terça-feira, 28 de dezembro de 2021

 

SANTOS INOCENTES - AS CRIANÇAS MORTAS A MANDO DO REI HERODES CITADAS EM MATEUS 2,16

 

Somente a monstruosidade de uma mente assassina, cruel e desumana, poderia conceber o plano executado pelo sanguinário rei Herodes: eliminar todos os meninos nascidos no mesmo período do nascimento de Jesus para evitar que vivesse o rei dos judeus. Pois foi isso que esse tirano arquitetou e fez. Impossível calcular o número de crianças arrancadas dos braços maternos e depois trucidadas.

Todos esses pequeninos se tornaram os "santos inocentes", cultuados e venerados pelo Povo de Deus. Eles tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, sem nem mesmo poderem "confessar" sua crença. Quem narrou para a história foi o apóstolo Mateus, em seu Evangelho.

Os reis magos procuraram Herodes, perguntando onde poderiam encontrar o recém-nascido rei dos judeus para saudá-lo.

O rei consultou, então, os sacerdotes e sábios do reino, obtendo a resposta de que ele teria nascido em Belém de Judá, Palestina. Herodes, fingindo apoiar os magos em sua missão, pediu-lhes que, depois de encontrarem o "tal rei dos judeus", voltassem e lhe dessem notícias confirmando o fato e o local onde poderia ser encontrado, pois "também queria adorá-lo".

Claro que os reis do Oriente não traíram Jesus. Depois de visitá-lo na manjedoura, um anjo os visitou em sonho avisando que o Menino-Deus corria perigo de vida e que deveriam voltar para suas terras por outro caminho. O encontro com o rei Herodes devia ser evitado.

Eles ouviram e obedeceram. Mas o tirano, ao perceber que havia sido enganado, decretou a morte de todos os meninos com menos de dois anos de idade nascidos na região. O decreto foi executado à risca pelos soldados do seu exército.

A festa aos Santos Inocentes acontece desde o século IV. O culto foi confirmado pelo papa Pio V, agora santo, para marcar o cumprimento de uma das mais antigas profecias, revelada pelo profeta Jeremias: a de que "Raquel choraria a morte de seus filhos" quando o Messias chegasse.

Esses pequeninos inocentes de tenra idade, de alma pura, escreveram a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e mereceram a glória eterna, segundo a promessa de Jesus.

A Igreja preferiu indicar a festa dos Santos Inocentes para o dia 28 de dezembro por ser uma data próxima à Natividade de Jesus, uma vez que tudo aconteceu após a visita dos reis magos.

A escolha foi proposital, pois quis que os Santinhos Inocentes alegrassem, com sua presença, a manjedoura do Menino Jesus.

Também comemorados no dia de hoje: Santo Antonio de Lérins, Santa Teófila, São Donião de Roma (presbítero), Santos, Santo Antonio de Lerins (eremita), Santos Castor, Vítor e Rogaciano (mártires da África), São Cesário da Armênia (mártir).

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

 

SÃO JOÃO, O DISCÍPULO AMADO

 

São João era filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, de profissão pescador, originário de Betsaida, como São Pedro e Santo André e pertenceu ao grupo dos Doze Apóstolos de Jesus. Foi o Mestre quem impôs o apelido humorista a ele e a seu irmão Tiago chamando-os Boanerges, ou seja, "filhos do trovão", para nos indicar um temperamento vivaz e impulsivo, alheio a compromissos e hesitações, até parecendo intolerante e cáustico.

Foi também testemunha da transfiguração, da cura da sogra de Pedro, da agonia no Getsêmani (Mateus 26,37). Ele e Pedro prepararam a Páscoa. Juntamente com Tiago, pediu a Jesus que fizesse descer o fogo do céu sobre os samaritanos... São Paulo o chama de uma das colunas da Igreja de Jerusalém. O autor do quarto Evangelho e do Apocalipse, será classificado pelo Sinédrio como indouto e inculto.

No entanto, o leitor mesmo que leia superficialmente os seus escritos percebe não só o arrojo do pensamento, mas também a capacidade de revestir com criativas imagens literárias os sublimes pensamentos de Deus. A voz do juiz divino é como o mugido de muitas águas.

João é sempre o homem da elevação espiritual, mais inclinado à contemplação que à ação. É a águia que desde o primeiro bater das asas se eleva às vertiginosas alturas do mistério trinitário: “No principio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus". João está entre os mais íntimos de Jesus e nas horas mais solenes de sua vida ele está perto. Está a seu lado na hora da ceia, durante o processo, e único entre os apóstolos, assiste à sua morte junto com Nossa Senhora. 

Conforme tradição unânime ele viveu em Éfeso em companhia de Nossa Senhora e sob o imperador Domiciano foi colocado dentro de uma caldeira de óleo fervendo, daí saindo ileso e, todavia com a glória de ter dado testemunho. Depois do exílio de Patmos tornou definitivamente a Éfeso, onde exortava continuamente os fiéis ao amor fraterno, como também o Apocalipse e o Evangelho.

O Evangelho de João mostra que Deus ama os homens e em Jesus dá-lhes a vida. Em Jesus vemos e compreendemos o que devemos ser, como devemos agir: sermos irmãos, colocando-nos aos serviços uns dos outros. Em sua carta, ele mostra o dinamismo do amor: Não é possível amar a Deus sem amar o próximo, formando comunidade.

São João morreu em Éfeso durante o império de Trajano (98-117) e aí foi sepultado.

São comemorados também neste dia: e São Teófanes, Santo Alano de Quimper (bispo), Santa Fabíola de Roma (viúva, fundou o prinmeiro Hospital do Ocidente), São João Stone (presbítero e mártir), São Máximno de Alexandria (bispo).

domingo, 26 de dezembro de 2021

 

DIÁCONO SANTO ESTEVÃO - PRIMEIRO MÁRTIR CRISTÃO - SÉCULO I

 

Na história do catolicismo, muitos foram os que pereceram, e ainda perecem, pagando com a própria vida a escolha de abraçar a fé cristã. Essa perseguição mortal, que durou séculos, teve início logo após a Ressurreição de Jesus.

O primeiro que derramou seu sangue por causa da fé cristã foi Estevão, considerado por isso o protomártir. Vividos os eventos da Paixão e Ressurreição, os Doze apóstolos passaram a pregar o evangelho de Cristo para os hebreus. A inimizade, que estava apenas abrandada, reavivou, dando início às perseguições mortais aos seguidores do Messias.

Mas com extrema dificuldade eles fundaram a primeira comunidade cristã, que conseguiu estabelecer-se como um exemplo vivo da mensagem de Jesus, o amor ao próximo. Assim, dentro da comunidade, tudo era de todos, tudo era repartido com todos, todos tinham os mesmos direitos e deveres. Conforme a comunidade se expandia, aumentavam também as necessidades, de alimentação e de assistência. Assim, os apóstolos escolheram sete para formarem como "ministros da caridade", chamados diáconos. Eram eles que administravam os bens comuns, recolhiam e distribuíam os alimentos para todos da comunidade. Um dos sete era Estevão, escolhido porque era "cheio de fé e do Espírito Santo".

Porém, segundo os registros, Estevão não se limitava ao trabalho social de que fora incumbido. Não perdia a chance de divulgar e pregar a palavra de Cristo, e o fazia com tanto fervor e zelo que chamou a atenção dos judeus. Pego de surpresa, foi preso e conduzido diante do sinédrio, onde falsos testemunhos, calúnias e mentiras foram a base de sustentação para a acusação.

As testemunhas informaram que Estevão dizia que Jesus de Nazaré prometera destruir o templo sagrado e que também queria modificar as leis de Deus transmitidas a Moisés. Num discurso iluminado, Estevão repassou toda a história hebraica, de Abraão até Salomão, e provou que não blasfemara contra Deus, nem contra Moisés, nem contra a Lei, nem contra o templo.

Teria convencido e sairia livre. Mas não, seguiu avante com seu discurso e começou a pregar a palavra de Jesus. Os acusadores, irados, o levaram, aos gritos, para fora da cidade e o apedrejaram até a morte. Antes de tombar morto, Estevão repetiu as palavras de Jesus no Calvário, pedindo a Deus perdão para seus agressores. Fazia parte desse grupo de judeus um homem que mais tarde se soube ser o apóstolo Paulo, que, na época, ainda não estava convertido.

O testemunho de santo Estevão não gera dúvidas, porque sua documentação é histórica, encontra-se num livro canônico, Atos dos Apóstolos, fazendo parte das Sagradas Escrituras.

Por tudo isso, quando suas relíquias foram encontradas em 415, causaram forte comoção nos fiéis, dando início a um fervoroso culto de toda a cristandade. A festa de santo Estevão é celebrada sempre no dia seguinte ao da festa do Natal de Jesus, justamente para marcar a sua importância de primeiro mártir de Cristo e um dos sete escolhidos dos apóstolos

sábado, 25 de dezembro de 2021

 

NATAL ... ANIVERSÁRIO DE JESUS

 

Estamos no Natal. Enfeites nas vitrines do comércio, nas portas das residências; propagandas de produtos nos jornais, rádio e televisão sugerindo bens de consumo, presentes, roupas, enfim, renovação de tudo o que consumimos. Quantos julgam que o Natal exige roupas novas, enfeites em todas as partes, dar e receber presentes...

De fato, o Natal exige coisas novas, muitas coisas que não se resumem em roupas ou presentes; o Natal exige muitos enfeites, mas não os das vitrines ou portas de residências.

Esses enfeites deveriam ser e retratar a beleza interior do nosso espírito que deveria estar se preparando cristãmente para o Natal do Senhor.

Natal é coisa sempre nova; quem o vive em seu verdadeiro espírito, não envelhece jamais: é sempre criança. Natal, quando cristãmente vivido, nos faz sentir jovens, nos dá energia para começar tudo de novo, vontade nova, nos preparando para a vida que o Menino do Natal veio nos trazer. Os enfeites e roupas deveriam ser a exteriorização do nosso desejo de renascer para as coisas do alto. O importante é a realidade interior.

O importante é o que está dentro de nós e nos apresentarmos para o Natal de Jesus Cristo com uma alma renovada e enfeitada de valores cristãos.

O Natal verdadeiramente cristão é a comemoração da vinda do Filho de Deus que “se fez homem e veio habitar entre nós”; é a festa do nascimento de Jesus Cristo que veio a este mundo para libertar o homem do pecado, da opressão do próprio homem e transformar a todos que aderiram à sua doutrina em Filhos de Deus e herdeiros do Reino que não se acaba mais.

Natal é a festa dos filhos de Deus que os homens tomaram para si e a transformaram em festa de orgia, de ostentação, de presentes, e, no lugar do Menino Deus, que deveria nascer em todos os corações, colocaram a figura ridícula de um homem barbudo que não é do nosso meio, do nosso tempo nem do nosso clima.         

E o Natal chegou... Dia do aniversário do nascimento de Jesus Cristo. 

Comemoramos o dia do nascimento de alguém que, “sendo Deus, quis se tornar homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus.”

Natal é época de pararmos um pouco, refletir sobre onde a mensagem de Jesus Cristo atingiu a humanidade, os povos, as nações, enfim, os nossos corações.

Cristo pregou e viveu o amor, os homens promovem a guerra e semeiam o ódio; Cristo ensinou o perdão e, para deixar claro como o pratica, perdoou até os que o pregaram em uma cruz e o mataram; os homens se agridem e se matam; Jesus Cristo ensinou a todos o caminho que leva à casa do Pai; os homens preferem pegar os atalhos dos prazeres facilidades e riquezas deste mundo.

Jesus Cristo morreu por amor; os homens se matam por ódio...

Dois mil anos após a morte de Jesus os homens não modificaram muito. Ninguém quis dar lugar em nenhuma casa de Belém para que a Virgem Mãe se acomodasse e desse à luz o Filho de Deus; hoje, ninguém acolhe em sua casa um filho de Deus pobre e necessitado, para quem este Natal não será diferente dos outros dias: passará fome... não terá o que comer...

Natal deveria ser um dia de alegria, de dar e receber... amor!!! Mas quantos pais e mães passarão o dia de Natal amargurados por constatar seus filhos tristes e desiludidos por verem os filhos dos vizinhos com presentes novos e eles, os pais, por estarem desempregados ou por receberem um salário não condizente com a dignidade humana, não terem condições de presentearem seus filhos e, muito menos, promover uma refeição digna, à altura do dia que se comemora...           

No dia de seu nascimento, Jesus Cristo passou necessidades, fome e frio, e fazemos desta data um motivo a mais para festejarmos o estômago, nos esquecendo do verdadeiro  sentido do Natal e das mensagens de amor que recebemos de Jesus Cristo.

É Natal; está certo. É um dia de alegria, mas de alegria cristã. Vamos comemorar. Mas não vamos nos esquecer daqueles de estômagos vazios, desempregados ou que recebem um salário pouco digno para sustentar sua família; não vamos nos esquecer dos injustiçados, oprimidos, dos que não tem voz e nem vez.. Você, patrão, está tranquilo neste Natal? O seu empregado, com o salário que recebe, tem uma vida digna de filho de Deus?  O Natal, para o seu empregado, será um dia de alegria, ou um dia de lágrimas ocasionadas pelo salário que recebe?

Natal é o aniversário de Jesus Cristo. Quantos vamos comemorar essa efeméride tal qual ela aconteceu, ou seja, continuamos a não ofertar um cantinho dentro da nossa casa, para que ele nascesse sob o teto de um lar aconchegante; quantos deixamos de abrir o coração para que Jesus Cristo nele penetre, nasça e nos traga vida nova...

Natal é a festa do amor, do perdão, da aceitação, do acolhimento...

Não deixemos o Cristo do lado de fora de nossa casa, e o Cristo é aquele irmão que você conhece e que necessita de sua palavra amiga, do seu conforto, da sua presença, do seu amor, do seu apoio, do seu incentivo, do seu tapinha nas costas...

Se assim for, o Natal será verdadeiramente uma festa cristã...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

 

NATAL – VAMOS PREPARAR O BERÇO DO MENINO JESUS

 

Natal é nascimento. Nascimento de novas esperanças, de novos caminhos, de novas alegrias.

Natal é a época da realização dos grandes sonhos. Natal é o nascimento da verdade suprema: JESUS CRISTO!!! Natal é viver a esperança do encontro com JESUS CRISTO.

A melhor maneira de nos prepararmos para esse encontro é vivermos plena e intensamente o amor autêntico. O amor é o melhor berço que podemos preparar para receber o MENINO DEUS  que vai nascer da Virgem. Um berço feito da essência do nosso ser.

Esse berço deve ser feito, por cada um de nós, com amor, com muito amor, utilizando a madeira rígida do entusiasmo, os pregos galvanizados da união,  a cola firme da sinceridade,  protegendo-o com o verniz impermeável da humildade, usando as ferramentas eficazes da boa vontade e do desprendimento e com o carinho de quem ama de verdade e se dá por amor.

Depois de pronta a armação do berço, nela devemos colocar as molas da perseverança e sobre elas o colchão da caridade fraterna, cobrindo-o com o lençol da pureza e estendendo a colcha da castidade, colocando, sobre tudo, o cobertor da santidade, o travesseiro da aceitação e o adorno da fé e do amor total.

O berço deve ser aromatizado com o suave perfume das boas intenções, ações e das flores coloridas e perfumadas de nossa vida totalmente voltada para o amor a Deus e ao próximo; deve ser colocado no quarto de nossas orações, no cantinho de nossos sacrifícios, próximo da janela da entrega total nas mãos de Deus e ventilado pela brisa fresca e suave da nossa entrega à Providência Divina.

O quarto, onde será colocado o berço do MENINO DEUS, deve ter o calor aconchegante da renúncia, o conforto da esperança,  a tranqüilidade da missão cumprida e as cores suaves, mas firmes, da fé. Esse quarto não é outro senão o nosso CORAÇÃO.

É ai que devemos receber o MENINO DEUS; é aí que o MENINO DEUS e a sua Mãe Virgem devem repousar da longa e estafante caminhada das injustiças e ingratidões, do caminho cheio de pedras e espinhos do desamor entre nós, os homens; do sol causticante do deserto do ódio e da violência que paira sobre os povos; da água poluída do desrespeito dos direitos humanos.

É esse o quarto, o nosso coração, que deve ser preparado para receber o MENINO DEUS e sua Virgem Mãe para que eles repousem  de sua longa jornada por entre ingratidões. falta de amor dos corações duros como pedras, impiedosos e impenitentes.

Na porta desse quarto, que é o nosso coração, a fechadura abre somente por dentro porque somente nós temos a chave e o poder de abri-la para receber e nele acomodar  confortavelmente o  MENINO DEUS. Ninguém mais pode abrir o nosso coração senão nós mesmos, e é por isso que a fechadura abre somente por dentro.

Maria e José, a qualquer momento, chegarão e baterão  nessa porta, pedindo pousada, pedindo abrigo, solicitando um cantinho onde possa nascer o MENINO DEUS, e nós, somente nós é quem podemos abrir o nosso coração, ninguém mais...

E o nosso coração deve estar preparado para receber esse casal cuja esposa traz em seu ventre o germe da vida, o REI DO UNIVERSO, O SALVADOR DO MUNDO, O PRÍNCIPE DA PAZ:   J.E.S.U.S    C.R.I.S.T.O... E, se abrirmos o nosso coração para recebermos José e Maria, com certeza, ali dentro nascerá  JESUS, que será colocado no berço que para ele preparamos.

E depois que JESUS nascer no nosso coração, será transferida para cada um de nós a missão, que foi dos Anjos,  de cantar e anunciar aos pobres e humildes de coração o nascimento do SALVADOR DOS HOMENS: “GLÓRIA A DEUS NO MAIS ALTO DOS CÉUS, E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE.” (Lc 2, 4). A partir de então cabe a cada um de nós a responsabilidade de levar o CRISTO a todos, porque, depois de nascido em nossos corações, JESUS já não caberá mais dentro de nós e sentiremos a necessidade de reparti-lo com todos os irmãos; ele jamais sairá dos nossos corações mas também morará nos corações dos irmãos atingidos e inebriados pelo nosso amor.

E José e Maria estão aí, batendo em nossa porta. Já fizemos e preparamos o berço para o MENINO DEUS??? Já limpamos o quarto dos nossos corações com orações, penitencia, arrependimento, boas ações, boas intenções e fraternidade?

Não vamos deixar José e Maria por muito tempo batendo à nossa porta, à porta do nosso coração, essa porta que só abre por dentro e somente nós  podemos abri-la; não vamos deixar esse casal sagrado ao relento por muito mais tempo.

O Natal é tempo de preparação; ou será que o MENINO DEUS vai ter de nascer novamente num curral, no meio dos animais?

E, depois de o MENINO DEUS haver nascido em nossos corações e ter sido depositado no berço que para ele preparamos, vamos nos inclinar em sua presença, louvá-lo e adorá-lo, dizendo:

“Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, o filho de Deus que se fez homem, para que todos os homens se tornassem filhos de Deus.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, que, no seio da Virgem Maria, tomou a natureza humana, se fez homem, se rebaixou até os homens, se tornando em tudo igual aos homens, exceto no pecado, para que todos os homens fossem elevados até Deus.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, que veio para cumprir, e cumpriu todas as promessas e todas as profecias que Deus pai havia feito por meio dos profetas do antigo testamento.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, a palavra de Deus que se fez carne, e veio habitar entre nós. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, a luz que surgiu das trevas, a luz do mundo, a luz que iluminou e ilumina todos os homens, a luz que mostra o caminho da fonte da vida, a verdade  que liberta, e a vida que vem de Deus.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, o menino que foi rejeitado por todos os homens e que não encontrou um lugar decente e digno para nascer, e nasceu num curral, entre animais, e por não ter melhores acomodações, foi colocado num cocho, por causa do egoísmo de todos os homens.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, que teve como primeiras visitas os pobres, os humildes, os pastores, aqueles que, como ele, naquela oportunidade, não tinham voz e nem vez; aqueles que, como a maioria do nosso povo, são oprimidos pelos grandes e poderosos. Foram esses que Jesus quiz como suas primeiras visitas.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, que escolheu como mãe uma virgem, a mais bela, a mais santa, a mais humilde, a mais pura, a que mais amou a Deus e a quem Deus mais amou; a que foi o primeiro templo vivo da Santíssima Trindade, porque o Espírito Santo veio até ela, o Pai a cobriu com sua sombra, e o filho habitou seu ventre por nove meses...

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo que escolheu como seu protetor neste vale de lágrimas, como seu pai adotivo e como guarda da virgem, um homem justo e santo: José.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, que, se a terra não deu importância ao seu nascimento, o céu ficou em festas, e os anjos não se contentaram em somente fazer festa nos céus, mas desceram também na terra cantando louvores a deus anunciando a todos os pobres e humildes, a todos os homens de boa vontade que o salvador havia nascido:  “glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade!!!”

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

 






O NASCIMENTO DE JESUS

 

Nove meses depois da visita do Anjo Gabriel a Maria, na cidade de Nazaré, na Galiléia, conforme nos narram as Sagradas Escrituras, Jesus nasceu numa gruta de Belém. Hoje, para lembrar esse acontecimento, o povo faz festas bonitas e presépios lindos. E isso é bom porque o povo está se lembrando do nascimento de Jesus Cristo.

Mas, convém que nos lembremos que o presépio real onde Jesus Cristo foi depositado depois de haver nascido não era nem um pouquinho bonito. Pelo contrário, era até chocante, sem conforto e sem condições  de recepcionar qualquer ser humano que estivesse nascendo, muito menos o Filho de Deus que se fazia homem, para que todos os homens se tornassem filhos de Deus.   Mas, porque Jesus Cristo estava nascendo ali, naquelas condições. A ordem do imperador, vinda de Roma, era clara; todos tinham de inscrever-se  na cidade, no cartório da cidade onde nasceram (cf Lc 2, 1-3). Era o jeito de contar quantas pessoas existiam na Judeia, naquele tempo.

Por isso José com Maria saíram da cidade de Nazaré e viajaram para Belém , sua terra Natal, e Maria estava grávida de mais de oito meses. A viagem era longa, e da cidade de Nazaré até a cidade de Belém a distância era de mais de cento e trinta quilômetros, e as estradas eram difíceis e perigosas.            Quando José e Maria chegaram em Belém, a cidade estava cheia de gente de fora e, por isso, não encontraram lugar  para se acomodarem nos hotéis e hospedarias da cidade ( cf Lc 2, 7).          Ou tudo já estava realmente lotado, ou os donos dos hotéis e hospedarias não queriam oferecer hospedagem para aquele casal que aparentava ser muito pobre. Maria não estava bem. José precisava encontrar  um lugar para que ela pudesse descansar dos incômodos da longa viagem e, principalmente pelo seu estado de gravides que já estava chegando ao seu final.

Na rua eles não poderiam ficar. Foram, então, para um dos abrigos de animais, um pouco afastado da cidade, e foi ali que Maria deu à luz; e foi ali que Jesus nasceu. Quando hoje uma moça, uma mulher tem o seu primeiro filho, sua mãe está ali, do seu lado, para ajudá-la, para apoiá-la.                 Em Belém, com Maria, quando nasceu o seu primeiro filho, primeiro e único, não estava ninguém. A família de Maria estava longe, lá na cidade de Nazaré, a mais de cento e trinta quilômetros de distância.

            O menino nasceu  e foi enrolado em alguns panos e deitado num cocho, onde os animais comiam, e em cima de uns feixes de capim. Os pastores das arredondezas foram os primeiros a lhe fazerem uma visita. (Cf Lc 2, 7-8). Não apareceu, para visitar o recém-nascido nenhuma pessoa de importância do local.          Só gente pobre, pobre mesmo. Tudo ali era pobre: o casal de pais, o local onde eles estavam hospedados, os primeiros visitantes, tudo pobre.       

Os ricos, poderosos, os governantes, os doutores da lei nem tomaram conhecimento  do nascimento de Jesus e das maravilhas que o Senhor havia operado pelo acontecimento.    

Será que caberia na cabeça deles que Jesus, o Filho de Deus, o Messias prometido, o Rei dos Reis, teria nascido em uma grita de Belém e estava deitado num cocho de animais? Talvez eles julgassem que isso fosse uma piada, e uma piada de muito mal gosto. Onde se viu, acreditar que Deus tivesse realizado a sua promessa com aquela moça pobre de Nazaré sem ter falado com eles, sem ter pedido a opinião deles, eles que eram os doutores da lei e que entendiam tudo, e que, aquele menino, deitado no cocho de animais em um curral  fosse o Messias esperado a tanto tempo e que viria para salvar o povo judeu da opressão dos estrangeiros, conforme pensavam eles?  

Os entendidos, os poderosos, os ricos, os doutores da lei jamais poderiam aceitar isso.        Mas que absurdo. Só mesmo os ignorantes, os pobres, os humildes, os simples de coração, os pequenos, conseguem levar a sério uma notícia tão absurda e acreditar nela. E tudo o que estava acontecendo já havia sido profetizado, constava das Sagradas Escrituras.

Os doutores da lei sabiam disso, mas, onde já se viu: Deus nascer no meio dos pobres, escolher os pobres para visitá-lo no dia do seu nascimento, chamar os ignorantes para anunciar que a salvação havia chegado, sendo que ele poderia ter nascido, ou no palácio de Herodes, ou no palácio do governador de Jerusalém, ou em qualquer outro palácio que quisesse nascer, com todas as honrarias, com todos os confortos; porque escolheu nascer assim?  Isso jamais coube na cabeça dos grandes, dos ricos e dos poderosos. Hoje eles aceitam porque já é um fato consumado, mas continuam não entendendo o porque Deus preferiu os pobres para conviver e chamá-los para o seu reino; porque preferiu os pobres se o poder terreno está nas mãos dos ricos e poderosos?


quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

 

“NÃO PODE ESPERAR A MISERICÓRDIA DE DEUS QUEM OFENDE A SUA MÃE”

 

Ignoramos o que Maria fez e faz por nós, por isso não a amamos como deveríamos e como ela merece ser amada. São Maximiliano Maria Kolbe, grande devoto de Maria, sempre dizia a seus frades: “Ame Maria o quanto você quiser e mais do que você puder”.

            Maria é do povo. Mas, infelizmente, muitos não entendem a humildade, a simplicidade, a pureza de Maria, e a afasta do povo simples e humilde.        

Colocam mantos de veludos em seus ombros e coroas riquíssimas em sua  cabeça, dando-lhe uma riqueza que ela nunca teve e nunca pretendeu ter, porque ela sempre foi a humilde serva do Senhor; essa riqueza material nada significa para Maria: a riqueza de Maria está no coração, na humildade, na pobreza, na simplicidade, no silêncio, se igualando em tudo ao povo pobre, simples e oprimido.

Para conhecermos bem Maria, para encontrarmos em sua humildade todo o esplendor da graça que Deus Pai sempre a cumulou, além dos Santos Evangelhos, precisamos  ler muito sobre o que os santos que a amaram de verdade Maria disseram e dizem a respeito dela, e como eles descobriram e descobrem nela virtudes incalculáveis, tesouros com valores infinitos e proteção materna que só Maria, sendo a Mãe de Deus e nossa Mãe pode ter e nos dar. São Maximiliano Maria Kolbe nos orienta sobre a devoção a Maria, dizendo: “Quando você procurar ler alguma coisa sobre Maria, não se esqueça que você está entrando em contato com uma pessoa viva, que lhe ama e que é perfeita e sem mancha alguma.”

            A nossa inteligência é por demais pequena, os nossos conhecimentos sobre Maria são escassos... São Luiz Maria Grignon de Montfort escreve que “causa espanto e compaixão ver a ignorância e as trevas de todas as criaturas deste mundo em relação à Maria. Quantos cristãos católicos que fazem promessa de ensinar aos outros a verdade, e que, no entanto, não conhecem nem a Jesus, nem a Maria”. Muitos cristãos católicos até dizem que é um absurdo amar como amamos Maria, porque acreditam que amando Maria como amamos, negamos o nosso amor a Jesus, o que é um absurdo porque, se amamos Maria como amamos, muito mais amamos a Jesus e melhor lhe conhecemos, porque, Maria como Mãe do Senhor tem por missão abrir a nossa cabeça e iluminar a nossa inteligência no amor que temos a Jesus, como homem, e na adoração que lhe devemos como Deus que é, e, bem por isso ela disse e continua nos repetindo: “Faça tudo o que ele vos mandar fazer.” Será que, os cristãos que dizem que amamos demais Maria tem o mesmo espírito de Jesus, que, como filho de Maria a amou primeiro que nós e muito mais que nós? Será que essas pessoas estão agradando a Jesus não empregando todos os esforços para agradar a sua mãe, com medo de desagradar a Jesus?  Será que a devoção à Maria poderia impedir a adoração que devemos a Jesus como Deus?”. Que absurdo quem pensa assim.

            E São Luiz Maria Grignon de Montfort é categórico quando diz: “NÃO PODE ESPERAR A MISERICÓRDIA DE DEUS QUEM OFENDE A SUA MÃE, e acrescenta: “o que o demônio perdeu por orgulho, Maria Ganhou por humildade. O que Eva condenou e perdeu por desobediência, Maria salvou pela obediência. Eva, obedecendo à serpente infernal, se perdeu e perdeu consigo todos os seus filhos e os entregou ao poder infernal. Maria, por sua perfeita fidelidade a Deus, salvou consigo todos os seus filhos e servos e os consagrou a Deus. Os verdadeiros filhos de Maria serão verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, andando nas pegadas de sua pobreza e humildade, partilhando do desprezo do mundo e vivendo a mesma caridade, ensinando o caminho estreito de Deus na pura verdade, conforme o Santo Evangelho.”

            Todos os que amam Jesus, devem, também, amar Maria

            Não se chega a Jesus se não foi por meio de Maria: não foi Maria que apresentou Jesus aos pastores quando do seu nascimento? (Lucas, 2, 1-20).

Não foi Maria que  apresentou Jesus no Templo de Jerusalém ao velho Simeão, à profetiza Ana e aos sacerdotes no oitavo dia de seu nascimento, para que se cumprisse a lei de Moisés? (Lucas, 2, 21-38).           Não foi Maria que  apresentou Jesus aos magos, quando eles vieram de terras longínquas, trazendo-lhe presentes, ouro, incenso e mirra? (Mateus, 2, 1-12). 

E é o próprio Senhor Jesus que nos dá esse incentivo de nos proteger sob o manto de Maria, porque, ele mesmo veio até nós por meio de Maria, ele se alimentou do leite materno de Maria, ele dormiu aconchegado no colo quente e virginal de Maria e nós, também chegaremos a ele por meio de Maria, atendendo ao seu conselho quando disse: “Fazei tudo o que ele vos disser.” (João 2, 5).       

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

 

MARIA NOS QUER CRIANÇAS NESTE NATAL...

 

Desde crianças aprendemos amar Maria, a Nossa Senhora. Desde pequenos aprendemos que Maria é a mãe de Deus e a nossa querida Mãe do céu. E, como crianças, aceitamos com honestidade e boa vontade amar Maria, a Nossa Senhora, aceitamos passivamente Maria como nossa boa Mãe do Céu.

E, com certeza, a primeira oração que aprendemos, ainda no colo de nossa mãe, foi a oração da Ave Maria. Podemos não conhecer nenhuma outra oração, mas, a oração da Ave Maria isso nós a sabemos de cor e salteado porque a aprendemos bem pequeninos e muitas vezes no colo de nossa mãe que segurava as nossas mãos juntas em atitude de oração simbolizando o respeito e amor que deveríamos ter por essa boa Mãe do Céu.

Todos nós, cristãos católicos aprendemos amar Maria ainda bem pequeninos, ainda crianças.           

E hoje, quem continua amar Maria, a Nossa Senhora, ainda continua criança, porque só criança sabe amar de verdade, amar de verdade sem interesses que não seja somente amar, amar por amor mesmo.          Hoje, quando amamos Maria ainda somos como crianças que gostam de se jogar no colo da mãe com grande confiança e com toda certeza de que essa mãe tem plenos poderes dados pelo Senhor Nosso Deus para nos tirar de qualquer dificuldade, de qualquer angústia, de qualquer problema que nós mesmos temos provocado; somos como crianças pequenas que, quando se sentem em apuros corre ao lado da mãe buscando refúgio no seu colo.

Assim nos comportamos com Maria, não interessando a nossa idade, nos comportamos como crianças e arrependidos ou esperançosos suplicamos a essa poderosa mãe que não nos deixe sozinhos nos momentos difíceis de nossas vidas por quais passamos nesse vale de lágrimas. Para amarmos de verdade Maria temos de nos tornar crianças porque qual é a mãe que não atende com amor aos apelos que seu filho ainda bem pequenino lhe faz? Qual é a mãe que, amorosa, não enxuga as lágrimas de seu pequenino filho quando este busca abrigo nos seus braços para fugir de qualquer problema, de qualquer perigo? Se as nossas mães da terra fazem isso com tanto cuidado, com tanto amor e carinho, quanto mais fará por nós a nossa querida Mãe do céu, que é a mãe das nossas mães também?

Maria é a nossa boa mãe do céu, e como me entristece saber que tantos irmãos nossos não aceitam Maria como mãe; os que não aceitam Maria como mãe, são órfãos na fé; tem Pai, mas não tem a mãe, não aceitam a mãe que o Senhor Jesus deu para todos os homens. Só quem não tem a mãe da terra, só quem já perdeu a sua mãe da terra é que pode avaliar o que seja uma vida sem mãe, um lar sem a presença santa e consoladora de uma mãe.   

Como é gostoso e reconfortante termos a nossa mãe da terra, e como é maravilhoso termos a nossa mãe do céu que é Maria, que é a Nossa Senhora.

 Eu tenho pena e dó daqueles que não aceitam Maria como Mãe. Se o próprio Senhor Jesus Cristo a escolheu como mãe porque cumulou nela todas as virtudes e graças como sendo a única mulher deste mundo que poderia cuidar de um Deus recém-nascido; e foi a Maria que o Senhor Nosso Deus entregou o maior tesouro que possa existir em todo o universo: o seu próprio Filho.

Jesus Cristo obedeceu Maria em sua infância, adolescência, mocidade e a amou por toda a sua vida e a respeitou como um filho deve respeitar sua mãe até o dia em que, no alto de uma cruz, ao ver que sua missão havia terminado aqui na terra, num gesto extremo de amor, nos dá Maria como Mãe já que ele, Jesus Cristo, partiria para a casa do Pai.                  

Eu tenho pena daqueles que não aceitam Maria como Mãe, porque são órfãos de mãe, e somente quem é órfão aqui na terra pode dizer o que é ser órfão de mãe.

Jesus Cristo disse no seu Evangelho: “Se vocês não se tornarem crianças, vocês não entrarão no reino dos céus.”, e se não nos tornarmos crianças não poderemos nos agasalhar no colo materno de Maria. Vamos nos tornar crianças neste Natal para, como crianças, saltarmos no colo de Maria e chorarmos as nossas dificuldades ou contar-lhe das nossas alegrias.

Vamos amar Maria porque ela pode tudo diante de Deus.

Quem está com Maria não está longe de Deus. 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

 

MARIA GRÁVIDA RUMO A BELÉM.

 

Nesse tempo que antecede o natal, em que aguardamos o nascimento  do Filho de Deus que se tornará homem no seio imaculado de Maria, a gente fica preocupado, pensando na maneira como todos os cristãos se preparam para receber a Salvação que vem de Deus. Se nós não amamos suficientemente Maria é porque desconhecemos quase que na sua totalidade os sacrifícios e sofrimentos porque ela teve de passar para nos trazer aquele que viria para tirar o pecado do mundo.            Hoje em dia, quando a jovem esposa vai ter o seu primeiro filho, ela é cercada de todas as atenções; quando chega nos últimos dias de sua gravides já não a deixam mais fazer serviços pesados ou incômodos; a mãe da jovem esposa grávida vem limpar a sua casa, fazer a sua comida, lavar e passar a sua roupa, enfim, a família se desdobra em atenções e prestações de serviços para que a jovem esposa grávida não se esforce demais, não se exponha demais para não sentir em demasia os incômodos da gravides.     Tudo é facilitado para a jovem esposa  que está prestes a ser mãe, e nada mais justo.    

Mas é exatamente por isso que, nas minhas meditações, eu volto aos tempos de Maria e a vejo grávida de oito meses e meio, com o seu ventre crescido anunciando que muito breve o seu filho deverá nascer.          Mas, de repente, um decreto do imperador de Roma tira Maria e José de sua cômoda e pobre casa de Nazaré e os obriga a se dirigir até a cidade de Belém para o recenseamento do povo judeu. Na oportunidade Maria estava de oito meses e meio de gravides.

A gravides de Maria foi normal, como qualquer gravides de qualquer mulher que está prestes ma dar à luz. Com Maria nada foi diferente; quando tudo estava pronto para que Maria desse à luz ao seu filho ali mesmo, na cidade de Nazaré, o Senhor Nosso Deus usa o decreto do imperador de Roma para levá-la até Belém, onde, desde a antiquidade e os profetas, deveria nascer o Salvador. Mas Maria estava de oito meses e meio de gravides, e aquilo era uma ordem do imperador de Roma que tinha de ser cumprida, tinha de ser obedecida.  

E José arruma o seu burrinho, arruma as coisas, coloca Maria no lombo  do burrinho e parte para a distante Belém, aproximadamente oitenta quilômetros de Nazaré.           

E o caminho era o mais difícil possível.           Tinham de passar por um longo deserto, e, no deserto, o clima é assim: durante o dia o calor é violento, chegando a mais de cincoenta graus, e a noite a temperatura cai para até quatro graus. E não era só isso: o deserto é infestado de insetos e animais nocivos, venenosos e nojentos como abelhas, cobras, moscas escorpiões, aranhas e até feras, sem contar os perigos dos ladrões que se escondiam nas rochas para assaltarem as caravanas de mercadores ou peregrinos que por ali passavam.

E Maria, ora andava à pé, ora no lombo do burrinho. E Maria estava grávida de mais de oito meses e meio. Será que podemos imaginar o sofrimento o incômodo, o discômodo por que passou Maria? O calor, o suor, a poeira, o sol, o frio, o medo dos insetos, dos animais e dos ladrões, a insegurança, aquele casal jovem desprotegido de tudo e de todos, só tendo a certeza de que o Senhor Deus estava com eles.

E hoje nós vemos os cuidados pelas quais são cercadas as jovens esposas que vão ser mães.              Eu fico meditando no sofrimento de Maria. Será que cada um de nós já parou para meditar todos os momentos e movimentos da Virgem desde quando o Anjo lhe anunciou o nascimento de Jesus até o nascimento de Jesus na gruta de Belém? Se não meditamos isso ainda, não podemos de maneira nenhuma avaliar a dor, o sofrimento, a angústia, a entrega total e o grande amor que Maria tem por Deus e por nós, seus filhos, muitas vezes ingratos.  

E o momento que nós vivemos nos convida a isso.

E hoje, quantas Marias esperam os seus Meninos Jesus ainda desamparadas de tudo e de todos, e esses Meninos Jesus já não nascem mais em currais e nem são depositados em cochos, mas nascem nos barracos, nas favelas, debaixo das pontes e viadutos, e os Josés, e as Marias dos nossos dias, como José e Maria, tem de abandonar os seus lares porque leis injustas e opressoras os obrigam a migrarem  para procurarem serviço em terras distantes para não morrerem à mingua.

Os imperadores de Roma continuam assinando os seus decretos muitas vezes absurdos, sem pensar naqueles que serão desalojados e expulsos de suas casas e de suas terras por causa de suas leis; e os Josés e as Marias continuam deixando tudo para trás e migrando, oprimidos pelos decretos dos imperadores de Roma que hoje são as nossas autoridades políticas que não sofrem o efeito do decreto e nem são atingidos pelas suas próprias leis.          

É o momento de pararmos e meditarmos um pouco  para ver quanto Maria sofreu  por nós e quanto ela nos amou, desde que, por meio dela nos veio a salvação, e a Salvação chegou até nós pela maneira mais difícil e cruel possível...

domingo, 19 de dezembro de 2021

 

MARIA E JOSÉ – SITUAÇÃO ANGUSTIANTE DE UM NOIVO

 

José ficou numa situação difícil depois que Maria ficou grávida de Jesus. Sem uma explicação aparente e razoável, de repente, vê a sua noiva grávida.

Mateus narra assim esse drama terrível vivido por José: sua “A origem de Jesus Cristo foi deste modo: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, achou-se ter concebido (por obra) do Espírito Santo, antes de coabitarem. José, seu esposo, sendo justo, e não a querendo difamar, resolveu repudiá-la secretamente. Andando ele com isto no pensamento, eis que um Anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos, e lhe disse: ‘José, filho de Davi, não temas  receber em tua casa Maria, tua esposa, porque o que nela foi concebido é (obra) do Espírito Santo.  Ela dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta que diz: ‘Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porão o nome de Emanuel, que quer dizer: ‘Deus conosco’.  Ao despertar José de seu sono, fez como lhe tinha mandado o Anjo do Senhor, e recebeu em sua casa (Maria),  esposa. Não a conheceu até que deu à luz um filho, e pôs-lhe o nome de Jesus.” (Mt 1,18-25).     

Depois desse impasse resolvido e de toda a preparação por parte do Senhor para a vinda do Messias e Salvador de todos os homens, Lucas nos narra assim o seu nascimento: “José foi também da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, que se chamava Belém, porque era da casa e família de Davi, para se recensear juntamente com Maria, sua esposa, que estava grávida. Ora, estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que devia dar à luz o seu filho primogênito. Enfaixou-o e o reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.” (Lc 2, 4-7).

Até ai tudo certo, tudo resolvido; os planos do Senhor Nosso Deus estavam se realizando.  Mas ainda havia um “porém”: apenas três pessoas estavam sabendo das maravilhas que o Espírito Santo estava operando em Maria: ela mesma, José  e uma parenta de Maria, chamada Isabel, que tomou conhecimento do fato quando Maria a visitou.

Isabel, inspirada pelo Espírito Santo, ou melhor, deixemos que o Evangelista Lucas nos narre como isso aconteceu: “Naqueles dias, levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá.  Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Aconteceu que, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.  Exclamou ela em alta voz e disse: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde a mim esta dita, que a mãe do meu Senhor venha ter comigo? Porque logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre.  Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas’.” (Lc 1,39-47).

Mas, os planos do Senhor não era somente deixar Maria, José e Isabel desfrutarem dessas maravilhas e beberem desse néctar maravilhoso vindo dos céus. O Senhor queria que mais pessoas tomassem conhecimento e partilhassem da alegria do nascimento do Salvador prometido desde o início dos tempos. O Senhor age de uma maneira que somente Deus tem condições de realizar, e assim fez: “Naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. Eis que apareceu junto deles um Anjo do Senhor, e a glória de Senhor os envolveu com a sua luz e tiveram grande temor. Porém, o Anjo disse-lhes: ‘Não temais porque eis que vos anuncio uma boa-nova, que será de grande alegria para todo o povo: Nasceu-vos hoje na cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo, o Senhor. Eis o sinal: Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura’. Subitamente apareceu com o Anjo uma multidão da milícia celeste louvando e glorificando a Deus, e dizendo: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade’.” (Lc 2,8-14).

Que espetáculo maravilhoso deve ter sido esse. Mas o Senhor Nosso Deus não precisa de espetáculos para anunciar as verdades da salvação, e dispensa até platéias sofisticadas; o Senhor quis apenas demonstrar a alegria que inundava o céu ao ser mandado para todos os homens “O Cordeiro de Deus” que veio para tirar o pecado do mundo. (Jo 1,29).

Para anunciar que o Filho de Deus havia nascido, o Senhor manda um Anjo, e depois uma multidão do exército celeste, mas... para quem??? Para os pobres, para os humildes, para os ignorantes e explorados pastores que “Não tinham onde reclinar a cabeça.” (Lc 9,58).

Esta foi a primeira, grande e maravilhosa manifestação do Senhor Jesus ao povo de Israel que, nessa oportunidade, estava sendo representado pelos pastores, os pobres, oprimidos, humildes e injustiçados homens da terra.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

 

SÃO JOÃO DA MATA – 1152/1213

 

Fundou a Ordem dos Trinitários

A missão de salvar cristãos prisioneiros dos turcos foi mostrada a João da Mata em uma visão que teve ao celebrar logo a sua primeira missa. Essa foi a motivação que tornou possível a Ordem da Santíssima Trindade e da Redenção dos cativos, ou somente Padres Trinitários, como são conhecidos, que tinha como objetivo resgatar cristãos presos e mantidos como escravos pelos inimigos muçulmanos. Nessa época, o Império Otomano, dos turcos muçulmanos, dominava aquelas regiões.

A nova Congregação foi fundada em 1197 por João da Mata, com o apoio do religioso Félix de Valois, considerado seu co-fundador, também celebrado pela Igreja. A autorização da Igreja veio através do papa Inocêncio III, um ano depois.

Mas João, antes de procurar o auxilio de seu contemporâneo Félix, já levava uma vida social e religiosa voltada para a luta a favor dos oprimidos. João da Mata nasceu em 23 de junho de 1152, em Francon, no sul da França, e desde pequeno mostrou sua preocupação para com os injustiçados. Ele chegava a dividir com os pobres todo o dinheiro que recebia dos pais para seu divertimento.

Depois de tornar-se sacerdote e ter-se doutorado em teologia em Paris, procurou Félix, que vivia recluso e solitário, com o qual conviveu por três anos. Nesse período, planejaram a criação da nova Ordem e a melhor maneira de lutar pela liberdade dos cristãos, então subjugados, segregados e muitos mantidos em cativeiro. Para isso ele ergueu, então, a primeira comunidade em Cerfroi, região deserta nos arredores de Paris, que depois se tornou a Casa-mãe da Ordem dos Trinitários. De lá os sacerdotes missionários formados passaram a soltar os cativos, levando-os, em triunfo, a Paris.

O próprio João da Mata organizou uma expedição à África, onde resgatou, pessoalmente, um grande número de cristãos em cativeiro. Em uma segunda viagem, caiu nas mãos dos muçulmanos, foi espancado e deixado sangrando pelas ruas de Túnis, na Tunísia. Recuperou-se, reuniu os cristãos e os embarcou num navio que devia levá-los a Roma.

O barco acabou sendo atacado, teve as velas rasgadas e o leme quebrado. Os registros e a tradição contam que João da Mata tirou o manto, rezou, transformou-o numa vela, pediu a Deus que guiasse o navio e, assim, chegaram ao porto da cidade italiana de Óstia. Depois, muitos outros cristãos foram libertados dessa maneira, na África, pelos integrantes que engrossavam a nova Congregação.

A Ordem dos Trinitários cresceu tanto que seu fundador teve de construir várias outras casas comunitárias, tamanha era a solicitação para o ingresso. João da Mata morreu santamente, no dia 17 de dezembro de 1213. O papa Inocêncio XI elevou à honra dos altares são João da Matha, cuja celebração foi estabelecida para o dia de sua morte.

Também são comemorados no dia de hoje: São Lázaro de Betânia, Santa Olímpia, Santa Vivina e São José Manyanet y Vives, Santa Bega de Andenne (abadessa), São Briaco da Bretanha (eremita), São Eigil de Fulda (abade), São Estúrmio de Fulda (abade).


quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

 

MARIA, OBRA PARTICULAR DO ESPÍRITO SANTO.

 

            “Tudo o que se realizou em Maria foi por obra do Espírito Santo. A Virgem Maria é aquela mulher que, à sombra da potência da Santíssima Trindade, foi a criatura mais estreitamente  associada à obra da salvação. A Encarnação do Verbo verificou-se sob o coração virginal de Maria por obra do Espírito Santo. Em Maria começou a raiar a aurora da nova humanidade que, com Cristo, se apresentava ao mundo para levar a termo o plano original da aliança com Deus que foi infringida pela desobediência do primeiro homem. E Jesus Cristo foi concebido pelo poder do Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria. Maria, dando o seu consentimento à palavra divina, se tornou Mãe de Jesus, e abraçando de todo o seu coração e sem impedimento algum de pecado a vontade de salvação de Deus, se consagrou totalmente como serva do Senhor à pessoa e à obra de seu Filho. E por isso Maria não foi utilizada como instrumento passivo, meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou livremente, pela fé e obediência, na salvação dos homens.” (LG 56).

“E é muito belo que, assim como Maria esperou com essa fé a vinda do Senhor, de modo semelhante também, neste final do segundo milênio, Maria esteja  presente a iluminar a nossa fé nessa perspectiva de Advento de Jesus Cristo. [...] E, nessa esperança de tempos novos, recordemos que a obra de renovação da Igreja não poderá nunca realizar-se senão no Espírito Santo, ou seja, com a ajuda de suas luzes e do seu poder. Lembremo-nos, ainda, que “a maior obra realizada pelo Espírito Santo, obra a qual todas as outras se referem constantemente, indo ela haurir  como a uma fonte, é precisamente a obra da encarnação do Verbo Eterno, a obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria.” (João Paulo II).

Maria, por obra e graça do Espírito Santo, se tornou Mãe de Jesus Cristo e, consequentemente, Mãe de Deus.

“Cristo, Redentor do homem e do mundo, é o centro da história; Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre.” (Hb 13, 8).

“E, nesse momento em que os nossos pensamentos e os nossos corações se acham voltados para Maria na perspectiva do segundo milênio que está para se encerrar e que nos separa da sua primeira vinda ao mundo, com isso eles se voltam para o Espírito Santo, por obra do qual se verificou a concepção humana do mesmo Cristo; e se voltam também para aquela por quem foi concebido e de quem nasceu; voltam-se para a Virgem Maria.” (João Paulo II).

Assim, os nossos pensamentos e os nossos corações se voltam de modo especial para o Espírito Santo e para a Mãe de Deus, Maria.

Glorificamos a maternidade divina da Virgem Maria, e, simultaneamente, glorificamos a particular obra do Espírito Santo.

Obra que se concretizou, quer na concepção e no nascimento do Filho de Deus por obra do Espírito Santo, quer ainda e igualmente por obra do Espírito Santo na maternidade santíssima da Virgem Maria. Esta maternidade não é só fonte  e fundamento de toda a santidade excepcional de Maria e de sua particularíssima participação em toda a economia da salvação, mas estabelece também um permanente vínculo materno de Maria com a Igreja, devido ao fato de Maria ter sido escolhida pela Santíssima Trindade para ser a mãe de Cristo,  o qual é a “cabeça do corpo, que é a Igreja.” (Cl 1, 18).

Este vínculo revela-se, particularmente, aos pés da cruz, onde Maria esteve “padecendo profundamente com seu Filho Unigênito, e associando-se com coração de Mãe ao sacrifício dele...            Jesus Cristo, que agonizante na cruz deu Maria por mãe ao seu discípulo, com esta palavras: “mulher, eis ai o teu filho.” (Jo 19, 26-27 - LG 58 - João Paulo II). (Irmão José Milson - Marista.)

E é por isso que devemos sempre repetir: “Salve Santa e Imaculada e Gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe de Igreja. Salve obra maravilhosa do Espírito Santo”.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

 

“UMA VIRGEM CONCEBERÁ...” (Is 7,14)

 

Antes de sua vida pública, conforme nos narram os Evangelistas, o Senhor Jesus se manifestou , de uma maneira especial e maravilhosa, por três vezes e em situações diferentes. A sua primeira manifestação foi na noite do seu nascimento, quando aconteceram coisas maravilhosas e que, anteriormente, já haviam sido anunciadas  pelos Profetas do Antigo Testamento.

O Profeta Isaias, setecentos anos antes do nascimento de Jesus Cristo, já profetizava: “Levanta-te, recebe a luz, Jerusalém, porque chegou a tua luz e a glória do Senhor nasceu sobre ti. Porque eis que as trevas cobrirão a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti nascerá o Senhor, e a sua glória se verá em ti. As nações caminharão à tua luz, e os reis, ao resplendor da tua aurora.” (Is 60,1-3). Não somente isso; o Profeta Isaias ainda adianta o nome e o que seria o Salvador no nosso meio: “Emanuel”, nome simbólico dado ao Senhor Jesus e que significa “Deus Conosco”, e quem foi Jesus no nosso meio senão “Deus Conosco”???

Assim se expressa Isaias: “Pois por isso o mesmo Senhor vos dará este sinal: Uma virgem conceberá e dará à luz um filho e seu nome será Emanuel.” (Is 7,14).

Lucas, o mais detalhista dentre os quatro Evangelistas a respeito do nascimento de Jesus, narra com pormenores esse acontecimento a começar pela Anunciação desse maravilhoso fato à jovem e virgem Maria citada por Isaias: “...uma virgem conceberá...” (Is 7,14), e o Mensageiro do Senhor para essa Boa Nova não foi outro senão o Anjo Gabriel.

Assim Lucas narra como aconteceu: “No sexto mês o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, o nome da Virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Deus te salve, cheia de graça; o Senhor é contigo.”  Ela ao ouvir essas palavras perturbou-se e descorria pensativa que saudação seria esta.  O Anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus.  Este será grande, será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; reinará sobre a casa de Jacó eternamente, e o seu reino não terá fim.”  Maria disse ao Anjo: “Como se fará isso, pois eu não conheço varão?” Respondendo o Anjo, disse-lhe: “O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso mesmo o Santo que há de nascer de ti, será chamado Filho de Deus.” (Lc 1,26-35).

O Profeta Isaias, referindo-se à divindade e majestade do filho que nasceria da virgem, assim diz: “Porquanto um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado e foi posto o principado sobre o seu ombro; e será chamado Admirável, Conselheiro, Deus forte, Pai do século futuro, Príncipe da paz. O seu império se estenderá cada vez mais e a paz não terá fim; sentar-se-á sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o firmar e fortalecer pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre; fará isso o zelo do Senhor dos exércitos” (Is 9,6-7).             

Mas, em que lugar nasceria essa maravilha? E é o Profeta Miquéias quem nos responde: “E tu, Belém, Éfrata, tu és pequenina entre os milhares de Judá; mas de ti é que me há de sair aquele que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade.” (Mq 5,1-2).

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

 

SÃO JOÃO DA CRUZ - 1542-1591

 

Seu nome de batismo era Juan de Yepes. Nasceu em Fontivaros, na província de Ávila, Espanha, em 1542, talvez em 24 de junho. Ainda na infância, ficou órfão de pai, Gonzalo de Yepes, descendente de uma família rica e tradicional de Toledo.

Mas, devido ao casamento, foi deserdado da herança. A jovem, Catarina Alvarez, sua mãe, era de família humilde, considerada de classe "inferior". Assim, com a morte do marido, que a obrigou a trabalhar, mudou-se para Medina, com os filhos. Naquela cidade, João tentou várias profissões. Foi ajudante num hospital, enquanto estudava gramática à noite num colégio jesuíta. Então, sua espiritualidade aflorou, levando-o a entrar na Ordem Carmelita, aos vinte e um anos.

Foi enviado para a Universidade de Salamanca a fim de completar seus estudos de filosofia e teologia. Mesmo dedicando-se totalmente aos estudos, encontrava tempo para visitar doentes em hospitais ou em suas casas, prestando serviço como enfermeiro.

Ordenou-se sacerdote aos vinte e cinco anos, mudando o nome. Na época, pensou em procurar uma Ordem mais austera e rígida, por achar a Ordem Carmelita muito branda. Foi então que a futura santa Tereza de Ávila cruzou seu caminho.

Com autorização para promover, na Espanha, a fundação de conventos reformados, ela também tinha carta branca dos superiores gerais para fazer o mesmo com conventos masculinos. Tamanho era seu entusiasmo que atraiu o sacerdote João da Cruz para esse trabalho.

Ao invés de sair da Ordem, ele passou a trabalhar em sua reforma, recuperando os princípios e a disciplina. João da Cruz encarregou-se de formar os noviços, assumindo o cargo de reitor de uma casa de formação e estudos, reformando, assim, vários conventos.

Reformar uma Ordem, porém, é muito mais difícil que fundá-la, e João enfrentou dificuldades e sofrimentos incríveis, para muitos, insuportáveis. Chegou a ser preso por nove meses num convento que se opunha à reforma.

Os escritos sobre sua vida dão conta de que abraçou a cruz dos sofrimentos e contrariedades com prazer, o que é só compreensível aos santos. Aliás, esse foi o aspecto da personalidade de João da Cruz que mais se evidenciou no fim de sua vida. Conta-se que ele pedia, insistentemente, três coisas a Deus.

Primeiro, dar-lhe forças para trabalhar e sofrer muito. Segundo, não deixá-lo sair desse mundo como superior de uma Ordem ou comunidade.

Terceiro, e mais surpreendente, que o deixasse morrer desprezado e humilhado pelos seres humanos. Para ele, fazia parte de sua religiosidade mística enfrentar os sofrimentos da Paixão de Jesus, pois lhe proporcionava êxtases e visões. Seu misticismo era a inspiração para seus escritos, que foram muitos e o colocam ao lado de santa Tereza de Ávila, outra grande mística do seu tempo.

Assim, foi atendido nos três pedidos. Pouco antes de sua morte, João da Cruz teve graves dissabores por causa das incompreensões e calúnias. Foi exonerado de todos os cargos da comunidade, passando os últimos meses na solidão e no abandono.

Faleceu após uma penosa doença, em 14 de dezembro de 1591, com apenas quarenta e nove anos de idade, no Convento de Ubeda, Espanha. Deixou como legado sua volumosa obra escrita, de importante valor humanístico e teológico. E sua relevante e incansável participação como reformador da Ordem Carmelita Descalça.

Foi canonizado em 1726 e teve sua festa marcada para o dia de sua morte. São João da Cruz foi proclamado doutor da Igreja em 1926, pelo papa Pio XI. Mais tarde, em 1952, foi declarado o padroeiro dos poetas espanhóis.

Também são venerados neste dia: São Venâncio Fortunato, Santo Esperidião, São Nimatullah Kassab Al-Hardini e  Santo Agnelo, São Druso, Satnos Zózimo e Teodoro (mártires de Antioquia), Santo Experidião de Trimithonte (bispo), Santo Eutrópia e companheiros (mártires de Reims).