sábado, 9 de julho de 2022

 

SANTA PAULINA DO CORAÇÃO AGONIZANTE DE JESUS - (1865 – 1942)

 

Santa Madre Paulina, nascida e batizada Amábile Lúcia Visintainer, nasceu aos 16 de dezembro de 1865, em Vigolo Vattaro, Província de Trento, Itália, naquele tempo região Sul-Tirol, sujeita à Áustria. Os pais, como toda a gente do lugar, eram ótimos cristãos, mas pobres.

Em setembro de 1875, a família de Napoleone Visintainer emigrou com muitos outros trentinos para o Brasil e no Estado de Santa Catarina, no atual município de Nova Trento, deram início à localidade de Vígolo. Amábile, depois da primeira comunhão, recebida mais ou menos aos 12 anos, começou a participar no apostolado paroquial: Catecismo aos pequenos, visitas aos Doentes e limpeza da Capela de Vigolo.

No dia 12 de julho de 1890, junto com a amiga Virgínia Rosa Nicolodi, Amábile acolheu uma doente de câncer em fase terminal, dando início à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, aprovada pelo Bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros, aos 25 de agosto de 1895. Em dezembro de 1895, Amábile e as duas primeiras companheiras (Virgínia e Teresa Anna Maule) fizeram os votos religiosos; e Amábile recebeu o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. A santidade e a vida apostólica de Madre Paulina e de suas Irmãs atraíram muitas vocações, apesar da pobreza e das dificuldades em que viviam.

Em 1903, Madre Paulina foi eleita Superiora Geral por toda a vida pelas Irmãs da nascente congregação. Deixou Nova Trento e estabeleceu-se em São Paulo, no Bairro Ipiranga, onde se ocupou de crianças órfãs, filhos dos ex-escravos e dos escravos idosos e abandonados.

Em 1909, foi deposta do cargo de Superiora Geral pelo Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, e enviada a trabalhar com os doentes da Santa Casa e os velhinhos do Asilo São Vicente de Paulo em Bragança Paulista, sem poder nunca mais ocupar algum cargo na sua Congregação. Foram anos marcados pela oração, pelo trabalho e pelo sofrimento: tudo feito e aceito para que a Congregação das Irmãzinhas fosse adiante e “Nosso Senhor fosse conhecido, amado e adorado por todos em todo o mundo”.

Em 1918, com o consentimento de Dom Duarte, foi chamada pela Superiora Geral, Madre Vicência Teodora, sua sucessora, à “Casa Madre” no Ipiranga, e aí permaneceu até a morte, numa vida retirada, tecida de oração e assistência às Irmãs doentes, sendo também fonte de informação para a história da Congregação. Como “Veneranda Madre Fundadora” foi colocada em destaque por ocasião do Decreto de Louvor concedido pela Santa Sé à Congregação das Irmãzinhas aos 19 de maio de 1933 e na celebração do cinquentenário da fundação, aos 12 de julho de 1940, quando Madre Paulina fez o seu testamento espiritual: “Sede bem humildes, confiai sempre e muito na Divina Providência; nunca, jamais, desanimeis, embora venham ventos contrários. Novamente vos digo: confiai em Deus e em Maria Imaculada; permanecei firmes e adiante!”.

A partir de 1938 Madre Paulina começou a acusar graves distúrbios porque doente de diabete. Após duas cirurgias, nas quais sofreu amputação do dedo médio e depois do braço direito, passou os últimos meses vítima da cegueira. Morreu aos 9 de julho de 1942; e suas últimas palavras foram: “seja feita a vontade de Deus”. A espiritualidade inaciana, recebida de seus diretores espirituais, tem em Madre Paulina características próprias, que marcam a “Veneranda Madre Fundadora” como uma religiosa na qual se podem admirar as virtudes teologais, morais, religiosas em grau eminente ou heróico.

Fé profunda e confiança ilimitada em Deus, amor apaixonado a Jesus-Eucaristia, devoção terna e filial à Maria Imaculada, devoção e confiança no “nosso bom Pai São José” e veneração pelas autoridades da Igreja, religiosas e civis.

Caridade sem limites para com Deus, traduzidas em gestos de serviço aos irmãos mais pobres e abandonados. Toda vida de Madre Paulina pode ser resumida no título que o povo de Vígolo lhe deu: “enfermeira”, isto é, ser-para-os-outros ou “toda de Deus e toda dos Irmãos” como rezam, hoje, os seus devotos e suas Irmãzinhas. Humildade, que levou Madre Paulina ao aniquilamento de si mesma para que a Congregação fosse adiante.

A página mais luminosa da santidade e da humildade de Madre Paulina foi escrita pela conduta que teve quando Dom Duarte lhe anunciou a sua deposição: “Se ajoelhou... se humilhou... respondeu que estava prontíssima para entregar a Congregação... se oferecia espontaneamente para servir na Congregação como súdita”.

Terminado o capítulo de agosto de 1909, começava o holocausto doloroso e meritório de Madre Paulina, a quem o Arcebispo de São Paulo decretara: “Viva e morra na Congregação como súdita”. E permaneceu na sombra até a morte, em união com Deus, como declarou ao seu diretor espiritual, Pe. Luiz Maria Rossi, SJ: “a presença de Deus me é tão íntima que me parece impossível perdê-la e esta presença dá à minh‘alma uma alegria que não posso explicar”.

O carisma deixado por Madre Paulina para a sua Congregação se traduz na sensibilidade para perceber os clamores da realidade com suas necessidades e disponibilidade para servir, na Igreja, aos mais necessitados e aos que estão em situação de maior injustiça, com simplicidade, humildade e vida interior. É um servir alimentado por uma espiritualidade eucarístico-marial, pela qual toda a Irmãzinha faz de Jesus-Eucaristia o centro de sua vida alimentada por uma terna devoção à Virgem Imaculada e ao bom Pai São José.

Esta primeira Santa do Brasil foi beatificada pelo Papa João Paulo II aos 18 de outubro de 1991, em Florianópolis, Estado de Santa Catarina, Brasil. À Madre Paulina confiamos o povo brasileiro, a Igreja do Brasil e a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição e todas as pessoas que colaboraram para sua canonização.

São lembrados também, neste dia: Bem-aventurados Agostinho Zhao Rong e 119 companheiros (mártires da China), São Nicolau Pik, Santa Everilda, Santa Anatólia, Santa Verônica Giuliani, São Betelino de Croyland (eremita), São Cirano de Clonmacnoise (abade), Santos Jacinto, Alexandre e Tibúrcio (mártires de Roma).

sexta-feira, 8 de julho de 2022

 

MARIA, MÃE DE MISERICÓRDIA

 

“Maria é Rainha. Tendo sido a Santíssima Virgem elevada à dignidade de Mãe de Deus, com justa razão  a Santa Igreja a honra e quer que de todos seja honrada com o título glorioso de Rainha. Se o filho de Maria é Rei, justamente a Mãe deve considerar-se e chamar-se Rainha.

Desde o momento em que Maria  aceitou ser a Mãe do Verbo Encarnado, do Verbo Eterno, mereceu tornar-se Rainha do mundo e de todas as criaturas. Se a carne de Maria não foi diferente da carne de Jesus, como então pode a monarquia do Filho ser separada da Monarquia da Mãe? Por isso deve julgar-se que a glória do Reino não só é comum  entre a Mãe e o Filho, mas também que é a mesma entre ambos. Se Jesus é o Rei do Universo, Maria também é a Rainha do Universo, de modo que, conforme diz São Bernardino de Sena, quantas são as criaturas que servem a Deus, tantas também devem servir a Maria.     

Por conseguinte, estão sujeitos ao domínio de Maria os Anjos, os homens e todas as coisas do céu e da terra, porque tudo está também sujeito ao império de Deus.

E é por isso que o Abade Guerrico dirige estas palavras a Maria: “Continuai, pois, a dominar com toda a confiança; disponde a vosso arbítrio dos bens do vosso Filho, pois, sendo Mãe e Esposa do Rei dos Reis, pertence-vos, como Rainha, o reino e o domínio de todas as criaturas.” Maria é a Rainha de Misericórdia. Mas, para consolo nosso, Maria é uma Rainha cheia de doçura e clemência sempre inclinada e disposta a favorecer e fazer bem a nós, pobres pecadores.

E é por isso que a Igreja quer que saudemos Maria em oração com o título de “Salve Rainha, Mãe de Misericórdia.” ... Maria é uma Rainha, mas não uma Rainha de justiça, zelosa de aplicar o castigo aos malfeitores. Maria é Rainha de Misericórdia, inclinada só à piedade e ao perdão dos pecadores. Por isso quer a Igreja que expressamente chamemos Maria de “Rainha de Misericórdia”.

... E isso, por todos nós, miseráveis filhos de Adão, é motivo de nos alegrarmos , considerando que temos no céu esta Rainha toda cheia  de amor e misericórdia e piedade para com todos nós. ... O Coração de Maria, como Rainha, é tão bom e compassivo , que não deixa voltar de mãos vazias quem quer que a invoque, qualquer um de seus devotos... ...

E São Bernardo diz  à Maria, em oração: “Mas como podereis vós, `Maria, deixar de socorrer os infelizes, se vós sois  a Rainha de Misericórdia? E quem são os súditos da misericórdia senão os miseráveis? Sois a Rainha de Misericórdia, e eu, entre os pecadores, sou o mais miserável, logo, se eu, por ser o mais miserável, sou o maior dos vossos súditos, vós deveis ter mais cuidado de mim do que de todos os outros.” E São Gregório de Nicomédia diz também em oração: “Tende piedade de nós, ò Rainha de Misericórdia, e cuidai em salvar-nos. Não digais, ò Virgem Santíssima que não vos é possível socorrer-nos por ser grande a multidão dos nossos pecados. Pois não há numero de culpa que possa exceder  ao vosso poder e amor. Tão grandes são eles. Nada resiste ao vosso poder, pois nosso comum Criador, honrando-vos como Mãe, estima como sua a vossa glória.”

Quanta, pois, não deve ser  a nossa confiança nessa Rainha, sabendo nós o quanto é ela poderosa diante de Deus e cheia de misericórdia para com todos os homens.” (do livro - Glórias de Maria Santíssima - de Santo Afonso Maria de Ligouri - pg de 23 a 28).e 23 a 28).

quinta-feira, 7 de julho de 2022

 

SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE FALA DE MARIA

 

Se quisermos conhecer bem Maria, a Mãe de Deus e Nossa Mãe, precisamos conhecer bem os santos Evangelhos, precisamos entender o que os Santos e Profetas do Antigo Testamento falaram da Virgem  que já estava predestinada, desde a criação do mundo, mesmo sendo Virgem, para ser a Mãe do Verbo de Deus que se faria homem e habitaria entre nós.

Se quisermos conhecer bem Maria, precisamos procurar leituras dos grandes santos que muito amaram Maria e que divulgaram a sua devoção.

E quantos santos honramos nos nossos altares que se santificaram pela devoção que tiveram à Santa Mãe de Deus e nossa Mãe.

Quantos livros temos que nos fazem conhecer mais e melhor Maria, a Mãe de Jesus.         

E, bem a propósito li um artigo sobre Maria, a Imaculada, escrito por um de seus grandes devotos, São Maximiliano Maria Kolbe, e, nesse artigo, São Maximiliano escreveu o seguinte:        

“Quando você procura ler alguma coisa sobre a Imaculada, não se esqueça que você está entrando em contato com uma pessoa viva, que lhe ama, e que ela é perfeita e sem mancha alguma. Lembre-se, também, que as palavras lidas não estão ao alcance de exprimir quem ela é na verdade, pois as palavras são humanas, tiradas dos conceitos terrestres, enquanto que a Imaculada é uma criatura pertencente  totalmente a Deus e daí, de alguma maneira superando infinitamente tudo o que lhe rodeia. A Imaculada própria vai se revelar a você através das frases lidas; ela vai sugerir a você os pensamentos, considerações e sentimentos, que nem o próprio autor do texto os vislumbrava...            Afinal, saiba que: quanto mais limpa for a sua consciência, quanto mais frequente for a sua consciência lavada pela penitência, tanto mais seus conceitos a respeito da Imaculada estarão se aproximando da verdade.  Reconheça, também, com sinceridade, que sem a ajuda da Imaculada você não poderá prosseguir no conhecimento dela, e muito menos no seu amor. Só a  Imaculada tem que lhe iluminar e atrair o seu coração para si mesma. Daí, lembre-se que o fruto da leitura  dependerá da sua oração dirigida à Imaculada. Não comece, então, a ler, antes de rezar; não pretenda ler muito. Intercale sempre a leitura com a elevação do seu coração para a Imaculada, e você sentirá quantos sentimentos despertarão no seu coração. Quando você terminar a leitura, confie à Imaculada o fruto dessa leitura.”

Que conselhos maravilhosos nos dá um santo que viveu só para amar Maria, a Imaculada, como ele a chamava. São Maximiliano Maria Kolbe nos revela, nesses seus conselhos, o grande segredo dos grandes santos de como se pode conhecer mais e melhor Maria, a Imaculada.

Ninguém jamais, neste mundo de Deus, escreveu de Maria o que realmente ela é.

Qualquer coisa que escrevemos sobre Maria, por mais bela ou tocante que seja, jamais chegará aos pés da verdadeira beleza que é Maria, e jamais conseguiremos retratar numa folha de papel o que Maria foi, é ou será.

Em tudo o que escrevemos, falamos ou ouvimos falar de Maria, está o nosso conceito material, e para se falar dignamente de Maria precisamos nos revestir das vestes divinas, de palavras de anjos, de conceitos celestes e de entendimento sobrenatural.

Os santos que provaram isso e que escreveram e pregaram sobre Maria é quem nos dão testemunho de que Maria é muito mais do que tentou proclamar qualquer santo.

O que nos resta fazer é nos entregar de corpo e alma a essa Santíssima Mãe e abrir o nosso coração para que ela própria se identifique e nos ensine qual é a melhor maneira e o melhor caminho para amá-la e honrá-la, porque amando-a e honrando-a retamente estaremos também com uma maior compreensão amar e honrar seu Divino Filho, Jesus.

São comemorados também neste dia: Santa Filomena de São Severino (virgem), Santo Agatão, Santa Edana Whitby (abadessa), Santo Estevão de Réggio (bispo e mártir),  Santos Graça e Probo (casal).

quarta-feira, 6 de julho de 2022

 

SANTA MARIA GORETTI

 

Maria Teresa Goretti, nascida em Corinaldo, Província de Ancona, Itália, a 16 de outubro de 1890 e falecida em Nettuno, na mesma Província, em 06 de julho de 1902, Itália, com 11 anos de idade, foi uma jovem católica italiana, declarada santa, com festa comemorada no mesmo dia de sua morte. Morreu como consequência dos ferimentos infligidos durante uma tentativa de estupro, ao escolher o martírio. Filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini. Era a terceira de seis filhos. Suas irmãs chamavam-se Teresa e Ersilia; seus irmãos eram Angelo, Sandrino e Mariano.

Quando tinha seis anos, sua família tornou-se tão pobre que foram forçados a deixar sua fazenda e trabalhar para outros fazendeiros. Em 1899, mudaram-se para Le Ferriere, próximo a atual Latina e Nettuno, em Lázio, onde viviam em um prédio conhecido como "La Cascina Antica", compartilhada com a família Serenelli, cujo filho Alessandro Serenelli viria a ser seu algoz, três anos depois.

O pai de Maria contraiu malária e morreu quando esta tinha apenas nove anos, em 6 de maio de 1900. Enquanto seus irmãos, mãe e irmãs mais velhas trabalhavam nos campos, Maria cozinhava, limpava a casa e cuidava de sua irmã menor. Era uma vida difícil, mas a família estava sempre próxima, compartilhando um profundo amor por Deus e sua fé.

Em 5 de julho de 1902, Alessandro, então com 20 anos, encontrou a menina de 11 anos costurando, sozinha em casa. Ele entrou e a ameaçou de morte se ela não fizesse o que ele mandava. A intenção do rapaz era estuprá-la, porém, ela não se submeteu, ajoelhou-se, protestando que seria um pecado mortal e avisando Alessandro que poderia ir para o inferno. Ela desesperadamente lutou para evitar o estupro, gritava "Não! É um pecado! Deus não gosta disto!". Alessandro primeiro tentou controlá-la, mas como ela insistia que preferia morrer, ele a apunhalou onze vezes. Ferida, Maria tentou alcançar a porta, mas ele a agarrou e deu mais três punhaladas, antes de fugir.

A irmã menor de Maria acordou com o barulho e começou a chorar. Quando o pai de Alessandro e a sua mãe chegaram, encontraram Maria sangrando. Levaram-na para o hospital em Netuno. Ela foi operada, sem anestesia, mas os ferimentos estavam além da capacidade dos médicos. Durante a cirurgia, Maria recobrou os sentidos e insistiu que preferia ficar acordada. O farmacêutico do hospital respondeu: "Maria, quando estiveres no céu, pense em mim" Ela olhou para o homem e disse: "Mas quem sabe qual de nós chegará primeiro ao céu?" Ele respondeu "Você, Maria". "Então ficarei feliz em pensar em você". No dia seguinte, ela perdoou seu agressor e afirmou que gostaria de encontrá-lo no céu. Morreu vinte horas após o ataque enquanto olhava uma bela pintura da Virgem Maria. Inspirada em suas mestras Santa Cecília e Santa Inês, aceitou o martírio piedosamente.

Alessandro Serenelli foi capturado logo após a morte de Maria. Inicialmente, seria condenado à prisão perpétua, mas como era menor, a sentença foi comutada para 30 anos na prisão. Ele manteve-se isolado do mundo por três anos, sem demonstrar arrependimento. Até o bispo local, Monsenhor Giovanni Blandini visitá-lo na cadeia. Serenelli escreveu uma nota de agradecimento ao bispo, pedindo que o incluísse em suas orações e contando sobre um sonho que tivera, onde a santa lhe alcançava flores, que se queimavam imediatamente em suas mãos.

Após sair da prisão, visitou a mãe de Maria, Assunta, e implorou seu perdão. Ela respondeu que se a filha lhe havia perdoado em seu leito de morte, ela não poderia fazer diferente. No seguinte, ambos foram juntos a Santa Missa, recebendo a Eucaristia lado a lado. Ele foi aceito na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, vivendo em um monastério e trabalhando como recepcionista e jardineiro até morrer tranquilamente em 1970. Referia-se a Maria como "sua pequena santa" e esteve presente na sua canonização.

Em 27 de abril de 1947, o Papa Pio XII celebrou a cerimonia de beatificação na Basílica de São Pedro. Ao final da celebração, o Papa caminhou até Assunta, a mãe de Maria. "Quando eu vi o Papa vindo na minha direção, eu rezei, Nossa Senhora, por favor me ajude. Ele colocou sua mão na minha cabeça e disse, abençoada mãe, feliz mãe, mãe de uma abençoada por Deus. Ambos tinham lágrimas nos olhos.

Três anos após, em 24 de Junho de 1950, o Papa Pio XII canonizou Goretti como santa, a "Santa Agnes do século XX". Assunta estava presente na cerimonia, junto com os quatro irmãos e irmãs ainda vivos. Segundo algumas fontes, ela foi a primeira mãe a estar presente na canonização de seu filho. Mas, talvez, seja a segunda, pois a mãe de São Luiz Gonzaga talvez tenha estado presente na sua canonização. Alessandro Serenelli também estava presente na celebração.

A celebração foi realizada na Praça São Pedro, em frente à Basílica. Uma multidão de 500.000 pessoas assistiu à celebração, na sua maioria jovens, vindos de vários países do mundo. O Papa perguntou a eles: "Jovens, prazer ao olhos de Jesus, vocês estão determiandos a resistir a todos os ataques à castidade com a ajuda da graça de Deus?"A resposta foi um grande "sim".

Os três irmãos contaram que Santa Maria Goretti interveio miraculosamente nas suas vidas. Angelo ouviu sua voz orientando-o a emigrar para a América. Sandrino recebeu uma quantia de dinheiro para pagar sua viagem aos EUA, de maneira inesperada. Faleceu em 1917, ao lado do irmão Angelo. Este, por sua vez, faleceu em 1964, quando retornou para a Itália. O terceiro irmão, Mariano, enquanto lutava na Primeira Grande Guerra, recebeu ordens de abandonar a trincheira e atacar. Neste momento, teve uma visão de Santa Maria Goretti dizendo-lhe para desobedecer e permanecer na trincheira. De todo batalhão, ele foi o único a salvar-se. 

Seu corpo é mantido em uma cripta na Basilica de Santa Maria delle Grazie e Santa Maria Goretti, em Nettuno, ao sul de Roma.

Maria Goretti, humilde camponesa, nasceu em 16 de outubro de 1890 na cidade de Corinaldo, província de Ancona, Itália. Seus pais, Luiz e Assunta, criavam os sete filhos em meio à penúria de uma vida de necessidades, mas dentro dos preceitos ditados por Jesus Cristo.

A menina Maria, por ser a mais velha, cresceu cuidando dos irmãos pequenos em casa, enquanto os pais labutavam no campo. Uma de suas irmãs, mais tarde, tornou-se freira franciscana. As dificuldades financeiras eram tantas que a família migrou de povoado em povoado até fixar-se num povoado inóspito chamado Ferrieri. Nessa localidade, a família passou a residir na mesma propriedade de João Sereneli, ancião de sessenta anos de idade que tinha dois filhos, Gaspar e Alexandre, este com dezoito anos de idade. Assim, todos trabalhavam na lavoura enquanto a jovem Maria cuidava da casa e dos irmãos pequenos. Desse modo, Maria nunca pôde estudar, mas ao lado da família sempre freqüentou a igreja.

Ela só estudou o catecismo para fazer a primeira comunhão, aos doze anos de idade, um ano após a morte de seu pai. Quando isto ocorreu, o senhor João, compadecido, manteve tudo como estava, contando apenas com a viúva para o trabalho na lavoura.

Porém o problema era seu filho Alexandre, que passara a assediar Maria. Apesar da pouca idade, ela era bonita e bem desenvolvida, já atraindo os olhares masculinos. Como recusasse todas as aproximações do rapaz, este se irritou ao extremo. Até que, no dia 5 de julho de 1902, ele perdeu a razão e a tragédia aconteceu. Naquele dia, Alexandre trabalhava ao lado de Assunta quando inventou um pretexto, deixou a lavoura. Foi para o lar dos Goretti portando uma barra de ferro com ponta afiada, sabia que Maria estaria sozinha e indefesa. Primeiro insinuou, depois exigiu, por fim ameaçou a jovem de morte se não satisfizesse seus desejos. Mesmo temendo o pior, Maria resistiu dizendo que aquilo era um pecado mortal. Alexandre, transtornado por não alcançar seu intento, passou a golpear violentamente o corpo da menina. Ela ainda foi levada com vida a um hospital, após ser vitimada com quatorze perfurações.

E teve tempo de perdoar seu agressor, pedindo a sua mãe e seus irmãos que fizessem o mesmo, por amor a Jesus. Maria Goretti morreu no dia seguinte ao ataque, no dia 6 de julho de 1902. Quanto a Alexandre, foi preso, quase linchado e condenado a trabalhos forçados. Porém, depois de vinte e sete anos de prisão, foi solto por bom comportamento. Depois de ir a Corinaldo pedir perdão à mãe de Maria Goretti, ingressou num convento capuchinho, onde viveu sua sincera conversão até morrer.

Muitos milagres passaram a acontecer por intercessão da pequena menina virgem. A fé na sua santidade cresceu e espalhou-se de tal forma no mundo cristão que, em 1950, ela foi canonizada. Na solenidade, estava presente a sua mãe Assunta, então com oitenta e quatro anos, ao lado de quatro de seus filhos e Alexandre Sereneli, o agressor sinceramente convertido.

O papa Pio XII declarou santa Maria Goretti padroeira das virgens cristãs.

Até hoje continuam as romarias ao Santuário de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno, onde se encontra a sepultura da santa, há dez quilômetros do povoado onde tudo aconteceu.

São comemorados, também, neste dia: Bem-aventurada Maria Teresa Ledochowska, Santa Domingas de Campânia (virgem emártir), Santa Edana de Polesworth (virgem), São Goar de Aquitânia (presbítero), Santa Godeva de Bhistelles (mártir), Santo Isaias (profeta do Antigo Testamento).

terça-feira, 5 de julho de 2022

 

MARIA, CONSOLO DAS MÃES ATRIBULADAS

 

É muito comum ouvirmos mães reclamarem que seus filhos adolescentes em lhe trazendo desgostos, apreensão, contra tempos e muitas tristezas. Dizem que seus filhos estão envolvidos com pessoas perigosas, participam de brigas, e muitas mães desconfiam que seus filhos adolescentes estejam fazendo uso de drogas.

E essas mães, nesses desabafos, nessa angústia, perguntam o que poderia ser feito numa situação como essa. Esse é um problema muito comum nas nossas famílias, hoje em dia.

Jovens desajustados, carentes de compreensão, de afeto, do diálogo familiar e, por isso, partem para novas aventuras, procurando fora o que não encontram dentro de suas casas, com os pais, com  os irmãos.

Um jovem que em casa não encontra a compreensão dos pais para ajudá-lo a superar e solucionar os seus problemas, que para ele não são poucos, não tem o afeto e o apoio da família quando enfrentam contra tempos, não tem diálogo em casa para, numa conversa franca e leal expor os seus problemas, as suas dúvidas, os seus receios, as suas amarguras, as suas desilusões, esse jovem logicamente tem necessidade de alguém que lhe dê atenção, que lhe ouça, de alguém que o compreende, de alguém que o apoie, e quando não encontra isso dentro de sua própria casa, com sua família, com seus pais, ele procura fora de casa, longe da família, pessoa ou pessoas que perdem um tempinho para ouvi-lo.

Mas, infelizmente, essas pessoas geralmente não são bem intencionadas, não são as mais recomendadas para servirem de conselheira para esse jovem necessitado. São pessoas que, a princípio, ouve o jovem com carinho e atenção, mas depois pervertem a sua personalidade, os seus costumes, e o introduz numa vida diferente e perigosa.

Mas, mesmo assim o jovem se sente bem, porque está encontrando naquela pessoa, ou naquele grupo de pessoas o que a família não lhe dá, o que ele não encontra no seio de sua família, o que os pais lhe negam: o diálogo, a atenção, a compreensão.

Na maioria das vezes a família dá tudo para o jovem: dá comida, dá roupas, dá clubes, dá piscina, dá motos, mas não dá o essencial, não dá aquilo que o jovem na sua idade, necessita: não lhe dá amor, atenção, diálogo. 

Os pais, muitas vezes, dão tudo para o jovem mais para se ver livre dele, para que ele não perturbe, e para que ele viva a sua própria vida, e, a partir daí  vemos tantos jovens em suas motos pondo em risco a sua vida e a vida dos outros, fazendo rachas nas avenidas, e, de vem em quando, tristemente, o rádio, o jornal noticiam a morte de um ou outro que, no desespero, procuram encontrar na velocidade e no ronco de sua moto o amor, o carinho, o afeto que seus pais não lhe dão. Essas mães que reclamam de seus filhos e que põe em evidência os defeitos e o mau caminho escolhido por seu filho,  talvez ainda não teve tempo de sentar e procurar ver qual foi sua parcela de culpa no desencaminhamento de seu filho.

Os pais geralmente criticam as atitudes de seus filhos, briga, gritam, e, muitas vezes até agridem o jovem, mas não tem a coragem de entrar dentro de si próprios para ver até onde a culpa é sua. Todos temos culpas no desencaminhamento de um jovem, de uma jovem.

E, geralmente, a culpa está dentro do próprio lar do jovem, que, no momento em  que eles mais precisam de amor, de afeto, de compreensão, de carinho e de diálogo, os pais lhe negam isso porque, dizem, tem coisas mais importantes para fazer.

É o momento de nós, pais, pararmos um pouquinho para verificar como está o nosso relacionamento com nossos filhos dentro de nossas casas.            E se tiver alguma coisa que está deixando os nossos filhos jovens e adolescentes com algum grilo, como eles mesmo dizem, é o momento do diálogo, da atenção, da conversa franca e sincera.

Nunca podemos nos esquecer que  nós pais já tivemos a idade que os nossos filhos tem hoje, e por isso nós temos e devemos ter condições de nos abaixarmos até eles, mas eles nunca tiveram a idade que temos agora, e eles jamais poderão estar na altura e compreensão que gostaríamos que eles estivessem.

Pai, mãe, querem evitar que seus filhos tenham grilos? Conversem  constantemente com eles; conversem muito com eles, e o que é o mais importante: procure ouvir mais do que falar...

segunda-feira, 4 de julho de 2022

 

SANTA ISABEL DE PORTUGAL

 

Isabel nasceu na Espanha, em 1271. Entre seus antepassados estão muitos santos, reis e imperadores. Era filha de Pedro II, rei de Aragão, que, no entanto, era um jovem príncipe quando ela nasceu. Sem querer ocupar-se com a educação da filha, o monarca determinou que fosse cuidada pelo avô, Tiago I, que se convertera ao cristianismo e levava uma vida voltada para a fé. Sorte da pequena futura rainha, que recebeu, então, uma formação perfeita e digna no seguimento de Cristo.

Tinha apenas doze anos quando foi pedida em casamento por três príncipes, como nos contos de fadas. Seu pai escolheu o herdeiro do trono de Portugal, dom Dinis. Esse casamento significou para Isabel uma coroa de rainha e uma cruz de martírio, que carregou com humildade e galhardia nos anos seguintes de sua vida. Isabel é tida como uma das rainhas mais belas das cortes espanhola e portuguesa; além disso, possuía uma forte e doce personalidade, era também muito inteligente, culta e diplomata.

Ela deu dois filhos ao rei: Constância, que seria no futuro rainha de Castela, e Afonso, herdeiro do trono de Portugal. Mas eram incontáveis as aventuras extraconjugais do rei, tão conhecidas e comentadas que humilhavam profundamente a bondosa rainha perante o mundo inteiro.

Ela nunca se manifestava sobre a situação, de nada reclamava e a tudo perdoava, mantendo-se fiel ao casamento em Deus, que fizera. Criou os filhos, inclusive os do rei fora do casamento, dentro dos sinceros preceitos cristãos. Perdeu cedo a filha e o genro, criando ela mesma o neto, também um futuro monarca. Não bastassem essas amarguras familiares, foi vítima das desavenças políticas do marido com parentes, e sobretudo do comportamento de seu filho Afonso, que tinha uma personalidade combativa. Depois, ainda foi caluniada por um cortesão que dela não conseguiu se aproximar.

A rainha muito sofreu e muito lutou até provar inocência de forma incontestável. Sua atuação nas disputas internas das cortes de Portugal e Espanha, nos idos dos séculos XIII e XIV, está contida na história dessas cortes como a única voz a pregar a concórdia e conseguir a pacificação entre tantos egos desejosos de poder. Ao mesmo tempo que ocupava o seu tempo ajudando a amenizar as desgraças do povo pobre e as dores dos enfermos abandonados, com a caridade da sua esmola e sua piedade cristã. Ergueu o Mosteiro de Santa Clara de Coimbra para as jovens piedosas da corte, O mosteiro cisterciense de Almoste e o santuário do Espírito Santo em Alenquer. Também fundou, em Santarém, o Hospital dos Inocentes, para crianças cujas mães, por algum motivo, desejavam abandonar.

Com suas posses sustentava asilos e creches, hospitais para velhos e doentes, tratando pessoalmente dos leprosos. Sem dúvida foi um perfeito símbolo de paz, do seu tempo. Quando o marido morreu, em 1335, Isabel recolheu-se no mosteiro das clarissas de Coimbra, onde ingressou na Ordem Terceira Franciscana.

Antes, porém, abdicou de seu título de nobreza, indo depositar a coroa real no altar de São Tiago de Compostela. Doou toda a sua imensa fortuna pessoal para as suas obras de caridade.

Viveu o resto da vida em pobreza voluntária, na oração, piedade e mortificação, atendendo os pobres e doentes, marginalizados. A rainha Isabel de Portugal morreu, em Estremoz, no dia 4 de julho de 1336. Venerada como santa, foi sepultada no Mosteiro de Coimbra e canonizada pelo papa Urbano VIII em 1665. Santa Isabel de Portugal foi declarada padroeira deste país, sendo invocada pelos portugueses como "a rainha santa da concórdia e da paz".

São comemorados também neste dia: Santo André de Creta ou de Jerusalém (bispo), Santo Ageu (profeta bíblico do Antigo Testamento), Santo Alberto Quadrelli (bispo), Santo Oséias.

domingo, 3 de julho de 2022

 

SÃO TOMÉ – O APÓSTOLO QUE QUER VER PARA CRER

 

Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, que quer dizer “Gêmeo” quando da manifestação de Jesus para os apóstolos, não estava com eles. Disseram-lhe os outros discípulos: “Vimos o Senhor”. Tomé, que no seguimento a Jesus, havia vivido tantos contratempos e acontecimentos que não entendera, já não era o mesmo Tomé crente, mas um Tomé receoso, cuidadoso, atento a todos os pormenores com a sua crítica exigente que tinha direito a resposta razoavel para todas as afirmativas que colocassem em dúvida a sua credibilidade.

Deixara de ser um homem pronto a crer e aceitar, e passou a se preocupar em não ser vítima da sua auto-ilusão, mas aquele que se recusava a crer até no que via.

Tomé aceitara o convite de Jesus  para seguí-lo, e tinha se proposto até ir com ele para Betânia e, se fosse necessário, morrer com Jesus; Tomé queria saber para onde Jesus dizia que iria para ele pudesse ir junto, não importando para onde fosse.

Mas tudo havia se tornado uma ilusão: o Mestre havia morrido, o sonho acabara. E agora vem os discípulos e lhe dizem: “Vimos o Senhor” exatamente no dia e hora em que Tomé estava ausente. Estariam os discípulos de Jesus querendo brincar com coisa tão importante e séria? Tomé já havia acreditado demais. Não queria sofrer uma nova desilusão.

Ao ouvir: “Vimos o Senhor”, Tomé responde prontamente e com convicção: “Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma acreditarei.” (Jo 20,25). Como pode ser interpretada esta atitude de Tomé? Indiferença? Descrença? Honestamente, qual teria sido a sua atitude numa situação dessa? Você acreditaria prontamente no que diziam, ou deixaria transparecer a sua dúvida, a sua incredulidade, a sua indiferença, a sua descrença? Indiferença não.

Talvez, o medo de se encontrar com Jesus depois de tudo que se passara. Tomé, que havia se declarado pronto a morrer pelo Mestre, que havia encorajado os outros apóstolos a seguí-lo, afinal, também, como os demais, havia fugido na hora de perigo em que o Mestre fora preso, julgado, condenado e crucificado.

Talvez o medo de sofrer uma nova desilusão. A convivência com Jesus havia levado Tomé a um mundo que não era o seu, e nesse momento, afastado do seu Mestre, voltara à sua antiga natureza materialista.

Assaltado pela tristeza, pela dúvida e pela desilusão, recusava-se a crer mesmo naquilo que visse, até que pudesse agarrar com as suas mãos e fazer como os cegos que por vezes se enganam menos que os que tem visão.

E acontece que, “oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa e Tomé estava com eles. Estando as portas fechadas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: ‘A paz esteja com vocês’.” (Jo 20,26). E acontece que Tomé estava presente. A voz calma de Jesus soa no ambiente com toda a nitidez: “A paz esteja com vocês”.

Era a mesma voz que Tomé tão bem conhecia e que durante três anos lhe falara da ressurreição que ele, agora, colocava obstáculo e se recusava em aceitar.

O Mestre voltara com a sua saudação tão conhecida.“A paz esteja com vocês”.

Era o mesmo Mestre; era o Mestre mesmo...

Era a mesma saudação de paz que Jesus dirigia nesse momento àqueles que dias antes o haviam abandonado e fugido, que haviam quebrado as suas promessas de morrer pela fé, que haviam voltado para os seus afazeres, os seus lares.

O Mestre não dirige a Tomé uma única palavra de censura, como também não faria a cada um de nós. Em vez disso, o Mestre voltara com a sua calma costumeira e serenidade para lhes dar a sua paz. Essa paz que excede todo o nosso entendimento.

O Mestre está mais pronto a conceder o seu perdão do que nós a recebê-lo. Jesus aproxima-se, olha para cada um dos apóstolos e fixa o seu olhar em Tomé. Desta vez Jesus viera propositadamente para Tomé.

Era o Bom Pastor que vinha buscar a ovelha perdida, o Mestre que vinha em auxílio do seu discípulo querido. Jesus dirige-se para Tomé e coloca-se na sua frente, e lhe diz: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não seja incrédulo mas fiel.” (Jo 20,27). Numa crise de fé, Tomé tem de decidir e agir. Ele sente uma nova, verdadeira e poderosa fé nascer no seu coração.

Aquele Mestre que ele tanto amara, aquele por quem estivera pronto a dar a sua vida, aquele em quem crera como homem, como Mestre, como amigo, aquele em quem crera sem esperança, estava na sua frente.

Cristo voltara de além-túmulo para lhe dizer que era mais do que um Mestre, mais do que um amigo, mais do que um profeta.

Cristo voltara para lhe lembrar as suas palavras: Não fique perturbado o coração de vocês; acreditem em Deus, acreditem também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu teria dito a vocês; vou prepara lugar para vocês. E, se eu for e preparar lugar para vocês, virei outra vez, e tomarei vocês para mim mesmo, para que onde eu estiver estejam vocês também. E para onde eu vou vocês conhecem o caminho.” (Jo 14,1-4).

Tomé, movido pela poderosa fé que sentia no seu coração, disse o que até aí não tinha descoberto: “Meu Senhor e meu Deus”. (Jo 20,28).

Tomé tornou-se o primeiro dos apóstolos a se dirigir a Jesus nestes termos, chamando-o de “Meu Deus”. Ninguém até aquele momento, nem mesmo Pedro, nem mesmo João, haviam pronunciado a palavra “Deus” dirigindo-se a Jesus.

Tomé não se limita a ter uma nova opinião sobre a ressurreição de Jesus.

Ele toma uma decisão. “Meu Senhor”. Ele se arrepende e entrega-se incondicionalmente a Jesus aceitando-o como seu Salvador. “Meu Deus”. Já não era a mesma fé sem esperança, movida pela lealdade a um amigo.

Daí em diante, Tomé punha Jesus Cristo em igualdade com Deus Pai, acredita em Jesus Cristo como o Filho único de Deus. Por vezes uma fé forte cresce vagarosamente.

Após três anos de estudos e experiências, alegrias e desilusões, Tomé atingira a verdadeira maturidade da fé em Jesus Cristo como Deus onipotente. Tomé, o chamado de obstinado, descrente no testemunho até aí dado pelos apóstolos, passara a ser o mais convicto de todos, avançando logo do fato da ressurreição para o adorar como Senhor e como Deus. 

Quando da primeira vez Tomé se decidira a seguir a Cristo para morrer por ele, arrastara os outros apóstolos após si. Com esta nova experiência de Tomé e com a sua declaração de fé, a quantos crentes, através dos tempos, tem Tomé trazido aos caminhos do Senhor?

Podemos dizer que, Tomé duvidou para que nós pudéssemos crer. Quantos de nós queremos ver para crer. E Jesus admoesta a Tomé e a cada um de nós: “Você acreditou porque me viu? Bem-aventurados os que acreditaram sem terem visto.” (Jo 20, 29).

São lembrados também, neste dia: São Leão II (papa), Santo Anatólio, Santos Irineu e Mustíola (mártires), São Jacinto da Capadócia (mártir), Santos Júlio, Aarão e companheiros (mártires).

sexta-feira, 1 de julho de 2022

 

IRMÃ DULCE - UMA SANTA NASCIDA NA BAHIA

 

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, que na vida religiosa adotou o nome de  Irmã Dulce, assumindo o nome de sua mãe, nasceu em 26 de maio de 1914, segunda filha de Dona Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes e de Augusto Lopes Pontes, dentista e professor da Universidade Federal da Bahia, que nos anos 1920 saía pela cidade atendendo famílias sem condições de pagar um tratamento dentário.

O avô paterno, Manuel Lopes Pontes, nasceu em Santo Amaro em 1845. Político, advogado, professor  e militar, fundou o Colégio Santo Antônio na rua direita de Santo Antônio além do Carmo e foi um dos idealizadores do "Monumento aos Heróis do 2 de julho" sendo o tesoureiro da obra, 1895. Ele também comandou o 5º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, em 1897, no governo Luiz Viana, época da Guerra de Canudos.

 

Em 1949 a irmã Dulce começou seu trabalho emm favor de moradores de rua. Começou com setenta doentes moradores de rua.

Irmá Dulce era magrinha, frágil e sem recursos. Irmã Dulce tinha 35 anos e nenhum local para abrigá-los. Dez anos antes ela já havia invadido cinco casas na Ilha do Rato, em Água de Meninos, Salvador, para onde levara doentes recolhidos nas ruas. Foi expulsa e peregrinou com seus enfermos por vários locais da cidade.

Até que conseguiu autorização da madre superiora do Convento Santo Antonio para usar uma construção ao lado: um galinheiro.

Sessenta e sete anos depois aquele galinheiro se transformou no Hospital Santo Antonio, na Avenida Dendezeiros do Bonfim, 161, em Salvador, com uma média de 16,5 mil internações e dez mil cirurgias anuais, trezentos e setenta e três leitos, um Centro de Tratamento Intensivo e atendimento em dezessete especialidades, divididas entre as enfermarias de clínicas Médica, de Longa Permanência (crônicos) e Cirúrgica.

E Maria Rita, a Irmã Dulce - Beata Dulce dos Pobres, a Bem-Aventurada Dulce dos Pobres - foi considerada santa pelo Vaticano: a primeira nascida no Brasil.

As galinhas criadas pela madre superiora? Viraram canja para os doentes.

 

13 de março de 1992. 16h45.

O coração de Irmã Dulce parou de bater.

Ela tinha 77 anos e há 2 mal conseguia respirar. 70% de seus pulmões estavam comprometidos. Um ano antes, no dia 20 de outubro de 1991, recebera a bênção e extrema-unção, das mãos do papa João Paulo II.

Irmã Dulce tinha bronquiectasia, doença degenerativa que danifica as vias aéreas dos pulmões, causa tosse crônica e acúmulo de muco nos brônquios pulmonares.

Ela dormia no máximo 4 horas por dia, em uma cadeira de madeira maciça, o que fez por 30 anos - para pagar uma promessa que fizera pela recuperação de sua irmã, Dulcinha, que, em 1955, deu à luz a Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, sobrinha e atual superintendente das obras sociais. Dulcinha teve uma gravidez de alto risco e poderia morrer.  Irmã Dulce cumpriu a promessa até 1985, quando passou a dormir em uma cama após muita insistência dos médicos.

Seus últimos 16 meses foram de sofrimento, "meses de agonia, meses de Calvário", nas palavras de Dom Murilo Krieger, arcebispo de São Salvador da Bahia, primaz do Brasil.

O corpo de Irmã Dulce foi sepultado na Capela das Relíquias, na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Salvador e, 8 anos depois, os restos mortais acabaram transferidos para a Capela do Convento Santo Antônio, sede das Obras Sociais Irmã Dulce, onde ficaram até 2011. A partir de então encontram-se no Santuário erguido no local.

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu em 26 de maio de 1914, segunda filha de Dona Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes e de Augusto Lopes Pontes, dentista e professor da Universidade Federal da Bahia, que nos anos 1920 saía pela cidade atendendo famílias sem condições de pagar um tratamento dentário.

O avô paterno, Manuel Lopes Pontes, nasceu em Santo Amaro em 1845. Político, advogado, professor  e militar, fundou o Colégio Santo Antônio na rua direita de Santo Antônio além do Carmo e foi um dos idealizadores do "Monumento aos Heróis do 2 de julho" sendo o tesoureiro da obra, em 1895. Ele também comandou o 5º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, em 1897, no governo Luiz Viana, época da Guerra de Canudos.

 

Ladeira da Independência, 61, no bairro de Nazaré.

Era ali que morava a menina Maria Rita.

Foi naquela casa que decidiu se dedicar à vida religiosa, quando tinha apenas 13 anos, depois de visitar áreas carentes de Salvador, acompanhada por um tia. Mas era jovem demais e por esse motivo acabou recusada pelo Convento de Santa Clara do Desterro.

As imagens de fome e pobreza presenciadas por ela nunca foram esquecidas. E na casa de número 61 a menina de 13 anos começou a receber pessoas necessitadas, com o apoio da irmã Dulcinha. Logo eram tantos mendigos, moradores de rua e abandonados que a casa da Ladeira da Independência ficou conhecida como "a portaria de São Francisco".

Mas 6 anos antes ela já pedia farinha à mãe, para entregar aos garotos pobres de Água de Meninos.

Dulce Maria, mãe de Irmã Dulce, morreu aos 26 anos de idade. A menina Maria Dulce tinha 7 anos. Um ano depois fez a Primeira Comunhão, na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, junto com os irmãos Augusto e Dulcinha.

O amor e seus sonhos são a única porta para a eternidade.


-- Irmã Dulce --

Maria Rita teve que esperar até 8 de fevereiro de 1933, dois meses após receber o diploma de professora pela Escola Normal da Bahia, para ser aceita no Convento de São Francisco, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe, pela Congregação da Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, primeira casa de formação desta congregação no Nordeste.

Ficava para trás a garotinha que brincava de guerra de mamona com os irmãos, empinava pipa, andava de bonde e fazia bordados. A menina que brincava na rua, sabia tocar acordeon e adorava futebol, a torcedora do Esporte Clube Ypiranga - time formado por operários -, que ia a todas partidas do clube do coração, com o pai e os irmãos, e vibrava a cada gol marcado (um tio seu dizia que ela nascera "no corpo errado”, tamanha era a sua paixão pelo esporte).

Mas continuava com ela a boneca Celica, que ganhara aos 4 anos, e que nas tardes de domingo emprestava às noviças do convento em São Cristõvão, cidade histórica a 22 quilômetros de Aracaju.

"Ela comia pouco, como um passarinho, em um pires", contava a Irmã Maria das Neves. "E só após se certificar que as outras irmãs estavam se alimentando corretamente."

13 de agosto de 1933.  Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes recebia o hábito e passava a usar o nome de Irmã Dulce, uma homenagem à mãe.

 

Anjo dos Alagados

15 de agosto de 1934. Irmã Dulce volta a Salvador, em companhia das Irmãs Tabita e Capertana, para trabalhar na abertura do Hospital Espanhol, no bairro da Barra, desempenhando funções de enfermeira, sacristã, porteira e responsável pelo raio X. Ela também recebeu a tarefa de ser professora de Geografia e História no Colégio Santa Bernadete, no Largo da Madragoa, na Cidade Baixa.

Em 1935,  surgia em Salvador a comunidade de Alagados, conjunto de palafitas na parte interna da Península de Itapagipe, sobre a Enseada dos Cabritos. A comunidade era formada por operários que trabalhavam nas antigas fábricas espalhadas pela península.

As casas, barracos de madeira construídos sobre estacas fincadas em mangues e ligadas por pequenas passarelas de tábuas "pairavam" sobre um mar de fezes e garrafas de plástico; os moradores conviviam com o cheiro forte de esgoto e as doenças surgidas da falta de saneamento básico.

A área chegou a ter 3,5 mil palafitas e cerca de 100 mil habitantes, só começando a ser erradicada na década de 80.

No mesmo ano Irmã Dulce criou um posto médico juntamente com o Dr. Bernadino Nogueira para atender operários da comunidade. A imprensa da época começava a chamá-la de “Anjo dos Alagados”.

"Ela limpava feridas, dava cobertor aos que tinham frio, dava medicamentos, cortava os cabelos destas pessoas, alimentava os que tinham fome e se aproximava daqueles em que ninguém ousava tocar", lembra Osvaldo Gouveia, assessor de Memória e Cultura das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid).  O ex-professor de Museologia  da Universidade Federal da Bahia (UFBa) chegou às obras em 30 de maio de 1993, para ficar 3 meses como auxiliar na fundação do memorial dedicado a contar a vida de Irmã Dulce. O que era para durar um trimestre perdura por 26 anos.

Gouveia é conhecido como ‘a bíblia humana da trajetória de Irmã Dulce’, tamanha a sua dedicação e conhecimento sobre a vida da  freira.


Uma cusparada

Irmã Dulce evitava envolvimento com política. “Ela sempre afirmou que o partido dela eram os pobres, era a pobreza. Nunca vi a imagem de Irmã Dulce em um santinho de um político e olhe que diversos deles vieram atrás dela para garantir votos; queriam ter a figura dela veiculada a eles e ela sempre foi muito categórica quanto a isso, sempre dizia não", diz Osvaldo Gouveia.

A freira baiana era insistente ao pedir dinheiro para a organização. Uma vez, recebeu uma cusparada de um feirante na Feira de São Joaquim, na mão que estendera.

“Ela não aceitava um não como resposta, porque sabia que a negativa não era para ela, mas para os pobres, para os miseráveis", explica o assessor de Memória e Cultura da Osid.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

 

OS DONS DO ESPÍRITO SANTO - SIGNIFICADO

 

Qual é a diferença entre sabedoria, entendimento e ciência? E por que o “temor de Deus” é diferente do medo?

 

FORTALEZA

Com o dom da fortaleza, Deus nos dá a coragem necessária para enfrentarmos as circunstâncias desafiadoras da vida e a firmeza de caráter para suportarmos as perseguições e tribulações decorrentes do nosso testemunho cristão, rejeitado e combatido pelo mundo. Foi graças ao dom da fortaleza que os santos recusaram as falsas promessas e enfrentaram as ameaças da mundanidade, muitos com o sacrifício da própria vida.

 

SABEDORIA

O dom da sabedoria nos leva a distinguir entre o que é essencial e o que não é; entre o que realmente importa e o que é meramente secundário. Ser sábio é saber escolher e apreciar o bem em meio às muitas alternativas sedutoras que se colocam diante do nosso livre arbítrio, confundindo o nosso julgamento com aparências que precisam ser desmascaradas. A sabedoria não necessariamente envolve inteligência, cultura e entendimento: é outro tipo de conhecimento; é a capacidade singela de enxergar ou intuir o bom, o belo e o verdadeiro a partir da referência do Absoluto, não do relativo. É o dom de “saber viver” em Deus, na bondade, na verdade e na beleza, ainda que não se entendam muitas coisas no sentido intelectual do termo “entender” – aliás, o entendimento é outro dom divino, que veremos em seguida.

 

ENTENDIMENTO

Este dom torna a nossa inteligência capaz de compreender e assimilar os conteúdos das verdades reveladas, auxiliando-se também da ciência, que ilumina a razão a fim de conhecermos melhor a criação e chegarmos assim ao Criador. Pode parecer um tanto confuso, à primeira vista, distinguir entre a sabedoria, o entendimento e a ciência. De fato, são dons complementares entre si, mas há distinção entre eles. Expliquemos dando um exemplo: há pessoas simples que, mesmo sem entenderem o vasto significado da liturgia, dos dogmas e das orações, sabem apreciar o sabor das coisas de Deus e dão testemunho de intensa devoção e piedade, sendo capazes de inspirar e ajudar os outros a viverem uma vida espiritual mais profunda, ainda que esses outros tenham maiores talentos intelectuais. Essas pessoas simples possuem o dom da sabedoria, mas lhes falta o entendimento – que é o dom de compreender o sentido das coisas de Deus. Com o dom do entendimento, o cristão contempla com mais lucidez e consciência o mistério da Santíssima Trindade, o amor de Cristo pela humanidade, o significado da Sagrada Eucaristia, dos sacramentos, dos ritos litúrgicos, da moral católica etc. E onde é que entra o dom da ciência? A ciência nos ajuda nessa compreensão fornecendo-nos um tesouro crescente de informações sobre a criação como precisamente isso: criação, obra do Criador.

 

CIÊNCIA

É o dom divino que aperfeiçoa as nossas faculdades intelectivas e nos ajuda a compreender a realidade como obra do Criador, iluminados, simultânea e harmoniosamente, pela fé e pela razão – “as duas asas que elevam o espírito humano à contemplação da Verdade”, conforme a bela descrição apresentada pela encíclica “Fides et Ratio”, do Papa São João Paulo II. O dom da ciência, portanto, nos abre à contemplação do Criador mediante o conhecimento da criação. É importante observar que se trata do dom da ciência de Deus, não da ciência das coisas do mundo; ele envolve o reconhecimento da criação como meio para a contemplação de Deus. Graças ao dom da ciência, os santos, por exemplo, souberam ver Deus atrás das criaturas como que através de um espelho. São Francisco de Assis compôs o “cântico das criaturas” ao Senhor porque todos os seres criados, desde as flores até as aves, desde a água até o fogo e o sol, lhe eram ocasião para contemplar e amar a Deus, Criador de tudo o que há. O dom da verdadeira ciência nos leva, mediante o reto conhecimento e reconhecimento das criaturas como criaturas, a vislumbrar o Criador. Entre as criaturas não se incluem apenas os demais seres tangíveis, mas também as próprias ações e comportamentos humanos, que fazem parte do mundo criado: o dom da ciência, portanto, nos ajuda ainda a saber como agir – e, neste sentido, evoca o dom do conselho.

 

CONSELHO

É o dom que permite à alma o reto discernimento sobre como responder às circunstâncias da existência, tanto no tocante às próprias decisões quanto na hora de orientar os irmãos a trilharem o caminho do bem.

 

PIEDADE

É a graça de Deus na alma que proporciona o relacionamento filial e profundo com Deus, mediante a oração e as práticas piedosas ensinadas pela Igreja. É o dom da devoção, do fervor, da experiência de viver em comunhão permanente com Deus.

 

TEMOR DE DEUS

O nome deste dom pode causar estranheza e confusão, pois muitos o entendem em sentido negativo, como se devêssemos ter medo de Deus. Na verdade, trata-se do dom divino que nos leva a “temer” por Deus no sentido de não querer que Ele seja desprezado e deixado de lado, nem pelos outros, nem por nós mesmos. É o santo temor de que Deus seja ofendido; ao mesmo tempo, é o sadio temor das consequências do afastamento de Deus – consequências que não consistem num castigo imposto por Deus, mas sim na decorrência natural da nossa própria possibilidade de optar por viver longe d’Ele: Deus respeita a nossa liberdade a tal ponto que não nos impede de odiá-lo se assim escolhermos; por isso mesmo, Ele tampouco impede as consequências desse ódio voluntário, que se resumem no afastamento eterno de Deus decretado por nós próprios com a nossa liberdade e arbítrio. O dom do santo temor de Deus nos ajuda, assim, a evitar tudo o que nos afasta d’Ele – ou seja, o pecado; e não por medo de castigo, mas pela justa consciência de que, ao nos afastarmos d’Ele, nós próprios O perdemos voluntariamente.

quarta-feira, 29 de junho de 2022

 

SÃO PEDRO E SÃO PAULO - MARTÍRIO

 

A solenidade de são Pedro e de são Paulo é uma das mais antigas da Igreja, sendo anterior até mesmo à comemoração do Natal. Já no século IV havia a tradição de, neste dia, celebrar três missas: a primeira na basílica de São Pedro, no Vaticano; a segunda na basílica de São Paulo Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos apóstolos ficaram escondidas para fugir da profanação nos tempos difíceis.

E mais: depois da Virgem Santíssima e de são João Batista, Pedro e Paulo são os santos que têm mais datas comemorativas no ano litúrgico.

Além do tradicional 29 de junho, há: 25 de janeiro, quando celebramos a conversão de São Paulo; 22 de fevereiro, quando temos a festa da cátedra de São Pedro; e 18 de novembro, reservado à dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo.

Antigamente, julgava-se que o martírio dos dois apóstolos tinha ocorrido no mesmo dia e ano e que seria a data que hoje comemoramos.

Porém o martírio de ambos deve ter ocorrido em ocasiões diferentes, com são Pedro, crucificado de cabeça para baixo, na colina Vaticana e são Paulo, decapitado, nas chamadas Três Fontes. Mas não há certeza quanto ao dia, nem quanto ao ano desses martírios.

A morte de Pedro poderia ter ocorrido em 64, ano em que milhares de cristãos foram sacrificados após o incêndio de Roma, enquanto a de Paulo, no ano 67.

Mas com certeza o martírio deles aconteceu em Roma, durante a perseguição de Nero. Há outras raízes ainda envolvendo a data.

A festa seria a cristianização de um culto pagão a Remo e Rômulo, os mitológicos fundadores pagãos de Roma. São Pedro e são Paulo não fundaram a cidade, mas são considerados os "Pais de Roma". Embora não tenham sido os primeiros a pregar na capital do império, com seu sangue "fundaram" a Roma cristã.

Os dois são considerados os pilares que sustentam a Igreja tanto por sua fé e pregação como pelo ardor e zelo missionários, sendo glorificados com a coroa do martírio, no final, como testemunhas do Mestre.

São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro papa da Igreja. A ele Jesus disse: "Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja". São Pedro é o pastor do rebanho santo, é na sua pessoa e nos seus sucessores que temos o sinal visível da unidade e da comunhão na fé e na caridade.

São Paulo, que foi arrebatado para o colégio apostólico de Jesus Cristo na estrada de Damasco, como o instrumento eleito para levar o seu nome diante dos povos, é o maior missionário de todos os tempos, o advogado dos pagãos, o "Apóstolo dos Gentios". São Pedro e são Paulo, juntos, fizeram ressoar a mensagem do Evangelho no mundo inteiro e o farão para todo o sempre, porque assim quer o Mestre.