sexta-feira, 17 de junho de 2022

 

CORPUS CHRISTI - DEFINIÇÃO E HISTÓRIA

 

 

Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.

É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de 'preceito', isto é, para os católicos é de comparecimento obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.

A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o Bispo (cân. 395).

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. A Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.

O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. Conta a história que um sacerdote chamado Pedro de Praga, de costumes irrepreensíveis, vivia angustiado por dúvidas sobre a presença de Cristo na Eucaristia. Decidiu então ir em peregrinação ao túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma, para pedir o Dom da fé. Ao passar por Bolsena (Itália), enquanto celebrava a Santa Missa, foi novamente acometido da dúvida. Na hora da Consagração veio-lhe a resposta em forma de milagre: a Hóstia branca transformou-se em carne viva, respingando sangue, manchando o corporal, os sangüíneos e as toalhas do altar sem no entanto manchar as mãos do sacerdote, pois, a parte da Hóstia que estava entre seus dedos, conservou as características de pão ázimo.

Por solicitação do Papa Urbano IV, que na época governava a igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedo em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. A 11 de agosto de 1264, o Papa lançou de Orviedo para o mundo católico através da bula Transiturus do Mundo o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor.

A festa de Corpus Christi foi decretada em 1264.

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Neste Sacramento, no momento da Consagração, ocorre a transubstanciação, ou seja, o pão se torna carne e o vinho sangue de Jesus Cristo, em toda Santa Missa, mesmo que esta transformação da matéria não seja visível.

Corpus Christi é celebrado 60 dias após a páscoa. Podendo cair entre 21 de maio e 24 de junho.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

 

BEM-AVENTURADA ALBERTINA BERKENBROCK

PRIMEIRA MÁRTIR BRASILEIRA DA PUREZA - 1919-1931

 

Albertina nasceu a 11 de abril de 1919, em São Luís, município de Imaruí, no Estado de Santa Catarina.

Foi batizada no dia 25 de maio de 1919, crismou-se a 9 de março de 1925 e fez a primeira comunhão no dia 16 de agosto de 1928. Seus pais e familiares souberam educar a menina na fé, transmitiram-lhe muito cedo as principais verdades da Igreja.

Albertina aprendeu logo as orações, era perseverante em fazê-las e muito recolhida ao rezar. Sempre que um padre aparecia em São Luís, lá ia ela participar da vida religiosa da comunidade. Confessava-se com frequência, ia regularmente à missa, comungava com fervor, e preparou-se com muita diligência para a primeira comunhão.

Falava muitas vezes da Eucaristia e dizia que o dia de sua primeira comunhão fora o mais belo de sua vida. Albertina foi também muito devota de Nossa Senhora, venerava-a com carinho, tanto na capela da comunidade como em casa. Junto com os familiares recitava o terço e recomendava a Maria sua alma e sua salvação eterna.

Tinha especial devoção a São Luiz, titular da capela e modelo de pureza. A formação cristã instilou em Albertina a inclinação à bondade, às práticas religiosas e à vivência das virtudes cristãs, na medida em que uma menina de sua idade as entendia e podia vivê-las.

Nada de estranho se seus divertimentos refletiam seu apego à vida religiosa. Gostava de fazer cruzinhas de madeira, colocava-as em pequenos sepulcros, adornava-os com flores. Foi no ambiente simples, belo e cristão de sua família que Albertina cresceu.

Albertina ajudava os pais nos trabalhos da roça e em casa. Foi dócil, obediente, incansável, sacrificada, paciente, mesmo quando os irmãos a mortificavam, e até lhe batiam. Ela suportava tudo em silêncio, unindo-se aos sofrimentos de Jesus que amava sinceramente.

Também fora de casa Albertina se apresentava como modelo para os colegas e motivo de admiração para os adultos. Gozava de grande estima na escolinha local, particularmente por parte de seu professor, que a elogiava por suas condições espirituais e morais superiores à sua idade que a distinguiam entre as colegas de escola.

Albertina se aplicou ao estudo, aprendeu bem o catecismo, conheceu os mandamentos de Deus e seu significado. Jamais faltou à modéstia. Se pensarmos na maneira como sacrificou sua vida, conforme declarou seu professor, ela tinha compreendido o sentido do sexto mandamento no que tange à pureza e à castidade. Foi menina boa, estimada por colegas e por adultos.

Às vezes, porém, alguns meninos punham à prova sua mansidão, modéstia, timidez e repugnância por certas faltas. Albertina então se calava. Nunca se revoltou, menos ainda nunca se vingou, mesmo quando lhe batiam.

Albertina era pessoa cândida, simples, sem fingimentos, vestia-se com simplicidade e modéstia. Sua caridade era grande. Gostava de acompanhar as meninas mais pobres, de jogar com elas e com elas dividir o pão que trazia de casa para comer no intervalo das aulas. Teve especial caridade com os filhos do seu assassino, Indalício Cipriano Martins (conhecido também como Manuel Martins da Silva ou Maneco Palhoça) que trabalhava na casa do pai. Muitas vezes Albertina deu de comer a ele e aos filhos pequenos, com os quais se entretinha alegremente, acariciando-os e carregando-os ao colo. Isto é tanto mais digno de nota quanto Maneco era negro, sabendo-se que nas regiões de colonização européia uma dose de racismo sempre esteve presente. Todas essas atitudes cristãs mostram que Albertina, apesar de sua pouca idade, era pessoa impregnada de Evangelho.

Não é de estranhar, portanto, se teve forças para comportar-se com fortaleza cristã no momento de sua morte a fim de defender sua pureza e virgindade.

 

Assassinato

No dia 15 de Junho de 1931, Albertina estaria à procura de um boi fugitivo. De repente vê ao longe alguns chifres e corre naquela direção. Mas eram outros bois, que estavam amarrados.

Como surpresa, porém, encontra perto deles um empregado de seu pai, Maneco, carregando feijão na carroça. À pergunta de Albertina pelo boi desaparecido, o homem lhe dá uma pista falsa para encaminhá-la ao lugar onde poderia satisfazer seus desejos sem chamar atenção. Maneco, que já tinha violentado outra menina, teria dito: - Hoje tenho que matar alguém! E, caso a garota não aceitasse, planejado usar o canivete para forçá-la.

Albertina, conforme a história local, teria seguido a indicação de Maneco, se embrenhado pela mata, e percebido alguns ruídos que ela pensava ser provocados pelo boi. Eis, porém, que, dá de cara com Maneco.

Albertina fica petrificada. Sozinha, no mato, com aquele homem na frente! Maneco lhe teria proposto seus intentos, mas Albertina, decidida, não aceita, sabendo que o que o empregado lhe propunha era errado aos olhos de Deus. Então, Maneco teria tentado se apossar de Albertina à força, mas ela não se deixa subjugar. Segundo os relatos, ela teria lutado contra o seu assassino, quase o derrubando.

Mas em algum momento, ele a derrubou e a segurou, mesmo com todas as tentativas de resistência por parte da menina, que teria agarrado seu vestido e se cobrido o mais que pode.

Então Maneco, derrotado moralmente pela menina, a assassinou por vingança, agarrando-a pelos cabelos, afundando o canivete no pescoço e a matando por degola, porém sem violá-la.

O assassino despistou o crime, dizendo que encontrou o corpo de Albertina e colocando a culpa de tudo em João Candinho: "Foi esse homem que matou Albertina!" O rapaz foi preso, protestou, jurou inocência aos prantos, mas foi tudo inútil.

Os colonos, que testemunharam tudo, começaram a duvidar: "Acaso não seria Maneco o assassino?" Como contam testemunhas, Maneco aparecia toda hora por perto da sala onde se velava o corpo de Albertina, e sempre que se aproximava, a ferida do pescoço de Albertina vertia sangue. Pensava o povo: "Não seria um sinal?"

Enquanto o povo cismava, Maneco tramava sua fuga. Dois dias depois chegou o prefeito de Imaruí, que acalmou a população e mandou soltar João Candinho. Foi à capela, tomou um crucifixo e, acompanhado por Candinho e outras pessoas, foi à casa do pai de Albertina e o colocou sobre o peito da menina morta.

Mandou também que João Candinho colocasse as mãos sobre o crucifixo e jurasse que era inocente, e ao fazer isto, segundo os presentes, a ferida parou de sangrar. Entretanto, Maneco acabava de fugir. Preso em Aratingaúba, confessou este e outros crimes: confessou um cometido em Palmas, onde matara um sargento, e também o assassinato de um homem em São Ludgero.

E também teria revelado que matou Albertina porque ela recusara ceder à sua intenção de manter relações sexuais com ela. Maneco Palhoça foi levado para Laguna. Correu o processo, e ele foi condenado. Levado para a penitenciária, se comportou bem enquanto esteve na prisão e depois de alguns anos faleceu.

Mas, apesar de sua morte terrível, Albertina continuou sendo exemplo para toda a região, sendo cultuada até hoje como sinônimo de generosidade, modéstia, auto-sacrifício, obediência a Deus e pureza.

 

Beatificação

A 44º Assembléia da CNBB, realizada em maio de 2006, formulou o seguinte pedido de beatificação: "A Assembleia, em reunião reservada, acolheu favoravelmente a proposta de D. Jacinto Bergmann, Bispo de Tubarão, para que fosse apresentado ao Papa o pedido de beatificação de vários Servos de Deus do Brasil, cujo processo já está em fase adiantada na Congregação das Causas dos Santos. São eles: Lindalva Justo de Oliveira, Albertina Berkenbrock, Manoel Gómez Gozález e Adílio da Ronch (mártires), Francisca de Paula de Jesus (Nhá Chica)) e Dulce Lopes Pontes, a Irmá dulce. Os bispos assinaram o pedido a ser encaminhado ao papa Bento XVI (2ª sessão reservada)". A serva de Deus, Albertina Berkenbrock, com o decreto de beatificação, assinado pelo Papa Bento XVI, no dia 16 de dezembro de 2006, foi beatificada em 20 de outubro de 2007.

São comemorados também, neste dia: Santa Germana e Santa Líbia, São Constantino de Beauvais (bispo), Santos Domiciano e Adelino de Lobbes (monges), São Dula de Zéfiro (mártir), Santa Edburga de Wincheter (abadessa). 

terça-feira, 14 de junho de 2022

 

NOSSA SENHORA DE LA SALETTE

O LUGAR EM QUE NOSSA SENHORA ANUNCIOU A DOIS ADOLESCENTES O QUE ESTAMOS VENDO HOJE

 

A cada um dos jovens, ela transmitiu um segredo que o outro não ouviu; pediu-lhes oração e os orientou a divulgar a sua mensagem.

Nossa Senhora apareceu no sul da França para dois jovens e humildes cuidadores de vacas: Melanie Mathieu, de 15 anos, e Maximin Giraud, de 11. Nenhum deles sabia ler nem escrever, nem tinha qualquer instrução religiosa.

Durante a década de 1840, a França esteve mergulhada em turbulências políticas. A prática da religião tinha diminuído; os conflitos, a doença e a fome provocavam a emigração.

Nos campos, perto da aldeia de La Salette, os dois jovens visionários relataram ter visto um globo brilhante de luz, que se abriu para revelar uma bela Senhora que chorava, sentada sobre uma rocha. Ela usava uma coroa de ouro, um vestido de luz, sandálias adornadas com rosas e um crucifixo de ouro que pendia de uma corrente ao pescoço, com um par de pinças de um lado e um martelo no outro.

Ela falou com eles em francês e depois no seu dialeto ocitano. Com grande tristeza, Nossa Senhora falou da descrença das pessoas e, especificamente, da ofensa de trabalharem aos domingos e de usarem linguajar blasfemo. Também avisou sobre a vinda iminente de colheitas raquíticas e de uma grande fome, caso a sua mensagem não fosse ouvida.

A cada uma das crianças, ela transmitiu um segredo que o outro não ouviu, pediu-lhes fazer as suas orações e os orientou a divulgar a sua mensagem às pessoas. A Senhora da Luz desapareceu lentamente e o globo de luz foi ficando cada vez menor, elevando-se no ar até não ser mais visto.

Durante os dias seguintes à aparição, as crianças tiveram que contar a história várias vezes, sob rigorosos interrogatórios, além de serem levadas ao local da visão inúmeras vezes. Numa das idas, os interrogadores quebraram um pedaço da rocha sobre a qual Nossa Senhora tinha se sentado. Irrompeu dali uma fonte, a cujas águas foram atribuídas, depois, muitas curas milagrosas.

Começaram as peregrinações ao local, a despeito da forte oposição das autoridades. Em meio a questionamentos e ameaças para se retratarem, os dois visionários mantiveram a coerência dos seus relatos. Em 1846, houve uma quebra da safra, seguida, em 1847, por uma grande fome na Europa toda. Houve milhares de mortes no continente. Só na França, foram 100 mil mortos.

Depois de quatro anos e duas investigações, o bispo de Grenoble aprovou a devoção a Nossa Senhora de La Salette. Em 1851, o papa Pio IX a confirmou oficialmente.

Pelo resto da vida, as controvérsias acompanharam os visionários. Seus segredos também foram publicados. O de Maximin tratava da perda da fé na França, da Igreja se movendo na escuridão e da ascensão do anticristo. O de Melanie falava da perda da fé em Roma e de uma vindoura perseguição contra o papa, os sacerdotes e os religiosos.

A mensagem universal de Nossa Senhora se voltava à conversão, à penitência e à oração. Seu título em La Salette é “Reconciliadora dos pecadores“.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

 

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA E LISBOA - SEIS FATOS SOBRE QUE TALVEZ VOCÊ NÃO CONHECIA

 

Para começar, ele nem se chamava Antônio nem era de Pádua - mas calma: ele era, sim, um dos maiores santos da história da Igreja

Ele é um dos mais queridos e populares santos católicos em todo o mundo. Saiba mais sobre este grande homem de Deus:

 

1. Não se chamava Antônio e não era de Pádua

Seu nome de batismo era Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo. Passou a se chamar Antônio aos 25 anos, quando se tornou frade franciscano. Santo Antônio era português. Ele nasceu em Lisboa em 1195. Aliás, é perfeitamente correto chamá-lo de Santo Antônio de Lisboa. No Brasil, devido entre outros fatores à forte imigração italiana, ele é mais conhecido como Santo Antônio de Pádua porque viveu grande parte da vida e da missão naquela cidade italiana, onde se tornou imensamente querido e famoso.

 

2. Foi agostiniano antes de franciscano

Aos 15 anos, ele entrou na ordem de Santo Agostinho, mas, dez anos depois, se uniu aos frades menores de São Francisco de Assis. A mudança se deveu ao seu desejo de pregar o Evangelho aos muçulmanos sarracenos. Chegou a ir ao Marrocos, mas foi obrigado a retornar à Europa por causa de uma grave doença.

 

3. Tinha dons espirituais extraordinários 

Sua voz era clara e forte, sua aparência era imponente, sua memória era prodigiosa, seu conhecimento era profundo, além de ter espírito de profecia e um extraordinário dom de milagres.

Foi testemunha de uma aparição do Menino Jesus, a quem segurou em seus braços – e é por isso que é assim representado em estátuas e pinturas.

 

4. É conhecido como um grande santo “milagreiro”

Sua fama de realizar atos prodigiosos perdura até hoje. Entre seus muitos milagres, é bem famoso o do “pé decepado”. Em Pádua, durante um acesso de fúria, um jovem chamado Leonardo chutou a própria mãe e, arrependido, foi se confessar com Santo Antônio, que, para ilustrar a gravidade daquele pecado, lhe disse: “O pé de quem chuta a própria mãe merece ser cortado”. Leonardo levou a frase ao pé da letra e decepou seu pé. Ao saber do fato, Santo Antônio milagrosamente fez o pé voltar a se unir ao corpo do jovem. Outro de seus mais extraordinários milagres é o da “mula do herege”.

Na cidade havia um homem que não acreditava e desdenhava da Eucaristia. Em conversa com o frei Antônio, o homem propôs ao santo fazerem uma prova de que a Eucaristia era uma farsa, dizendo: “Vou deixar o meu burro sem comida e sem água por três dias.No terceiro dia eu trago para ele feno e água e você trás a sua Eucaristia. Vamos ver o que ele prefere?” Antonio aceitou a proposta. O burro do herege ficou sem comer e beber por três dias. No terceiro dia a cidade, que havia tomado conhecimento da proposta, compareceu em peso no local onde estava o burro faminto. No local estavam o burro faminto, o herege com feno e água e o Frei Antonio com a Eucaristia. Soltaram o burro para ver o que aconteceria. A cidade ficou estupefata pela cena que assistiram: quando soltaram o burro, ao invés de ele se dirigir para o feno e a água, ele se dirigiu para o frei Antonio que estava segurando o Santíssimo Sacramento e se ajoelhou com as patas da frente diante da Eucaristia.

 

5. Foi chamado pelo Papa de “santo de todo o mundo

O Papa Leão XII o chamou de “santo de todo o mundo” devido à enorme extensão da devoção a ele, que é padroeiro dos pobres, viajantes, pedreiros, padeiros, entre outros profissionais. Além disso, Santo Antônio é muito “procurado” por quem lhe pede intercessão a fim de encontrar um bom marido ou esposa. Há quem chegue a colocar a sua imagem de cabeça para baixo como modo de “forçá-lo” a interceder por esse objetivo, mas esta superstição é uma prática não-cristã, que deturpa a genuína devoção a ele e o próprio sentido da intercessão dos santos segundo a fé católica.

6. Sua canonização foi a mais rápida da história!

O Papa Gregório IX o canonizou menos de um ano após a sua morte, no dia de Pentecostes de 1232, que, na ocasião, caiu num 30 de maio.

São comemorados também, neste dia: Santo Ávito (Aventino), São Peregrino, Santa Aquilina, Bem-aventurado Inácio Maloyan, Santa Aquilina da Síria (virgem e mártir), São Fandila de Penhamelária (presbítero e abade), Santa Felícula de Roma (virgem e mártir), Santos Fortunato e Luciano (mártires da África). 

sábado, 11 de junho de 2022

 

PASTORZINHOS DE FÁTIMA

SANTO ANJO DA GUARDA DE PORTUGAL, ROGAI POR NÓS.

 

Anjo da Paz, da Pátria, da Eucaristia. As três aparições desse anjo em Portugal compuseram o ciclo angélico da mensagem de Fátima.

Na primavera de 1916, as 3 crianças estavam na Loca do Cabeço (Fátima) a pastorear, quando apareceu-lhes um jovem de mais ou menos 14 ou 15 anos, mais branco que a neve, dizendo: “Não temais, sou o Anjo da Paz, orai comigo: Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam”. As crianças rezaram por três vezes, com o rosto ao chão. Depois ouviram do anjo: “Orai assim. Os corações de Jesus e de Maria, estão atentos à voz de vossas súplicas”. Essa oração acompanhou os pastorinhos sempre.

A segunda aparição deu-se num dia de verão, no quintal da casa de Lúcia, no Poço do Arneiro. As crianças estavam brincando sobre o poço, quando o anjo apareceu-lhes dizendo: “Que fazeis? Orai, orai muito. Os corações santíssimos de Jesus e de Maria, tem sobre vós desígnios de misericórdia… eu sou o Anjo da sua guarda, o anjo de Portugal”.

Na terceira aparição, outono do mesmo ano, novamente na Loca do Cabeço, as crianças rezavam a oração que aprenderam na primeira aparição, e o Anjo lhes apareceu com o cálice e uma hóstia. A hóstia a pingar gotas de sangue no cálice. Elas ajoelharam, e o anjo ensinou-lhes esta oração profundíssima que diz da essência da mensagem de Fátima: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente. E ofereço-vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo presente em todos os sacrários da Terra. Em reparação aos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido, e pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores”. Depois disso, o Anjo da Eucaristia, entregou a hóstia para Lúcia e o cálice entre Francisco e Jacinta e disse-lhes: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.”

sexta-feira, 10 de junho de 2022

 

“EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA.”

 

Jesus Cristo é perfeito, perfeitíssimo como Deus e por ser Deus; Jesus Cristo é perfeito, perfeitíssimo como homem e por ser homem, e, como homem, se fez o único mediador entre Deus e os homens, segundo os ensinamentos de Paulo, Apóstolo: “Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, que se deu em resgate por todos.” (1Tm 2,5-6).

E Jesus Cristo, perfeito como homem e perfeitíssimo como Deus, diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” (Jo 14, 6). Jesus Cristo, como homem, é o CAMINHO que Deus Pai nos indica para trilharmos à busca da perfeição. Jesus Cristo, como homem e Deus é a VIDA que Deus Pai nos dá como modelo para, como Cristo, nos tornarmos filhos de Deus, não somente por criação mas, principalmente e, acima de tudo, pela graça. Jesus Cristo, como Deus, é a VERDADE que deve ser trilhada, vivida e anunciada para e por todos os homens que buscam a perfeição.

Todos os homens de boa vontade estão à busca do caminho que leva à felicidade que lhes dá a vida plena alicerçada na verdade.

Todos procuram a verdade, mas, na sua maioria, cada um quer fazer e viver a sua própria verdade. Os homens, de uma maneira geral, querem viver a vida à sua maneira, desordenadamente. Estamos cheios de problemas e não sabemos como solucioná-los.

Estamos procurando caminhos escusos, errados e perigosos para resolvermos os nossos problemas. Muitos procuram em outras religiões as respostas às suas dúvidas e buscam aquelas religiões que toleram mais os pecados dos quais não querem se converter.

Outros, ainda, fazem do dinheiro a sua religião. Todos procuramos “o caminho, a verdade e a vida” nos locais onde eles não estão. Nos afastamos de Jesus Cristo procurando o caminho da felicidade e ignoramos que Jesus Cristo é “o caminho” que leva à felicidade.

Afastamos-nos de Jesus Cristo buscando a vida, desconhecendo que Jesus Cristo é “a vida” e não ouvimos as suas palavras, que são palavras de vida eterna: “Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus.” (Jo 6,68-69).

Afastamos-nos de Jesus Cristo desesperados atrás da verdade, e a procuramos nos locais mais escusos, nos esquecendo que Jesus Cristo é “a verdade”, e a verdade nos libertará: “Se vocês permanecerem  na minha palavra, vocês serão verdadeiramente meus discípulos e conhecerão a verdade, e a verdade libertará vocês” (Jo 8,31-32).     Disse-nos Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim. Se me conhecerem, também conhecerão a meu Pai. Desde agora o conhecem  e o viram.” (Jo 14,6-7).

O caminho que nos leva ao Pai é um só: Jesus Cristo: “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim.” (Jo 14,6), e o Apóstolo Paulo testemunha e ratifica isso: “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, que se deu em resgate por todos. Esse é o testemunho dado  nos tempos estabelecidos e para o qual eu fui designado pregador e apóstolo - digo a verdade e não minto - doutor das nações na fé e na verdade.” (1Tm 2,5-7).

Jesus Cristo é a vida: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância.” (Jo 10,10); “Sim, esta é a vontade de meu Pai: quem vê o Filho e nele crê tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.” ( Jo 6,40); “Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna...” (Jo 6,68); “Esses, porém, foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham a vida em seu nome.” (Jo 20,31). Que vida é essa que falam de Jesus e que Jesus fala de si?

Não é outra senão a vida eterna, essa que já estamos vivendo aqui, hoje, porque, assim nos garante Jesus: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá.” (Jo 11,25-26).

João, o Evangelista, no seu Evangelho fala de “vida” trinta e seis vezes e na metade dessas vezes ele acrescenta “eterna”. Essa vida eterna não é para depois: nós já a estamos  vivendo agora: “... quem escuta a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna...” (Jo 5,24).

Jesus Cristo é o caminho que nos leva à verdade e é a verdade que transforma tudo em vida. Jesus Cristo é a vida que anima os que estão na graça e convoca os que estão inertes no pecado. Jesus Cristo é o caminho: “Venham a mim todos os que estão cansados sob o peso de vosso fardo e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrarão descanso para as suas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11,28-30).

Jesus Cristo é a verdade: “Aquele que crê e for batizado será salvo; o que não crer será condenado.” (Mc 16,16). Jesus Cristo é a vida: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6,54); “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede.” (Jo 6,34).

Como “caminho,, verdade e vida” Jesus Cristo nos dá a receita e o modelo da perfeição.         

A receita: “Portanto, deveis ser perfeitos como o Pai Celeste de vocês é perfeito.” (Mt 5,48).

O modelo: “... aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração...” (Mt 11,29). Poderíamos cair na tentação de dizer: “Jamais conseguiremos alcançar essa perfeição.”  

Mas, pelo menos, estamos tentando? Se estivermos tentando já estamos no caminho da perfeição. E foi para isso, para lutarmos pela perfeição e a vivermos em plenitude que, muitas vezes, em seu Evangelho, o Senhor Jesus promete enviar o Espírito Santo: “Se vocês me amarem, observarão os meus mandamentos, e rogarei ao Pai e ele lhes dará outro Paráclito, para que com vocês permaneça para sempre, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê nem o conhece.” (Jo 14,15-17); e ainda mais: “Essas coisas tenho dito estando entre vocês. Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará tudo e lhes recordará tudo o que eu lhes disse.” (Jo 14,25-26).

E o Espírito Santo veio ao completar o dia de Pentecostes, e estando todos os Apóstolos reunidos, eis que, “De repente, veio do céu um ruído  como o agitar-se de um vendaval impetuoso,, que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimissem.” (At 2,2-4). O Espírito Santo veio e confirmou todos os que se predispuseram a seguir “o caminho”, a conhecer e aceitar “ a verdade” e a viver “a vida” em abundância que Jesus Cristo nos veio trazer.

 O Espírito Santo confirmou a todos na fé e fez com que todos entendessem  o motivo pelo qual Jesus Cristo veio até nós, o objetivo de sua mensagem e sacrifício. Somente os que recebem o Espírito Santo podem entender tudo o que o Senhor Jesus viveu e ensinou. Somente quem recebe o Espírito Santo reconhece Jesus Cristo como Senhor, porque: “Ele tinha a condição divina,  e não se considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem,  humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso Deus o sobre-exaltou grandemente e o agraciou com o Nome que é sobre todo o nome, para que, ao nome de JESUS, se dobre todo joelho dos seres celestes, dos terrestres, e dos que vivem sob a terra,  e para a glória de Deus, o Pai, toda língua confesse: ‘JESUS É O SENHOR.” (Fl, 2,6-11).

quinta-feira, 9 de junho de 2022

 

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA – O TERCEIRO SANTO BRASILEIRO

 

São José de Anchieta SJ, nascido em San Cristóbal de La Laguna, na ilha de Tenerife, arquipélago das Canárias, a 19 de março de 1534 e falecido em Reriritiba a 9 de junho de 1597, foi um padre jesuíta espanhol, um dos fundadores da cidade de São Paulo, declarado beato pelo Papa João Paulo II e santo pelo Papa Francisco.

É cognominado de Apóstolo do Brasil.

Anchieta é o primeiro dramaturgo, o primeiro gramático e o primeiro poeta nascido nas Ilhas Canárias, e pai da literatura brasileira. José de Anchieta era filho de Juan de Anchieta Celayaran e de Mencía Díaz de Clavijo, descendente da nobreza canária. Era primo de Santo Inácio de Loyola. Seu pai era um revolucionário basco e um grande devoto da Virgem Maria. Sua mãe era natural das Ilhas Canárias, filha de judeus cristãos-novos.

O avô materno, Sebastião de Llarena, era um judeu convertido do Reino de Castela. Dos doze irmãos, além dele abraçaram o sacerdócio Pedro Núñez e Melchior. Anchieta viveu com a família até aos quatorze anos de idade, quando se mudou para Coimbra, em Portugal, onde foi estudar Filosofia no Real Colégio das Artes e Humanidades, anexo à Universidade de Coimbra.

A ascendência judaica foi determinante para que o enviassem para estudar em Portugal, uma vez que na Espanha, à época, a Inquisição era mais rigorosa. Ingressou na Companhia de Jesus em 1551 como irmão.

Tendo o padre Manoel da Nóbrega, Provincial dos Jesuítas no Brasil, solicitado mais braços para a atividade de evangelização do Brasil (mesmo os fracos de engenho e os doentes do corpo), o Provincial da Ordem, padre Simão Rodrigues, indicou, entre outros, José de Anchieta.

Anchieta, que padecia de "espinhela caida", chegou ao Brasil em 13 de Junho de 1553, com menos de 20 anos de idade, com outros padres como o basco João de Azpilcueta Navarro.

Noviço, veio na armada de Duarte Góis e só mais tarde conheceria Manoel da Nóbrega, de quem se tornaria particular amigo. Nóbrega lhe deu a incumbência de continuar a construção do Colégio e foi a partir deste que Anchieta abriu os caminhos do sertão, aprendendo a língua tupi e compondo a primeira gramática desta que, na América Portuguesa, seria chamada de "língua geral".

No seguimento da sua ação missionária, participou da fundação, no planalto de Piratininga, do Colégio de São Paulo, do qual foi regente, embrião da cidade de São Paulo, junto com outros padres da Companhia, em 25 de janeiro de 1554. Esta povoação contava, no primeiro ano da sua existência com 130 pessoas, das quais 36 haviam recebido o batismo.

Sabe-se que a data da fundação de São Paulo é o dia 25 de Janeiro por causa de uma carta de Anchieta aos seus superiores da Companhia de Jesus, na qual diz: “A 25 de janeiro do ano do Senhor de 1554 celebramos em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo, e por isso, a ele dedicamos nossa casa”. 

O religioso cuidava não apenas de educar e catequizar os indígenas, como também de defendê-los dos abusos dos colonizadores portugueses que queriam não raro escravizá-los e tomar-lhes as mulheres e filhos. Esteve em Itanhaém e Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, na quaresma que antecedeu a sua ida à aldeia de Iperoig, juntamente com o padre Manuel da Nóbrega, em missão de preparo para o Armistício com os Tupinambás de Ubatuba (Armistício de Iperoig). 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

 

IRMÃ DOROTHY STANG – MÁRTIR DA AMAZÔNIA

 

Já se completaram onze anos e quatro meses do assassinato da missionária norte americana Dorothy Stang, que defendia o uso sustentável da terra em Anapu, no sudoeste do Pará. Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy, nascida em Dayton, Estados Unidos, no dia 07 de junho de 1931 e assassinada na cidade de Anapu, Estado do Pará, em 12 de fevereiro de 2005 foi uma religiosa norte-americana naturalizada brasileira. Pertencia à Congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Namur, congregação religiosa fundada em 1804 por Santa Julie Billiart (1751-1816) e Françoise Blin de Bourdon (1756-1838). Esta congregação católica internacional reúne mais de duas mil mulheres que realizam trabalho pastoral nos cinco continentes.

 

Biografia

Ingressou na vida religiosa em 1950, emitiu seus votos perpétuos – pobreza, castidade e obediência – em 1956. De 1951 a 1966 foi professora em escolas da congregação: St. Victor School (Calumet City, Illinois), St. Alexander School (Villa Park, Ilinois) e Most Holy Trinity School (Phoenix, Arizona). Em 1966 iniciou seu ministério no Brasil, na cidade de Coroatá, no Estado do Maranhão. Irmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de setenta junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região. Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. A sua participação em projetos de desenvolvimento sust entável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional. Irmã Doroty participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamasônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e consequente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica. Dentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande. Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.” Ainda em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (secção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos. Em 2005, foi homenageada pelo documentário livro-DVD Amazônia Revelada.

 

Assassinato

A Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com seis tiros, um na cabeça e cinco ao redor do corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará, Brasil. Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, perguntada pelo assassino se estava armada, Irmã Dorothy afirmou sem medo e com covicção, mowtrando a Bíblia da qual jamais se separava: “eis a minha arma!”. Ainda, cheia de coragem e confiança naquilo que Jesus dissera no se Evangelho; “Quando entregarem vocês, não fiquem preocupados em saber como ou que irão falar, pois nessa hora lhes será indicado o que irão falar, pois nessa hora lhes será indicado o que vocês deverão falar. Porque não serão vocêsque falarão, mas o Espírito de seu Pai é que falará em vocês.” (Mt 10,19-20), leu ainda alguns trechos deste livro para aquele o assasino que lhe tiraria a vida. O crime ganhou repercussão internacional, chamando a atenção de entidades ligadas aos direitos humanos e a reforma agrária. "A nossa expectativa é que esse julgamento confirme o anterior, isto é, com a condenação do réu. Não nos conformamos com a injustiça", disse Paulinho Joamil, da CNBB. Num dos julgamentos do assassino e de seu mandante, o magistrado afirmou: "Ela foi morta por conflitos fundiários, covardemente abatida, sem concorrer para o crime. Era uma pessoa de clara generosidade com o seu semelhante. A pena deve ser servir de exemplo". No cenário dos conflitos agrários no Brasil, o nome da Irmã Doroty associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados. O corpo da missionária está enterrado em Anapu, Pará, Brasil, onde recebeu e recebe as homenagens de tantos que nela reconhecem as virtudes heróicas da matrona cristã. O fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime, havia sido condenado em um primeiro julgamento a 30 anos de prisão. Num segundo julgamento, contudo, foi absolvido. Após um terceiro julgamento, foi novamente condenado pelo júri popular a 30 anos de prisão. O quarto júri veio após a defesa de Raifran conseguir anular a primeira decisão. O novo julgamento foi realizado em outubro de 2007, quando ele foi condenado novamente a 27 anos de reclusão. O quinto julgamento do caso ocorreu em maio de 2009, quando se sentaram no banco de réus o fazendeiro Bida e novamente Raifran Sales. O fazendeiro acabou absolvido, e Raifran, condenado a 28 anos de cadeia. Como o Ministério Público Estadual recorreu, um novo júri do fazendeiro foi realizado em abril de 2010, com a nomeação de um defensor público para fazer a defesa do réu. Bida foi novamente condenado à pena de reclusão de 30 anos. Além de Bida, também responde como mandante do crime o pecuarista Regivaldo Pereira Galvão que é acusado de prometer recompensa para quem matasse a missionária. Conhecido como "Taradão", ele foi condenado a 30 anos de prisão em outubro de 2011, mas recorre da decisão para tentar anular o júri. Essa é a justiça do Brasil. Quem é pobre permanece na prisão. Quem tem dinheiro...

terça-feira, 7 de junho de 2022

 

QUE É ESTE QUE ATÉ O VENTO E O MAR LHE OBEDECEM?

 

No seu Evangelho, Marcos narra um episódio que nos mostra como o Senhor Jesus jamais nos desampara em qualquer momento difícil de nossa vida: “Naquele mesmo dia, já sobre a tarde, Jesus disse-lhes: Passemos ao outro lado. E, despedindo o povo, o levaram consigo. Outras embarcações o seguiram. Então levantou-se uma grande tormenta de vento, e as ondas lançavam-se sobre a barca, de sorte que ela se enchia. Jesus estava dormindo na popa, sobre um travesseiro; então eles acordaram-no e disseram-lhe: Mestre, não te dá que pereçamos? Ele levantando-se, ameaçou o vento e disse para o mar: Cala-te, emudece. O vento amainou e seguiu-se uma grande bonança. E disse-lhes: Porque sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? Ficaram cheios de grande temor e diziam uns para os outros: Quem será este, que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4,35-40).

Naquele dia, após uma jornada cansativa de ensinamentos, caminhadas, discussões com os incrédulos e de corações duros, deixando a multidão na margem do lago, Jesus entra no barco e ordena aos seus discípulos: “Passemos ao outro lado.” (Mc 4,35).

Ao se ver livre da multidão, Jesus não resistiu ao cansaço, se acomodou num canto do barco, repousou sua cabeça em um travesseiro que lá encontrou talvez feito por um emaranhado de redes de pesca, e se entregou a um sono repousante e reconfortador: “Jesus estava dormindo na popa, sobre um travesseiro...” (Mc 4,38).                     

E o que aconteceu a seguir deve ter sido uma coisa horrível pois que, aqueles homens rudes acostumados a todas as intempéries e perigos daquele lago, conhecedores que eram de todas as mudanças climáticas e transformações de tempos calmos para tempestades, pescadores calejados que eram, ficarem apavorados a ponto de, julgando que fossem sucumbir, desesperadamente despertarem o Senhor Jesus que dormia  calmamente no barco, dizendo: “Mestre, não te dá que pereçamos?” (Mt 4,38), clamando: “socorro, Senhor, porque senão todos vamos naufragar, todos iremos ao fundo, todos morreremos, inclusive o Senhor.”

Quantas vezes agimos como esses discípulos de Jesus, ainda que tendo a certeza de que ele está conosco, ainda que sentimos a sua presença ao nosso lado, quando vem a tempestade nos desesperamos porque olhamos para o fundo do barco e vemos o Senhor Jesus no mais repousante dos sonos; no meio da mais terrível tempestade Jesus está dormindo.

Não seria o caso de dizermos, como o Apóstolo Paulo: “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?” (R 8,31).

 Mas, mesmo os escritures sagrados nos dando toda a certeza que mesmo nas piores fases da nossa vida o Senhor Nosso Deus jamais nos abandona, ainda assim, quando estamos com problemas, quando nos encontramos em dificuldades, colocamos em dúvida até a presença do Senhor e, fracos de fé como somos, imitamos os discípulos de Jesus nessa desconfiança, e gritamos: “Mestre, mestre, estamos perecendo.” (Lc 8,24). 

E aí acordamos Jesus de seu sono repousante e “Ele, porém, levantando-se, conjurou severamente o vento e o tumulto das ondas: apaziguaram-se e houve bonança.” (Lc 8,24). Que falta de fé.  Que falta de confiança. Mas, de qualquer maneira, mesmo dormindo, os discípulos sabiam que o Senhor Jesus os tiraria daquela enroscada.

E assim deve acontecer conosco também e sempre nas nossas dificuldades, nos nossos problemas; devemos recorrer sempre ao Senhor Jesus ainda que ele esteja dormindo no fundo do barco de nossa vida que está prestes a soçobrar.

Senhor Jesus despertando de seu sono não perde a oportunidade de, ainda que de maneira paternal e carinhosa, chamar a atenção de seus discípulos, como chamaria a nossa atenção em situação idêntica: “Porque sois tão tímidos? Ainda não tendes fé?” (Mc 4,40).

Jesus gostaria que jamais tivéssemos medo do que quer que seja quando estivéssemos com ele e quando ele estivesse conosco.

A presença dele, dormindo ou acordado é suficiente para afastar para bem longe de nós todo e qualquer mal; basta que acreditemos nisso.

 Confiemos nele e não nos apavoremos quando nos surge qualquer tipo de mal ou preocupação. E o mais interessante: depois que o Senhor Jesus acordou, ordenou às águas e ao vento que se acalmassem, e eles realmente o obedeceram e voltaram ao normal, o susto dos discípulos foi ainda maior porque “Ficaram cheio de grande temor e diziam uns para os outros: Quem será este, que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4,40). 

Se o Senhor Jesus tem poder sobre as águas, sobre o vento e domina as forças da natureza, não vai ter poder também sobre os males que nos afligem?  E a fé que deveríamos ter nele?  E a nossa fé?  É só ter fé em Jesus Cristo; é só acreditar nele e, com toda a certeza, ele, dando uma ordem, como deu às águas e ao vento, afastará de nós todos os males.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

 

“TENHAM CONFIANÇA, SOU EU, NÃO TENHAM MEDO.”

 

Na nossa vida, às vezes, parece que estamos num mar de rosas; tudo é realização, tudo é maravilhoso, tudo dá certo, tudo vai bem como sempre desejaríamos que fosse, mas,  no nosso cancioneiro de música popular existe uma música com o verso seguinte: “Tristeza não tem fim, felicidade sim...” e, bem por isso, de repente, como num estalar de dedos, parece tudo ao contrário; nos sentimos mergulhados  numa depressão, numa tristeza, numa angustia que parece não ter fim; dá-nos a impressão que estamos caminhando sobre as águas e sentimos que, num relance, nos falta a força, coragem, confiança, apoio e... estamos sozinhos, dando-nos a sensação que vamos submergir, sem chances de nos afirmarmos ou ter alguém que nos socorra.

Quantas vezes nos falta confiança em tudo e em todos; dá-nos a impressão que ninguém, mas ninguém mesmo nos compreende e que todos nos viraram as costas, deixando-nos entregues à nossa própria sorte.  

E, nessas condições, nos desesperamos, deixamos de acreditar em tudo e em todos e, nessa descrença, chegamos ao cúmulo de perguntar: “Onde está Deus???”

Reportemo-nos às Sagradas Escrituras: “Imediatamente Jesus obrigou os seus discípulos a subir para a barca e a passarem antes dele à outra margem do lago, enquanto ele despedia as turbas. Despedidas as turbas, subiu só a um monte para orar. Quando chegou a noite, achava-se ali só. Entretanto, a barca achava-se a muitos estádios da terra e era batida pelas ondas, porque o vento era contrário.  Porém, na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando sobre o mar.  E os discípulos, quando o viram andar sobre o mar, turbaram-se, dizendo: É um fantasma. E, com medo, começaram a gritar. Mas Jesus falou-lhes imediatamente, dizendo: “tenham confiança, sou eu, não tenham medo.”  Respondendo Pedro, disse: “Senhor, se és tu, manda-me até onde estás por sobre as águas.” Ele disse: “Vem.” Descendo Pedro da barca, caminhava sobre a água para ir a Jesus. Vendo, porém, que o vento era forte, temeu, e, começando a submergir-se, gritou, dizendo: “Senhor, salva-me.” Imediatamente Jesus estendendo a mão o tomou e lhe disse; “Homem de pouca fé, porque você duvidou?” Depois que subiram para a barca, o vento cessou. Os que estavam na barca aproximaram-se dele e o adoraram , dizendo: “Verdadeiramente tu és o Filho de Deus.” (Mt 14,22-33).

Quantas vezes o barco de nossa vida se encontra na escuridão da noite no meio do lago, sendo jogado de um lado para o outro por fortes ondas dos contratempos, das ansiedades e de tudo o mais que vem conturbar a nossa paz, o sossego que gostaríamos  de jamais ter perdido.

E, nessas confusões da vida, julgamos sempre que estamos sozinhos, que o nosso barco vai soçobrar, que as ondas fatalmente  o despedaçarão e o engolirão; e, numa situação dessa nos assustamos sobremaneira até com a presença amiga e salvadora de Jesus Cristo que vem ao nosso socorro e, no desespero de sairmos dessa tempestade confundimos o Senhor Jesus com os fantasmas que nós mesmos criamos.

Mas, buscando nas Sagradas Escrituras encontramos respostas a todos os nossos anseios, encontramos apoio a todas as nossas dificuldades, encontramos respostas a todas as nossas indagações e vemos que, ainda que todos nos abandonem nos momentos mais difíceis de nossa vida, o Senhor Jesus nos estende a mão e nos tira das situações mais críticas, mais incômodas, mais embaraçosas, mais constrangedoras, mais tristes. Nos momentos mais angustiantes e mais difíceis de nossa vida encontramos sempre o Senhor Jesus nos estendendo a mão.

Foi assim que, nessa situação dramática, quando Pedro sentia que estava começando submergir, gritou: “Senhor, salva-me.  Imediatamente Jesus estendeu a mão , o tomou...” (Mt 14,30-31).

E quando a sogra de Simão Pedro se encontrava acamada com uma forte febre, “Jesus aproximou-se, tomou-a pela mão e levantou-a; imediatamente a deixou a febre e ela pôs-se a servi-los.” (Mc 1,31). E quantos mais lugares dos Santos Evangelhos vemos Jesus estender a mão para salvar, para curar, para amenizar sofrimentos, para consolar.

domingo, 5 de junho de 2022

 

POR QUE (E COMO) DEVEMOS FAZER O SINAL DA CRUZ ANTES DO EVANGELHO NA MISSA?

 

Muito mais que um mero gesto, uma verdadeira oração!

Para os católicos romanos, há um gesto rápido que geralmente passa despercebido antes da leitura do Evangelho na Missa. É um “desenho” rápido da cruz, que contém muito simbolismo.

O gesto é uma imitação do que o diácono (ou sacerdote) faz antes de recitar as palavras do santo Evangelho. O Missal Romano estipula: “[depois de] ter anunciado o título do livro evangélico que será lido, o sacerdote ou o diácono traça, com o polegar direito o sinal da cruz sobre o livro e três [cruzes] sobre si (sobre a fronte, a boca e o peito).”

Se um diácono vai proclamar o Evangelho, o sacerdote lhe dará uma bênção, em que deve recitar a seguinte oração:

“O Senhor esteja em teu coração e em teus lábios

para que tu anuncies dignamente o Seu Evangelho.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

De maneira semelhante, quando o sacerdote é quem proclama o Evangelho, ele reza estas palavras silenciosamente:

“Limpai o meu coração e meus lábios, Deus onipotente,

para que eu possa proclamar dignamente o santo Evangelho.”

Os leigos que assistem à Missa são convidados a fazer uma oração e um gesto similar antes da leitura do Evangelho. Se quiserem, podem rezar, interiormente, esta breve oração:

“A Palavra do Senhor esteja na minha mente, nos meus lábios e no meu coração”.

É um gesto belíssimo e com profundas raízes bíblicas. Por exemplo: Deus disse ao povo de Israel que recitasse uma frase particular (“Ouve, ó Israel…”) diariamente. Mas também que colocasse algo “como uma marca à sua frente” (Deuteronômio, 6,8). Muitos judeus os assumiram literalmente, e colocavam um pequeno pergaminho na frente deles. Era uma lembrança visível para manter sempre em mente a Palavra de Deus.

Em segundo lugar, a oração recorda a passagem em que o profeta Isaías recebe uma visão, na qual o anjo purifica os lábios dele com carvão queimando. Esta conexão se mantém na Forma Extraordinária da Missa, em que o sacerdote recita a referida oração antes do Evangelho.

Por último, a oração faz referência às palavras da Carta aos Hebreus, onde o autor escreve:  “a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4,12).

Portanto, quando fazemos esse gesto na Missa, o Sinal da Cruz, fazemos verdadeiramente uma oração profunda, que nos abre às palavras de Jesus Cristo. Sempre que ouvimos o Evangelho, Jesus bate às portas do nosso coração, esperando para entrar. Temos só que abrir as portas para Ele.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

 

SANTOS CARLOS LWANGA E COMPANHEIROS MÁRTIRES - + 1886

 

O povo africano talvez tenha sido o último a receber a evangelização cristã, mas já possui seus mártires homenageados na história da Igreja Católica.

O continente só foi aberto aos europeus depois da metade do século XIX. Antes disso, as relações entre as culturas davam-se de forma violenta, principalmente por meio do comércio de escravos. Portanto, não é de estranhar que os primeiros missionários encontrassem, ali, enorme oposição, que lhes custava, muitas vezes, as próprias vidas.

A pregação começou por Uganda, em 1879, onde conseguiu chegar a "Padres Brancos", congregação fundada pelo cardeal Lavigérie. Posteriormente, somaram-se a eles os padres combonianos. A maior dificuldade era mostrar a diferença entre missionários e colonizadores.

Aos poucos, com paciência, muitos nativos africanos foram catequizados, até mesmo pajens da corte do rei. Isso lhes causou a morte, quase sete anos depois de iniciados os trabalhos missionários, quando um novo rei assumiu o trono em 1886.

O rei Muanga decidiu acabar com a presença cristã em Uganda.

Um pajem de dezessete anos chamado Dionísio foi apanhado pelo rei ensinando religião.

De próprio punho Muanga atravessou seu peito com uma lança, deixou-o agonizando por toda uma noite e só permitiu sua decapitação na manhã seguinte. Usou o exemplo para avisar que mandaria matar todos os que rezavam, isto é, os cristãos.

Compreendendo a gravidade da situação, o chefe dos pajens, Carlos Lwanga, reuniu todos eles e fez com que rezassem juntos, batizou os que ainda não haviam recebido o batismo e prepararam-se para um final trágico. Nenhum desses jovens, cuja idade não passava de vinte anos, alguns com até treze anos de idade, arredou pé de suas convicções e foram todos encarcerados na prisão em Namugongo, a setenta quilômetros da capital, Kampala.

No dia seguinte, os vinte e dois foram condenados à morte e cruelmente executados.

Era o dia 3 de junho de 1886, e para tentar não fazer tantos mártires, que poderiam atrair mais conversões, o rei mandou que Carlos Lwanga morresse primeiro, queimado vivo, dando a chance de que os demais evitassem a morte renegando sua fé.

De nada adiantou e os demais cristãos também foram mortos, sob torturas brutais, com alguns sendo queimados vivos.

Os vinte e dois mártires de Uganda foram beatificados em 1920. Carlos Lwanga foi declarado "Padroeiro da Juventude Africana" em 1934. Trinta anos depois, o papa Paulo VI canonizou esse grupo de mártires.

O mesmo pontífice, em 1969, consagrou o altar do grandioso santuário construído no local onde fora a prisão em Namugongo, na qual os vinte e um pagens, dirigidos por Carlos Lwanga, rezavam aguardando a hora de testemunhar a fé em Cristo.

São comemorados, também, neste data: Santa Clotilde da França (rainha e viúva), Santa Olívia, São Juan Diego Cuauhtatoatzin, São Cecílio de Cartago (presbítero), São Davino de Lucca (peregrino), São Genésio de Clermont (bispo).

quinta-feira, 2 de junho de 2022

 

“OLHAI  AS   AVES  DO  CÉU...”

 

            Não pode existir coisa mais bela, mais calma, mais tranquila e reconfortante do que um passeio pelos campos, pelos vales, pelas margens de rios e represas onde tudo nos fala de Deus e faz com que sintamos a sua presença.            

Ouvir o canto dos pássaros, o ruído dos grilos, o coaxar dos sapos e rãs nas lagoas,  o ciciar das folhas ao mais leve toque do vento; ver o esvoaçar dos insetos e o vôo tranqüilo dos pássaros e contemplar a variedade das flores, árvores  e plantas.

Não pode existir coisa mais reconfortante do que contemplar as águas do riacho correrem límpidas e frias entre pedras e juncos à busca do seu verdadeiro destino. Passaríamos horas e horas observando pássaros de todos os tipos, tamanhos  e cores da mais deslumbrante beleza esvoaçando de árvore em árvore, de galho em galho, buscando seus alimentos, cuidando de seus filhotes.

As formigas, ordeiras e disciplinadas, indo e voltando em fila indiana por entre matos, gravetos secos e gramas, num trabalho interminável, sem cansaço e sem descanso. E nenhuma dessas criaturas silvestres se preocupa com o que vai comer ou com o que vai se vestir; não se preocupa com o daqui-à-pouco,  e com o dia de amanhã. “Olhai as aves do céu, que não semeiam , nem ceifam, nem fazem provisões nos celeiros, e contudo vosso Pai Celeste as sustenta.” (Mt 6,26).       

Nenhum desses animais, aves ou insetos, se preocupa com o seu alimento ou seu vestuário.            Onde quer que eles andem, voem ou estejam, encontram o seu alimento e as suas vestimentas, diga-se, as mais belas que lhes são dadas pelo Senhor Deus Criador de todas as coisas.

Os animais, as aves, os insetos, não se preocupam com nada e nada lhes falta; têm o espaço para voarem, o chão para caminharem, as árvores para pousarem, as flores, frutos e folhas para se alimentarem, os galhos e folhas para se agasalharem, a água pura e limpa do riacho para lhes saciar a sede, enfim, o mundo é deles, o infinito lhes pertence.

E eles não se preocupam com o que vão se vestir ou comer  e nem fazem previsões ou ajuntam alimentos para o dia de amanhã, no entanto, o Pai Celeste jamais se esquece de um pássaro sequer, ou de uma formiga, ou de um pequenino inseto. “Portanto digo para vocês: não se preocupem, nem com a vida de vocês, acerca do que haverão de comer, nem com o corpo, acerca do que haverão de vestir.  Porventura não vale mais a vida do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido?” [...] “Porque vocês se inqueitam com o vestido? Considerem como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. Digo a vocês, todavia, que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se pois Deus veste assim uma erva do campo que hoje existe, e amanhã é lançada  no forno, quanto mais a vocês, homens de pouca fé.  Não se aflijem pois, dizendo: “Que comeremos? que beberemos? Com que nos vestiremos?” Os gentios é que procuram todas essas coisas. O Pai de vocês  sabe se covês têm necessidade  de todas elas.” (Mt 6,25.28-32).

É o próprio Senhor Jesus quem nos chama a atenção para essas comparações da natureza e a despreocupação que devemos ter como as aves do céu sobre o que havemos de comer ou nos vestir, porque, para o Pai Celeste nós valemos muito mais do que qualquer animal ou ave ou inseto e, se o Pai os sustenta, será que nos abandonaria à nossa própria sorte? Se o Pai Celeste faz tudo isso para o menor dos menores e para o humilde dos mais humildes insetos, que não fará por nós que fomos criados por ele à sua própria imagem e semelhança?

E o Senhor Jesus continua a nos chamar a atenção sobre o grande amor que Deus Pai tem por todos e por cada um de nós em particular e nos dá a chave de como podemos abrir e sensibilizar o coração de Deus Pai e conseguirmos dele tudo o que necessitamos para uma vida feliz, nos dizendo: “Busquem, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.” (Mt 6,33).

Se entendêssemos verdadeiramente isso todos seríamos mais felizes; os homens seriam mais felizes que as aves do céu e se vestiriam mais majestosamente que os lírios do campo que “...nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.” (Mt 6,29).