segunda-feira, 18 de abril de 2022

 

ONDE DEVEMOS BUSCAR REFÚGIO

 

Na Nossa vida temos momentos de ansiedade, de angústia, de tristeza, de expectativa. Isso é normal na vida de qualquer ser humano.

Todos nós já vivemos dias sombrios; quantas vezes vivemos momentos de alegria e de exaltação e, de repente, sentimos que uma nuvem negra cobre o nosso entusiasmo, e os nossos dias de sol radiante se transformam em dias escuros, negros e sem vida, e passamos por profundas depressões.

Pensamos, então, que tudo está perdido, que a vida não tem mais sentido, que a existência não tem mais graça, e que essa fase da vida por qual passamos não vai ter mais fim. São momentos terríveis que nos fazem sofrer profundamente.

Às vezes perdemos até toda a nossa esperança. Quando as nossas condições de saúde estão precárias, quando estamos mal no trabalho, quando o nosso ambiente familiar já não é mais aquele que desejaríamos e que sempre sonhamos que fosse, quando o relacionamento com o marido, com a esposa ou com os filhos está difícil, quando não vemos mais saída para nada, nós começamos a nos sentir inúteis e fracos.       

E, nesses momentos, nós procuramos refúgio em muitas coisas, em muitos lugares. Se não encontramos soluções para os nossos problemas com aquilo que fazemos ou nos lugares onde as buscamos, geralmente procuramos outras atividades ou estarmos em outros lugares que, na maioria das vezes, nos dá uma falsa segurança, uma falsa sensação de bem estar.      

Outro dia uma senhora me dizia que, quando entrava em depressão, ela fumava dois maços de cigarro por dia. Outras pessoas se apegam em remédios e buscam médicos, numa tentativa de acabar com a sua depressão, acabar com a sua angústia.

Outros, ainda, procuram frequentar lugares de intenso barulho, como bailes, reuniões festivas e muitas outras coisas mais para tentarem  fugir dos problemas que tem, tanto na família, como no trabalho, no dia a dia, no relacionamento com vizinhos e amigos.

Mas, nada disso resolve. A nossa  depressão, a nossa angústia vem de dentro, e a cura também, para isso, deve vir de dentro. Aquela senhora fuma dois maços de cigarro por dia para fugir de seus problemas, de suas frustrações, de suas angústias; fuma dois maços de cigarro por dia para não pensar nas coisas que a deprime.

Aquela outra gasta dinheiro com médicos e remédios e mesmo assim não encontra solução para os seus problemas. Outros, ainda, procuram frequentar lugares incompatíveis e perigosos, e com isso só aumentam a sua angústia, a sua tristeza, a sua depressão. E nós nos esquecemos do amor de Maria, nos esquecemos do colo de Maria, onde devemos nos refugiar quando nos afundamos nos nossos problemas.

Foi no colo de Maria que Jesus chorou muitas vezes, e encontrou refúgio e apoio como homem. Foi no colo de Maria que Jesus, como homem, aprendeu a superar os seus problemas, e, mais tarde ele chamou para si, como Deus, a responsabilidade de confortar, como sua mãe o confortou, e nós não podemos nos esquecer do chamamento de Jesus, que é o único médico, tanto dos problemas do corpo como da alma.

E Jesus nos diz: “Vinde a mim todos vocês que estão cansados, angustiados, que eu vos aliviarei. O meu peso é leve e o meu jugo é suave. Vinde a mim vocês todos.” Você, meu irmão, você minha irmã, que gasta dinheiro com cigarro, com médicos, com remédios, com diversões perigosas, para fugir dos seus problemas, se, ao contrario, você saísse de dentro de si próprio e fosse ao encontro do irmão necessitado, daquele que tem mais problemas que você, se, no momento de angústia e tristeza você saísse de  dentro de sua casa e fosse visitar um doente, sentira que nessa visita, além de ser um conforto para o irmão doente, vai ver que existe pessoas em pior situação que você. Se você for a um asilo visitar os velhinhos que lá estão esquecidos pela sociedade e esquecido por seus próprios filhos; se você for a um orfanato visitar as crianças que foram abandonadas nas tuas pelos pais; se você fosse a um hospital visitar os doentes que estão em fase terminal de vida, você viria que seus problemas são uma agulha perdida num palheiro. 

Se nas horas em que você não está fazendo nada em sua casa, a não ser pensando que você é a mais infeliz das criaturas,  e se preocupasse em fazer, com os retalhos que você joga fora, alguma roupinha de bebê, e fosse visitar uma mãe pobre que, talvez, não tem com que se vestir e vestir os seus filhos, você se sentiria bem melhor.

Se você, meu irmão, você minha irmã, saísse de dentro de si próprio e parasse de sentir dó de você mesmo, e começasse a se preocupar com o irmão necessitado, a sua angústia, a sua depressão sairia de suas almas e daria lugar à alegria cristã de ter parado de pensar em si próprio e de ter ido ao encontro do irmão necessitado. 

domingo, 17 de abril de 2022

 

POR QUE QUANDO RESSUSCITOU JESUS DOBROU O LENÇO?

O LENÇO DOBRADO (João 20,7)

 

Por que Jesus dobrou o lenço que cobria sua cabeça no sepulcro depois de sua ressurreição? Poucas pessoas nunca haviam detido a atenção a esse detalhe.

Em João 20,7 - nos diz que o lenço que fora colocado sobre a face de Jesus, não foi apenas deixado de lado, como os lençóis no túmulo. “... e que o lenço, que estivera sobre a cabeça de Jesus, não estava com os panos, mas enrolado num lugar à parte.”

A Bíblia reserva um versículo inteiro para nos dizer que o lenço foi dobrado cuidadosamente e colocado na cabeceira do túmulo de pedra.

Bem cedo, na manhã de domingo, Maria Madalena foi à tumba e descobriu que a pedra da entrada havia sido removida.

Ela correu ao encontro de Simão Pedro e outro discípulo... aquele que Jesus tanto amara {João} e disse-lhe ela:

- "Tiraram o corpo do Senhor e eu não sei para onde o levaram."

Pedro e o outro discípulo correram ao túmulo para ver...

O outro discípulo passou à frente de Pedro e lá chegou primeiro.

Ele parou e observou os lençóis, mas ele não entrou no túmulo.

Simão Pedro chegou e entrou. Ele também notou os lençóis ali deixados, enquanto que o lenço que cobrira a face de Jesus estava dobrado, e colocado em outro lado.

Isto é importante? Definitivamente sim!

Isto é significante? Certamente que sim!

Para poder entender a significância do lenço dobrado se faz necessário que entendamos um pouco a respeito da tradição Hebraica daquela época.

O lenço dobrado tem que a ver com o Amo e o Servo, e todo menino Judeu conhecia essa tradição.

Quando o Servo colocava a mesa de jantar para o seu Amo, ele buscava ter certeza em fazê-lo exatamente da maneira que seu Amo queria. A mesa era colocada perfeitamente, e o Servo esperava, fora da visão do Amo, até que o mesmo terminasse a refeição.

O Servo não podia se atrever nunca, a tocar na mesa antes que o Amo tivesse terminado a sua refeição.

Diz a tradição que: ao terminar a refeição, o Amo se levantava, limpava os dedos, a boca e sua barba, e embolava o lenço e o jogava sobre a mesa.

Naquele tempo o lenço embolado queria dizer:

"Eu terminei."

No entanto, se o Amo se levantasse e deixasse o lenço dobrado ao lado do prato, o Servo jamais ousaria tocar na mesa porque, o lenço dobrado queria dizer:

"Eu voltarei!"*

Que delicadeza este gesto! Na palavra de Deus, não tem nada sem sentido e significado. Muito lindo!

*"Ele voltará"*

sábado, 16 de abril de 2022

 

SÁBADO SANTO – JESUS NO SEPULCRO

 

“NÓS ESPERÁVAMOS QUE ELE FOSSE O LIBERTADOR DE ISRAEL, NAS HOJE JÁ O TERCEIRO DIA...” (Lc 24,21).

 

Diácono Milton Restivo

 

Silêncio. A Igreja está de luto. A natureza está de luto. Tudo é silêncio, tudo é sofrimento, tudo é dor. Aquele em que depositávamos as nossas esperanças já não existe mais no meio dos mortais. Neste momento está depositado no sepulcro que lhe foi emprestado, no silêncio total, no descanso eterno. Aquele que ressuscitara tantas pessoas, que fizera voltar à vida Lázaro, o filho da viúva de Naim, a filha de Jairo, e que dissera:

·         “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, (Jo 14,6),

E que viera trazer a vida em abundância:

·         "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10, 10),

E queria que todos vivêssemos essa vida, agora está sem vida, está morto e sepultado.

·         “Vocês todos que passam pelo caminho, olhem e prestem atenção: haverá dor semelhante à minha dor?” (Lm 1,12).

O velho Simeão, quando Maria e José apresentaram Jesus no Templo quando ainda bebê, dissera a Maria:

·         “Eis que esse menino vai ser causa de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma”. (Lc 2,34-35).

O velho Simeão falou de uma espada de dor; quantas espadas traspassaram o coração de Maria? Maria sabia quem era Jesus; o mundo não quis saber...

O velho Simeão falou que ele seria “sinal de contradição”; a primeira contradição foi que o Rei dos Reis nasceu num curral de animais e a última foi que sua coroa não foi de ouro e pedras preciosas e sim de espinhos, e o seu trono não foi ricamente ornamentado, mas foi o madeiro cruel e duro de uma cruz...

O mundo está atordoado. O madeiro da cruz, no alto do Calvário, está vazio, silencioso, num silêncio gritante que fala mais alto do que qualquer grito que busca justiça, que reflete dor e injustiça. Apenas filetes de sangue seco escorridos no madeiro inerte da cruz mostram que o condenado que ali esteve sofreu as mais angustiantes dores.

Ali estivera, até a pouco tempo, pendurado, preso apenas por cravos que lhe perfuraram as mãos e os pés prendendo-o no madeiro da cruz, aquele que dissera: 

·         “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Jo 14,6).

Das suas palavras não restam senão o eco surdo nos corações apavorados e sem esperanças daqueles que depositaram nele toda a sua esperança e a realização de dias melhores e que acreditaram nele.

·         “Nós esperávamos que ele fosse o libertador de Israel, mas apesar de tudo isso, já faz três dias que isso aconteceu”. (Lc 24,21);

Esse foi o lamento dolorido de um dos discípulos que caminhava para Emaús. Uma queixa dolorida e amarga que retrata fielmente a desilusão de quem acreditava e esperava em dias melhores, e vê que tudo termina no alto, mas no alto do madeiro de uma cruz.

Carlos Mesters, no seu livro: “Deus, onde estás?” escreve:

·         “Com a morte de Jesus, morreu algo na vida dos apóstolos, alguma coisa de fundamental importância. A vida para eles já não tinha mais sentido... A morte de Jesus matou alguma coisa no íntimo dos apóstolos, como a morte do marido mata algo na esposa que fica; a morte do amigo mata algo no íntimo do amigo que fica. Matando o Cristo, mataram o futuro do coração dos apóstolos. Estancou-se a fonte, a água acabou. Destruíram a turbina, a luz apagou”.

Agora Jesus está morto, recolhido num sepulcro. Nesta oportunidade está se realizando a profecia do velho Simeão. O coração de Maria está traspassado, não de uma, mas de centenas de espadas. O coração de Maria está esfacelado, está sangrando, está inconsolável, e poderíamos colocar em sua boa as palavras do profeta:

·         “Vocês todos que passam pelo caminho, olhem e prestem atenção: haverá dor semelhante à minha dor?” (Lm 1,12).

Não, não existe dor semelhante... Não pode existir... Somente a dor de seu Filho foi maior que a sua. Não tanto dor física que Jesus passou e que nenhum homem normal teria tanta resistência para passar; não a dor da flagelação, não a dor da coroação de espinhos e da permanência interminável da coroa em sua cabeça, não a dor da crucificação, mas a dor maior: a dor da ingratidão dos homens que não entenderam o grande gesto de amor de “um Deus que se fez homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus”. Um Deus que tomou nossas misérias, tomou sobre si o peso de nossos pecados...

Alguém já escreveu:

·         “O local onde ele nascera, era emprestado. O jumento que ele montara para sua entrada triunfal em Jerusalém, era emprestado. Os pães e os peixes que ele multiplicara, eram emprestados. A sala onde ele celebrara a última ceia com seus apóstolos e instituiu a Eucaristia, era emprestada. O barco onde viajara, era emprestado. O túmulo onde está depositado é emprestado. Só a cruz, somente a cruz era dele”.

E essa mesma cruz, que agora está vazia e abandonada no alto do Calvário, continua sendo dele, porque ele a usou como instrumento para a redenção do gênero humano.

Ele mesmo, parafraseando o profeta Zacarias 13,7, dissera um dia:

·         “Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão." (Mt 26,31).

Os apóstolos estão todos apavorados.

Também são dele essas as palavras:

·         “As raposas têm tocas e os pássaros do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. (Lc 9,58). 

O Filho do Homem não tinha uma pedra para reclinar a cabeça...

O Filho do Homem não tinha uma mesa onde pudesse reclinar para fazer suas refeições; elas aconteciam na casa dos que eram considerados pecadores pelos que se julgavam santos.

O Filho do Homem não teve sequer um túmulo onde pudesse ser colocado seus restos mortais; o túmulo em que ele se encontra é emprestado.

Ele dissera certo dia:

·         “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.” (J0 12, 24). 

E ele se faz o grão de trigo, é jogado ao chão, é enterrado.

Espera-se apenas o momento do grão de trigo brotar da terra para que possa frutificar.

Todo trigo, para se transformar em pão saudável, deve ser triturado, esmagado, transformado em farinha, passar pelas moendas e pelo fogo. Depois desse processo está pronto para ser comido e transformar tudo em vida. A cruz continua solitária e abandonada no alto do Calvário.

O crucificado é como o trigo lançado no chão. Aguarda-se o momento que, aos olhos dos homens, parece impossível. Ele prometera que ao terceiro dia ele ressuscitaria:

·         “Destruam este Templo, e em três dias eu o levantarei.” (Jo 2,18).

Mas, se fosse realmente para ressuscitar e voltar à vida, porque deveria ter se submetido a todo esse processo, julgamento iníquo e todos os sofrimentos por que passou?

Ele encorajara seus discípulos:

·         “Vem a hora, e já chegou, em que vocês se espalharão cada um para o seu lado, e me deixarão sozinho. Mas eu não estou sozinho, pois o Pai está comigo. Eu disse essas coisas para que vocês tenham a minha paz. Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem, eu venci o mundo.” (Jo 16,32-33).

Mas, que vitória teria sido essa se o espírito das trevas havia vencido todas as batalhas, e ele jazia no sepulcro?

Jesus, o Cristo, está no sepulcro. Entre todos aqueles que o seguiam não existe ninguém, um sequer, nesse momento, que tenha confiança que ele ressuscitará, que ele voltará à vida.

Espere, não sejamos apressados e nem fatalistas; existe sim, existe uma pessoa que acredita incondicionalmente que ele cumprirá o que prometera: sua mãe, Maria.

Maria é a Igreja, e como Igreja, Maria se coloca em vigília, aguardando esse momento supremo em que a luz vencerá as trevas, em que a vida vencerá a morte.

E hoje, neste Sábado Santo, a Igreja, com Maria, se coloca nessa expectativa, na certeza de que, a qualquer momento, algo extraordinário acontecerá.  Continuemos em silêncio.

Continuemos em meditação

Continuemos vivendo esse respeito, velando ao lado do sepulcro.

Ele prometeu... Ele cumpre...

quinta-feira, 14 de abril de 2022

 

FAZEI ISSO EM MEMÓRIA DE MIM...

 

Quando participamos do Santo Sacrifício da Missa e, durante a oração eucarística, o presidente da celebração toma em suas mãos a hóstia, levanta-a sobre o altar para que todos os participantes possam vê-la, e diz em voz alta, para que todos possam ouvi-lo, repetindo aquilo que o Apóstolo Paulo passou para a Igreja de Jesus Cristo o que ele ouvira do próprio Senhor, conforme a primeira carta aos Corintos, conforme ele mesmo diz:

·         “De fato, eu mesmo recebi do Senhor aquilo que lhe transmiti. A saber: “Na véspera de sua paixão, durante a última ceia, Jesus tomou o pão, deu graças e o partiu, e deu aos seus discípulos, dizendo: “Tomai, todos, e comei: isto é o meu corpo, que será entregue por vós.”  Depois, do mesmo modo, ao fim da ceia, Jesus tomando o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o entregou aos seus discípulos, dizendo: “Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna  aliança, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim.” (1Cor 11,23-25).

Todas as vezes que participamos da Santa Missa e todas as vezes que o sacerdote presidente da celebração repete essas palavras, essa atitude, estamos participando da ceia sagrada e estamos vivendo o maior mistério da nossa fé, porque, como diz Paulo Apóstolo:

·         “Toda vez que se come deste pão, toda vez que se bebe deste vinho, se recorda a paixão de Jesus Cristo e se fica esperando a sua volta.” (1Cor 11, 26).

A Santa Ceia, esta cena maravilhosa, tocante e imorredoura, aconteceu na noite em que o Jesus, já sabendo que tinha sido vendido aos judeus por um de seus apóstolos, pelo preço de um escravo, Judas Iscariotes, para ser condenado à morte, e ele, Jesus, tendo reunido todos os seus apóstolos para a despedida final, promoveu o que chamamos hoje de “Santa Ceia”, que seria a seu último encontro como os seus discípulos e apóstolos, e ali, naquela oportunidade, institui o Sacramento da Eucaristia.

O Sacramento da Eucaristia é o Sacramento em que Jesus se faz presente de corpo, alma e divindade e Jesus instituiu esse sacramento exatamente para permanecer entre nós, para que ele jamais nos deixasse e para que nós não ficássemos como ovelhas sem pastor, perdidas neste vale de lágrimas entre os espinhos do pecado e as intempéries da própria natureza humana que tem suas inclinações sempre contrárias ao Caminho, à Verdade e à Vida que é Jesus Cristo, e, num último esforço de amor e doação total, Jesus se entrega a nós no mistério infinito da Eucaristia.

Todas as vezes que participamos de uma Santa Missa é como se estivéssemos ao redor da mesa, com Jesus, como aconteceu na última ceia; todas as vezes que participamos do sacrifício da missa nós estamos, como estiveram na última ceia os doze apóstolos, ao redor da mesa, tendo Jesus Cristo ao centro, e estamos participando do banquete pascal, onde se serve, como alimento, o pão que se transforma no corpo de Jesus Cristo, e se bebe, como bebida, o vinho, que se transforma no sangue de Jesus Cristo que foi derramado “por todos os homens para o perdão dos pecados.”

Mas, para participarmos dessa Santa Ceia o Senhor Jesus quer que seus apóstolos e discípulos estejam limpos, sem a poeira do pecado, sem a mancha das más inclinações, sem a sujeita dos maus pensamentos, e foi por isso que Jesus se propôs a lavar os pés de seus apóstolos com a água do perdão e enxugá-los com a toalha da misericórdia do Pai.

Jesus nos quer limpos para participarmos efetiva e dignamente da mesa da sua santa ceia, porque, como diz Paulo Apóstolo, todos aqueles que não estiverem preparados para receber a Sagrada Eucaristia e o fazem ou se dirigem à mesa da comunhão impuros, estão comendo e bebendo a sua própria condenação:

·         “Por isso, todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Portanto, cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação.” (1Cor 11,27-29).

E é por isso que, em uma das Orações Eucarísticas o celebrante reza, e nós repetimos com a Santa Igreja, dizendo:

·         “Jesus Cristo, verdadeiro e eterno sacerdote, oferecendo-se a Deus Pai pela nossa salvação, instituiu o sacramento da nova aliança e mandou que o celebrássemos em sua memória. Sua carne imolada por nós é o alimento que nos fortalece, e o seu sangue por nós derramado, é a bebida que nos purifica.” (V oração eucarística).

Nosso Senhor Jesus Cristo é a realização plena de todas as promessas de salvação feita por Deus Pai aos homens de todos os tempos.

Desde a queda do homem, Deus promete a salvação, e todo o Antigo Testamento das Sagradas Escrituras é a preparação dessa salvação prometida por Deus; e, tanto a vinda de Jesus Cristo como toda a sua vida, a sua paixão, morte e ressurreição e ascensão aos céus, tudo isso aconteceu como havia sido anunciado pelos profetas e Santos do Antigo Testamento.

E tudo o que o Senhor Jesus fez, falou e ensinou em toda a sua vida, deve ser aceito e vivido por todos aqueles que dizem e acreditam que ele é a Salvação que vem de Deus. Não adianta dizermos que Jesus Cristo é o Filho de Deus, não adianta dizermos que Jesus Cristo é Deus se duvidamos ou não acreditamos em qualquer coisa que ele tenha feito, falado ou ensinado.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

 

PAZ... O QUE É PAZ?

 

Às vezes, em muitas circunstâncias da vida, como os apóstolos estavam se sentindo após a crucificação e morte de Jesus, nos sentimos sozinhos, abandonados, isolados.

Nesse isolamento sentimos um vazio intenso e o silêncio grita alto dentro de nós todas aquelas coisas que gostaríamos que se tornassem conhecidas e aceitas para provar que somos humanos, que acertamos algumas vezes e erramos outras tantas; e o silêncio explode dentro de nosso cérebro, dentro do nosso peito, dentro do nosso coração, ressoando fortemente em nossa alma e, desesperadamente, buscamos paz, procuramos a paz, lutamos pela paz, desejamos ardentemente a paz... paz... paz... Como necessitamos de paz. Como procuramos a paz, como desejamos a paz.

Paz interior. Paz de espírito. Paz na alma. Paz onde vivemos. Paz onde trabalhamos.

Como procuramos a paz. Mas como a procuramos nos lugares mais equivocados, nos lugares onde, absolutamente, ela não está, não se encontra, e, nessa busca desenfreada pela paz mais nos confundimos, mais nos desesperamos, mais nos perdemos, mais nos equivocamos.

Mas, o que é paz? Se procurarmos no dicionário encontraremos que paz é ausência de guerra, é tranquilidade, serenidade, sossego, descanso, ausência de hostilidade, silêncio...

Mas a paz que o nosso espírito, o nosso coração, a nossa alma busca não é somente ausência de guerra, nem tranquilidade, nem o que tudo o mais que o dicionário pressupõe.

A paz que buscamos, a paz verdadeira é estarmos de bem conosco mesmos e com Deus, mesmo que à nossa volta haja confusão, guerra, incompreensão, agressões...

A paz verdadeira vem de Deus, somente de Deus; paz interior, paz de consciência, paz de espírito, paz na alma, paz no coração...

A paz que buscamos não é essa paz que é sinônimo de tranquilidade, mesmo contrariando a definição de paz que nos dão os dicionários da nossa língua portuguesa.

Realmente, a paz que vem de Deus não pode ser sinônimo de tranquilidade, porque, por um paradoxo, o Senhor Nosso Deus nos dá a sua paz exatamente para não nos deixar em paz, para não nos deixar tranquilos, porque, quem tem a paz que vem do Senhor não pode estar tranquilo ao conviver com tantas injustiças, tantas mentiras, agressões, infidelidades, falsidades, desumanidade, desamor, tantos interesses escusos e mesquinhos que existem entre as pessoas, e o pior, pessoas que se dizem cristãs, e isso em quaisquer seguimentos cristãos e no mundo inteiro.

Quem tem a paz que vem do Senhor não pode se acomodar, não pode se tranquilizar, porque a paz que o Senhor nos dá não é a mesma paz que o mundo transmite: “A minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.” (Jo 14,27).

Quem tem a paz que vem do Senhor Nosso Deus não pode se omitir ao ver tantas e tantas faltas e falhas, tantos pecados imperarem nos locais que, por força das circunstâncias e princípios, deveriam ser santos; não podem concordar com aqueles que deveriam se postar em defesa dos oprimidos e dos injustiçados se calarem criminosa e covardemente; não podem ter repouso ao presenciar tantas agressões covardes contra aqueles que não podem e não sabem e nem tem condições de se defender, tanto física quanto moral, psicológica e até religiosamente.

Por isso, a paz não é e nem pode ser sinônimo de tranquilidade.

O Senhor nos dá a paz, mas não nos deixa em paz...

A paz que vem do Senhor é aquela que deve nos desalojar do nosso comodismo da mesma maneira como aconteceu com Maria, a mãe de Jesus que, após receber em seu coração e no seu ventre a Paz Personificada no Filho de Deus, não se acomodou e partiu para uma longa viagem ao tomar conhecimento, pela boca do Anjo que viera lhe trazer a Boa Nova da vinda do Messias, que a sua parenta Isabel, mulher já de idade avançada, necessitava de sua ajuda, de sua presença para auxiliá-la nos preparativos dos últimos dias de sua gravidez temporã, conforme narra Lucas, 1,26-27. Só os valentes têm essa paz verdadeira.

Os valentes que assumem de corpo e alma os preceitos emanados das Sagradas Escrituras e ditados pelo Senhor Nosso Deus e que se sintonizam com a vontade divina para servirem de instrumentos nas mãos do Pai a fim de dar continuidade ao plano de salvação iniciado por Jesus Cristo e que se prolonga na luta do dia-a-dia de sua Igreja.

E o resultado dessa paz nem sempre é uma velhice tranquila ou uma aposentadoria sem lutas e abastada como todos desejariam que fossem, como aconteceu com a irmã Dóroty.

O resultado dessa paz é, muitas vezes, a incompreensão dos homens e do mundo, é uma coroa de espinhos, são flagelos, chacotas, indiferenças e dores que, muitas vezes, terminam ao se ver o mundo do alto, mas do alto de uma cruz, como aconteceu com o Senhor Jesus, e isso não é novidade pois que, o Senhor Jesus já nos alertava a respeito disso: “Não existe discípulo superior ao mestre, nem servo superior ao seu senhor. Basta que o discípulo se torne como o mestre e o servo como o seu senhor.” (Mt 10,24-25).

Essa paz que buscamos desesperadamente somente a encontramos, e gratuitamente, nos é transmitida, através dos apóstolos e discípulos, pelo Senhor Jesus: ”A paz esteja com vocês”. (Lc 24,36; Jo 20,21.26), e “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá. Não fiquem perturbados , nem tenham medo.” (Jo 14,27).

Por incrível que possa parecer, vemos que todos aqueles que receberam a paz diretamente do Senhor Jesus e, estando em pleno gozo dessa paz, foram perseguidos, caluniados, flagelados, assassinados, martirizados.

E ai nos vem a pergunta: “Que tipo de paz é essa que, para gozá-la plenamente, passa-se por todas essas privações?”

Essa é a paz verdadeira que vem do Senhor Nosso Deus nos dando plena segurança de que vale à pena ser perseguido injustamente pelo mundo e incompreendido pelos homens e até por aqueles que amamos de verdade; vale à pena, desde que permaneçamos fieis às observâncias dos preceitos evangélicos transmitidos por Jesus Cristo e consolados por sua exortação: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados são vocês, quando lhes injuriarem e lhes perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vocês por causa de mim. Alegrem-se e regozijem-se, porque será grande a recompensa de vocês nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vocês.” (Mt 5,10-12).

A paz que recebemos do Senhor Nosso Deus nos traz alegria interior. A paz que o mundo nos oferece se transforma em remorso.

O Senhor faz bem-aventurados todos aqueles que vivem na sua paz e a sua paz e as bem-aventuranças evangélicas são o conforto que o Senhor dá aos que vivem na sua paz.

Bem-aventurados os que buscam a paz no Senhor, os que vivem plenamente essa paz e que a transmitem a todos os que o cercam. Precisamos dessa paz, buscamos essa paz e somente essa paz porá fim ao silêncio gritante que ecoa em nossos corações pelas indecisões que a vida nos traz.

No Evangelho de João, na oportunidade dessa mesma narrativa, Jesus transmite a paz juntamente com o envio dos apóstolos para o mundo, transmitindo a eles o Espírito Santo que ele havia prometido durante quase toda a sua pregação, além de lhes facultar uma atitude que só a Deus pertence: a de perdoar pecados: “Jesus disse de novo para eles:A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou eu também envio vocês. Tendo falado isso Jesus soprou  sobre eles, dizendo: ‘Recebam o Espírito Santo.. os pecados que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados que vocês não perdoarem, não serão perdoados.” (Jo 20,21-23).

A presença do Espírito Santo transmitido à Igreja de Jesus Cristo só pode trazer e transmitir a paz, não a paz do mundo, “a paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá”.

A presença do Espírito Santo na Igreja patrocina o perdão pleno e irrestrito dos pecados. A presença do Espírito Santo transmitido por Jesus ao soprar sobre os seus apóstolos, deve ser materializada no amor, porque, como disse João na sua carta: “Filhinhos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. E todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor. [...] “Nós reconhecemos o amor que Deus tem por nós e acreditamos nesse amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.” 1Jo 4,7-8.16).

terça-feira, 12 de abril de 2022

 

QUEM NÃO AMA MARIA, NÃO AMA JESUS...

 

Como é gostoso a gente falar de quem amamos de verdade. Maria é a nossa mãe, o nosso modelo, a mãe do Senhor Nosso Deus. Se amamos realmente Maria, chegamos com mais facilidade até Jesus, porque Maria é o meio mais seguro para chegarmos ao Senhor Jesus.

A devoção que temos por Maria deve, cada vez mais, nos levar até Jesus.

São Luiz Maria Grignon de Montfort escreveu no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”: “Se a devoção que temos a Maria Santíssima nos afastasse  de Jesus Cristo, esta devoção deveria ser rejeitada como ilusão do demônio. Mas o que acontece é justamente o contrário; a devoção à Maria é necessária principalmente por acharmos Jesus, por nos encontrarmos com o Filho muito amado de Deus e de Maria, para estarmos com Jesus Cristo perfeitamente, amá-lo com ternura e servi-lo com fidelidade. Mas, a maior parte dos cristãos, até aqueles que dizem entender bem as coisas de Deus não sabem da união necessária que existe entre Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima. Jesus está sempre com Maria, assim como Maria está com Jesus, e nem poderia estar sem Jesus, porque, se fosse de outra maneira, Maria não seria o que é; Maria está de tal maneira transformada em Jesus pela graça que não vive mais, não existe mais se não for por meio do Senhor Jesus que nela vive e reina mais profundamente do que em todos os anjos e bem-aventurados. Maria está tão intimamente unida a Jesus, que seria mais fácil separar a luz do sol (do que separar Maria de Jesus); seria mais fácil separar o calor do fogo (do que separar Jesus de Maria), e ainda mais: seria mais fácil separar de Jesus Cristo todos os anjos e santos do que separar de Jesus a Divina Maria, porque ela, Maria, ama Jesus mais ardentemente, glorifica a Jesus mais perfeitamente que todas as criaturas de Deus juntas.     É verdade que causa espanto e compaixão ver a ignorância e as trevas de todas as criaturas deste mundo em relação à Mãe Santíssima do Filho de Deus. E isso acontece entre os próprios católicos que fazem promessa de ensinar aos outros a verdade e que, no entanto, não conhecem a Maria Santíssima. Esses cristãos pouco falam de Maria e da devoção que lhe é devida, porque muitos dizem que temem que, falando de Maria, poderiam ofuscar a luz que vem de Jesus. Maria é o meio seguro e sem ilusão, é um caminho curto e sem perigo, é uma estrada imaculada e sem imperfeição, é um segredo maravilhoso para achar a Jesus Cristo e amá-lo perfeitamente. Muitos cristãos combatem a devoção à Maria, à Nossa Senhora. Muitos cristãos consideram o rosário, o escapulário, o terço, como devoções próprias de espíritos acanhados e ignorantes.           Teriam essa gente, por acaso, o espirito de Jesus Cristo?  Será que Jesus fica contente de ver que, mesmo no seu rebanho, existem pessoas que não ligam para a sua Mãe Santíssima? Será que a devoção à Maria impede a devoção a Jesus?” E, nessa altura, neste momento repito a oração de São Luiz Maria Grignon de Montfort, contida nesse mesmo livro: “Preservai-me, Senhor, preservai-me desses sentimentos e dessas práticas, e concedei-me a graça de partilhar os sentimentos de gratidão, de estima, de respeito e de amor que o Senhor consagra à vossa Mãe Santíssima, a fim de que eu tanto mais vos ame e glorifique quanto mais de perto vos imitar e seguir.            Como se até agora nada ainda tivesse dito em honra de sua Mãe Santíssima, dai-me a graça de louvá-la dignamente apesar de todos os seus inimigos que são também vossos, e permiti que eu lhes diga com todos os santos: “Não pensem vocês em receber a misericórdia de Deus se vocês ofendem sua santa Mãe.”

(itálico do livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, de São Luiz Grignion de Montefort, partes da páginas de 64 a 69, art. 1, cap II).

segunda-feira, 11 de abril de 2022

 

SANTA GEMA GALGANI - 1878-1903

 

Ao nascer, em 12 de março de 1878, na pequena Camigliano, perto de Luca, na Itália, Gema recebeu esse nome, que em italiano significa jóia, por ser a primeira menina dos cinco filhos do casal Galgani, que foi abençoado com um total de oito filhos.

A família, muito rica e nobre, era também profundamente religiosa, passando os preceitos do cristianismo aos filhos desde a tenra idade.

Gema Galgani teve uma infância feliz, cercada de atenção pela mãe, que lhe ensinava as orações e o catecismo com alegria, incutindo o amor a Jesus na pequena.

Gema aprendeu tão bem que não se cansava de recitá-las e pedia constantemente à mãe que lhe contasse as histórias da vida de Jesus. Mas essa felicidade caseira terminou aos sete anos. Sua mãe morreu precocemente e sua ausência também logo causou o falecimento do pai.

Órfã, caiu doente e só suplantou a grave enfermidade graças ao abrigo encontrado no seio de uma família de Luca, também muito católica, que a adotou e cuidou de sua formação.

Conta-se que Gema, com a tragédia da perda dos pais, apegou-se ainda mais à religião. Recebeu a primeira eucaristia antes mesmo do tempo marcado para as outras meninas e levava tão a sério os conceitos de caridade que dividia a própria merenda com os pobres.

Demonstrava, sempre, vontade de tornar-se freira e tentou fazê-lo logo depois que Nossa Senhora lhe apareceu em sonho. Pediu a entrada no convento da Ordem das Passionistas de Corneto, mas a resposta foi negativa.

Muito triste com a recusa, fez para si mesma os juramentos do serviço religioso, os votos de castidade e caridade, e fatos prodigiosos começaram a ocorrer em sua vida.

Quando rezava, Gema era constantemente vista rodeada de uma luz divina.

Conversava com anjos e recebia a visita de são Gabriel, de Nossa Senhora das Dores passionista, como ela desejara ser.

Logo lhe apareceram no corpo os estigmas de Cristo, que lhe trouxeram terríveis sofrimentos, mas que era tudo o que ela mais desejava.

Entretanto, fisicamente fraca, os estigmas e as penitências que se auto-infligia acabaram por consumir sua vida. Gema Galgani morreu muito doente, aos vinte e cinco anos, no Sábado Santo, dia 11 de abril de 1903.

Imediatamente, começou a devoção e veneração à "Virgem de Luca", como passou a ser conhecida. Estão registradas muitas graças operadas com a intercessão de Gema Galgani, que foi canonizada em 1940 pelo papa Pio XII, que a declarou modelo para a juventude da Igreja, autorizando sua festa litúrgica para o dia de sua morte.

São comemorados, também, neste dia: Santo Estanislau, Santo Isaac, Bem-aventurada Helena Guerra, Santo AGérico de Tours (abade), Santo Aido de Achad-Finglas (abade), Santo Antipas de Pégamo (bispo e mártir), São Filipe de Gortyna (bispo).

domingo, 10 de abril de 2022

 

MILAGRES EUCARÍSTICOS

CINCO  MILAGRES EUCARÍSTICOS QUE ACONTECERAM NA AMÉRICA LATINA

 

Eles confirmam a real presença de Jesus na Eucaristia

Um milagre eucarístico é uma intervenção prodigiosa de Deus que busca confirmar a fé na presença real do Corpo e do Sangue de Cristo na Eucaristia. Por exemplo, quando as hóstias consagradas nunca se corrompem embora passem centenas de anos, ou quando a hóstia se torna carne e o vinho sangue do Senhor, mas há outras manifestações.

 

Cinco países da América Latina onde ocorreram esses milagres:

 

1 - MÉXICO

Em 12 de outubro de 2014, o Bispo de Cjilpancingo-Chilapa, Dom Alejo Zavala, anunciou o reconhecimento do milagre eucarístico ocorrido em Tixtla no dia 21 de outubro de 2006.

Na carta, o Bispo anuncia que “este evento nos proporciona um sinal maravilhoso do amor de Deus, que confirma a presença real de Jesus na Eucaristia… Em meu papel como Bispo da diocese, reconheço o caráter sobrenatural da série de eventos encontrados na hóstia sangrando de Tixtla. Declaro o caso como um ‘sinal divino’”.

O milagre consistiu em uma substância avermelhada que fluiu de uma hóstia consagrada durante uma Missa. Após as investigações científicas realizadas pelo Dr. Castañón Gómez, descobriu-se que a substância avermelhada correspondia a sangue com hemoglobina e DNA de origem humano; que provinha do interior da hóstia; e que continha tipo sanguíneo AB, similar ao encontrado na hóstia de Lanciano e no Santo Sudário de Turim. As conclusões dos cientistas e do comitê teológico foram de que o acontecimento “não tem uma explicação natural; não há origem paranormal; não é atribuível a manipulação do inimigo”.

 

2 - COLÔMBIA

No dia 31 de janeiro de 1906, ocorreu um maremoto na costa do Pacífico que causou grandes danos em várias regiões. Entretanto, a ilha colombiana de Tumaco sobreviveu à catástrofe devido à fé de seus habitantes e à bênção dada por Pe. Gerardo Larrondo com o Santíssimo Sacramento.

Naquele dia, o sacerdote exclamou: “Vamos, meus filhos, vamos todos para a praia e que Deus tenha piedade de nós!”. Foi para a linha de rebentação das ondas com o Relicário na mão. Quando a onda se aproximou dele e de seus paroquianos, ergueu a hóstia consagrada e traçou o sinal da cruz no ar. Logo as pessoas começaram a gritar “Milagre!”. As ondas foram detidas por uma força invisível e o mar voltou à normalidade.

 

3 - ARGENTINA

Na capital Buenos Aires, ocorreram três milagres eucarísticos nos anos 1992, 1994 e 1996, na Paróquia de Santa Maria de Buenos Aires. Em 1992, o sacerdote guardou alguns fragmentos de hóstia consagrada em um recipiente com água, que depois foi colocado no sacrário para que se dissolvesse. Porém, sete dias depois, os fragmentos tinham uma cor com aparência de sangue. No domingo seguinte, durante duas Missas, foram vistas pequenas gotas de sangue nas patenas com as quais os sacerdotes davam a comunhão. Depois, em 1994, durante a Missa das crianças, o ministro da Eucaristia pegou a âmbula no sacrário e viu uma gota de sangue que fluía na lateral. Em 1996, durante a Missa da Assunção, uma hóstia consagrada que tinha caído foi colocada em um recipiente com água para que se dissolvesse. Em poucos dias, tinha se transformado em sangue. O Dr. Ricardo Castañón foi chamado pelo então Arcebispo de Buenos Aires, Cardeal Jorge Mario Bergoglio (hoje Papa Francisco), para analisar o milagre de 15 de agosto de 1996.

Este disse o seguinte: “Em 2001, levei as minhas amostras para o Professor Linolo, que identificou as células brancas e disse-me que, com grande probabilidade, essas correspondiam ao tecido do coração. Os resultados obtidos das amostras eram semelhantes aos estudos realizados sobre a hóstia do milagre de Lanciano”. “Em 2002, mandamos a amostra para o Professor John Walker, na Universidade de Sydney, na Austrália, que confirmou que as amostras tinham glóbulos brancos e células musculares intactas e todos sabem que os glóbulos brancos, fora do nosso corpo, após 15 minutos se desintegram, e já tinham passado 6 anos”, explicou.

 

4 - VENEZUELA

No dia 8 de dezembro de 1991, Pe. Otty Ossa Aristizábal celebrou Missa a capela do Santuário de Betânia, em Cúa (estado de Miranda), e durante a consagração, viu que a hóstia sangrava. A hóstia milagrosa é conservada na cidade de Los Teques, no convento das Religiosas Agostinianas Recoletas do Sagrado Coração de Jesus, onde está exposta permanentemente e recebe a visita de muitos peregrinos todos os anos. Ocorreram muitos acontecimentos prodigiosos relacionados à hóstia do milagre, entre eles destaca-se o que se deu a um jovem norte-americano que filmou como a hóstia milagrosa pulsava como um coração enquanto era mostrada aos fiéis.

 

5 – PERU

O milagre eucarístico aconteceu no distrito de Puerto Eten (Chiclayo), em 1649. Neste caso, em uma hóstia que tinha sido exposta para a adoração pública, apareceu por 15 minutos o Menino Jesus e três corações resplandecentes, de cor branca, unidos entre si, simbolizando a Santíssima Trindade. A festa em sua honra é celebrada todo dia 12 de julho, com o translado da imagem do Menino do Milagre de seu Santuário até o templo da cidade.

sábado, 9 de abril de 2022

 

BEATA LINDALVA JUSTO DE OLIVEIRA – MÁRTIR BRASILEIRA

religiosa Filha da Caridade

 

Lindalva nasceu em 20 de outubro de 1953, no pequeno povoado Sítio Malhada da Areia, município de Açu, Rio Grande do Norte. Filha do segundo matrimonio de João Justo da Fé (viúvo) e Maria Lúcia da Fé, de cujas núpcias nasceram 12 filhos.

Lindalva, a sexta filha do casal, já dava sinais de uma especial predestinação divina, pois entregava-se com naturalidade ás práticas de piedade.

Cresceu como menina normal, de aspecto gracioso, piedosa e muito sensível para com os pobres, de tal forma que ainda jovem surpreendeu a família doando as próprias roupas aos necessitados. Transferindo-se para Natal, estudava e trabalhava para se manter e ajudar a família, e todos os dias visitava os idosos do Instituto Juvino Barreto.

Após concluir o segundo grau passou a cuidar do pai, idoso e doente, com todo carinho e paciência. Quando este faleceu, Lindalva, aos 33 anos, entrou para a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo: queria servir a Cristo nos pobres.

Não foi fácil adaptar-se à nova vida, mas com a graça de Deus foi progredindo na sua caminhada espiritual, passo a passo, renúncia após renúncia. Dizia sempre: “Amo mais a Jesus Cristo do que a minha família”.

Foi superando as etapas de sua formação religiosa na prática das virtudes, no amor à oração, à obediência alegre, sincera e compreensiva. Lutava para corrigir seus próprios defeitos e crescer no caminho da perfeição. Suas superioras estavam muito contentes com ela, notando sua disponibilidade e grande amor aos pobres.

Terminado o período do noviciado foi enviada para o Abrigo Dom Pedro II, em Salvador, Bahia, recebendo o ofício de coordenar uma enfermaria com 40 idosos, sendo responsável pela ala do pavilhão masculino.

Fez curso de Enfermagem para poder dedicar-se melhor aos seus doentes e idosos. À caridade unia o zelo espiritual por seus assistidos, procurando levá-los para Cristo pela boa palavra.

Sua conduta era impecável, alegre, pura, modesta e caridosa para com todos. Encontrava ainda tempo para visitar os pobres à domicílio, e procurava meios para suprir suas necessidades materiais. Lindalva sentia-se feliz e realizada no seu trabalho.

 

Seu martírio

 

Toda santidade passa pelo crisol do sofrimento. Em 1993, devido a uma recomendação, o abrigo acolheu entre os anciãos Augusto da Silva Peixoto, homem de 46 anos. Ele passou a assediar Ir. Lindalva, e chegou até mesmo a manifestar-lhe suas intenções.

A irmã Lindauva começou a ter medo, e procurou afastar-se o mais que pode. Confidenciou-se com outras irmãs e refugiava-se na oração. Seu amor aos velhinhos a mantiveram no abrigo, e chegou a dizer a uma irmã: “prefiro que meu sangue seja derramado do que afastar-me daqui”.

Por não ser correspondido, Augusto foi à Feira de São Joaquim na Segunda-feira Santa e comprou uma peixeira, que amolou ao chegar no abrigo. Não dormiu na noite de quinta para sexta-feira santa.

De manhã, Irmã Lindalva havia participado da Via-Sacra, ao raiar da aurora, na paróquia da Boa Viagem. Ao regressar, foi servir o café da manhã aos idosos. Subiu as escadarias da enfermaria, como se estivesse subindo para o calvário, e pôs-se a servir pão com café e leite para os internos da ala masculina. Todos eles estavam em fila, esperando a vez.

A irmã, compenetrada com o café, tinha a cabeça baixa quando sentiu um toque no ombro: virou-se e teve tempo apenas de ver o rosto enraivecido do homem que conhecera havia poucos meses... Em seguida, foram dezenas de facadas, pontilhadas por todo o corpo. Tudo diante do semblante horrorizado dos velhinhos que assistiam à cena bem em frente à mesa de café.

Um senhor ainda tentou evitar a tragédia, avançando sobre o assassino. Mas Augusto Peixoto estava decidido e, ameaçou de morte quem ousasse se aproximar.

Terminado o crime, foi esperar a polícia sentado em um banco na frente da casa. Do abrigo, ele foi para Casa de Detenção e, posteriormente, parou no Manicômio Judiciário.

Passados dez anos, os laudos psiquiátricos indicam que ele já não apresenta mais perigo à sociedade. Mas Augusto não tem para onde ir, e o manicômio é sua única casa. Hoje se diz arrependido, e não sabe como foi capaz de fazer aquilo.

Os médicos legistas contaram no corpo de Ir. Lindalva 44 perfurações.

Naquela sexta-feira santa, enquanto Cristo morria na cruz, ela morria na sua enfermaria. Cristo levou 39 açoites, e com as 5 chagas, dos pés, mãos e costado, ao todo 44,  unia simbolicamente a morte de Lindalva à sua paixão, que um pouco antes ela acabara de celebrar na Via-Sacra. Com impressionante realismo ela agora podia repetir as palavras de Cristo no Evangelho: “Não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em resgate de muitos” (Mt 20, 28).

À noite, a procissão do Senhor Morto, que todos os anos passava por aqueles quarteirões, parou na Capela do abrigo. O caixão com corpo de Ir. Lindalva foi trazido e colocado entre o féretro do Senhor Morto e a estátua de Nossa Senhora das Dores.

Por toda aquela noite ali compareceu uma multidão de fiéis, padres, religiosos, pessoas de todas as condições sociais, e até mesmo evangélicos, vindos de toda a cidade.

Pela manhã do Sábado Santo Dom Lucas Moreira Neves, então Cardeal Primaz de Salvador, celebrou as exéquias. Na missa do domingo in albisele comentou que poucos anos de vida religiosa foram suficientes para que ela recebesse a graça do martírio, pois deu a sua vida por amor, como São Maximiliano Maria Kolbe, também mártir. E evocando as “sugestões que o seu nome encerra”, disse: “Linda alva é a branca veste que ela, como cada cristão, recebeu no seu batismo; Linda alva é o seu hábito azul de Irmã de Caridade, agora alvejado no Sangue do Cordeiro (Ap. 7, 14) ao qual se misturou o seu sangue; Linda alva é a límpida aurora da Páscoa de Jesus, que raiou para ela três dias depois da sua trágica sexta-feira santa. Límpida aurora – linda alva – da sua própria Páscoa!”

 

Oração para suplicar a canonização

“Pai Santo, vosso amor seduziu o coração de Irmã Lindalva que se deixou guiar pelo dever de cuidar do seu pai e, em seguida,  pela obediência da fé, escolher a Vida Consagrada. No Carisma Vicentino, dedicação plena aos mais abandonados, sua vida ganhou, também na Sexta-feira Santa, a coroa do martírio. Seu hábito azul de Filha da Caridade, tingido de Sangue, tornou-se Linda Alva no Sangue do Cordeiro. Concedei-nos, vos pedimos, a graça de sua canonização afim de que ela, na Igreja, inspire a oferta de muitos e seja a testemunha perene da límpida aurora da Páscoa de Jesus, o Filho Amado, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.”

sexta-feira, 8 de abril de 2022

 

NOSSA SENHORA DA PENHA

 

Nossa Senhora da Penha de França ou Nossa Senhora da Penha é um dos nomes que recebe Maria, Mãe de Jesus, que acreditam os católicos, apareceu à Simão Vela no norte da Espanha, numa serra chamada Penha de França. Lá, sua festa é comemorada no dia 8 de abril.

Em São Paulo ocorre a cada 8 de setembro e em Resende Costa, onde é padroeira, comemora-se no dia 1° de setembro. Existia no norte da Espanha uma serra muito alta e íngreme chamada Penha de França, na província de Salamanca, na qual o rei Carlos Magno teria lutado contra os mouros.

Por volta de 1434, segundo algumas fontes históricas no dia 19 de maio, certo monge francês sonhou com uma imagem de Nossa Senhora que estava enterrada no topo de escarpada montanha,em razão de uma guerra entre franceses e muçulmanos, na qual os católicos escondiam suas imagens para não serem destruídas, cercada de luz e acenando para que ele fosse procurá-la. Simão Vela, assim se chamava o monge, durante cinco anos andou procurando a mencionada serra, até que um dia teve indicação de sua localização e para lá se dirigiu.

Após três dias de intensa caminhada, pela razão de segundo ele próprio, em seus êxtases ouvir sempre a advertência divina: "Simão, vela e não durma!" (pelo que passou a adotar o sobrenome de Vela, como ficou conhecido), escalando penhas íngremes, o monge parou para descansar, quando viu sentada perto dele uma formosa senhora com o filho ao colo que lhe indicou o lugar onde encontraria o que procurava.

Auxiliado por alguns pastores da região, conseguiu achar a imagem que avistara em sonho. Construiu Simão Vela uma tosca ermida nesse local, que logo se tornou célebre pelo grande número de milagres alcançados por intermédio da Senhora da Penha, e mais tarde ali foi construído um dos mais ricos e grandiosos santuários da cristandade.

São comemorados, também, neste dia: Santa Júlia Billiart, São Gualter (confessor), Santo Edésio de Alexandria (mártir), Santo Amâncio de Como (bispo), Santa Concessa de Cartago (mártir), São Dionísio de Corinto (bispo), São Frutuoso de Braga (monge e bispo), Santa Máxima, São Gulater e São Valter de Pontoise.