quinta-feira, 17 de junho de 2021

 ABORTO: CRIME QUE CLAMA A JUSTIÇA DE DEUS

 

E todos queremos viver. Foi para isso que o Senhor Jesus veio até nós: para nos trazer a vida, a vida em abundância, a vida que não se acaba mais: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham e abundância.” (Jo 10,10).

Jesus próprio se proclamou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” (Jo 4,6).

Se a humanidade não seguir esse caminho que a levará à vida em abundância, e que passa através da verdade suprema, os homens não entenderão, jamais, o que é respeito  pela vida e, longe de Jesus Cristo, continuarão desrespeitando a vida, matando e se matando, alheios ao grande mandamento do Divino Mestre: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros, e que, assim como eu vos amei, vos ameis também uns aos outros. Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros.” (Jo 13,34-35).

No Antigo Testamento temos um exemplo deprimente sobre o respeito à vida: o faraó do Egito, o mandatário máximo, que tinha poder sobre a vida e a morte de seus súditos, vendo o povo judeu, que era escravo no Egito, se multiplicando cada vez mais a cada dia que passava, ficou preocupado por considerar isso um grande perigo para o povo egípcio, porque os judeus, como escravo que eram, se multiplicando a olhos vistos como estavam, fatalmente chegaria um dia em que seriam mais numerosos que seus senhores e poderiam provocar uma revolta para se libertarem da escravidão e até inverter a ordem das coisas: de escravos passariam a senhores.

Foi ai então que, “o rei do Egito falou às parteiras dos hebreus, uma das quais se chamava Séfora, e outra Fua, ordenando-lhes: “Quando assistires às mulheres hebréias e chegar o tempo do parto, se for menino, matai-o, se for menina, conservai-a.” (Ex 1,15-15).

O poder e a sociedade se julgam no direito de eliminar vidas que não satisfaçam seus interesses escusos. Esse crime horrendo narrado no Antigo Testamento nos revolta quando, por incrível que pareça, continua existindo até os nossos dias.

Mas, felizmente, no meio de tantas aberrações e crimes hediondos, existem corações tementes a Deus,  e as parteiras temeram a Deus, e não obedeceram à ordem do rei do Egito, mas conservavam os meninos.

Então, tendo-as chamado, o rei disse-lhes: “O que é que quisestes fazer, conservando os meninos?” Elas responderam: “As mulheres hebréias não são como as egípcias; pois sabem assistir-se no seu parto, e antes de nós chegarmos, dão à luz. Deus, portanto, fez bem às parteiras: o povo cresceu e se fortificou extraordinariamente. E porque as parteiras temeram a Deus, ele edificou-lhes casas. Então ordenou o faraó a todo o seu povo, dizendo: “Tudo o que nascer do sexo masculino lançai-o ao rio; e tudo o que nascer do sexo feminino conservai-o.” (Ex 1,17-22). 

Não adiantou a boa intenção e o temor a Deus das parteiras que se arriscaram para preservar a vida dos meninos hebreus; o faraó vendo frustrado o seu desejo e não cumprida a sua ordem de matar os meninos, ordenou a todo o seu povo que fiscalizasse o nascimento dos hebreus, dando ordem e poder para que, qualquer um do povo que assistisse ou soubesse de um nascimento hebreu, se fosse menina, deveria ser conservada, se fosse menino deveria se jogado no rio para que morresse.

Que absurdo... Quantos e quantos meninos recém-nascidos hebreus morreram, lançados nos rios, para atender aos caprichos e justificativas absurdas de um soberano poderoso e inescrupuloso.

Assim, como antigamente, nos nossos dias, os recém-nascidos  e ou os que ainda se encontram nos ventres de suas mães que não interessam ou que venham atrapalhar a vida dos pais, simplesmente são assassinados, e sem remorsos...  

Esses crimes são conhecidos como “aborto” ou “infanticídio” e ambos são crimes abomináveis aos olhos do Senhor. (GS 51).

A Igreja de Jesus Cristo, em toda a sua existência, sempre condenou o aborto. Num dos escritos antigos da Igreja e atribuído ao discípulo Barnabé, lemos uma das mais antigas confirmações da Igreja a esse respeito: “Não matarás o feto pelo aborto nem o assassinarás após o seu nascimento.” “Deus, Senhor da Vida, confiou aos homens a insigne missão de proteger a vida; e o homem deve desempenhar-se dela de um modo digno.” (Constituição Pastoral da Igreja, nr 51).

O autor sagrado frisa que o Senhor premiou a boa obra das parteiras dos judeus, abençoando as suas casas. O Senhor Nosso Deus não deixará de abençoar todos aqueles que respeitam e defendem o direito de viver.

O aborto é o crime mais abominável aos olhos do Senhor Nosso Deus porque o crime do aborto é praticado pela própria mãe que mata o seu próprio filho dentro de seu  próprio ventre, antes mesmo de ele nascer, ou que permite que se acabe com a vida que está tendo início em seu ventre.

É o maior crime contra os direitos humanos: tirar a vida de alguém que ainda, nem sequer, veio à luz, que não tem a mínima condição de se defender, e isso da maneira mais covarde possível, porque mata-se alguém que não tem a quem recorrer e, repito, não tem condições de se defender.

Quer maior covardia que isso? Mães desnaturadas que procuram médicos, parteiras, enfermeiras e curiosas, igualmente assassinos, para arrancarem violentamente de seus ventres o fruto que deveria ser do seu amor.

E quantas mães, que é do nosso conhecimento, que já praticaram, não somente um, mas vários abortos, e jogam na lata de lixo ou nas privadas, criminosamente, a vida que vem de Deus e somente a Deus pertence.

Será que esse não é um daqueles pecados que Jesus Cristo disse que não teria perdão nem nesta e nem na outra vida? “Na verdade vos digo que serão perdoados aos filhos dos homens todos os pecados e as blasfêmias que proferirem; porém o que blasfemar contra o Espírito Santo jamais terá perdão; mas será réu de eterno pecado.” (Mc 3,29; Lc 12,10; Mt, 12, 32), e será que o aborto não é a maior blasfêmia que pode ser proferida contra o Espírito Santo? Tudo isso nos faz voltar aos primeiros dias, aos primeiros meses da vida de Jesus Cristo.

Em sequência ao nascimento de Jesus aconteceram coisas maravilhosas, bonitas, alegres, confortadoras, divinas, como a participação dos Anjos anunciando aos pastores o nascimento do Salvador (Lc 2,8-1) em uma gruta humilde de Belém, e a estrela que levou os magos até onde estava o “Recém-nascido rei dos Judeus.” (Mt 2,1-12).

Mas não foram somente alegrias que marcaram o nascimento do Senhor. Aconteceram também tristezas, preocupações, lágrimas, sofrimentos, dores desesperos, lamentos. O rei Herodes, ao receber a visita dos magos que foram visitar e adorar o menino recém-nascido, se perturbou e, como o faraó do Egito, pressentiu que seu trono poderia correr perigo por ter nascido, conforme lhe disseram os magos, “o rei dos judeus” (Mt 2,2).

Como poderia ter nascido em Belém  um  “rei dos judeus”, se até aquele presente momento o único rei dos judeus era ele, Herodes? Herodes era um homem sanguinário. Para alcançar os seus objetivos ou defender o seu trono não hesitaria em exterminar qualquer indivíduo, ainda que fosse uma criancinha indefesa e recém-nascida. Tinha que descobrir quem era esse rei que nascera e onde estava, para que pudesse eliminá-lo e assim o seu trono não correria perigo de ser usurpado. Herodes, então, disse aos magos, tentando disfarçar o seu ódio: “Ide e informai-vos bem acerca do menino, e, quando o encontrardes comunicai-mo, a fim de que também eu o vá adorar.” (Mt 2,8).

Sabemos pelas Sagradas Escrituras que, após os magos haverem encontrado o menino presenteado-o e o adorado, regressaram às suas terras por outro caminho, logrando, assim, os interesses de Herodes (Mt 2,12).

Sentindo-se enganado e com medo de algum golpe de estado futuro por parte do “recém-nascido rei dos judeus”, Herodes tomou uma decisão drástica: já que não conhecia o menino que nascera e a quem chamavam “rei”, e nem sabia de seu paradeiro, ignorando onde ele estivesse, tendo apenas informações que se encontrava na cidade de Belém, “então Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos magos, irou-se em extremo, e mandou matar todos os meninos, que haviam em Belém, e em todos os seus arredores, da idade de dois anos para baixo, segundo a data que tinha averiguado dos magos.” (Mt 2,16).

Isso Herodes fez na certeza de que, no meio dessas crianças que seriam mortas à espada, estivesse também o “recém-nascido rei dos judeus” anunciado pelos magos.

Os soldados do rei cumpriram na íntegra a sua ordem: mataram todas as crianças de Belém, do sexo masculino, de dois anos para baixo, “então se cumpriu o que estava predito pelo profeta Jeremias: “Uma voz se ouviu em Ramá, pranto e grande lamentação: Raquel chorando os seus filhos, sem admitir consolação, porque já não existem.” (Mt 2,17-18).

Mas, antes que fosse levada a efeito essa terrível matança dos inocentes, um Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para lhe tirar a vida. E ele, levantando-se de noite, tomou o menino e sua mãe, e retirou-se para o Egito; e lá esteve até a morte de Herodes, cumprindo-se, deste modo o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta (Oséias) que disse: “Do Egito chamei o meu filho.” (Mt 2,13-15).

José cumpriu a determinação do Senhor livrando, desta forma, o Menino Jesus do ódio sanguinário do rei Herodes. Teríamos nós condições de imaginar o clamor, o desespero, a angústia, o lamento e a dor das mães que tiveram seus filhos arrancados violentamente de seus braços e trucidados pelas espadas criminosas dos soldados a mando do infame Herodes, e isto ainda, sem saberem o porque os seus filhos estavam sendo mortos?

Herodes existiu há dois mil anos atrás e matou crianças indefesas, arrancando-as, violentamente, dos braços maternos.

E hoje, nos nossos dias, no nosso meio, quantos Herodes ainda existem. Quantos médicos, quantas enfermeiras, quantas parteiras, quantas curiosas que arrancam, violentamente, do útero das mães, as crianças que não pediram para serem geradas, numa atitude criminosa, esmagando uma flor que ainda não floresceu, e, pior ainda, a pedido e com o consentimento das próprias mães...

Quantas mães que, para não verem prejudicadas sua beleza, sua linha estética, ou com a desculpa que não poderão criar seus filhos porque trabalham fora e isso lhes prejudicaria a carreira, ou ainda, mães solteiras, que cometeram o desatino de se entregarem a algum homem irresponsável como elas, e que se viram grávidas, e, numa atitude impensada e criminosa tal qual a atitude de Herodes, não hesitam em mandar arrancar de seu ventre o fruto de seu amor, fazendo, dessa maneira, mais um mártir da incompreensão, da ignorância, do desrespeito à vida.

Essas mães ou pais não pararam para pensar que se estão vivas ou vivos foram os seus pais que lhes deram o direito à vida, e agora estão negando esse mesmo direito que tiveram aos seus filhos que deveriam nascer...

Quem julgamos ser para decidir quem deve ou não deve nascer e viver? Quem age dessa maneira não é diferente de Herodes, quando se pratica ou   permite a prática do aborto.

A atitude de Herodes mandando matar as crianças inocentes de Belém foi extremamente criminosa mas, a atitude dos pais que praticam o aborto é ainda mias criminosa que a atitude de Herodes, porque Herodes mandou matar os filhos dos outros, e a mãe que pratica o aborto está matando o seu próprio filho, a carne de sua carne, o sangue de seu sangue.

A morte dos inocentes de Belém, provocada por Herodes, ressoa através dos tempos e o número dos inocentes eliminados pelo aborto aumenta a cada dia que passa...

Malditos sejam os médicos, parteiras, enfermeiras, farmacêuticos e curiosos que praticam o aborto.            Maldito seja o marido ou pai que permite que seja praticado o aborto em sua esposa ou companheira. Maldita seja a mulher, mãe, que permite que lhe façam o aborto; que permite que lhe arranquem violenta e criminosamente de seu ventre um inocente que é fruto de seu amor, que não pediu para ser gerado e agora é impedido de nascer...

Maldito seja o político que aprova a lei do aborto...

Esse é o crime horrível e hediondo que o Senhor Nosso Deus jamais poderá esquecer e que não será perdoado nem nesta e nem na outra vida.           Não nos esqueçamos dos inocentes mortos por Herodes...    

Não nos esqueçamos das criancinhas mortas por suas próprias mães...

quarta-feira, 16 de junho de 2021

 

“COMBATI O BOM COMBATE DA FÉ...”

 

“Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé, e a si mesmo se afligem com múltiplos tormentos. Tu porém, ó homem de Deus, foge dessas coisas. Segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança, a mansidão.  COMBATE O BOM COMBATE DA FÉ, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado, como o reconheceste numa bela profissão de fé diante de muitas testemunhas. Eu te ordeno, diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu testemunho diante de Pôncio Pilatos numa bela profissão de fé: guarda o mandamento imaculado, irrepreensível, até à Aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo que mostrará nos tempos estabelecidos o Bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade, que habita uma luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno! Amém!” (1Tm 6,10-16).

Esta é uma recomendação e um apelo, poderíamos dizer, dramático, que Paulo Apóstolo faz ao seu discípulo Timóteo e, por extensão a nós.

Paulo incita Timóteo a viver na justiça, a ser piedoso, a ter fé, a viver no amor, a ter firmeza em suas atitudes e ser manso e puro de coração.

E hoje, nos dias que vivemos a vida que o Senhor nos dá, como diz Paulo, estamos apenas cumprindo a promessa que fizemos no nosso batismo diante de muitas testemunhas.

Paulo, nessa sua carta, dá a silhueta do verdadeiro cristão; recomenda como deve ser o cristão de todos os tempos.

O cristão deve ser um homem de Deus, procurar a justiça, exercer a piedade, propagar a sua fé, viver o amor, espelhar a firmeza, se deliciar com a mansidão e ser testemunha das verdades evangélicas. O cristão deve se empenhar no bom combate da fé, “combater o bom combate da fé, conquistar a vida eterna, para a qual foi chamado” (1Tm 6,12), fortalecido pelo batismo.

  Mas, muita gente confunde as coisas.  Desconhecem totalmente o modo de vida que deve ser vivido pelo cristão que busca a vida eterna através da pureza das promessas do batismo e dentro do espírito da piedade, fé, amor, firmeza e de mansidão. Confundem as atitudes e até as palavras do nosso Mestre e Senhor Jesus.     Quantas vezes Jesus esteve diante de pessoas de má reputação e de estilo de vida nada recomendável.

Para cada tipo de pessoa Jesus se dirigia de uma maneira, de acordo com a disposição da pessoa em conhecer a verdade, de acordo com a vontade da pessoa em mudar de vida e mentalidade e trilhar o bom caminho, de acordo com o desejo de conversão de cada um.

Certa vez “um fariseu convidou-o a comer com ele. Jesus entrou, pois, na casa do fariseu e reclinou-se à mesa. Apareceu, então, uma mulher da cidade, uma pecadora. Sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. E ficando por trás, aos pés dele, chorava; e com as lágrimas começou a banhar-lhes os pés, a enxugá-los com os cabelos, a cobri-los de beijos e a ungi-los com o perfume. Vendo isso, o fariseu que o havia convidado, pôs-se a refletir: “Se este homem fosse profeta, saberia bem quem é a mulher que o toca, porque é uma pecadora.”  (Lc 7,36-39).

O Evangelista Lucas continua na sua narrativa dizendo que Jesus leu os pensamentos do fariseu, deu-lhe uma resposta à altura de sua recriminação e termina se dirigindo à mulher, conhecida por seus atos reprováveis, mas que, pela sua atitude de se aproximar de Jesus, demonstrava profundo arrependimento, dizendo: “... teus pecados estão perdoados... ... tua fé te salvou; vai em paz.” (Lc 7,48.50).       

Em outra ocasião, estando Jesus a pregar a Boa Nova, “todos os publicanos e pecadores estavam se aproximando para ouvi-lo. Os fariseus e os escribas, porém,, murmuravam: “Esse homem recebe  os pecadores e come com eles.” (Lc 15,1-2).

E, novamente, Jesus que não perdia oportunidade para evangelizar e transmitir a Boa Nova do Reino, conta uma  série de parábolas entremeando-as com ensinamentos da verdade, dando aos escribas e fariseus, que se julgavam extremamente santos e desprezavam os pecadores, respostas à altura de suas recriminações. Jesus jamais afastou de si quem a ele se chegasse com proposta de arrependimento.

Exemplo disso temos quando, no momento supremo do seu sacrifício no alto da cruz, no Calvário, “um dos malfeitores suspensos à cruz o insulta, dizendo: “Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós.” Mas o outro, tomando a palavra, o repreendia: “Nem sequer temes a Deus, estando na mesma condenação? Quanto a nós, é de justiça; estamos pagando por nossos atos; mas ele não fez nenhum mal.” E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino.” E Jesus respondeu: “Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lc 23,39-43).

Os pecadores, ladrões, prostitutas que tinham realmente o desejo do arrependimento, da conversão, da mudança de vida e de mentalidade, Jesus os recebia com amor, com palavras amigas e confortadoras, dando até a certeza de que, se eles realmente mudassem de vida e mentalidade, o reino de Deus seria deles e não dos hipócritas escribas e fariseus que se julgavam santos e proprietários do Reino dos Céus, e, dirigindo-se a eles e aos chefes dos sacerdotes e anciãos do povo que contestavam a autoridade de Jesus (Mt 21,23), fez essa terrível revelação: “Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas estão vos precedendo no Reino de Deus. Pois João veio a vós, num caminho de justiça, e não crestes nele. Os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, vendo isso, nem sequer reconsiderastes para crer nele.” (Mt 21,31-32).

terça-feira, 15 de junho de 2021

 

BEM-AVENTURADA ALBERTINA BERKENBROCK – PRIMEIRA MÁRTIR BRASILEIRA DA PUREZA - 1919-1931

 

Albertina nasceu a 11 de abril de 1919, em São Luís, município de Imaruí, no Estado de Santa Catarina.

Foi batizada no dia 25 de maio de 1919, crismou-se a 9 de março de 1925 e fez a primeira comunhão no dia 16 de agosto de 1928. Seus pais e familiares souberam educar a menina na fé, transmitiram-lhe muito cedo as principais verdades da Igreja.

Albertina aprendeu logo as orações, era perseverante em fazê-las e muito recolhida ao rezar. Sempre que um padre aparecia em São Luís, lá ia ela participar da vida religiosa da comunidade. Confessava-se com frequência, ia regularmente à missa, comungava com fervor, e preparou-se com muita diligência para a primeira comunhão.

Falava muitas vezes da Eucaristia e dizia que o dia de sua primeira comunhão fora o mais belo de sua vida. Albertina foi também muito devota de Nossa Senhora, venerava-a com carinho, tanto na capela da comunidade como em casa. Junto com os familiares recitava o terço e recomendava a Maria sua alma e sua salvação eterna.

Tinha especial devoção a São Luiz, titular da capela e modelo de pureza. A formação cristã instilou em Albertina a inclinação à bondade, às práticas religiosas e à vivência das virtudes cristãs, na medida em que uma menina de sua idade as entendia e podia vivê-las.

Nada de estranho se seus divertimentos refletiam seu apego à vida religiosa. Gostava de fazer cruzinhas de madeira, colocava-as em pequenos sepulcros, adornava-os com flores. Foi no ambiente simples, belo e cristão de sua família que Albertina cresceu.

Albertina ajudava os pais nos trabalhos da roça e em casa. Foi dócil, obediente, incansável, sacrificada, paciente, mesmo quando os irmãos a mortificavam, e até lhe batiam. Ela suportava tudo em silêncio, unindo-se aos sofrimentos de Jesus que amava sinceramente.

Também fora de casa Albertina se apresentava como modelo para os colegas e motivo de admiração para os adultos. Gozava de grande estima na escolinha local, particularmente por parte de seu professor, que a elogiava por suas condições espirituais e morais superiores à sua idade que a distinguiam entre as colegas de escola.

Albertina se aplicou ao estudo, aprendeu bem o catecismo, conheceu os mandamentos de Deus e seu significado. Jamais faltou à modéstia. Se pensarmos na maneira como sacrificou sua vida, conforme declarou seu professor, ela tinha compreendido o sentido do sexto mandamento no que tange à pureza e à castidade. Foi menina boa, estimada por colegas e por adultos.

Às vezes, porém, alguns meninos punham à prova sua mansidão, modéstia, timidez e repugnância por certas faltas. Albertina então se calava. Nunca se revoltou, menos ainda nunca se vingou, mesmo quando lhe batiam.

Albertina era pessoa cândida, simples, sem fingimentos, vestia-se com simplicidade e modéstia. Sua caridade era grande. Gostava de acompanhar as meninas mais pobres, de jogar com elas e com elas dividir o pão que trazia de casa para comer no intervalo das aulas. Teve especial caridade com os filhos do seu assassino, Indalício Cipriano Martins (conhecido também como Manuel Martins da Silva ou Maneco Palhoça) que trabalhava na casa do pai. Muitas vezes Albertina deu de comer a ele e aos filhos pequenos, com os quais se entretinha alegremente, acariciando-os e carregando-os ao colo. Isto é tanto mais digno de nota quanto Maneco era negro, sabendo-se que nas regiões de colonização européia uma dose de racismo sempre esteve presente. Todas essas atitudes cristãs mostram que Albertina, apesar de sua pouca idade, era pessoa impregnada de Evangelho.

Não é de estranhar, portanto, se teve forças para comportar-se com fortaleza cristã no momento de sua morte a fim de defender sua pureza e virgindade.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

 

NOSSA SENHORA DE LA SALETTE

O LUGAR EM QUE NOSSA SENHORA ANUNCIOU A DOIS ADOLESCENTES O QUE ESTAMOS VENDO HOJE

 

A cada um dos jovens, ela transmitiu um segredo que o outro não ouviu; pediu-lhes oração e os orientou a divulgar a sua mensagem.

Nossa Senhora apareceu no sul da França para dois jovens e humildes cuidadores de vacas: Melanie Mathieu, de 15 anos, e Maximin Giraud, de 11. Nenhum deles sabia ler nem escrever, nem tinha qualquer instrução religiosa.

Durante a década de 1840, a França esteve mergulhada em turbulências políticas. A prática da religião tinha diminuído; os conflitos, a doença e a fome provocavam a emigração.

Nos campos, perto da aldeia de La Salette, os dois jovens visionários relataram ter visto um globo brilhante de luz, que se abriu para revelar uma bela Senhora que chorava, sentada sobre uma rocha. Ela usava uma coroa de ouro, um vestido de luz, sandálias adornadas com rosas e um crucifixo de ouro que pendia de uma corrente ao pescoço, com um par de pinças de um lado e um martelo no outro.

Ela falou com eles em francês e depois no seu dialeto ocitano. Com grande tristeza, Nossa Senhora falou da descrença das pessoas e, especificamente, da ofensa de trabalharem aos domingos e de usarem linguajar blasfemo. Também avisou sobre a vinda iminente de colheitas raquíticas e de uma grande fome, caso a sua mensagem não fosse ouvida.

A cada uma das crianças, ela transmitiu um segredo que o outro não ouviu, pediu-lhes fazer as suas orações e os orientou a divulgar a sua mensagem às pessoas. A Senhora da Luz desapareceu lentamente e o globo de luz foi ficando cada vez menor, elevando-se no ar até não ser mais visto.

Durante os dias seguintes à aparição, as crianças tiveram que contar a história várias vezes, sob rigorosos interrogatórios, além de serem levadas ao local da visão inúmeras vezes. Numa das idas, os interrogadores quebraram um pedaço da rocha sobre a qual Nossa Senhora tinha se sentado. Irrompeu dali uma fonte, a cujas águas foram atribuídas, depois, muitas curas milagrosas.

Começaram as peregrinações ao local, a despeito da forte oposição das autoridades. Em meio a questionamentos e ameaças para se retratarem, os dois visionários mantiveram a coerência dos seus relatos. Em 1846, houve uma quebra da safra, seguida, em 1847, por uma grande fome na Europa toda. Houve milhares de mortes no continente. Só na França, foram 100 mil mortos.

Depois de quatro anos e duas investigações, o bispo de Grenoble aprovou a devoção a Nossa Senhora de La Salette. Em 1851, o papa Pio IX a confirmou oficialmente.

Pelo resto da vida, as controvérsias acompanharam os visionários. Seus segredos também foram publicados. O de Maximin tratava da perda da fé na França, da Igreja se movendo na escuridão e da ascensão do anticristo. O de Melanie falava da perda da fé em Roma e de uma vindoura perseguição contra o papa, os sacerdotes e os religiosos.

A mensagem universal de Nossa Senhora se voltava à conversão, à penitência e à oração. Seu título em La Salette é “Reconciliadora dos pecadores“.

domingo, 13 de junho de 2021

 

“O REINO DE DEUS É COMO UMA SEMENTE DE MOSTARDA, QUE É A MENOR DE TODAS AS SEMENTES DA TERRA”. (Mc 4,26-34).

 

XI DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

A FORÇA DO REINO – O GRÃO DE MOSTARDA

Ano – B; Cor – Verde; Leituras: Ez 17,22-24; Sl 91 (92); 2Cor 5,6-10; Mc 4,26-34.

 

Diácono Milton Restivo

 

Todo o ano litúrgico gira em torno de um único mistério: a morte e ressurreição de Jesus em sua plenitude.  No tempo comum, como nos demais tempos litúrgicos, damos continuidade à celebração desse mistério de Cristo.

Em cada domingo, fazemos memória dos relatos da vida pública de Jesus.

Celebrando diferentes acontecimentos narrados nas Sagradas Escrituras, vamos nos aproximando mais e mais do mistério de amor de Deus pela humanidade.

Tendo como ponto de referência a Páscoa, cada domingo é o fundamento e o núcleo do próprio ano litúrgico (SC aa106). Até porque, de acordo com o testemunho das Escrituras, a assembléia cristã de culto acontece no primeiro dia da semana:

·         “No primeiro dia da semana, estávamos reunidos para a fração do pão.” (At 20,7);

·         “Todo primeiro dia da semana, cada um coloque de lado aquilo que conseguiu economizar...” (1Cor 16,2).

Para entendermos bem o que seja o Tempo Comum, vamos buscar nos escritos do Padre José Bortolini um esclarecimento que nos seja razoável:

·         ”Tempo Comum, na liturgia, não é sinônimo de rotina ou algo que acontece sem ser notado. O tempo comum abraça todas as estações do ano: um pouco do verão em janeiro e fevereiro, um pouco do outono em junho, todo o inverno e dois terços da primavera. As estações são uma metáfora das etapas da vida ao longo do tempo comum. O desabrochar da existência na primavera e no Batismo das crianças; a pujança, vitalidade e fecundidade dos jovens e adultos no Crisma e Matrimônio; o branquear dos cabelos e amadurecimento sapiencial no outono da terceira idade; o inverno e o silêncio, a Unção dos Enfermos e a Páscoa irreversível de cada pessoa rumo à casa do Pai: “Não fique perturbado o coração de vocês. Acreditem em Deus e acreditem também em mim. Existem muitas moradas na casa do meu Pai. Se não fosse assim, eu lhes teria dito, porque vou preparar um lugar para vocês. E quando eu for e lhes tiver preparado um lugar, voltarei e levarei vocês comigo, para onde eu estiver, estejam vocês também”. (Jo 14,1-3). O Tempo Comum está inserido no Ano Litúrgico que é a celebração da vida de Jesus Cristo ao longo de um ano. A cada ano, nós, os cristãos, revivemos as etapas mais importantes da vida de nosso Senhor: seu nascimento, a morte, ressurreição, ascensão e o envio do Espírito Santo; durante o Ano Litúrgico nossa caminhada de fé é marcada pelos momentos fortes da vida do Senhor. A solenidade da Santíssima Trindade é a primeira grande celebração após a retomada do Tempo Comum. A cor litúrgica que a Igreja se reveste durante o Tempo Comum é o verde: o altar (mesa da Eucaristia) e o ambão (mesa da Palavra) estarão revestidos com uma toalha de cor verde; os paramentos do presidente da celebração: as estolas e a casula do bispo e do padre e a estola e a dalmática do diácono também serão verdes. O verde é a cor da esperança. O Tempo Comum, no começo do ano, começa logo após o fim do Ciclo do Natal, que se encerra com o Batismo do Senhor. A segunda-feira seguinte à festa do Batismo do Senhor já é a segunda-feira da primeira semana do Tempo Comum. Neste ano de 2.012, durante o período do Tempo Comum, estamos no ano B no que se refere às leituras do Evangelho; o ano B é de Marcos, assim como o Ano A é Mateus e o Ano C é Lucas. A primeira leitura dos domingos do Tempo Comum é sempre do Antigo Testamento e, tematicamente, prepara o terreno para o Evangelho. O Salmo responsorial está sempre sintonizado com a primeira leitura. A segunda leitura é sempre do Novo Testamento e é leitura contínua dos principais trechos das Cartas e do Apocalipse. Nem sempre a segunda leitura combina estreitamente com a primeira e o Evangelho. Um dos objetivos dessa organização é fornecer, no intervalo de três anos, uma visão integral dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas.” (extraído do livreto “Por que creio - Tempo Comum, 40 respostas e perguntas” do Padre José Bortolini, editora Paulus).

É no comum da vida que se prova a arte de bem viver.

É no cotidiano que provamos nossa fidelidade ao Senhor, razão de nossa vida e de nossa missão. Assim o Tempo Comum do Ano Litúrgico evidencia a presença amorosa e fiel do Senhor nos acontecimentos extraordinários ou rotineiros que tecem nosso dia-a-dia: conflitos e cansaços, convivência, trabalho, lazer, lutas... 

Experimentamos a Páscoa vivendo o dia-a-dia como tempo de graça e salvação.

O Domingo é, no Tempo Comum, Páscoa e Pentecostes semanais, dia do encontro gratuito da comunidade para proclamar a vida que vence continuamente a morte, fazendo a memória do mistério Pascal de Jesus.

A liturgia recomeça o Tempo Comum com Jesus continuando a falar em parábolas sobre o Reino de Deus. No capítulo 4 de Marcos Jesus continuou a ensinar o povo por meio de parábolas.

Primeiro Jesus conta a parábola do semeador que saiu para semear, que nós conhecemos como a parábola do semeador.

Como é sabido, parábola é uma narração, geralmente curta e baseada num acontecimento rotineiro e diário ou sazonal, para ensinar uma verdade vivencial, moral ou espiritual, através de comparação com a vida real.

A parábola é uma das formas da pregação de Jesus:

·         “Muitas coisas lhes falou em parábolas” (Mt 13,3). 

Jesus fala aos discípulos e às multidões em parábolas.

A parábola permite então uma avaliação da profundidade das relações que cada pessoa tem com Jesus: o critério de nossa intimidade com Cristo está no fato de sermos seus discípulos (Mt 12,48-49; 13,55-57).

A parábola é “sacramento”, isto é, a parábola é um gesto de Deus para o homem, um chamado e uma “provocação” de Deus ao interlocutor humano.

Na parábola Jesus retoma casos e imagens da própria vida: o campo, a semeadura, a casa, o mercador, a ovelha, o patrão, o empregado, a vinha... É da realidade terrena e da vida vivida de cada dia que Jesus chega às realidades sobrenaturais. É a lógica da encarnação.

Jesus, sempre que ficava sozinho com seus discípulos, estes lhe perguntavam qual era o sentido das parábolas que lhes contava:

·         “Quando Jesus ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram o que significavam as parábolas”. (Mc 4, 10). 

E Jesus os esclarecia a respeito. 

No Evangelho deste domingo Jesus inicia falando do homem que lançou a semente na terra. 

Essa é a nossa função, essa é a função de todos os cristãos: lançar a semente. Como na parábola do semeador, não importa aonde a semente venha a cair, o importante é semear.

Não é responsabilidade do semeador se a semente cair em terreno árido, rochoso, cheio de espinhos, e também não é sua responsabilidade se a semente vier a germinar ou não. Isso vai depender do terreno onde a semente caiu e da participação do agricultor, que é o Pai.

Por isso, Jesus tranquiliza o semeador:

·         “Depois ele dorme e acorda, noite e dia, e a semente vai brotando e crescendo, mas o homem não sabe como isso acontece”. (Mc 4,27).

Depois de espalhar a semente, de proclamar a Palavra, o semeador, o cristão, pode dormir e acordar sossegado na certeza de ter cumprido o seu dever; o que vem depois vai depender da terra em que a semente, a Palavra foi semeada:

·         porque o homem não sabe como isso acontece”, porque é o Pai que passa a agir, e “a terra produz fruto por si mesma” (Mc 4,28a).

Os resultados se fazem aparecer:

·         “primeiro aparecem as folhas, depois a espiga e, por fim, os grãos enchem a espiga” (Mc 4,28b).

Há a necessidade de que o semeador que semeia a semente ou o cristão que proclama a Palavra confiarem e serem pacientes até que elas germinem e frutifiquem como se estivessem esperando a vinda do ceifador, que é o Pai, o agricultor, conforme disse Tiago em sua carta:

·         “Irmãos, sejam pacientes até a vinda do Senhor. Olhem o agricultor: ele espera pacientemente o fruto precioso da terra, até receber a chuva do outono e da primavera. Sejam pacientes vocês também; fortaleçam os corações, pois a vinda do Senhor está próxima”. (Tg 5,7).

Mas Jesus não para por ai; ele quer ver o resultado da germinação e da frutificação da semente que foi lançada na terra:

·         “Quando as espigas estão maduras, o homem corta com a foice, porque o tempo da colheita chegou”. (Mc 4,29).

Assim como o semeador anseia pelo resultado de sua plantação, e quando ela frutifica, ele apanha a foice para apará-la e colhê-la, também o Pai, o agricultor anseia pela germinação e frutificação da Palavra que foi lançada nos corações; no tempo oportuno Ele virá com a foice para colher os seus frutos; os colherá, se tiverem vingado ou os cortará e lançará fogo na plantação se estes o tiver decepcionado, conforme já dissera o profeta Joel:

·         “Lancem a foice, porque a colheita está madura. Venham pisar, pois o tanque está cheio e os barris transbordando, porque é grande a maldade das nações”. (Jl 4,13). 

Depois dessa explanação, Jesus volta a se preocupar com o Reino dos Céus e procura fazer uma comparação ou alusão:

·         “O Reino é como uma semente de mostarda, que é a menor de todas as sementes da terra. Mas quando é semeada, a mostarda cresce e torna-se maior que todas as plantas; ela dá ramos grandes, de modo que os pássaros do céu podem fazer ninhos à sua sombra”. (Mc 4,31-32).

Como poderíamos trazer para os nossos dias essa comparação que Jesus faz do Reino, da semente de mostarda, do seu crescimento vertiginoso, dos seus grandes galhos e do abrigo que fornece aos pássaros?

O Reino de Deus é uma realidade no nosso meio. Um grande edifício começa com o lançamento de um pequeno tijolo. Com pequenas pedras se faz uma grande montanha. Com gotas de água se formam fontes, que se tornam rios que se agrupam no mar, formando o grande oceano. Uma grande ceara começa com o lançamento, por parte do semeador, de uma primeira e pequena semente. Então o Reino de Deus começa com cada um dos cristãos.

O cristão é o primeiro tijolo, a primeira pedra, a primeira gota de água, a primeira pequenina semente de uma grande plantação que é o Reino de Deus.

O que está faltando para que Deus realize o seu grande sonho de concretizar o Reino dos Céus? Semeadores da Palavra. Para o semeador exercer a sua função há a necessidade da semente.

Tentar fazer uma colheita sem plantar a semente é completamente ridículo.

Além de semeadores da Palavra, o cristão também deve ser semente nas mãos do Pai e que esteja disposto a que o Senhor o plante onde ele queira.

Toda semente destaca-se pela insignificância, humildade e pequenez, e Jesus faz referência à menor de todas as sementes, a da mostarda.

Quando o cristão se identificar com essa semente e se deixar ser plantado onde o Pai o determina, de única, humilde e solitária semente, ele germinará, crescerá, frutificará e os pássaros do céu irão buscar conforto e refúgio nos seus galhos.

Jesus define bem o sacrifício, a entrega total e a missão da semente:

·         “Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muitos frutos”. (Jo 12,24).

O Reino de Deus começou somente com um que subiu na montanha para rezar, que depois escolheu doze, que depois escolheu setenta e dois:

·         “Nesses dias, Jesus foi para a montanha a fim de rezar. E passou toda a noite em oração a Deus. Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze entre eles, aos quais deu o nome de apóstolos”. (Mt 6,12-13).

·         “Chamou os doze discípulos, começou a enviá-los dois a dois e dava-lhes poder sobre os espíritos maus”. (Mc 6,7).

·         “Convocando os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, bem como para curar doenças, e enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar” [...] “Depois disso escolheu outros setenta e dois discípulos, e os enviou dois a dois para toda cidade e lugar onde ele próprio devia ir”. (Lc 9,1-2; 10,1). 

Por que os mandou dois a dois para proclamar a chegada do Reino? Porque ele havia dito:

·         “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”. (Mt 18,20).

Veja como o Reino de Deus se propagou por sobre a terra: começou com uma simples sementinha de trigo que foi jogada no chão, morreu e, depois de três dias, ressuscitou germinando, e deu muitos frutos:

·         “Eu garanto a vocês; se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muito fruto.” (cf Jo 12,24);

Esse grão que caiu na terra, morreu e ressuscitou, escolheu doze, depois escolheu setenta e dois, depois escolheu a mim e a você e que, por nós, fundou a Igreja sobre a qual o poder do inferno nada poderá contra ela:

·         “... e o poder da morte nunca poderá vencê-la.” (Mt 16,18b).

E tudo começou com um pequeno grão de mostarda, com o grão de trigo que foi crucificado, jogado na terra, ressuscitado para nos enviar o Espírito de Deus.

Será que deu para entender o que Jesus quis dizer:

·         “O Reino é como uma semente de mostarda, que é a menor de todas as sementes da terra. Mas quando é semeada, a mostarda cresce e torna-se maior que todas as plantas; ela dá ramos grandes, de modo que os pássaros do céu podem fazer ninhos à sua sombra”. (?) (Mc 4,31-32).  

 

SEIS FATOS SOBRE SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA E LISBOA QUE TALVEZ VOCÊ NÃO CONHECIA

 

Para começar, ele nem se chamava Antônio nem era de Pádua - mas calma: ele era, sim, um dos maiores santos da história da Igreja

Ele é um dos mais queridos e populares santos católicos em todo o mundo. Saiba mais sobre este grande homem de Deus:

 

1. Não se chamava Antônio e não era de Pádua

Seu nome de batismo era Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo. Passou a se chamar Antônio aos 25 anos, quando se tornou frade franciscano. Santo Antônio era português. Ele nasceu em Lisboa em 1195. Aliás, é perfeitamente correto chamá-lo de Santo Antônio de Lisboa. No Brasil, devido entre outros fatores à forte imigração italiana, ele é mais conhecido como Santo Antônio de Pádua porque viveu grande parte da vida e da missão naquela cidade italiana, onde se tornou imensamente querido e famoso.

 

2. Foi agostiniano antes de franciscano

Aos 15 anos, ele entrou na ordem de Santo Agostinho, mas, dez anos depois, se uniu aos frades menores de São Francisco de Assis. A mudança se deveu ao seu desejo de pregar o Evangelho aos muçulmanos sarracenos. Chegou a ir ao Marrocos, mas foi obrigado a retornar à Europa por causa de uma grave doença.

 

3. Tinha dons espirituais extraordinários 

Sua voz era clara e forte, sua aparência era imponente, sua memória era prodigiosa, seu conhecimento era profundo, além de ter espírito de profecia e um extraordinário dom de milagres.

Foi testemunha de uma aparição do Menino Jesus, a quem segurou em seus braços – e é por isso que é assim representado em estátuas e pinturas.

 

4. É conhecido como um grande santo “milagreiro”

Sua fama de realizar atos prodigiosos perdura até hoje. Entre seus muitos milagres, é bem famoso o do “pé decepado”. Em Pádua, durante um acesso de fúria, um jovem chamado Leonardo chutou a própria mãe e, arrependido, foi se confessar com Santo Antônio, que, para ilustrar a gravidade daquele pecado, lhe disse: “O pé de quem chuta a própria mãe merece ser cortado”. Leonardo levou a frase ao pé da letra e decepou seu pé. Ao saber do fato, Santo Antônio milagrosamente fez o pé voltar a se unir ao corpo do jovem. Outro de seus mais extraordinários milagres é o da “mula do herege”.

Na cidade havia um homem que não acreditava e desdenhava da Eucaristia. Em conversa com o frei Antônio, o homem propôs ao santo fazerem uma prova de que a Eucaristia era uma farsa, dizendo: “Vou deixar o meu burro sem comida e sem água por três dias.No terceiro dia eu trago para ele feno e água e você trás a sua Eucaristia. Vamos ver o que ele prefere?” Antonio aceitou a proposta. O burro do herege ficou sem comer e beber por três dias. No terceiro dia a cidade, que havia tomado conhecimento da proposta, compareceu em peso no local onde estava o burro faminto. No local estavam o burro faminto, o herege com feno e água e o Frei Antonio com a Eucaristia. Soltaram o burro para ver o que aconteceria. A cidade ficou estupefata pela cena que assistiram: quando soltaram o burro, ao invés de ele se dirigir para o feno e a água, ele se dirigiu para o frei Antonio que estava segurando o Santíssimo Sacramento e se ajoelhou com as patas da frente diante da Eucaristia.

 

5. Foi chamado pelo Papa de “santo de todo o mundo

O Papa Leão XII o chamou de “santo de todo o mundo” devido à enorme extensão da devoção a ele, que é padroeiro dos pobres, viajantes, pedreiros, padeiros, entre outros profissionais. Além disso, Santo Antônio é muito “procurado” por quem lhe pede intercessão a fim de encontrar um bom marido ou esposa. Há quem chegue a colocar a sua imagem de cabeça para baixo como modo de “forçá-lo” a interceder por esse objetivo, mas esta superstição é uma prática não-cristã, que deturpa a genuína devoção a ele e o próprio sentido da intercessão dos santos segundo a fé católica.

6. Sua canonização foi a mais rápida da história!

 

O Papa Gregório IX o canonizou menos de um ano após a sua morte, no dia de Pentecostes de 1232, que, na ocasião, caiu num 30 de maio.

sábado, 12 de junho de 2021

 

IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

 

Maria guardava e meditava todas as palavras de Jesus em seu coração. Esta festa do Imaculado Coração de Maria celebra-se no sábado, após a festa do Sagrado Coração de Jesus.

A história da devoção ao Coração de Maria tem seu fundamento no próprio Evangelho. A profecia de Simeão abriu o caminho e apresentou na imagem do coração traspassado com uma espada, uma das representações mais populares.

Outra passagem bíblica que ilustra a devoção está em Lucas, que por duas vezes diz que Maria guardava e meditava todas as palavras de Jesus em seu coração.

No Evangelho, Isabel proclama Maria bem-aventurada porque acreditou nas palavras do anjo.

O próprio Jesus diz: "Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática". No século XVII, São João Eudes propagou a devoção ao Coração de Maria e a tornou pública. Instituiu várias sociedades religiosas para defesa e promoção da devoção, que são citadas no seu livro "Coração Admirável", publicado em 1681.

Depois de repetidos pedidos, em 08 de dezembro de 1942, vigésimo quinto aniversário das aparições em Fátima, o Papa Pio XII dedicou a Igreja e o gênero humano ao Coração Imaculado de Maria. Instituiu a festa do Imaculado Coração de Maria no sábado, após a Festa do Sagrado Coração de Jesus. 

sexta-feira, 11 de junho de 2021

 

PASTORZINHOS DE FÁTIMA

SANTO ANJO DA GUARDA DE PORTUGAL, ROGAI POR NÓS.

 

Anjo da Paz, da Pátria, da Eucaristia. As três aparições desse anjo em Portugal compuseram o ciclo angélico da mensagem de Fátima.

Na primavera de 1916, as 3 crianças estavam na Loca do Cabeço (Fátima) a pastorear, quando apareceu-lhes um jovem de mais ou menos 14 ou 15 anos, mais branco que a neve, dizendo: “Não temais, sou o Anjo da Paz, orai comigo: Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam”. As crianças rezaram por três vezes, com o rosto ao chão. Depois ouviram do anjo: “Orai assim. Os corações de Jesus e de Maria, estão atentos à voz de vossas súplicas”. Essa oração acompanhou os pastorinhos sempre.

A segunda aparição deu-se num dia de verão, no quintal da casa de Lúcia, no Poço do Arneiro. As crianças estavam brincando sobre o poço, quando o anjo apareceu-lhes dizendo: “Que fazeis? Orai, orai muito. Os corações santíssimos de Jesus e de Maria, tem sobre vós desígnios de misericórdia… eu sou o Anjo da sua guarda, o anjo de Portugal”.

Na terceira aparição, outono do mesmo ano, novamente na Loca do Cabeço, as crianças rezavam a oração que aprenderam na primeira aparição, e o Anjo lhes apareceu com o cálice e uma hóstia. A hóstia a pingar gotas de sangue no cálice. Elas ajoelharam, e o anjo ensinou-lhes esta oração profundíssima que diz da essência da mensagem de Fátima: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente. E ofereço-vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo presente em todos os sacrários da Terra. Em reparação aos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido, e pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores”. Depois disso, o Anjo da Eucaristia, entregou a hóstia para Lúcia e o cálice entre Francisco e Jacinta e disse-lhes: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.”

quinta-feira, 10 de junho de 2021

 

SÃO BARNABÉ APÓSTOLO

 

Barnabé não fez parte dos primeiros doze apóstolos escolhidos por Jesus. Mas acompanhou o Senhor e os apóstolos naqueles primeiros dias.

Quando assistiu a um milagre realizado por Jesus Cristo, que diante de seus olhos curou um paralítico, aquele bondoso judeu resolveu pedir admissão entre seus discípulos.

Aceito, vendeu um campo de plantações que possuía para doar seu dinheiro aos apóstolos, como conta Lucas nos Atos. Assim era Barnabé, homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé, segundo narram as Sagradas Escrituras.

Barnabé era da tribo de Levi e veio ao mundo na ilha de Chipre. Foi ali que estudou, na companhia de Paulo, com o célebre mestre Gamaliel, com quem aprendeu a firmeza de caráter, as ciências e as virtudes.

Chamava-se José e, quando foi admitido entre os apóstolos, recebeu o nome de Barnabé, que significa "filho da consolação", devido ao seu maravilhoso dom de acalmar e de consolar os aflitos. No quarto capítulo do Ato dos Apóstolos, Barnabé também é chamado de o "filho da exortação". Foi pelas mãos de Barnabé que Paulo de Tarso, o terrível perseguidor dos cristãos, ingressou nos círculos judeo-cristãos, sendo apresentado a Pedro, Tiago e aos fiéis de Jerusalém depois de sua conversão.

Barnabé também o acompanhou em sua primeira viagem apostólica e foram parceiros na grande obra de conversão realizada em Antioquia, onde estabeleceram e firmaram a primeira comunidade a chamar de cristãos aos fiéis seguidores de Cristo.

Depois, aos dois se juntou João Marcos, e viajaram por Salamina, Patos, Chipre, Panfília, Pisídia, Icônio e Listra, pregando e realizando milagres como testemunho da presença do Espírito Santo. Todo esse trabalho foi reconhecido pelo Concílio de Jerusalém, bem como o trabalho que realizou depois de passar a pregar separado de João Marcos e de Paulo, deste último por decisão pessoal, após uma divergência.

Barnabé estava em Chipre quando foi martirizado no ano 61. Segundo uma antiga tradição, Barnabé pregava na sinagoga da Salamina quando foi interrompido por uma multidão de judeus fanáticos. O apóstolo foi sequestrado, levado para fora da cidade e apedrejado. Entretanto existe uma outra, tão antiga quanto esta, que narra Barnabé pregando em Alexandria e em Roma, e que diz, ainda, que teria sido consagrado o primeiro bispo de Milão, cidade que o tem como seu padroeiro até hoje.

São lembrados também, neste dia: Santa Paula Frassinetti, São Parísio, Santos Félix e Fortunato (dois irmãos mártires de Aquileia).

quarta-feira, 9 de junho de 2021

 

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA – O TERCEIRO SANTO BRASILEIRO

 

São José de Anchieta SJ, nascido em San Cristóbal de La Laguna, na ilha de Tenerife, arquipélago das Canárias, a 19 de março de 1534 e falecido em Reriritiba a 9 de junho de 1597, foi um padre jesuíta espanhol, um dos fundadores da cidade de São Paulo, declarado beato pelo Papa João Paulo II e santo pelo Papa Francisco.

É cognominado de Apóstolo do Brasil.

Anchieta é o primeiro dramaturgo, o primeiro gramático e o primeiro poeta nascido nas Ilhas Canárias, e pai da literatura brasileira. José de Anchieta era filho de Juan de Anchieta Celayaran e de Mencía Díaz de Clavijo, descendente da nobreza canária. Era primo de Santo Inácio de Loyola. Seu pai era um revolucionário basco e um grande devoto da Virgem Maria. Sua mãe era natural das Ilhas Canárias, filha de judeus cristãos-novos.

O avô materno, Sebastião de Llarena, era um judeu convertido do Reino de Castela. Dos doze irmãos, além dele abraçaram o sacerdócio Pedro Núñez e Melchior. Anchieta viveu com a família até aos quatorze anos de idade, quando se mudou para Coimbra, em Portugal, onde foi estudar Filosofia no Real Colégio das Artes e Humanidades, anexo à Universidade de Coimbra.

A ascendência judaica foi determinante para que o enviassem para estudar em Portugal, uma vez que na Espanha, à época, a Inquisição era mais rigorosa. Ingressou na Companhia de Jesus em 1551 como irmão.

Tendo o padre Manoel da Nóbrega, Provincial dos Jesuítas no Brasil, solicitado mais braços para a atividade de evangelização do Brasil (mesmo os fracos de engenho e os doentes do corpo), o Provincial da Ordem, padre Simão Rodrigues, indicou, entre outros, José de Anchieta.

Anchieta, que padecia de "espinhela caida", chegou ao Brasil em 13 de Junho de 1553, com menos de 20 anos de idade, com outros padres como o basco João de Azpilcueta Navarro.

Noviço, veio na armada de Duarte Góis e só mais tarde conheceria Manoel da Nóbrega, de quem se tornaria particular amigo. Nóbrega lhe deu a incumbência de continuar a construção do Colégio e foi a partir deste que Anchieta abriu os caminhos do sertão, aprendendo a língua tupi e compondo a primeira gramática desta que, na América Portuguesa, seria chamada de "língua geral".

No seguimento da sua ação missionária, participou da fundação, no planalto de Piratininga, do Colégio de São Paulo, do qual foi regente, embrião da cidade de São Paulo, junto com outros padres da Companhia, em 25 de janeiro de 1554. Esta povoação contava, no primeiro ano da sua existência com 130 pessoas, das quais 36 haviam recebido o batismo.

Sabe-se que a data da fundação de São Paulo é o dia 25 de Janeiro por causa de uma carta de Anchieta aos seus superiores da Companhia de Jesus, na qual diz: “A 25 de janeiro do ano do Senhor de 1554 celebramos em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo, e por isso, a ele dedicamos nossa casa”. 

O religioso cuidava não apenas de educar e catequizar os indígenas, como também de defendê-los dos abusos dos colonizadores portugueses que queriam não raro escravizá-los e tomar-lhes as mulheres e filhos. Esteve em Itanhaém e Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, na quaresma que antecedeu a sua ida à aldeia de Iperoig, juntamente com o padre Manuel da Nóbrega, em missão de preparo para o Armistício com os Tupinambás de Ubatuba (Armistício de Iperoig).

Nesse período, em 1563, intermediou as negociações entre os portugueses e os indígenas reunidos na Confedração dos Tamoios, oferecendo-se Anchieta como refém dos Tamoios em Iperoig, enquanto o padre Manuel da Nóbrega retornou a São Vicente juntamente com Cunhambebe (filho) para ultimar as negociações de paz entre os indígenas e os portugueses. Durante este tempo em que passou entre os gentios compôs o "Poema à Virgem".

Segundo uma tradição, teria escrito nas areias da praia e memorizado o poema, e apenas mais tarde, em São Vicente, o teria trasladado para o papel. Ainda segundo a tradição, foi também durante o cativeiro que Anchieta teria em tese "levitado" entre os indígenas, os quais, imbuídos de grande pavor, pensavam tratar-se de um feiticeiro. Lutou contra os franceses estabelecidos na França Antártica na baía da Ganabara; foi companheiro de Estácio de Sá, a quem assistiu em seus últimos momentos (1567). Em 1566 foi enviado à Capitania da Bahia com o encargo de informar ao governador Men de Sá do andamento da guerra contra os franceses, possibilitando o envio de reforços portugueses ao Rio de Janeiro. Por esta época foi ordenado sacerdote aos 32 anos de idade.

Dirigiu o Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro por três anos, de 1570 a 1573. Em 1569, fundou a povoação de Reritiba (ou Reritiba), atual Anchieta, no Espírito Santo. Em 1577 foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu por dez anos, sendo substituído em 1587 a seu próprio pedido.

Retirou-se para Reritiba, mas teve ainda de dirigir o Colégio do Jesuítas em Vitória, no Espírito Santo. Em 1595 obteve dispensa dessas funções e conseguiu retirar-se definitivamente para Reritiba onde veio a falecer, sendo sepultado em Vitória.

A 27 de Fevereiro de 2014 o Papa Francisco anunciou que o Padre Anchieta será canonizado em Roma, em Abril de 2014. A data foi finalmente marcada para 02 de abril de 2014.

Enquanto isso, em 24 de Abril será a cerimônia de Ação de Graças, presidida pelo Papa, que será realizada na Igreja de Santo Inácio de Loyola. O Padre Anchieta será o segundo santo nativo das Ilhas Canárias depois de Pedro de Betancourt.

Concorda que 24 de Abril é a festa de Pedro de Betancurt. Será uma canonização equivalente, sendo a sexta canonização pelo Papa Francisco, bem como o segundo jesuíta a ser canonizado pelo próprio Papa, após o francês Pedro Fabro. Da mesma forma, será a primeira canonização de 2014. O processo durou 417 anos e foi um dos mais longos da história.

Não será necessário a comprovação dos milagres, normalmente pelo menos dois, um para a beatificação, outro para a canonização. Anchieta não tem nenhum milagre comprovado oficialmente. José de Anchieta é amplamente reverenciado tanto no Brasil, quanto nas Ilhas Canárias (local de seu nascimento).

Na cidade de San Cristóbal de La Laguna há uma imponente estátua de bronze em sua homenagem, trabalho do artista brasileiro Bruno Giorgi. A estátua retrata José de Anchieta caminhando para Portugal e foi um presente do Goiverno do Brasil para a sua cidade natal.

Também é venerada na Catedral de San Cristóbal de La Laguna, uma imagem de madeira de Anchieta, que segue em procissão pelas ruas da cidade a cada 9 de Junho, data da sua morte.

Na Basílica de Nossa Senhora da Candelária, santuário da padroeira das Ilhas Canárias, localizada no sudeste da ilha de Tenerife, há uma pintura que apresenta José de Anchieta fundando a cidade de São Paulo. Em 1965, o serviço postal da Espanha emitiu um selo com a imagem de Anchieta, em uma série chamada "Forjadores de América".

Em 1997, foi publicado em sua cidade natal um pequeno livro, de cerca de 40 páginas no formato de quadrinhos, que conta a história de Padre Anchieta. A sua disposição em caminhar levava a que percorresse, duas vezes por mês, a trilha litorânea entre Iriritiba, e a Ilha de Vitória, com pequenas paradas para pregação e repouso nas localidades de Anchieta que foi chamada também Benevente e Reritiba, Guarapari, Setiba, Ponta da Fruta e Barra do Jucu. Modernamente, esse percurso, com cerca de 105 quilômetros, vem sendo percorrido a pé por turistas e peregrinos, à semelhança do Caminho de Santiago, na Espanha.

São lembrados também, neste dia: São Ricardo de Andria, Santa Diana e Bem-aventurada Ana Maria Taigi, Santo Efrém, São Baithin de Iona (abade), São Cumianol de Bobbio (monge e bispo), São Juliano da Síria (monge), São Maximiano de Siracusa (monge e bispo).

terça-feira, 8 de junho de 2021

 

IRMÃ DOROTHY STANG – MÁRTIR DA AMAZÔNIA

 

Já se completaram onze anos e quatro meses do assassinato da missionária norte americana Dorothy Stang, que defendia o uso sustentável da terra em Anapu, no sudoeste do Pará. Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy, nascida em Dayton, Estados Unidos, no dia 07 de junho de 1931 e assassinada na cidade de Anapu, Estado do Pará, em 12 de fevereiro de 2005 foi uma religiosa norte-americana naturalizada brasileira. Pertencia à Congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Namur, congregação religiosa fundada em 1804 por Santa Julie Billiart (1751-1816) e Françoise Blin de Bourdon (1756-1838). Esta congregação católica internacional reúne mais de duas mil mulheres que realizam trabalho pastoral nos cinco continentes.

 

Biografia

Ingressou na vida religiosa em 1950, emitiu seus votos perpétuos – pobreza, castidade e obediência – em 1956. De 1951 a 1966 foi professora em escolas da congregação: St. Victor School (Calumet City, Illinois), St. Alexander School (Villa Park, Ilinois) e Most Holy Trinity School (Phoenix, Arizona). Em 1966 iniciou seu ministério no Brasil, na cidade de Coroatá, no Estado do Maranhão. Irmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de setenta junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região. Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. A sua participação em projetos de desenvolvimento sust entável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional. Irmã Doroty participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamasônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e consequente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica. Dentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande. Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.” Ainda em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (secção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos. Em 2005, foi homenageada pelo documentário livro-DVD Amazônia Revelada.

 

Assassinato

A Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com seis tiros, um na cabeça e cinco ao redor do corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará, Brasil. Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, perguntada pelo assassino se estava armada, Irmã Dorothy afirmou sem medo e com covicção, mowtrando a Bíblia da qual jamais se separava: “eis a minha arma!”. Ainda, cheia de coragem e confiança naquilo que Jesus dissera no se Evangelho; “Quando entregarem vocês, não fiquem preocupados em saber como ou que irão falar, pois nessa hora lhes será indicado o que irão falar, pois nessa hora lhes será indicado o que vocês deverão falar. Porque não serão vocêsque falarão, mas o Espírito de seu Pai é que falará em vocês.” (Mt 10,19-20), leu ainda alguns trechos deste livro para aquele o assasino que lhe tiraria a vida. O crime ganhou repercussão internacional, chamando a atenção de entidades ligadas aos direitos humanos e a reforma agrária. "A nossa expectativa é que esse julgamento confirme o anterior, isto é, com a condenação do réu. Não nos conformamos com a injustiça", disse Paulinho Joamil, da CNBB. Num dos julgamentos do assassino e de seu mandante, o magistrado afirmou: "Ela foi morta por conflitos fundiários, covardemente abatida, sem concorrer para o crime. Era uma pessoa de clara generosidade com o seu semelhante. A pena deve ser servir de exemplo". No cenário dos conflitos agrários no Brasil, o nome da Irmã Doroty associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados. O corpo da missionária está enterrado em Anapu, Pará, Brasil, onde recebeu e recebe as homenagens de tantos que nela reconhecem as virtudes heróicas da matrona cristã. O fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime, havia sido condenado em um primeiro julgamento a 30 anos de prisão. Num segundo julgamento, contudo, foi absolvido. Após um terceiro julgamento, foi novamente condenado pelo júri popular a 30 anos de prisão. O quarto júri veio após a defesa de Raifran conseguir anular a primeira decisão. O novo julgamento foi realizado em outubro de 2007, quando ele foi condenado novamente a 27 anos de reclusão. O quinto julgamento do caso ocorreu em maio de 2009, quando se sentaram no banco de réus o fazendeiro Bida e novamente Raifran Sales. O fazendeiro acabou absolvido, e Raifran, condenado a 28 anos de cadeia. Como o Ministério Público Estadual recorreu, um novo júri do fazendeiro foi realizado em abril de 2010, com a nomeação de um defensor público para fazer a defesa do réu. Bida foi novamente condenado à pena de reclusão de 30 anos. Além de Bida, também responde como mandante do crime o pecuarista Regivaldo Pereira Galvão que é acusado de prometer recompensa para quem matasse a missionária. Conhecido como "Taradão", ele foi condenado a 30 anos de prisão em outubro de 2011, mas recorre da decisão para tentar anular o júri. Essa é a justiça do Brasil. Quem é pobre permanece na prisão. Quem tem dinheiro...