quarta-feira, 23 de março de 2022

 

MARIA ESTÁ COM O POVO SIMPLES, HUMILDE E POBRE.

 

Maria está com o povo simples, humilde e pobre. O povo humilde e pobre está com Maria.    O povo pobre e humilde é como o apóstolo João, o único que não fugiu quando Jesus Cristo foi preso e crucificado, e que ficou com Maria aos pés da cruz, no Calvário, naquela triste e sombria sexta-feira. O povo pobre e humilde, como João, fica junto de Maria, não foge, não tem medo de sofrer. O povo pobre e humilde já sofre tanto.

Mas não fica aos pés da cruz sozinho: Maria está com ele. Ainda hoje o povo pobre e humilde fica junto de Maria aos pés de tantos irmãos que estão morrendo de fome ainda hoje, de inanição, de desprezo dos ricos e dos poderosos; o Cristo continua morrendo hoje nos pobres e desvalidos, como morreu na cruz do Calvário, sob o s olhos tristes e amargurados de sua Santíssima Mãe, Maria. Chegando ao Calvário, o povo pobre não fala; só fica olhando, como João ficou olhando, marcando presença. Jesus também não fala.        

Só fica rezando do alto da cruz. E ai, no silêncio daquela dor, os olhos de Jesus repetem  as mesmas palavras que foram ditas e ouvidas pela primeira vez no Calvário da Palestina, conforme nos narra em seu Evangelho João: “Quando Jesus viu a sua mãe e perto dela o discípulo (o povo) a quem amava tanto, disse à sua mãe: “eis ai o teu filho”; e em seguida disse a ele (o povo);  “e esse discípulo, esse povo, levou a mãe de Jesus para morar na sua casa daí em diante.” (Jo 19, 26-27).

Desde quando Jesus, do alto da cruz, pouco antes de morrer, pronunciou aquelas palavras, o povo humilde nunca mais se separou de Maria, o povo pobre levou Maria para sua casa, e o povo simples carrega Maria dentro do seu coração para onde quer que for.

Foi Jesus quem  mandou. Foi a última vontade de Jesus. Senhor Nosso Deus cumulou Maria de riquezas. Riquezas espirituais. Jesus deu à Maria todos os homens para serem seus filhos.

Maria tem a todos nós por filhos, e todos nós temos Maria por mãe; a mãe de Deus é também a nossa mãe, e, através de Maria somos filhos do mesmo Pai e irmãos de Jesus Cristo.

Mas, que quando Jesus nos deu Maria por mãe até os nossos dias, o tempo andou estragando a imagem que o povo simples e humilde tem de Maria. Ladrões vieram e roubaram a sua beleza, a sua pureza, as suas jóias espirituais.

Já não é tão fácil reconhecer  em Maria toda a beleza, toda humildade que Deus, o artista supremo, colocou em Maria, quando disse: “Eis ai a sua mãe”. (Jo, 19, 27). Se fosse possível restaurar e renovar a imagem  de Maria sem destrui-la, se deformá-la.

Restaurar a imagem de Maria de tal maneira que nela transparecesse melhor a imagem de Deus, a mensagem de Deus ao povo, e que aparecesse bem claramente aos olhos de todos o testemunho que Maria nos deu da sua fé em Deus e da sua dedicação à vida.

Renovar a imagem de Maria de tal maneira, para que essa imagem voltasse a ser um espelho limpo e não embaçado para que o povo pobre e simples pudesse contemplar a sua cara de gente, o seu rosto de criatura obra prima do Senhor, a sua cara de filha de Deus, pobre, humilde e simples, como o seu povo pobre, simples e humilde, e pudesse, através disso tudo descobrir a missão de Maria no mundo de hoje. Se fosse possível limpar esse espelho.      

Um dia esse sonho vai se tornar realidade.     

Mesmo que por ora não sejamos capazes de enxergar toda a beleza da qual o Senhor Nosso Deus cumulou Maria, a gente sabe e imagina que, dentro dessa beleza um segredo muito importante para a vida.

Por isso o povo pobre e humilde carrega consigo, por onde for, a devoção e o amor a Maria.

E esse dia, quando chegar, transformará a sexta-feira santa no domingo de Páscoa e a procissão do Senhor morto  numa procissão festiva de ressurreição e vida.

E, para que isso aconteça, Maria, vós que sois a Mãe de Deus, a Mãe da Igreja e a nossa Mãe, nós que somos o povo humilde e pobre que se coloca sob vossa proteção e que confia em vós, vos pedimos que nos mostrais o vosso verdadeiro rosto de “escrava do Senhor”, e deixe transparecer toda a beleza espiritual com que o Senhor vos cumulou. Atendei aos nossos apelos e apresentai-nos ao vosso filho, Jesus, para que ele nos receba como seus discípulos e para fazermos tudo aquilo que ele nos ordenar fazer para a maior glória de Deus.

terça-feira, 22 de março de 2022

 

MARIA NO PLANO DE SALVAÇÃO

 

“Quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.” ((Mt 23, 12). Esta é a palavra do Senhor, e a palavra de Deus jamais pode falhar. Havia Deus determinado fazer-se homem para remir o homem decaído, e assim manifestar ao mundo a sua bondade infinita. Devendo Deus, para isso, escolher uma mãe nesta terra, andava buscando entre todas as mulheres qual fosse a mais santa e humilde.        Entre todas as mulheres, Deus observou uma, a Virgenzinha de Nazaré: Maria, que, quanto mais era perfeita nas virtudes, tanto mais simples e humilde era no conceito de Deus.

Nas Sagradas Escrituras, no Livro dos Cânticos, Deus já havia dito: “Há um sem número de virgens a meu serviço - diz o Senhor -, mas uma só é a minha pomba, a minha eleita” (Cant 6, 7-8). Por isso, disse Deus: “Seja essa humilde virgenzinha de Nazaré  a escolhida para ser a minha mãe.” Maria, a mais humilde das criaturas de Deus e a que Deus mais exaltou.

Na encarnação do Verbo Maria não podia humilhar-se mais do que se humilhou, e Deus não podia  exaltá-la mais do que a exaltou. E Deus manda o seu Anjo a uma Virgem chamada Maria. “E o anjo entra e saúda Maria, dizendo: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo...” (Lc 1, 28).

Deus te saúda, Maria, ò Virgem cheia de graça, pois foste sempre rica da graça, acima de todos os santos. O Senhor é contigo porque és tão humilde. Bendita és tu entre as mulheres, porque todas as outras mulheres nasceram com a mancha do pecado e incorrem na maldição da culpa, mas tu, porque havias de ser a mãe do Bendito, és e serás sempre bendita e isenta de toda a mácula, de todo pecado.

A Santíssima Virgem Maria era bem instruída nas Sagradas Escrituras, e assim conhecia que já era chegado o tempo predito pelos profetas para a vinda do Messias...

Bem sabia Maria que uma virgem devia ser a mãe do Messias. Maria ouve o anjo dar-lhe aqueles louvores que pareciam servirem unicamente a uma Mãe de Deus.           Mas, na sua humildade, Maria jamais poderia imaginar que seria ela a escolhida para ser a Mãe de Deus.        Na sua grande humildade, aqueles elogios serviram apenas e tão somente para fazê-la entrar num grande temor; e o anjo tenta animar a Virgem assustada, dizendo: “Não tenhas medo, Maria, porque achaste graça diante de Deus!”.

Ò Maria, Aos teus olhos, é verdade, és tão pequena  e insignificante, mas Deus exalta os humildes, e Deus te fez digna de achar a graça perdida pelos homens., por isso te fez Imaculada, te preservou da mácula comum a todos os filhos de Adão; por isso, desde a tua conceição o Senhor te ornou de uma graça maior que a de todos os santos; por isso, finalmente, agora o Senhor te exalta a ser a sua Mãe e, pela boca do anjo, o Senhor te diz: “Eis que conceberás em teu seio e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus.” (Lc 1, 31).

E dito isso pelo anjo, o Senhor fica esperando a resposta da Virgem. A história do mundo para por uns instantes, instantes que parecem eternidade; será que os homens vão receber a salvação por meio daquela virgenzinha, ou tudo vai continuar da maneira que era antes? Tudo vai depender da resposta da Virgem.

E é São Bernardo quem nos diz, em uma oração cheia de súplica ardente: “Senhora, o Anjo espera a tua resposta; e todos nós, que já estamos condenados à morte, com muito mais ansiedade a esperamos. Deus te oferece, Senhora, o preço da nossa salvação que será o Verbo Divino que se fará homem no teu ventre. Se a Senhora o aceitar por filho, seremos imediatamente livres da morte.

O mesmo Senhor nosso, pelo muito que está enamorado de tua beleza, muito deseja o teu consentimento, por cujo intermédio determinou salvar o mundo.   Responda, Senhora, depressa; não retardes mais ao mundo a salvação que agora só depende do teu consentimento.”

E eis que Maria responde ao Anjo, dizendo: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc, 1, 38).         Esta foi a resposta mais bela, , mais humilde e mais prudente que nem toda a sabedoria dos homens e dos anjos juntamente teria podido inventar...

Ò resposta poderosa que alegraste o céu e trouxeste à terra um mar imenso de graças e de bens.            Resposta, que apenas saída do humilde coração de Maria, atraíste do seio do Pai Eterno o Filho Unigênito para fazê-lo homem no seio puríssimo de Maria.

Com efeito, mal foram pronunciadas as palavras: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”,  e já o Filho de Deus passou a ser também Filho de Maria.

            Com um “faça-se”, Deus criou a luz, o céu e a terra, mas, com esse “faça-se”  de Maria um Deus se tornou homem como nós.

(do livro “Glórias de Maria Santíssima” de Santo Afonso Maria de Ligouri - pg de 241 a 244). 

segunda-feira, 21 de março de 2022

 

MARIA ACREDITOU

 

O Evangelho de Mateus narra que, em determinado dia, Jesus estava pregando e sua mãe e irmãos procuravam falar com Ele.

Ao ser informado disso, Jesus respondeu: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?"; em seguida, apontou para todos os que ali estavam e disse: "Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe." (Mt 12,46-50).

Igualmente, no Evangelho de Marcos e de Lucas, o mesmo evento é narrado, mas, o que Jesus quis ensinar com essas palavras aparentemente duras? Não parece possível que Ele tenha realmente desprezado ou feito pouco caso de sua mãe. Basta recordar a passagem referente ao jovem rico, quando Ele diz que, para entrar no Reino do Céu, é preciso honrar pai e mãe: "Alguém aproximou-se de Jesus e disse: ‘Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?’ Ele respondeu: ‘Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos’. - ‘Quais’, perguntou ele. Jesus respondeu: Não cometerás homicídio, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra pai e mãe, ama teu próximo como a ti mesmo." (Mt 19,16-19).

Mais plausível seria pensar que Jesus desejasse mostrar, nessa passagem, que a salvação não estaria mais ligada ao sangue do povo judeu e ensinando, assim, que o novo povo de Deus deve ser baseado na fé e na obediência à vontade divina.

No Antigo Testamento, para uma pessoa ser inserida no ‘povo de Deus’, bastava o nascimento; não era preciso fazer nada, poder-se-ia dizer que a salvação era genética. Evidentemente que, por causa disso, os judeus desprezavam aqueles que não faziam parte da ‘raça eleita’, os goyn, os gentios. O que Jesus faz, portanto, é quebrar o paradigma dos laços sanguíneos. Alguns versículos antes do episódio com sua mãe,

Ele havia sinalizado esse novo modo de ser povo de Deus quando disse: "Então, alguns escribas e fariseus disseram a Jesus: ‘Mestre, queremos ver um sinal da tua parte.’ Ele respondeu-lhe: ‘Uma geração perversa e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas. De fato, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no ventre da terra. No dia do Juízo, os habitantes de Nínive se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão, pois eles mostraram arrependimento com a pregação de Jonas. No dia do Juízo, a rainha do Sul se levantará juntamente com esta geração e a condenará; pois ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, e aqui está quem é mais do que Salomão" (Mt 12,38-42).

Ora, a ‘geração perversa e adúltera’ a que Jesus referiu-se são os judeus, a raça eleita. Jonas não queria pregar em Nínive, como é sabido, porque lá eram todos gentios; no entanto, ele prega e os ninivitas se convertem.

Da mesma forma, a rainha de Sabá, uma mulher negra, etíope, não pertencia ao povo de Israel, mas ela ouve a mensagem de Salomão. Logo, o que Jesus está fazendo é escandalizar os judeus ao seu redor, dizendo que o que passa a valer é a conversão, é fazer a vontade de Deus, obedecendo os mandamentos e não mais apenas os laços de sanguíneos.

A "nova" família de Jesus é formada por aqueles que fazem a vontade de Deus que está no céu. O novo povo de Deus está baseado, portanto, na fé.

Nesse intermeio, Maria Santíssima passa a ser honrada não tanto por ter dado a carne ao Salvador, mas por tê-lo concebido na obediência: "Faça-se em mim segundo a Tua vontade" (Lc 1,38). É por isso que justamente esta passagem controversa dos Evangelhos é usada pela Igreja para as missas em honra à Maria, a Nossa Senhora.

No missal de Pio V, utilizado até o ano de 1969, nas missas votivas de Nossa Senhora, o Evangelho proclamado era sempre esse. Portanto, Jesus não desprezou sua mãe com essas palavras. A mãe de Jesus é aquela que faz a vontade do Pai. A graça maior de Maria Santíssima foi ter acreditado e feito a vontade de Deus em sua vida. 

domingo, 20 de março de 2022

 

AVE MARIA, CHEIA DE GRAÇA...

 

Uma das primeira orações, senão a primeira oração que a nossa mãe ou a nossa avó nos ensinou a rezar, com certeza, foi a oração da Ave Maria. Desde pequeninos repetimos essa saudação mariana sem sabermos qual realmente é o seu significado e de onde veio.

A primeira parte da oração da Ave Maria, quando rezamos “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre”,  tem a sua origem no Evangelho de Lucas, e, bem por isso, é uma oração evangélica, é uma oração bíblica.

Quando o Anjo Gabriel visitou Maria e levou para ela o convite do Senhor para ser a Mãe do Filho de Deus, ele entrou na casa de Maria e a saudou, dizendo: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco.”, conforme vemos no Evangelho de Lucas, 1, 28.

Quando Maria visitou sua prima Isabel, porque Isabel estava grávida de João Batista e Maria grávida de Jesus Cristo, e que as duas mulheres se encontraram, Isabel ficou repleta do Espírito Santo e recebeu Maria, dizendo: “Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre.”, conforme vemos no Evangelho de Lucas, 1, 42.

Juntando as palavras do Anjo com as palavras de Isabel, temos, então: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre.”, formando, desta forma, a primeira parte da oração da Ave Maria.   Muito mais tarde os cristãos juntaram a essas palavras uma oração de súplica, e acrescentaram: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte, Amém”.

 Então, como vemos e repito, a primeira parte da oração da Ave Maria é totalmente evangélica, é na essência, bíblica, porque se encontram no Evangelho de Lucas, no capítulo primeiro e versículos 28 e 42. A segunda parte, a oração da Santa Maria, é um grito de socorro dado pelos primeiros cristãos, que suplicavam o auxílio de Maria no momento atual de suas vidas e principalmente na hora tão cruciante da morte, e é mantida até os nossos dias, que não rezamos a Ave Maria sem a sua segunda parte, a Santa Maria, que no final das contas se tornaram em apenas uma oração. Depois da oração do Pai Nosso, que nos foi ensinada pelo próprio Senhor Jesus Cristo, não há outra oração mais conhecida no mundo todo entre os cristãos que a oração da Ave Maria.    Desde o início da Igreja de Jesus Cristo, multidões e multidões de cristãos repetem a oração da Ave Maria com uma confiança inabalável e redobrada na intervenção de Maria para resolver todos os problemas, seja de saúde, financeiro, ou de confirmação na fé.

E não tem conta as vezes que rezamos a oração da Ave Maria. Cada terço rezado são cincoenta vezes que repetimos a oração da Ave Maria; cada rosário são cento e cincoenta vezes a mesma oração da Ave Maria que repetimos. Dificilmente encontramos no Brasil alguém que não tenha rezado uma Ave Maria, nem que seja pelo menos uma vez; dificilmente encontramos no Brasil alguém que não saiba rezar uma Ave Maria.          Quando queremos chamar alguém totalmente ignorante em assunto de religião costumamos dizer: “ele não sabe rezar nem uma Ave Maria”.; ou quando alguém quer dizer que não sabe nada mesmo de religião, a pessoa diz: “não sei nem a Ave Maria.” Para muita gente aprender a oração da Ave Maria é o começo da instrução religiosa.

O “Ave” que o Anjo Gabriel  dirigiu à Maria seria como o cumprimento de alguém que acaba de chegar dirigida à pessoa que está ali, presente. O “Ave”, ou “Salve” é como se nós disséssemos um bom dia, boa tarde ou boa noite a alguém, cumprimentando aquela pessoa.

O Anjo Gabriel, ao adentrar onde estava Maria a saudou, dizendo : “Ave Maria”, como se dissesse: “Boa tarde, Maria. O Anjo Gabriel cumprimentou Maria como se a conhecesse de longa data, como realmente a conhecia de longo tempo. Maria era pessoa  da amizade íntima de Deus; Maria era íntima de Deus e o Anjo a cumprimentou com essa amizade, com essa intimidade.

E nós, todas as vezes que recitamos a oração da Ave Maria, cumprimentamos Maria com uma saudação toda especial vinda do céu, da parte do Senhor Nosso Deus. Todas as vezes que rezamos: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,” nós dizemos: “eu te saúdo Maria, porque és a preferida do Senhor que te encheu de presentes e de santidade e por isso mereceste a, graça de ser a Mãe  do Nosso Salvador. Deus está por todo o sempre contigo...”

sábado, 19 de março de 2022

 

SÃO JOSÉ – ESPOSO DE MARIA

 

 “A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes de coabitarem, achou-se grávida pelo Espírito Santo.” (Mt 1,18). Maria era noiva de José.   Mas, quem era José? Mateus, em seu Evangelho, 1,16, nos diz que José era filho de Jacó, enquanto que Lucas em seus escritos, 3,23, diz que o pai de José se chamava Eli, mas ambos os Evangelistas são unânimes em afirmar que José era descendente do rei Davi (Lc 3,23-31; Mt 1,20). Segundo o Evangelista Mateus, José tinha como profissão ser carpinteiro, quando se referiu a Jesus Cristo:  “Não é ele o filho do carpinteiro?” (Mt 13,55), e Marcos também se referencia a Jesus dessa maneira: “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria...?”  (Mc 6,3).

Segundo a tradição, a noiva, na época, firmava compromisso com o noivo, dos doze aos quinze anos de idade, e o jovem varão, dos dezoito aos vinte anos de idade.

O casamento acontecia quando os jovens se comprometiam e ficavam noivos, isto é, casavam-se, mas não coabitavam, não iam morar juntos, como acontece nos nossos dias; o rapaz ia montar a sua casa e depois de ter tudo pronto, casa, móveis e tudo o mais que fosse necessário para uma vida a dois, é que o noivo ia na casa dos pais da noiva buscá-la para coabitarem.

Justifica-se, então, a afirmativa do Evangelista Mateus: “... Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes de coabitarem, achou-se grávida do Espírito Santo.” (Mt 1,18). Está claro, principalmente pelas dúvidas que habitaram a cabeça de José quando notou Maria grávida, que eles não tiveram contatos íntimos.

Para entendermos melhor os problemas pelos quais passaram José e Maria por ocasião da visita do Anjo, se faz necessário que estudemos e meditemos muito sobre a Anunciação do Anjo em si e sobre a entrega total de Maria nas mãos de seu Deus e Senhor. Maria aceitou ser a mãe do Filho de Deus: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1,37).

Maria já estava comprometida em casamento com José, mas ainda não haviam coabitado, e pela afirmativa de Maria, ela e José “não usaram legitimamente de todos os direitos do matrimônio”. E o Anjo lhe respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus.” (Lc 1,35).

E para que nenhuma dúvida pairasse no ar, o Anjo continua: “Para Deus, com efeito, nada é impossível.” (Lc 1,37).

Maria, simplesmente, mesmo sem entender como isso poderia acontecer, confia plenamente na palavra do Senhor, entrega-se totalmente em suas mãos e responde ao Anjo: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1,38).

A partir daquele momento Maria “achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1,18) e começa a trazer dentro de si, no seu ventre, o Filho de Deus, nascido de mulher, sem a participação de homem algum: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1,14).

De repente, sem uma explicação razoável aos olhos do povo e ao coração do jovem noivo José, aquela jovenzinha meiga, pura e casta, aparece grávida. Poderíamos imaginar a repercussão desse fato numa cidade tão pequena: as comadres, as fofocas...

Uma moça jovem, solteira, de boa reputação, de família exemplar, bem quista, noiva de um excelente e querido jovem de todos na cidade, de repente... Aparece grávida... Ainda tem mais uma agravante. Logo depois da visita do Anjo, ao tomar conhecimento que sua parenta Isabel, mulher de idade avançada, estava no sexto mês de sua gravidez, “... Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá.” (Lc 1,39).

Ao saber das dificuldades que sua parenta Isabel, mulher já de idade avançada teria, principalmente no final de sua gravidez, Maria não pensou em si e muito menos no seu estado também de gravidez, e “se pôs a caminho para a região montanhosa” onde morava Isabel, e segundo as Escrituras, Maria ficou na casa de Isabel até o nascimento do filho de Isabel, isto é, pelo espaço de três meses, considerando que o Anjo lhe dissera que  “Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice, e este é o sexto mês...”  (Lc 1,36).

Após o nascimento do filho de Isabel, João Batista, Maria retornou para a sua pequena cidade. Maria havia saído de sua cidade sem nenhum enfoque de gravidez.

Ao retornar para a sua cidade, possivelmente quatro meses depois, considerando os três meses que ficara com Isabel e, possivelmente um mês que gastou na viagem, porque era longa, a gravidez de Maria já se fazia notar.

A transformação da gravidez, com certeza, era patente no seu corpo. José não sabia de nada e, com certeza, como todos os demais, surpreendeu-se com aquilo.

O povo da localidade sabia menos ainda. Maria deixou sua cidade e ficou ausente por aproximadamente quatro meses e, quando dali saiu, estava no seu estado aparentemente normal, e quando volta, acusa sinais de gravidez.

O que deve ter passado na cabeça de cada um de seus conhecidos e do povo em geral daquela curritela?  De quem seria o filho? De José?  Mas era público e notório que José não havia acompanhado Maria enquanto ela esteve por aquele tempo na casa de Isabel. Imaginem os mexericos das comadres, das fofoqueiras nos portões, nas esquinas, por sobre os muros e cercas; como devem ter falado de Maria... Maria permanecia do mais profundo dos silêncios. Se Deus a colocara naquela situação, Deus cuidaria dela. E José? O que teria passado pela cabeça de José?

Maria, a sua Maria, a jovenzinha de seus sonhos a quem ele depositara toda a sua confiança, todo o seu amor, todo o seu futuro, de repente, sem uma explicação razoável e sem que ela se explique, aparece grávida. Ele não tivera participação nisso. Não fora ele. Ele era inocente. Se tivesse sido ele, com certeza, pelo seu caráter e retidão e temor a Deus, assumiria o seu gesto e, sem sobra de dúvida, levaria Maria de imediato para a sua casa, pois eles já estavam comprometidos em matrimônio. Mas não fora ele!

Maria permanecia no mais profundo dos silêncios... José era um jovem justo e temente a Deus, e, bem por isso, gostava das coisas certas. Maria não disse nada a José.  José não perguntou nada a Maria. E a lei do povo judeu era severa, extremamente severa e determinava: “Se uma jovem virgem, prometida a um homem, e um homem a encontra na cidade e se deita com ela, trareis ambos à porta da cidade e os apedrejareis até que morram; a jovem por não ter gritado por socorro na cidade, e o homem por ter abusado da mulher do próximo...” (Dt 22,23-24). Se José denunciasse Maria por, supostamente, havê-lo traído, fatalmente a lei seria cumprida... José amava por demais Maria para chegar a esse extremo. 

Mas também não podia aceitar aquela situação. E Maria não se explicava, não dizia nada. Maria permanecia no seu silêncio. Maria, simplesmente, poderia sair gritando aos quatro ventos, dizendo que aquilo que estava acontecendo com ela era obra do Espírito Santo. Poderia dizer, sem mentir, que “... o Espírito Santo veio sobre ela e o poder do Altíssimo a cobriu com sua sombra.” (Lc 1,35), e bem por isso, engravidara, e o filho que trazia dentro de si era o Messias esperado, era o Filho de Deus que se fazia homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus. 

Mas, se afirmasse isso, pelo menos três coisas poderiam acontecer: primeira:- o povo poderia dizer que ela estava louca por afirmar coisas tão absurdas para tentar justificar a sua gravidez; segunda:- o povo não acreditaria e ela própria passaria por ré confessa, e a lei de Moisés deveria ser cumprida, e Maria deveria ser apedrejada na porta da cidade para que o pecado fosse tirado do meio do povo, e, terceira:- o povo que já estava ansioso pela vinda do Messias poderia até acreditar em Maria, aceitar que, realmente, ela estaria dizendo a verdade e tratá-la como uma rainha. Maria não fez nada disso.   Maria manteve-se no seu silêncio. 

Foi o silêncio da virgem. Quantas vezes, no seu silêncio, Maria teria rezado: “Só em Deus, ó minha alma repouse, porque dele vem a minha esperança. Só ele é minha rocha e salvação, a minha fortaleza: jamais serei abalada.” (Sl 62,6-7).

Maria não tentou explicar nada a ninguém. Nem mesmo ao seu noivo José. O que estava acontecendo nela e com ela era obra do Senhor, e, se o Senhor a colocara naquela situação, o Senhor resolveria todos os problemas que estavam surgindo e surgiram após.

Maria sofria com as fofocas do povo. Maria sofria com a incompreensão de José, com o sofrimento de José, mas se mantinha no mais profundo silêncio, sempre confiando no Senhor. O que estava acontecendo com Maria era a vontade do Senhor, e Maria repetia a cada instante: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1,38).

Maria era a escrava do Senhor, não competia a ela se defender. O Senhor seria “a sua rocha, a sua salvação, a sua fortaleza” (Sl 62,3) o seu rochedo, o seu advogado e agiria na hora em que ele achasse que fosse mais certa. E José estava amargurado. Não entendia o que estava acontecendo e nem poderia entender.

Mas, porque Maria não rompia seu silêncio e explicava tudo para ele? Então, no auge das incertezas e sofrimentos, José tomou uma decisão: “José, seu esposo, sendo justo, e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo.” (Mt 1,19).

José tomou a decisão que julgou a mais acertada: abandonar Maria, ir embora, sumir da cidade, ir para um lugar distante mesmo levando em suas costas que o povo o julgasse dizendo-o culpado por ter “aprontado” com Maria e fugido para não assumir a sua responsabilidade, abandonando a sua noiva grávida. Foi o que lhe pareceu mais justo e certo.

Assim ele não denunciaria Maria e não a entregaria ao terrível cumprimento da lei.

Assim ele não difamaria sua noiva. Faria isso para não dizer a todos que Maria o havia traído, traído sua confiança, o seu amor e por isso mesmo ele não poderia mais assumir a responsabilidade de coabitar com ela, assumí-la em sua casa.

Mesmo sabendo da intenção de José, Maria, ainda assim, se manteve calada, no silêncio que só o Senhor ouve, só o Senhor entende. Maria não deixou de confiar no seu Senhor um minuto sequer, porque “só em Deus a sua alma repousava, e dele viria a sua salvação.” (Sl 62,2).

E o Senhor nosso Deus não abandonou Maria.  E o Senhor nosso Deus também não abandonou José que, na sua dor, deve ter rezado: “Yahweh, ouve a minha prece, que o meu grito chegue a ti! Na escondas tua face de mim, no dia da minha angústia. Inclina teu ouvido para mim, e no dia em que eu te invoco, responde-me depressa”. (Sl 102,2-3). E o Senhor respondeu e, certa noite, “Enquanto (José) decidia, eis que um Anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o povo de seus pecados’. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito pelo Profeta: ‘Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel, que significa, ‘Deus conosco’.” (Mt 1,20-23).

A partir dai José se tranquilizou; não foi discutir com Maria dizendo que ela deveria ter acreditado e ter tido confiança nele e ter-lhe dito tudo sobre o que estava acontecendo. Não fez nada disso, respeitando o silêncio da virgem e “... agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher.” (Mt 1,24), e tomou sob sua guarda a mãe e o Filho que, pela revelação do Anjo em seu sonho passou, a saber, que aquela criança que nasceria de Maria não era outra senão o Messias, o Salvador dos homens.

Maria, por sua vez, também não foi tirar satisfações com José por não ter acreditado nela apesar de tudo, e por José ter-se trancado dentro de si próprio.

Maria não tirou satisfações com José por ele ter pensado em abandoná-la desconhecendo que tudo aquilo que estava acontecendo com ela era obra do Espírito Santo; não brigou com José por ele ter duvidado de sua integridade moral. Maria deixou tudo nas mãos de Deus, nas mãos do seu Senhor. Se fora o Senhor que a colocara naquela situação, com certeza, o Senhor esclareceria tudo, como esclareceu, não ao povo, mas, somente a José, e era isso que realmente interessava. Maria permanecia sempre no seu silêncio, procurando cumprir aquilo mesmo que ela dissera ao Anjo: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1, 38).

E isso não era o fim; era apenas o começo, o começo de muitas dores, muitas lágrimas, muito sofrimento, muitas incompreensões, muitas perseguições, muito falatório. A partir da aceitação de Maria sua vida se transformou num constante caminhar rumo ao Calvário. O Calvário de Maria começou quando ela disse o seu “SIM” ao Anjo do Senhor...

E, interessante, os Santos Evangelhos não citam nenhuma fala de José, nenhuma palavra que José tenha pronunciado é citada no Livro Sagrado. Isso não se fez necessário para atestar a integridade de José. Para se mostrar temente a Deus vale muito mais atitudes que palavras.

A figura de José aparece somente na infância de Jesus e desaparece durante a vida oculta. Nesse período José falecera.

Quando Jesus começa a sua vida pública só Maria o acompanha. José já havia cumprido a sua parte nos planos de Salvação do Senhor Nosso Deus e partido para a casa do Pai...

A sua morte deve ter sido a mais santa possível. Imaginemos na cabeceira de seu leito, José moribundo, tendo, de um lado, Jesus e do outro, Maria. Poderá existir morte mais santa que essa? Por que Deus Pai incluiu José no seu Plano de Salvação?  

Porque ele queria para o seu Filho uma família constituída. Já que o Senhor dispensou o concurso do homem para gerar o seu Filho, poderia ele mesmo, o Senhor, cuidar de Maria e de Jesus. Mas o Senhor quis, com isso, valorizar e divinizar a constituição familiar onde a união de pai, mãe e filhos, união abençoada por Deus, perfeita e cristã, é o caminho mais curto para se chegar à casa do Pai. José não foi uma figura descartável nos planos de Deus e muito menos um anônimo; foi ele quem cuidou de Maria e Jesus até que Jesus amadurecesse como homem e tivesse condições de cuidar de si e de sua mãe e depois, iniciar a sua missão. José foi o chefe da família de Nazaré, o pai da Sagrada Família. José é o exemplo mais perfeito para ser seguido por todos os pais cristãos. José é o exemplo mais perfeito para ser seguido por todos os chefes de família.

sexta-feira, 18 de março de 2022

 

OS NOMES QUE O POVO DEU À MARIA, A MÃE DE JESUS

 

O amor inventa nomes. E nos nomes que o amor inventa está dito aquilo que mais se gosta na pessoa amada: sobressai a sua virtude, a sua beleza no nome que o amor dá à pessoa amada.

Quanto mais amada for a pessoa mais nomes a pessoa que a ama lhe dá. Se fôssemos falar todos  os nomes que o amor do povo deu à Maria ficaríamos aqui muito tempo e ainda não diríamos todos.             Tem nomes para todos os momentos da vida: desde o nascimento até a morte.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Bom Parto ou Nossa Senhora da Boa Hora para proteger a mãe quando chega a hora de se dar à luz.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Boa Viagem para pedir a sua proteção quando nos dispomos a viajar.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do bom Conselho ou Nossa Senhora do Bom Sucesso quando estamos em dúvidas e pedimos o auxílio de Maria.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro quando estamos em dificuldades.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Amparo e de Nossa Senhora da Ajuda quando precisamos de um apoio.

Chamamos Maria de Nossa Senhora dos Remédios e de Nossa Senhora da Saúde quando estamos doentes e necessitamos recuperar a saúde, ou alguém de nossa família está enfermo.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Guia ou de Nossa Senhora dos Navegantes quando estamos perdidos nas nossas decisões e não sabemos qual o caminho a tomar em nossa vida.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Consolação ou de Nossa Senhora das Dores quando neste mundo nos conforta e nada nos consola.

Chamamos Maria de Nossa Senhora das Angústias quando meditamos as suas angústias durante a sua vida e nos sentimos angustiados em nossa existência.

Chamamos Maria de Nossa Senhora Conquistadora quando alcançamos sucesso nas nossas empreitadas de nossa vida.

Chamamos Maria de Nossa Senhora das Graças quando pedimos e alcançamos graças sem fim de Nosso Deus e Senhor por mediação, por intermédio de Maria.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Boa Morte ou de Nossa Senhora do Bom Fim quando alguém de Nossa família está muito doente ou a gente se prepara para ter uma morte santa.

E quantos mais nomes poderíamos dar à Maria para nos socorrer em todos os momentos da nossa vida.   Maria, a Nossa Senhora acompanha o seu povo no desterro, na solidão, neste vale de lágrimas, nas dores e na morte.

Maria, a Nossa Senhora vai com o seu povo em todo canto e no povo alimenta a esperança com a sua ajuda, com os seus conselhos, com a sua consolação.

Maria, a Nossa Senhora, ajuda e ampara, guia e socorre, dá remédios e liberta, conduz à vitória e introduz na glória.   Maria comunica a todos nós a sua alegria.

Maria tem nomes ligados aos lugares onde viveu, onde se manifesta e onde é venerada: Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora de Belém, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Aparecida, Nossa Senhora do Loreto, Nossa Senhora da Salete, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora do Líbano; todos esses nomes e muito mais são nomes dados pelo amor do povo à Maria.

Muitos lugares, dezenas de municípios, centenas de povoados em todo o território do Brasil tem nomes ligados ao nome de Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe.

A imagem de Maria, a Nossa Senhora, com o Menino Jesus nos braços, ou a imagem de Nossa Senhora da Conceição que pisa na cabeça da serpente, está pendurada e é venerada em quase todas as casas do nosso povo simples, pobre e humilde, porque é esse o povo que realmente confia em Deus            Maria é a imagem e o retrato fiel de todas as mães brasileiras que geram os seus filhos, acreditam na vida e, como Maria, derrotam a serpente do mal que quer empanar o brilho do reino de Deus que se espalha sobre nós.

(do livro - A Mãe de Jesus - de Carlos Maesters). 

quinta-feira, 17 de março de 2022

 

O SOFRIMENTO DE CRISTO É COMPLETADO NO DOENTE

 

            Na carta que o Apóstolo Paulo escreveu aos Colossenses, ele disse: “Meus irmãos, agora eu me alegro de sofrer por vocês e vou completando na minha própria carne o que falta aos sofrimentos de Jesus Cristo a favor  do seu corpo, que é a Igreja.” (Col 1, 24).

Quando eu leio essa passagem, essa frase, fico pensando nos nossos irmãos doentes.

Essa frase de São Paulo cabe certinho na boca dos doentes, dos nossos irmãos que estão passando por algum problema de saúde, que estão hospitalizados, acamados em tratamento médico.            Todos os doentes sofrem, de uma maneira ou de outra. E seria tão bom que todos os doentes dissessem como disse Paulo: “eu me alegro de sofrer... porque vou completando na minha carne o que falta aos sofrimentos de Jesus Cristo a favor da sua Igreja.”

Os doentes são os companheiros de Jesus os doentes é a complementação do que falta aos sofrimentos de Jesus Cristo para a total salvação de todo o gênero humano.

Os doentes são o corpo flagelado de JesuCristo a caminho do Calvário. Os doentes são os participantes  da agonia da cruz. Os sofrimentos ds Cristo; os doentes são a cabeça coroada de espinhos de Jesus Cristo; os doentes são o coração sacrossanto de Jesus Cristo traspassado pela lança. Os doentes sofrem, e esse sofrimento complementa o sofrimento de Jesus Cristo para a salvação de todos os homens.

Não existe sofrimento inútil. Não existe dor que não seja revertida para a salvação de quem sofre, para a salvação da família de quem sofre, para a salvação de todos os homens.

Todos nós lutamos para ter saúde, aliás, é um direito que todos nós temos, o de sermos sadios,  o de sermos perfeitos. Mas, apesar dos nossos esforços para sermos sadios e termos saúde, a nossa natureza humana é frágil, é fraca, e a doença, vez ou outra, nos assedia, nos ataca e, muitas vezes, em muitos irmãos, é uma companheira constante, e às vezes até a companheira de toda uma vida.

Então precisamos fazer da nossa doença, do nosso sofrimento, a tábua de salvação para todos nós, para quem sofre e para quem não sofre também. Paulo Apóstolo se alegra na dor e diz que a sua dor complementa o que falta no sofrimento de Jesus Cristo.

Assim, da mesma maneira, os doentes devem se alegrar porque eles são os amigos queridos de Jesus Cristo, eu diria até, os amigos íntimos de Jesus, porque, somente quem sofre pode valorizar o sofrimento de Jesus Cristo que, sem merecer, e de livre e expontânea vontade, se entregou por todos nós para sofrer a sua paixão, crucificação e morte para a salvação de todos os homens.

E todos nós, os que agora temos saúde, não devemos nos esquecer jamais  dos nossos irmãos doentes. Não podemos deixar que eles fiquem sozinhos nessa sua caminhada de dor.

Hoje temos saúde, amanhã os doentes poderemos ser nós mesmos. A nossa saúde é como um fio de linha que pode se romper a qualquer momento. Estejamos sempre preparados para a doença. E a melhor preparação para sermos pacientes e aceitar com resignação qualquer problema de saúde, é visitar com frequência os nossos irmãos doentes.

Você, meu irmão, não imagina como o nosso irmão doente necessita de nossa visita, de nossa ajuda, da nossa presença, da nossa palavra amiga. Lembremo-nos do que o Senhor Jesus disse no seu Evangelho, quando se referia ao Juízo Final: “Estive doente e você me visitou...” nosso irmão doente é o próprio Jesus Cristo que continua sofrendo para completar o sofrimento do Calvário para a salvação de todos os homens.

Ainda hoje, caro irmão, procure rezar por um doente e, quando possível, leve a ele uma palavra de conforto, dê a ele a satisfação de sua presença amiga nem que seja pela palavra,, e verá como você ficará recompensado por ter feito uma obra de  misericórdia...

quarta-feira, 16 de março de 2022

 

MORTE, PASSAGEM PARA A VIDA...

 

Todos nós, sempre e de um modo especial, nos lembramos dos nossos mortos.

Todos temos dentro de nós uma lembrança, um vazio deixado por alguém a quem a gente amou e que partiu para a outra vida.    

Todos, de uma maneira ou de outra, conhecemos  a dor do luto, lamentamos o lugar que ficou vazio na mesa, no sofá da sala, reclamamos a voz que se calou, sentimos a falta da presença que se tornou ausência. Em muitos dos nossos lares, senão em quase todos, já passou a figura tenebrosa e indesejável da morte, e a morte já levou muitos dos nossos entes queridos.

Se não conhecêssemos a Cristo e a sua mensagem, talvez não houvesse esperanças em nossos corações e nossa vida seria uma fuga eterna da morte, uma fuga de uma realidade  que nenhum ser vivente sobre esta terra poderá se livrar; o que nos conforta, quando pensamos sobre a morte ou somos atingido por ela através de um ente querido são as palavras de Jesus Cristo, quando disse: “Em verdade, em verdade eu lhes digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte.”  (Jo 8,51).

Até Jesus Cristo e a sua Mãe Santíssima, Maria, conheceram a morte e passaram por ela; passaram pela morte, mas venceram a morte, nos dando a esperança e a certeza de uma vida plena depois da morte, a vida que não se acaba, a vida eterna, a vida que o Senhor Jesus nos veio trazer em abundância, e Jesus afirma isso no seu Evangelho quando conversava com as irmãs Marta e Maria: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre.” (Jo 11,15-26).    

A morte é para o cristão apenas a passagem que une o nosso tempo à eternidade; a morte é a porta que se abre para que nós possamos entrar na vida que Jesus Cristo preparou para todos nós, “e não nos devemos admirar porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que fizeram o bem, sairão para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal, para a ressurreição do juízo.”  (conf Jo, 5,28-29).          

Todos nós, quando morre alguém da nossa família, do nosso círculo de amizade, choramos, e às vezes choramos muito.      É bom chorar, é necessário que se chore porque as lágrimas sinceras são as provas mais evidentes do amor que tínhamos por aquela pessoa que se foi; as lágrimas são a demonstração e a exteriorização dos nossos sentimentos mais sinceros e mais íntimos. Todo cristão chora quando um ente querido parte para a vida eterna.                 

Mas o cristão não chora de desespero, o cristão chora, sim, mas de saudade.

Nós sentimos saudade do ente querido que se foi, mas temos confiança  nos ensinamentos evangélicos de Jesus Cristo, acreditamos na sua mensagem e temos a certeza evangélica de que os nossos entes queridos que conviveram longo tempo conosco neste vale de lagrimas e que ouviram a voz do Bom Pastor e fizeram parte do seu rebanho, agora, depois de sua morte, estão na glória de Deus Pai, na casa do Pai onde, segundo uma das promessas de Jesus Cristo, existem muitas moradas, e Jesus nos diz no seu Evangelho: “Não se perturbe o seu coração; creia em Deus, creia também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse eu não teria dito isso para vocês, porque eu ou preparar um lugar para vocês. Quando eu tiver ido e tiver preparado um lugar para vocês, de novo voltarei e tomarei vocês comigo, para onde eu estiver estejam  também vocês.” (Jo 14,1-3).           

Paulo, Apóstolo, em sua carta aos Romanos, ele escreveu para nos confortar a respeito da morte: “Pelo batismo fomos sepultados com Cristo na morte a fim de que nós também, como o Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, levemos uma vida nova. Mas, se morremos com Cristo, cremos também que vivemos com ele, sabendo que o Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte não tem mais poder sobre ele.” (Rm 6,3-4.8-9).

Paulo, através dessa sua carta nos dá a certeza que a vida eterna já começou aqui e agora em nós pelo batismo e pela fé no Senhor Jesus.  João Evangelista, com sua mensagem de fé e amor, também nos conforta a todos e nos dá a certeza de que, um dia, após a nossa morte, nós veremos realmente a Deus tal qual ele é. 

Na sua primeira carta, João nos escreve: “Filhinhos, vejam como é grande o amor que o Pai tem por nós! Seu amor para conosco é tão grande que ele nos deu a graça de sermos chamados “Filhos de Deus”, e o somos de fato. O mundo não nos conhece, porque não conhece a Deus. Meus queridos amigos, já somos filhos de Deus aqui e agora, embora, externamente ainda não apareça o que vamos ser. Mas sabemos, com certeza, que, quando aparecer, seremos semelhantes a ele porque o veremos como ele realmente é. Todo aquele que tem essa esperança nele se torna puro, como também ele é puro.” (1Jo 3,1-3). O que nos conforta sobre os pensamentos que temos sobre os nossos mortos são as palavras de Jesus, quando diz: “Deus, não é Deus dos mortos, e sim dos vivos, porque para ele todos vivem.”  (Lc 20,38).

Tudo isso revigora a nossa certeza de que os nossos mortos, os nossos entes queridos por quem a gente derramou copiosas lágrimas de dor e saudade, todos eles estão na casa do Pai.

terça-feira, 15 de março de 2022

 

ESPOSAS  E  MÃES,  PRESENÇAS DE MARIA  NO LAR...

 

O exemplo mais digno e vivo que temos de Maria em nossos dias e no nosso meio, são as donas de casa, as nossas esposas, as nossas mães, que hoje cumprem com os seus deveres matrimoniais, com suas obrigações de casa, com a educação de seus filhos e com os cuidados com o marido.

Você, minha irmã, que é esposa, que é mãe, você que mora na cidade ou no sítio, no centro ou na zona rural, que levanta cedo para preparar o café da família, cuidar do almoço dos que vão trabalhar na roça, no comércio, nas suas profissões liberais ou de empregados, ou em qualquer outra atividade.

Você minha irmã, que é esposa e mãe, que já de madrugada, de manhã bem cedo, está atarefada com suas obrigações domésticas de esposa, mãe e dona de casa,, você é o exemplo mais digno e vivo que temos no nosso meio de Maria, a mãe de Jesus.

Você, mãe e esposa, com Maria, é a continuação de Deus no seio da família, é a vontade de Deus que se faz presente no lar, é a aceitação da vida com todos os seus problemas, dificuldades, dores, tristezas e alegrias. Maria se entregava totalmente nas mãos de Deus até nos mais simples serviços domésticos.

Você, minha irmã, que é mãe e esposa,  temos certeza, já levanta de manhã com orações nos lábios e Deus no coração, como fazia Maria na sua pobrezinha casa de Nazaré. Maria, a Nossa Senhora, continua no nosso meio, no nosso lar na figura de nossas mães e nossas esposas, mulheres abnegadas que lutam no dia a dia para que a felicidade do lar seja completa, e não seja falha.

Você, minha irmã, que é mãe e esposa, é sempre a última pessoa no lar a se deitar à noite em sua casa, e é a primeira a se levantar todos os dias, e se houver algum problema de doença com os filhos ou com o marido, levanta a qualquer hora da noite para observar o estado de saúde de cada um. Você, esposa e mãe, não se deita à noite enquanto não se conscientizar que todos os seus familiares já estão acomodados e que tudo está bem.

Você, esposa e mãe, é a primeira a se levantar, e já levanta da cama trabalhando, catando coisas esparramadas por todo canto da casa, acendendo o fogo para o café e para ferver o leite das crianças e para esquentar a comida para a marmita dos que vão trabalhar o dia todo e, com paciência e amor, começa a chamar seu marido e seus filhos que devem ir para o trabalho ou para a escola.

A mãe e esposa é a sentinela vigilante dentro do lar. Se, durante a noite tiver alguém doente em sua casa, a mãe se levanta quantas vezes forem necessárias para lhe dar o remédio ou para ver se o doente está com febre, está coberto, está bem.

E, no dia seguinte, quando tem que se levantar, levanta com a mesma disposição, muito embora cansada, mas sem demonstrar no rosto qualquer traço desse cansaço que aqui na terra não tem recompensa alguma e que nem o marido e nem os filhos, na maior parte das vezes notam e reconhecem.

Você, minha irmã, que é esposa e mãe, você é como Maria, a Nossa Senhora, você é a imagem de Maria que temos dentro de casa, no nosso lar.

As esposas e mães são a figura de Maria no nosso lar, numa entrega total à vontade de Deus. É por isso que precisamos amar Maria.

É por isso que precisamos amar as nossas esposas e mãe dos nossos filhos. É por isso que precisamos amar as nossas mães.        

É por isso que precisamos ter sempre Maria em nossos corações. É por isso que não podemos esquecer jamais o sacrifício de nossas esposas e nossas mães.    O exemplo mais vivo e mais digno que temos de Maria, a Nossa Senhora, em nossos lares, no nosso meio, são as nossas mães, são as nossas esposas, são as mães de nossos filhos.

Todo e qualquer serviço doméstico que elas fazem, não aparece, todo amor que elas dedicam, não é retribuído, todo sacrifício que elas fazem para que amam, não tem a sua recompensa neste mundo, mas, para o Senhor Nosso Deus, nada disso é passado desapercebido, e um dia, temos certeza, as nossas mães, as nossas esposas, as Mães dos nossos filhos, gozarão a plena felicidade com Maria, a Nossa Senhora, que também como as nossas mães, nossas esposas e mães dos nossos filhos, neste mundo só amou e sofreu, mas que hoje, junto de Deus Pai está sentada num trono celeste reservada para todas as mães e esposas que, como ela, neste mundo, souberam amar e sofrer em silencio, fazendo em tudo a vontade do Pai...

segunda-feira, 14 de março de 2022

 

SANTA MATILDE - 895-968

 

Matilde era filha de nobres saxões. Nasceu em Westfalia, por volta do ano 895 e foi educada pela avó, também Matilde, abadessa de um convento de beneditinas em Herford. Por isso, aprendeu a ler, a escrever e estudou teologia e filosofia, fato pouco comum para as nobres da época, inclusive gostava de assuntos políticos.

Constatamos nos registros da época que associada à brilhante inteligência estava uma impressionante beleza física e de alma. Casou-se aos catorze anos com Henrique, duque da Saxônia, que em pouco tempo se tornou Henrique I, rei da Alemanha, com o qual viveu um matrimônio feliz por vinte anos. Foi um reinado justo e feliz também para o povo.

Segundo os relatos, muito dessa justiça recheada de bondade se deveu à rainha que, desde o início, mostrou-se extremamente generosa com os súditos pobres e doentes.

Enquanto a ela assistia à população e erguia conventos, escolas e hospitais, o rei tornava a Alemanha líder da Europa, salvando-a da invasão dos húngaros, regularizando a situação de seu país com a Itália e a França e exercendo ainda domínio sobre os eslavos e dinamarqueses.

Havia paz em sua nação, graças à rainha, e por isso, ele podia se dedicar aos problemas externos, fortalecendo cada vez mais o seu reinado.

Mas essa bonança chegou ao fim. Henrique I faleceu e começou o sofrimento de Matilde.

Antes de morrer, o rei indicou para o trono seu primogênito Oton, mas seu irmão Henrique queria o trono para si.

As forças aliadas de cada um dos príncipes entraram em guerra, para desgosto de sua mãe.

O exército do príncipe Henrique foi derrotado e Oton foi coroado rei assumindo o trono.

Em seguida, os filhos se voltaram contra a mãe, alegando que ela esbanjava os bens da coroa, com a Igreja e os pobres. Tiraram toda sua fortuna e ordenaram que deixasse a corte, exilando-a. Matilde, triste, infeliz e sofrendo muito, retirou-se para o convento de Engerm.

Contudo, muitos anos mais tarde, Oton e Henrique se arrependeram do gesto terrível de ingratidão e devolveram à mãe tudo o que lhe pertencia.

De posse dos seus bens, Matilde distribuiu tudo o que tinha para os pobres. Preferindo continuar sua vida como religiosa permaneceu no convento onde, depois de muitas penitências e orações, desenvolveu o dom das profecias.

Matilde faleceu em 968, sendo sepultada ao lado do marido, no convento de Quedlinburgo. Logo foi venerada como Santa pelo povo que propagou rapidamente a fama de sua santidade por todo mundo católico do Ocidente ao Oriente. Especialmente na Alemanha, Itália e Mônaco ainda hoje sua festa, autorizada pela Igreja, é largamente celebrada no dia 14 de março.

Também são comemorados neste dia: Santo Eutíquio, Santo Afrodísio, São Bonifácio Curitano de Ross (bispo), Santo Eustáquio e Companheiros (mártires de Carrhes, na Mesopotâmia), São Leão (bispo e mártir, venerado em Roma).

domingo, 13 de março de 2022

 

MARIA, MÃE E COMPANHEIRA DE CAMINHADA

 

Mãe, em Fátima a Senhora disse aos pastorzinhos: “Eu nunca te abandonarei. O meu Coração Imaculado será o teu refúgio.”

Mãe, homem nenhum em tempo algum pode avaliar a tristeza, a amargura e o sofrimento do seu Coração ao acompanhar seu Filho Sacrossanto ao Calvário e presenciar o maior crime praticado pela humanidade contra Ele próprio: a crucificação e a morte do Filho de Deus, que é também seu Filho. Seu Coração estava amargo, sofrido e triste mas jamais chegou ao desespero, à revolta e à indignação  contra Deus por ver tamanha injustiça cometida  pelos homens contra seu Filho muito Amado.      

Quantos de nós, doce Mãe, estamos também caminhando pelos caminhos doloridos e espinhosos do Calvário, com o coração  em farrapos, cheio de angústia, de tristeza, de amargura e sofrimento, mas jamais, a seu exemplo, doce Mãe, jamais em desespero e revolta contra Deus pelas coisas que nos acontecem, porque sabemos que se algo desagradável nos acontece é culpa nossa mesmo, é consequência de nossas atitudes impensadas; mas o seu Filho, doce Mãe, o que de mal lhe aconteceu, não foi culpa dele e nem consequências de atos impensados que ele tenha praticado, mas foi culpa nossa.      

O seu Filho era inocente em todos os sentidos e de livre e espontânea vontade tomou a nossa natureza para colocar sobre seus ombros a nossa miséria e os nossos pecados.

Mas, às vezes, Senhora, muitos males se nos acometem, muitas doenças nos atingem e, na nossa caminhada neste vale de lágrimas e no nosso leito de dor repetimos como o seu Filho em sua última oração no monte das Oliveiras: “Pai, se é possível, afasta de mim esse cálice, mas não se faça como eu quero, mas sim como tu queres... Mas, se esse cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.”  (Mt 26, 39 e 42), e todos os dias repetimos a oração que o seu Filho nos ensinou: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mt 6, 10).

Mas, nos nossos momentos de dor, a quem poderíamos recorrer, senão à Senhora se, como disse Santo Afonso: “Tu és toda poderosa junto de Deus.”?

Nós sabemos, Mãe, e temos certeza e confiança que seu Divino Filho jamais deixou de atender a um pedido seu em qualquer circunstância: nós acreditamos que o seu Divino Filho jamais há de negar para a Senhora coisa alguma.

Diante de Santa Brígida o seu Divino Filho prometeu para a Senhora despachar favoravelmente a todos os que solicitarem dele alguma graça  por seu amor.

Também um Anjo disse a esta mesma Santa Brígida: “Não há ninguém que reze à Maria sem receber de sua caridade algum favor.”

Por isso, nós lhe pedimos, doce Mãe; roga ao seu Filho por todos nós, a Senhora que pode tudo o que quiser e pedir, e isso confiantes na promessa de seu Filho de jamais deixar de atender a um só pedido seu. Exemplo disso, doce Mãe, o Evangelista João nos dá na narração do casamento de Canaã, na Galiléia, quando a Senhora disse aos serventes da festa: “Façam tudo o que o meu Filho lhes disser.” (Jo 2, 5).

E seu Filho, a um pedido seu, transformou a água no mais saboroso dos vinhos.

Mãe, se a um pedido seu, seu Filho, por amor à Senhora e aos necessitados, altera até as leis da natureza, e até os ventos e o mar obedecem (cf Mt 8, 27); até os mortos voltam à vida por ordem de seu Filho, como na ressurreição do filho da viuva de Naim, (Lc 7, 11 ss), na ressurreição de Lázaro (Jo 11), e na ressurreição da filha de Jairo, quando ele disse:  “Talitha kum, que quer dizer: Menina, eu te ordeno, levanta-te.”  (Mc 5, 41).

Será, Mãe, que a um pedido seu, seu Filho não se compadeceria da nossa miséria, como fez com a viuva de Naim, que lhe devolveu com vida o seu filho que estava morto?

Ou o amor de seu Filho para conosco seria menor que aquele que ele demonstrou por Lázaro e suas irmãs Marta e Maria? Ou a nossa fé seria menor que a de Jairo?

Certo dia um leproso se aproximou de seu Divino Filho e lhe disse: “Senhor, se quiseres, podes limpar-me.”, e nós, com a mesma fé e no mesmo tom de súplica, dizemos ao seu Filho, pelo amor que ele tem pela Senhora: “Senhor, se o Senhor quiser, o Senhor pode nos livrar dos nossos pecados, das nossas misérias, das nossas doenças”.

É o seu Filho, Senhora, que nos dá essa confiança em pedir, porque foi ele mesmo quem nos incentivou a pedir, quando disse: “Peçam, e lhes será dado, busquem, e acharão, batam, e a porta se lhes abrirá.” (Mt 7,7). “Tudo o que vocês pedirem ao meu Pai em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se vocês pedirem alguma coisa em meu nome eu o farei.” (Jo 14, 13-14); e é com lágrimas, Senhora, que pedimos ao seu Filho, tendo a Senhora como intercessora, medianeira e advogada nossa, confiantes no que ele mesmo disse:  “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” (Mt 5,5). Confiamos sem sombra de qualquer dúvida na Senhora, doce Mãe, porque a Senhora “é cheia de graça e o Senhor está com a Senhora.” (cf Lc 1, 28). Na Senhora esperamos, porque a Senhora “é bendita entre as mulheres e bendito é o fruto do seu ventre."”(Lc 1, 42).

A Senhora mesma, doce Mãe, sentiu e testemunhou o poder do Altíssimo sobre a Senhora mesmo, quando em oração: “A minha alma glorifica ao Senhor, e o meu espirito exulta em Deus, meu Salvador. Porque lançou os olhos para a humilhação de sua serva; portanto, eis que de hoje em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada. Porque o Todo Poderoso fez em mim grandes coisas, o seu Nome é Santo.” (Lc 1, 46-49).

Os próprios ouvintes do seu Filho reconheceram a sua grandeza, Mãe, quando uma mulher, do meio da multidão, gritou em altos brados, para que todos pudessem ouvi-la: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos a que foste amamentado.” (Lc 11, 27).

São Bernardino de Sena ensinava que nenhuma graça vem do céu que não passe primeiro pelas suas mãos maternais.

São João Batista Maria Vianney, o Santo Cura de Ars, dizia que o Coração da Senhora é tão terno para nós que o coração  de todas as mães reunidas não passam de uma pedra de gelo aos pés do seu Coração, e que o seu Coração é só amor e misericórdia; o seu Coração só deseja ver-nos todos felizes; basta apenas nos dirigirmos à Senhora para sermos ouvidos.

Doce Mãe, nós lhe pedimos nos momentos difíceis de nossa vida que não nos deixe vacilar na fé; não permita, Senhora, que nos revoltemos contra aquilo que pode ser a vontade de Deus; cuida, Senhora, para que o desespero não se apodere dos nossos corações por qualquer motivo que seja que estejamos sendo provados na fé, e não nos deixe sozinhos na subida do nosso Calvário, porque nós acreditamos que assim como foi com o seu Filho, depois de todos os nossos sofrimentos vem a glória e a alegria da cura de todos os males e doenças, e sempre vamos continuar a lhe fazer esse apelo, porque, como disse São Luiz Maria Grignon de Montfort: “Um só suspiro seu tem maior poder do que as orações de todos os Anjos, Santos e homens juntos.”. Repetimos, nesse momento, Senhora, o que disse São João Damasceno: “Salve, Ò Mãe, esperança dos desesperados. Ò Mãe de Deus, se eu estiver debaixo de sua proteção, nada temerei.”

E, todos os dias, doce Mãe, repetiremos a singela oração que São Bernardo sempre recitava para a Senhora, quando dizia: “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades. Mas livrai-nos de todos os perigos, ò Virgem Gloriosa e Bendita.