos empobrecidos. Irmã Lindalva é destinada a um pavilhão que atende a 40 anciãos. Todos os testemunhos colhidos para o processo de beatificação relatam sua simplicidade, cordialidade e alegria com que tratava a todos. Realiza serviços simples e humildes para os idosos internos.

Durante um retiro espiritual, em janeiro de 1993, parafraseando São Vicente de Paulo, afirma sentir-se mais realizada e feliz no seu trabalho que o Papa em Roma.

Em janeiro de 1993, devido a uma recomendação, o abrigo teve que acolher entre os anciãos Augusto da Silva Peixoto, homem de 46 anos, que não tinha direito de ser interno por não se enquadrar na situação de ancião em virtude de sua idade. Ele passou a assediar frequentemente a Irmã Lindalva, e tornou-se insistente e inconveniente.

A religiosa, com medo, procurou afastar-se o mais que pode de Augusto. Narrou a situação a outras irmãs e intensificou sua vida de oração.

Seu amor aos idosos a mantiveram no abrigo, e chegou a confidenciar a uma coirmã: “prefiro que meu sangue seja derramado do que afastar-me daqui”.

Os internos repreendem Augusto e insistem para que Irmã Lindalva relate o fato ao diretor do serviço social do abrigo. No dia 30 de março a funcionária Margarita Maria Siva de Azevedo, repreende Augusto.

Augusto dirigiu-se à Feira de São Joaquim no dia 05 de abril, Segunda-feira da Semana Santa, e comprou uma faca tipo peixeira que amolou ao chegar no abrigo.

No amanhecer do dia 9 de abril, Sexta-feira Santa, Irmã Lindalva participou da Via-Sacra, na paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Ao regressar, serviu o café da manhã aos idosos, como de costume. A irmã – ocupada com o serviço – não percebeu que Augusto se aproximava.

Foi surpreendida com um toque no ombro. Ao virar-se, recebeu os golpes que lhe tiraram a vida. Um senhor ainda tentou intervir; mas Augusto ameaçou de morte quem ousasse se aproximar.

Após o crime, o assassino foi esperar a polícia sentado em um banco, na frente do abrigo. Após condenação, foi internado em um manicômio judiciário.

Os médicos legistas identificaram 44 perfurações no corpo da religiosa.

Imediatamente seu assassinato foi identificado pela comunidade católica como martírio, e associaram a tragédia às celebrações da Sexta-Feira da Paixão. Sua beatificação aconteceu no dia 02 de dezembro de 2007 na cidade de Salvador, Bahia, pelo pala Bento XVI.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

 

NOSSA SENHORA DA PENHA

 

Nossa Senhora da Penha de França ou Nossa Senhora da Penha é um dos nomes que recebe Maria, Mãe de Jesus, que acreditam os católicos, apareceu à Simão Vela no norte da Espanha, numa serra chamada Penha de França. Lá, sua festa é comemorada no dia 8 de abril.

Em São Paulo ocorre a cada 8 de setembro e em Resende Costa, onde é padroeira, comemora-se no dia 1° de setembro. Existia no norte da Espanha uma serra muito alta e íngreme chamada Penha de França, na província de Salamanca, na qual o rei Carlos Magno teria lutado contra os mouros.

Por volta de 1434, segundo algumas fontes históricas no dia 19 de maio, certo monge francês sonhou com uma imagem de Nossa Senhora que estava enterrada no topo de escarpada montanha,em razão de uma guerra entre franceses e muçulmanos, na qual os católicos escondiam suas imagens para não serem destruídas, cercada de luz e acenando para que ele fosse procurá-la. Simão Vela, assim se chamava o monge, durante cinco anos andou procurando a mencionada serra, até que um dia teve indicação de sua localização e para lá se dirigiu.

Após três dias de intensa caminhada, pela razão de segundo ele próprio, em seus êxtases ouvir sempre a advertência divina: "Simão, vela e não durma!" (pelo que passou a adotar o sobrenome de Vela, como ficou conhecido), escalando penhas íngremes, o monge parou para descansar, quando viu sentada perto dele uma formosa senhora com o filho ao colo que lhe indicou o lugar onde encontraria o que procurava.

Auxiliado por alguns pastores da região, conseguiu achar a imagem que avistara em sonho. Construiu Simão Vela uma tosca ermida nesse local, que logo se tornou célebre pelo grande número de milagres alcançados por intermédio da Senhora da Penha, e mais tarde ali foi construído um dos mais ricos e grandiosos santuários da cristandade.

São comemorados, também, neste dia: Santa Júlia Billiart, São Gualter (confessor), Santo Edésio de Alexandria (mártir), Santo Amâncio de Como (bispo), Santa Concessa de Cartago (mártir), São Dionísio de Corinto (bispo), São Frutuoso de Braga (monge e bispo), Santa Máxima, São Gulater e São Valter de Pontoise.