sábado, 13 de março de 2021

 

MARIA, MÃE E COMPANHEIRA DE CAMINHADA

 

Mãe, em Fátima a Senhora disse aos pastorzinhos: “Eu nunca te abandonarei. O meu Coração Imaculado será o teu refúgio.”

Mãe, homem nenhum em tempo algum pode avaliar a tristeza, a amargura e o sofrimento do seu Coração ao acompanhar seu Filho Sacrossanto ao Calvário e presenciar o maior crime praticado pela humanidade contra Ele próprio: a crucificação e a morte do Filho de Deus, que é também seu Filho. Seu Coração estava amargo, sofrido e triste mas jamais chegou ao desespero, à revolta e à indignação  contra Deus por ver tamanha injustiça cometida  pelos homens contra seu Filho muito Amado.         

Quantos de nós, doce Mãe, estamos também caminhando pelos caminhos doloridos e espinhosos do Calvário, com o coração  em farrapos, cheio de angústia, de tristeza, de amargura e sofrimento, mas jamais, a seu exemplo, doce Mãe, jamais em desespero e revolta contra Deus pelas coisas que nos acontecem, porque sabemos que se algo desagradável nos acontece é culpa nossa mesmo, é consequência de nossas atitudes impensadas; mas o seu Filho, doce Mãe, o que de mal lhe aconteceu, não foi culpa dele e nem consequências de atos impensados que ele tenha praticado, mas foi culpa nossa.           

O seu Filho era inocente em todos os sentidos e de livre e espontânea vontade tomou a nossa natureza para colocar sobre seus ombros a nossa miséria e os nossos pecados.

Mas, às vezes, Senhora, muitos males se nos acometem, muitas doenças nos atingem e, na nossa caminhada neste vale de lágrimas e no nosso leito de dor repetimos como o seu Filho em sua última oração no monte das Oliveiras: “Pai, se é possível, afasta de mim esse cálice, mas não se faça como eu quero, mas sim como tu queres... Mas, se esse cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.”  (Mt 26, 39 e 42), e todos os dias repetimos a oração que o seu Filho nos ensinou: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mt 6, 10).

Mas, nos nossos momentos de dor, a quem poderíamos recorrer, senão à Senhora se, como disse Santo Afonso: “Tu és toda poderosa junto de Deus.”?

Nós sabemos, Mãe, e temos certeza e confiança que seu Divino Filho jamais deixou de atender a um pedido seu em qualquer circunstância: nós acreditamos que o seu Divino Filho jamais há de negar para a Senhora coisa alguma.

Diante de Santa Brígida o seu Divino Filho prometeu para a Senhora despachar favoravelmente a todos os que solicitarem dele alguma graça  por seu amor.

Também um Anjo disse a esta mesma Santa Brígida: “Não há ninguém que reze à Maria sem receber de sua caridade algum favor.”

Por isso, nós lhe pedimos, doce Mãe; roga ao seu Filho por todos nós, a Senhora que pode tudo o que quiser e pedir, e isso confiantes na promessa de seu Filho de jamais deixar de atender a um só pedido seu. Exemplo disso, doce Mãe, o Evangelista João nos dá na narração do casamento de Canaã, na Galiléia, quando a Senhora disse aos serventes da festa: “Façam tudo o que o meu Filho lhes disser.” (Jo 2, 5).

E seu Filho, a um pedido seu, transformou a água no mais saboroso dos vinhos.

Mãe, se a um pedido seu, seu Filho, por amor à Senhora e aos necessitados, altera até as leis da natureza, e até os ventos e o mar obedecem (cf Mt 8, 27); até os mortos voltam à vida por ordem de seu Filho, como na ressurreição do filho da viuva de Naim, (Lc 7, 11 ss), na ressurreição de Lázaro (Jo 11), e na ressurreição da filha de Jairo, quando ele disse:  “Talitha kum, que quer dizer: Menina, eu te ordeno, levanta-te.”  (Mc 5, 41).

Será, Mãe, que a um pedido seu, seu Filho não se compadeceria da nossa miséria, como fez com a viuva de Naim, que lhe devolveu com vida o seu filho que estava morto?

Ou o amor de seu Filho para conosco seria menor que aquele que ele demonstrou por Lázaro e suas irmãs Marta e Maria? Ou a nossa fé seria menor que a de Jairo?

Certo dia um leproso se aproximou de seu Divino Filho e lhe disse: “Senhor, se quiseres, podes limpar-me.”, e nós, com a mesma fé e no mesmo tom de súplica, dizemos ao seu Filho, pelo amor que ele tem pela Senhora: “Senhor, se o Senhor quiser, o Senhor pode nos livrar dos nossos pecados, das nossas misérias, das nossas doenças”.

É o seu Filho, Senhora, que nos dá essa confiança em pedir, porque foi ele mesmo quem nos incentivou a pedir, quando disse: “Peçam, e lhes será dado, busquem, e acharão, batam, e a porta se lhes abrirá.” (Mt 7,7). “Tudo o que vocês pedirem ao meu Pai em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se vocês pedirem alguma coisa em meu nome eu o farei.” (Jo 14, 13-14); e é com lágrimas, Senhora, que pedimos ao seu Filho, tendo a Senhora como intercessora, medianeira e advogada nossa, confiantes no que ele mesmo disse:  “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” (Mt 5,5). Confiamos sem sombra de qualquer dúvida na Senhora, doce Mãe, porque a Senhora “é cheia de graça e o Senhor está com a Senhora.” (cf Lc 1, 28). Na Senhora esperamos, porque a Senhora “é bendita entre as mulheres e bendito é o fruto do seu ventre."”(Lc 1, 42).

A Senhora mesma, doce Mãe, sentiu e testemunhou o poder do Altíssimo sobre a Senhora mesmo, quando em oração: “A minha alma glorifica ao Senhor, e o meu espirito exulta em Deus, meu Salvador. Porque lançou os olhos para a humilhação de sua serva; portanto, eis que de hoje em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada. Porque o Todo Poderoso fez em mim grandes coisas, o seu Nome é Santo.” (Lc 1, 46-49).

Os próprios ouvintes do seu Filho reconheceram a sua grandeza, Mãe, quando uma mulher, do meio da multidão, gritou em altos brados, para que todos pudessem ouvi-la: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos a que foste amamentado.” (Lc 11, 27).

São Bernardino de Sena ensinava que nenhuma graça vem do céu que não passe primeiro pelas suas mãos maternais.

São João Batista Maria Vianney, o Santo Cura de Ars, dizia que o Coração da Senhora é tão terno para nós que o coração  de todas as mães reunidas não passam de uma pedra de gelo aos pés do seu Coração, e que o seu Coração é só amor e misericórdia; o seu Coração só deseja ver-nos todos felizes; basta apenas nos dirigirmos à Senhora para sermos ouvidos.

Doce Mãe, nós lhe pedimos nos momentos difíceis de nossa vida que não nos deixe vacilar na fé; não permita, Senhora, que nos revoltemos contra aquilo que pode ser a vontade de Deus; cuida, Senhora, para que o desespero não se apodere dos nossos corações por qualquer motivo que seja que estejamos sendo provados na fé, e não nos deixe sozinhos na subida do nosso Calvário, porque nós acreditamos que assim como foi com o seu Filho, depois de todos os nossos sofrimentos vem a glória e a alegria da cura de todos os males e doenças, e sempre vamos continuar a lhe fazer esse apelo, porque, como disse São Luiz Maria Grignon de Montfort: “Um só suspiro seu tem maior poder do que as orações de todos os Anjos, Santos e homens juntos.”. Repetimos, nesse momento, Senhora, o que disse São João Damasceno: “Salve, Ò Mãe, esperança dos desesperados. Ò Mãe de Deus, se eu estiver debaixo de sua proteção, nada temerei.”

E, todos os dias, doce Mãe, repetiremos a singela oração que São Bernardo sempre recitava para a Senhora, quando dizia: “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades. Mas livrai-nos de todos os perigos, ò Virgem Gloriosa e Bendita.

sexta-feira, 12 de março de 2021

 

NOVE MULHERES QUE FORAM EXEMPLARES PARA A IGREJA E O MUNDO

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Há quem diga que a mulher não tem papéis importantes na Igreja. Entretanto, desde o início do cristianismo até a atualidade, Deus suscitou mulheres que orientaram o Povo de Deus, influenciando também no curso do Papado. Conheça 9 mulheres que foram exemplares para a Igreja.

1. A Virgem Maria

“Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4), disse Jesus à sua Mãe nas Bodas de Caná, em um casamento ao qual ambos tinham sido convidados. Cristo escutou sua mãe, a primeira mulher que acolhe o Senhor e motiva o primeiro milagre conhecido da vida pública de Jesus. Os primeiros séculos do cristianismo estão cheios de mulheres corajosas que não duvidaram em dar sua vida por Cristo, incentivando os demais cristãos a não fraquejar quando lhes chega o momento.

2. Santa Hildegarda de Bingen

Mais tarde, durante a Idade Média, a Igreja já não era perseguida, mas vivia-se uma cultura machista, própria da época. Isto não foi impedimento para Santa Hildegarda de Bingen (1098-1179), religiosa beneditina de origem alemã, que chegou a ter uma séria de visões místicas. Escreveu obras teológicas e de moral com notável profundidade e foi declarada Doutora da Igreja por Bento XVI no ano 2012, junto com São João d’Ávila. Sua popularidade fez com que muitas pessoas, entre bispos e abades, lhe pedissem conselhos. “Quando o imperador Federico Barbarroja provocou um cisma eclesial, opondo 3 antipapas ao Papa legítimo, Alexandre III, Hildegarda, inspirada em suas visões, não hesitou em recordar-lhe que também ele, o imperador, estava submetido ao juízo de Deus”, contou o Papa Bento XVI em sua audiência geral sobre esta santa em 2010.

3. Santa Catarina de Sena

Posteriormente, apareceria outra mística e Doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena (1347-1380), que vestiu o hábito da ordem terceira de Santa Domingo. Nesta época, os Papas viviam em Avignon (França) e os romanos se queixavam de ter sido abandonados por seus bispos, ameaçando com o cisma. Gregório XI fez um voto secreto a Deus de regressar a Roma e ao consultar Santa Catarina, ela lhe disse: “Cumpra com sua promessa feita a Deus”. O Pontífice ficou surpreso porque não tinha contado a ninguém sobre o voto e, mais tarde, o Santo Padre cumpriu sua promessa e voltou para a Cidade Eterna. Mais tarde, no pontificado de Urbano VI, os cardeais se distanciaram do Papa por seu temperamento e declararam nula sua eleição, designando Clemente VII, que foi residir em Avignon. Santa Catarina enviou cartas aos cardeais pressionando-os a reconhecer o autêntico Pontífice. A Santa também escreveu a Urbano VI, exortando-o a levar com temperança e alegria os problemas, controlando o temperamento. Santa Catarina foi a Roma, a pedido do Papa, que seguiu suas instruções. A Santa também escreveu aos reis da França e Hungria para que deixassem o cisma. Toma uma mostra de defesa do papado.

4. Santa Teresa de Jesus

Com a aparição do protestantismo, a Igreja se dividiu e foi realizado o Concílio de Trento. Estes são os anos de Santa Teresa de Jesus (1515-1582), religiosa contemplativa que marcou a Igreja com sua reforma carmelita. Apesar de ter sido incompreendida, perseguida e até acusada na Inquisição, seu amor a Deus a impulsionou a fundar novos conventos e a optar por uma vida mais austera, sem vaidades, nem luxos. Submersa muitas vezes em êxtases, nunca deixou de ser realista. Sendo Santa Teresa D’Ávila relativamente inculta, dialogava com membros da realeza, pessoas ilustres, membros eclesiásticos e santos de sua época para lhes dar conselhos, receber ajuda e levar adiante o que havia se proposto. Tornou-se escritora mística e é também Doutora da Igreja.

5. Santa Rosa de Lima

Do outro lado do mundo, na América, mais precisamente no Peru, Santa Rosa de Lima (1586-1617) tomou Santa Catarina de Sena como modelo e se omitiu àqueles que a pretendiam por sua grande beleza, para poder viver em virgindade, servindo aos pobres e doentes. “Provavelmente, não houve na América um missionário que com suas pregações tenha conquistado mais conversões do que as que Rosa de Lima obteve com sua oração e suas mortificações”, disse o Papa Inocêncio IX ao se referir à primeira Santa da América. São João Paulo II disse sobre a santa que sua vida simples e austera era “testemunho eloquente do papel decisivo que a mulher teve e segue tendo no anúncio do Evangelho”.

6. Santa Teresa de Lisieux

Do amor dos santos esposos franceses Louis Martin e Zélia Guérin, canonizados em outubro de 2015, nasceu Santa Teresa de Lisieux (1873-1897), Doutora da Igreja e padroeira universal das missões. Santa Teresa viveu somente 24 anos. Um ano depois de sua morte, a partir de seus escritos, foi publicado o livro “História de uma alma”, que conquistou o mundo porque deu a conhecer o muito que esta religiosa tinha amado Jesus. “Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face é a mais jovem dos ‘Doutores da Igreja’, mas seu ardente itinerário espiritual manifesta tal maturidade, e as intuições de fé expressas em seus escritos são tão vastas e profundas, que lhe merecem um lugar entre os grandes professores do espírito”, disse São João Paulo II sobre esta santa. O Papa Francisco também comentou em diversas ocasiões a profunda devoção que o une a esta santa e compartilhou em uma de suas viagens que antes de cada viagem ou diante de uma preocupação, costuma pedir “uma rosa”.

7. Santa Edith Stein

Durante a perseguição nazista no século XX, surgiu na Europa outra grande mulher, convertida do judaísmo, religiosa carmelita descalça e mártir, Santa Edith Stein, também conhecida como Santa Teresa Benedita da Cruz (1891-1942). Junto com outros judeus conversos, foi levada ao campo de concentração de Westerbork em vingança das autoridades pelo comunicado de protesto dos bispos católicos dos Países Baixos contra as deportações de judeus. Santa Edith foi transferida para Auschwitz, onde morreu nas câmaras de gás, junto com sua irmã Rosa, também convertida ao catolicismo, e muitos outros de seu povo. São João Paulo II diria sobre ela: “Uma filha de Israel, que durante a perseguição dos nazistas permaneceu, como católica, unida com fé e amor ao Senhor Crucificado, Jesus Cristo, e, como judia, ao seu povo”.

8. Santa Teresa de Calcutá

O testemunho de Santa Teresa de Calcutá (1910-1997) de servir a Cristo nos “mais pobres entre os pobres” ensinou que a maior pobreza não estava nos subúrbios de Calcutá, mas nos países “ricos” quando falta o amor ou nas sociedades que permitem o aborto. “Para poder amar, é preciso ter um coração puro e é preciso rezar. O fruto da oração é o aprofundamento da fé. O fruto da fé é o amor. E o fruto do amor é o serviço ao próximo. Isso nos conduz à paz”, dizia a também ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1979. Em sua canonização em outubro de 2016, o Papa Francisco disse que “Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que ‘quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável’”.

9. Santa Gianna Beretta Molla

Para encerrar esta lista de grandes mulheres que mudaram o mundo e a história, recordamos Santa Gianna Beretta Molla (1922-1962). Esta santa italiana adoeceu de câncer e decidiu continuar com a gravidez de seu quarto filho, em vez submeter-se a um aborto, como lhe sugeriam os médicos para salvar sua vida. Gianna estudou medicina e se especializou em pediatria. Seu trabalho com os doentes se resumia na seguinte frase: “Como o sacerdote toca Jesus, assim nós, os médicos, tocamos Jesus nos corpos de nossos pacientes”. Casou-se com o Pietro Molla, com quem teve quatro filhos. Durante toda sua vida, conseguiu equilibrar seu trabalho com sua missão de mãe de família. Gianna morreu em 28 de abril de 1962, aos 39 anos, uma semana depois de ter dado à luz. Foi canonizada em 16 de maio de 2004 pelo Papa João Paulo II, que a tornou padroeira da defesa da vida.

quinta-feira, 11 de março de 2021

 

COMO O POVO GOSTA DE CHAMAR MARIA, A MÃE DE JESUS

 

O amor inventa nomes. E nos nomes que o amor inventa está dito aquilo que mais se gosta na pessoa amada: sobressai a sua virtude, a sua beleza no nome que o amor dá à pessoa amada.

Quanto mais amada for a pessoa mais nomes a pessoa que a ama lhe dá. Se fôssemos falar todos  os nomes que o amor do povo deu à Maria ficaríamos aqui muito tempo e ainda não diríamos todos. Tem nomes para todos os momentos da vida: desde o nascimento até a morte.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Bom Parto ou Nossa Senhora da Boa Hora para proteger a mãe quando chega a hora de se dar à luz.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Boa Viagem para pedir a sua proteção quando nos dispomos a viajar.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do bom Conselho ou Nossa Senhora do Bom Sucesso quando estamos em dúvidas e pedimos o auxílio de Maria. Chamamos Maria de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro quando estamos em dificuldades.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Amparo e de Nossa Senhora da Ajuda quando precisamos de um apoio.

Chamamos Maria de Nossa Senhora dos Remédios e de Nossa Senhora da Saúde quando estamos doentes e necessitamos recuperar a saúde, ou alguém de nossa família está enfermo.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Guia ou de Nossa Senhora dos Navegantes quando estamos perdidos nas nossas decisões e não sabemos qual o caminho a tomar em nossa vida.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Consolação ou de Nossa Senhora das Dores quando neste mundo nos conforta e nada nos consola.

Chamamos Maria de Nossa Senhora das Angústias quando meditamos as suas angústias durante a sua vida e nos sentimos angustiados em nossa existência.

Chamamos Maria de Nossa Senhora Conquistadora quando alcançamos sucesso nas nossas empreitadas de nossa vida.

Chamamos Maria de Nossa Senhora das Graças quando pedimos e alcançamos graças sem fim de Nosso Deus e Senhor por mediação, por intermédio de Maria.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Boa Morte ou de Nossa Senhora do Bom Fim quando alguém de Nossa família está muito doente ou a gente se prepara para ter uma morte santa.

E quantos mais nomes poderíamos dar à Maria para nos socorrer em todos os momentos da nossa vida.

Maria, a Nossa Senhora acompanha o seu povo no desterro, na solidão, neste vale de lágrimas, nas dores e na morte.

Maria, a Nossa Senhora vai com o seu povo em todo canto e no povo alimenta a esperança com a sua ajuda, com os seus conselhos, com a sua consolação.

Maria, a Nossa Senhora, ajuda e ampara, guia e socorre, dá remédios e liberta, conduz à vitória e introduz na glória. Maria comunica a todos nós a sua alegria.

Maria tem nomes ligados aos lugares onde viveu, onde se manifesta e onde é venerada: Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora de Belém, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Aparecida, Nossa Senhora do Loreto, Nossa Senhora da Salete, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora do Líbano; todos esses nomes e muito mais são nomes dados pelo amor do povo à Maria.

Muitos lugares, dezenas de municípios, centenas de povoados em todo o território do Brasil tem nomes ligados ao nome de Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe. A imagem de Maria, a Nossa Senhora, com o Menino Jesus nos braços, ou a imagem de Nossa Senhora da Conceição que pisa na cabeça da serpente, está pendurada e é venerada em quase todas as casas do nosso povo simples, pobre e humilde, porque é esse o povo que realmente confia em Deus Maria é a imagem e o retrato fiel de todas as mães brasileiras que geram os seus filhos, acreditam na vida e, como Maria, derrotam a serpente do mal que quer empanar o brilho do reino de Deus que se espalha sobre nós. (do livro - A Mãe de Jesus - de Carlos Maesters). 

quarta-feira, 10 de março de 2021

 

OS QUARENTA SANTOS MÁRTIRES DE SEBASTE - (+ ARMÊNIA, 320)

 

Eram quarenta soldados cris­tãos, de várias nacionalidades, que foram presos e submetidos ao su­plício, em Sebaste, na Armênia no ano 320.Nessa época foi publicada na cidade uma ordem do governador Licínio, grande inimigo dos cristãos, afirmando que todos aqueles que não oferecessem sacrifícios aos deuses pagãos seriam punidos com a morte.

Contudo se apresentou diante da autoridade uma legião inteira de soldados, afirmando serem cristãos e recusando-se a queimar incenso ou sacrificar animais. Para testar até onde ia a coragem dos soldados, o prefeito local mandou que fossem presos e flagelados com correntes e ferros pontudos. De nada adiantou o castigo, pois os quarenta se mantiveram firmes em sua fé. O comandante os procurou então, dizendo que não queria perder seus mais valorosos soldados, pedindo que renegassem sua fé. Também de nada adiantou e os legionários foram condenados a uma morte lenta e extremamente dolorosa. Foram colocados, nus, num tanque de gelo, sob a guarda de uma sentinela. A região atravessava temperaturas muito baixas, de frio intenso. Ao lado havia uma sala com banhos quentes, roupas e comida para quem decidisse salvar a vida. Mas eles preferiram salvar a alma e ninguém se rendeu durante três dias e três noites. Foi na terceira e última noite que aconteceram fatos prodigiosos e plenos de graça. No meio da gélida madrugada, o sentinela viu uma multidão de anjos descer dos céus e confortar os soldados. Isto é, confortar trinta e nove deles, pois um único legionário desistira de enfrentar o frio e se dirigira à sala de banhos. Morreu assim que tocou na água quente.

Por outro lado, o sentinela que assistira à chegada dos anjos se arrependeu de estar escondendo sua condição religiosa, jogou longe as armas, ajoelhou-se, confessou ser cristão tirando as roupas e se juntou aos demais. Morreram quase todos congelados. Apenas um deles, bastante jovem, ainda vivia quando os corpos foram recolhidos e levados para cremação. A mãe desse jovem soldado, sabendo do que sentia o filho, apanhou-o no colo e seguiu as carroças com os cadáveres.

O legionário morreu em seus braços e teve o corpo cremado junto com os companheiros. Eles escreveram na prisão uma carta coletiva, que ainda hoje se conserva nos arquivos da Igreja e que cita os nomes de todos. Eis todos os mártires: Acácio, Aécio, Alexandre, Angias, Atanásio, Caio, Cândido, Chúdio, Cláudio, Cirilo, Domiciano, Domno, Edélcion, Euvico, Eutichio, Flávio, Gorgônio, Heliano, Helias, Heráclio, Hesichio, João, Bibiano, Leôncio, Lisimacho, Militão, Nicolau, Filoctimão, Prisco, Quirião, Sacerdão, Severiano, Sisínio, Smaragdo, Teódulo, Teófilo, Valente, Valério, Vibiano e Xanteas.

terça-feira, 9 de março de 2021

 

SANTA FRANCISCA ROMANA - 1384-1440

 

Fundou a Ordem das Irmãs Oblatas.

Santa Francisca Romana tem uma importância muito grande na história da Igreja, por ser considerada exemplo de mulher cristã a ser seguido por jovens, noivas, esposas, mães, viúvas e religiosas, pelo modelo que foi. Francisca Bussa de Buxis de Leoni nasceu em 1384, em uma nobre e tradicional família romana cristã e, desde jovem, manifestou a vocação para uma vida de piedade e penitência. Queria ser uma religiosa, mas seu pai prometeu-a em casamento ao jovem Lourenço Ponciano, também cortejado por ser nobre e muito rico.  Contudo, era um bom cristão e os dois se completaram, social e espiritualmente. Tiveram filhos, cumpriam suas obrigações matrimoniais com sobriedade e serenidade, respeitando todos os preceitos católicos de caridade e benevolência. Dedicavam tanto tempo aos pobres e doentes que sua rica casa acabou se transformando em asilo, ambulatório, hospital e albergue, para os necessitados e abandonados. O casal teve seis filhos que deveriam ser apenas fontes de felicidade para os pais, porém acabaram por se tornar a origem de muita dor e sacrifício.

Numa sucessão de acontecimentos Francisca viu morrer três de seus filhos. Roma, naquela época, atravessou períodos terríveis de sua história, sendo flagelada por duas guerras, revoluções, epidemias, fome e miséria. Francisca ainda assistiu outro dos filhos ser feito refém, enquanto o marido se tornava prisioneiro, depois de ferido na guerra.

Mesmo assim, continuou sua obra de caridade junto aos necessitados, vendendo quase tudo que tinha para mantê-la. Foi justamente nesse período que recebeu o título de "Mãe de Roma". Freqüentava a igreja de padres beneditinos de Santa Maria Nova e ali reuniu as ricas amigas da corte romana para trabalharem em benefício da sociedade.

Mesmo sem vestirem hábito algum, sem emitirem votos e sem formarem uma família religiosa, pois, viviam uma vida normal de mães e donas de casa, mas encontrando tempo para se dedicarem à comunidade carente.

Quando o marido morreu, Francisca entregou-se de maneira definitiva à vida religiosa, fundando com algumas dessas companheiras, também viúvas, a Ordem das Irmãs Oblatas Olivetanas de Santa Maria Nova.

Tinha cinquenta e seis anos quando morreu, no dia 09 de março de 1440, depois de ser eleita superiora pelas companheiras de convento. Sua biografia oficial registra ainda várias manifestações da graça do Senhor em sua vida, como a presença constante e real de um anjo da guarda.

Foi proclamada Santa Francisca Romana em 1608 e considerada mística, pela Igreja. Narram os registros que, quando morreu, foram necessários três dias para que toda a população de Roma pudesse visitar seu caixão, de tanto que era admirada e querida pelo povo, devotos e fiéis.

São lembrados também, neste dia: São Teófilo, São João José da Cruz, Santo Euzébio e São Virgílio de Arles, Santo Antonio de Froidemont (monge), Catarina de Bolonha (clarissa, virgem), São Domingos Sávio (adolescente de Turim, discípulo de São João Bosco) São Gegório de Nissa.

segunda-feira, 8 de março de 2021

 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

Hoje é o dia da mulher. Na nossa Igreja, como entendemos a influência, o trabalho e a participação da mulher na difusão do Evangelho de Jesus Cristo? Qual seria a tarefa da mulher? Para muitos, a função da mulher seria apenas para a limpeza da igreja, enfeitar o altar nos dias festivos ou casamentos.

Muitos ignoram qua a mulher é um membro adulto da Igreja.

Como todos os demais, a mulher foi batizada e, pelo batismo, assumiu com responsabilidade a ordem de Jesus Cristo antes de subir para o Pai: “Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que eu ordenei a vocês. eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,19-20).

A mulher é uma cristã que recebeu o sacramento do crisma e, pelo crisma, é portadora em potencial dos dons do Espírito Santo.

Pelo batismo e pelo crisma a mulher, como todos os cristãos, é enviada para uma missão; não precisa esperar um convite ou uma benção especial para atuar dentro da Igreja.

A evangelização e a catequese são o campo prioritário considerando o espírito maternal que é implícito na mulher no trato com a infância, adolescência e juventude.

Não podemos imaginar a Igreja no Brasil sem a participação da multidão de moças e senhoras catequistas dispostas a não medir esforços para anunciar o Evangelho e para catequisar, que é a primeira missão da nossa Igreja.

Quem não se lembra com saudade, amor e carinho da catequista que ensinou a cada um de nós, com amor, carinho e paciência, o Sinal da Cruz? E a Ave Maria? E o Pai Nosso?

Também é na família que as crianças recebem a sua primeira formação cristã. É na família onde é patente a participação e a influência da mãe, da avó, da tia na educação cristã da criança.

A mulher, corajosamente, deve fazer ouvir a sua voz na participação do serviço da sua comunidade, nos conselhos paroquiais e diocesanos.

O Papa Paulo VI não descartou a idéia da mulher ter voz nas decisões da Igreja.

Se Maria deu o seu “sim”, tomando parte no plano de salvação de todos os homens, porque a mulher ainda não tem lugar de proeminência dentro da Igreja? Porque na Igreja trata-se tanto dos problemas da mulher sem a presença da mulher para dar o seu parecer?

Trata-se dos problemas da mulher sem a presença da mulher e sem ouvir a sua voz. Devemos ficar atentos para a ação do Espírito Santo na Igreja. Muitas coisas que acontecem hoje na Igreja nem se podia pensar a trinta ou cincoenta anos atrás.

Será que, hoje, Jesus excluiria a mulher de certas tarefas dentro da Igreja simplesmente por ela ser mulher? Jesus também teve que levar em consideração e suplantar as estruturas da sociedade do seu tempo, mas lutou para libertar a mulher de sua situação de imposta inferioridade.

Essas  divergências de interpretações mostram que precisamos de muita reflexão.devemos deixar mais amadurecer as coisas que são, em grande parte, determinadas pela sociedade, pelo machismo e pelas estruturas da época. Enquanto isso a mulher está atuante.

Na Igreja do Brasil temos exemplos numerosos: a mulher dirige comunidades e até paróquias, basta conhecer a realidade do norte e nordeste do Brasil. A mulher dirige o culto sem presbítero, levando a sério a liturgia da Palavra que é o Cristo revelando-se aos pobres.

A mulher é chamada pelos bispos para preparar os novos cristãos para o Batismo e, em muitos casos, para administar o Sacramento do Batismo, para preparar os casais para o matrimônio e até para administrar o Sacramento do Matrimônio, basta conhecer a realidade do norte e nordeste do Brasil.

A Bíblia diz: “E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher. E Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sejam fecundos, multipliquem-se, encham e submetam a terra; dominem os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres vivos que rastejam sobre a terra’.” (Gn 1,27-28).

Partindo desta citação bíblica, onde Deus colocou o homem superior à mulher?

A sociedade humana só terá equilíbio se homem e mulher tiverem igual chance de partircipação. Nem homem, nem mulher deve dominar.

domingo, 7 de março de 2021

 

"DESTRUAM ESSE TEMPLO, E EM TRÊS DIAS O LEVANTAREI." (Jo 2,19).

 

TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA

Ano – B; Cor – Roxo; Leituras: Ex 20,1-17; Sl 18; 1Cor 22-25; Jo 2,13-25.

 

Diácono Milton Restivo

 

Na primeira leitura Moisés recebe de Yahweh o decálogo, as dez palavras, os dez mandamentos para que o povo israelita entendesse qual seria o coração da lei mosaica.

A Lei da Antiga Aliança vai manter o seu valor na nova Aliança.

Jesus lembra os mandamentos dados por Yahweh aos israelitas no deserto, acrescentando a eles o selo da perfeição, os conselhos evangélicos, conforme consta em Marcos 10,7-21.

Os mandamentos, também chamados de Aliança de Yahweh com seu povo, determinam os princípios fundamentais da lei hebraica:

·         “Ele (Yahweh) lhes comunicou então a sua Aliança, para que vocês a cumprissem: as Dez Palavras, que ele escreveu em duas tábuas de pedra.” (Dt 4,13).

O livro do Êxodo inicia a narrativa do decálogo dizendo que os dez mandamentos foram transmitidos oralmente por Yahweh a Moisés:

·         “Então Deus pronunciou todas estas palavras...” (Ex 20,1).

Já, em outras partes desse mesmo livro, diz-se que Yahweh escreveu, com suas próprias mãos, os dez mandamentos e os entregou a Moisés:

·         “Yahweh disse a Moisés: ‘Suba até junto de mim na montanha, pois eu estarei ai para lhe dar as tábuas de pedra com a lei e os mandamentos que escrevi para você os instruir.” (Ex 24,12);

·         “As tábuas eram obras de Deus, e a escritura era feita por Deus, gravada nas tábuas.” (Ex 32,16);

·         “Yahweh disse a Moisés: [...] e eu escreverei as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas que você quebrou.” (Ex 34,1).

Depois de receber os mandamentos e outras orientações e descer do monte, e ao ver que o povo havia se afastado de Deus, adorando um bezerro de ouro (cf Ex 32,1-6), Moisés, num ímpeto de raiva quebrou as tábuas:

·         “Quando se aproximou do acampamento e viu o bezerro e as danças, Moisés ficou enfurecido, jogou as tábuas e as quebrou no pé da montanha.” (Ex 32,19).

Yahweh, porém, determinou a Moisés que subisse novamente à montanha para receber novas tábuas:

·         “Yahweh disse a Moisés: Corte duas tábuas de pedra, como as primeiras, suba ao meu encontro na montanha, e eu escreverei as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas que você quebrou.” (Ex 34,1).

Os dez mandamentos deveriam ser os conceitos fundamentais da lei mosaica para o povo da Antiga Aliança, aperfeiçoados por Jesus para o povo da Nova Aliança.

Os mandamentos dados por Yahweh a Moisés estão repetidos na sua íntegra no livro do Deuteronômio 5,6-21 e são chamados, também, de “Aliança” (cf Dt 4,13).

O objetivo dos mandamentos dados por Yahweh a Israel era que esse povo tivesse uma vida de santidade e justiça. No livro do Levítico 19,1-2,

·         “Yahweh falou a Moisés, dizendo: fala a toda a comunidade dos filhos de Israel e dize-lhes: “Sejam santos, porque eu, o Senhor de vocês, sou santo”.

Jesus resumiu os mandamentos da Antiga Aliança em apenas dois mandamentos: amar a Deus acima de tudo, com todo o nosso coração, alma, fé e entendimento, e ao nosso próximo como a nós mesmo:

·         “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ame ao seu próximo como a si mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.” (Mt 22,36-40).

Jesus resume os mandamentos da Antiga Aliança no mandamento do amor:

·         “Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos.” (Jo 13,34-35).

Este é o grande e o único mandamento da nova Lei: o Amor. Amar em primeira instância a Deus, depois ao próximo.

Quem ama de verdade o próximo não mata, não rouba, não comete violência, não levanta falsos testemunhos, não deseja nada do que é do próximo, não comete adultério e não faz nada que possa prejudicar de qualquer maneira o próximo.

No novo mandamento do amor deixado por Jesus estão incluídos todos os demais mandamentos.

No Salmo 18 Davi agradece a Yahweh por ter ouvido suas orações e súplicas e manifesta seu amor e adoração a Yahweh:

·         “Eu te amo, Yahweh. Tu és a minha força. (Sl 18,3).

Davi fala de sua felicidade e vitória na confiança em Deus e expressa tudo aquilo que Yahweh representa em sua vida:

·         “Yahweh, meu rochedo, minha fortaleza, meu libertador; meu Deus, rocha minha, meu refúgio, meu escudo, força que me salva, meu baluarte! Louvado seja! Eu invoquei Yahweh, e fui salvo dos meus inimigos!” (Sl 18,3-4).

Neste salmo de adoração pública, o salmista louva a Deus por livrá-lo de todos os seus inimigos:

·         “Louvado seja! Eu invoquei Yahweh, e fui salvo dos meus inimigos. [...] Livrou-me de um poderoso inimigo, de adversários mais fortes do que eu.” (Sl 18,4.18).

Davi considera sua vitória uma recompensa de Deus ao seu modo justo de viver:

·         “Yahweh me tratou segundo minha justiça, e me retribuiu conforme a pureza de minhas mãos, porque observei os caminhos de Yahweh, e não me rebelei contra meu Deus. [...] Yahweh retribuiu a minha justiça, a pureza de minhas mãos em sua presença.” (Sl 18,21-22.25).

Davi enaltece o caminho de Deus e atesta a veracidade da Palavra de Yahweh:

·         “O caminho de Deus é perfeito, a palavra de Yahweh é comprovada, Ele é um escudo para os que nele se abrigam. Quem é Deus além de Yahweh? E quem é rochedo, fora o nosso Deus? Ele é o Deus que me cinge de força, e torna perfeito o meu caminho.” (Sl 18,31- 33).

Davi agradece e dá vivas a Yahweh por te-lo atendido em suas orações:

·         “Viva Yahweh! Bendito seja o meu rochedo! Exaltado seja o meu Deus e salvador, o Deus que me concedeu as vinganças e submeteu a mim os povos; que me livrou de inimigos furiosos, me exaltou sobre os meus agressores, e me salvou do homem cruel. Por isso eu te louvo entre as nações, Yahweh, e toco em honra de teu nome.” (Sl 18,47-50).

A oração é expressão de confiança. Somente aqueles que confiam em Deus o invocam.

No Evangelho deste domingo

·         “Estando próxima a páscoa dos judeus, Jesus subiu a Jerusalém.” (Jo 2,13).

Chegando à cidade de Jerusalém Jesus sentiu necessidade de recolhimento e oração e dirigiu-se ao Templo, aquele mesmo majestoso Templo construído pelo rei Salomão e, depois, reconstruído pelo rei Herodes, e que era o orgulho da nação judaica. Ao adentrar no Templo, que decepção: Jesus

·         “encontrou os vendedores de bois, de ovelhas, de pombas e os cambistas sentados.” (Jo, 2, 14).

Jesus, cuidadoso com as coisas do Pai e, como não poderia deixar de ser e mostrando plena coerência com aquilo que, quando aos doze anos de idade, havia dito à sua mãe quando por ela foi encontrado no Templo

·         “... sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os” (Lc 2,46), tendo afirmado: “Porque me procuravam? Não sabia que eu devo estar na casa do meu Pai?” (Lc, 2,49).

Ao ver aquela baderna no interior do Templo que mais parecia um mercado persa ou mercado de peixe, ficou extremamente indignado e, sem pensar duas vezes,

·         “... fez um chicote de cordas, expulsou todos do Templo, com as ovelhas e com os bois; lançou ao chão o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas, e disse aos que vendiam pombas: Tirem tudo isso daqui; não façam da casa de meu Pai uma casa de comércio.” (Jo 2,15-16).          

O sangue de Jesus ferveu nas veias.  Ele não podia suportar e permitir tão grande desrespeito com o Templo, a casa do Senhor. Não titubeou: lançou mão de uma corda, fazendo-a de chicote como fazem as mães que querem disciplinar seus filhos por algo que tenham feito de errado, (pelo menos antigamente) e começou a bater indistintamente em quem vendia ou comprava promovendo aquela baderna no Templo expulsando-os a todos e, indignado, dizendo, como já havia dito seiscentos anos antes o profeta Isaias:

·         “A minha casa será chamada casa de oração, mas vocês fizeram dela um covil de ladrões.” (Mt 21,13; Is 56,6b).

Em seguida, Jesus compara o Templo de pedra com o seu próprio corpo, fazendo uma alusão à sua morte e ressurreição ao terceiro dia depois de os judeus terem-no interpelado sobre com que autoridade Jesus agira daquela maneira, dizendo:

·         “Com que sinal nos mostras tu que tens autoridade para fazer estas coisas?’ Jesus respondeu-lhes e disse: ‘Destruí este templo e eu o reedificarei em três dias’.”  (Jo 2,18-19).

Jesus se referia ao Templo de seu corpo que seria entregue para a morte e ao terceiro dia seria reedificado pela ressurreição. Mas os judeus não o entenderam, julgando que ele falava do Templo de pedra que Herodes levara quarenta e seis anos para reconstruir e como Jesus o reconstruiria, depois de destruído, em apenas três dias? 

·         Replicaram, pois, os judeus: ‘Este templo foi edificado em quarenta e seis anos, e tu o reedificarás em três dias?’ Ora, ele falava do templo de seu corpo. Quando, pois, ressuscitou dos mortos lembraram-se seus discípulos do que ele dissera e creram na Escritura e nas palavras que Jesus tinha dito." (Jo 2, 20-22).

O Apóstolo Paulo, mais tarde em suas cartas, corrobora essa afirmativa de Jesus, dizendo:

·         “Vocês não sabem que são Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se algum violar o Templo de Deus, Deus o destruirá. Com efeito, é santo o Templo de Deus, que são vocês.” (1Cor 3,16-17). 

Jesus fica indignado com o desrespeito promovido contra a casa do Senhor, o Templo de pedra construído por mãos humanas, mas deixa claro que, mais importante que o Templo de pedra é o Templo de carne e osso que somos nós, que é o nosso próprio corpo, conforme afirmativa de Paulo, Apóstolo:

·         “Porventura vocês não sabem que os seus membros são Templo do Espírito Santo que habita em vocês, que foi dado a vocês por Deus, e que não vocês não pertencem a si mesmos? Porque vocês foram comprados por um grande preço. Glorifiquem e tragam Deus no seu corpo.” (1Cor 6,19-20).

Jesus teve tanto zelo com o Templo de pedra, quanto mais os cristãos deveriam ter zelo com o seu próprio corpo que é a casa de Deus, o templo do Espírito Santo.  

Ao expulsar os vendilhões do templo Jesus diz indignado:

·         “... minha casa será chamada casa de oração. Vocês, porém, fazem dela um covil de ladrões.” (Mt 21,13).

Quantas vezes transformamos o nosso corpo em “covil de ladrões", permitindo que pensamentos escusos, ações indignas, gestos agressivos, atitudes anticristãs, desrespeito ao próximo, mentiras, falsos testemunhos, infidelidades se apoderem do nosso corpo, maculando, assim, o templo do Espírito Santo.       

Quantas vezes permitimos que o nosso corpo se transforme num “covil de ladrões”, um esconderijo de más intenções e de atitudes dúbias e escusas que magoam o coração de Jesus, e ele, zeloso como é com as coisas de Deus, não tem outra alternativa senão empunhar uma corda, dobrá-la em duas, fazer dela um chicote e nos chicotear através de uma chamada de atenção, de uma doença, de uma infelicidade, de um contratempo, de um mau negócio para nos dizer que alguma coisa está errada em nossas atitudes, em nossas vidas.

Como profanamos o nosso corpo; como o desrespeitamos sem medirmos consequências.  Todos os excessos que praticamos são prejudiciais à saúde e um ultraje ao nosso corpo, em suma, uma profanação ao Templo do Espírito Santo.

O cigarro fumado indiscriminadamente e em qualquer lugar envenena os pulmões, contamina o sangue, atingindo com a sua fumaça e nicotina a todos os que circundam o fumante, poluindo o ambiente.

A bebida alcoólica que é ingerida contamina o sangue, diminui a capacidade de ação e raciocínio do cérebro, tira a sobriedade e a seriedade da vida normal, fazendo quem ingere tais bebidas ser agressivo ou passar por chacotas.

Os remédios em excesso que é ingerido provocam distúrbios de toda espécie. Drogas violentam a natureza humana e a saúde.

A prostituição degrada ao nível dos animais irracionais, e quantas coisas mais que são feitas que profanam o corpo humano que é a casa de Deus, o Templo do Espírito Santo.

Tudo o que é feito e que coloca em risco a saúde, o bem estar, a integridade física, males tanto materiais como espirituais, está profanando o Templo de Deus, que é o corpo:

·         “Vocês não sabem que os seus membros são templo do Espírito Santo que habita em vocês, que foi dado a vocês por Deus, e que vocês não pertencem a si mesmos?... Glorifiquem e tragam a Deus no vosso corpo.” (1Cor 6,19-20).

Assim como Jesus expulsou do templo os vendilhões que profanavam a casa do Senhor, usando até de violência, nós também devemos ter a dignidade e coragem de expulsar do corpo, que é o Templo de Deus, tudo aquilo que o macula, o deturpa, o diminui, o degrada.        

Assim como Jesus Cristo, ao expulsar os que desrespeitavam a casa de Deus, derrubou mesas, bancas e animais que estavam à venda, deve-se também derrubar preconceitos, violências, discriminações e expulsar do corpo pecados, ações pouco dignas e atitudes que contradizem os ensinamentos do Senhor. Jesus fez uma operação limpeza no Templo de Jerusalém e nos chama a atenção para também fazermos uma operação limpeza no nosso corpo, que é a primeira morada de Deus no nosso meio.

Jesus Cristo apanhou um chicote para expulsar do Templo de pedra de Jerusalém todos aqueles que o profanavam. A exemplo de Jesus veríamos, nem que seja a poder de violência, expulsar  do nosso corpo tudo aquilo que profana a morada de Deus, o Templo do Espírito Santo.

E muitos pecados só conseguimos expulsar do nosso corpo praticando violência contra nós mesmos...  O nosso corpo é a morada de Deus, o Templo do Espírito Santo. Não podemos profaná-lo e nem permitir que seja profanado.

O cuidado que Jesus teve com o Templo de pedra de Jerusalém é o mesmo e muito mais que precisamos ter com o nosso corpo.  Nós somos o Templo de Deus e a morada do Espírito Santo.

Não vamos provocar a ira de Jesus para que não haja necessidade de ele empunhar o chicote e nos ferir a fim de nos chamar a atenção de que algo em nossa vida ou em nossas atitudes não esteja de conformidade com os seus ensinamentos e, para que isso aconteça, estejamos sempre alertas para recepcioná-lo, cuidando para que o nosso corpo, que é a casa de Deus e o Templo do Espírito Santo, esteja sempre limpo e bem arrumado. 

sábado, 6 de março de 2021

 

SÃO DOMINGOS SÁVIO -(+ Riva de Chieri, Itália, 1857)

Aluno e filho espiritual de São João Bosco, morreu com apenas 15 anos de idade. Seu lema de vida era "antes morrer que pecar". É um dos patronos da juventude ca­tólica.

Domingos Sávio nasceu em 2 de abril de 1842 em Riva, na Itália. Era filho de pais muito pobres, um ferreiro e uma costureira, cristãos muito devotos. Ao fazer a primeira comunhão, com sete anos, fez um juramento para si mesmo que seria seu modelo de vida: "Antes morrer do que pecar". Cumpriu-o integralmente enquanto viveu. Nos registros da Igreja encontramos que, com dez anos, chamou para ele próprio a culpa de uma falta que não cometera, só porque o companheiro de escola que o fizera tinha maus antecedentes e poderia ser expulso do colégio.

Já para si, Domingos sabia que o perdão dos superiores seria mais fácil de ser alcançado. Em outra ocasião, colocou-se entre dois alunos que brigavam e ameaçavam atirar pedras um no outro. "Atirem a primeira pedra em mim" disse, acabando com a briga.

Esses fatos não passaram despercebidos pelo seu professor e orientador espiritual, João Bosco, que a Igreja declarou santo, que encaminhou o rapaz para a vida religiosa.

No dia 08 de dezembro de 1854, quando foi proclamado o dogma da Imaculada Conceição, Domingos Sávio se consagrou à Maria, começando a avançar para o caminho da santidade. Em 1856 fundou entre os amigos a "Companhia da Imaculada" para uma ação apostólica de grupo, onde rezavam cantando para Nossa Senhora.

Mas Domingos Sávio tinha um sentimento que não conseguiria tornar-se sacerdote.

Estava tão certo disso que, quando caiu doente, despediu-se definitivamente de seus colegas, prometendo encontrá-los quando estivessem todos na eternidade, ao lado de Deus.

Ficou de cama e, após uma das muitas visitas do médico, pediu ao pai para rezar com ele, pois não teria tempo para falar com o pároco. Terminada a oração, disse estar tendo uma linda visão e morreu. Era o dia 09 de março de 1857.

Domingos Sávio tinha dois sonhos na vida, tornar-se padre e alcançar a santidade. O primeiro não conseguiu porque a terrível doença o levou antes, mas o sonho maior foi alcançado com uma vida exemplar. Curta, pois morreu com quinze anos de idade, mas perfeita para os parâmetros da Igreja, que o canonizou em 1957.

Nessa solenidade o Papa Pio XII o definiu como "Pequeno, porém um grande gigante de alma" e o declarou padroeiro dos cantores infantis. Suas relíquias são veneradas na basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Torino, Itália, não muito distantes do seu professor e biógrafo São João Bosco.

A sua festa foi marcada para o dia 05 de maio.

São lembrados também, neste dia: São Teófilo, São João José da Cruz, Santo Euzébio e São Virgílio de Arles, Santo Antonio de Froidemont (monge), Catarina de Bolonha (clarissa, virgem), Santa Francisca Romana, São Gegório de Nissa.

sexta-feira, 5 de março de 2021

 

“PAI, PERDOA-LHES...” (Lc 23,34)

 

            Andando solitário, saudoso, melancólico, esnobado e descrente pelas estradas poeirentas da vida, deparei-me com um homem de porte majestoso, alto, de pele bronzeada, rosto suave, olhos meigos, cabelos negros e longos, roupas longas, pés descalços, gestos medidos, voz cativante, palavras de vida eterna. Aproximou-se alguém de mim que, como eu, o via passar, estendeu o seu braço direito e, com o dedo indicador em riste, apontou para aquele homem majestoso e me diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (João, 1, 29).

            Passei, então, a seguí-lo, em seu caminhar silencioso e meditativo.

            Ao notar minha presença, ele se volta, e pergunta: “Que está procurando?”, e eu lhe respondo, com outra pergunta: “Mestre, onde moras?” e ele me responde prontamente: “Vem e vê.” (Jo 1,38-39).    

Comecei a caminhar ao seu lado, e ele se volta para mim encarando-me com seu olhar doce,  meigo e profundo e me diz: “Arrepende-se, porque está próximo o Reino dos Céus.” (Mt 4,17), e, como se estivesse vivendo em uma outra dimensão sem tirar os pés do chão, continuou: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.” (Mt 16,24-25), e, a seguir, dizendo: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. se não fosse assim, eu lhe teria dito, pois vou lhe preparar um lugar, virei novamente e lhe levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, você esteja também” (Jo 14,2-3), acrescentando: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.” (Jo 14,6).

Dizendo isso  me convida a conhecer as suas moradas...     Levou-me até onde brincava uma inocente criança, abraçando-a olhando profundamente os seus olhinhos inocentes, calmos e cristalinos como uma lagoa que assimila e reflete o azul do céu e os raios dourados do sol,  e me diz: “... se você não se converter  e não se tornar  como as crianças, de modo algum  entrará no Reino dos Céus. Aquele, portanto, que se tornar pequenino como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus.” (Mt 18,2-4). “Aquele que receber uma criança como esta por causa do meu nome, recebe a mim, e aquele que me recebe, recebe aquele que me enviou...” (Lc 9,46-48);  “Em verdade lhe digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. (Mc 10,15), porque, como essa criança, serão “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mt 5,8).           

Passamos, depois, por diversas outras moradas do Mestre: o faminto, o sedento, o despido, o peregrino, o doente, o encarcerado e, olhando e apontando  para cada um deles,  me disse o Mestre: “E quem der, nem que seja um copo d’água a um desses pequeninos... em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.”(Mt, 10,42), porque serão “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus.” (Mt 5,8); socorra sempre os necessitados, disse-me ele, e aprenda esta regra de ouro: “Tudo aquilo, portanto, que você quer que os homens lhe faça, faça você a eles, pois esta é a Lei e os Profetas.” (Mt 7,12).  

O Mestre, vendo-me calado e, penetrando em meu coração notou tantas amarguras, mágoas, ressentimentos e dores, colocou a mão em meu ombro e me conforta: “Ame os seus inimigos, faça o bem aos que lhe odeiam, bendiga os que lhe amaldiçoam, ore por aqueles que lhe difamam. A quem lhe ferir numa face, oferece a outra; a quem lhe arrebatar a capa, não recuse a túnica. Dá a quem lhe pedir e não reclame a quem tomar o que é seu. Como você quer que os outros lhe façam, faça também a eles. Se você ama os que lhe amam, que graça você vai alcançar? ...ame seus inimigos, faça o bem e empreste sem esperar coisa alguma em troca. Será grande a sua recompensa, e você será filho do Altíssimo, pois ele é bom para com os ingratos e maus.” (Lc 6,27-35).

Ao me dizer isso, eu o encarei descrente dessa possibilidade, pois, como iria eu amar meus inimigos que tantos males me fizeram? E os que disseram serem meus amigos, se só tentaram me prejudicar? E as pessoas que disseram que me amavam, se só pensaram em si próprias?   

            Como poderia eu amar quem me fez mal?

O Mestre, ao observar a minha descrença e na impossibilidade do perdão, acrescenta: “Seja misericordioso como o seu Pai é misericordioso. Não julgue para não ser julgado; não condene para não ser condenado; perdoa, e lhe será perdoado. Dê, e lhe será dado; será derramada no seu regaço uma boa medida, calcada, sacudida, trasbordante, pois com a medida com que você medir, você será medido também.” (Lc 6,36-38), e continuou: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” (Mt 5,7); e disse ainda para que eu não esquecesse o seu mandamento novo, quando afirmou: “Dou a você um mandamento novo: que amem-se uns aos outros. Como eu amei voces, vocês devem se amar também uns aos outros.” (Jo13,34). 

E eu lhe respondi: “Mestre, amo a Deus, mas é tão difícil perdoar a quem nos fez mal, é tão difícil esquecer as ofensas, é tão difícil esquecer as esnobações, é tão difícil esquecer ingratidões, despresos, traições...”, ele, prontamente, me respondeu: “não se esqueça do que eu disse, do alto da cruz, me referindo aos meus algozes: “Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem” (Lc 23,34); porque, se lhe prenderam, a mim prenderam também, se lhe caluniaram, a mim caluniaram também, se lhe desacreditaram, a mim desacreditaram também, se falaram mentiras a seu respeito, falaram também ao meu respeito, se lhe levaram a um tribunal, a mim levaram também, se lhe humilharam, lhe abandonaram, a mim fizeram isso também, porque você quer ser diferente de mim? Lembre-se do que eu disse: “Não existe discípulo superior ao seu mestre, nem servo superior ao seu senhor.”  (Mt 10,24); então, porque você quer ser diferente? Não se esqueça do que o meu Apóstolo João escreveu: “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, é um mentiroso: pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar. E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão.” (1Jo 4,20-21). E o Mestre continuou: “Quando você estiver rezando, perdoe tudo o que tiver contra alguém, para que o seu Pai que está no céu também perdoe os seus pecados. Porque, se você não perdoar, o seu Pai que está no céu também não perdoará os seus pecados” (Mc 11,25-26). Ao ouvir isso do Mestre, mesmo com o peito ferido e o coração sangrando, mesmo sem ver perspectivas de dias melhores, eu lhe respondo, do fundo do coração:

            “SENHOR,...  EU... AMO... EU PERDOO... 

quinta-feira, 4 de março de 2021

 

MARIA VIVEU INTENSAMENTE A QUARESMA.

 

Quando meditamos sobre a quaresma, quando meditamos o recolhimento de Jesus no deserto por quarenta dias em completo jejum, penitência e oração, quando meditamos o seu afastamento de sua pequena Nazaré para dar início a uma vida totalmente nova e diferente daquela que levara por trinta anos em companhia de sua mãe, Maria, na pobreza da casa de Nazaré, talvez ainda não nos tenha ocorrido pensar em uma figura de suma importância em tudo isso e que foi responsável pela realização dos planos de Deus Pai para a salvação de toda a humanidade.

Quando chegou o tempo em que o Senhor Jesus deveria deixar sua casa, seus amigos, seu trabalho, para dedicar-se inteiramente ao serviço do Senhor, essa figura, que nos referimos, deve tê-lo acompanhado com os olhos até ele se perder no horizonte, com os olhos marejados de lágrimas e com o coração acompanhando Jesus em todos os seus passos e minutos da vida que ele se propusera viver para que a misericórdia de Deus atingisse todos os homens.

Essa figura não é outra senão Maria.

Durante toda a infância de Jesus, os santos evangelhos nos dizem que Maria observava tudo e guardava e meditava tudo em seu coração.

E nessas meditações lhe fora revelado tudo o que o seu Divino Filho deveria passar, sofrer, ser perseguido e até morrer pela salvação de todos os homens a quem ele viera para salvar.

E agora havia chegado a hora de seu filho Jesus cuidar das coisas do Pai e parte, parte para não mais voltar para aquela casa pobre e humilde de Nazaré, e, a única vez que Jesus tenta voltar para a sua casa, para a sua cidade, o povo já não o aceita mais, o povo já não mais acredita nele, e o que é o pior, aqueles que foram seus amigos de infância, aqueles que frequentaram a escola, que brincaram com seu Filho nas ruas ensolaradas e poeirentas de Nazaré e que foram com ele buscar água na fonte, aqueles mesmos que se diziam amigos de seu Filho e amigos da família, não entenderam a sua mensagem de salvação e pegaram pedras para apedrejar o seu Divino Filho e acabaram por expulsá-lo da cidade, e, a partir desse acontecimento, seu Filho parte da cidade de Nazaré para não mais regressar.        

Maria continuava observando tudo e guardando tudo em seu coração  de mãe. 

A vida toda de Maria foi de orações, sacrifícios, penitências, sobressaltos, muito embora ela já soubesse tudo o que iria acontecer com o seu Divino Filho. Maria via, ouvia e observava tudo, e guardava tudo em seu coração.

Como o coração de Maria deve ter sido grande e generoso.

Como o coração de Maria foi paciente e misericordioso por ver tudo o que fizeram com o seu Filho e perdoar a todos pelas injustiças que praticaram  contra aquele a quem ela mais amou neste mundo em todos os tempos: o seu amado Filho, o seu querido Deus.

A vida de Maria foi uma quaresma permanente.   

Muitas vezes o seu Divino Filho escapava de suas vistas mas jamais ela deixou de o seguir, onde quer que ele fosse, com o seu coração.

Maria aguardou pacientemente passar os quarenta dias que o Senhor Jesus, o seu Filho, passara no deserto, e, como ele, com toda a certeza, nesses quarenta dias, em sua pobre casa de Nazaré, também fez penitências, jejuou e orou com muito fervor e, nesse período, não tenham dúvidas meus irmãos, Maria se preparou mais e melhor para o que estava por vir e colocou o seu Divino Filho nas mãos de Deus Pai, a vítima perfeita que seria imolada  para que o pecado do mundo fosse tirado; a vítima sem pecado, mais limpa, mais pura e mais sacrossanta; o seu próprio Filho e Filho de Deus que se fizera homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus.

Depois, quando Jesus partiu definitivamente para a evangelização de todos os homens, onde quer que ele estivesse, ali estava Maria acompanhando-o em todos os seus passos, em todos os momentos de sua vida, até o momento supremo do Calvário.

É isto que a Igreja convida-nos a fazer nesta quaresma: seguir o exemplo de Maria e nos prepararmos para acompanhar passo a passo Jesus até o Calvário.

É isso que devemos fazer nesta quaresma: colocarmo-nos sob o manto protetor da Santíssima Virgem  e com ela viver a quaresma para que possamos, através de Maria, entender melhor o sacrifício de Jesus, porque Maria não fez outra coisa melhor em sua vida senão guardar tudo e meditar em seu coração, e agora, o que ela guardou e meditou ela nos transmitirá nesta caminhada rumo ao calvário e assim poderemos entender melhor o sacrifício de um Deus feito homem.