sábado, 23 de janeiro de 2021

 

PARA VOCÊ, QUEM É JESUS?

 

Certa vez Jesus perguntou aos seus discípulos: “Quem vocês dizem que eu sou?” (Lc 9,20). Jesus está continuamente na nossa vida perguntando-nos quem achamos que ele seja. Essa pergunta não é respondida apenas com palavras, mas com atitudes, com ação, com trabalho, com muito amor, com vida.

O que responderíamos, hoje, a Jesus, quando ele, olhando diretamente nos nossos olhos, nos fizesse essa pergunta? Será que pelas nossas atitudes e na nossa vida testemunharíamos quem seria Jesus para nós?

É muito difícil afirmar isso com segurança.  Os nossos atos não testemunham que Jesus é o Filho de Deus e Salvador da humanidade, em primeiro lugar porque não cumprimos fielmente os seus mandamentos; em segundo lugar porque desconhecemos a sua palavra transmitida pelo Evangelho; em terceiro lugar porque não vivemos a sua verdade que é a verdade por excelência e fora dessa verdade não existe outra; em quarto lugar porque não trilhamos o caminho por ele apontado e, em quinto lugar, porque não vivemos a vida de um verdadeiro filho de Deus resgatado do pecado pelo sacrifício de Jesus na cruz, ignorando o que ele afirma: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Jo 14,6).

Pela maneira que vivemos é muito difícil fazer com que os outros entendam que acreditamos realmente em Jesus e que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus que se fez homem para que os homens se tornassem filhos de Deus.

A pergunta feita por Jesus: “Quem vocês dizem que eu sou?” (Lc 9,20), não se responde por palavras e sim pelo tipo de vida que vivemos, pela maneira que convivemos com os irmãos e os tratamos e que colocamos o mandamento do amor em relação aos irmãos, seguindo os ditames do mandamento de Jesus: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos”. (Jo 15,12-13).

A essa resposta de Jesus, se não for respondida por atitudes e compromisso de vida e não com palavras, não passará de uma resposta hipócrita, de falsos cristãos e bajuladores baratos, porque não adianta dizer com a boca que Jesus é o Filho de Deus se não testemunhamos isso na nossa vida e não seguirmos as suas pegadas.

É o testemunho de vida, é o compromisso com a Igreja, é o relacionamento honesto com o irmão, é a fidelidade conjugal, é o compromisso com os pobres e oprimidos que dizem quem é Jesus para cada um de nós.

O nosso modo de vida, o nosso testemunho cristão é que dão resposta sobre quem pensamos que seja Jesus, respondendo à sua pergunta.

Então, para você, meu irmão, para você, minha irmã, quem é Jesus? O que você pensa dele? Como você o encara? Como você vive, em sua vida, os seus mandamentos, as suas determinações, as suas mensagens, o seu Evangelho?

Você até pode dizer que sabe quem ele seja e que acredita fiel e sinceramente que ele seja o Messias, o Filho de Deus que nos veio trazer a salvação, mas, recordando uma antiga música do padre Zezinho, você vive como ele viveu? Você ama como ele amou? Você reza como ele rezou? Você perdoa como ele perdoou? Você se coloca na pessoa do pobre e do oprimido como ele se colocou? Você consola o irmão como ele consolou? Você se alegra com os alegres e chora com os tristes, assim como ele fez?

Se você estiver fazendo tudo isso que Jesus fez e com muito amor, se você colocou a mão no arado e não olhou para trás, se você tomou a sua cruz e seguiu passo a passo as pegadas de Jesus com amor e aceitação, então podemos acreditar que você sabe quem é e que acredita em Jesus. Mas, sinceramente, você está fazendo isso?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

 

SÃO VICENTE – DIÁCONO E MARTIR + 304

 

Vicente era natural de Huesca e pertencia a uma das mais distintas famílias da Espanha.

Desde menino, foi entregue por seus pais à orientação do bispo Valério, de Saragoça, recebendo uma sólida formação religiosa e humana.

Muito jovem ingressou na vida religiosa e logo foi ordenado diácono da Igreja. Depois, devido ao seu preparo intelectual e tendo o dom da palavra, foi escolhido para assistir o bispo, ficando encarregado do ministério da pregação do Evangelho. Isto porque o bispo, em virtude da idade avançada, já não tinha mais forças para exercer esta tarefa.

Vicente desempenhou este cargo com total dignidade e, graças a eloqüência dos seus sermões e obras, obteve expressivos resultados para a Igreja convertendo à fé, grande número de pagãos. Neste período, iniciava a terrível perseguição decretada pelos imperadores romanos Diocleciano e Maximiano, no solo espanhol.

Daciano, governador da província de Saragoça e Valência, querendo mostrar a sua lealdade e obediência aos decretos imperiais, mandou prender Valério e Vicente, ordenando que fossem levados para a prisão de Valência.

Depois de processados foram condenados à morte, mas o governador mostrando uma certa clemência para o bispo muito idoso, mandou que fosse exilado.

Entretanto reservou seu requinte de crueldade para Vicente, que foi barbaramente chicoteado e esfolado, tendo os nervos e músculos esmigalhados.

Mas ele continuava vivo entoando hinos de louvor à Deus.

Os carrascos ficaram tão espantados e assustados, que desistiram da tortura, e tiraram Vicente da cela quando então ele morreu.

Era o ano 304. Segundo a tradição, Daciano mandou que seu corpo fosse atirado num terreno pantanoso, para que os animais pudessem devorá-lo, mas acabou protegido por um corvo enorme, que não permitiu que seus restos fossem tocados.

Por isto, transtornado o governador mandou que o jogassem ao mar, com uma grande pedra amarrada no pescoço. O corpo de Vicente não afundou. O Senhor o conduziu à praia, onde os fiéis o recolheram e sepultaram fora dos muros da cidade de Valência.

Neste lugar foi construída a belíssima Basílica dedicada à ele e que guarda suas relíquias até hoje. São Vicente, diácono, é o mártir mais célebre da Espanha e Portugal.

Um século após o seu testemunho da fé no Cristo, Santo Agostinho, doutor da Igreja, lhe dedicava todos os anos neste dia uma missa. Por este motivo a Igreja manteve a sua festa nesta data.

São venerados também, neste dia: São Vicente Pallotti (presbítero e fundador), Santo Anastácio, o Persa (mártir), Snata Blesila de Roma (viúva), São Bertoldo de Sarum (monge, bispo), Vicente de Digne (bispo).Bem-aventurados Laura Vicunha, José Nascimbeni e Guilherme José Chaminade. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

 

SANTA INÊS – VIRGEM E MARTIR - ANO 304

 

O nome "Agnes", para nós Inês, em grego significa pura e casta, enquanto em latim significa cordeiro. Para a Igreja, Santa Inês é o próprio símbolo da inocência e da castidade, que ela defendeu com a própria vida. A idéia da virgindade casta foi estabelecida na Igreja justamente para se contrapor à devassidão e aos costumes imorais dos pagãos. Inês levou às últimas conseqüências a escolha que fez à esses valores. É uma das Santas mais antigas do cristianismo.

Sua existência transcorreu entre os séculos três e quatro, sendo martirizada durante a décima perseguição ordenada contra os cristãos, desta vez imposta pelo terrível imperador Diocleciano, em 304. Inês pertencia à uma rica, nobre e cristã família romana. Isso lhe possibilitou receber uma educação dentro dos mais exatos preceitos religiosos, o que a fez tomar a decisão precoce de se tornar "esposa de Cristo".

Tinha apenas 13 anos quando foi denunciada como cristã. Dotada de uma beleza incomum, recebeu inúmeros pedidos de casamento, inclusive do filho do prefeito de Roma. Aliás, essa foi a causa que desencadeou seu suplício e uma violenta perseguição contra os cristãos.

A narração que nos chegou conta que o rapaz, apesar das negativas da jovem, tentava cortejá-la. Seu pai indignado com as constantes recusas que deixavam seu filho inconsolável, tentou forçar que Inês aceitasse seu filho como esposo, mas tudo em vão. Numa certa tarde de tempestade, o rapaz tentou tomá-la nos braços, mas foi atingido por um raio e caiu morto aos seus pés. Quando o prefeito soube, procurou Inês com humildade e lhe implorou que pedisse a seu Deus pela vida de seu filho. Ela erguendo as mãos e voltando os olhos para o céu orou para que Nosso Senhor trouxesse o rapaz de volta à vida terrena, mostrando toda Sua misericórdia.

O rapaz voltou e percebendo a santidade de Inês se converteu cristão. Porém, seu pai, o prefeito, viu aquela situação como um sinal de poder dos cristãos e resolveu aplicar a perseguição, decretada por Diocleciano, de modo implacável. Inês, segundo ele, fora denunciada e por isso teria de ser enviada para a prisão. Mesmo assim, ela nunca tentou se livrar da pena em troca do casamento que fora proposto em nome do filho do prefeito e muito menos negou sua fé em Cristo. Preferiu sofrer as terríveis humilhações de seus carrascos, que estavam decididos a fazê-la mudar de idéia através da força.

Arrastada violentamente até a presença de um ídolo pagão, para que o adorasse, Inês se manteve firme em suas orações à Cristo. Depois foi levada à uma casa de prostituição, para que fosse possuída à força, mas ninguém ousou tocar sequer num fio de seu cabelo, saindo de lá na mesma condição de castidade que chegou. Cada vez mais a situação ficava fora do controle das autoridades romanas e o povo estava se convertendo em massa. Para aplacar os ânimos Inês foi levada ao Circo e condenada à fogueira, mas o fogo prodigiosamente se abriu e não a queimou.

Assim, o prefeito decretou que fosse morta por decapitação a fio de espada, naquele exato momento. Foi dessa maneira que a jovem Inês testemunhou sua fé em Cristo. Seu enterro foi um verdadeiro triunfo da fé; seus pais, levaram o corpo de Inês, e o enterraram num prédio que possuíam na estrada que de Roma conduz a Nomento.

Nesse local, por volta do ano de 354, uma Basílica foi erguida a pedido da filha do imperador Constantino, em honra à Santa. Trata-se de uma das mais antigas de Roma, na qual encontram-se suas relíquias e sepultura. Na arte, Santa Inês é comumente representada com uma ovelha, e uma palma, sendo que a ovelha sugere sua castidade e inocência. Sua pureza martirizada faz parte, até hoje, dos rituais da Igreja. Todo ano, no dia de sua veneração, em 21 de janeiro, é realizada na Basílica de Santa Inês, fora dos muros do Vaticano, uma Missa solene onde dois cordeirinhos brancos, ornados de flores e fitas são levados para o celebrante os benzer. Depois os mesmos são apresentados ao Papa, que os entrega a religiosas encarregadas de os guardar até a época da tosquia.

Com sua lã são tecidos os pálios que, na vigília de São Pedro e São Paulo, são colocados sobre o altar da Basílica de São Pedro. Posteriormente esses pálios são enviados à todos os arcebispos do mundo católico ocidental e eles os recebem em sinal da obediência que devem à Santa Sé, como centro da autoridade religiosa.

São comemorados, também, neste dia: Santa Brígida de Kilbride (virgem), Santo Epifânio de Pávia (bispo), Santos Frutuoso, Augúrio e Eulógio (bispo e diáconos mártires de Tarragona).

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

 

SÃO SEBASTIÃO - ANO 288

 

A reprodução do martírio de São Sebastião, amarrado a uma árvore e atravessado por flechas é uma imagem milhares de vezes retratada em quadros, pinturas e esculturas, por artistas de todos os tempos. Entretanto, nem todos sabem que o destemido Santo não morreu daquela maneira. O suplício das flechas não lhe tirou a vida, resguardada pela fé em Cristo.

Vejamos como tudo aconteceu. Sebastião nasceu em Narbônia, na Gália, atual França, mas foi criado por sua mãe em Milão, na Itália, de acordo com os registros de Santo Ambrósio. Pertencente a uma família cristã, foi batizado ainda pequenino. Mais tarde, tomou a decisão de engajar-se nas fileiras romanas e chegou a ser considerado um dos oficiais prediletos do imperador Diocleciano. Contudo, nunca deixou de ser um cristão convicto e protetor ativo dos cristãos.

Ele fazia tudo para ajudar os irmãos na fé, procurando revelar o Deus verdadeiro aos soldados e aos prisioneiros. Secretamente, Sebastião conseguiu converter muitos pagãos ao cristianismo. Até mesmo o governador de Roma, Cromácio, e seu filho Tibúrcio foram convertidos por ele. Em certa ocasião, Sebastião foi denunciado, pois estava contrariando o seu dever de oficial da lei. Teve então, que comparecer ante ao imperador para dar satisfações sobre o seu procedimento. O imperador da época era ninguém menos que o sanguinário Diocleciano, que lhe dispensara admiração e confiara nele, esperando vê-lo em destacada posição no seu exército, numa brilhante carreira e por isso considerou-se traído. Levado à sua presença, Sebastião não negou sua fé. O imperador lhe deu ainda uma chance para que escolhesse entre sua fé em Cristo e o seu posto no exército romano. Ele não titubeou, ficou mesmo com Cristo.

A sentença foi imediata: deveria ser amarrado a uma árvore e executado a flechadas. Após a ordem ser executada, Sebastião foi dado como morto e ali mesmo abandonado, pela mesma guarda pretoriana que antes chefiara. Entretanto, quando uma senhora cristã foi até o local à noite, pretendendo dar-lhe um túmulo digno encontrou-o vivo! Levou-o para casa e tratou de suas feridas até vê-lo curado.

Depois, cumprindo o que lhe vinha da alma, ele mesmo se apresentou àquele imperador anunciando o poder de Nosso Senhor Jesus Cristo e censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos, acusando-o de inimigo do Estado. Perplexo e irado com tamanha ousadia, o sanguinário Diocleciano o entregou à guarda pretoriana após condená-lo, desta vez, ao martírio no Circo.

Sebastião foi executado então com pauladas e boladas de chumbo, sendo açoitado até a morte, no dia 20 de janeiro de 288. Os algozes cumpriram a ordem e, para evitar a sua veneração, foi jogado numa fossa, de onde a piedosa cristã Santa Luciana o tirou, para sepultá-lo junto de São Pedro e São Paulo.

Posteriormente, em 680, as relíquias foram transportadas solenemente para a Basílica de São Paulo Fora dos Muros, construída pelo imperador Constantino. Naquela ocasião em Roma a peste vitimava muita gente, mas a terrível epidemia desapareceu na hora daquela transladação.

Em outras ocasiões foi constatado o mesmo fato; em 1575 em Milão, e em 1599 em Lisboa, ambas ficando livres da peste pela intercessão do glorioso mártir São Sebastião. No Brasil, diz a tradição, que no dia da festa do padroeiro, em 1565, ocorreu a batalha final que expulsou os franceses que ocupavam a cidade do Rio de Janeiro, quando São Sebastião foi visto de espada na mão entre os portugueses, mamelucos e índios, lutando contra os invasores franceses calvinistas.

Ele é o protetor da Humanidade, contra a fome, a peste e a guerra e é claro do cartão postal do Brasil, a cidade maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro.

São venerados também, neste dia: Santo Eustóquio de Messina (franciscano), Santo Eutímio, o Grego (abade), São Mauro de Cesena (monge e bispo), São Neófito de Nicéia (mártir), São Fabiano (papa) e Bem-aventurada Maria Cristina da Imaculada Conceição. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

 

AMANDO  MARIA, AGRADAMOS A JESUS.

 

São Luiz Maria Grignon  de Montfort como um grande devoto de Maria, no livro que ele escreveu sobre Maria chamado “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, queixa-se, amorosamente a Jesus pelos cristãos desconhecerem a íntima  ligação que existe entre Jesus e Maria. E, nesse livro, ele escreve o seguinte:

“Neste ponto, dirijo-me a vós, um instante,  ò meu amável Jesus, para queixar-me amorosamente à Vossa Majestade de que a maior parte dos cristãos e até os mais ilustrados não sabem da união necessária que existe entre vós e vossa Mãe Santíssima. Estais sempre com Maria, ó meu Senhor, e Maria está sempre convosco e não pode estar sem vós; de outro modo deixaria de ser o que é; Maria está de tal forma transformada em vós pela graça que não vive mais, não existe mais; sois vós, unicamente, meu Jesus, que nela viveis e reinais, mais perfeitamente que todos os Anjos ou bem-aventurados. Ah! Se os homens conhecessem a glória e o amor que nessa admirável criatura recebeis, bem diversos seriam os seus sentimentos a vosso respeito e a respeito de Maria. Maria vos está tão intimamente unida, que seria mais fácil separar a luz do sol e o calor do fogo; digo mais, seria mais fácil separar de vós todos os anjos e santos que a pura Maria; porquanto ela vos ama mais ardentemente, vos glorifica mais perfeitamente que todas as outras criaturas juntas.             Isso dito, meu amável Jesus, não é verdade que causa espanto e compaixão ver a ignorância e as trevas de todas as criaturas deste mundo em relação à vossa Mãe Santíssima? Quantos cristãos católicos que fazem promessa de ensinar aos outros a verdade, e que, entretanto, não vos conhece a vós e a  Vossa Mãe Santíssima senão de um modo especulativo, seco, estéril e indiferente. Esses cristãos pouco falam de vossa Santa Mãe e da devoção que lhe é devida, porque temem, dizem eles, abusar ou vos injuriar honrando demasiadamente à Vossa Mãe Santíssima. Se vêem ou ouvem algum devoto da Santíssima Virgem  falar frequentemente  da devoção a esse boa mãe, de um modo terno, forte e persuasivo, como de um meio seguro e sem ilusão, de um caminho curto e sem perigo de uma senda imaculada e sem imperfeição, e de um segredo maravilhoso para achar-vos e amar-vos perfeitamente, clamam contra ele e apresentam mil falsas razões para provar-lhe que não deve falar tanto assim da Santíssima Virgem, que existem grandes abusos nessa devoção, que se deve trabalhar para destrui-los e antes falar em vós que incitar os povos à devoção à Santíssima Virgem que eles já dizem amar suficientemente... Ò meu amável Jesus, possui essa gente, por acaso, o vosso espírito? Será que eles vos contentam agindo dessa maneira? Será que eles vos agradam não empregando todos os esforços para agradar a vossa mãe, com medo de desagradar-vos? A devoção à vossa Santíssima Mãe impedirá a vossa? Preservai-me, Senhor, preservai-me desses sentimentos e dessas práticas e concedei-me a graça  de partilhar os sentimentos de gratidão, de estima, de respeito e de amor que consagrais à vossa Mãe Santíssima, a fim de que tanto mais vos ame e glorifique quanto mais de perto vos imitar e seguir. Como se até agora nada mais tivesse dito em honra de vossa Mãe Santíssima, fazei-me a graça de louvá-la dignamente apesar de todos os seus inimigos que são também os vossos, e permiti que eu lhes diga com os santos:- NÃO PODE ESPERAR A MISERICÓRDIA DE DEUS QUEM OFENDE A SUA MÃE!”

Isso que acabamos de ler são escritos de São Luiz Maria Grignon de Montfort. Este santo é um dos maiores devotos de Maria e um dos maiores propagadores da devoção à Santíssima Virgem, e, pelos seus escritos, aprendemos muito com ele como devemos amar Maria, e como devemos amar Jesus através de Maria.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

 

“ELES NÃO TÊM MAIS VINHO” (Jo 2,3).

 

Em certas ocasiões dos Evangelhos não é tão importante o que está escrito, mas o que está contido nas entrelinhas. Imaginemos a situação no casamento de Caná, na Galiléia, onde Jesus e sua mãe Maria estavam presentes.

Com que confiança, amor e carinho Maria se aproxima de seu Filho para pedir, na certeza que seria atendida, e, com que olhar de amor, carinho e respeito Jesus dirigiu à sua mãe chamando-lhe à realidade que ainda não havia chegado a sua hora, mas, na certeza de que atenderia sua mãe, qualquer que fosse o pedido que ela lhe fizesse, seguro de que ela não pedia para si e sim para alguém em dificuldades, ele anteciparia a sua hora por um pedido de sua mãe.

O momento do Filho Único de Deus se manifestar com toda a sua glória, o momento de Jesus mostrar a que veio, de derramar a misericórdia e os poderes de Deus a todos os necessitados ainda não havia chegado, e assim, taxativamente, ele se expressa: “Minha hora ainda não chegou.” (Jo 2,4), e, essa hora,  não era outra, senão a hora da cruz. Mas aquele era um momento especial; era a sua mãe que estava pedindo.

Era aquela a quem ele, o Filho Único de Deus, havia escolhido por mãe desde a queda do homem, desde o primeiro pecado, “E o Senhor disse à serpente: “...Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar.” (Gn 3,14-15), e Jesus, pelo grande amor que dedicava à sua mãe, não resistiu aquele pedido e antecipou a sua hora... Jesus não precisou dizer nada para sua mãe; entre os dois não havia necessidade de palavras; bastava apenas um olhar, e Maria entendeu que ele atendera à sua súplica, e Jesus, a uma mediação de sua mãe antecipa a sua hora e “Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5). 

Maria, através dos tempos, continua dizendo a todos os cristãos, a todos os discípulos, apóstolos e seguidores de seu Divino Filho: “Fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5). Naquele casamento, “havia seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma contendo de duas a três medidas. (correspondente a cerca de quarenta litros). Jesus lhes disse: Enchei as talhas de água.” Eles as encheram até a borda. Então lhes disse: “Tirai agora e levai ao mestre sala.” Eles levaram. Quando o mestre-sala provou a  água transformada em vinho - ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água - chamou o noivo e lhe disse: “Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados, serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora.” (Jo 2,6-10).

O mestre-sala, o organizador da festa do casamento não sabia que o vinho havia acabado e desconhecia o milagre realizado por Jesus e, ao provar do vinho, ficou admirado, pois era costume nas festas servir primeiro o melhor vinho para, depois, “...quando os convidados já estão embriagados, serve o inferior” e, por isso, chama a atenção do noivo.

Essa foi a participação de Jesus num casamento. Não somente ele, mas sua mãe, Maria, que teve uma participação fundamental e salvadora para os noivos. Jesus marcou presença, e deixou registrado ali, naquela festa, naquele cerimônia nupcial, o seu primeiro milagre, antecipado e realizado a pedido de sua mãe, Maria.

E Jesus, mais adiante, em seus ensinamentos, determina: “Não lestes que desde o princípio o Criador os fez homem e mulher? E que disse: “Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne?” PORTANTO, O  QUE  DEUS  UNIU, O  HOMEM NÃO   DEVE   SEPARAR.” (Mt 19,4-6). E depois, Jesus “acrescentou: “Nem todos são capazes de compreender essa palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.” (Lc 18,18).

domingo, 17 de janeiro de 2021

 

“EIS O CORDEIRO DE DEUS, AQUELE QUE TIRA O PECADO DO MUNDO”. (Jo 1,29).

 

SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ano – B; Cor – Verde; Leituras: 1Sm 3,3-10.19; Sl 39 (40); 1Cor 6,13-15.17-20; Jo 1,35-42.

 

Diácono Milton Restivo

 

A primeira leitura desta liturgia nos traz uma das figuras mais significativas do Antigo Testamento: o profeta, sacerdote e juiz Samuel.

Samuel, segundo as Sagradas Escrituras, foi o último dos juizes de Israel e o primeiro profeta que consta da história do seu povo.

Foi Samuel quem ungiu os dois primeiros reis de Israel, Saul e Davi.

João Batista lembra, de diversas maneiras, a figura de Samuel.

O Evangelista Lucas destaca essas semelhanças: em ambos os casos destaca-se o ambiente sacerdotal, e as duas anunciações acontecem no santuário; nos dois casos, as mães são estéreis e os filhos são consagrados nazireus (Lc 1,7.15-17.25).

Mas o mais forte paralelismo talvez esteja no fato de ambos anunciarem uma nova fase da história da salvação.

João Batista é o último dos profetas e anuncia a plenitude dos tempos.

Samuel é o primeiro dos profetas e consagra o início da monarquia de Israel, onde ocupa papel de destaque a dinastia de Davi, da qual havia de nascer o Messias.

A mãe de Samuel, Ana, era estéril, não podia ter filhos. Isso era motivo para que, a outra esposa de seu marido, que tinha muitos filhos, a humilhasse.

Ana fez uma oração comovente a Yahweh, conforme consta em 1Sm 2,1-10, prometendo que, se tivesse um filho, ele seria um nazireu, ou seja, um consagrado a Yahweh, isto é, não podia cortar o cabelo e e deveria abster-se do consumo de vinho ou qualquer outro produto oriundo da uva e outras imposições conforme foi instituído e regulamentado no livro de Números, 6,1-21.

Desta forma nasceu Samuel e sua mãe o entregou aos cuidados do sacerdote Eli, para que ele servisse no templo, desde a mais tenra idade.

Enquanto servia no Templo, certa noite Yahweh chama pelo nome de Samuel por quatro vezes. Confuso, Samuel, julgando ele que quem o chamava era o sacerdote Eli, até que o próprio Eli entendeu que era Yahweh que o chamava, e o orientou a responder, o que foi feito por Samuel:

·         “Fala que teu servo escuta.” (1Sm 3,10).

Um chamamento por parte de Deus nunca é anônimo. Muitas vezes, a pessoa que é chamada para uma vocação, nunca dá resposta imediatamente e por isso o Senhor usa de uma pedagogia: chama a pessoa gradualmente dando tempo para que a pessoa responda ao chamamento.

Muitas vezes Deus lança mão de um intermediário, como aconteceu com o sacerdote Eli que orientou Samuel para que respondesse ao chamamento de Deus. Samuel escuta Eli e faz-se totalmente disponível para Deus:

·         Fala, Senhor; o teu servo escuta!” (1Sm 3,9.10).

Samuel começa a manifestar-se como verdadeiro profeta.

Deus chama a cada um, de maneira diversa.

Na liturgia deste domingo João Batista torna pública a identidade de Jesus no seu ministério:

·         “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”. (Jo 1,29).

Em toda santa Missa que participamos, durante a fração do pão eucarístico, ouvimos o presidente da celebração dizer:

·         “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

 E respondemos convictos e compungidos:

·         “Senhor, eu não sou digno (a) de que entreis em minha morada. Mas dizei uma palavra e serei salvo (a)”.

Esta aclamação foi introduzida na santa missa pelo Papa Sérgio II (687-701).

Quando Jesus é chamado de Cordeiro de Deus no Evangelho segundo João em 1,29 e 1,36, é uma referência ao fato de que ele é o sacrifício perfeito e definitivo pelo pecado do mundo e de todos os homens.

Para podermos compreender quem Jesus era e é, e o que fez, precisamos voltar ao Velho Testamento onde encontramos as profecias sobre a vinda do Messias como expiação do pecado, principalmente no livro de Isaias:

·         “No entanto, Yahweh queria esmagá-lo com o sofrimento: se ele entrega a sua vida em reparação pelos pecados, então conhecerá os seus descendentes, prolongará a sua existência e, por meio dele, o projeto de Yahweh triunfará”. (Is 53,10);

·         “Mas ele estava sendo transpassado por causa de nossas revoltas, esmagado por nossos crimes. Caiu sobre ele o castigo que nos deixaria quites; e por suas feridas é que veio a cura para nós.” (Is 53,5; 2Cor 5,21; Rm 4,25; Gl 3,13). 

O termo Cordeiro de Deus” é uma  expressão que aparece no Novo Testamento, no Evangelho de João, onde João Batista diz de Jesus:

·         "Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29; 1,36).

Quando João Batista aponta para Jesus e o chama de Cordeiro de Deus, ele está dizendo que Jesus veio para morrer a nossa morte; que Jesus veio nos aspergir com o seu sangue e nos trazer a salvação; que Jesus veio para levar consigo o nosso sofrimento, a nossa dor e o nosso pecado; que Jesus veio para imolar a sua vida no altar do Pai, mas, acima de tudo, veio para triunfar sobre todos os poderes inimigos que tentam subjugar os seus discípulos, por isso ele é

·         “o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”.

Nas Sagradas Escrituras a primeira menção sobre sacrificar um cordeiro em lugar de alguém que estava destinado à morte aparece no livro do Gênesis, 22,1-18, quando Yahweh submete Abraão à grande prova da fé.

Para Abrahão provar a sua fé a Yahweh teria de sacrificar o seu próprio e único filho Isaac, imolando-o e queimando-o numa pira de lenha, como era costume para os sacrifícios de animais, conforme Yahweh lhe havia determinado:

·         “Abraão, tome seu filho, seu único filho Isaac, a quem você ama, vá à terra de Moriá e ofereça-o ai em holocausto, sobre uma montanha, que eu vou lhe mostrar”. (Gn 22,2).

No caminho, Isaac, sabendo que iam fazer um holocausto a Yahweh e vendo que não levavam a vítima, que no caso deveria ser um cordeiro, pergunta ao seu pai:

·         “’Pai, aqui estão o fogo e a lenha. Mas onde está o cordeiro para o holocausto?’ Abraão respondeu: ‘Deus providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho’”. (Gn 22,6-8).

Porém, quando Abraão ia consumar a ordem de Yahweh, um anjo interveio e impediu que Abraão sacrificasse seu filho Isaac:

·         “Não estenda a mão contra o menino! Não lhe faça nenhum mal! Agora sei que você teme a Deus, pois não me recusou seu filho único.” (Gn 22,12).

Mas o holocausto deveria ser realizado de qualquer forma e

·         “Abraão ergueu os olhos e viu um cordeiro preso pelos chifres num arbusto; pegou o cordeiro e o ofereceu em holocausto no lugar do seu filho.” (Gn 22,13).

Isaac é substituído por um cordeiro que é sacrificado em seu lugar. Foi o primeiro prenúncio de Jesus, o Messias, como o Cordeiro de Deus que deveria ser sacrificado para que, como Isaac que foi substituído pelo cordeiro, os homens todos não fossem sacrificados pelos seus pecados:

·         “Foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; tal como cordeiro ele foi levado para o matadouro; como ovelha muda diante do tosquiador, ele não abriu a boca.” (Is 53,7; Mt 26,63; 1Pd 2,23; At 8,32-33; Jo 1,29).

E Jesus ficou calado diante de seus torturadores:

·         “Pilatos entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: ‘Donde és tu?’ Jesus ficou calado”. (Jo 19,9).

Isaias não para por ai:

·         “Todavia, eram as nossas doenças que ele carregava, eram as nossas dores que ele levava em suas costas. E nós achávamos que ele era um homem castigado, um homem ferido por Deus e humilhado. Mas ele estava sendo transpassado por causa de nossas revoltas, esmagado por nossos crimes. Caiu sobre ele o castigo que nos deixaria quites; e por suas feridas é que veio a cura para nós.” (Is 53,4-5; 2Cor 5,21; Rm 4,25; Gl 3,13).

Mas, existe um fato de suma importância no início dessa passagem do teste de Yahweh para com Abraão que se repetiu no chamamento de Moisés, que não podemos deixar passar desapercebido: a maneira como Yahweh chamou Abraão e Moisés, pessoas de importância vital para o povo israelita, e a mesma resposta que eles deram ao chamamento de Yahweh, assim como aconteceu com Samuel na primeira leitura.

Para Abraão Yahweh chamou o seu nome por duas vezes (Gn 22,1), o mesmo acontecendo com Moisés, tendo o seu nome repetido por Yahweh por duas vezes (Ex 3,4), e a resposta de ambos foi a mesma:

·         “Eis-me aqui”,

Assim também como aconteceu com Samuel a quem Yahweh chamou por quatro vêzes (Gn 22,1; Ex 3,4: 1Sm 3,3-10).

O Senhor chama o seu escolhido repetindo o seu nome por duas ou mais vezes e aquele que está aberto ao chamamento de Yahweh responde prontamente:

·         “Eis-me aqui”; “Fala, Senhor, que teu servo escuta”.

A partir dai Yahweh determina o motivo de seu chamamento: A Abraão o teste de sua fé; a Moisés, a libertação de seu povo, a Samuel o início de uma nova era para o povo israelita.

Qual tem sido a nossa resposta ao Senhor nosso Deus quando ele nos chama pelo nosso nome?

Assim como para Abraão apareceu um cordeiro para ser sacrificado pelo seu filho, na missão de Moisés também aparece um cordeiro para livrar todos os primogênitos dos hebreus da morte no Egito (Ex 12,1-14).

Yahweh determina a Moisés que o cordeiro a ser sacrificado deveria ser macho, sem defeito, de um ano, isto é, sem ter sido usado, ainda, para a procriação (Ex 12,5).

No livro do Deuteronômio Yahweh determina que o cordeiro seja um primogênito, ou seja, o primeiro, aquele que abriu o ventre de sua mãe, e que não tenha defeitos (Dt 15,21).

Na fuga dos hebreus do Egito o sangue do cordeiro imolado deveria ser passado sobre as portas das casas dos hebreus, e isso os livararia do anjo da morte:

·         “Pegarão o sangue e o passarão sobre os dois batentes e sobre a travessa da porta, nas casas onde comerem o animal. [...] Nessa noite, eu passarei pela terra do Egito, matarei todos os primogênitos egípcios, desde os homens até os animais. [...] O sangue nas casas será um sinal de que vocês estão dentro dela: ao ver o sangue, eu passarei adiante. E o flagelo destruidor não atingirá vocês, quando eu ferir o Egito. Esse dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão uma festa de Yahweh. Vocês o celebrarão como um rito permanente, de geração em geração”. (Ex 12,7.12.13-14).

Observemos a última frase:

·         “Vocês o celebrarão como um rito permanente, de geração em geração”.

Quando Jesus anuncia a Nova Aliança no seu sangue, ele determina que isso seja feito em memória dele de geração em geração:

·         “Do mesmo modo, após a Ceia, tomou também o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue: todas as vezes que vocês beberem dele, façam isso em memória de mim’” (1Cor 11,25).

Da mesma maneira que Moisés falara quando aspergia o sangue dos cordeiros imolados sobre o povo:

·         “Este é o sangue da Aliança que Yahweh faz com vocês”. (Ex 24,8).

Como o sangue do cordeiro salvou os primogênitos dos hebreus da morte no Egito, o sangue do Cordeiro de Deus imolado no Calvário e que tingiu a cruz, salva a todos os que aderirem ao seu batismo e às suas recomendações evangélicas.

A Carta aos Hebreus atribui a Jesus, o Messias, o símbolo do cordeiro que era sacrificado pelos sacerdotes no Antigo Testamento (Ex 29,1-37), quando afirma:

·         De fato, depois que o sumo sacerdote oferece o sangue no santuário pelos pecados do povo, os corpos dos animais oferecidos em sacrifício são queimados fora do recinto sagrado. Por esse motivo também Jesus sofreu sua paixão fora de Jerusalém quando purificou o povo com o seu próprio sangue”. (Hb 13,11-12).

Isaias atribui a Jesus a figura profética do cordeiro:

·         “Foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; tal como cordeiro, ele foi levado para o matadouro; como ovelha muda diante do tosquiador, ele não abriu a boca.” (Is 53,7).

O sistema de sacrifícios estabelecido por Deus no Antigo Testamento preparou o terreno para a vinda de Jesus, o Cristo, o perfeito sacrifício que Deus providenciou como expiação pelos pecados de seu povo:

·         “Deus tornou possível aquilo que para a Lei era impossível, porque os instintos egoístas a tornaram impotente. Ele enviou o seu próprio Filho numa condição semelhante à do pecado, em vista do pecado, e assim condenou o pecado na sua carne mortal”. (Rm 8,3);

·         “Irmãos, com toda segurança podemos entrar no santuário, por meio do sangue de Jesus. Ele inaugurou para nós esse caminho novo e vivo, através da cortina, isso é, da sua própria carne”. (Hb 10,19-20).

O cordeiro é o símbolo mais antigo da salvação de um povo e da Páscoa desse povo.

Hoje o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” é a realidade mais nova da Nova Aliança, a Aliança inaugurada no sangue de Jesus derramado no Calvário.

No Novo Testamento Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus sacrificado uma vez por todas em prol da salvação de toda a humanidade. É a nova Aliança de Deus realizada por seu Filho, agora não só com um povo, mas com todos os povos.

No Antigo Testamento a Páscoa era celebrada com os pães sem fermento, os pães ázimos e com o sacrifício de um cordeiro como recordação do grande feito de Deus em prol de seu povo: a libertação da escravidão do Egito. Assim o povo de Israel celebrava a libertação e a aliança de Deus com seu povo.

Hoje, na Eucaristia, o povo de Deus se alimenta do pão que lhe é oferecido por Jesus:

·         “A seguir, Jesus tomou o pão, agradeceu a Deus, o partiu e distribuiu a eles, dizendo: ‘Isto é meu corpo, que é dado por vocês. Façam isso em memória de mim’”. (Lc 22,19).

Para os cristãos o centro da fé sempre foi e será sempre o Cristo que morreu e ressuscitou para mostrar que o Reino de Deus pregado por ele está presente e vivo entre os homens.

O livro das Sagradas Escrituras que mais descreve Jesus como o Cordeiro, é o Apocalipse.

Mais de vinte e oito vezes, no último livro da Bíblia, Jesus é identificado como o Cordeiro.

O Cordeiro, no Apocalipse, é uma figura com poder absoluto, é um Cordeiro vitorioso.

O papel dele de sacrifício é central, mas ele apresenta-se como o Cordeiro que foi morto, mas agora vive. Pelo seu sangue, ele dá a vitória aos fiéis e lava as vestiduras deles:

·         “Um dos Anciãos tomou a palavra e me perguntou: ‘Você sabe quem são e de onde vieram esses que estão vestidos com roupas brancas? ’ Eu respondi: ‘Não sei não, Senhor! O Senhor é quem sabe’. Ele então me explicou: ‘São os que vêm chegando da grande tribulação. Eles lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro’”. (Apo 7,13-14).

O Cordeiro, também, num paradoxo, é descrito como o Leão de Judá, que é o único digno de abrir os selos do livro para revelar e executar a vontade de Deus:

·         “Um dos anciãos me consolou: ‘Pare de chorar! O Leão da tribo de Judá, o Rebento de Davi venceu! Ele é capaz de romper os selos e abrir o livro!” (Apo 5,5).

Ele é digno, também, de receber a adoração de todas as criaturas no céu e na terra:

·         “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor”. (Apo 5,12).  

O Cordeiro aparece no monte Sião com os fiéis da terra:

·         “O Cordeiro estava de pé sobre o monte Sião. Com ele os cento e quarenta e quatro mil que traziam a fronte marcada com o nome dele e o nome de seu Pai”.  (Apo 14,1).

Um dos fatos mais impressionantes sobre o Cordeiro do Apocalipse é que ele é um guerreiro vitorioso. Apesar da imagem comum de cordeiros como animais mansos e inofensivos, o Cordeiro de Deus é um forte vencedor, garantindo a vitória dos fiéis que estejam com ele:

·         “Todos juntos farão guerra contra o Cordeiro. Mas o Cordeiro os vencerá, porque o Cordeiro é Senhor dos senhores e Rei dos reis. E com ele, vencerão também os chamados, os escolhidos e os fieis”. (Apo 17,14).

Por outro lado, aqueles que rejeitam o Cordeiro são punidos diante dele:

·         “Se alguém adora a Besta e a imagem dela, e recebe a sua marca na fronte ou na mão, esse também vai beber o vinho do furor de Deus, derramado sem mistura na taça de sua ira. Será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos Anjos e diante do Cordeiro”.  (Apo 14,9-10).

No final do livro do Apocalipse os discípulos são chamados às bodas do Cordeiro, quando ele recebe sua noiva, que é a Igreja:

·         “Vamos ficar alegres e contentes, vamos dar glória a Deus, porque chegou o tempo do casamento do Cordeiro, e sua esposa já está pronta: concederam que ela se vestisse de linho puro e brilhante, - pois o linho representa o comportamento justo dos santos. Logo em seguida o Anjo me disse: ‘Escreva: ‘Felizes os convidados para o banquete do casamento do Cordeiro’”. (Apo 19,7-9).

Através dos séculos o cordeiro tem chamado a atenção por sua natureza de mansidão.  Em seu espírito de humildade, Jesus personifica o cordeiro. 

Vinte e oito vezes no livro de Apocalipse, João usa a palavra que descreve Jesus como Cordeiro.  Se tivesse ficado com desejo de vingança, quando no momento de sua prisão, Jesus poderia ter mandado descer dos céus doze legiões de anjos para destruírem seus inimigos:

·         “Ou você pensa que eu não poderia pedir socorro ao meu Pai? Ele me mandaria logo mais de doze legiões de anjos”. (Mt 26,53). 

Pedro, mais tarde, diria na sua carta:

·         “quando insultado, não revidava; ao sofrer, não ameaçava. Antes, depositava sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. Através dos ferimentos dele é que fomos curados, pois estavam desgarrados como ovelhas, mas agora retornaram ao seu Pastor e Guardião”. (1Pd 2,23-25).

Por isso, Jesus é o

·         “Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”. (Jo 1,29.36).

 

sábado, 16 de janeiro de 2021

 

 DEUS, NOSSO PAI

 Ó tu, Pai de todos nós, nós nos alegramos porque finalmente te encontramos. Nossas almas estão tranqüilas porque não mais precisamos de nos curvar perante ti como escravos amedrontados, procurando aplacar a tua ira com sacrifícios e autoflagelações. Nós nos chegamos a ti, Deus de amor, como crianças confiantes e felizes. Tu é o único Pai verdadeiro, e toda a delicada e beleza do nosso amor, da mesma forma com a lua reflete o sol, é também reflexo radiante da tua bondade e amor. Permite que cresçamos espiritualmente, e com o passar dos anos possamos alcançar a plenitude dessa fé. Porque és nosso Pai, que não escondamos de ti os nossos pecados, mas que possamos superá-los com o conforto da tua presença. Sustenta-nos em nossos momentos de tristeza e dá-nos paciência em meio aos mistério não resolvidos que os anos trazem. Revela-nos a grandeza da bondade e do amor que se mostram através das leis inflexíveis deste teu mundo. E através dessa fé faze com que aceitemos alegremente a nossa condição de irmãos de todas as outras criaturas. Porque a tua vida transborda permanentemente com um sacrifício de Pai amoroso, que possamos aceitar a eterna lei da cruz e nos dar a ti e também a todos os homens. Nós te rendemos graças por Jesus Cristo, cuja vida nos revelou essa fé e essa lei, e nos alegramos que ele tenha se tornado o nosso irmão mais velho. permite que a certeza de que és Pai possa brilhar em nossa vidas com tal beleza que alguns, que ainda se arrastam no limbo do medo, possam colocar-se de pé com filhos livres de deus; e outros que agora vivem como órfãos num mundo vazio, possam estender as mãos para o grande Pai dos nossos espírito e achar-te bem próximo. (Wlalter Rauschenbusch - Orações por um  mundo melhor). 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

 

EUCARISTIA - O MILAGRE DE LANCIANO

 

Na Itália existe uma cidade de nome “Lanciano”, e, nessa cidade tem uma  igreja dedicada a São Longuinho, nome que se atribui ao soldado que traspassou o peito e o coração de Jesus Cristo com a lança na cruz.

No século VIII um padre, um monge da ordem de São Basílio, durante a celebração da santa missa e depois de ter realizado a consagração do pão e do vinho, começou a duvidar da presença do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo na hóstia e no cálice.

E a dúvida desse padre que era da ordem de São Basílio que, infelizmente não temos nem o nome, fez com que se realizasse um dos maiores, senão o maior dos milagres eucarísticos: ali no altar, devido a dúvida do celebrante  e diante dos olhos atônitos do padre incrédulo a hóstia consagrada se tornou um pedaço sangrento de carne viva e, no cálice, o vinho consagrado tornou-se verdadeiro sangue que, depois de algum tempo, que, depois de algum tempo, se coagulou em cinco pedrinhas irregulares de formas e tamanhos diferentes.

Esses acontecimentos se deram a doze séculos, ou seja, a mais de mil e duzentos anos, e os pedaços de carne que eram a hóstia e o sangue que era o vinho conservam-se até hoje em exposição na igreja da cidade de Lanciano, na Itália.

No correr dos séculos foram feitas várias pesquisas patrocinadas pela Igreja. Atualmente, nos nossos dias, para se certificar da autenticidade desse milagre, no dia 18 de novembro de 1.970, os Frades Menores Conventuais que cuidam atualmente dessa Igreja onde se realizou esse milagre, esses frades decidiram , com a autorização de Roma, confiar a um grupo de cientistas e peritos a análise científica daquelas relíquias datadas de doze séculos.

As pesquisas foram feitas  em laboratórios com estrito rigor, com a maior seriedade possível, e foram realizadas pelos professores e cientistas Linoli e Bertelli, sendo que Bertelli é da Universidade da cidade de Siena, na Itália.

E, a 4 de março de 1.971, estes cientistas davam  o seu veredicto, davam as suas conclusões que foram publicadas em inúmeras revistas de ciências do mundo inteiro.

E olhem as conclusões que os cientistas chegaram: “A carne é verdadeiramente carne. O Sangue é verdadeiro sangue. Tanto a carne como o sangue são carne e sangue humanos. A carne e o sangue são do mesmo grupo sanguíneo (AB). A carne e o sangue são de uma pessoa viva. O diagrama desse sangue corresponde ao de um sangue humano que tenha sido retirado de um corpo humano, NAQUELE DIA MESMO. A carne é constituída de tecidos musculares do coração (miocárdio). A conservação dessas relíquias, deixadas em estado natural durante séculos e expostas à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário.”           

Quem é que não fica estupefato diante de tais conclusões, que manifestam de maneira evidente  e precisa a autenticidade desse milagre eucarístico. Antes mesmo de darem a conhecer essas conclusões de modo oficial, os cientistas e peritos, no fim de suas análises, enviaram aos padres franciscanos da igreja de Lanciano, o seguinte telegrama, dizendo: Et Verbum caro factum est.”, que, traduzindo, quer dizer: “E o Verbo se fez carne.”

Este telegrama não é mais do que um ato de fé dos cientistas que examinaram minuciosamente aquele material que antes era pão e vivo e que se transformara em carne e sangue.

Outro detalhe inexplicável  e impressionante: se se pegassem as pedrinhas de sangue coagulado (que eram cinco e cada uma de um tamanho diferente), cada uma delas tem exatamente o mesmo peso entre si, e todas juntas tem o mesmo peso de cada uma.

Deus parece brincar com o peso normal dos objetos. O Senhor Nosso Deus, por meio de tão grande milagre, vem verdadeiramente em socorro da nossa incredulidade. Depois que foram conhecidas as conclusões desta pesquisa científica, os peregrinos vão de toda parte venerar a Hóstia que se tornou carne e o vinho consagrado que se tornou sangue.

Dois fatos podem espantar a todos nós: o primeiro é que se trata de carne e sangue de uma pessoa viva, vivendo atualmente, pois que esse sangue é o mesmo que tivesse sido retirado naquele mesmo dia de uma pessoa viva. É bem uma prova direta de que Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente, de que a Eucaristia é o Corpo e o Sangue de Cristo Glorioso, assentado à direita de Deus Pai e que, tendo saído do túmulo na manhã do domingo da Páscoa, não pode mais morrer.

Tantas tolices tem sido ditas nestes últimos anos contra a ressurreição de Cristo. Alguns desejariam, com empenho, que essa ressurreição não fosse senão um símbolo, elaborado como um rito pela piedade muito ardente dos primeiros cristãos...

Ora, e aí vem a ciência que, de certo modo vem em nosso socorro, e a própria ciência autentica o que a nossa fé nos dá a certeza: a Eucaristia é verdadeiramente o Corpo, o carne e o sangue de Jesus Cristo. Foi verdadeiramente na carne que o Cristo morreu e foi verdadeiramente também na carne que Jesus ressuscitou no terceiro dia.

E a mesma carne - verdadeira carne - nos é dada viva na Eucaristia para que possamos viver a vida de Cristo. Portanto, vendo a Hóstia Consagrada, podemos dizer, como disse o Apóstolo Tomé, oito dias depois da Páscoa, quando colocou  os dedos nas chagas de Cristo: “Meu Senhor e meu Deus”. A Eucaristia é bem a carne viva do Deus vivo.

Um segundo fato impressiona ainda muito mais: A carne que lá está é a carne do Coração, é um pedaço do coração de uma pessoa viva. 

Não é a carne de qualquer parte do Corpo adorável de Jesus, mas a carne do músculo que propulsiona o sangue - e, portanto, a vida - ao corpo inteiro, do músculo que é também o símbolo, o mais manifesto e o mais eloquente do amor do Salvador por nós.

Quando Jesus se entrega a nós na Eucaristia, é verdadeiramente seu próprio Coração que ele nos dá a comer, é ao seu amor que nós comungamos, um amor manso e humilde como este Coração mesmo, um amor poderoso e forte mais do que a morte, um amor que é o antídoto dos ferimentos de morte física e espiritual que carregamos em nossa “carne de pecado.”

(Padre Jean Ladame - compilado da tradução de “La revue du Rosaire”, de junho de 1.976, em “Lar Católico, de Juiz de Fora.).

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

 

"PAI NOSSO, QUE ESTÁS NOS CÉUS..." (Mt, 6, 9.)

 

PAI... um mundo tão grande em três letras apenas. O tesouro de um Pai. A graça de um Pai. Devemos agradecer emocionados e felizes tudo o que um pai representa na vida da gente. 

PAI NOSSO... não apenas meu... não apenas seu... Pai meu e Pai seu; Pai do rico e Pai do pobre; Pai do bom e Pai do mau: Pai do branco e Pai do preto; Pai do livre e Pai do encarcerado...  Pai de todos os homens de todas as nacionalidades, ideologias e religiões.  Deus é Pai de todos. É Pai Universal que nos ama infinitamente e deseja a nossa felicidade e realização, a nossa plenitude... Enviou seu Filho  para nos redimir. Deixou-nos os ensinamentos das Sagradas Escrituras para nos abastecer, orientar e santificar.  Somos filhos do Pai, filhos de Deus, e, portanto, filhos do Rei e herdeiros dos céus.

PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS... que está nos céus, está na terra, está nos corações, está em nossas vidas, está em todas as partes. O nosso Pai é Onipotente e Onipresente. Quem vive está com Deus, sempre, em todos os momentos, na dor, na alegria, na vivência da fraternidade, especialmente do amor. Onde existe amor, Deus aí está, porque "Deus é amor." (Jo 4,8).

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME... Seja santificado por mim, por você, por todos os homens, por todas as criaturas, por toda a natureza. Santificado e adorado seja agora e para sempre o Santo Nome do Senhor. Santificado seja o teu Nome através do dom da vida, do apostolado que realizamos, do nosso testemunho de vida cristã, da nossa caridade vivida no dia-a-dia.

VENHA O TEU REINO... reino de paz, de alegria, de justiça, de concórdia, de amor. Reino que acontece no silêncio dos corações dos homens de boa vontade, homens e mulheres, não pela força das armas, da violência, da coação e da opressão. Reino invisível, reino eterno, reino libertador, reino espiritual. Reino que Jesus veio trazer para todos nós, o reino de amor, reino de união, reino de confraternização. Venha o teu reino que deverá ser participado por todos os homens e mulheres de boa vontade.

SEJA FEITA A TUA VONTADE...  e a vontade do Pai é que todos os homens sejam seus filhos e filhos felizes.  Que todos os seus filhos se amem uns aos outros, assim como o próprio Jesus amou e ensinou a todos se amarem. A vontade do Pai é que não haja mais desavenças, brigas, ódios, guerras, roubos, mortes, violências, acidentes, abortos, desuniões, infidelidades... Mas, infelizmente, não cumprimos a vontade do Pai e, bem por isso, existem tantas infidelidades, desuniões, ódios...  Humanos e egoístas que somos, buscamos fazer, quase sempre, a nossa vontade, negligenciando a vontade do Pai, tentando adaptar a vontade divina à nossa vontade. Nas horas fáceis, é fácil dizer: "Seja feita a tua vontade...", mas, nos momentos ásperos da vida, nas horas da provação, do sofrimento maior, custa-nos muito aceitar  a vontade do Pai. O céu desce até nós quando construímos ambientes de paz de harmonia, de amizade, de amor, de compreensão. O céu se afasta de nós e o inferno se instala em nosso meio quando campeiam o ódio, a inveja, a infidelidade, a injustiça, o ciúme, a inimizade, o rancor, a desavença, o desrespeito, o ressentimento, a falta de perdão, a impaciência, o desamor... Porque nos odiamos e nos infernizamos se temos tão pouco tempo para nos amar e nos querermos bem? E Jesus, na agonia que antecedeu a sua paixão e morte,  já sabendo qual seria o seu fim, naquela angústia em que até a alma fica aterrorizada diante da possibilidade da morte,  como ele mesmo disse: "Minha alma está triste até a morte." (Mt 26,38), não fugiu do destino que Deus Pai lhe havia determinado e faz uma súplica angustiante, entregando tudo de acordo com a vontade do Pai: "Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice; contudo não seja como eu quero, mas como tu queres." (Mt 26,39.42). Jesus se entregou à morte, e morte de cruz para obedecer e fazer cumprir a vontade do Pai. Exemplo que Jesus nos deixa é que a vontade do Pai está sobre e acima até de nossa própria vida. Maria, a escolhida por Deus para ser a mãe de seu Filho, também aceita sem reservas a vontade do Pai, e afirma: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra." (Lc 1,38).

NA TERRA COMO NO CÉU...   na terra, onde o Pai, depois de ter criado todas as coisas, depois de ter criado o homem e a mulher e "Deus viu o que tinha feito, e era muito bom." (Gn 1,31), onde deveria imperar a vontade do Pai,  vem o demônio, personificado numa serpente, e destroi tudo de bom que o Senhor havia feito, (Gn 3,1-24). Mas o Senhor  quis e quer que a sua vontade seja feita na terra e por isso nos mandou seu Filho Jesus, sendo que "...todos os que o receberam deu o poder  de se tornarem filhos de Deus...  (Jo 1,12). E hoje, cabe a cada um de nós, que nos dizemos cristãos, fazer com que a vontade de Deus seja feita aqui na terra, porque, no céu, os Anjos não se cansam de cantar os seus louvores, e não cessam de o louvar e o adorar.

O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE...  e qual seria esse pão? É o próprio Jesus quem nos responde: "Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu, mas é meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu; porque o pão de Deus é aquele que desce dos céus e dá vida ao mundo." (Jo 6,32-33), e completa: "Eu sou o pão da vida.  Quem vem a mim,  nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede." (Jo 6,35). Jesus se auto afirma "o pão espiritual" para as nossas almas, para o nosso espírito; é o pão que Deus Pai nos manda do céu para que não tenhamos mais fome  e nem sede das coisas do Pai. Mas, também precisamos do pão material da mesma forma que precisamos do pão dos valores eternos.  O pão de trigo, sem bromato. O pão da verdade, sem mentiras. O pão da fidelidade, sem traições. O pão da justiça, sem injustiças. O pão da liberdade, sem opressão. O pão do amor, sem ódio. O pão da união, sem abandono. O pão da luz, sem trevas. O pão da alegria, sem tristezas. O pão da fé, sem dúvidas. O pão do perdão, sem mágoas. Esse pão que devemos repartir com os nossos irmãos. O pão que sobra na mesa dos ricos e faz falta na mesa dos pobres. O pão que os egoístas querem só para si enquanto centenas e milhares morrem à mingua por falta do pão de trigo, do pão da justiça, do pão da liberdade. O pão da amabilidade que revela nobreza de coração e respeito à individualidade do outro. O pão vindo do céu, que é o Senhor Jesus, que alimenta nossos ideais de apostolado cristão. O pão da solidariedade de quem reparte tempo, atenção, alegria e jovialidade com seus irmãos. O pão da fé e da esperança num mundo descrente, confuso, desencantado, materialista e pagão. O pão da justiça e do respeito aos direitos humanos, numa sociedade de opressores e oprimidos,  nesse século que nós, cristãos, desejamos cristianizar e converter o mundo para Deus.

E PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS... Ah! Senhor Deus, perdoa a nossa mediocridade, a nossa falta de idealismo, o nosso cansaço, as nossas rebeldias, as nossas críticas precipitadas, a nossa violência, as nossas omissões e comodismo, a nossa fé nem sempre adulta, a nossa fragilidade, a nossa impaciência em aceitar as limitações próprias  e as limitações dos nossos irmãos; perdoa, Senhor, as nossas  dívidas, que temos convosco e com os nossos irmãos...

COMO TAMBÉM NÓS PERDOAMOS OS NOSSOS DEVEDORES... Perdoa, oh! Pai, as nossas dívidas, as nossas ofensas, que são tantas, mas ensina-nos, também, a perdoarmos os que nos ofendem, porque, o seu perdão, Pai,  só o recebemos na medida em que sabemos perdoar a quem nos tem ofendido. Sabemos, Pai, que se não soubermos perdoar, também não seremos perdoados pelo Senhor. Se guardarmos ódio contra os irmãos no coração, não receberemos o perdão do Pai. Se guardarmos mágoa contra qualquer irmão,  somos indignos de repetir a oração do Pai Nosso que Jesus nos ensinou. Se quisermos repetir a oração do Pai Nosso, é indispensável que antes tenhamos perdoado a todos os que nos tem ofendido, indistintamente. Magoamos e somos magoados a cada passo. Decepcionamos os nossos irmãos, e somos decepcionados por eles. Não amamos como deveríamos e nem somos amados como gostaríamos. Ferimos tantas, vezes, e até sem querer... Somos feridos muitas vezes. até sem merecer... Nem sempre é fácil perdoar injustiças e maldades, ofensas e incompreensões, desamores e infidelidades... A ingratidão dói, a indelicadeza nos desalenta. Perdoar exige heroísmo, muitas vezes. Especialmente quando fomos magoados pelas pessoas que amamos. Mas o Pai nos perdoa na medida em que perdoarmos a quem nos tem ofendido, porque, assim nos disse Jesus: "Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis, sereis medidos"... (Mt 7,1-2).

E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO... à tentação do mais fácil, do mais cômodo. À tentação da vanglória e da inimizade. Na tentação de seguir os nossos caprichos e leviandades. Na tentação de abandonarmos o seu Reino e buscarmos o nosso próprio reino, o reino do mundo, vulgar, mesquinho, egoísta. Na tentação de vivermos uma fé sem obras, de uma religião desencarnada da verdade e da realidade. A tentação de quem prega Jesus Cristo mas desconhece as Sagradas Escrituras, os Santos Evangelhos. A tentação de quem fala em paz e só promove intrigas;  de quem prega a justiça e só pratica a injustiça; que quem diz que vive o amor e semeia o desamor, o ódio, a desconfiança. Não nos exponha à tentação de abandonar a doutrina  pregada e vivida por Jesus Cristo. Não nos exponha à tentação de virarmos as costas para os nossos irmãos necessitados, tanto material como espiritualmente. Não nos exponha à tentação de querermos tudo para nós e não repartirmos nada cos os outros....           

MAS LIVRA-NOS DO MAL... livra-nos do mal da auto-suficiência, da vaidade, do orgulho, da presunção, da prepotência. Alguém já disse que "os maus não são bons porque os bons não são melhores." Todos necessitamos de conversão. Continuamos recitando muitos Pais Nossos de mentirinha. Os nossos lábios falam e recitam a prece mas o nosso coração e a nossa vivência cristã desmentem o que os lábios dizem.

AMÉM... Pai, dá-nos  a vossa redenção. Ajuda-nos a vivenciar e não apenas recitar essa magnífica prece que o próprio Senhor Jesus nos ensinou.  Pai, aceita e recebe a nossa boa vontade, o nosso desejo de acertar e crescer no seu amor. Queremos ser instrumentos de seu amor num reino a construir hoje e sempre...