sábado, 21 de novembro de 2020

 

“O AMOR É PACIENTE” (1Cor 13,4).

 

Desde toda a eternidade Deus amou o homem. Amou-o tanto que fez o homem à sua imagem e semelhança: “Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher, ele os criou.” (Gn 1,27).

O Senhor criou o homem num estado de graça tão imenso que o homem, enquanto permaneceu no paraíso terrestre, viveu a própria vida de Deus, ou seja, a vida da felicidade total, da felicidade plena, e para que isso permanecesse, o Senhor impôs ao homem e à mulher uma condição: “Tomou, pois, o Senhor Deus ,o homem, e colocou-o no paraíso de delícias, para que o cultivasse e o guardasse.  E deu-lhe este preceito, dizendo: “Come de todas as árvores do paraíso, mas não comas da árvore  do bem e do mal; porque, em qualquer dia em que comeres dele, morrerás indubitavelmente.”  (Gn 2,15-17).

Mas, o homem não soube se manter nesse estado de vida. Preferiu seguir a sua própria vida, as suas próprias idéias, os seus próprios impulsos, os seus próprios caprichos e cometeu o pecado da desobediência, da soberba, tentando se igualar ao seu Criador, conforme nos narra o primeiro livro das Sagradas Escrituras: “Mas a serpente era o mais astuto de todos os animais da terra que o Senhor Deus fizera. E ela disse à mulher: “Porque vos mandou Deus que não comêsseis de toda a árvore do paraíso?” Respondeu-lhe a mulher: “Nós comemos do fruto das árvores que estão no paraíso. Mas do fruto da árvore, que está no meio do paraíso, Deus nos mandou que não comêssemos e nem a tocássemos,. não suceda que morramos.” Porém, a serpente disse à mulher: “Vós de nenhum modo morrereis. Mas Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, se abrirão os vossos olhos, e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.” Viu, pois, a mulher que o fruto da árvore era bom para comer, e formoso aos olhos, e de aspecto agradável; e tirou do fruto dela e comeu; e deu a seu marido que também comeu.” (Gn 3,1-6).

Induzida pelo demônio, que nos é apresentado em forma de serpente, a mulher comeu do fruto e o deu também ao homem, numa afronta direta à determinação divina e no intuito de se igualar ao seu Criador, de serem outros deuses e conhecedores do bem e do mal. Por este ato expresso de desobediência, o Senhor não permitiu que eles morressem: “... porque, em qualquer dia que comeres dele, morrerás indubitavelmente.” (Gn 2,17); mas, por amor e misericórdia, o Senhor manteve acesa a sua vida e os expulsou do paraíso terrestre que para eles havia feito para compartilharem da felicidade plena e vida perfeita de Deus, e, nesse ato, o homem e a mulher perderam a participação na vida da graça, na vida divina: “E o Senhor Deus lançou-o fora do paraíso de delícias,, para que cultivasse a terra, de que tinha sido tomado. E expulsou Adão, e pôs diante do paraíso de delícias querubins brandindo uma espada de fogo,  para guardar o caminho da árvore da  vida.” (Gn 3,23-24).

Mas o Senhor Deus jamais abandonou o homem. Mesmo o homem mergulhado no pecado por sua livre e expontânea vontade, o Senhor continuou e continua acompanhá-lo, protegê-lo e amá-lo através dos tempos e da história, sempre enviando ao seu povo homens santos e iluminados pelo Espírito de Deus que não o deixa esquecer o seu Criador, não o deixa se afastar do seu Senhor, conforme nos diz o profeta Isaias: ... “não temas, porque eu te remi, e te chamei pelo teu nome; tu és meu. Quanto tu passares por entre as águas, eu serei contigo, e os rios não te submergirão; quando andares por entre o fogo, não serás queimado, e a chama não arderá em ti. Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador...” (Is 43,1-3).

Após quatrocentos anos de escravidão no Egito, o Senhor suscitou Moisés para libertar o seu povo. Moisés foi uma figura de vital importância nas mãos do Senhor para indicar ao povo de Deus o seu verdadeiro destino. Moisés liberta o povo de Deus da escravidão do Egito, conduz esse povo através do deserto até a terra prometida, doutrina esse povo e o encaminha para as coisas de Deus, deixando claro o infinito amor que o Senhor tem pelo seu povo.

Deus sempre amou e ama os homens e, por isso, deseja que todos vivam em abundância e sejam plenamente felizes.  Por isso, e para isso, o Senhor indica o caminho da felicidade, que é o caminho do amor. Moisés é o portador dessa mensagem de Deus para os homens de boa vontade. Dizia Moisés, no deserto, para o povo de Deus: “Estes são os preceitos, as cerimônias e as ordenações que o Senhor vosso Deus me mandou ensinar-vos, para que as observeis na terra,, à qual estais para passar, a fim de tomar posse dela. Para que temas o Senhor teu Deus, e guardes todos os seus mandamentos e preceitos, que eu te intimo a ti e a teus filhos e netos durante todos os dias de tua vida, a fim de que se prolonguem os teus dias. Ouve, ó Israel e cuida de fazer o que o Senhor te mandou, para que te suceda bem, e te multipliques mais, como o Senhor Deus de teus pais te prometeu, numa terra que mana leite e mel. Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e com toda a tua força. E estas palavras  que hoje eu te intimo, estarão gravadas no teu coração.” (Dt 6,1-6).

A primeira lei que o Senhor Nosso Deus coloca no coração dos homens é a lei do amor ao Criador: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento.” (Lc 10,27), e, depois do amor ao Criador, Deus suscita no coração dos homens o amor ao seu próximo: “... e ao teu próximo como a ti mesmo.” (Lc 10,27). E depois nos vem Jesus, a palavra de Deus personificada: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e nós  vimos a sua glória, glória como de Unigênito do Pai, cheio de graça e  verdade.” (Jo 1,14), que completou esse mandamento de amor, estendendo-o a todos os homens para que os homens amassem ao Senhor e se amassem mutuamente, dando-nos um novo mandamento: “Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros, e, que assim como eu vos amei, vos ameis também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros.” (Jo 13,34-35). 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

 

PERDÃO, INICIATIVA DE ALMA GENEROSA

 

O perdão é atitude e iniciativa de uma alma generosa.

Somente perdoa quem tem Deus consigo. Somente perdoa quem tem consciência que também erra, e todos os que erram necessitam do perdão do próximo e do perdão de Deus.

Todos os dias, quando recitamos a oração do Pai Nosso, dizemos: “Perdoa as nossas ofensas assim como nós também perdoamos a quem nos tem ofendido.” (Mt 6,12). Só recebe o perdão do Senhor quem perdoa o seu irmão.

Quantas vezes o Senhor Nosso Deus nos perdoa? Todas as vezes que, com sinceridade, lhe pedimos perdão. Quantas vezes devemos perdoar o nosso irmão?

Todas as vezes que ele nos ofender porque, se não perdoarmos aquele que nos tem ofendido, como podemos esperar de Deus o perdão dos nossos pecados.

Perdoar não é somente uma, duas vezes; perdoar é, como nos diz Jesus é setenta vezes sete, isto é, sempre, infinitamente, eternamente. Todas as vezes que perdoamos o nosso irmão adquirimos crédito junto ao Pai Nosso que está nos céus e podemos ter certeza que, quando errarmos e pedirmos perdão, ele nos atenderá e nos perdoará, e devemos considerar que os nossos pecados contra o Senhor são bem maiores que as ofensas que recebemos de nossos irmãos.

Não poderíamos jamais recitar a oração do Pai Nosso se guardamos algum rancor no coração contra qualquer irmão. Jesus insiste muito no perdão em seus ensinamentos: “Se irmão teu pecar, repreende-o e se ele se arrepender, perdoa-lhe. E caso ele pecar contra ti sete vezes por dia e sete vezes retornar, dizendo: Estou arrependido, tu lhe perdoarás.” (Lc 17,3-4).

Não pode rezar a oração do Pai nosso quem ofende e não pede perdão; não pode rezar a oração do Pai Nosso quem é ofendido e não perdoa, porque o Mestre também disse: “Portanto, se estiveres para trazer a tua oferta ao altar e ali te lembrares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; e depois virás apresentar a tua oferta.” (Mt 5,23-24).

O Senhor Jesus levou tão a sério os seus ensinamentos sobre o perdão que antes de dar o último suspiro na cruz ainda teve forças para se dirigir ao Pai e, num último esforço, perdoou todos aqueles que tanto mal lhe haviam causado tirando-lhe até a própria vida e da maneira mais cruel possível: “Pai, perdoa-lhes; não sabem o que fazem.” (Lc 23,34).

O salmista assim ensina sobre o perdão, como evitar o mal e praticar o bem: “Filhos, vinte escutar-me, vou ensinar-vos o temor de Iahweh. Qual o homem que deseja a vida e quer longevidade para ver o bem? Preserva tua língua do mal e teus lábios de falarem falsamente. Evita o mal e pratica o bem, procura a paz e segue-a. Iahweh tem os olhos sobre os justos e os ouvidos atentos ao seu clamor. A face de Iahweh está contra os malfeitores, para da terra apagar a sua memória; eles gritam Iahweh escuta  e os liberta de suas angústias todas. Iahweh está perto dos corações  contritos, ele salva os espíritos abatidos. (Sl 34 (33),12-19).

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

 

“PORTANTO, SEJAM PERFEITOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É PERFEITO.” (Mt 5,48)

 

  Todas as vezes que pego as Sagradas Escrituras e leio, meditando os Santos Evangelhos de Jesus Cristo, sinto uma santa inveja  de todos aqueles que se assentavam na relva das montanhas e ou planícies e ouviam atentamente e maravilhados os ensinamentos do Senhor Jesus, bebendo das suas mensagens e se enriquecendo do seu imenso amor.

Como deveria ser belo e divino olhar para aquela figura que impunha respeito, que encarava a vida com realidade, que, sem querer ser mais do que ninguém, mergulhava com serenidade no futuro que lhe estava reservado; que nunca fingiu em suas emoções e nem abusou dos sentimentos de quem quer que seja; que sempre se dirigiu a todos os que aceitavam as verdades eternas com doçura e tinha palavras duras para aqueles que delas faziam pouco caso. Jesus Cristo era alto, belo, majestoso, irradiando dignidade e demonstrando sempre firmeza de seu caráter.

Como deveria ser divino e maravilhoso encarar aquele homem que impunha respeito e veneração; olhar para aqueles olhos que tocavam fundo o coração de pedra de qualquer pessoa e vislumbrava o mais profundo da alma de qualquer sofredor.

Como deveria ser divino e maravilhoso ouvir aquela voz melodiosa que só expressava sabedoria e verdade e extasiava os seus ouvintes, atingindo o mais profundo do âmago do ser que o ouvia.

Não foi atoa que, em certa ocasião, alguém que o ouvia maravilhado, afirmou cheio de convicção e admirado: “Nunca homem algum falou como este homem.” (Jo 7,46).

Sua boca somente transmitia palavras de vida eterna, e não foi isso que num dos momentos mais difíceis de decisão dos Apóstolos se deveriam ou não continuarem seguindo Jesus que Pedro, sempre Pedro, o intrépido Pedro, fazendo-se porta-voz do grupo, respondeu ao Mestre: “Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna, e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus.” (Jo 6,67-69).      

Seu semblante irradiava confiança. Seus olhos dardejavam amor. Seus gestos abraçavam todos aqueles que se comoviam com o seu exemplo e se convertiam pelas suas palavras. Jesus Cristo é o homem por excelência que devia servir de modelo a todos os homens de boa vontade. Jesus Cristo foi e é santo, perfeito, inteiro, íntegro, belo, majestoso, maravilhoso, inteligente, amoroso, divino, sereno nas horas certas mas severo no momento adequado. Jesus Cristo tinha a altura de sua dignidade e sabedoria e era belo como a beleza de seu caráter.

Como seria maravilhoso se fôssemos perfeitos assim, como Jesus foi. Ainda ressoam suas palavras nos meus ouvidos, através dos Santos Evangelhos, naquele dia em que, “Vendo as multidões, subiu à montanha.  Ao sentar-se, aproximaram-se dele os seus discípulos. E pôs-se a falar, dizendo: ‘Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puro de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurado sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos porque será grande a vossa recompensa nos céus...” (Mt 5,3-12).

Ainda ouço, através dos Santos Evangelhos, além dessas benditas bem-aventuranças, Jesus dizer: “Vós sois o sal da terra...” (Mt 5,13); “Vós sois a luz do mundo...” (Mt 5,14);  “Ouvistes o que foi dito: “Olho por olho, dente por dente”. Eu, porém vos digo: não resistais ao homem mau; antes, aquele que te fere na face direita oferece-lhe também a esquerda...” (Mt 5,39).

Observemos bem o que o Divino Mestre disse: “...aquele que te fere na face direita, oferece-lhe  também a esquerda...” (Mt 5,39), e o que fazemos nós? Não há a necessidade de chegarmos ao extremo de que alguém nos dê um tapa na face; basta apenas que alguém nos olhe “atravessado”, ou que nos dirija uma palavra amarga, que não gostamos, ou que nos faça quaisquer tipos de desaforos nós já retribuímos em dobro e sempre com ódio no coração e rancor nos olhos.

E o Divino Mestre disse mais naquele dia em que todos se sentaram na relva para ouvi-lo: “Ouvistes o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; deste modo vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol  igualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre  justos e injustos. Com efeito, se amais aos que vos amam, que recompensa tendes?” (Mt 5,43-46).

E, na sequência dos seus ensinamentos, nessa mesma oportunidade, ainda ouço a sua voz suave e melodiosa ensinando a todos como deveriam se dirigir ao Pai Eterno e nos transmite a oração que transcende o tempo, o espaço e a eternidade, e disse: “Portanto, orai dessa maneira: Pai Nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. E perdoa-nos as nossas dívidas como também nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos exponha à tentação, mas livra-nos do maligno”. (Mt 6,9-13).

E, nessa oração, esse homem maravilhoso, belo como a beleza de seu caráter e alto, da altura da sua dignidade e sabedoria, nos ensina como devemos perdoar aos que nos tem ofendido, e complementa: “Pois, se perdoardes aos homens os seus delitos, também o vosso Pai Celeste vos perdoará; mas se não perdoardes aos homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos delitos.” (Mt 6,14-15). “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.  Não julgueis para não serdes julgados; não condeneis para não serdes condenados; perdoai e vos será perdoado. Dai e vos será dado; será derramada no vosso regaço uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, pois com a medida com que medirdes sereis medidos também.” (Lc 6,36-38).

E, com isso,  Jesus nos diz que a medida do perdão de Deus para conosco é a mesma medida do nosso perdão para com o nosso próximo; se perdoarmos o nosso irmão, o Senhor nos perdoará; se não perdoarmos o nosso irmão. jamais teremos o perdão dos nossos delitos por parte do Senhor. As palavras das bem-aventuranças e de tudo o mais que o Divino Mestre ensinou naquela montanha, tendo à sua presença uma multidão de pessoas assentada na relva, vencem o tempo e ainda ressoam nos meus ouvidos como se estivessem sido ditas hoje e agora para cada um de nós que cremos nas verdades que Jesus veio nos transmitir. Jesus Cristo exalta o desprendimento, a caridade, a virtude e o perdão como valores da vida cristã.

No Reino de Deus que Jesus Cristo veio trazer para todos os homens, só tem lugar para os puros de coração, para os que sabem perdoar, para os que aceitam o outro com todas as suas imperfeições e o ajuda na busca da perfeição para se tornar como Jesus Cristo foi e é.

E Jesus nos dá a receita da verdadeira perfeição: “Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5,48). Isso seria possível? Não podemos dizer se seria ou não possível mas, pelo menos, estamos tentando?

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

 

“A PAZ ESTEJA CONVOSCO” (Jo 20, 21.26)

 

Às vezes, em muitas circunstâncias da vida, nos sentimos sozinhos, abandonados, isolados.

Nesse isolamento sentimos um vazio intenso e o silêncio grita alto dentro de nós todas aquelas coisas que gostaríamos que se tornassem conhecidas e aceitas para provar que somos humanos, que acertamos algumas vezes e erramos outras tantas; e o silêncio explode dentro de nosso cérebro, dentro do nosso peito, dentro do nosso coração, ressoando fortemente em nossa alma e, desesperadamente, buscamos paz, procuramos a paz, lutamos pela paz, desejamos ardentemente a paz... paz... paz... Como necessitamos de paz.

Como procuramos a paz, como desejamos a paz. Paz interior. Paz de espírito. Paz na alma. Paz onde vivemos. Paz onde trabalhamos.

Como procuramos a paz. Mas como a procuramos nos lugares mais equivocados, nos lugares onde, absolutamente, ela não está, não se encontra, e, nessa busca desenfreada pela paz mais nos confundimos, mais nos desesperamos, mais nos perdemos, mais nos equivocamos.

Mas, o que é paz? Se procurarmos no dicionário encontraremos que paz é ausência de guerra, é tranquilidade, serenidade, sossego, descanso, ausência de hostilidade, silêncio...

Mas a paz que o nosso espírito, o nosso coração, a nossa alma busca não é somente ausência de guerra, nem tranquilidade, nem o que tudo o mais que o dicionário pressupõe.

A paz que buscamos, a paz verdadeira é estarmos de bem conosco mesmos e com Deus, mesmo que à nossa volta haja confusão, guerra, incompreensão, agressões...

A paz verdadeira vem de Deus, somente de Deus; paz interior, paz de consciência, paz de espírito, paz na alma, paz no coração...

A paz que buscamos não é essa paz que é sinônimo de tranquilidade, mesmo contrariando a definição de paz que nos dão os dicionários da nossa língua portuguesa.

Realmente, a paz que vem de Deus não pode ser sinônimo de tranquilidade, porque, por um paradoxo, o Senhor Nosso Deus nos dá a sua paz exatamente para não nos deixar em paz, para não nos deixar tranquilos, porque, quem tem a paz que vem do Senhor não pode estar tranquilo ao conviver com tantas injustiças, tantas mentiras, agressões, infidelidades, falsidades, agressões, desumanidade, desamor, tantos interesses escusos que existem entre as pessoas, e o pior, pessoas que se dizem cristãs, e isso em quaisquer seguimentos cristãos e no mundo inteiro.

Quem tem a paz que vem do Senhor não pode se acomodar, não pode se tranquilizar, porque a paz que o Senhor nos dá não é a mesma paz que o mundo transmite: “A minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.” (Jo 14,27).

Quem tem a paz que vem do Senhor Nosso Deus não pode se omitir ao ver tantas e tantas faltas e falhas, tantos pecados imperarem nos locais que, por força das circunstâncias e princípios, deveriam ser santos; não podem concordar com aqueles que deveriam se postar em defesa dos oprimidos e dos injustiçados se calarem criminosa e covardemente; não pode ter repouso ao presenciar tantas agressões covardes contra aqueles que não podem e não sabem se defender, tanto física quanto moral, psicológica e até religiosamente.

Por isso, a paz não é e nem pode ser sinônimo de tranquilidade.

O Senhor nos dá a paz mas não nos deixa em paz...

A paz que vem do Senhor é aquela que deve nos desalojar do nosso comodismo da mesma maneira como aconteceu com Maria, a mãe de Jesus que, após receber em seu coração e no seu ventre a Paz personificada no Filho de Deus, não se acomodou e partiu para uma longa viagem ao tomar conhecimento, pela boca do Anjo que viera lhe trazer a Boa Nova da vinda do Messias, que a sua parenta Isabel, mulher já de idade avançada, necessitava de sua ajuda, de sua presença para auxiliá-la nos preparativos dos últimos dias de sua gravides temporã, conforme nos narra Lucas, 1,26-27.

Só os valentes tem essa paz verdadeira. Os valentes que assumem de corpo e alma os preceitos emanados das Sagradas Escrituras e ditados pelo Senhor Nosso Deus e que se sintonizam com a vontade divina para servirem de instrumentos nas mãos do Pai a fim de dar continuidade ao plano de salvação iniciado por Jesus Cristo e que se prolonga na luta do dia-a-dia de sua Igreja.

E o resultado dessa paz nem sempre é uma velhice tranquila ou uma aposentadoria sem lutas e abastada como todos desejariam que fossem.

O resultado dessa paz é, muitas vezes,  a incompreensão dos homens e do mundo, é uma coroa de espinhos, são flagelos, chacotas, indiferenças e dores que, muitas vezes, terminam ao se ver o mundo do alto, mas do alto de uma cruz, como aconteceu com o Senhor Jesus, e isso não é novidade pois que, o Senhor Jesus já nos alertava a respeito disso: “Não existe discípulo superior ao mestre, nem servo superior ao seu senhor. Basta que o discípulo se torne como o mestre e o servo como o seu senhor.” (Mt 10,24-25).

Essa paz que buscamos desesperadamente a encontramos gratuitamente e nos é transmitida, através dos apóstolos e discípulos, pelo Senhor Jesus: ”A paz esteja convosco. (Jo 20, 21.26), e “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá. Não se perturbe nem se intimide vosso coração.” (Jo 14,27). Por incrível que possa parecer, vemos que todos aqueles que receberam a paz diretamente do Senhor Jesus e, estando em pleno gozo dessa paz, foram perseguidos, caluniados, flagelados, assassinados, martirizados. E ai nos vem a pergunta: “Que tipo de paz é essa que, para gozá-la plenamente, passa-se por todas essas privações?”

Essa é a paz verdadeira que vem do Senhor Nosso Deus nos dando plena segurança de que vale à pena ser perseguido pelo mundo e incompreendido pelos homens e até por aqueles que amamos de verdade; vale à pena, desde que permaneçamos fieis às observâncias dos preceitos evangélicos transmitidos por Jesus Cristo e consolados por sua exortação: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós.” (Mt 5,10-12).

A paz que recebemos do Senhor Nosso Deus nos traz alegria interior.

A paz que o mundo nos oferece se transforma em remorso.

O Senhor faz bem-aventurados todos aqueles que vivem na sua paz e a sua paz e as bem-aventuranças evangélicas são o conforto que o Senhor dá aos que vivem na sua paz: “Bem aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça,  porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós.” (Mt 5,3-12).

Bem-aventurados os que buscam a paz no Senhor, os que vivem plenamente essa paz e que a transmite a todos os que o cercam. Precisamos dessa paz, buscamos essa paz e somente essa paz porá fim ao silêncio gritante que ecoa em nossos corações pelas indecisões que a vida nos traz...

terça-feira, 17 de novembro de 2020

 

SÃO ROQUE GONZALES DE SANTA CRUZ, SANTO AFONSO RODRIGUES E SÃO JOÃO DEL CASTILHO.

 

Roque Gonzales de Santa Cruz, SJ ou Roque Gonzales, SJ, (Assunção, 1576 — Caibaté, 15 de novembro de 1628) foi um religioso natural do Paraguai que entrou na história do Brasil meridional ao tentar disseminar a religião católica entre os povos originais das terras do oeste do Rio Grande do Sul.

Juntamente aos padres Afonso Rodrigues e João de Castiho (ou Juan del Castillo na sua forma castelhana original), Roque Gonzales foi um dos primeiros evangelizadores nas terras do Sul do Brasil, isto é, no território atualmente pertencente ao Rio Grande do Sul.

Ele foi um homem dedicado à ordem dos Jesuítas e exerceu seu trabalho missionário junto aos povos Guaranis, no noroeste daquele estado brasileiro. Roque Gonzales era filho de um pai espanhol de família nobre e cresceu em uma família de alta posição social de Assunção, no Paraguai, interagindo desde a infância com pessoas de origem e falas nativas (principalmente guarani). Ali ele onde estudou e foi ordenado sacerdote no ano de 1599.

Mais tarde ele se deslocou ao Rio Grande do Sul, em 1619, e logo cativou a simpatia dos habitantes da terra, muito provavelmente e em boa parte por causa de suas habilidades lingüísticas. Segundo o escritor Nelson Hoffmann, autor de Terra de Nheçu, somente depois de sete anos de negociações com o chefe Nheçu que lhe foi permitido estabelecer a redução de São Nicolau, precisamente em três de maio de 1626, sendo esta a primeiríssima comunidade colonizadora ao leste do rio Uruguai no atual território rio-grandense.

Mais tarde o padre Roque Gonzales fundou numerosas comunidades cristãs, chamadas Missões ou Reduções, entre elas as aldeias de São Nicolau, Assunção e Todos os Santos do Caaró. Depois de dois anos e meio de intenso trabalho missionário, os padres Roque Gonzales e Afonso Rodrigues foram mortos em Caaró por um grupo de nativos contrários à evangelização cristã, liderados pelo pajé cacique Nheçu, um líder guarani que possuia autoridade máxima na região do atual município de Roque Gonçales, Rio Grande do Sul, e redondezas.

Diz-se que os indígenas que o interceptaram teriam descarregado na cabeça de padre Roque Gonzales uma pancada com um machado de pedra que o deixara morto. Em seguida, eles teriam matado o padre Afonso Rodrigues, queimando os cadáveres.

Dois dias depois, o teria chegado a vez do padre João de Castilho em uma aldeia vizinha, onde morreu após terríveis torturas. Um homem nativo, ainda catecúmeno, que se encontrava presente e que se opôs aos assassinatos, também foi trucidado junto aos missionários em Caaró. Ele é conhecido como o Cacique Adauto.

Existem pessoas que acreditam que ele também, futuramente, poderia ter seu nome acrescentado aos nomes dos três mártires canonizados, porém, não exitem quaisquer indicadores ou mesmo probabilidades para que isso venha a ocorrer um dia, dadas as extensivas complexas forças e tradições envolvidas.

Em Caaró, município de Caibaté, se encontra o principal santuário de veneração dos Santos Mártires (como ficaram conhecidos), visitado permanentemente por caravanas de romeiros. Ali se realiza cada ano uma grande romaria, no terceiro domingo de novembro.

Aos 28 de janeiro de 1934, o Papa Pio XI beatificou os missionários mártires e, aos 16 de maio de 1988 em visita a Assunção, no Paraguai, o Papa João Paulo II os declarou santos.

São comemorados também neste dia: Santo Abdias (profeta bíblico do Antigo Testamento), Santo Aza e seus 150 companheiros, soldados (mártires em Isaurie) e São Rafael de São José.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

 

PADRE VICTOR, FILHO DE ESCRAVOS

PADRE VICTOR SE TORNOU O PRIMEIRO BEATO NEGRO, AFRODESCENDENTE DO BRASIL

 

A Igreja de Três Pontas, no sul de Minas Gerais, está em festa. Em 14 de novembro de 2018, após dois anos de espera, foi beatificado o Padre Francisco de Paula Victor, filho de escravos.

Padre Victor, como é chamado, se tornará assim o primeiro beato afrodescendente do Brasil. 

O Papa Francisco havia autorizado a Congregação das Causas dos Santos em 5 de junho passado a promulgar o Decreto concernente ao milagre atribuído à intercessão de Francisco de Paula Victor. Francisco de Paula Victor, nasceu em 12 de abril de 1827 na Vila da Campanha da Princesa (MG). Filho da escrava Lourença Justiniana de Jesus, teve como madrinha de batismo a própria patroa, Marianna de Santa Bárbara Ferreira.

Mesmo tendo começado o trabalho de alfaiate, o sonho de Victor era ser sacerdote, um sonho proibido para ele, a ponto de se dizer que caso se tornasse sacerdote “às galinhas cresceria os dentes”. Eram os duros e trágicos tempos do regime escravocrata e aos escravos não era somente proibido acesso a qualquer cargo público civil, mas também eclesiástico.

Aos escravos era até mesmo proibido estudar. A aspiração de Victor encontrou uma inesperada reviravolta, com a ajuda da madrinha-patroa e na determinação de Dom Antonio Vicoso, Bispo de Mariana, abolicionista convicto, que apoiou o jovem de forma irrestrita.

 

Biografia

Pe. Victor, o padre negro, é chamado “O Anjo Tutelar de Três Pontas”, Minas Gerais. Nasceu em Campanha, MG, filho da escrava Lourença Maria de Jesus,em 12 de abril de 1827 e foi batizado aos 20 de abril do mesmo ano, pelo padre Antônio Manoel Teixeira.

Dentro do regime de escravidão, então vigente no Brasil, filho de escrava era também escravo. Pouco se sabe de sua infância, apenas que era uma criança forte, robusta e saudável. Conhecemos os nomes de seus padrinhos: Mariana Barbosa Ferreira e Feliciano Antônio de Castro.

 Possivelmente, em virtude de alguma proteção de pessoa caridosa, pôde ser afastado dos trabalhos pesados que eram reservados aos escravos, ficando destinado a aprender o ofício de alfaiate. Seu mestre alfaiate, o senhor Inácio Barbudo, a quem confidenciou o desejo de ser padre, disse-lhe: “Já se viu negro ser Padre?”.

O Venerável Dom Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Mariana, MG, visitou Campanha em 1848. O alfaiate Victor o procurou manifestando-lhe o desejo de ser sacerdote. Este o recebeu com muita alegria. Dom Viçoso era um santo bispo, e encaminhou-o para o estudo de latim e música. Teve ajuda de sua madrinha, Mariana.

Em 1849, o jovem Victor dirigiu-se a cavalo para o Seminário de Mariana. Devido à escravidão, havia o preconceito racial até na Igreja. Seus colegas de seminário fizeram com que passasse pelas maiores humilhações, críticas, zombarias e exclusão. Com grande humildade  e espírito de serviço, aos poucos foi ganhando a simpatia e o respeito de seus companheiros.

O bispo D. Viçoso o estimava e sempre apoiava, chegando a proclamar suas virtudes.  Recebeu as ordens menores  a 20 de fevereiro de 1850 e Dom Viçoso dispensou-o de possíveis impedimentos canônicos, inclusive até, por ser negro. Ordenado sacerdote em 14 de junho de 1851, permaneceu em Campanha, MG, como coadjutor, de 1851 a 1852, indo para Três Pontas, MG, em 14 de junho do mesmo ano, como Vigário Encomendado.

A princípio a população ficou descontente por ter um padre negro como vigário, com seu aspecto rude, pois ‘não era bonito’. Mas a animosidade se transformou em admiração. Logo que assumiu seus trabalhos na Paróquia, visitava doentes, amparava inválidos, zelava pela infância desvalida, atendia a população em suas necessidades.

A sua dedicação, as suas virtudes o fizeram admirado por todos, ficando acima de todas as críticas. Procurou catequizar e instruir o seu povo.

No seu plano de evangelização e catequese, chegou a criar a escola “Sagrada Família”, mais tarde “Escola Coração de Jesus”, com uma organização perfeita. Nela recebia alunos de todo o sul de Minas, e até do Rio de Janeiro. Muitos alunos pobres eram admitidos, gratuitamente, mesmo internos. Por ela passaram brasileiros  de grande projeção social. Fez, de muitos filhos de famílias humildes, homens de cultura, que passaram a viver da inteligência, nas mais variadas profissões.

Padre Victor tinha grande devoção a Maria e ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Era admirado pelo trato e respeito religioso com que realizava as celebrações litúrgicas. Pregava pelo exemplo a fé, a esperança, a fortaleza, o temor a Deus e sobretudo a caridade.

Seus paroquianos podiam  contar com ele para sanar dificuldades, seja fome, desentendimentos familiares, falta de moradia ou trabalho.

Amava a Deus na pessoa de seu semelhante, de modo especial os mais pobres. Muito enérgico e exigente nas atitudes de respeito para com Deus, no entanto não deixava de ser carinhoso e meigo com os pequenos. Jovial, gostava de festas, chegando a ceder salões da “Sagrada Família” para festas e bailes familiares, sempre terminando às 24h.

Como escravo que fora, protegia os negros maltratados e se insurgia contra os fazendeiros maldosos. Certa vez enfrentou um bando armado de fazendeiros na entrada da cidade, com um crucifixo na mão, que queria atear fogo na casa do Presidente da Junta Abolicionista da cidade, que refugiava dois de seus escravos. Dizia: “Entrem! Entrem!...mas passem por cima do cadáver do vigário!” O bando se desfez diante dessa muralha moral que era o padre Victor, um simples sacerdote negro, revestido da graça de Cristo!

Padre Victor vivia de esmolas e dava esmolas. Grande era a sua liberalidade, a tal ponto que passava necessidades. Praticava tanto o desapego dos bens materiais, que quando recebia alguma doação, a dava ao primeiro pobre que encontrasse, sem ao menos ver que quantia era.

Certa vez um pobre retornou dizendo que a quantia era muito alta, mas ele respondeu somente: “Já lhe dei; são seus”. Minado por uma lesão cardíaca e hepatite, sua saúde foi definhando, mesmo sem deixar suas atividades pastorais, que exerceu até os últimos dias de sua vida. Paroquiou Três Pontas, por cinquenta e três anos. Faleceu no dia 23 de setembro de 1905.

A notícia de seu falecimento abalou a cidade e toda a região que já o venerava.

Ficou insepulto três dias, pois todos o queriam visitar, mas mesmo, assim, de seu corpo exalava suave perfume. Em vista do grande número de pessoas foi necessário fazer uma procissão pelas ruas da cidade, voltando novamente à Matriz, por ele construída e onde foi enterrado.

As graças e os milagres que a população diz receber por intercessão de padre Victor são inúmeras. De ano para ano aumenta o número de fiéis de toda a região e até de outros estados que visitam Três Pontas no dia 23 de setembro, agradecendo graças recebidas ou implorando preces pela intercessão de Pe. Victor, e muitos fazem essa romaria a pé.

 

Oração para a Canonização

Ó Pai, que concedestes a vosso Servo, o Bem-aventurado Padre Victor ser amigo dos pobres, dos humildes e dos simples, e lhe deste a graça de ser vosso fiel servidor na busca do Reino dos céus, nós vos pedimos que a Igreja possa reconhecer oficialmente as suas virtudes e o proponha como modelo e protetor nosso. Por ter sido exemplo de pobreza, de simplicidade, de caridade para com os mais pobres e de serviço dedicado à Igreja, nós vos pedimos que, pela sua valiosa intercessão, obtenhamos a graça de que mais temos necessidade (...). Concedei-nos também que, a seu exemplo,

tenhamos no coração um ardente amor a Vós e ao próximo. Isso Vo-lo pedimos por meio de Jesus Cristo, vosso Filho, em união com o Espírito Santo. Amém.

domingo, 15 de novembro de 2020

 

“QUEM PODERÁ ENCONTRAR UMA MULHER FORTE? ELA VALE MUITO MAIS DO QUE PÉROLAS”. (Pr 31,10).

 

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ano – A; Cor – verde; Leituras: Pr 31,10-13.19-20.30-31; Sl 127 (128); 1Ts 5,1-6; Mt 25,14-30.

 

Diácono Milton Restivo

 

Chegamos, finalmente, no último domingo onde a Igreja, na sua liturgia da Palavra e Eucarística, veste verde, cor e símbolo da esperança do povo de Deus em viver plenamente o Reino de Deus que já está entre nós.

Com o final do Tempo Comum termina, também, o Ano Litúrgico, que tem como referência, no seu encerramento, a festa de Cristo, Rei do Universo que celebraremos no próximo domingo, que será o trigésimo quarto domingo do Tempo Comum, quando a Igreja veste branco.

A liturgia deste trigésimo terceiro domingo do Tempo Comum, na sua primeira leitura tirada do livro dos Provérbios, enaltece a figura da mulher virtuosa.

O livro Cântico dos Cânticos assim fala da mulher formosa: “Você é bonita, minha amiga, você é como Tersa, formosa como Jerusalém. Você é terrível como esquadrão com bandeiras desfraldadas. Afaste de mim teus olhos, que teus olhos me perturbam!” (Ct 6,4-5).

É muito interessante verificarmos nas Sagradas Escrituras como a figura da mulher é colocada em destaque em diversos lugares, situações e conotações.

No Livro Sagrado o assunto “mulher” é abordado com muita propriedade e inteligência das mais diversas maneiras e nos mais variados aspectos. Em alguns lugares é enaltecida a figura da mulher virtuosa, da mulher cheia de virtudes e predicados, da mulher recatada em todas as suas atitudes. Em outras situações é criticada e condenada a figura da mulher má e maliciosa, da mulher perversa, da mulher que denigre tudo o que há de mais belo, de mais puro e de mais santo na figura doce e santa dessa pessoa do sexo feminino criada por Deus para ser companheira e mãe.

O livro dos Provérbios, no seu último capítulo, primeira leitura da liturgia de hoje, enaltece sobremaneira a figura da mulher formosa, forte, honesta, trabalhadeira, companheira, provedora do lar, esposa ideal (cf Pr 31,10-30).

Abordemos a figura da mulher virtuosa como nos transmite a mensagem do Senhor através dos escritos sagrados.

No primeiro livro das Sagradas Escrituras é relatado que o Senhor criou o homem à sua imagem e semelhança, e deu-lhe uma companheira, dizendo: “Não é bom que o homem esteja só.  Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda. [...] Então Iahweh Deus fez cair um torpor sobre o homem, e ele dormiu. Tomou uma de suas costelas e fez crescer carne em seu lugar. Depois da costela que tirara do homem, Iahweh Deus  modelou uma mulher  e a trouxe ao homem. Então o homem exclamou: ‘Este sim é osso dos meus ossos, e carne de minha carne! Ela será chamada ‘mulher’ porque foi tirada do homem!’ Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe,  se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne.” (Gn 2,18. 21-24).

Nesse ato e em sua infinita sabedoria, o Senhor deixa-nos uma mensagem e um ensinamento que deveríamos meditar e levar à sério: Deus tirou uma costela do homem e dela modelou a mulher; tirou-a do lado do coração do homem. Se Deus a tivesse tirado parte da cabeça do homem e dela modelado a mulher, talvez a mulher se tornasse soberba e, por entender ter sido tirada da cabeça do homem, da parte superior do homem, tivesse a tentação e a ousadia de querer dominar seu parceiro.

Se o Senhor tivesse tirado parte do pé do homem e dela modelado a mulher, talvez o homem se julgasse superior e se sentisse no direito de escravizar a mulher, de pisar sobre ela, de dominá-la.

Na sua infinita misericórdia e sabedoria o Senhor tirou a mulher do lado do coração do homem para que, nem homem e nem mulher, se julgassem superior um ao outro, para que ambos caminhassem juntos, partilhassem suas vidas e se ajudassem mutuamente em quaisquer circunstâncias e em todos os momentos de suas vidas. Desde este primeiro momento da criação do homem e da mulher, depois que se unem e, “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, e se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne” (Gn 2,24), ambos passam a rir no mesmo riso e a chorar na mesma lágrima; se predispõem a estarem juntos nos bons e nos maus momentos de sua existência. E isso foi ratificado por Jesus: “Vocês nunca leram que o Criador, dede o início, os fez homem e mulher e os dois serão uma só carne? Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar.” (Mt 19,4-6).

Já dizia alguém: “Atrás de um grande homem sempre existe a figura de uma grande mulher”, mas eu digo; “se não for uma grande mulher, jamais o homem será grande”.

As Sagradas Escrituras são pródigas em enaltecer e elogiar a mulher virtuosa e afirma que “A mulher graciosa adquire honra...” (Pr 11,16) e que “Uma mulher forte é a coroa do marido...” (Pr 12,4). Para um homem que tem como companheira uma mulher forte, honrada e honesta, não existem obstáculos ou problemas que ele não vença.

Uma mulher forte é o apoio, a estaca central e o incentivo para que o homem alcance os seus objetivos e vença suas empreitadas. “Casa e fortuna são herança paterna, mas é Iahweh quem dá uma mulher prudente.” (Pr 19,14).           

Que adiantaria ao homem ser rico, receber heranças de seu pai se não tiver como companheira uma mulher prudente? A herança são os pais que deixam, mas uma mulher prudente e virtuosa, como companheira, é uma dádiva preciosa do Criador. O que achou a uma mulher boa, achou o bem, e receberá do Senhor um manancial de alegria.” (Pr 18,22). “A mulher sábia constrói o seu lar.” (Pr 14,1). “Goze a vida com a esposa que você ama, durante todos os dias da vida fugaz que Deus lhe concede debaixo do sol.” (Ecl 9,9a).

César, imperador de Roma, dizia: “Não adianta a mulher do imperador ser honesta; ela precisa demonstrar que é honesta.”          No livro do Eclesiástico encontramos esse conselho: “Não despreze uma esposa sábia e boa, porque a bondade dela vale mais do que o ouro. [...] Você ama sua esposa? Não se separe dela.” (Eclo 7,18.26).

O próprio Senhor nos incentiva a valorizar a mulher honesta, sábia, prudente e boa, porque é nela que o homem de bem encontra consolo e repouso, e o Senhor nosso Deus continua falando assim da mulher virtuosa: “Feliz o marido que tem mulher virtuosa; a duração de sua vida será o dobro. Mulher habilidosa é alegria para o marido, que viverá em paz por toda a vida. Uma boa mulher é uma sorte grande, que será dada aos que temem ao Senhor. Rico ou pobre, estará contente e terá sempre rosto alegre.” (Eclo, 26,1-4).

Uma mulher excelente, como dizem as Sagradas Escrituras, é o maior presente que um homem pode receber do Senhor; é uma boa sorte e Deus somente a dá a quem o teme e caminha por suas veredas. O homem que tem uma mulher prudente, honesta, sábia e boa, jamais a sombra da tristeza ofuscará o seu coração, porque: “Mulher graciosa alegra o marido, e com seu saber o fortalece. Mulher discreta é dom do Senhor, e mulher bem educada não tem preço. Mulher modesta duplica seu encanto, e não há valor que pague a mulher casta. Como o sol levantando-se sobre as montanhas do Senhor, assim é a beleza da mulher em sua casa bem arrumada. Como lâmpada brilhante no candelabro sagrado, tal é a beleza do rosto num corpo bem acabado. Colunas de ouro sobre bases de prata, assim são as belas pernas sobre sólidos pés.” (Eclo 26,13-18).

Diríamos, sem receio de errar, que o Senhor nosso Deus chega ao cúmulo de colocar a mulher irrepreensível acima dos próprios filhos e de qualquer riqueza que o homem possa ter, quando diz: “Os filhos e a fundação de uma cidade perpetuam o nome, porém acima dos dois está a mulher irrepreensível.” (Eclo 40,19).

O livro Cântico dos Cânticos nos transmite uma das mais lindas poesias que uma mulher virtuosa poderia receber de seu amado em todos os tempos e, o que ele escreve, podemos repetir sem medo de incorrer em erro para a mulher virtuosa que divide conosco as alegrias e as tristezas da existência: “Como você é bela, minha amada, como você é bela! [...] Você roubou meu coração, minha irmã, esposa minha, você roubou meu coração com um só dos seus olhares, uma volta dos colares. Como seus amores são belos, minha irmã, esposa minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino do que os outros aromas e o odor de seus perfumes. Seus lábios são favo escorrendo, ó esposa minha. Você tem leite e mel sob a língua, e o perfume de suas roupas é como a fragrância do Líbano. Você é um jardim fechado, minha irmã, esposa minha, um jardim fechado, uma fonte lacrada.” (Ct 4,1.9-12).

E, no elogio à mulher amada, o amado não para por aí, e continua no seu poema enaltecendo a mulher virtuosa: “Como você é bela, como você é formosa, que amor delicioso! Você tem o talhe da palmeira, e seus seios são os cachos. E eu pensei: ‘vou subir à palmeira para colher dos seus frutos’! Sim, seus seios são cachos de uva, e o sopro de suas narinas perfuma como o aroma das maçãs. Sua boca é um vinho delicioso que se derrama na minha, molhando-me lábios e dentes.” (Ct 7,7-10).

O Senhor nos orienta como deve ser tratada a mulher santa: “Seja bendita a sua fonte, alegre-se com a esposa de sua juventude: ele é corça querida, gazela formosa. Que as carícias dela embriaguem sempre a você, e o amor dela, o satisfaça continuamente.” (Pr 5,18-19).

E não poderia existir maneira melhor de falar e elogiar a mulher virtuosa senão como escreveu o escritor sagrado, conforme consta da primeira leitura da liturgia de hoje: “Quem poderá encontrar a mulher forte? Ela vale mais do que pérolas. Seu marido confia nela e não deixa de encontrar vantagens. [...] Ela sabe dar valor ao seu trabalho, e mesmo de noite sua luz não se apaga. [...] Seu marido é respeitado no tribunal, quando se assenta entre os juízes do povo. [...] Ela se veste de força e dignidade, e sorri para o futuro. Ela abre a boca com sabedoria, e sua língua ensina com bondade. [...] A graça é enganadora e a beleza é passageira, mas a mulher que teme a Yahweh merece louvor. Cantem o sucesso do trabalho dela, e que suas obras a louvem na praça da cidade.” (Pr 31,10-11.18.23.25-26.30-31).

Assim as Sagradas Escrituras falam da mulher sábia, prudente, irrepreensível, honesta, santa, digna e virtuosa, e repito, transcrevendo novamente esta citação: “Uma mulher forte é a coroa do marido...” (Pr 12,4).

A mulher virtuosa confia no Senhor e, com o salmista, devemos repetir todos os dias: "Mas tu, ó minha alma, conserva-te sujeita a Deus, porque dele vem minha paciência. Só ele é meu Deus e meu Salvador; é minha defesa, não vacilarei. Em Deus está a minha salvação e a minha glória; de Deus é que espero o meu socorro, a minha esperança está em Deus." (Sl 62 (61),6-8).

O salmista, no Salmo desta liturgia, enaltece o marido que teme a Yahweh e que tem uma esposa amorosa: “Feliz quem teme a Yahweh e anda nos seus caminhos. Você comerá do trabalho de suas próprias mãos, tranquilo e feliz. Sua esposa será como vinha fecunda, na intimidade do seu lar. Seus filhos, rebentos de oliveira, ao redor de sua mesa. Essa é a benção para o homem que teme Yahweh.” (Sl 128 (127),1-4).

Um dos maiores elogios à mulher amada encontramos no livro do Cântico dos Cânticos: “Quem é essa que desponta como aurora, bela como a lua, fulgurante como o sol, terrível como esquadrão com bandeiras desfraldadas?” (Ct 6,10).

O amor da mulher, como mãe é imbatível e não há no mundo amor que o supere.

A mulher virtuosa tem dentro de si o amor que se assemelha ao do Criador, apenas superado por esse: “Mas, pode a mãe se esquecer de seu nenê, pode ela deixar de ter amor pelo filho de suas entranhas? Ainda que ela se esqueça, eu não me esquecerei de você.” (Is 49,15).

No Evangelho deste domingo Jesus conta aos seus discípulos a parábola dos talentos.

A explicitação de Jesus é clara e precisa. O homem que foi viajar para o estrangeiro seria o próprio Jesus que, depois de distribuir os seus ensinamentos e riquezas que ele trouxera do Pai para todos os homens, viaja, volta para junto do Pai, na expectativa de que todos os discípulos disponham e usem os talentos que ele, nos três anos de missão entre os homens, deixou para todos. A cada um foram dados talentos que, quem os receberam, os façam frutificar, duplicar, angariar juros.

Os talentos são todos os meios que a Providência Divina concede a cada um para viver plenamente como filho e filha de Deus.

Os talentos são tudo o que a natureza fornece de bom e útil para que o homem tenha uma vida digna, são os dons particulares da graça que o Pai dá a cada um de acordo com o seu estado de vida, não somente a riqueza, mas também a pobreza, não somente o descanso, mas também o trabalho. Tudo o que o homem tem e é, são os meios que o Pai dá como talentos para a sua salvação. Todos e cada um têm capacidades diferentes para usufruir os talentos dados pelo Pai.

Os que usam seus talentos de maneira responsável, receberão do Senhor o seguinte convite: “Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria.” (Mt 25,21.23).

O inútil da parábola, aquele que recebeu talentos como os demais e se acomodou, aquele que preferiu viver a sua vida como bem lhe aprouvesse, que se entregou totalmente à inércia e à preguiça, que teve uma visão passiva e destorcida da fé, que tentou tirar proveito próprio dos talentos que lhe foram outorgados, atribuindo ao próprio Senhor a causa da sua irresponsabilidade e do seu próprio medo, ouvirá do Senhor: “Empregado mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não plantei, e que recolho onde não semeei. Então você devia ter depositado o meu dinheiro no banco, para que, na volta, eu recebesse com juros o que me pertence.” (Mt 25,26-27).

O nosso Deus é um Deus generoso e que cumula a todos os seus filhos e filhas de bens e talentos para que seja propagado o seu Reino de paz e justiça.

O Reino de Deus é um reino de inclusão de todos, menos para os que agem, mesmo por inércia, para destruí-lo.

sábado, 14 de novembro de 2020

 

AMAMOS JESUS AMANDO MARIA

 

Se amamos de verdade Maria Jesus está contente conosco porque, antes de nós, ele a amou primeiro e com muito mais ardor, com muito mais veneração, com muito mais carinho, porque Maria foi a mulher escolhida como mãe por Jesus desde toda a eternidade.

Jesus foi exigente na escolha de sua mãe, e este foi um privilégio que só ele teve e que ele reservou somente para si: o de escolher a sua própria mãe, porque nenhum de nós, meros mortais, tivemos a oportunidade e o direito, ou a liberdade de escolher a nossa mãe, embora devemos estar contentes com a mãe que temos e que o Senhor nos reservou.

Na exigência da escolha  de sua mãe, Jesus escolheu a mais bela, a mais pura, a mais santa, a mais generosa, a mais virgem das mulheres que jamais existiu sobre a terra.

Maria é a obra prima de Deus. Se amamos Maria estamos seguindo o exemplo e cumprindo a vontade de Jesus, porque, antes de nós, ele a amou primeiro.

Se amamos de verdade Jesus estamos seguindo o conselho de Maria, mesmo porque, antes de nos aconselhar, ela o amou primeiro e o amou como Deus que realmente era e é, e como homem que nunca deixou de ser desde o seu nascimento. Se estamos perto de Maria jamais poderemos estar longe de Jesus.

A melhor maneira de chegarmos a Jesus é por meio de Maria. Maria nos leva até Jesus, assim como foi ela quem trouxe Jesus até nós; foi Maria quem o apresentou aos pastores quando do seu nascimento (Lc 2,16); foi Maria quem o apresentou ao velho Simeão e à profetiza Ana nos portais do templo (Lc 2,24-38); foi Maria quem apresentou Jesus aos sacerdotes, no templo, para cumprir a lei de Moisés (Lc 2,22); foi  Maria quem apresentou Jesus aos Magos que vieram do Oriente para adorarem  “o Rei dos Judeus recém-nascido” (Mt 2,1-12). Foi Maria quem intercedeu  a Jesus para que ele realizasse o seu primeiro milagre (Jo 2,1-12) e, nessa oportunidade foi Maria quem determinou para toda a humanidade: “Fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5).

Que dúvidas poderíamos ter mais sobre a ligação estreitíssima entre Jesus e Maria? Maria, no casamento de Canaã, na Galiléia, nos dá a primeira prova de que, por sua intercessão, Jesus atende a qualquer pedido, ainda que não tenha chegada a hora: “Minha hora ainda não chegou.” (Jo 2,4).

Num momento de extasiante amor, São Bernardo, que dedicou sua vida para mostrar ao mundo a importância de Maria nos planos de Salvação, nos transmitiu essa afirmativa em oração:  “Jamais se ouviu dizer que algum daqueles que tenha recorrido à proteção de Maria, implorado o seu socorro  e invocado o seu auxílio, tivesse sido desamparado.”

Desde que o Anjo do Senhor foi enviado a Nazaré e mantido aquele diálogo de esperança e salvação com a Virgem, convidando-a para ser a mãe do Filho de Deus, todos os que se aproximam ou se aproximaram de Maria se sentiram e se sentem reconfortados e mais perto de Deus. Gabriel, o Mensageiro do Senhor, ao se aproximar de Maria lhe diz: “Deus te salve, cheia de graça; o Senhor é contigo.” (Lc 1,28). Foi o próprio mensageiro do Senhor quem disse que Maria é “cheia de graça” e que o Senhor Nosso Deus estava com ela, e onde quer que Maria estivesse, tenha estado ou passado ou esteja, o Senhor está com ela, e ela se faz sinal de Deus.

Quem está com Maria, não está longe de Deus.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

 

MARIA, O CAMINHO MAIS CURTO PARA CHEGARMOS A JESUS

 

Se amamos de verdade Maria Jesus está contente conosco porque, antes de nós, ele a amou primeiro e com muito mais ardor, com muito mais veneração, com muito mais carinho, porque Maria foi a mulher escolhida como mãe por Jesus desde toda a eternidade.

Jesus foi exigente na escolha de sua mãe, e este foi um privilégio que só ele teve e que ele reservou somente para si: o de escolher a sua própria mãe, porque nenhum de nós, meros mortais, tivemos a oportunidade e o direito, ou a liberdade de escolher a nossa mãe, embora devemos estar contentes com a mãe que temos e que o Senhor nos reservou.

Na exigência da escolha  de sua mãe, Jesus escolheu a mais bela, a mais pura, a mais santa, a mais generosa, a mais virgem das mulheres que jamais existiu sobre a terra.

Maria é a obra prima de Deus. Se amamos Maria estamos seguindo o exemplo e cumprindo a vontade de Jesus, porque, antes de nós, ele a amou primeiro. Se amamos de verdade Jesus estamos seguindo o conselho de Maria, mesmo porque, antes de nos aconselhar, ela o amou primeiro e o amou como Deus que realmente era e é, e como homem que nunca deixou de ser desde o seu nascimento. Se estamos perto de Maria jamais poderemos estar longe de Jesus.

A melhor maneira de chegarmos a Jesus é por meio de Maria. Maria nos leva até Jesus, assim como foi ela quem trouxe Jesus até nós; foi Maria quem o apresentou aos pastores quando do seu nascimento (Lc 2,16); foi Maria quem o apresentou ao velho Simeão e à profetiza Ana nos portais do templo (Lc 2,24-38); foi Maria quem apresentou Jesus aos sacerdotes, no templo, para cumprir a lei de Moisés (Lc 2,22); foi  Maria quem apresentou Jesus aos Magos que vieram do Oriente para adorarem  “o Rei dos Judeus recém-nascido” (Mt 2,1-12).

Foi Maria quem intercedeu  a Jesus para que ele realizasse o seu primeiro milagre (Jo 2,1-12) e, nessa oportunidade foi Maria quem determinou para toda a humanidade: “Fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5). Que dúvidas poderíamos ter mais sobre a ligação estreitíssima entre Jesus e Maria? Maria, no casamento de Canaã, na Galiléia, nos dá a primeira prova de que, por sua intercessão, Jesus atende a qualquer pedido, ainda que não tenha chegada a hora: “Minha hora ainda não chegou.” (Jo 2,4).

Num momento de extasiante amor, São Bernardo, que dedicou sua vida para mostrar ao mundo a importância de Maria nos planos de Salvação, nos transmitiu essa afirmativa em oração:  “Jamais se ouviu dizer que algum daqueles que tenha recorrido à proteção de Maria, implorado o seu socorro  e invocado o seu auxílio, tivesse sido desamparado.” Desde que o Anjo do Senhor foi enviado a Nazaré e mantido aquele diálogo de esperança e salvação com a Virgem, convidando-a para ser a mãe do Filho de Deus, todos os que se aproximam ou se aproximaram de Maria se sentiram e se sentem reconfortados e mais perto de Deus. Gabriel, o Mensageiro do Senhor, ao se aproximar de Maria lhe diz: “Deus te salve, cheia de graça; o Senhor é contigo.” (Lc 1,28).

Foi o próprio mensageiro do Senhor quem disse que Maria é “cheia de graça” e que o Senhor Nosso Deus estava com ela, e onde quer que Maria estivesse, tenha estado ou passado ou esteja, o Senhor está com ela, e ela se faz sinal de Deus.

Quem está com Maria, não está longe de Deus.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

 

A CADA DIA BASTA O SEU CUIDADO.

 

O Senhor, pelo seu infinito amor por todos nós, antes que tomemos conhecimento dos nossos problemas, sabe muito bem  quais são as nossas necessidades e as provê antes mesmo que notemos sua existência ou lhe pedimos que nos ampare porque “Vosso Pai sabe que tendes necessidade de todas elas. Buscai pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dada por acréscimo. Não vos preocupeis pois, pelo dia de amanhã; o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6,32-34).

Amemos o Senhor e o resto acontecerá normalmente; o demais virá por acréscimo.

O primeiro grande mandamento é amar o Senhor Nosso Deus; o segundo é amar o próximo, e nisso não existe uma divisão de amor, existe uma multiplicação, existe o primeiro e o segundo totalizando o amor em plenitude, sem deixar de existir uma escalada hierárquica: partindo desse princípio o Senhor não é “ciumento”.

O Senhor é ciumento no que diz respeito às coisas do mundo que quer dominar o coração do homem, quer competir com o amor de Deus e, bem por isso, Jesus nos alerta: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou há de afeiçoar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.” (Mt 6,24).

É até um absurdo  dizer que o amor ao dinheiro, às riquezas, pode sobrepujar  o amor a Deus, mas é uma realidade, uma realidade que foi focalizada  pelo próprio Senhor Jesus.

O dinheiro competindo no coração do homem com Deus, e quantas vezes leva vantagem, e, bem por isso, Paulo Apóstolo adverte Timóteo em sua carta: “Ora, os que querem se enriquecer caem em tentação e cilada, e em muitos desejos insensatos e perniciosos, que mergulham o homem na ruína e na perdição. Porque a raiz de todos os males e o amor ao dinheiro, por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé, e a sim mesmo se afligem com múltiplos tormentos.” (1Tm6,9-10). E isso o Senhor Jesus quer deixar claro: a amizade do mundo é incompatível com a amizade com Deus.

O apóstolo Tiago entendeu bem essa mensagem de Jesus e nos faz essa grave advertência: “Adúlteros, não sabeis que a amizade deste mundo é inimiga de Deus? Portanto, todo aquele que quiser ser amigo deste século, constitui-se inimigo de Deus. Porventura imaginais que a Escritura diz em vão: “O Espírito que habita em vós ama-vos com ciúme?” Pelo contrário, dá maior graça. Por isso a Escritura diz: “Deus resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes.” Sede pois, sujeitos a Deus e resisti ao demônio, e ele fugirá de vós. Aproximai-vos de Deus e ele se aproximará de vós.” (Tg 4,4-8).

O Apóstolo amado, João, também nos adverte sobre o mesmo assunto: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não há nele o amor do Pai, porque tudo o que há no mundo é concupiscência dos olhos e soberba da vida, e isto não vem do Pai, mas do mundo. Ora o mundo passa e a sua concupiscência com ele, mas o que faz a vontade de Deus permanece eternamente.”. (1Jo 2,15-17).

O mínimo que podemos fazer é amar ao Senhor Nosso Deus, pelo menos porque ele nos amou primeiro: “O amor consiste nisso: em não termos sido nós que amamos a Deus, mas em que ele foi o primeiro que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de propiciação pelos nossos pecados. Caríssimos, se Deus nos amou assim, devemos nós também amar-nos uns aos outros.” (1Jo 2,10-11).

E Jesus nos amou e ama tanto que não nos quer deixar sozinhos e, antes de voltar para o Pai nos deixa esta promessa reconfortadora: “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28, 20).

Não estamos sozinhos nessa caminhada do amor. Jesus Cristo permanece conosco; nós o vemos a cada instante. Vemos o Cristo e bebemos do seu amor quando contemplamos os olhos inocentes de uma criança.

Sentimos a presença de Cristo quando atendemos a necessidade de um irmão, quando confortamos um irmão. Nos transformamos em outro Cristo quando nos doamos, quando nos amamos mutuamente da mesma forma que o Senhor Jesus nos amou e continua nos amando, agora e para todo o sempre...

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

 

“ESTE É O MEU MANDAMENTO...”  (Jo 14,32).

 

O Senhor Nosso Deus nos ama e quer que o amemos através dos nossos irmãos.

O Senhor Nosso Deus nos perdoa com a condição de perdoarmos os nossos irmãos; a mesma medida que ele usa para nos perdoar é a medida com que perdoamos a quem nos tem ofendido.

E foi Jesus quem nos deu a maior lição de como se deve perdoar. Jesus que, apenas e somente por amor não hesitou em dar a sua vida para a redenção dos homens, no momento em que pressentiu  que tudo estava acabado e que sua vida chegava ao fim grita do alto da cruz: “Está consumado!” (Jo 19,30), e consciente que nada mais lhe restava fazer, quando nada mais tinha para dar aos homens, depois de haver dado até a última gota de seu sangue, quando as lágrimas já haviam se esgotado em seus olhos, quando a sua voz já não tinha mais som, quando sua vida estava se apagando como uma chama tênue de vela e irremediavelmente ele sentia o fim  chegar, teve forças, ainda, para levantar seus olhos aos céus e fazer uma última súplica de amor ao Pai: “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem.” (Lc 23,34), e, finalmente, dando um grande grito, diz: “Pai, em tuas mãos  entrego o meu espírito.” (Lc 23,46).

Não é possível que, depois de uma lição dessa, o homem ainda não tenha aprendido amar, perdoar. Não é possível que, depois de tanto amor demonstrado pelo Senhor Nosso Deus a todos nós, ainda precisamos ouvir aquela frase ameaçadora de Jesus: Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus.” (Mt 10,33).

Mas, para uma frase ameaçadora, Jesus, com todo o seu amor, nos deixa uma frase acalentadora e cheia de esperança, que se resume numa promessa: “Todo aquele, portanto, que se declarar por mim diante dos homens, também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos Céus.” (Mt 10,32).

O Senhor Nosso Deus nos amou e nos ama tanto que se permitiu chegar ao extremo que seu Filho Único morresse em uma cruz para nos abrir as portas do céu que havia sido fechadas pelo pecado e, em troca disso, só nos pede “amor”.

O Senhor se auto-proclama um “Deus ciumento”  (Dt 5,9), mas não é um Deus egoísta e, por isso, ele nos pede que, depois de amá-lo com toda a nossa alma, com todas as nossas forças, com todo o nosso entendimento, amemos também o nosso irmão, o nosso próximo; amemo-nos uns aos outros e por isso ele nos deixa esses dois mandamentos de suma importância: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O Segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22,36-39), e nos dá um mandamento novo para nos ensinar como devemos nos amar uns aos outros: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisso reconhecerão todos  que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros.” (Jo 13,34-35), e, “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se praticais  o que vos mando.” (Jo 15,12-14).

O Senhor nos ama; ama-nos tão intensamente  como somente um Deus sabe amar: “Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho Único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no Nome do Filho Único de Deus.” (Jo 3,16-18).

Um Rei Divino que entrega seu Filho Único extremamente amado à morte para salvar a vida  dos escravos que o ofenderam. Isso é amor! O Senhor Nosso Deus entrega seu Filho à morte “... para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16), para que, todo o que nele crê saia das trevas e do pecado: “O Filho de Deus se tornou homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus.” (Santo Agostinho). “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos.” (Jo 15,13). “Quem não poupou o seu próprio Filho e o entregou por todos nós, como não nos haverá de agraciar em tudo junto com ele?” (Rm 8,32). “Olhai as aves do céu: não semeiam , nem colhem, nem ajuntam em celeiros. E, no entanto, vosso Pai Celeste as alimenta. Ora, não valeis vós mais do que elas?” (Mt 6,26). “Considerai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. Digo-vos, todavia, que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se pois Deus veste assim uma erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé!” (Mt 6,28-30).

terça-feira, 10 de novembro de 2020

 

“QUEM É O MEU PRÓXIMO?”

 

Em toda a vida de Jesus Cristo todos os seus ensinamentos foram no sentido de que os homens se amassem mutuamente e que os homens, através dos homens, chegassem até o Senhor Nosso Deus:

“Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisso reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros.” (Jo 13,34-35).

“Se alguém me ama, guardará minha palavra e o meu Pai o amará  e a ele viremos e nele estabeleceremos morada. Quem não me ama não guarda minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou.” (Jo 14,23-24).

“E sabemos que o conhecemos por isso: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: ”Eu o conheço”, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Mas o que guarda a sua palavra, nesse, verdadeiramente, o amor de Deus é perfeito. Nisso reconhecemos que estamos nele. Aquele que diz que permanece nele, deve também andar como ele andou.” (1Jo 2,3-6).   

Com essa declaração o Apóstolo João nos deixa claro que, quem diz que ama o Senhor Jesus deve amar a todos como ele amou, deve sentir pelos irmãos o que ele sentiu, deve se doar pelos outros como ele se doou e deve andar no amor, na justiça e na caridade como ele andou, e João complementa, dizendo:

Aquele que diz que está na luz, mas odeia o seu irmão, está nas trevas até agora. O que ama o seu irmão permanece na luz,  e nele não há ocasião de queda. Mas o que odeia o seu irmão está nas trevas; caminha nas trevas, e não sabe onde vai, porque as trevas cegaram os seus olhos.” (1Jo 2,9-11).

“Quanto a nós, amemos, porque ele nos amou primeiro. Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia o seu irmão,  é um mentiroso: pois quem não ama a seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar. E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão. Todo o que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus, e todo o que ama ao que gerou ama também o que dele nasceu. Nisto reconhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Pois este é o amor de Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo.” (1Jo 4,19-21; 5,1-4).

E o Senhor Jesus, quando inquirido pelos fariseus sobre qual seria o maior dos mandamentos, bem, assim nos narra Mateus:

“Os fariseus, ouvindo que ele (Jesus) fechara a boca dos saduceus, reuniram-se em grupo e um deles - a fim de pô-lo à prova - perguntou-lhe: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Ele respondeu: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Mt 22,34-40).

Jesus nos diz que o maior dos mandamentos é amar ao Senhor nosso Deus e o segundo é amar o próximo como a nós mesmos. Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Mas ai surge a pergunta: “Quem é o meu próximo?” Essa pergunta não é moderna, não é dos nossos dias. Já fizeram essa pergunta, pessoalmente, ao Senhor Jesus.

Você se lembra da parábola do bom samaritano? Seria interessante relembrá-la, lendo Lc 10,25-37. Mas, não vamos falar dessa parábola, pelo menos agora, mas, repitamos aqui a pergunta do legista a Jesus:

“Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Ele disse: “que está escrito na lei? Como lês?” Ele, então, respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e de todo o teu entendimento; e ao teu próximo como a ti mesmo.” Jesus disse: “Respondeste corretamente; faze isso e viverás.” Ele, porém, querendo se justificar, disse a Jesus: “E quem é o Meu Próximo?” (Lc 10,25-29).

Quem é o meu próximo? Essa pergunta é centenária, ou, não seria milenar?

Talvez seja até eterna! O próprio Senhor Jesus recebeu de “queima-roupa” essa pergunta.

E ainda hoje, dois mil anos depois dos ensinamentos do Senhor Jesus, ainda nos fazemos essa pergunta: “Quem é o meu próximo?”

O seu próximo é aquele que está mais perto de você, o seu próximo é aquele que está ao seu lado: o seu próximo é a sua esposa, o seu esposo, é o seu marido, é a sua mulher, é o seu filho, sua filha, seu pai, sua mãe, seus irmãos e irmãs, seus vizinhos, seus companheiros de trabalho, seus amigos, seus inimigos, seu conhecido, seu desconhecido, é o homem, é a mulher, é o irmão da mesma fé que está sentado ai, ao seu lado na sua igreja.

Esse é o seu próximo: aquele que está mais próximo de você.

Não precisa procurar, não precisa se preocupar em encontrá-lo: ele está ai, do seu lado.

Essa é a lei do Senhor Nosso Deus: ame o seu próximo e perdoa as suas ofensas, porque, o perdão somente é válido quando é dado com amor e por amor.

Não somos perdoados se não soubermos perdoar.     

Não adianta somente dizermos: “E perdoa-nos as nossas  dívidas...”, se não completarmos: “... como também nós perdoamos aos nossos devedores.” (Mt 6,12).