sábado, 9 de abril de 2022

 

BEATA LINDALVA JUSTO DE OLIVEIRA – MÁRTIR BRASILEIRA

religiosa Filha da Caridade

 

Lindalva nasceu em 20 de outubro de 1953, no pequeno povoado Sítio Malhada da Areia, município de Açu, Rio Grande do Norte. Filha do segundo matrimonio de João Justo da Fé (viúvo) e Maria Lúcia da Fé, de cujas núpcias nasceram 12 filhos.

Lindalva, a sexta filha do casal, já dava sinais de uma especial predestinação divina, pois entregava-se com naturalidade ás práticas de piedade.

Cresceu como menina normal, de aspecto gracioso, piedosa e muito sensível para com os pobres, de tal forma que ainda jovem surpreendeu a família doando as próprias roupas aos necessitados. Transferindo-se para Natal, estudava e trabalhava para se manter e ajudar a família, e todos os dias visitava os idosos do Instituto Juvino Barreto.

Após concluir o segundo grau passou a cuidar do pai, idoso e doente, com todo carinho e paciência. Quando este faleceu, Lindalva, aos 33 anos, entrou para a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo: queria servir a Cristo nos pobres.

Não foi fácil adaptar-se à nova vida, mas com a graça de Deus foi progredindo na sua caminhada espiritual, passo a passo, renúncia após renúncia. Dizia sempre: “Amo mais a Jesus Cristo do que a minha família”.

Foi superando as etapas de sua formação religiosa na prática das virtudes, no amor à oração, à obediência alegre, sincera e compreensiva. Lutava para corrigir seus próprios defeitos e crescer no caminho da perfeição. Suas superioras estavam muito contentes com ela, notando sua disponibilidade e grande amor aos pobres.

Terminado o período do noviciado foi enviada para o Abrigo Dom Pedro II, em Salvador, Bahia, recebendo o ofício de coordenar uma enfermaria com 40 idosos, sendo responsável pela ala do pavilhão masculino.

Fez curso de Enfermagem para poder dedicar-se melhor aos seus doentes e idosos. À caridade unia o zelo espiritual por seus assistidos, procurando levá-los para Cristo pela boa palavra.

Sua conduta era impecável, alegre, pura, modesta e caridosa para com todos. Encontrava ainda tempo para visitar os pobres à domicílio, e procurava meios para suprir suas necessidades materiais. Lindalva sentia-se feliz e realizada no seu trabalho.

 

Seu martírio

 

Toda santidade passa pelo crisol do sofrimento. Em 1993, devido a uma recomendação, o abrigo acolheu entre os anciãos Augusto da Silva Peixoto, homem de 46 anos. Ele passou a assediar Ir. Lindalva, e chegou até mesmo a manifestar-lhe suas intenções.

A irmã Lindauva começou a ter medo, e procurou afastar-se o mais que pode. Confidenciou-se com outras irmãs e refugiava-se na oração. Seu amor aos velhinhos a mantiveram no abrigo, e chegou a dizer a uma irmã: “prefiro que meu sangue seja derramado do que afastar-me daqui”.

Por não ser correspondido, Augusto foi à Feira de São Joaquim na Segunda-feira Santa e comprou uma peixeira, que amolou ao chegar no abrigo. Não dormiu na noite de quinta para sexta-feira santa.

De manhã, Irmã Lindalva havia participado da Via-Sacra, ao raiar da aurora, na paróquia da Boa Viagem. Ao regressar, foi servir o café da manhã aos idosos. Subiu as escadarias da enfermaria, como se estivesse subindo para o calvário, e pôs-se a servir pão com café e leite para os internos da ala masculina. Todos eles estavam em fila, esperando a vez.

A irmã, compenetrada com o café, tinha a cabeça baixa quando sentiu um toque no ombro: virou-se e teve tempo apenas de ver o rosto enraivecido do homem que conhecera havia poucos meses... Em seguida, foram dezenas de facadas, pontilhadas por todo o corpo. Tudo diante do semblante horrorizado dos velhinhos que assistiam à cena bem em frente à mesa de café.

Um senhor ainda tentou evitar a tragédia, avançando sobre o assassino. Mas Augusto Peixoto estava decidido e, ameaçou de morte quem ousasse se aproximar.

Terminado o crime, foi esperar a polícia sentado em um banco na frente da casa. Do abrigo, ele foi para Casa de Detenção e, posteriormente, parou no Manicômio Judiciário.

Passados dez anos, os laudos psiquiátricos indicam que ele já não apresenta mais perigo à sociedade. Mas Augusto não tem para onde ir, e o manicômio é sua única casa. Hoje se diz arrependido, e não sabe como foi capaz de fazer aquilo.

Os médicos legistas contaram no corpo de Ir. Lindalva 44 perfurações.

Naquela sexta-feira santa, enquanto Cristo morria na cruz, ela morria na sua enfermaria. Cristo levou 39 açoites, e com as 5 chagas, dos pés, mãos e costado, ao todo 44,  unia simbolicamente a morte de Lindalva à sua paixão, que um pouco antes ela acabara de celebrar na Via-Sacra. Com impressionante realismo ela agora podia repetir as palavras de Cristo no Evangelho: “Não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em resgate de muitos” (Mt 20, 28).

À noite, a procissão do Senhor Morto, que todos os anos passava por aqueles quarteirões, parou na Capela do abrigo. O caixão com corpo de Ir. Lindalva foi trazido e colocado entre o féretro do Senhor Morto e a estátua de Nossa Senhora das Dores.

Por toda aquela noite ali compareceu uma multidão de fiéis, padres, religiosos, pessoas de todas as condições sociais, e até mesmo evangélicos, vindos de toda a cidade.

Pela manhã do Sábado Santo Dom Lucas Moreira Neves, então Cardeal Primaz de Salvador, celebrou as exéquias. Na missa do domingo in albisele comentou que poucos anos de vida religiosa foram suficientes para que ela recebesse a graça do martírio, pois deu a sua vida por amor, como São Maximiliano Maria Kolbe, também mártir. E evocando as “sugestões que o seu nome encerra”, disse: “Linda alva é a branca veste que ela, como cada cristão, recebeu no seu batismo; Linda alva é o seu hábito azul de Irmã de Caridade, agora alvejado no Sangue do Cordeiro (Ap. 7, 14) ao qual se misturou o seu sangue; Linda alva é a límpida aurora da Páscoa de Jesus, que raiou para ela três dias depois da sua trágica sexta-feira santa. Límpida aurora – linda alva – da sua própria Páscoa!”

 

Oração para suplicar a canonização

“Pai Santo, vosso amor seduziu o coração de Irmã Lindalva que se deixou guiar pelo dever de cuidar do seu pai e, em seguida,  pela obediência da fé, escolher a Vida Consagrada. No Carisma Vicentino, dedicação plena aos mais abandonados, sua vida ganhou, também na Sexta-feira Santa, a coroa do martírio. Seu hábito azul de Filha da Caridade, tingido de Sangue, tornou-se Linda Alva no Sangue do Cordeiro. Concedei-nos, vos pedimos, a graça de sua canonização afim de que ela, na Igreja, inspire a oferta de muitos e seja a testemunha perene da límpida aurora da Páscoa de Jesus, o Filho Amado, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.”

sexta-feira, 8 de abril de 2022

 

NOSSA SENHORA DA PENHA

 

Nossa Senhora da Penha de França ou Nossa Senhora da Penha é um dos nomes que recebe Maria, Mãe de Jesus, que acreditam os católicos, apareceu à Simão Vela no norte da Espanha, numa serra chamada Penha de França. Lá, sua festa é comemorada no dia 8 de abril.

Em São Paulo ocorre a cada 8 de setembro e em Resende Costa, onde é padroeira, comemora-se no dia 1° de setembro. Existia no norte da Espanha uma serra muito alta e íngreme chamada Penha de França, na província de Salamanca, na qual o rei Carlos Magno teria lutado contra os mouros.

Por volta de 1434, segundo algumas fontes históricas no dia 19 de maio, certo monge francês sonhou com uma imagem de Nossa Senhora que estava enterrada no topo de escarpada montanha,em razão de uma guerra entre franceses e muçulmanos, na qual os católicos escondiam suas imagens para não serem destruídas, cercada de luz e acenando para que ele fosse procurá-la. Simão Vela, assim se chamava o monge, durante cinco anos andou procurando a mencionada serra, até que um dia teve indicação de sua localização e para lá se dirigiu.

Após três dias de intensa caminhada, pela razão de segundo ele próprio, em seus êxtases ouvir sempre a advertência divina: "Simão, vela e não durma!" (pelo que passou a adotar o sobrenome de Vela, como ficou conhecido), escalando penhas íngremes, o monge parou para descansar, quando viu sentada perto dele uma formosa senhora com o filho ao colo que lhe indicou o lugar onde encontraria o que procurava.

Auxiliado por alguns pastores da região, conseguiu achar a imagem que avistara em sonho. Construiu Simão Vela uma tosca ermida nesse local, que logo se tornou célebre pelo grande número de milagres alcançados por intermédio da Senhora da Penha, e mais tarde ali foi construído um dos mais ricos e grandiosos santuários da cristandade.

São comemorados, também, neste dia: Santa Júlia Billiart, São Gualter (confessor), Santo Edésio de Alexandria (mártir), Santo Amâncio de Como (bispo), Santa Concessa de Cartago (mártir), São Dionísio de Corinto (bispo), São Frutuoso de Braga (monge e bispo), Santa Máxima, São Gulater e São Valter de Pontoise.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

 

MARIA, PUPILA DOS OLHOS DE DEUS

 

“E hoje, por meio de Maria, a Mãe de Misericórdia, queremos elevar a Deus o clamor dos nossos irmãos oprimidos e as angústias, e o sofrimento de todos os homens. Mãe querida, santa Mãe de Deus, colocamos em tuas mãos o clamor dos nossos irmãos oprimidos, arrasados pelas injustiças e incompreensões dos poderosos. Mãe dos aflitos, doce Maria. Em Canaã da Galiléia a Senhora percebeu a falta de vinho, e falou pessoalmente com Cristo. (cf Jo 2, 3). A Senhora convidou os serventes a fazer tudo o que Jesus lhes dissesse (cf Jo 2, 5), e as águas das talhas se transformaram  no vinho bom (cf Jo 2, 9-10). Ó Mãe de Bondade, escuta o nosso pedido. Os seus filhos estão numa grande aflição, com fome de amor e sede de justiça. “Os nossos ossos se desconjuntam , o nosso coração se derrete como cera, a nossa garganta está seca como o barro cozido e a nossa língua se pega ao nosso paladar; estamos reduzidos ao pó da morte.” (Sl 21, 15-16). Mãe de Misericórdia, nossa vida, doçura nossa e nossa esperança. Assim como alguém  do povo rompeu o cordão oficial e compadecido enxugou o rosto de seu Filho querido na dolorosa marcha para o Calvário, volta para nós, Senhora, o seu olhar misericordioso e enxuga a face destes filhos atormentados que cambaleiam. Mãe das bem-aventuranças, ò Mãe querida. O nosso Calvário prossegue; mas, até quando? Mas, confiantes, nós olhamos para a Senhora, para as suas mãos. Nós não queremos covardia e nem vingança, nem ódio, nem matança. Ò Maria, pupila dos olhos de Deus. Ajuda-nos a plantar neste chão árido, com garra e honra, braço firme e braço forte, a justiça, a fraternidade e a paz. Que elas sejam o nome de nossas sandálias, a marca de nossos passos e a certeza no nosso caminho. Nossa Senhora da Vitória, dá um jeito. Cristo veio para que tenhamos vida, e a vida em abundância.  (cf Jo 10, 10). Ele está à porta e bate. (cf  Apoc 3, 20). Ajuda-nos a abrir as portas  de todos os homens para que Cristo entre, para que ele fique sempre conosco e com ele, de casa em casa haja  uma grande refeição, o amor maior, “o pão nosso de cada dia” (Mt 6, 11). Virgem Gloriosa, assunta aos céus; apressa o dia em que o mundo ficará  perplexo “quando a bondade e a fidelidade se encontrarem , quando a justiça e a paz se abraçarem, quando a verdade brotar da pedra e do céu olhar a justiça, quando o Senhor nos der uma chuva de bençãos e a nossa terra produzir o seu fruto.” (Sl 84, 11-13). Naquele dia, graças à sua maternal proteção, a justiça voltará à terra, a fraternidade reinará nos corações de todos os homens e na terra dos homens de fé e de esperança estará nascendo um novo dia.”  (Irmão José Milson - Marista - Unda Brasil).

quarta-feira, 6 de abril de 2022

 

ADVOGADA NOSSA...

 

Salve Rainha, Mãe de misericórdia, doçura da vida, esperança nossa, salve...

Esta é uma das mais belas orações que já foram feitas para Maria, a Nossa Senhora, a nossa boa Mãe do céu...

Neste nosso mundo não existe um título maior que uma mulher possa receber além de ser chamada de Rainha. O título de Rainha é o máximo das honras que podemos dedicar a uma mulher.

Quando chamamos Maria de Rainha, chegamos à conclusão que tudo neste mundo, a nossa vida, a nossa vontade pertence a ela e é por ela dirigida.

E Maria não é somente Rainha deste mundo, mas Rainha dos Anjos, Rainha dos Santos, e de tudo o que foi criado por Deus. Maria é a Rainha do Universo.

Mas o nosso coração quer ter mais intimidade com Maria, e, por sermos seus filhos, não ficaríamos satisfeitos de chamá-la somente de Rainha.                  

Como filhos que a amamos e conhecemos o seu grande amor que tem por todos nós, nós também a chamamos de Mãe de Misericórdia. Maria é Rainha, mas, além de Rainha, ela é a Mãe de  Misericórdia, é a doçura da nossa vida, e toda a nossa esperança se resume no amor que Maria tem por todos nós e por cada um de nós em particular.

Em toda a história da nossa Santa Igreja, temos testemunhos maravilhosos da interseção de Maria, socorrendo sempre alguém em particular, ou todo o povo de Deus.

E, continuando a oração da Salve Rainha, mais adiante nós invocamos Maria como Advogada nossa... ``eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei...`` Maria, Advogada nossa. Será que entendemos bem o  que isso quer dizer???

Advogado é alguém deste mundo que é pago para defender os nossos interesses perante a justiça, perante o juiz, interesses no que diz respeito às leis dos homens.          

Mas Maria é uma advogada que não exige honorários materiais, é uma Advogada que defende os nossos interesses junto ao Juiz Eterno, o Deus Pai Todo Poderoso.  

Que grande privilégio nós temos - ter Maria como Advogada Nosso junto ao trono de Deus Pai.             E Maria não é uma advogada como são os advogados desta terra que ora ganham ora perde causas - Maria é uma advogada que não perde causa alguma.                

Exemplo disso nós temos nas Bodas de Canaä, quando, por uma intercessão de Maria, um pedido de Maria, uma defesa de Maria, Jesus fez o seu primeiro milagre, transformando água em vinho, mesmo não sendo ainda o momento de Jesus se manifestar publicamente como Filho de Deus.     Maria é aquela advogada que fala por nós junto de Deus, que intercede por nós, que nos defende da justiça divina, volvendo sobre nós os seus olhos misericordiosos...          

Estava certo São Bernardo quando, em oração, dizia – “jamais se ouiu dizer que qualquer cristäo que tivesse recorrido à proteçäo de maria, tivesse sido por ela desamparado”.  

Não existe ninguém neste mundo que, com fé e confiança tenha recorrido à proteção de Maria e não tivesse sido por ela atendido. Como Rainha, como Mãe de Misericórdia, como Advogada Nossa, Maria jamais nos desampara, nos protege sempre e nos guia pelos caminhos mais seguros ao encontro de Jesus, e esse caminho ela já nos mostrou nas bodas de Canaä, quando disse aos serventes do casamento e a todos nós - ``façam tudo o que o meu filho vos disser...``              

E hoje, Maria, como mãe e advogada, continua nos repetindo, sem cessar - Faça tudo o que o meu Filho Jesus lhe manda fazer..., siga os seus mandamentos, viva os seus ensinamentos, viva o mandamento do amor. Maria é uma excelente advogada porque, além de cuidar dos nossos interesses junto a Deus Pai, ainda nos orienta e nos indica o caminho que devemos seguir.

Devemos invocar todos os dias, sem cessar, Maria como nossa Advogada, na certeza de que ela fará cair sobre nós em abundância, chuvas de graça e a misericórdia de Deus.                       

Maria é a nossa intercessora junto de Deus Pai, através de Jesus Cristo.        

Deus, quando nos quis mandar o seu Filho, Jesus Cristo, o fez por meio de Maria.               Jesus veio até nós por meio de Maria. Não existe outro caminho que nos conduza a Jesus, se esse caminho não se chamar Maria. Maria, a nossa Rainha, a nossa Mãe de Misericórdia, a doçura da nossa vida, a esperança da vida eterna, é a nossa Advogada de olhos misericordiosos que não se cansam de se volverem até nós... 

terça-feira, 5 de abril de 2022

 

PADRE MARIANO DE LA MATA APARÍCIO - 1905-1983

 

Padre Mariano de la Mata Aparício nasceu em 31 de dezembro de de 1905 em Palência, norte da Espanha, de uma família profundamente cristã.

Como seus três irmãos tinham ingressado na Ordem Agostiniana, ele também sentiu-se atraído para essa mesma vida sacerdotal.

Ordenado sacerdote, em 25 de julho de 1930, foi destinado a vir para o Brasil, em 21de agosto de 1931, para a paróquia de Taquaritinga.

Foi professor e vigário da paróquia Santo Agostinho, em São Paulo. Foi superior da vice-província dos agostinianos e diretor espiritual das "Oficinas de Santa Rita de Cássia".

Distinguiu-se pela bondade. Era amável, mensageiro do amor. Sempre dava a Unção dos Enfermos às pessoas doentes. Distinguia-se pelo amor à Eucaristia e a Nossa Senhora da Consolação. Amava a natureza, cultivava com amor as plantas, emocionava-se com as beleza das flores. Era de caráter firme e generoso, coração aberto e sensível.

Apesar da deficiência auditiva e visual, levava aos doentes o conforto da esperança e da Eucaristia. Dava assistência aos doentes e às suas famílias. Distinguia-se pelo amor à Eucaristia, a Nossa Senhora, aos pobres, carentes e necessitados.

Suas grandes paixões: natureza, família, as Oficinas de Santa Rita de Cássia, as vocações agostinianas.

Padre Mariano morreu em 5 de abril de 1983, no Hospital do Câncer, em São Paulo . O processo de beatificação foi aberto em 31 de maio de 1987, pelo Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

Em 20 de novembro de 2004, o Santo Padre reconheceu a veracidade do milagre que havia realizado e suas virtudes heroicas.

O milagre atribuído a Padre Mariano aconteceu em abril de 1996, em Barra Bonita, São Paulo. O menino João Paulo Palotto tinha 6 anos quando foi atropelado por um caminhão.

Teve traumatismo encefálico grave, hemiplegia e olho esquerdo projetado para a frente, além de hemorragia, parada respiratória. Foi então que Padre Luís Miguel pediu que todos rezassem. O menino foi transferido para vários hospitais, até que em maio do mesmo ano de 1996, João Paulo estava totalmente recuperado, graças à intervenção de Padre Mariano. Padre Mariano foi beatificado no dia 5 de novembro de 2006, na catedral da Sé em São Paulo presidida pelo representante do Vaticano, o cardeal José Saraiva Martins. 

segunda-feira, 4 de abril de 2022

 

MARIA, MÃE DE JESUS, MÃE DA MISERICÓRDIA

 

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, doçura da vida, esperança nossa, salve...

Com muita justiça, a nossa santa Igreja chama Maria de Mãe de Misericórdia, porque Maria é a Mãe de Jesus, e Jesus é a Misericórdia de Deus personificada, encarnada no seio puríssimo da Virgem Maria.

Maria é a Mãe de  Misericórdia, porque a misericórdia de Deus se manifestou esplendorosamente nela quando o Senhor Nosso Deus enviou seu mensageiro até Nazaré para consultar a Virgem Pura e Bela para perguntar-lhe se ela aceitaria ser a Mãe do Filho do Altíssimo. Mãe de Misericórdia, porque a misericórdia de Deus se fez carne e veio habitar entre nós, ``O Verbo se fez carne e habitou entre nós`` (Jo 1, 14), se tornando ``no bendito fruto do sacrossanto e virginal ventre de Maria.  Maria, tão privilegiada por Deus, escolhida entre as demais mulheres, merece toda a nossa veneração. É opinião de santo Anselmo e de muitos outros santos que criatura alguma, em tempo algum, alcançou tão alta dignidade como Maria Santíssima, sendo a Mãe do Altíssimo, (e, por conseguinte, Mãe de Misericórdia.)   Como Mãe de Jesus Cristo, (a Misericórdia de Deus encarnada), Maria está acima de todos os Anjos e Santos do céu (e da terra) que nela reconhecem e veneram sua gloriosa Rainha (a Mãe de Misericórdia). (Itálico do livro - Na Luz Perpétua, pg. 186).

Por meio de Maria se realizaram todas as promessas do Altíssimo no sentido de fazer o homem retornar ao seu verdadeiro destino.

O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, mas escolheu outros caminhos, se afastando da perfeição e da santidade.

O Senhor prometera a salvação que viria por meio de uma mulher que pisaria a cabeça da serpente, o símbolo do mal, e os profetas anunciaram que essa mulher, muito embora sendo mãe, continuaria virgem, e tudo isso se realizou em Maria, e, por isso, Maria é o Vaso Espiritual, Vaso Honorífico, Vaso Insigne de Devoção, Vaso Puro, Vaso Santo em que o Senhor Nosso Deus manifestou a sua misericórdia, fazendo com que, de Maria nos viesse a salvação prometida desde o início dos tempos.

Maria é a Mãe de Misericórdia porque é a Mãe de Jesus Cristo, Mãe da Divina Graça, Mãe do Bom Conselho, Mãe do Criador, Mãe do Salvador. Maria é Mãe de Misericórdia porque é a Saúde dos Enfermos,. Auxílio dos Cristãos, Refúgio dos Pecadores, Consoladora dos Aflitos.

No dizer de são Bernardo, ``jamais se ouviu dizer que pessoa alguma que tivesse recorrido à proteção da Virgem Santíssima tivesse sido por ela desamparado.``

Maria não desampara o seu devoto. Maria não desampara o seu filho que põe em suas mãos maternais toda a sua confiança, toda a sua vida, toda a sua esperança.

A misericórdia de Deus se manifesta através de Maria. E por ser a Mãe de Misericórdia, Maria é a doçura da nossa vida, nossa esperança. Quando somos tocados pela misericórdia de Deus que nos em através de Maria, sentimos na alma aquele mesmo conforto que levou Maria a entoar um hino de louvor ao Criador de todas as coisas, quando disse - ``Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito  exulta em Deus meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva,  e, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo Poderoso fez grandes coisas em meu favor.`` (Lc 46-49). Todos os dias, em todos os momentos, não poderíamos deixar de repetir sempre e sem cessar - ``Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, doçura da vida, esperança nossa, salve... Rogai por nós, Santa Mãe de Deus. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo...`` e possamos receber, ainda que indignamente, por vossas mãos maternais, a Misericórdia de Deus...

domingo, 3 de abril de 2022

 

“QUEM DENTRE VOCÊS NÃO TIVER PECADO, ATIRE A PRIMEIRA PEDRA” (Jo 8,7)

 

Diácono Milton Restivo

 

Na liturgia de hoje o Evangelho de João narra o episódio que é conhecido como o da mulher adúltera. Não se pode avaliar ou tirar conclusões de uma perícope ou passagem do Evangelho ou das Sagradas Escrituras sem ter conhecimento da história e dos costumes do povo da época. Seria muita leviandade de nossa parte fazer um julgamento precoce e imediato dessa passagem evangélica levando em consideração os nossos costumes, a nossa lei, a nossa moral e ética. As situações eram bem diferentes do que são hoje. A religião judaica era uma religião machista, patriarcal, feita só para homens. As mulheres não eram nem coadjuvantes.

Vamos fazer apenas algumas colocações para que seja entendida a situação da mulher na sociedade patriarcal judaica do Antigo Testamento e no tempo de Jesus. Para uma mulher judia sair de casa sem cobrir a cabeça era considerado ato tão ofensivo ao marido que este tinha o direito de repudiá-la e separar-se dela sem direito algum para a esposa. Isso ofendia de tal modo os bons costumes que o marido tinha o direito, inclusive o dever religioso, de expulsá-la de casa e divorciar-se dela, sem estar obrigado a pagar-lhe a soma combinada no contrato matrimonial.

O homem bem educado jamais poderia encontrar-se, a sós, com uma mulher, onde quer que seja. Se a mulher fosse casada o homem deveria evitar olhá-la ou saudá-la.

Um pai podia vender sua filha como escrava, após ela ter completado doze anos. Fato pouco comum, mas que servia para manter a submissão feminina.

No Pentateuco era permitido ao pai israelita pobre ou endividado vender sua filha para que fosse concubina do homem que a comprasse ou de seu filho. Se a mulher, agora escrava, não agradasse ao seu amo, ela poderia ser resgatada, mas o seu senhor judeu não podia revendê-la (como peça de mercado) a um estrangeiro, mas poderia ser vendida a um outro judeu:

·         “Se alguém vender a filha como escrava, esta não sairá como saem os escravos. Se ela desagradar o patrão, a quem estava destinada, este deixará que a resgatem; não poderá vendê-la a estrangeiros, usando de fraude com ela. Se o patrão destinar a escrava para seu filho, este o tratará conforme o direito das filhas”. (Ex 21,7-9).

As filhas tinham que ceder os principais lugares para os filhos homens e, inclusive, permitir que eles passassem primeiro pelas portas das casas antes que elas. Em muitos lares os filhos eram incentivados a usar sua força contra as suas irmãs a fim de irem aprendendo a dominar as mulheres. A mulher não podia atuar como testemunha num tribunal, nem como testemunha de acusação; o testemunho da mulher não era válido. A mulher era considerada pecadora e mentirosa por natureza. Seu testemunho em um julgamento era considerado de pouco valor. Somente o marido tinha o direito de romper o matrimônio exigindo o divórcio, a mulher não.

Causas prováveis de divórcio: além do citado acima, de sair na rua sem cobrir a cabeça; a mulher que perdia seu tempo na rua falando com outras mulheres (porque não podia conversar com homens), ou que se põe a fiar na porta de sua casa, podia ser repudiada por seu marido sem qualquer compensação econômica. Segundo o rabi Hille, “inclusive quando a esposa tivesse deixado a comida se queimar”, podia ser repudiada com o divórcio. As mulheres não tinham acesso ao ensino religioso e eram deixadas à parte nos cultos; eram, portanto, analfabetas.

Chegavam-se aos extremos, como os do rabi Eliezer, da época de Jesus, que dizia:

·         “Quem ensina a Torá para sua filha, ensina-lhe a libertinagem (ela fará mau uso do que aprendeu).  É melhor queimar a Lei santa do que entregá-la a uma mulher.” 

Entenda-se que seria melhor jogar a Torá no fogo do que permitir que uma mulher a lesse e a entendesse. Muitas outras opressões existiam contra as mulheres.

Imagine a coragem de Jesus ao conversar com as mulheres, instruí-las e tratá-las com dignidade. Na época de Jesus a mulher não era mais do que uma propriedade do seu marido, que era o seu dono. O marido possuía empregados, escravos, propriedades e a própria mulher como propriedade sua. O Decálogo, os dez mandamentos constantes na Lei de Moisés, coloca a mulher como propriedade de seu marido com as demais posses, juntamente com a casa e o campo, o escravo e a escrava, o boi e o asno:

·         “Não cobice a casa de seu próximo, nem a mulher do próximo, nem o escravo, nem a escrava, nem o boi, nem o jumento, nem coisa alguma que pertença ao seu próximo”. (Ex 20,17; Dt 5,21). 

Como pode ser observado, a mulher era colocada no mesmo nível da escrava, do boi, do jumento e de todas as outras propriedades do marido. E isso está no Decálogo, nos dez mandamentos. Rabinos judaicos iniciavam todos os encontros nas sinagogas com as seguintes palavras, "Bendito sejas tu, Senhor, porque tu não me fizeste mulher". As mulheres eram excluídas da vida religiosa e raramente lhes ensinavam a Torá em privacidade, porque isso era proibido.

Jesus começou, publicamente, a incluir muitas mulheres como suas discípulas, o que era rejeitado pelos rabinos e não permitido pelos doutores da Lei, escribas e fariseus, e isso enfurecia os líderes religiosos. No Templo e nas sinagogas homens e mulheres ficavam rigorosamente separados; as mulheres sempre em lugares inferiores, secundários, e jamais poderiam ler os livros da Lei ou dos Profetas, mesmo porque eram analfabetas, e não podiam nem falar durante o culto. O culto na sinagoga era celebrado apenas caso houvesse presentes ao menos dez homens com mais de treze anos de idade, por mais numerosas que fossem as mulheres; as mulheres não contavam.

As mulheres não aprendiam a ler, não frequentavam qualquer tipo de escola, estavam isentas de peregrinar nas grandes festas anuais a que estavam obrigados os homens, e de outras práticas religiosas, e nem podiam pronunciar a ação de graças à mesa, mas, eram obrigadas a cumprir todas as proibições da lei religiosa, e submetidas, também, a todo rigor da legislação civil, penal e religiosa, inclusive à pena de morte, como vemos no caso da mulher adúltera (Jo 8,1-5).

No livro do Levítico encontramos:

·         “O homem que cometer adultério com a mulher de seu próximo deverá morrer, tanto ele como ela” (Lv 20,10).

E no Deuteronômio:

·         “Se um homem for pego em flagrante tendo relações sexuais com uma mulher casada, ambos serão mortos, o homem que se deitou com a mulher e a mulher. Deste modo você eliminará o mal de Israel. Se houver uma jovem prometida a um homem, e outro tiver relações com ela na cidade, vocês levarão os dois à porta da cidade, e os apedrejarão até que morram; a jovem por não ter gritado por socorro na cidade, e o homem por ter violentado a mulher de seu próximo”. (Dt 22,22-24).

Mas isso não aconteceu quando apresentaram a mulher adúltera para Jesus, que “foi surpreendida em adultério” (sozinha?). Se a mulher foi surpreendida em adultério, deveria haver um homem em cena, porque sozinha isso seria impossível; onde estava o homem que praticou o ato libidinoso com a mulher? Então vê-se que o homem era protegido, não estava enquadrado nos rigores da lei e estava isento de qualquer responsabilidade; somente a mulher era culpada.

Há registro que, nos séculos I e II dC, três vezes ao dia, o homem judeu agradecia a Deus, rezando, por não terem sido criados pagão, escravo, ou mulher.

Assim diz um comentário do século II:

·         Rabi Jehuda diz: “devem ser feitas três orações diárias: Bendito seja Deus que não me fez pagão. Bendito seja Deus que não me fez mulher. Bendito seja Deus que não me fez ignorante. Bendito seja Deus que não me fez pagão: porque todas as nações diante dele são como nada (Is 40,17). Bendito seja Deus que não me fez mulher: porque a mulher não está obrigada a cumprir os mandamentos. Bendito seja Deus que não me fez ignorante: porque o ignorante não se envergonha de pecar”.

Nem sempre o homem que não cumprisse a lei seria punido, mas a mulher jamais escaparia da punição, como vemos no caso da mulher adúltera.

Como foi citado acima, o judeu que se considerava educado, puro e santo, jamais conversaria na rua com uma mulher sozinha, e principalmente ainda se essa mulher estivesse isolada no campo, e principalmente ainda se essa mulher fosse de vida duvidosa, e principalmente, ainda se essa mulher fosse uma estrangeira. 

Jesus desafiou as leis sociais em relação a ambos os sexos e conversava com as mulheres onde quer que fosse, ainda que a mulher fosse uma estrangeira. Não aconteceu assim com a samaritana, mulher estrangeira e de um povo inimigo dos judeus? E onde estava a samaritana? Ela não estava sozinha buscando água num poço afastado da sua comunidade? E quem era a samaritana? Mulher estrangeira, pertencente a um povo considerado infiel à lei de Moisés, inimigo dos judeus, de conduta moral duvidosa, sozinha num lugar descampado...  (Jo 4,1-30). A samaritana era uma mulher que estava sozinha no campo (apanhando água na fonte de Jacó); uma mulher estrangeira, idólatra para os judeus, de moral duvidosa, pois já havia tido cinco maridos, e maldita por todo judeu que se julgava fiel e santo, e isso é constatado na admiração e surpresa e até repulsa de seus discípulos quando flagraram Jesus conversando com esse tipo de mulher sozinho, em lugar isolado, na fonte de Jacó, fora da cidade da região de Samaria chamada Sicar:

·         “Naquele instante (enquanto Jesus conversava com a samaritana), chegaram os seus discípulos e admiravam-se de que falasse com uma mulher; nenhum deles, porém, lhe perguntou: ‘que procuras’? ou: ‘o que falas com ela?” (Jo 4,27). 

Ficaram com medo de inquirir o Mestre sobre sua atitude. E o que presenciamos depois disso? A comunidade cristã da Samaria começa a existir exatamente por essa mulher, de vida e moral duvidosa, idólatra, estrangeira que qualquer judeu de bom senso deveria cortar léguas dela, e foi para ela que Jesus ofereceu a água viva:

·         “Se você conhecesse o dom de Deus, e quem lhe está pedindo de beber, você é que lhe pediria. E ele daria a você água viva. [...] A mulher então, deixou seu cântaro e correu à cidade, dizendo a todos: ‘Venham ver um homem que me disse tudo o que fiz. Não será ele o Cristo? ’ Eles saíram da cidade e foram encontro de Jesus”. (Jo 4,29-30).

A afirmação de Jesus: “Muitos os que agora são primeiros, serão os últimos, e muitos que agora são os últimos serão os primeiros.” (Mc 10,31; cf Mt 19,30; 20,16), aplicava-se, de uma maneira especial, às mulheres pela sua situação de inferioridade nas estruturas dominadas pelos homens nas comunidades patriarcais judaicas.

Contrariando todas as expectativas da época, em que o Rabi só podia ter discípulos homens, Jesus foi ousado e não teve somente discípulos homens; teve muitas discípulas mulheres, aliás, mais assíduas do que os próprios homens, e ter discípulas mulheres era proibido aos mestres judeus (desculpem-me pelos “discípulos homens” e “discípulas mulheres”. Foi apenas para chamar mais a atenção sobre o fato. Vou insistir nisso). 

Jesus teve mulheres amigas muito queridas, como as irmãs Marta e Maria, e manifestou por elas amizade humana, intensa, profunda e publicamente:

·         Estando (Jesus) em viagem, entrou num povoado, e certa mulher, chamada Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, ficou sentada aos pés do Senhor, escutando-lhe a palavra”. (Lc 10,38-42);

·         “Jesus amava Marta e sua irmã (Maria) e Lázaro. Quando Jesus a viu chorar (Maria) e também os judeus, que a acompanhavam, comoveu-se interiormente e ficou conturbado”. (Jo 11,5.33);

·         “Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi à Betânia, onde estava Lázaro que ele ressuscitara dos mortos. Ofereceram-lhe um jantar: Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Então Maria, tendo tomado uma libra de um perfume de nardo puro, muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos; e a casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo”. (Jo 12,1-8).

Jesus teve centenas de mulheres discípulas:

·         “Maria de Magdala, chamada de Madalena, de que Jesus fez sair sete espíritos; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Suzana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos seus discípulos com os bens que possuíam.” (Lc 8,1-3; cf Mc 15,40-41). 

Voltemos ao assunto que nos fez fazer essa explanação a respeito de como eram tratadas as mulheres em toda a narração das Sagradas Escrituras. O que dizer, então, da mulher adúltera apresentada de forma constrangedora a Jesus?  Pela Lei de Moisés e dos judeus essa mulher deveria ser morta por apedrejamento, conforme prevê o livro do Deuteronômio 22,22:

·         “Se um homem for pego em flagrante tendo relações sexuais com uma mulher casada, ambos serão mortos, o homem que se deitou com a mulher e a mulher. Deste modo você eliminará o mal de Israel”.

Mas, onde estava o homem? Porque não o apresentaram? E qual foi a atitude de Jesus diante dos anciãos, sacerdotes, escribas, doutores da lei e todo o povo?

Os escribas e os fariseus estavam, desde longa data, maquinando uma armadilha para pegar Jesus e desacreditá-lo diante da opinião pública. Talvez tivesse chegado o momento.

Era de manhã e Jesus estava chegando ao Templo. Vieram até ele os mestres da Lei e os fariseus trazendo uma mulher em estado lastimável de vergonha, humilhação e desespero. Segundo eles, a mulher havia sido pega em flagrante, cometendo adultério, um dos três pecados gravíssimos citados na Lei de Moisés, que era punido com a morte por apedrejamento. Os rabinos diziam:

·         “Todo judeu deve morrer antes de cometer idolatria, adultério ou assassinato.”

 O adultério era um dos três crimes e pecados mais graves e a Torá era muito clara neste aspecto, variando apenas a forma de como se deveria cumprir a pena de morte:

·         “O homem que cometer adultério com a mulher de seu próximo deverá morrer, tanto ele como ela”. (Lv 20,10).

Mas não fala da forma como deveriam ser mortos.

O livro do Deuteronômio, 22,24, estabelece a pena no caso da mulher já estar casada, e, neste caso, deve-se tirar a mulher e o homem fora das portas da cidade e serem apedrejados:

·         “e vocês levarão os dois à porta da cidade e os apedrejarão até que morram.”

Adultério era um pecado contra Deus e contra a Lei de Moisés, e que era para ser aplicado tanto para a mulher... quanto para o homem (???). Mas, trouxeram somente a mulher. Insisto: cadê o homem que consumira com ela o ato de adultério? A mulher teria cometido o adultério sozinha?

Afinal de contas, quem era a mulher? Que valor tinha a mulher na sociedade judaica?

Os doutores da Lei e os fariseus estavam menos preocupados com o pecado que a mulher cometera e mais preocupados em desacreditar Jesus e submetê-lo a um descrédito e delito maior.

Se Jesus inocentasse a mulher estaria contrariando a Lei de Moisés, o que seria causa de morte também. Se ele condenasse a mulher à morte por apedrejamento estaria contrariando todos os seus ensinamentos baseados na lei do amor e da misericórdia, e ainda mais, contrariaria a lei dos romanos que haviam tirado dos judeus o direito de aplicar a pena de morte a quem quer que seja, e isso deixaria Jesus em maus lençóis com os dominadores do povo judeu, os romanos.  

Repito a Lei mosaica que prescrevia a pena de morte para uma mulher casada, pega em adultério, tanto quanto para o homem:

·         “Se um homem for pego em flagrante tendo relações sexuais com uma mulher casada, ambos serão mortos, o homem que se deitou com a mulher e a mulher. Deste modo você eliminará o mal de Israel. Se houver uma jovem prometida a um homem, e outro tiver relações com ela na cidade, vocês levarão os dois à porta da cidade, e os apedrejarão até que morram; a jovem por não ter gritado por socorro na cidade, e o homem por ter violentado a mulher de seu próximo”. (Dt 22,22-24).

O Evangelho de João relata que os romanos tinham retirado dos judeus o direito de condenar alguém a morte:

·         “Pilatos disse: ‘Encarreguem-se vocês mesmos de julgá-lo conforme a lei de vocês’. Os judeus responderam; ‘Não temos permissão de condenar ninguém à morte’.” (Jo 18,31).

Portanto, se Jesus dissesse que a mulher deveria ser apedrejada, ele contrariaria a lei civil dos romanos; se ele negasse esta pena, estaria contra a lei religiosa mosaica.

Os doutores da Lei e os fariseus procuravam, por todos os meios estratégicos, de como apanhar e encontrar em Jesus alguma contradição, ou erro contra a Lei de Moisés, tradições, costumes judaicos que pudessem incriminá-los, para que, de alguma forma, Jesus ficasse mal visto aos olhos do povo, e desacreditado e que ele perdesse sua popularidade.

Jesus não defende a mulher do delito que havia cometido; ela era realmente adúltera, não prostituta, e a trata como tal, mas com amor, compreensão, compaixão e misericórdia. Mas a Lei determinava que morressem os dois: homem e mulher que cometeram o delito. Mas, onde estava o homem? Adúlteras e prostitutas existem, sim, mas elas não existiriam se não houvessem homens covardes que delas tiram proveito e depois lhes apontam o dedo para incriminá-las, escondendo-se na multidão dos que gritam condenando-as e incentivando o apedrejamento. Quem sabe se o homem que havia cometido adultério com aquela mulher não estaria também na multidão apontando o dedo e condenando aquela infeliz a morte para se ver livre de futuras acusações?

Pela Lei aquela mulher deveria ser punida com o apedrejamento. Deveria ter sido uma cena constrangedora. Para surpresa de todos, Jesus ignora os julgadores e com misericórdia e muito amor coloca a sua atenção na mulher. A fisionomia da mulher estava transtornada, triste, aterradora. Estava com medo, angustiada, apavorada, sem nenhuma perspectiva de futuro; afinal das contas, sua vida terminaria ali. Ela fora pega praticando sexo com um homem, provavelmente casado, e estava, agora, nas mãos de seus possíveis algozes, mas o companheiro de infortúnio havia desaparecido ou estaria no meio da multidão para condená-la também por conveniência própria e da própria Lei que protege os que direcionam a lei contra os fracos e oprimidos.

Jesus não apela nem para a lei dos homens e nem para a Lei de Moisés. Jesus coloca em prática a Lei da Graça onde a pessoa é mais importante do que a letra. Jesus usou a lei da liberdade, a lei do perdão, a lei da misericórdia, a lei da compaixão, a lei do amor. Os acusadores dizem:

·         “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés na lei manda apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” (Jo 8,4-5).

Olha a má interpretação da lei por conveniência própria: “Moisés na lei manda apedrejar tais mulheres.” E os homens que praticaram adultério com essas mulheres? Como fica?

O Evangelista conhecia a intenção dos acusadores, e testemunha:

·         “Perguntaram isso para experimentar Jesus e para terem motivo de acusá-lo.” (Jo 8,6).

Jesus, com toda a serenidade que sempre pautou sua personalidade, caráter e suas atitudes, conhecedor das intenções dos que queriam pegá-lo em contradição, manteve-se inatingível pelo ódio que reinava no local:

·         “abaixou-se e começou a escrever com o dedo no chão”. (Jo 8,8).

Não sabemos o que Jesus tenha escrito, e jamais o saberemos.

Alguns autores vêem uma referência a uma frase em Jeremias:

·         "aqueles que se afastam de ti terão seus nomes inscritos na poeira, porque abandonaram Yahweh, a fonte de água viva" (Jr 17,13).

Talvez Jesus tivesse escrito no chão o que já havia ensinado antes:

·         “Não julguem, e vocês não serão julgados. De fato, vocês serão julgados com o mesmo julgamento com que vocês julgarem, e serão medidos com a mesma medida com que vocês medirem. Porque você fica olhando o cisco no olho do seu irmão e não presta atenção à trave que está no seu próprio olho?” (Mt 7,1,3).

Os acusadores insistiram para que Jesus se definisse e desse uma resposta e:

·         “Jesus ergueu-se e disse: ‘Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra’.” (Jo 8,7).

Em outras palavras:

·         “somente quem fosse santo, quem não tivesse pecados, quem fosse puro de mãos e limpo de coração, que não entregasse a sua alma à vaidade e nem jurasse enganosamente” (Sl 24).

Somente quem estivesse nessa situação de pureza poderia ser o primeiro a atirar a pedra. E quem é assim não atira pedra em ninguém, pelo contrário, usa a lei da misericórdia, do perdão e, como Jesus fez, a Lei da Graça onde a pessoa é mais importante do que a letra. E Jesus, diz:

·         “Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra”. (Jo 8,7).

E após dizer isso, abaixou-se novamente e continuou a escrever no chão.

·         “E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo uma a um, a começar pelos mais velhos”. (Jo 8,9).

Resultado: deixaram Jesus sozinho com a mulher. É de se acreditar que até os discípulos e apóstolos, desconsertados com o desfecho, deixaram o local, porque o Evangelista é taxativo:

·         “E Jesus ficou sozinho. Ora, a mulher continuava ali no meio”. (Jo 8,9).

Jesus, então, dirige-se para a mulher fazendo-lhe uma pergunta:

·         “Mulher, onde estão àqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: ‘Ninguém, Senhor’. E disse-lhe Jesus: ‘Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais’.” (Jo 8,10-11).

Perguntando para a mulher se os seus acusadores não a tinham condenado, Jesus deixa claro que ele não se identifica com eles:

·         pois Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho Único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16).  

Ele não veio para condenar, mas para salvar! Por isso a mulher está livre para ir, mas não para pecar de novo! A Lei de Moisés, que é a lei do Antigo Testamento, foi escrita com o dedo de Deus na pedra:

·         “Yahweh disse a Moisés: ‘Corte duas tábuas de pedra, como as primeiras, suba ao meu encontro na montanha, e eu escreverei as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas que você quebrou.” (Ex 34,1).

É por isso que os acusadores entendiam que os infratores da lei de Moisés deveriam ser punidos com a pedra, com o apedrejamento, porque a sua lei foi escrita na pedra.

A Lei do amor, da misericórdia e do perdão, que é a Lei do Novo Testamento e da Nova Aliança, também é escrita, da mesma forma, com o dedo de Deus, mas não na pedra, mas no coração de cada um, transmitida, não para Moisés, mas transmitida pela própria Palavra de Deus:

·         “Palavra de Deus que se fez homem e veio habitar entre nós” (Jo 1,14):

·         “Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos.” (J0 13,34-35).

Por isso é que os que pecam contra essa lei devem ser tratados com compreensão, amor, misericórdia e perdão, assim como fez Jesus. Deus detesta o pecado, mas ama o pecador.

O amor mútuo já era orientado no Antigo Testamento, também como um mandamento:

·         “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18).

Mas que foi olvidado e não levado a sério. Esta é a Nova Lei que Jesus escreve e prescreve. Esta é a Nova e Eterna Aliança, não escrita, mas inscrita nos nossos corações pelo “dedo de Deus”, Jesus Cristo. “Quem não tiver pecado atire a primeira pedra.”.

Jesus podia ter atirado a primeira pedra! Jesus seria o único que poderia ter atirado a pedra, porque ele era o único ali presente que não tinha pecado algum. Mas estendeu a mão e levantou a mulher da sua prostração, libertou-a da sua humilhação, salvou-a até da sua solidão, conversando com ela pela primeira vez, olhando-a, quem sabe, amorosamente, nos olhos.

Com o olhar e com o coração, Jesus deve ter dito àquela mulher:

·         “Eu não te condeno! Eu sou o Messias do Deus sem pedras, o Deus do Perdão abundante. Vai e de agora em diante não tornes a pecar! Vai, e sê de novo!”.

Mais tarde Paulo escreveria:

·         “Onde abundou o pecado, superabundou a graça”. (Rm 5,20).

A graça do perdão de Deus, a graça da misericórdia de Deus, perdoa qualquer pecado por mais duro e por maior que ele seja! 

A misericórdia de Deus é maior do que o maior dos nossos pecados.

Como disse santo Agostinho:

·         “Bendito pecado que nos fez merecer um tão grande Salvador”.

sábado, 2 de abril de 2022

 

SALVE RAINHA, MÃE DE MISERICÓRDIA

 

Salve Rainha, Mãe de misericórdia, doçura da vida, esperança nossa, salve. Salve Rainha, Rainha dos céus, Rainha da terra, Rainha de todo o universo.

Rainha radiante como o sol, Rainha coroada de estrelas, rainha vestida com o azul do infinito, Rainha linda como o raiar de um novo dia. Salve Rainha, Rainha dos Anjos, Gabriel, Rafael, Misael.

Rainha de todos os Anjos que lhe prestam homenagens sem cessar pelos séculos dos séculos... Rainha dos Anjos que cantaram radiantes ``Glória a Deus nas alturas e paz aos homens por ele amados..., quando o Cristo Senhor, o filho da Rainha nascera.

Rainha dos Anjos que a levaram gloriosa de corpo e alma para os céus por ocasião de sua assunção para, junto de Deus, receber a recompensa por ter sido a mais pura e a mais santa de todas as criaturas, depois de seu Filho Jesus.

Salve Rainha, Rainha dos Patriarcas, Rainha de Abrahäo, de Isaac, de Jacó, de Judá, de José, de Moisés, de todos aqueles que foram colunas mestras para a consolidação do povo de Deus e a implantação da justiça e da lei do Senhor no mundo.

Rainha de Israel, do povo escolhido, donde nasceria o Salvador, o Sol da Justiça. Salve Rainha, Rainha dos Profetas, de Isaias, Jeremias, Malaquias, Oséias. Rainha de todos aqueles que prepararam o povo escolhido para a vinda do Senhor. Rainha de João Batista.

Rainha dos Profetas de todos os tempos, de todos aqueles que fizeram de sua palavra a palavra de Deus, de sua vontade a vontade de Deus, de sua vida a vida de Deus.

Salve Rainha, Rainha dos Apóstolos, de Pedro, João, Paulo, Tiago, Mateus. Rainha de todos os que disseram sim ao chamamento vocacional de Jesus Cristo.     

Rainha de Anchieta, de Teresa de Calcutá, dos Bispos e do Papa, Rainha de todos aqueles que, ainda nos nossos dias, fazem valer no nosso meio a Palavra viva do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Salve Rainha dos Mártires, de Sebastião,  de Maria Goreti, de Maximiliano Maria Kolbe, de todos aqueles que deram a sua vida e derramaram o seu sangue por sua fé, por sua religião,  por sua pátria, por seus ideais, como os desaparecidos políticos de todos os países, como os mortos anônimos que são desenterrados nos cemitérios latinos americanos e de todo mundo, como as vítimas dos campos de concentrações de todos os tempos, vítimas de regimes que não respeitam os valores e os direitos humanos.         

Salve Rainha dos confessores, Rainha daqueles que não tem vergonha, não tem medo e nem receio de dizerem que são cristãos, seguidores de Jesus Cristo, ainda que isso lhes custe o emprego, o sossego, e até a própria vida.

Rainha daqueles que confessam a sua fé tanto nos tempos de paz como nos tempos de guerra, tanto nos tempos calmos, como nos tempos de perseguições religiosas.

Salve Rainha das Virgens, de Terezinha do Menino Jesus, de Maria Goreti, de Cecília, de Efigênia.

Salve Virgem Rainha, Rainha de todas as Virgens que dedicaram e dedicam a sua vida inteira para cuidar dos filhos dos outros, dos filhos que não tiveram, e que tornaram seus filhos por amor dos irmãos e de Jesus Cristo.

Salve Rainha de todos os Santos, dos santos de ontem, dos santos de hoje e dos santos de amanhã - dos santos que estão na glória de Deus Pai, dos santos que caminham conosco neste vale de lágrimas, dos santos que despontam no amanhã da esperança de dias melhores.

Salve Rainha concebida sem o pecado original, Rainha pura, Rainha bela, Rainha casta, Rainha imaculada.

Rainha preservada pela graça de Deus da mancha do pecado de qualquer natureza. Salve Rainha da paz, não da paz que se resume na ausência de guerra, mas da paz interior, ainda que o mundo esteja explodindo na maios violenta das guerras. Rainha da paz que vem do amor, da paz que vem da fé, da paz que vem de Jesus Cristo, da paz que o Mestre desejou e deixou aos seus apóstolos, quando disse -``Eu os deixo a minha paz, eu vos dou a minha paz...``

Salve Rainha e Mãe da Igreja que é o povo de Deus e que caminha por veredas muitas vezes inseguras, mas sempre conduzido pela estrela de Belém que fatalmente o levará até a gruta de Belém onde o Senhor Jesus o espera, e onde vós, Rainha, de braços abertos e com um largo sorriso nos receberá a todos os que, partindo deste vale de lágrimas, depois deste desterro, para nos mostrar a Jesus, bendito fruto de vosso ventre, ò clemente, ò piedosa, ò doce, sempre Virgem Maria, sempre Rainha...

sexta-feira, 1 de abril de 2022

 

MARIA, NOSSA MÃE, NOSSA ADVOGADA, NOSSA RAINHA

 

Maria é a nossa mãe, a nossa defensora, a nossa advogada, a nossa Rainha.

Maria é a mulher mais pura, mais bela, mais santa que já pisou o nosso chão.

Tão bela,  tão pura e tão santa que foi a escolhida por Deus, desde o princípio dos tempos, para ser a Mãe do Cristo, do Filho de Deus, daquele que viria para resgatar o homem das trevas do pecado e elevá-lo, novamente à condição de filho de Deus.    

Maria foi a única mulher deste mundo que mereceu tão sublime escolha.

Quando o Anjo Gabriel  lhe veio anunciar que ela fora escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus, o Anjo a chamou de ``Cheia de Graça`` - e ser ``cheia de graça``  quer dizer, cheia de Deus, morada de Deus, templo da Santíssima Trindade, porta do céu, a que vive realmente a vida de Deus e em Deus. A vida de Maria era e sempre foi a vida de Deus, e por isso o Anjo continuou em sua saudação - ``o Senhor está contigo``, o Senhor mora no teu coração,  o Senhor te ama desde antes de tu te formares no ventre de tua mãe, o Senhor te ama desde antes de tua Imaculada Conceição, o Senhor te ama e está contigo em todos os momentos de tua vida.

E depois, na visita que Maria fez à sua prima Isabel, que também estava grávida por  uma graça especial do Senhor apesar de sua velhice, Maria ouviu de Isabel a complementaçäo daquilo   que o Anjo começara a lhe dizer - ``Bendita és tu entre as mulheres``

Bendita és tu entre as mulheres, porque entre todas as mulheres fostes escolhida para ser a Mãe do nosso Salvador, do Nosso Senhor, do Filho de Deus que se faria homem para que todos os homens se fizessem filhos de Deus. Bendita és tu entre as mulheres de todos os tempos e todas as épocas, porque o Filho de Deus foi exigente na escolha de sua mãe -  nenhum ser humano tem a oportunidade e condição de escolher a sua própria mãe - mas o Filho de Deus reservou somente para si esse privilégio e escolheu a sua mãe - e ele não se fez  de rogado e foi muito exigente - dentre todas as mulheres ele escolheu a mais bela, a mais pura, a mais santa, a mais bendita, a mais imaculada, a que o Senhor mais amou e a que mais amou ao Senhor, e por isso, ``bendito é o fruto de teu ventre`` Maria, bendito é o fruto, pois esse fruto é o próprio Filho de Deus que se faz homem, é o próprio Deus que quer precisar de uma mulher para descer de sua divina majestade para se revestir de nossas misérias e da nossa fraqueza humana. Maria foi a escada usada por Deus para descer do alto dos céus e chegar até o porão onde o homem se rasteja no lodo do pecado e nas trevas da ignorância. E é por isso que nós, o povo de Deus, completando a saudação do Anjo a Maria, repetimos todos os dias ``Santa Maria, Mãe de Deus...`` Mãe de Deus porque é a Mãe do Filho de Deus, e o Filho de Deus é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, e, por conseguinte, Deus, e ele é o fruto do ventre de Maria - e continuamos na nossa oração de súplica - ``Rogai por nós, pecadores`` rogai por nós, e não nos deixes entregues ao pecado, `a ignorância, à injustiça, à opressão - estejas sempre conosco, Maria, neste vale de lágrimas ``agora e na hora de nossa morte``, agora, hoje,  no momento em que vivemos esta vida, e estes teus olhos misericordiosos a nós volvei, e depois, no momento derradeiro em que devemos nos apresentar ao Pai Eterno, sejas a nossa defensora, a nossa advogada, e nos mostrais a Jesus, bendito fruto de teu ventre, ò clemente, ò piedosa, `o doce sempre Virgem, Maria. E é por isso que Maria é a nossa Mãe, nossa advogada e nossa rainha. Se estamos com Maria, jamais estaremos longe de Jesus.

Se procurarmos Maria, encontraremos Jesus, e somente chegaremos a Jesus se fomos conduzidos pelas  mãos virginais e maternais de Maria...