domingo, 18 de outubro de 2020

 

“DAÍ A CESAR O QUE É DE CESAR E A DEUS O QUE É DE DEUS.” (Mt 22,21).

 

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ano – A; Cor – Verde; Leituras: Is 45,1.4-6; Sl 95 (96); 1Ts 1,1-5; Mt 22,15-21.

 

Diácono Milton Restivo

 

O profeta Isaias, na primeira leitura, fala de um rei estrangeiro e pagão, isto é, que não era judeu nem de nacionalidade e nem de religião. Para agravar a situação, era o rei dominador do povo judeu e o mais poderoso de sua época: Ciro II, mais conhecido como Ciro, o Grande.

Ciro, o Grande, ganhou essa alcunha muito por conta de suas conquistas, que foram muitas, já que ele criou um dos maiores impérios que o mundo já viu. Ciro foi rei da Pérsia entre os anos 559 e 530 aC.

No ano de 539 aC Ciro conquistou a Babilônia onde estava cativo o povo judeu. Ciro foi um rei benevolente e, no ano de 537 aC, foi o autor da declaração que autorizava os judeus a regressarem para sua terra de origem, libertando-os do cativeiro e escravidão, conforme narra o livro de Esdras, 1,1-11, onde consta uma versão dos ditos dessa declaração, colocando fim ao exílio babilônico dos judeus, nos seguintes termos: “Ciro, rei da Pérsia,decreta: Yahweh, o Deus do céu, entregou-me todos os reinos do mundo. Ele me encarregou de construir para ele um Templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de vocês provêm do povo dele? Que o seu Deus esteja com ele. Volte para Jerusalém, na terra de Judá, para reconstruir o Templo de Yahweh, o Deus de Israel. Ele é o Deus que reside em Jerusalém.” (Esd 1,2-3).

Isaias, prevendo esse acontecimento, antes que isso se realizasse, enaltece o rei, atribui a Ciro algo que era destinado somente aos reis de Israel e Judá: a unção de Yahweh: e o rei ungido se tornava o pastor do povo de Deus, e Isaias escreve, dizendo: “Assim diz Yahweh a Ciro, o seu ungido...” completando com todas as benesses contidas no livro de Isaias, 45,1-7.

            O Salmo 137 (136) retrata dolorosamente a saudade que os judeus sentiam da terra natal que ficara tão distante, e pedem vingança contra Babilônia pelo mal que lhes fez: “Junto aos rios da Babilônia nos sentamos e choramos, com saudades de Sião. Nos salgueiros de suas margens penduramos nossas harpas. Lá, os que nos exilaram pediam canções, nossos raptores queriam diversão: ‘Cantem para nós uma canção de Sião’. Como cantar um canto de Yahweh em terra estrangeira? Se eu me esquecer de você, Jerusalém, que seque a minha mão direita. Que a minha língua se cole no paladar se eu não me lembrar de você, e se eu não elevar Jerusalém ao topo da minha alegria. [...] Ó devastadora capital da Babilônia, feliz quem lhe devolver o mal que você fez para nós. Feliz quem agarrar e esmagar seus nenês contra o rochedo”. (Sl 137 (136) 1-6.8-9).

Tudo leva a crer que, depois de tantas invasões nos seus territórios, de exílios tão violentos sofridos, da submissão a outros povos por tempo tão longo e da saudade incontrolável e dolorida da terra natal para os judeus, as atitudes benevolentes do rei Ciro davam a eles a sensação de liberdade e autonomia. Por isso, o profeta Isaías até chamou a Ciro de “Ungido/Messias do Senhor, homem conduzido pela mão de Deus”. Isso também demonstra que Yahweh lança mão de reis estrangeiros para trazer benefícios ao seu povo.

O rei Ciro é citado em muitos livros da Bíblia como, por exemplo, em Isaias, Esdras, Daniel e Segundo Livro das Crônicas, e todas as citações enaltecem as atitudes desse rei persa.

A segunda leitura é de Paulo, e é o início da primeira carta aos tessalonicenses. Esta foi a primeira carta escrita por Paulo e isso aconteceu no ano 52 dC, e foi o primeiro escrito cristão do Novo Testamento. Pelo visto Paulo não escreveu essa carta sozinho, porque com ele estavam seus discípulos Silvano e Timóteo: “Paulo, Silvano e Timóteo à igreja dos tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo. A vocês, graça e paz”. (1Ts 1,1).

Os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos foram escritos muitos anos depois das cartas de Paulo, entre os anos 65 a 100 dC. Antes dos Evangelhos eram as cartas de Paulo os únicos escritos cristãos que transitavam e transmitiam a mensagem de Cristo a todas as comunidades cristãs.

Por onde passava Paulo fundava Igrejas e as deixava em formação. Como era um evangelizador irrequieto, Paulo permanecia pouco tempo em cada lugar, e logo partia para outro, geralmente grandes centros, para fundar uma nova Igreja. Paulo não se esquecia das Igrejas fundadas por ele e, mesmo de longe, recebia pedidos de orientação e escrevia cartas para fortalecer as Igrejas criadas por ele, e isso consistia em: responder as consultas que lhe faziam; tomar posição frente aos acontecimentos daquela comunidade; mostrar seus sentimentos pessoais e seu interesse vivo pela comunidade. Por exemplo, na primeira carta aos corintios, Paulo procura responder a consultas de ordem religiosa, moral e ética, e esclarecer conflitos e tensões da comunidade naquele momento histórico.

As cartas de Paulo são escritos ocasionais, destinados a ajudar as comunidades a resolver seus problemas. Nem sempre o que era ditado para uma comunidade, servia para outra.

Paulo recomendava que suas cartas fossem lidas em comunidade e que houvesse troca das cartas entre as comunidades que se identificavam, e preferia que cada cristão, com seu exemplo de fé e vida cristã, fosse uma carta sua: “Nossa carta de recomendação são vocês mesmos, carta escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. De fato, é evidente que vocês são uma carta de Cristo, da qual nós fomos o instrumento.” (2Cor 3,2-3).

            O Evangelho desta liturgia mostra como as autoridades religiosas judaicas não davam tréguas a Jesus. Nos dias atuais poderiam ser chamados de “cri-cri”. O objetivo deles era fazer calar Jesus. Anteriormente tentaram, várias vezes, mas não alcançaram êxito na sua empreitada.

As autoridades religiosas dos judeus tentam novamente: “Então os fariseus se retiraram, e fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra.” (Mt 22,15). E Jesus insiste em dizer que o novo povo de Deus pertence somente a Deus e só Deus pode exigir do homem adoração.

Como os fariseus já estavam escaldados e com as costas quentes e ardendo de tanto Jesus os chamar de “hipócritas”, desta feita eles não se expuseram fisicamente, mas mandaram seus discípulos e alguns herodianos, da laia de Herodes, para que, se Jesus falasse alguma coisa que contradissesse o que eles exigiam do povo e colocasse em cheque a autoridade de Herodes, que era protegido de César, o imperador de Roma, fossem tomadas as medidas necessárias imediatamente contra Jesus: o denunciariam às autoridades romanas para que o prendessem e o julgassem como um agitador.

Desta feita tentam Jesus ao perguntar-lhe sobre o imposto que estavam pagando a César, o imperador de Roma. Era público e notório que as autoridades religiosas dos judeus, os fariseus e saduceus, estavam numa situação cômoda em relação aos romanos que davam a eles permissão para praticar a sua religião e exercitar os seus ritos e desfrutar de suas mordomias, desde que eles não afrontassem a autoridade romana e nem permitissem que o povo assim o fizessem e, por isso, os romanos não tiravam a autoridade religiosa dos fariseus e saduceus em relação ao povo.

Os discípulos dos fariseus e os herodianos, a mando dos fariseus, chegaram até Jesus e lhe perguntaram, usando de uma artimanha própria das pessoas falsas e bajuladoras que extrapolava o senso da honestidade, chegando às raias do ridículo: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e que ensinas de fato o caminho de Deus. Tu não dás preferência a ninguém, porque não levas em conta as aparências. Dize-nos, então, o que pensas: é lícito ou não pagar o imposto a César?” (Mt 22,16b-17). Ao ouvir isso, o sangue de qualquer pessoa decente ferveria e subiria à cabeça, e não foi diferente com Jesus, e a sua paciência com aquela corja chegara ao limite, ao auge do permitido e do aceitável, porque: “Jesus percebeu a maldade deles, e disse: ‘Hipócritas’! Porque vocês me tentam?” Jesus lhes pede que mostrem a moeda do imposto e, ao vê-la, perguntou: “De quem é a figura e inscrição nesta moeda’? Eles responderam: ‘É de César’.” (Mt 22,18-21a).

Chegaram ao cúmulo da impertinência.

Jesus não suportou isso e, tomado pela ira por ver que eles eram cegos que não queriam ver ou que enxergavam, mas se faziam de cegos para as coisas de Deus, os chama novamente de “hipócritas”, talvez, repetindo o que já havia dito aos próprios fariseus por ocasião da cura do cego de nascença: “Se vocês fossem cegos, não teriam nenhum pecado. Mas como vocês dizem: ‘Nós vemos’, o pecado de vocês permanece.” (Jo 9,41).

A cegueira das autoridades religiosas judaicas era a recusa de Jesus como o Emanuel, o Messias, o Cristo, o Filho de Deus, a Palavra que se fez homem e veio habitar entre nós.

Então, os discípulos dos fariseus, acompanhados dos sequazes de Herodes, a mando dos próprios fariseus, perguntaram a Jesus: “Dize-nos, então, o que pensas: é lícito ou não pagar o imposto a César?” Se Jesus dissesse que seria lícito pagar o imposto a César, os fariseus colocariam o povo contra Jesus, dizendo que ele era um traidor do seu povo e incentivava o pagamento de impostos ao povo dominante e opressor do povo judeu.

Se Jesus dissesse que não seria lícito pagar o imposto a Cesar, os sequazes de Herodes o delatariam às autoridades romanas que o prenderiam por agitação popular. “Jesus percebeu a maldade deles, e disse: ‘Hipócritas’! Porque vocês me tentam?”

Jesus lhes pede que mostrem a moeda do imposto que trazia a efígie de César e que simbolizava o poderio e a autoridade romana sobre o povo judeu, a quem o povo dominado deveria prestar obediência e homenagem e, ao vê-la, perguntou: “De quem é a figura e inscrição nesta moeda’? Eles responderam: ‘É de César’. Então Jesus disse: ‘Pois dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” (Mt 22,18-21).

Os judeus, ainda que dominados pelos romanos, podiam ter suas próprias propriedades, exercer suas atividades profissionais e cultuar o seu Deus, isto é, recebiam certos benefícios da dominação romana, mas tinham a obrigação de pagar por isso e devolver a César, em impostos, a liberdade controlada que tinham, quando exigido.

A maneira como Jesus resolveu o dilema foi impressionante. O que Jesus deixou claro é que o que é destinado a Deus não pode ser comparado e nem competir com o que é atribuído a qualquer autoridade humana, seja ela rei, imperador, ditador, presidente ou o que quer que seja. O que é de Deus é de Deus. O homem vive numa sociedade e tem responsabilidades com essa sociedade e deve contribuir com a sociedade que é representada por seus dirigentes, seus governantes, de uma maneira equitativa e justa. Isso é o que é de César. Mas as disposições e exigências de César devem ser respeitadas desde que não contradigam a vontade de Deus. Isso significa que toda pessoa que vive numa civilização organizada com as próprias instituições políticas, sociais, econômicas, deve ser respeitada sua dignidade de pessoa enquanto criada por Deus à sua imagem e semelhança.

O cristão, por ser cristão, não está ausente do mundo nem corta relações com as coisas da terra, mas deve ter como princípio reverenciar e adorar quem fez o mundo e governa todas as coisas, respeitando todos aqueles que são seus representantes no século, como ensinou Paulo: “Submetam-se todos às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram instituídas por Deus. Quem se opõe à autoridade, se opõe à ordem estabelecida por Deus. Aqueles que se opõem, atraem sobre si a condenação. Na verdade, os que governam, não devem ser temidos quando se faz o bem, mas quando se faz o mal. Se você não quer ter medo da autoridade, faça o bem, e ela o elogiará. A autoridade é o instrumento de Deus para o bem de você, mas, se você pratica o mal, tema, pois não é à toa que a autoridade usa a espada: quando castiga, ela está a serviço de Deus, para manifestar a ira dele contra o malfeitor. Por isso, é preciso submeter-se, não só por medo do castigo, mas também por dever de consciência. É também por isso que vocês pagam impostos, pois os que têm esse encargo são funcionários de Deus. Dêem a cada um o que é devido: o imposto e a taxa, a quem vocês devem imposto e taxa; o temor, a quem vocês devem temor; a honra a quem vocês devem honra.” (Rm 13,1-7).

Na carta a Timóteo Paulo incentiva o respeito e recomenda que se reze pelas autoridades: “Antes de tudo, recomendo que façam pedidos, orações, súplicas e ações de graças em favor de todos os homens, pelos reis, e por todos os que têm autoridade, a fim de que levemos uma vida calma e serena, com toda piedade e dignidade. Isso é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador.” (1Tm 2,1-3).

O cristão deve pagar impostos, sim, dar a César o que é de César (cf Mt 22,21): “É também por isso que vocês pagam impostos, pois os que têm esse encargo são funcionários de Deus. Dêem a cada um o que é devido: o imposto e a taxa, a quem vocês devem imposto e taxa; o temor, a quem vocês devem temor; a honra a quem vocês devem honra.” (Rm 13,6-7), porque o cristão deve agir com decoro, honestidade e integridade em todas as áreas de sua vida: “Lembre a eles que devem ser submissos  aos magistrados e autoridades, que devem obedecer e estar prontos para toda boa obra.” (Tt 3,1).

As autoridades civis, militares, médicas, judiciárias e religiosas são a presença de Deus no meio de seu povo, são os vinhateiros que devem cuidar da vinha do Senhor e por isso devem agir com honestidade e respeito, porque o povo de Deus merece respeito.

Mas Jesus também se dirige aos discípulos que ele escolheu para direcionar o povo escolhido no Novo Testamento para seguir o Caminho, a Verdade e a Vida (cf Jo 14,6), os vocacionados para o diaconato, o sacerdócio e a vida religiosa, e deixa claro que esses seus discípulos estão no mundo, mas não pertencem ao mundo: “Se o mundo odiar vocês, saibam que odiou primeiro a mim. Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que é dele. Mas o mundo odiará vocês, porque vocês não são do mundo, pois eu escolhi vocês e os tirei do mundo.” (Jo 15,18-19). Mas para todos os discípulos de Jesus, indiscriminadamente, não pode haver conciliação entre duas cidadanias: a do mundo e a de Deus.

Ao terminar a conversa de Jesus com os discípulos dos fariseus e os herodianos, o evangelista apenas complementa, dizendo: “Ouvindo isso, eles ficaram admirados. Deixaram Jesus e foram embora.” (Mt 22,22).

Mais isso não quer dizer que eles desistiram de tentar Jesus...

sábado, 17 de outubro de 2020

 

A HUMILDADE DE MARIA RETRATADA EM NOSSA SENHORA APARECIDA

 

A história do Brasil parece um imenso andor de Nossa Senhora, andor esse carregado pelo povo simples, humilde e pobre através dos tempos.

Só que o povo não aparece, o povo pobre não faz propaganda de si próprio e nem carrega placas com o seu nome no peito ou estende faixas nas ruas contando as suas vantagens, como fazem os  demagogos e corruptos políticos.

O povo pobre, simples e humilde faz questão é de ficar escondido atrás do nome de Maria.

O que deve aparecer realmente para o povo pobre e humilde é o nome e a imagem de Nossa Senhora, a nossa Maria,  que é aclamada e invocada por milhares e milhões de vozes que cantam e rezam sem parar a Ave Maria... Carregando o andor de Nossa Senhora, a nossa Maria, o povo carrega pelas ruas a sua esperança de um dia poder chegar lá onde Maria já chegou, isto é, gozar da liberdade total dos filhos de Deus.

A história de Maria é a imagem  da história do povo  humilde; a história do povo pobre e simples se confunde com a história de Maria. A história de Maria é uma história que ainda não terminou; a história de Maria continua até hoje  mas pequenas e grandes histórias do povo.

Maria, moça pobre, simples e humilde de uma cidadezinha do interior da Palestina é saudada até hoje por milhares e milhões de pessoas; o povo todo a invoca e a venera. Maria mesmo preveniu isso quando disse à sua prima Isabel: “De hoje em diante  todas as nações vão me chamar de bem-aventurada.”  (Lc 1, 48).

Todas as nações, todos os povos de todos os tempos e lugares, desde todo o sempre, chamam Maria de bem-aventurada e a veneram como a eleita de Deus, e ainda hoje, como sempre, o povo simples, o povo humilde, o povo pobre continua chamando Maria de bem-aventurada.

Maria é do povo, do povo pobre, do povo simples, do povo humilde, mas, além de ser do povo, Maria é também de Deus, totalmente de Deus, e Deus estava, está e sempre estará em Maria, como Maria jamais deixou de estar em Deus. Ser do povo é ser de Deus, e Maria é do povo, e o povo pobre e humilde é de Maria. Estes dois pontos marcam a vida de Maria. e é por isso que o povo a venera com entusiasmo, invocando por todo o sempre o seu nome.

Para poder ser do povo tem que ser de Deus; para poder ser de Deus, tem que ser do povo. É assim que Deus e o povo desejam: ser de Deus e do povo. São esses os dois grandes retratos  que as Sagradas Escrituras tiraram de Maria e que a Igreja conserva até hoje em seu álbum.

Maria soube unir em sua vida o seu amor a Deus e ao povo.

O nosso povo pobre, simples e humilde ama Maria, e Maria se faz presente no sofrido povo brasileiro com o título de Nossa Senhora Aparecida; Nossa Senhora Aparecida  é a nossa Maria, a Maria brasileira, a Maria humilde, pobre e simples do povo pobre, simples e humilde. A imagem de Nossa Senhora Aparecida é pequena, pequenina mesmo, coberta de um manto azul, manto bonito e ricamente enfeitado.

Presente do povo; isso mesmo, presente do povo, porque o povo gosta de enfeitar e enriquecer  a quem ele ama de verdade, muito embora ele continue pobre, simples e humilde.

Mas, o manto azul , bonito e ricamente enfeitado, acabou escondendo grande parte da imagem brasileira de Maria, imagem que, originariamente é pobre, simples, humilde e... preta.

Só olhando de perto é que a gente percebe que, no Brasil, Maria é preta.

O manto é bonito, isso é bom; o manto não pode ser jogado fora, mas a gente não pode se esquecer que a imagem de Nossa Senhora Aparecida é preta, pretinha, igual a tantas Marias e Cidas que a gente encontra pelas ruas. Aquilo que aconteceu com a sua imagem, aconteceu com a própria Maria: glorificada pelo povo e pela Igreja como Mãe de Deus, Maria recebeu um manto de glória; presente de fé do povo.

Mas o manto de glória acabou escondendo grande parte da semelhança que Maria tem conosco. O manto ricamente enfeitado fez de Maria uma pessoa diferente e a gente quase esquece que Maria foi e ainda é uma moça pobre e simples do povo.

Só olhando de perto é que a gente percebe que na Bíblia Maria  é pobre, simples e humilde, muito semelhante à maioria do nosso povo.

A Bíblia fala muito pouco de Maria mas o pouco que fala é muito importante. É o suficiente para a gente poder conhecer a grandeza de sua simplicidade e a riqueza de sua pobreza.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

 

SANTA EDWIGES

 

Santa Edwiges da Silésia, nascida Edwiges de Andechs, é conhecida na Polônia pelo nome de Jadwiga Śląska. Depois da morte do marido e dos filhos, entrou para o mosteiro e dedicou-se a ajudar os carentes.

Com seu próprio dinheiro, construiu hospitais, escolas, igrejas e conventos. Ganhou fama de protetora dos endividados por ajudar detentos da região, presos por não terem recursos pagar suas dívidas. Foi proclamada santa 1267.

O dia 16 de outubro é dedicado a Santa Edwiges, popularmente conhecida como protetora dos pobres e endividados.

 

Biografia

Santa Edwiges nasceu em 1174 na Alemanha. Filha de Bertoldo IV da Rovávia e de sua esposa, Inês de Rochlitz, foi criada em ambiente de luxo e riqueza, o que não a impediu de ser simples e viver com humildade.

O seu bem maior era o amor total a Deus e ao próximo. Aos 12 anos, casou-se com Henrique I (O Barbudo), príncipe da Silésia (um dos principados da Polônia medieval e atual região administrativa da Polônia), com quem teve seis filhos, sendo que dois deles morreram precocemente.

Culta, inteligente e esposa dedicada, ela cuidou da formação religiosa dos filhos e do marido. Mulher de oração, vivia em profunda intimidade com o Senhor. Submetia-se ao sacrifício de jejuns diários, limitando-se a comer alguns legumes secos nos Domingos, Terças, Quintas e Sábado. Nas Quartas e Sextas-feiras somente pão e água. Isto sempre em quantidade limitada, somente para atender as necessidades do corpo. No tempo do Advento e da Quaresma, Edwiges se alimentava só para não cair sem sentidos.

O esposo não aceitava aquela austeridade. Numa Quarta-feira de Quaresma ele esbravejou por haver tão somente água na mesa sendo que ele só bebia vinho. Edwiges então ofereceu-lhe uma taça, cujo líquido se apresentou como vinho. Foi um dos muitos sinais ou milagres que ela realizou.

Algum tempo depois Edwiges caiu vítima de uma grave enfermidade.

Foi preciso que Guilherme, Bispo de Módena, representante do Papa para aquelas regiões, exigisse com uma severa ordem a interrupção de seu jejum. A Santa dizia que isto era mais mortificante do que a sua própria doença.

Dedicou toda sua vida na construção do Reino de Deus. Exerceu fortes influências nas decisões políticas tomadas pelo marido, interferindo na elaboração de leis mais justas para o povo. Junto com o marido construiu igrejas, mosteiros, hospitais, conventos e escolas. Por isto, em algumas representações a santa aparece com uma Igreja entre as mãos.

Aos 32 anos, fez votos de castidade, o que foi respeitado pelo marido. Quando ficou viúva, foi morar no Mosteiro de Trebnitz, na Polônia, onde sua filha Gertrudes era superiora. Foi lá que Edwiges deu largos passos rumo à santidade. Vivia com o mínimo de sua renda, para dispor o restante em socorro dos necessitados.

Ela tinha um carinho especial pelas mulheres e crianças abandonadas. Encaminhava as viúvas para os conventos onde estariam abrigadas em casos de guerra e as crianças para escolas, onde aprendiam um ofício. Era misericordiosa e socorria também os endividados. Em certa ocasião, quando visitava um presídio, ela descobriu que muitos ali se encontravam porque não tinham como pagar as suas dívidas.

Desde então, Edwiges saldava as dívidas de muitos e devolvia-lhes a liberdade. Procurava também para eles um emprego. Com isto eles recomeçavam a vida com dignidade, evitando a destruição das famílias em uma época tão difícil como era aquela do século XIII.

E ainda mantinha as famílias unidas. Assim, Santa Edwiges, é considerada a Padroeira dos pobres e endividados e protetora das famílias. Sua morte ocorreu no dia 15 de outubro de 1243.

E foi canonizada no dia 26 de março de 1267 pelo Papa Clemente IV. Como no dia 15 de outubro celebra-se Santa Teresa de Ávila, a comemoração de Santa Edwiges passou para o dia 16 de outubro. Modelo de esposa, celibatária e viúva, a Santa não faltava à Missa aos Domingos, e isto ela pede aos seus devotos: mais amor a Jesus na Eucaristia e auxílio aos necessitados.

São comemorados também, neste dia: São Geraldo Majela, Santa Margarida Maria Alacoque e Bem-aventurada Josefina Vannini.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

 

HISTÓRIA DOS PRIMEIROS MÁRTIRES BRASILEIROS QUE DERAM SUA VIDA PELA FÉ

 

No dia 15 de outubro de 2017, um domingo,  o Papa Francisco canonizou os Padres André de Soveral e Ambrósio Francisco FerroMateus Moreira e mais sessenta e nove companheiros leigos que foram trucidados por soldados calvinistas protestantes holandeses e índios em duas datas diferentes e em dois locais diferentes. Mas, o que teve em comum esses dois acontecimentos, é que aconteceram durante a celebração de uma Santa missa.

No dia 05 de março de 2016, na Praça de São Pedro, o Papa João Paulo II proclamou Beatos os mártires do Rio Grande do Norte, e no dia 20 de abril deste ano, o Papa Francisco anunciou a canonização deles para o dia 15 de outubro de 2017.

Agora, serão os primeiros Santos mártires do Brasil que em 1645, no Rio Grande do Norte, que derramaram seu sangue por amor a Cristo. 

 

Os Protomártires brasileiros

O primeiro episódio aconteceu em 16 de julho de 1645, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, em Cunhaú, localidade do Estado do Rio Grande do Norte, onde decorria a Santa Missa dominical celebrada pelo pároco, Padre André de Soveral, quando um grupo de soldados calvinistas protestantes holandeses com índios assassinou o padre celebrante e todos os fiéis presentes, homens, mulheres e crianças, que estavam participando da Santa Missa, massacrando-os impiedosamente.

O segundo episódio remonta a 03 de outubro do mesmo ano.

Após o ocorrido em Cunhaú, os católicos da cidade de Natal procuraram pôr-se a salvo em abrigos improvisados, mas foi em vão. Feitos prisioneiros, juntamente com o seu pároco, o Padre Ambrósio Francisco Ferro, foram levados para perto de Uruaçu, onde os esperavam soldados holandeses e cerca de duzentos índios, cheios de aversão contra os católicos, onde foram trucidados pelos protestantes calvinistas e holandeses e pelos índios comandados e incentivados pelos holandeses. Os féis e o seu pároco foram horrivelmente torturados e deixados morrer entre bárbaras mutilações.

Do numeroso grupo de fiéis assassinados, conseguiu-se identificar com certeza apenas trinta, não tendo sido possível identificar os demais entre homens, mulheres e crianças.

São eles mortos na primeira chacina em Cunhaú; Padre André de Soveral e Domingos Carvalho.

Mortos em Uruaçu, na segunda chacina: Padre Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira, Antônio Vilela, o jovem, e sua filha, José do Porto, Francisco de Bastos, Diogo Pereira, João Lostão Navarro, Antônio Vilela Cid, Estêvão Machado de Miranda e duas filhas, Vicente de Souza Pereira, Francisco Mendes Pereira, João da Silveira, Simão Correia, Antônio Baracho, João Martins e sete companheiros, Manuel Rodrigues Moura e sua esposa, uma filha de Francisco Dias, o jovem, todos mortos em Uruaçu também no rio Grande do Norte.

 

A evangelização no Rio Grande do Norte foi iniciada em 1597 por missionários jesuítas e sacerdotes diocesanos, originários do reino católico de Portugal.

Nas décadas seguintes, a chegada dos holandeses, de religião calvinista, provocou a restrição da liberdade de culto para os católicos que, a partir daquele momento, foram perseguidos. É neste contexto que se verifica o martírio dos que serão canonizados, em dois episódios distintos.

 

Conheça a história dos Protomártires do Brasil

Dentro da conturbada invasão dos holandeses no nordeste do Brasil, encontram-se os dois martírios coletivos: o de Cunhaú e o de Uruaçu.

Estes martírios aconteceram no ano de 1645, no contesto da dominação holandesa no nordeste do Brasil, aconteceram dois motyicínios na Província do Rio Grande, onde hoje é o Estado do Rio Grande do Norte.

O primeiro martírio sucedeu-se na localidade de Cunhaú, território onde hoje é situado o município de Canguiaretama, sendo que o Padre André de Soveral e o fiél Domingos de Carvalho, juntamente com mais vinte e oito fiéis, entre eles homens, mulheres e crianças, foram chacinados, tornando-se  mártires da fé católica mártires em Cunhaú durante a celebração de uma Santa Missa na capela de Nossa Senhora das Candeias.

O Padre André de Soveral  nasceu no Estado de São Paulo, foi ordenado sacerdote na Companhia de Jesus (Jesuítas), ordem a qual pertence o Papa Francisco e fora enviado  a trabalhar no Colégio Jesuita em Recife, de onde partiu em missão  para a então Capitania do Rio Grande, hjoje Estado do Rio Grande do Norte.

O Segundo martírio aconteceu  às margens do rio Potengiui, para onde um grupo de católicos foi conduzido após ter sido capturado na Fortaleza dos Reis Magos em Uruaçu, onde hohe é o município de São Gonçalo do Amarante, ambos no Estado do Rio Grande do Norte, sendo martirizados, nesta oportunidade, o Padre Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira em Uruaçu, emais trinta e oito fiéis, entre eles homens, mulheres e crianças.

No Engenho de Cunhaú, principal pólo econômico da Capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte), existia uma pequena e fervorosa comunidade composta por 70 pessoas sob os cuidados do Pe. André de Soveral.

No dia 15 de julho chegou em Cunhaú o holandês, protestante calvinista, Jacó Rabe, trazendo consigo seus liderados, mais de duzentos índios e ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe Jerera e soldados holandeses.

Jacó Rabe era conhecido por seus saques e desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava.

Dizendo-se em missão oficial pelo Supremo Conselho Holandês do Recife, Rabe convoca a população para ouvir as ordens do Conselho após a missa dominical no dia seguinte. Durante a Santa Missa, após a elevação da hóstia e do cálice, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares.

A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por toda a Capitania de Rio Grande (hoje Estado do Rio Grande do Norte) e capitanias vizinhas, mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos. Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário Padre Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o Moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto.

Os outros moradores, a grande maioria, não podendo ficar no Forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 km de Fortaleza.

Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes.

Após passar por várias localidades do Rio Grande e da Paraíba, Rabe foi então à Potengi, e encontrou heróica resistência armada dos fortificados. Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por 16 dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da Fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las. Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos de Deus.

Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estêvão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia.

Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois grupos: 12 na Fortaleza e o restante sob custódia em Potengi.

Dia 02 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, 03 de outubro.

Os holandeses decidiram eliminar primeiro os 12 da Fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário.

Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu.

Lá os esperava o chefe indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados. Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia.

Colocados de joelhos e despidos, , foi-lhes oferecida a oportunidade de salvarem a vida se renunciassem a fé católica e aceitacem a conversão ao seguimento protestante chamado calvinismo, religião oficial da Holanda.

Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração pelas costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. Por isso, pela adoração que Mateus Moreira demonstrou pelo Santíssimo Sacramento, o Papa João Paulo II elegeu-o padroeiro e patrono dos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística do Brasil.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

 

A IMAGEM DA “APARECIDA” TIRADA DO RIO PARAIBA

 

Não bastasse ser um dos maiores países católicos do planeta, o Brasil tem também um dos maiores centros de peregrinação mariana da cristandade do mundo.

Trata-se, é claro, do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, São Paulo.

A cidade foi batizada com o nome da Senhora, "aparecida" das águas, mas o Brasil inteiro também recebeu sua bênção desde o nascimento, graças aos descobridores e colonizadores que a tinham como advogada junto a Deus nas desventuras das expedições.

A fé na Virgem Maria cresceu com os séculos e a confiança não esmoreceu, só se fortaleceu. Em 1717, quando da visita do governador a Guaratinguetá, foi ordenado aos pescadores que recolhessem do rio Paraíba a maior quantidade possível de peixes, para que toda a comitiva pudesse ser alimentada e festejada com uma grande recepção.

Todos se lançaram às águas com suas redes. Três deles, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, partiram juntos com suas canoas e juntos também lançaram as redes por horas e horas, sem pegar um único peixe. De repente, na rede de João Alves apareceu o corpo da imagem de uma santa. Outra vez lançada a rede, e a cabeça da imagem vem também para bordo.

A partir daí, os três pescaram tanto que quase afundaram por causa da quantidade de peixes. A pesca, milagrosa, eles atribuíram à imagem da santa. Ao regressarem foram para a casa de Filipe Pedroso e, ao limparem a imagem com cuidado, viram que se tratava de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, de cor escura. Então, cobriram-na com um manto e a colocaram num pequeno altar dentro de casa, onde passaram a fazer suas orações diárias.

A novidade se espalhou e todos da vizinhança acorriam para rezar diante dela. Invocada pelos devotos como "Aparecida" das águas, durante quinze anos seguidos, a imagem ficou na casa da família daquele pescador.

A devoção foi crescendo no meio do povo e muitas graças foram alcançadas por todos aqueles que rezavam diante da imagem. Eram tantos os devotos que acorriam ao local que, em 1732, a família de Filipe construiu o primeiro oratório.

Mas a fama dos prodigiosos poderes de Nossa Senhora Aparecida foi se espalhando até atingir todos os recantos do Brasil. Assim, foi necessário, então, construir uma pequena capela, em seguida uma sucessão de outras capelas cada vez maiores.

Até que o local se tornou a cidade de hoje. Em 1888, houve a bênção do primeiro templo, que existe até hoje, conhecido como "Basílica Velha". A primeira grande peregrinação de católicos "de fora", oficial e historicamente registrada, aconteceu em 1900. Eram mil e duzentos peregrinos viajando de trem desde São Paulo, liderados por seu bispo.

Atualmente, são milhões de peregrinos vindos, diariamente, de todos os estados do país e de várias outras nações católicas, especialmente das Américas.

 A atual Catedral-Basílica de Nossa Senhora Aparecida, conhecida como "Basílica Nova", foi consagrada pessoalmente pelo papa João Paulo II, em 1980, quando de sua primeira visita ao Brasil. Quanto ao amor do nosso povo por Maria, em 1904 a imagem foi coroada, simbolizando a elevação da Senhora como eterna "Rainha do Brasil", com todo o apoio popular.

A coroa foi oferecida pela princesa Isabel. Foi também por aclamação popular e a pedido dos bispos brasileiros. 

terça-feira, 13 de outubro de 2020

 

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA - 103 ANOS DO MILAGRE DO SOL REALIZADO EM FÁTIMA!

 

Nossa Senhora havia anunciado: “Em outubro farei o milagre, para que todos acreditem”

 

AS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Nossa Senhora apareceu resplandecente aos pastorinhos de Fátima pela primeira vez no dia 13 de maio de 1917. As aparições continuaram nos sucessivos meses, sempre no dia 13, até o mês de outubro do mesmo ano.

Lúcia, Francisco e Jacinta eram os três pastorinhos que estavam brincando num lugar chamado Cova da Iria, em Portugal. De repente, observaram dois clarões como de relâmpagos e em seguida viram, sobre a copa de uma pequena árvore chamada azinheira, uma Senhora de beleza incomparável.

Era uma “Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol, irradiando luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente“.

Sua face, indescritivelmente bela, não era nem alegre e nem triste, mas séria, com ar de suave alerta. As mãos juntas, como rezando, apoiadas no peito, e voltadas para cima. Da sua mão direita pendia um rosário. As vestes pareciam feitas somente de luz. A túnica e o manto eram brancos com bordas douradas, que cobria a cabeça da Virgem Maria e lhe descia até os pés.

Lúcia jamais conseguiu descrever perfeitamente os traços dessa fisionomia tão brilhante.

Com voz maternal e suave, Nossa Senhora tranquilizou as três crianças, dizendo: “Não tenhais medo. Eu não vos farei mal. Vim para pedir que venhais aqui seis meses seguidos, sempre no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Em seguida, voltarei aqui ainda uma sétima vez”.

Ao pronunciar estas palavras, Nossa Senhora abriu as mãos, e delas saía uma intensa luz.

Os pastorinhos sentiram um impulso que os fez cair de joelhos e rezaram em silêncio a oração que o Anjo havia lhes ensinado: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.

Passados uns momentos, Nossa Senhora acrescentou: “Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra”.

 

13 DE OUTUBRO: O MILAGRE DO SOL

Na aparição do dia 13 de setembro, Nossa Senhora anunciou aos três pastorinhos de Fátima: “Em outubro farei o milagre, para que todos acreditem”.

Pois bem. Em 13 de outubro de 1917, 70 mil pessoas, incluindo jornalistas, testemunharam o milagre que tinha sido anunciado pelas três crianças a quem Nossa Senhora tinha aparecido.

Ao meio-dia, depois de uma forte chuva que parou de repente, as nuvens se abriram diante dos olhos de todos e o sol surgiu no céu como um disco luminoso opaco, que girava em espiral e emitia luzes coloridas. O fenômeno durou cerca de 10 minutos e está na lista oficial de milagres reconhecidos pelo Vaticano.

Os céticos tentam atribuir o evento ao fenômeno atmosférico do parélio, mas sem apresentar provas e sem explicar como foi que as crianças o “previram”.

O “Milagre do Sol”, como ficou conhecido esse impressionante evento sobrenatural testemunhado por 70.000 pessoas, transformou o que era uma mera “revelação privada” em um autêntico apelo de Cristo à Sua Igreja. Não só o conteúdo da mensagem de Fátima dizia respeito à Igreja do mundo inteiro como a sua própria comprovação se deu publicamente, de maneira extraordinária: no dia 13 de outubro de 1917, “o sol dançou” diante de mais de 70.000 homens e mulheres, pobres e abastados, sábios e ignorantes, crentes e descrentes.

Conforme o depoimento do Dr. José Maria de Almeida Garrett, eminente professor de ciências de Coimbra, o que aconteceu naquele dia foi que o sol “girou sobre si mesmo num rodopio louco (…) Houve também mudanças de cor na atmosfera (…) O sol, girando loucamente, parecia de repente soltar-se do firmamento e, vermelho como o sangue, avançar ameaçadamente sobre a terra como se fosse para nos esmagar com o seu peso enorme e abrasador (…) Tenho que declarar que nunca, antes ou depois de 13 de outubro, observei semelhante fenômeno solar ou atmosférico”.

 

O SIGNIFICADO

Para o povo mais simples, o milagre se resume em bem menos palavras. Simplesmente, “o sol dançou”. Mais do que descrever fisicamente o fenômeno, o que interessava à maioria das pessoas era o que não se podia ver, mas que ficara patente por aquela portentosa obra que eles tinham diante dos olhos: Nossa Senhora verdadeiramente apareceu a três humildes pastorinhos em Fátima.

A Lúcia, Jacinta e Francisco, de fato, foi dada uma visão bem mais abrangente da realidade: a Virgem Maria, “abrindo as mãos, fê-las refletir no sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da Sua própria luz a projetar-se no sol (…) Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do sol, São José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul”, declararam eles.

Na última aparição da Virgem de Fátima, portanto, brilha perante os videntes a imagem da Sagrada Família de Nazaré!

Esse fato pode indicar que “o confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás dirá respeito diretamente à família e ao matrimônio”. Quando o caminho ordinário de santificação da humanidade, que é o casamento, se encontra obstruído pela produção desenfreada da pornografia e pela popularização dos “pecados da carne” (que, segundo resposta da própria Virgem Maria à pequena Jacinta, constituem a classe de pecados que mais ofende a Deus), o resultado só pode ser uma perda incalculável de almas (realidade a que a Mãe de Deus já tinha aludido, quando deu às mesmas crianças a visão do inferno).

Naquele 13 de outubro, a Virgem Santíssima tinha um pedido especial, que ficaria gravado no coração dos pastorinhos.

Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

Aos observadores mundanos, tal recado poderia parecer “arcaico” ou “irrealista”: um “espírito” que vem dos céus para falar de “pecado”? Em que século a autora dessas aparições acha que estamos? Pois bem, é justamente no século XX que Nossa Senhora aparece, e é a mesma mensagem de dois mil anos atrás que ela carrega consigo: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5).

Acontece que os tempos mudaram, sim, mas o ser humano continua o mesmo. E os perigos que rondavam a humanidade na época de Cristo não mudaram. Para ser católico e seguir Jesus, nada mais elementar que o apelo de Fátima: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor”.

O Milagre do Sol não apenas confirmou as aparições de Maria em Fátima: ele também visa realizar um milagre muito maior e mais extraordinário que qualquer outro: a salvação das almas, a conversão dos pecadores; “para que todos acreditem” em Jesus e, acreditando, tenham a vida eterna.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

 

NOSSA SENHORA APARECIDA – PADROEIRA DO BRASIL

 

Diz o Evangelho que no décimo quinto ano do seu reinado, o imperador romano César Augusto, promulgou um decreto determinando o recenseamento de todos os povos que estavam sob seu domínio. E todas as pessoas a serem recenseadas deveriam se dirigir à sua cidade de origem; foi esse o motivo pelo qual Maria e José foram até Belém, onde, naqueles dias, nasceu Jesus. (Lc 2).

Séculos mais tarde, no ano de 1.717, na época da escravidão aqui no Brasil, quando a raça negra via vilipendiada a sua dignidade humana, o conde de Assumar iria fazer uma visita à cidade de Guaratinguetá, e, por isso, a Câmara Municipal da cidade baixou uma ordem para que todos os pescadores da região saíssem para pescar os melhores e mais vistosos peixes do rio Paraíba para que se fizesse um banquete para aquele ilustre visitante.

Na região de um bairro, que hoje é Aparecida do Norte, mas que na época se chamava Morro dos Coqueiros, moravam alguns pescadores, entre eles Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso. Seguindo aquela ordem da Câmara, os três pescadores também saíram para pescar rio acima. E pescaram durante horas e horas, e nada conseguiram.

Por fim, ao chegarem a uma curva do rio, chamada Itaguaçu, lançaram a rede e, ao puxarem a rede, tiraram das águas uma imagem de Nossa Senhora que se enroscou nas malhas da rede, mas, essa imagem estava sem a cabeça, era somente o corpo.

Que valor teria para eles uma imagem quebrada, somente o corpo, sem a cabeça?

Claro que nenhum. Mesmo assim eles colocaram aquela imagem no fundo da canoa e continuaram a lançar a rede, continuaram a pescaria. Logo em seguida, ao puxarem as redes, notaram que  estava enroscada em uma malha a cabeça da imagem, e viram que se encaixava direitinho no corpo. A partir daí, cada vez que lançavam a rede maior era o número dos peixes que retiravam do rio, motivo pelo qual os pescadores deram por encerrada a pescaria, e voltaram para suas casas com grande quantidade de grandes peixes.

Como Deus é grande e sábio na realização de seus planos divinos!

Uma ordem do imperador romano foi o meio escolhido para mostrar o Redentor recém-nascido ao mundo; uma ordem dada aos pescadores de uma região pobre do Vale do Paraíba, foi o  meio de que Deus se serviu para nos dar essa imagem de Nossa Senhora, que, ao correr dos tempos, sob o nome de “Aparecida”, iria ganhar o coração do nosso povo.

Quem poderia pensar que aquela imagem tão simples, colhida nas águas do rio, fosse atrair para junto de si milhões e milhões de peregrinos de todos os pontos do Brasil? Precisamos reconhecer que não é a imagem que atrai, mas Aquela que a imagem representa: é a Mãe de Deus quem exerce sobre todos nós essa força de atração.

Na época em que essa imagem foi achada no rio Paraíba por três pescadores, o Brasil passava por momentos difíceis, o povo pobre e humilde era explorado e humilhado, e no Brasil havia ainda a escravidão: pobres irmãos negros, trazidos à força de sua terra natal, a África, e eram obrigados a trabalhar de graça e na base da violência, do chicote e da humilhação. E Maria, a mãe de Deus, vem em socorro a esse povo pobre e oprimido, e através de sua imagem, se identifica a esse povo escravizado tendo a pele negra.

A imagem original, aquela imagem que foi achada pelos pescadores não tinha mantos e nem coroas, mas, na realidade, era e é uma imagem que aparentava e aparenta pele escura, como a dos escravos, é, portanto, a imagem de uma mulher negra, vestida com um vestido simples como uma camisola, como se vestiam as escravas daquele tempo.

Mas, infelizmente, mais uma vez deturpamos a humildade de Maria, e os ricos e poderosos colocaram na cabeça daquela Senhora, que quis se identificar como escrava e gente do povo pobre e simples, uma coroa de ouro, e sobre seus ombros um manto de veludo azul, tentando encubrir a humildade de Maria nas suas vestes pobres e simples, como se isso fosse aumentar a dignidade da Mãe de Deus.

Mas, continuando na história dos três pescadores, Felipe Pedroso, um dos pescadores, deixou a sua canoa na beira do rio e levou aquela imagem (que ainda não tinha manto e coroa) achada no rio para a sua casa que não passava de uma choupana de taipas, um pobre e humilde rancho, perto do Morro dos Coqueiros, e, com alguns paus e pedaços de tábua, fez um altarzinho, onde colocou a imagem que encontraram no rio.

Toda essa simplicidade e pobreza parecem que nos chegam daquela estrebaria onde nasceu o Salvador do mundo. Foi assim, também, que a Virgem quis aparecer entre nós: o primeiro trono daquela imagem encontrada no rio foi num altarzinho feito, talvez, com pedaços de bambu; seus primeiros devotos, meia dúzia de pobres e ignorantes.

E qual foi o seu primeiro  pregador? Foi aquele caboclo simples, que vivia pescando no rio. Foi, certamente, devido à sua fé e devoção a Nossa Senhora que aquele pescador levou para sua casa aquela pequena imagem que colhera no rio.

E não a guardou só para si, e nem a escondeu, mas, na sua pobreza, construiu, como pode, um altarzinho para a Virgem, aparecida na sua rede. E fez mais do que isso: começou a convidar a vizinhança para, todas às tardes, rezar o terço diante de Nossa Senhora.

Mas, que nome dariam àquela imagem? Nossa Senhora do que? E aquele povo pobre, simples e humilde, quando se referia àquela imagem, dizia: “vamos ver a imagem que apareceu no rio. Vamos rezar o terço diante da imagem aparecida no rio”, e, a partir daí, começaram a chamar aquela imagem de Nossa Senhora Aparecida no rio, e finalmente de Nossa Senhora Aparecida, como a conhecemos hoje.

Que espetáculo não seria aquele! A pobreza da choupana, a simplicidade do altar, a humildade das pessoas e a singeleza daquela imagem (ainda sem manto e coroa), anunciando aquela que, mais tarde seria aclamada pelo povo simples e humilde a Rainha e Padroeira do Brasil.

Como sabem rezar os pobres, os simples de coração. Sem frases estudadas, sem palavras bonitas, eles chegam à presença de Deus que os ouve e os atende, porque eles falam a linguagem da humildade, a única que Deus pode atender. Sem o saber, aquele humilde pescador foi, certamente, o primeiro missionário que a “Aparecida” teve logo ao aparecer entre nós.

Depois dele, vieram outros, mais ilustres, mais letrados; mas, o privilégio e a honra de ter sido o primeiro apóstolo da “Aparecida”, continua pertencendo àquele pescador que a retirou das águas e a expôs na sua choupana, divulgando o seu culto entre as pessoas pobres da vizinhança.

Umas poucas pessoas, pobres e rudes, rezando o terço diante daquela imagenzinha da Virgem aparecida na rede do pescador no rio Paraíba.

É um quadro que, na sua simplicidade nos faz pensar. Hoje é o Brasil inteiro que reza aos pés da Virgem Aparecida no rio, e, milhões de peregrinos desfilam diante daquela mesma imagem. Deus soube, realmente, realizar o que desejava aquela gente humilde com sua oração tão simples. Na rede de um pescador - foi assim que Deus nos apresentou a imagem de sua mãe. E não foi num estábulo que Deus nos deu a conhecer o seu filho feito homem?

Durante trinta anos o Salvador viveu oculto e desconhecido em Nazaré; e, durante vinte anos, a imagem da “Aparecida” esteve praticamente oculta numa pobre choupana.

Foi assim que Deus quis preparar o triunfo de sua Mãe Santíssima entre nós. A devoção popular foi crescendo e aumentando o número de visitantes na choupana do pescador. Já se falava de fatos extraordinários ocorridos com a imagem. O povo começava a sentir a necessidade de construir uma capela para colocar a imagem da Aparecida. Mas, com que recursos? 

E, para isso, aquela gente pobre se uniu, escolheu o local que seria no alto do Morro dos Coqueiros, e, uns deu o terreno, outros o material e outros ainda ofereceram o seu trabalho, a sua mão de obra, e, se mais não deram, foi porque mais não possuíam. E foi assim, da generosidade de todos, que surgiu a primeira capela da Senhora Aparecida.

Com a sua pobreza e pequenas dimensões, a construção foi logo terminada, e no ano de 1.745, o Vigário da cidade de Guaratinguetá foi até a casa do pescador e transportou a imagem de lá para a capela, numa bonita e bem concorrida procissão.

Pequena e muito pobre era aquela capelinha construída no Morro dos Coqueiros. E como não eram ricos aqueles que frequentavam a capela, não se pôde pensar logo na construção  de uma igreja de maiores dimensões para abrigar o número sempre crescente de peregrinos que começavam a se dirigir até lá.

Somente no ano de 1.834, oitenta e nove anos depois de construída a primeira capela, foi iniciada a construção de um novo templo, no lugar da antiga e primitiva capela. Foram grandes, porém, as dificuldades. 

Afinal, no ano de 1.888 pôde a nova igreja ser inaugurada. Essa é a construção que ainda existe, e hoje e chamada de Basílica velha, tendo, portanto, a basílica velha, mais de cento e quinze anos de existência. Pudessem aquelas paredes tão antigas dessa igreja centenária falar tudo o que ali dentro aconteceu. Elas poderiam revelar os milhões de peregrinos que ali passaram nesses longos anos, à procura da Senhora Aparecida.

Quantas orações, quantos pedidos feitos à Mãe de Deus e Nossa! Quantas lágrimas ela enxugou, e a quantos filhos seus ela socorreu na sua bondade de mãe.

Há mais de cem anos essas paredes velhas guardaram, para a devoção de nosso povo, um tesouro de inestimável valor, nessa pequenina imagem que os pescadores retiraram do rio.

E agora, uma nova Basílica, verdadeiro monumento de fé, abriga a multidão de peregrinos que procuram a Consoladora dos Aflitos. Com toda a sua humildade, um dia, a Virgem exclamou: “Aquele que é Onipotente realizou maravilhas e mim.” (Lc 1, 49).

O Senhor Nosso Deus quis Maria belíssima no esplendor de suas virtudes, livre, até mesmo da culpa original, já que a escolhera para ser a sua Mãe neste mundo. Essa é toda a sua glória, toda a sua grandeza. Mãe de Deus!

E quem o diria: nossa também. Assim o quis o Redentor agonizante, e isso é o que está provando o amor que todos lhe dedicamos.

Podemos dedicar a Nossa Senhora grandes igrejas e grandiosos templos, e magníficos Santuários e Basílicas. Ela os aceita, certamente, como expressão de nosso amor e piedade.

Mas o templo que ela espera de nós de uma maneira particular, é a nossa vida cristã, na qual o Pai seja Glorificado na sua grandeza e na sua perfeição infinita.

Que o Senhor Nosso Deus esteja presente em nossa vida de cada dia, como presente ele esteve na vida de sua Mãe Santíssima. Essa há de ser a mais bela e grandiosa construção que a nossa piedade poderá oferecer à Mãe de Deus e nossa.. Grande impulso tomou o movimento dos romeiros em Aparecida após a construção da nova igreja.

E de 1.900 em diante, começaram a chegar ao Santuário as romarias organizadas, a princípio das cidades vizinhas, e depois, das cidades mais distantes.

Realmente o nosso povo compreendeu ser Aparecida o lugar escolhido pela Virgem para colocar ali o seu trono de misericórdia; através daquela imagem  tão simples, quis ela manifestar-se  a todos como a Consoladora dos aflitos e Refúgio dos pecadores.

De toda parte chegam os peregrinos certos de que ali vão encontrar a Mãe de Deus e nossa. No ano de 1.904, quando, atendendo a inúmeros pedidos dos Bispos brasileiros, o Papa Pio X, hoje São Pio X, autorizou a solene coroação da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Deus realizava maravilhosamente o seu plano. Aumentando sempre mais as romarias, a devoção a Nossa Senhora já alcançava os Estados mais distantes. Durante a Missa solene de encerramento do primeiro congresso mariano, realizado no ano de 1929, na cidade de Aparecida, foi lido o decreto do Papa Pio XI, declarando Padroeira do Brasil a Imaculada Virgem, sob o título de “Aparecida”.

Após ter sido coroada Rainha, esse título de Padroeira era certamente uma pedra preciosa que ainda faltava na coroa de humildade daquela que quis ser chamada de “Aparecida”, desde os primeiros dias em que sua imagem foi colhida no rio pelos pescadores.

Esse decreto veio trazer uma alegria imensa para o nosso povo que, desde então, passou a invocar a Mãe de Deus como sua Rainha e Padroeira. E, no dia 31 de março de 1.931, pela primeira vez a imagem da “Aparecida” deixou o seu nicho na Basílica para ser levada triunfalmente ao Rio de Janeiro, então capital do país, onde, mais de um milhão de pessoas, com as autoridades civis, militares e eclesiásticas, puderam aclamar delirantemente a nossa Rainha e Padroeira.

Estavam realizados os planos de Deus de enaltecer e glorificar entre nós, de modo extraordinário, aquela que é a sua Mãe, Rainha e Padroeira do nosso povo pobre e humilde, que sempre lhe quis e amou.

O que jamais sonharam aqueles pobres pescadores que a encontraram no rio, estava sendo realidade. A imagenzinha, tão pobre e tão rústica, encontrada por eles durante aquela pescaria, tinha conquistado o coração do nosso povo, e esses pescadores jamais sonharam que aquela pequenina encontrada no rio seria tão venerada pelos cristãos.

Na sua pobreza e simplicidade, ela havia falado tanto e tão bem ao coração  da nossa gente! Até que um dia a Senhora Aparecida foi aclamada por todos como nossa Mãe, Rainha e Padroeira.

Não podemos duvidar que Nossa Senhora olhasse para nós com olhos de verdadeira predileção. Não há, por esse Brasil afora, uma cidade ou povoado que não tenha uma igreja ou um altar dedicado à Virgem Aparecida.

Realmente, entre nós Deus realizou maravilhas para a glória de sua Mãe Santíssima.

Em nenhum país do mundo ela tem um Santuário onde seja tão procurada e tão querida como em Aparecida, na sua Basílica, perto daquela volta do rio onde sua imagem foi encontrada.

Num de seus hinos bem antigos, a Igreja reza e canta a Nossa Senhora dizendo: “Mostrai que sois nossa Mãe.” E entre nós, ela o vem mostrando desde aqueles primeiros dias quando sua imagem ainda morava numa pobre choupana de pescador, à beira do rio.

Quem poderia enumerar todas as graças e favores dela alcançados por seus filhos em todo esse país? Nosso povo compreendeu que a Mãe de Deus é realmente a nossa Mãe. No entanto, não nos esqueçamos: se nós lhe dizemos: “Mostrai que sois nossa mãe”, por sua vez ela nos diz: “Mostrai que sois meus filhos”.

Mas como? Temos que prová-lo com a nossa vida de todos os dias vivida de acordo com o modelo que ela nos deixou. Uma vida realmente cristã - essa há de ser a melhor resposta ao amor de predileção que ela sempre dedicou aos seus filhos.

Que saibamos ser dignos da Mãe e Padroeira que temos - nada mais. Ela espera isso de nós. Bendito seja Deus, portanto, por haver nos dado essa imagenzinha da “Aparecida” que nos fez chegar ao conhecimento e ao amor de nossa Mãe e Padroeira. Bendita seja a divina sabedoria, escolhendo a pobreza dos pescadores, a insignificância de uma rede e de uma choupana para nos dar a inestimável riqueza dessa imagem tão pequenina e ao mesmo tempo tão grande para a nossa piedade e para o nosso amor.

Bendito seja Deus por nos ter confiado à proteção daquela que é Rainha do Universo, fazendo-nos filhos do seu amor e da sua predileção.

Foi assim que chegamos a essa felicidade e consolo de podermos invocá-la e aclamá-la dizendo: “Viva a Mãe de Deus e Nossa, Sem pecado concebida, Viva a Virgem Imaculada, A Senhora Aparecida.”

São  lembrados também, neste dia: São Serafim de Montegranaro, Santo Edvino, São Juliano de Lodi (bispo), São Maximiliano de Lorch (bispo e mártir), São Monas de Milão (bispo), São Pantalo de Basle (bispo e mártir), São Salvino de Verona (bispo).

domingo, 11 de outubro de 2020

 

“MUITOS SÃO CHAMADOS, E POUCOS SÃO ESCOLHIDOS”. (Mt 22,14).

 

XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ano – A; Cor – verde; Leituras: Is 25,6-10; Sl 33 (23); Fl 4,12-14.19-20; Mt 22,1-14.


Diácono Milton Restivo.

 

As leituras das liturgias dominicais anteriores falavam da vinha do Senhor.

Depois de três domingos consecutivos falando dos cuidados de Yahweh para com a sua vinha, símbolo do seu povo, a liturgia de hoje convida a todos para o banquete que ele oferece.

A primeira leitura fala do banquete oferecido por Yahweh a todos os povos e, no Evangelho, o Pai convida para o banquete da festa de casamento de seu filho. Não é um casamento que todos estão acostumados a participar. É um casamento importante: o casamento do filho do rei, para o qual o Rei convida todos os povos. De trabalhadores da vinha, de simples operários, o Senhor, torna todos seus convivas, e convida a todos para o banquete do casamento do seu Filho.

Na primeira leitura o profeta Isaias projeta-se para o futuro com uma linguagem apocalíptica e descreve um banquete de raras iguarias que Yahweh promoverá para todos os povos: “Yahweh dos exércitos vai preparar no alto deste monte, para todos os povos do mundo, um banquete de carnes gordas, um banquete de vinhos finos, de carnes suculentas, de vinhos refinados.” (Is 25,6).

O profeta Isaías é exímio em tirar partido dos sinais dos tempos. É um dos maiores teólogos da história. Fala através de símbolos e metáforas com uma carga emotiva e apela­tiva muito profunda. O estilo é clássico e nobre. O povo israelita encontrava-se exilado e escravizado nas terras de Babilônia. Através da literatura apocalíptica, Isaias tenta restabelecer a debilitada auto-estima do povo e a confiança de todos em Yahweh.

A literatura apocalíptica, tanto do Antigo como do Novo Testamento, é sempre uma mensagem de esperança, como é visto no próprio livro do Apocalipse: “Aquele que está sentado no trono, declarou: ‘Eis que faço nova todas as coisas. [...]  Para quem tiver sede, eu darei de graça a fonte da água viva. O vencedor receberá esta herança: eu serei o Deus dele, e ele será meu filho.” (Apo 21,5.6-7), coisa que Yahweh falara por Isaias há mais de setecentos anos antes: “Não fiquem lembrando o passado, não pensem nas coisas antigas; vejam que estou fazendo uma coisa nova: ela está brotando agora, e vocês não percebem? Abrirei um caminho no deserto, rios em lugar seco. As feras me glorificarão, como os lobos e avestruzes, porque eu oferecerei água no deserto e rios na terra seca para matar a sede do meu povo, do meu escolhido, o povo que eu formei para mim, para que proclame o meu louvor.” (Is 43,18-19).

Da mesma maneira que o povo israelita, no Antigo Testamento, estava sendo escravizado pelos babilônios no tempo de Isaias, quando foi escrito o Apocalipse, no Novo Testamento, o povo judeu estava sendo subjugado pelos romanos. Em ambas as situações a mensagem é de esperança porque, todas as mensagens apocalípticas são de esperança.

Paulo, aos corintios, escreveu: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; eis que uma realidade nova apareceu.” (2Cor 5,17). É esta a mensagem que o profeta Isaias quer deixar clara para todos, no século XXI, que têm a experiência do Antigo Testamento e a adesão total ao Novo Testamento.

Isaias continua na sua visão apocalíptica: “Neste monte, Yahweh arrancará o véu que cobre todos os povos, a cortina que esconde todas as nações; ele destruirá para sempre a morte. O Senhor Yahweh enxugará as lágrimas de todas as faces, e eliminará da terra inteira a vergonha de seu povo – porque foi Yahweh quem falou.” (Is 25,7-8). “No dia em que Yahweh enfaixar as feridas do seu povo e lhe curar as chagas, a lua vai brilhar como o sol, e o brilho do sol será sete vezes maior, como o brilho de sete dias reunidos.” (Is 30,26).

O livro do Apocalipse também conforta o povo perseguido, seguindo a linha de Isaias: “Ele vai enxugar toda lágrima dos olhos deles, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem grito de dor. Sim, as coisas antigas desapareceram.” (Apo 21,4).

A humilhação, a morte, a escravidão, o sofrimento, as lágrimas, são coisas do passado. O Reino de Yahweh vai se realizando, paulatinamente, a caminho do Reino definitivo. O povo, que tem Yahweh como seu rei, é feliz, conforme diz o salmista: “Feliz a nação cujo Deus é Yahweh, o povo que ele escolheu como herança.” (Sl 33 (32),12). Esse povo irá livrar-se, gradualmente, da opressão que o aflige e da tristeza que o abate: “... ele destruirá para sempre a morte. O Senhor Yahweh enxugará as lágrimas de todas as faces, e eliminará da terra inteira a vergonha de seu povo...” (Is 25,7-8); “Povo de Sião que mora em Jerusalém, você não terá mais que chorar, pois ele vai se compadecer do clamor da sua súplica.” (Is 30,19).

O interessante é que, no livro do Apocalipse, os versículos 7 e 8 do capítulo 21 apresentam um contraste entre si: o vencedor receberá a herança, os infiéis o lago ardente de fogo e enxofre: “O vencedor receberá esta herança: eu serei o Deus dele, e ele será meu filho. Quanto aos covardes, infiéis, corruptos, assassinos, imorais, feiticeiros, idólatras, e todos os mentirosos, o lugar deles é o lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte. ” (Apo 21,7-8).

Da mesma forma, no último capítulo e últimos versículos do livro de Isaias, são destacados os destinos de cada um: dos bons que aderiram a Yahweh, que aceitaram participar do seu banquete, e dos maus, que o ignoraram: “Da mesma forma como durarão para sempre diante de mim os novos céus e a nova terra, que criei – oráculo de Yahweh -, assim também durarão o povo e o nome de vocês. Cada lua nova e cada sábado, todo mundo virá prostrar-se na minha presença, diz Yahweh. Ao sair eles verão os cadáveres daqueles que se revoltaram contra mim, porque o verme que os corroi não morre jamais e o fogo que os consome jamais se apaga. Eles serão um horror para o mundo inteiro.” (Is 66,22-24).

O Salmo desta liturgia transmite o cuidado e o amor que Yahweh tem para com o seu povo e o salmista, manifestando os anseios de toda a humanidade, chama a Yahweh de seu pastor, colocando nele toda a sua confiança e segurança: “Yahweh é meu pastor. Nada me falta. [...] Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome.” (Sl 22,1.3).

O título de pastor, nas Sagradas Escrituras, é dado a todos aqueles que representam Deus no meio do povo e que deveriam levar o povo ao banquete oferecido pelo Senhor: reis, sacerdotes, mandatários governamentais, etc. Mas, muitos usam mal essa prerrogativa e fazem de sua missão divina de pastor, motivo de opressão, corrupção e descaminho para o povo de Deus. O que deveria ser imagem de proteção e segurança, muitas vezes transforma-se em exploração e opressão, e ai a figura do mau pastor se destaca, passando a ser ladrão, assaltante e mercenário (cf Jo 10,12-13) isto é, fazem da missão sagrada de pastor um meio de sobrevivência e proveito próprio.

A figura de banquete, almoços e jantares nos Evangelhos é muito frequente, e Jesus jamais se fez de rogado para participar quando era convidado. Assim aconteceu na casa de Mateus (Mt 9,9-18; Mc 2,13-14; Lc 5,27-32), na casa de Zaqueu (Lc 19,1-10), na casa dos irmãos Marta, Lázaro e Maria (Lc 10,38-42; Jo 12,1-8); na casa de Simão, o leproso (Lc 7,36-50); na ceia com os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).

Para mostrar o grande amor que o Pai tem por seus filhos, as Sagradas Escrituras o mostram como aquele que oferece banquetes aos seus filhos amados. Só são convidadas para um banquete ou para um casamento pessoas do próprio relacionamento, pessoas íntimas, pessoas amadas.

Jesus usa, de maneira escatológica, a imagem de casamentos, como o caso desta parábola de Mateus 22,2-14 e Lucas 14,7-14 e banquetes, também, como no caso de Lucas 14,16-24 e 16,19-31.

E Jesus volta a falar, incriminando as autoridades religiosas dos judeus através de parábolas.

Depois de contar várias parábolas sobre vinha, que se referia ao povo de Israel e que as autoridades religiosas judaicas eram omissas nos cuidados dessa vinha, Jesus novamente se dirige a eles, dizendo de maneira metafórica, como já havia dito antes que “Por isso eu digo a vocês: o Reino de Deus será tirado de vocês e entregue a um povo que produzirá frutos.” (Mt 21,43).

Jesus inicia a parábola dizendo: “O Reino do Céu é como um rei que preparou a festa de casamento do seu filho.” (Mt 22,2).

Jesus viera propagar o Reino do Céu, e começa sua vida pública, dizendo: “Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo”. (Mt 3,2; Mc 1,15).

O Rei deste Reino é o Pai; o filho do Rei e noivo do casamento é Jesus Cristo. A noiva é a Igreja, a vinha que será tirada dos judeus e “entregue a um povo que produzirá frutos”. Os empregados são os apóstolos e discípulos fiéis ao noivo. Os convidados são todos os demais que o Pai ama: “Falem aos convidados que eu já preparei o banquete, os bois e animais gordos já foram abatidos, e tudo está pronto. Que venham para a festa.” (Mt 22,4).

Este convite foi feito, em primeira instância, ao povo do Antigo Testamento. Hoje é feito para o povo do Novo Testamento. Mas, os convidados do Antigo Testamento “não deram a menor atenção; um foi para o seu campo, outro foi fazer os seus negócios, e outros agarraram os empregados, bateram neles, e os mataram.” (Mt 22,5).

Os profetas do Antigo Testamento foram perseguidos, agredidos e mortos por levar o convite desse banquete ao povo. E o que aconteceu com os apóstolos e muitos dos demais empregados do Novo Testamento que tentaram e tentam levar o convite do Rei para participar do seu banquete?

Aqui está um testemunho do próprio Apóstolo Paulo a respeito do que aconteceu com ele por tentar levar o convite do Rei aos convidados: “São ministros de Cristo? Falo como louco: eu o sou muito mais. Muito mais pelas fadigas; muito mais pelas prisões; infinitamente mais pelos açoites; frequentemente em perigo de morte; dos judeus recebi cinco vezes os quarenta golpes menos um. Fui flagelado três vezes; uma vez fui apedrejado; três vezes naufraguei; passei um dia e uma noite em alto mar. Fiz muitas viagens. Sofri perigos nos rios, perigos por parte dos ladrões, perigos por parte de meus irmãos de raça, perigo por parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos por parte dos falsos irmãos.” (2Cor 11,22-26).

E qual foi o fim de Paulo? Perdeu a cabeça, literalmente; foi decapitado por convidar a todos para participar do banquete que o Rei oferecia. E o fim de Pedro? Crucificado, e de cabeça para baixo por ser o mensageiro do convite do Pai para o grande banquete. E o fim dos demais apóstolos? E o fim da irmã Dóroty lá na Amazônia?

O Pai é generoso e amigo. O banquete está à mesa. A festa de casamento está acontecendo. O noivo aguarda a presença e a manifestação de amizade de todos os convidados.

Mas, “são muitos os chamados, mas poucos os escolhidos”. (Mt 22,14). Cada um tem o seu afazer: uns foram para o seu campo, outro foi fazer o seu negócio” (Mt 22,5b), outros não podem perder a novela ou o jogo de futebol, outros tem que pescar, outros têm que desfrutar do carro novo.

Motivos para não participar do banquete têm muitos e muitas vezes nem precisam ser procurados. Mas os convidados não aparecem para o banquete que o rei oferece. Muito pelo contrário: irritados com a insistência dos mensageiros do rei, “agarraram os empregados, bateram neles, e os mataram.” (Mt 22,5).

Lucas, no seu Evangelho, ao narrar esse fato é mais detalhista e apresenta assim as desculpas de não participar do banquete de casamento: “O primeiro disse: ‘comprei um campo e preciso vê-lo. Peço-lhe que aceite minhas desculpas’. Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-las. Peço-lhe que aceite minhas desculpas’. Um terceiro disse: ‘Acabo de me casar e, por isso, não posso ir’.” (Lc 14, 18-20).

O rei sente na alma a recusa dos primeiros convidados, mas não desiste. Sente que “a festa do casamento está pronta, mas os convidados não a mereceram”. (Mt 22,8). Mas o banquete não pode ser suspenso, tem que acontecer.

No Evangelho de Lucas o banquete é estendido, de modo especial, para “os pobres, aleijados, os cegos e os mancos”. (Lc 14,11); o rei manda vir para o seu banquete os marginalizados, os descamisados, os descalços, os discriminados, aqueles que ninguém gostaria de ter como companhia num banquete, numa festa de casamento, ou na sua casa: é o povo das bem aventuranças. O povo do Antigo Testamento rejeitou o banquete do rei, mas o rei busca no povo das bem aventuranças seus novos convidados, mas, para pertencer ao povo das bem aventuranças, há a necessidade de estar vestido com o traje de festa (cf Mt 22,11). São exigências indispensáveis, para participar deste banquete “deixar de viver como viviam antes, como homem velho que se corrompe com paixões enganadoras. É preciso que se renovem pela transformação espiritual da inteligência, e se revistam do homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade que vêm da verdade.” (Ef 4,22-24). Fica claro que a roupa de festa exigida pelo anfitrião, por Deus, é a roupa da graça, a roupa da justiça, a roupa do amor, a roupa da fraternidade, a roupa “do homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade que vêm da verdade.”

A veste de festa, a veste nupcial, é o próprio Cristo: “Mas vistam-se do Senhor Jesus Cristo, e não sigam os desejos dos instintos egoístas.” (Rm 13,14). “A finalidade desta ordem é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem hipocrisia.” (1Tm 1,5).

Acontece que, “quando o rei entrou para ver os convidados, viu aí um homem que não usava roupa de festa.” (Mt 22,11). O rei mostra-se indignado pelo convidado ter desprezado a roupa que ele mesmo lhe oferecera e facilitara para participar do seu banquete, e pergunta-lhe: “Amigo, como você entrou aqui sem a roupa de festa?” (Mt 22,12a). O convidado foi surpreendido e ficou surpreso, porque julgava que poderia viver a vida que quisesse e usar a vestimenta que julgasse fosse do seu gosto e não da aceitação do dono da festa: a roupa do descompromisso, a roupa da ausência da justiça, do amor, da fraternidade, a roupa suja do pecado. Com a reprimenda do rei, o anfitrião, o convidado “ficou mudo”, porque, quem não vive a vida de Deus não tem argumento para refutar a exigência do rei que exige vida digna para os seus convidados.

“Então o rei ordenou aos que serviam: ‘Amarrem as mãos e os pés dele, e o atirem fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 22,13).

O Pai continua a oferecer o banquete através da Eucaristia... Para participarmos do banquete da Eucaristia que o rei nos oferece, há necessidade de estarmos vestidos à caráter para a ocasião: precisamos estar vestidos com a roupa da graça, a roupa da justiça, a roupa do amor, a roupa da fraternidade...

Muitas vezes, para participar da Eucaristia, da Missa, que é o banquete por excelência que o Pai oferece, sempre aparece aquela visita, aquele trabalho a ser acabado, preparar a comida, afinal das contas, o banquete do Pai pode esperar, os afazeres e diversões não...

Essa é a grande verdade: passa-se a vida preocupado com os mil pequenos afazeres que devem ser feitos e não se encontra tempo para as coisas que enaltecem, enobrecem, divinizam o homem: a participação no banquete que o Pai oferece... a Eucaristia...

Como podemos trocar de roupa e colocar a veste para participar dignamente do banquete? Vistamos a roupa da graça, do amor, da fraternidade, do perdão, da humildade...

A frase final da parábola deixa claro as consequências dos que rejeitam o banquete do Pai ou que não vestem os trajes de festa: “Amarrem os pés e as mãos desse homem, e o joguem fora na escuridão. Ai haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 22,13).

sábado, 10 de outubro de 2020

 

SÃO DANIEL COMBONI - 1831-1881

 

Daniel Comboni fundou o Instituto dos Padres Missionários Combonianos e o Instituto das Irmãs Missionárias Combonianas.

Os padres combonianos fizeram um trabalho social e religioso, de evangelização e de afirmação profissional para muitos jovens desta cidade de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, como em tantas outras cidades de vários Estados do Brasil.

O padre Ângelo Del Oro é uma referência no trabalho comboniano na nossa cidade, fundando as Obras Sociais São Judas Tadeu que, desde a década de 60 forma jovens para os mais diversos seguimentos profissionais.

Daniel Comboni era italiano de Limone sul Garda, na Brescia, tendo nascido, em 15 de março de 1831, numa família cristã, unida, humilde e pobre de camponeses.

Os pais, Luis e Domenica, dedicavam-lhe um amor incontido, pois era o único sobrevivente de oito filhos. Por causa da condição econômica, enviaram Daniel para estudar no Instituto dos padres mazzianos em Verona, quando, então, despertou sua vocação para o sacerdócio, especialmente para a missão da África Central, onde os mazzianos atuam.

Em 1854, já formado em filosofia e teologia, Daniel é ordenado sacerdote. Três anos depois, recebe as bênçãos dos pais e parte para a África, junto com mais cinco missionários. Após quatro meses de viagem, padre Comboni chega a Cartum, capital do Sudão. A realidade africana é cruel e choca.

As dificuldades começam no clima insuportável, passam pelas doenças, pobreza, abandono do povo e terminam com o índice elevado de mortes entre os jovens companheiros. Mas tudo isso serve de estímulo para seguir avante, sem abandonar a missão e o entusiasmo.

Pela África e seu povo, padre Comboni regressa à Itália, numa tentativa de conseguir uma nova tática para evangelizar naquele continente. Em 1864, rezando junto ao túmulo de são Pedro, em Roma, surge a luz. Elabora seu plano para a regeneração da África, resumido apenas num tema: "Salvar a África com a África", um projeto missionário simples e ousado para a época.

Padre Comboni passa, imediatamente, à ação, pede todo tipo de ajuda espiritual e material à sociedade européia, vai aos reis, bispos, ricos senhores e recorre também ao povo pobre e simples. A missão da África Central precisa de todos engajados no mesmo objetivo cristão e humanitário.

Dedica-se com tanto empenho e ânimo que consegue fundar uma revista de incentivo missionário, a primeira na Itália.

Além disso, fundou, em 1867, o Instituto dos Missionários, depois chamados de Padres Missionários Combonianos e, em 1872, o Instituto das Missionárias, mais tarde conhecidas como Irmãs Missionárias Combonianas.

No Concílio Vaticano I, ele participa como teólogo do bispo de Verona, conseguindo que outros setenta bispos assinem uma petição em favor da evangelização da África Central.

Em 1877, Comboni é nomeado vigário apostólico da África Central e, em seguida, é também consagrado o primeiro bispo católico da África Central, confirmação de que suas idéias antes contestadas são as mais eficientes para anunciar a Palavra de Cristo aos africanos.

Depois de muito sofrimento no corpo e no espírito, no dia 10 de outubro de 1881 o bispo Comboni morre, em Cartum, em meio ao povo africano, rodeado pelos seus religiosos, com a certeza de que sua obra missionária não morreria. Chamado de "Pai dos Negros" pelo papa João Paulo II, ao beatificá-lo em 1996, o mesmo pontífice declarou santo Daniel Comboni em 2003.

A sua comemoração litúrgica deve ocorrer no dia de sua morte.

São comemorados também, neste dia: São Francisco Borja, São Paulino de York e São Gereão.