domingo, 10 de janeiro de 2021

 

BATISMO DE JESUS

 

Ano – B; Cor – Branco; Leituras: Is 42,1-4.6-7; Sl 28 (29); At 10,34-38; Mc 1,7-11.

 

Diácono Milton Restivo

 

A festa do Batismo de Jesus faz parte das celebrações da manifestação do Senhor: Natal, Epifania, Batismo, Apresentação de Jesus aos discípulos por João Batista e as bodas de Caná, e é também o Primeiro Domingo do Tempo Comum.

Em todas as manifestações de Jesus a todos os homens houve festa, houve alegria, houve participação; muitas pessoas foram convidadas para essas manifestações de alegria e esperança.

Quando Jesus nasceu no curral à beira da estrada, na cidade de Belém os Anjos vieram dos céus porque os céus também estavam em festa, e a alegria nos céus era tamanha que transbordou, derramou sobre a terra e os Anjos que participavam dessa festa nos céus, radiantes de alegria, desceram cantando, alegres e felizes, anunciando a Boa Nova que a humanidade esperava desde o início dos tempos:

·         “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade.” (Lc 2,14).

Depois houve a grande festa na visita dos magos, servindo-se, como guia desses homens sábios, uma reluzente estrela no firmamento enviada pelo Senhor Nosso Deus para conduzi-los até onde estava o menino Jesus, e chegaram perguntando:

·         “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.” (Mt 2,2).

E os magos manifestaram a sua alegria em presentes porque, quem ama dá presentes.        

A terceira manifestação pública de Jesus, antes de iniciar a sua evangelização, também foi uma grande festa, tão grande que o céu se abriu, o Espírito Santo manifestou-se e o próprio Pai identificou quem era Jesus:

·         “Ora, aconteceu que recebendo o batismo todo o povo, batizado também Jesus, e estando em oração, abriu-se o céu, e desceu sobre ele o Espírito Santo em forma corpórea como uma pomba; e ouviu-se do céu esta voz:” “Tu és meu filho dileto; em ti pus as minhas complacências.” (Lc 3,21-22).

Quem batizou Jesus? Foi João Batista. Quem era João Batista?

Se fosse levar conforme a Lei de Moisés o destino de João Batista partindo de sua família, mais proximamente de seu pai Zacarias, jamais ele poderia estar no deserto como esteve, mas no templo como seu pai, porque, filho de sacerdote que era, deveria também, por herança paterna e tribal, pois pertencia à tribo de Levi, ser sacerdote, servindo como sacerdote no templo, como seu pai, por ocasião da anunciação do Anjo Gabriel que anunciara ao seu pai o seu nascimento.

Mas a vocação que lhe foi imposta foi outra, a de ser o mensageiro enviado por Deus que viria antes do Messias

·         “a fim de preparar o seu caminho; a voz que clama no deserto para preparar o caminho do Senhor e tornar reta as suas veredas” (Mc 1,2-3; Is 40,3).

Na verdade, desde o seu nascimento, João Batista foi escolhido para ser o profeta do Altíssimo, o último do grupo dos profetas da Antiga Aliança (Mt 11,13; Lc 7,26-28), ou seja, mais do que um  profeta, João teve como missão sublime ser o precursor do tão esperado Messias.

Como precursor, a sua obra era de promover o reavivamento espiritual de Israel, e assim, preparar a nação à vinda do Messias (Is 40,3; Ml 3,1; 4.5-6; Lc 1,16-17). Esteve nos desertos em preparação até o dia em que se mostrou a Israel (Lc 1,89).   

Aproximadamente no ano 27 dC, (no ano 15 de Tibério César – Lc 3,1) veio a Palavra de Yahweh a João para que desse início ao seu ministério e, assim, João começou a percorrer o deserto da Judéia, ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para o perdão dos pecados (Lc 3,2-3). João não tão somente pregava o batismo de arrependimento, mas também batizava os arrependidos. Por causa  do seu ministério de batizador, isto é, por batizar com água, é que recebeu o cognome de Batista.

Na oportunidade do Batismo de Jesus por João Batista é narrado um encontro entre essas duas personalidades de suma importância na história da salvação.

O primeiro encontro, sabemos, aconteceu ainda no útero materno de suas mães, quando Maria vai em socorro a Isabel, mulher idosa, grávida de João Batista, onde aconteceu um transbordamento de alegria e louvor. 

Aquelas duas mulheres, Maria e Isabel, eram portadoras de um mistério e, cúmplices, fizeram de seus corpos instrumentos da revelação de Deus à humanidade. 

A gestação de ambas seguiu um ritmo paralelo, próximo. Juntas, foram descobrindo, aos poucos, a grandeza da maternidade, a entrega de suas vidas ao Senhor. 

Maria, já portadora do Filho de Deus, foi visitar sua prima Isabel e, conta a história, a serviu durante sua gravidez. Manifestava-se na Mãe, o serviço do Filho aos homens e mulheres.  Isabel, portadora do Precursor, no primeiro momento daquele reencontro entre as duas primas, anunciou – como mais tarde seu filho o faria – que naquela jovem que chegava estava sendo gerado o Messias:

·         “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” (Lc 1,42).

As Sagradas Escrituras não narram outros encontros entre os dois, mas, com certeza, pela proximidade de parentesco e pelos cuidados que Maria teve com Isabel por ocasião do nascimento de João Batista, não cometemos nenhuma falha se julgarmos que não foram somente esses dois encontros que eles tiveram entre si.

O batismo de Jesus marca o início do ministério público de Jesus. Este evento é narrado nos três Evangelhos sinóticos – Mateus, Marcos e Lucas -, enquanto que em João 1,29-33, que não é uma narrativa direta, João Batista apenas testemunha o episódio.

O batismo é um dos cinco eventos mais importantes da narrativa evangélica sobre a vida de Jesus, os outros sendo a transfiguração, a crucificação, a ressurreição e a ascensão.

João havia dito:

·         “Eu batizei vocês com água, mas ele batizará vocês com o Espírito Santo” (Mc 1,8).

Água e Espírito se apresentam como sinais de conversão.  Um lava, o outro restaura. 

A água tem sua natureza ligada à geração e à manutenção da vida humana.  Simboliza a purificação, o renascimento. 

O Espírito salva, redime, fortalece, torna divino o que é humano. João batizava com a água. Era o batismo simbólico do Precursor, cuja liturgia até hoje celebramos. Dizia que depois dele viria um outro – Jesus – que nos batizaria no Espírito.

Era o anúncio do maior dos profetas, de que a salvação era chegada através do Espírito de Deus manifestado em Jesus Cristo, que revelaria com sua vida o caminho para Deus: conversão – misericórdia – amor – serviço.  O mesmo caminho anunciado por João Batista. Era Deus revelado àqueles homens que a própria vida uniu por laços familiares e por ideais.

Nós chamamos João, que batizou Jesus, de João Batista. Então, o que o batismo significa?

Significa “ser submerso”, e o significado mais importante do batismo é “levar o pecado e a morte”.

A frase “ser submerso” implica em morte. Todos os pecados do mundo foram transferidos para Jesus quando João Batista o batizou e, portanto, ele assumiu todos os pecados da humanidade e morreu na cruz para pagar o salário do pecado. Jesus morreu em nosso lugar.

A morte significa o resultado do pecado, porque

·         “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23).

Batismo também significa “ser lavado”. Todos os nossos pecados foram lavados, sem restar nem um pouquinho deles, pois Jesus levou todos na Sua carne, através do Seu batismo.

Todos os pecados dos corações humanos foram lavados, porque foram passados para Jesus através do batismo.

O Batismo é para Jesus o assumir público da sua missão como Filho do Pai e Servo de Yahweh. A voz do céu confirma a sua opção de vida.

O Pai confirma reconhecer Jesus, desde o início do seu ministério público, como seu Filho, seu bem-amado, objeto da sua predileção:

·         “Você é o meu filho, eu hoje o gerei”. (Sl 2,7).

O Filho amado é o servo que implantará a justiça, será centro de aliança do povo e luz das nações:

·         “Eu, Yahweh, chamei você para a justiça, tomei-o pela mão, e lhe dei forma, e o coloquei como aliança de um povo e luz para as nações. Para você abrir os olhos dos cegos, para tirar os presos da cadeia, e do cárcere os que vivem no escuro”. (Is 42,6-7). 

Sua palavra é revelação do Pai e de seu Reino.

Ao ser batizado, está revelando que será necessário passar pelas águas para ser filho e ungido pelo Espírito, como ele o foi. Depois que Jesus sai das águas, abrem-se os céus.

Jesus é o caminho para o céu de onde vem a voz do Pai e é enviado o Espírito.

O batismo que João dá a Jesus não é o que recebemos, pois o batismo de João é de água para a conversão:

·         “Eu batizo vocês com água para a conversão” (Mt 3,11).

E Jesus batiza no Espírito, como disse João Batista:

·         “Ele é quem batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo”. (Lc 3,16).

O batismo de Jesus por João Batista é a inauguração de seu ministério, sua unção pelo Espírito. Nesse batismo o Pai declara todo seu amor por esse Filho e lhe põe o Espírito como guia.

Este Filho amado é o servo que implantará a justiça, será centro da aliança e luz das nações:

·         “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu”. (Is 9,1).

Sua missão de fazer o bem é universal. Esse batismo revela-nos a missão do Filho. Deus o unge com o Espírito para o anuncio da Palavra para a redenção de todo homem e do homem todo.

Sua missão está voltada para os necessitados:

·         “... para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas.” (Is 42,7).

Como disse o Redentorista, Padre Luiz Carlos de Oliveira,

·         “foi manifestada, no batismo de Jesus, a sua carteira de identidade; no seu Batismo, Jesus é manifestado a todo o povo e mostra a sua identidade como Filho amado do Pai; é declinada a sua profissão: a de anunciar, pois o Pai diz a todos; Escutai-o. É fornecido o seu endereço: onde se faz o bem. É tornado público o seu robby: seguir a pombinha, o Espírito Santo que o conduz; seu time: doze pernas de pau, chamados apóstolos”.

A cena do batismo de Jesus revela, portanto, essencialmente, que Jesus é o Filho de Deus, que o Pai envia ao mundo a fim de cumprir um projeto de libertação em favor dos homens.

Como verdadeiro Filho, ele obedece ao Pai e cumpre o plano salvador do Pai; por isso, vem ao encontro dos homens, solidariza-se com eles, assume as suas fragilidades, caminha com eles, refaz a comunhão entre Deus e os homens que o pecado havia interrompido e conduz os homens ao encontro da vida em plenitude. Da atividade de Jesus, o Filho de Deus que cumpre a vontade do Pai, resultará uma nova criação, uma nova humanidade.

O episódio do batismo de Jesus coloca-nos frente a frente com um Deus que aceitou identificar-se com o homem, partilhar a sua humanidade e fragilidade, a fim de oferecer ao homem um caminho de liberdade e de vida plena.

No batismo Jesus tomou consciência da sua missão (essa missão que o Pai lhe confiou), recebeu o Espírito e partiu em viagem pelos caminhos poeirentos da Palestina, a testemunhar o projeto libertador do Pai.

Na segunda leitura, Pedro, tomando a palavra, disse:

·         “Vocês sabem o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda parte fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio porque Deus estava com ele.” (At 10,37-38).

E isso Jesus confirma depois, no início de sua missão:

·         “Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito [...] Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem (de Isaias) onde está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor.” (Lc 4,14.17-19).

Celebrando essa festa litúrgica, renovemos o compromisso do nosso batismo, comprometendo-nos com o seguimento do Mestre, no esforço de criação do mundo que Deus quer; um mundo onde reinam o amor, a justiça e a verdadeira paz.

O nosso batismo confirma que somos parceiros de Deus no ato permanente de criação, fazendo crescer o Reino dele, que

·         “já está no meio de nós” (Mc 1,14).

 

sábado, 9 de janeiro de 2021

 

CASAMENTO FELIZ

 

Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do Chefe, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo. - Amamo-nos... e queremos casar - disse o jovem. - Sim!... nós amamo-nos tanto, que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... qualquer coisa que nos garanta que vamos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos sempre um ao lado do outro até encontrarmos a morte.

Há algo que possamos fazer?... - E o velho, emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por um sinal, disse: - Há uma coisa a fazer..., mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada... Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia e tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!

Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada... no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam, ansiosos, cada um com a sua ave dentro de um saco.

De imediato, o velho sábio pediu que, com cuidado, as tirassem dos sacos... (eram verdadeiramente grandes e lindos exemplares). - E agora o que fazemos? - perguntou o jovem - matamo-las e depois bebemos a honra de seu sangue? - Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem. - Não! - disse o feiticeiro. Peguem nas aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com estas fitas de couro. Quando as tiverem bem amarradas, soltem-nas para que voem livres!

O guerreiro e a jovem assim fizeram e soltaram as majestosas aves.

A águia e o falcão permaneceram bem juntos e amarrados, tentaram voar, mas apenas conseguiram saltar pelo terreno.

Minutos depois, as aves irritadas pela incapacidade do vôo, arremessavam-se e começaram a lutar entre si, ferindo-se mutuamente com os bicos, e quase se  matavam!

E o velho sábio disse:  - Jamais esqueçam o que estão a ver. Este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, mais cedo ou mais tarde, começarão por se magoar gravemente um ao outro! - Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, livremente, jamais amarrados.

São comemorados neste dia: Santo André Corsini, Santa Apolinária do Egito (virgem), São Celso de Antioquia (mártir), São Marcelino de Ancona (bispo), Santo Adriano de Cantuária (abade).

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

 

OS PRESENTES DOS MAGOS E A ESTRELA DE BELÉM, OS INOCENTES

 

Os magos, depois de se inclinarem por terra e adorarem o menino no colo de sua mãe, ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra, e esses presentes retratam um simbolismo todo especial: o ouro é o símbolo dos reis, da majestade, do poder, da riqueza e glorifica a realeza divina de Jesus Cristo com um símbolo material; presenteando ao Senhor Jesus com ouro os magos reconhecem em Jesus o Rei dos reis, o Imperador de todas as nações.

O incenso é a homenagem e o reconhecimento da onipotência do Senhor Jesus. Através do ouro reconheceram em Jesus “O HOMEM”, a sua humanidade e através do incenso reconheceram a sua natureza divina, o Filho do Pai Eterno, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

A mirra  é uma planta do oriente de onde se extrai uma goma aromática que os antigos usavam  para embalsamar os corpos de seus entes queridos falecidos; a mirra foi, portanto, um preito àquele que “Foi oferecido em sacrifício, porque ele mesmo quis, e não abriu a sua boca; como uma ovelha que é levada ao matadouro, como um cordeiro diante do que o tosquia, guardou silêncio e não abriu  sequer a boca.” (Isaias, 53, 7). “Verdadeiramente ele foi   o que tomou sobre si as nossas fraquezas, ele mesmo carregou as nossas dores; nós o reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado.  Mas foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados  com as suas pisaduras. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se extraviou por seu caminho; e o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós.” (Isaias, 53, 4-6).

A mirra foi um preito à Vítima que seria condenada à morte, carregando no seu sacrifício supremo todos os pecados do gênero humano. O ouro, o incenso e a mirra são o símbolo do amor, da oração e da morte.

A estrela que brilhou e levou os magos até onde estava o Menino Deus continua brilhando para nós, ainda hoje, e para todo o sempre: essa estrela é a nossa consciência que, cada vez que praticamos o bem e respeitamos o próximo, nos leva até Jesus e, ao contrário, quando descumprimos os mandamentos do Senhor ela se apaga e desaparece...

Os magos são para nós o maior exemplo de fé e perseverança.

Não sabemos exatamente de onde vieram os magos, mas de uma coisa temos certeza: eles vieram de muito longe, de tão longe que o Senhor Nosso Deus os equipou de um guia especial: uma estrela diferente brilhando no firmamento para orientá-los nessa longa jornada e conduzi-los e orientá-los até onde estava o Messias, e eles tinham certeza que, seguindo aquela estrela encontrariam o Rei dos Reis, a Salvação. Não desistiram.

Não sabemos por quanto tempo, mas caminharam até encontrar o “Rei dos judeus” anunciado em todo o Antigo Testamento. Tiveram fé, acreditaram e encontraram a Salvação. Não se intimidaram com o sanguinário Herodes: “E, avisados por Deus  em sonhos para não tornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra.” (Mt 2,12).

A atitude de Herodes ao se ver ludibriado pelos magos, tomamos conhecimento por Mateus: “Então Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos magos, irou-se em extremo, e mandou matar todos os meninos, que haviam em Belém, e em todos os seus arredores, da idade de dois anos para baixo, segundo a data  que tinha averiguado dos magos.” (Mt 2,16), isso numa tentativa extremamente criminosa e desesperada de que, no meio dos meninos com menos de dois anos de idade que fossem sacrificados à espada estivesse também o “Rei dos Judeus recém-nascido”. Tristemente mais uma profecia é cumprida: “Isto diz o Senhor: foram ouvidas no alto  vozes de lamentação, de pranto e de choro, são de Raquel, que chora os seus filhos e não quer ser consolada acerca deles, porque já não existem.” (Jr 31,15).

Que triste ironia: os magos vem de longe para adorarem e proclamarem o nascimento do Messias e partem, deixando atrás de si sangue, desolação, morte e desespero provocado pela ganância, sede de poder e autoritarismo de um débil mental que não mediu consequências para se manter no poder...

Nesse episódio todo da visita dos magos ao menino Jesus temos a segunda manifestação do Senhor Jesus à humanidade, e todas as duas de maneira maravilhosa: a primeira, quando nasceu, Anjos descem dos céus e anunciam aos pastores o nascimento do Senhor, se manifestando assim em primeiro lugar ao povo judeu que, naquela oportunidade, eram representados pelos pastores. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

 

A MISSÃO DA ESTRELA DE BELÉM É A MESMA DO CRISTÃO

 

A sua segunda manifestação, de maneira não menos maravilhosa, se deu tendo uma estrela servindo de guia aos magos que vieram de regiões longínquas e, desta feita, o Senhor se manifesta ao mundo todo nas pessoas dos magos que eram estrangeiros, vieram de longe, do oriente, de outras nações.

Em todos esses fatos que se seguiram ao nascimento do Senhor Jesus muitas coisas nos chamam a atenção: a cidade de Belém cheia de pessoas e não sendo possível a José e Maria encontrarem lugar para eles em pensões, hotéis, hospedarias ou mesmo em casas particulares, se vendo obrigados de se recolherem num abrigo de animais (Lc 2,7); os pastores que cuidavam de seus rebanhos ali nas proximidades; os Anjos que anunciam aos pastores o nascimento do Senhor (Lc 2,8-15); os magos que vem de longe, do oriente, para adorarem o “recém-nascido Rei dos Judeus” (Mt 2,1, 12).

Mas, outras coisas nos passam desapercebidas e até julgamos  que servem apenas para enfeitar a narrativa dos Evangelistas e, na maioria das vezes, não nos preocupamos em parar e refletir os seus verdadeiros significados.

Na passagem, por exemplo, dos magos do Oriente que vieram adorar o Menino Deus, nos deparamos com uma estrela: “...nós vimos a sua estrela no oriente...” (Mt 2,2), e essa estrela para nós, à primeira vista, não passa de uma coisa romântica e poética, que serve apenas para deixar a narrativa mais bonita, mais emocionante.

Os magos deixaram a sua terra, saíram de seus países porque viram uma estrela diferente que lhes chamou a atenção e, através de seus estudos sabiam que aquela estrela indicava que a Boa Nova prometida aos homens em todo o Antigo Testamento e desde a criação do mundo havia chegado, e a estrela, luzindo no firmamento, os convidava para irem ao seu encontro.

E eles partiram de onde estavam à busca dessa Boa Nova.

A estrela de Belém tem um papel preponderante no contexto evangélico. Mateus cita essa estrela até o encontro dos magos com o Menino e não mais se referencia a ela na volta dos magos para as suas pátrias.

Quando encontram o Menino com sua mãe a estrela simplesmente desaparece porque já havia cumprido a sua missão: a de levar até Jesus Cristo homens sedentos da verdade, ansiosos da Boa Nova e com os corações cheios de fé e, depois desse encontro, preocupados em mudar de vida e de mentalidade. Essa estrela é o símbolo do cristão autêntico.

A estrela, simplesmente, trouxe os magos até onde estava Jesus. Essa foi a sua função.

Os cristãos tem por função fundamental a de levar todos os homens até onde está Jesus e apresentá-los a ele, e depois... sair de cena... 

Essa é a função do cristão. A estrela brilhou na escuridão e se destacou dentre todas as demais que haviam no céu e jamais se perdeu em qualquer constelação mas sempre se manteve em evidência para que os magos não a perdessem de vista em hipótese alguma.

Assim também deve ser o cristão: brilhar na escuridão do mundo e ser refratário ao pecado, sem se contaminar; se destacar entre todos os homens porque o cristão é alguém diferente, é alguém escolhido para viver uma vida nova, única e diferente.

O cristão não pode deixar se perder no emaranhado das idéias errôneas e doutrinas falsas que tentam levar os homens para caminhos diferentes daqueles que conduzem até Belém, onde está Jesus. O cristão, como a estrela de Belém, deve sempre se manter em evidência, viver uma vida diferente daquela que os homens do mundo levam ; uma vida de testemunho de quem acredita que aquele que nasceu num curral de animais é verdadeiramente “o Cordeiro de Deus” (Jo 1,36), o Filho de Deus “que se fez homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus.”

O cristão, como a estrela de Belém, não é um anônimo no meio da multidão, mas alguém que brilha na escuridão para indicar a todos os homens de boa vontade o caminho que leva até Jesus Cristo. O cristão, como a estrela de Belém, tem a função de levar todos os homens a adorarem Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, nascido de uma virgem por obra do Espírito Santo (Lc 1,31).

O brilho do cristão deve ser o seu modo de vida porque é vivendo como verdadeiros seguidores de Jesus Cristo  que se destaca no meio de todos os homens e, através desse brilho que vem do alto todos os homens possam vê-lo e identificá-lo no meio da multidão e da escuridão do mundo, e possam  seguí-lo pelo “Caminho, verdade e vida” (Jo 14, 6) que é Jesus Cristo.

Os magos, ao adorarem o Menino Deus, fizeram ver ao mundo que a estrela  havia cumprido a sua missão e, a partir daquele momento desaparecido de cena.

O cristão, como a estrela de Belém, depois de conduzir todos à presença do Divino Mestre, deve também sair de cena para que somente apareça Jesus Cristo e somente Jesus Cristo seja colocado em evidência na vida de todos os homens, como fez João Batista ao apontar a dois de seus discípulos Jesus que passava: “No outro dia João lá estava novamente com dois de seus discípulos e, vendo Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus.  Ouvindo as suas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus.” (Jo 1,35-36).

Os dois discípulos, apresentados a Jesus por João, seguiram Jesus e, a partir daí, João Batista saiu de cena, como aconteceu com a estrela de Belém e como deve ser todos os cristãos autênticos...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

 

DIA DE REIS E DA EPIFANIA DO SENHOR

 

O "Dia de Reis" é uma das festas tradicionais mais singelas celebrada em todo o mundo católico. Neste dia se comemora a visita de um grupo de reis magos (Mt 2,1-12), vindos do Oriente, para adorar a "Epifania do Senhor". Ou seja, o nascimento de Jesus, o Filho por Deus enviado, para a salvação da humanidade. O

 termo "mago" vem do antigo idioma persa e serviu para indicar o país de suas origens: a Pérsia. Eram reis, porque é um dos sinônimos daquela palavra, também usada para nomear os sábios discípulos de uma seita que cultuava um só Deus.

Portanto, não eram astrólogos nem bruxos, ao contrário, eram inimigos destas enganosas artes mágicas e misteriosas. Esses soberanos corretos, esperavam pelo Salvador, expectativa já presente mesmo entre os pagãos. Deus os recompensou pela retidão com a maravilhosa estrela, reconhecida pela sabedoria de suas mentes como o sinal a ser seguido, para orientação dos seus passos até onde se achava o Menino Deus.

Foram eles que mostraram ao mundo o cumprimento da profecia de séculos, chegando no palácio do rei Herodes, de surpresa e perguntando "pelo Messias, o recém-nascido rei dos judeus". Nesta época aquele tirano reprimia a população pelo medo, com ira sanguinária.

Mas os magos não o temeram, prosseguiram sua busca e encontraram o Menino Deus.

A Bíblia diz que os magos chegaram à casa e viram o Menino com sua Mãe. Isto porque José já tinha providenciado uma moradia muito pobre, mas mais apropriada, do que a gruta de Belém onde Jesus nascera.

Ali, os reis magos, depois de adorar o Messias, entregaram os presentes: ouro, incenso e mirra. O ouro, significa a realeza de Jesus; o incenso, sua essência divina e a mirra, sua essência humana. Prestada a homenagem, voltaram para suas nações, evitando novo contato com Herodes, como lhes indicou o anjo do Senhor.

A tradição dos primeiros séculos, seguindo a verdade da fé, evidenciou que eram três os reis magos: Melquior, Gaspar e Baltazar.

Até o ano 474 o que eram considerados restos mortais dos magos restos estiveram sepultados em Constantinopla, a capital cristã mais importante do Oriente da época, depois foram trasladados para a catedral de Milão, na Itália.

Em 1164 foram transferidos para a cidade de Colônia, na Alemanha, onde foi erguida a belíssima Catedral dos Reis Magos, que os guarda até hoje.

No século XII, com muita inspiração, São Beda, venerável doutor da Igreja, guiado por uma inspiração, descreveu o rosto dos três reis magos, assim: "O primeiro, diz, foi Melquior, velho, circunspecto, de barba e cabelos longos e grisalhos... O segundo tinha por nome Gaspar e era jovem, imberbe e louro... O terceiro, preto e totalmente barbado chamava-se Baltazar (cf "A Palavra de Cristo", IX, p. 195)".

Deus revelou seu Filho ao mundo e ordenou que o acatassem e seguissem. Os reis magos fizeram isto com toda humildade, gesto que simboliza o reconhecimento do mundo pagão desta Verdade. Isso é o mais importante a ser festejado nesta data.

A revelação, isto é, a Epifania, que confirma a divindade do Santo Filho de Deus feito homem, que no futuro sacrificaria a própria vida em nome da salvação de todos nós.

Também são celebrados neste dia: São Carlo de Sezze, São Dimas de Connor (bispo), São João de Rivera (bispo),São Julião e Santa Basilissa.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

 

“...VIMOS SUA ESTRELA NO ORIENTE...”  (Mt 2,2)

 

Os magos, homens sábios, vindos do Oriente e que haviam visto a sua “estrela”, saíram de suas terras e vieram até onde estava o menino Jesus para adorá-lo: ”Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? porque nós vimos a sua estrela  no Oriente e viemos adorá-lo.” (Mt 2,2).

Mais de dois anos antes do nascimento de Jesus o Profeta Balaão já profetiza sobre essa estrela vista pelos magos: “Eu o verei, mas não agora; eu o contemplarei, mas não de perto; nascerá uma estrela de Jacó, levantar-se-á uma vara de Israel...” (Nm 24,17).

O Profeta Isaias, mais ou menos seiscentos anos antes desses acontecimentos, com grande esplendor, também se manifesta e profetiza essa grande maravilha, a estrela de Belém, anunciando o nascimento do Messias , “recebe a luz, Jerusalém, porque chegou a tua luz, e a glória do Senhor nasceu sobre ti.  Porque eis que as trevas cobrirão a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti nascerá o Senhor, a sua glória se verá em ti. As nações caminharão na tua luz, e os reis, ao resplendor de tua aurora.” (Is 60 1-3).

E Isaias continua: “Então tu verás, estarás na abundância, o teu coração se espalhará e se dilatará fora de si mesmo, quando se voltarem para ti as riquezas do mar, e a fortaleza das nações vier ter contigo. Ver-te-ás inundada duma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e de Efa; todos virão de Sabá, trazendo-te ouro e incenso, e publicando os louvores do Senhor.” (Isaias, 60, 5-6).

Isaias não se cala: “Estarão sempre abertas as tuas portas; elas não se fecharão nem de dia nem de noite, a fim que te seja trazida a riqueza das nações e te sejam conduzidos os seus reis.” (Is 60,11).

E para que se cumprisse essas profecias, os magos, em terras longínquas, lá do Oriente, vêem uma estrela diferente no céu que anunciava um grande acontecimento e não tiveram dúvidas, se colocaram a caminho para adorarem o Rei dos Judeus que havia nascido.

As Sagradas Escrituras se omitem quanto ao número de magos: poderiam ser  dois ou mais; a tradição optou pelo número três, possivelmente pelos presentes que foram dados ao “Rei dos Judeus recém-nascido”, ouro, incenso e mirra. 

Nos escritos sagrados também não  é citada a nobreza que é atribuída a esses magos.

O Evangelista Mateus apenas se atém a chamá-los de “magos”, sem se preocupar com o número e o grau de importância que eles teriam na sociedade.

Nos sagrados escritos também é omitido o nome desses personagens, deixando-os no anonimato, mas, a partir do século VIII começaram a ser mencionados seus nomes, como sendo Melchior, Baltazar e Gaspar, sendo este último, negro, mas isso apenas nos é transmitido pela tradição.

Assim o Evangelista Mateus nos narra a significativa visita dos magos a Jesus, após o seu nascimento: “Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos chegaram do Oriente a Jerusalém, dizendo: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Porque nos vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.” (Mt 2,1-2).

O Messias nasceu na penúria em Belém,. cidade e casa do rei Davi; nasceu para a salvação de Israel e glória de Judá. Mas nem Israel e nem Judá deram importância a  esse acontecimento maravilhoso que fora predito, cantado e esperado por todos os profetas do Antigo Testamento. 

Somente os pobres e humildes pastores vieram até ele, convidados que foram pelos  Anjos (Lc 2,8-13).  Somente os pobres, humildes e oprimidos pastores chegaram  até Jesus para adorá-lo  no seu berço improvisado. Ninguém mais...

Israel, Judá, ou a cidade de Jerusalém não se importaram e nem se alegraram com o nascimento do Salvador. A salvação que ele veio trazer a todos os homens é oferecida a todos, mas somente é bem recebida aos que a procuram com o coração puro e sincero.

Quanto tempo depois de seu nascimento é que surgiram os magos? Não sabemos. Ninguém sabe, porque os Evangelhos não o citam.  Pelos fatos que se seguiram, e pelas atitudes de Herodes,  possivelmente, o menino Jesus estive com aproximadamente dois anos. Não vamos nos ater a isso. O importante é que, uma estrela diferente de todas as conhecidas até então, brilha no firmamento; uma estrela que já fora preconizada e antevista pelos profetas antes de Cristo.  

Todo o povo de Israel e todos aqueles que se diziam conhecedores das Sagradas Escrituras conheciam essas profecias e sabiam que, quando nascesse o Messias, o Salvador aguardado, alguma coisa de diferente aconteceria  nos céus, pois os profetas Balaão e Isaias já haviam alertado sobre esse fenômeno, mas ninguém se importou com isso.

Alguns estrangeiros, os magos, a viram lá de longe, de muito longe de suas terras e sabiam que essa estrela tinha um significado todo especial e se propuseram a seguí-la, fosse para onde fosse, não se importando com a distância e nem com os contratempos que isso fosse acarretar. E essa estrela conduziu os magos até a cidade de Belém.

Quando eles saíram de suas terras, qual o percurso que fizeram e quanto tempo caminharam? Não sabemos. O que sabemos é que os magos concluíram, através de seus estudos e meditações, que aquela estrela era o prenúncio de um grande acontecimento e que os céus abriram suas portas e a salvação havia chegado, e que o menino recém-nascido era o “Rei dos Judeus”, que nem os próprios judeus tinham conhecimento que havia nascido: o maior de todos os reis da terra e de todos os tempos, o Rei dos reis e, talvez por isso, passaram primeiro no palácio do rei Herodes porque, imaginavam, um grande rei só poderia ter nascido num palácio real, e esta foi a primeira grande contradição que Jesus trouxe aos homens: ele, o Rei dos reis não nasceu em palácio mas em um humilde abrigo de animais à beira da estrada.

Ao chegarem em  Jerusalém, perguntaram: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo.” (Mt 2,2).   

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

 

SANTÍSSIMO NOME DE JESUS

 

  O nome de Jesus é grande pelo que significa. O nome de Jesus foi posto por Maria e José, em obediência à ordem que lhe viera de Deus. Disse o Arcanjo a Maria: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus”. (Lc 1,31). A José o Anjo disse: “Não temas receber Maria, tua mulher; porque o que nela se gerou, é obra do Espírito Santo. E dará à luz um filho, e por nome o chamarás Jesus”. (Mt 1,20).

Ora, os nomes impostos a alguém por ordem de Deus significam sempre qualquer dom  gratuito concedido pelo céu, assim como foi dado a Abraão. “Serás chamado Abraão, porque te constitui pai de muita gente”. (Gn 41,51).

Santo Tomás de Aquino afirma que: “a Pedro foi dado o nome significativo: “Tu és Pedra, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja”. Porque a Cristo tinha sido conferido o dom da graça, pela qual todos seriam salvos, era conveniente que fosse chamado Jesus, isto é, “Salvador”. Este nome adorável, que significa salvação, foi predito pelos profetas, que chamaram ao Messias “Emanuel” (Is 7,14), isto é, Deus conosco, para assim designar  a causa da nossa salvação, que é a união da natureza divina com a humana, na pessoa do Filho de Deus, que, como Deus, fica conosco, participando da nossa natureza. Chamaram-no “admirável, conselheiro, Deus forte, Pai do futuro século, Príncipe da paz” (Is 9,6), títulos estes que designam todos o “caminho e o fim da nossa salvação, sendo nós, pelo admirável conselho e pela virtude divina, conduzidos à herança do futuro século, em que gozaremos da paz perfeita dos filhos de Deus, sob a própria soberania de Deus”.  Chamaram-no: “o homem, o nascituro”, para exprimir todo o mistério da Encarnação”. (Zc 6,12).

O nome de Jesus é o nome próprio do Verbo encarnado; é o nome que nos relembra o maior das obras de Deus e o maior benefício que d´Ele  nos veio.

O nome de Deus Redentor inclui o de Deus Criador, se bem que este não contenha aquele, pois a Redenção supõe a criação e a criação não encerra em si necessariamente a Redenção.

O nome de Jesus relembra-nos não só o Salvador e a salvação, que por Ele nos veio, mas também o modo admirável por que fomos salvos. Poderia salvar-nos por meio de uma só palavra, como por uma palavra só criou o mundo; mas quis tomar sobre si nossa enfermidade, para curar e tirar os nossos pecados; quis encarnar-se, nascer num estábulo, viver pobre, sofrer, ser crucificado e morrer por nós.

Levou a humildade e obediência até a morte, para assim merecer o nome de Jesus. Aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo – diz Paulo – “fazendo-se semelhante aos homens e sendo reconhecido pelo exterior como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou, e lhe deu um nome, que está acima de todo nome. A fim de que ao nome de Jesus todo o joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos; e toda a língua confesse que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai”. (Fl 2,7-11).

O nome de Jesus produz admiráveis efeitos naqueles que devotamente o invocam. Como os sacramentos não só significam a graça, mas também a produzem, assim o nome de Jesus não só significa, mas também produz a salvação de quem devotamente o invoca. “Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo”. (Jl 2,22; At 2,21; Rm 10,12). “Do céu abaixo, nenhum outro nome foi dado aos homens pelo o qual nos cumpra fazer a nossa salvação”. (Rm 4,12).

O nome de Jesus, devotamente invocado, salva-nos do perigo de sermos vítima do inimigo infernal. Satanás tem um verdadeiro pavor deste Nome.

São Jerônimo diz que: “Os demônios têm medo deste Nome, que os faz tremer. E nós podemos afugentá-los, invocando o Nome de Jesus crucificado”.

O nome de Jesus dá vigor aos mártires e a todos os fiéis que lutam pela fé. Fá-los triunfar generosamente de todos os obstáculos, de todas as perseguições e da própria morte.

O mundo, à semelhança do demônio, seu soberano, se agita ao ouvir o Nome de Jesus.

Queria que não mais se pronunciasse este Nome e cheio de ódio, com o Sinédrio de Jerusalém, até hoje declara: “Ameacemo-los, para que daqui em diante não falem neste nome a homem nenhum”. (At 4,17).

Mas em virtude deste Santo Nome os eleitos, para a confusão do mundo, operam verdadeiros milagres, segundo a profecia do próprio Salvador: “Em meu nome expulsarão os demônios, falarão novas línguas, manusearão as serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; porão as mãos sobre os enfermos e serão curados”. (Mc 16,17).

O nome de Jesus produz sempre grande milagre de aplacar as mais furiosas tempestades na alma daqueles que o invocam devotamente.

São Bernardo diz que: “Há entre vós alguém que se ache triste? Entre-lhe Jesus no coração e digam-no os lábios; e eis que, ao pronunciar este Nome, as nuvens se dissipam e volta a serenidade. Se entre vós houver quem tenha caído em falta grave e, deixando-se levar pelo desespero, nutrir idéias de suicídio: não voltará ao amor da vida, se invocar este nome da vida ?”

Invoquemos, pois, o Santíssimo Nome de Jesus nas tentações, nas perseguições, na aflição. Invoquemo-lo sempre. “Por ele ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que  lhe confessam o nome”. (Hb 13,15). “ Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, tudo seja em nome do Senhor Jesus Cristo, rendendo raças por ele a Deus Pai”. (Cl 3,17).

Pronunciemos muitas vezes em vida este Nome de salvação, para que o possamos pronunciar na morte, qual penhor seguro da felicidade eterna.

São comemorados também neste dia: Santo Antero (papa), Santa Genoveva, Santa Bertila de Marolle (viúva), São Florêncio de Viena (bispo e mártir).

domingo, 3 de janeiro de 2021

 

OS REIS MAGOS  

EPIFANIA DO SENHOR – ANO “C”

Cor: branco – Leituras: Is 60,1-6; Sl 71; Ef 3,23a.-5-6; Mt 2,1-12.

 

“VIMOS SUA ESTRELA NO ORIENTE” (Mt 2,2)

 

Diácono Milton Restivo

 

Epifania quer dizer manifestação.

Epifania é uma festa religiosa cristã que, antigamente, celebrava-se no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o natal; porém, a partir da reforma do calendário litúrgico, acontecida em1969, passou a ser comemorada no segundo domingo após o natal. É Jesus apresentando-se como homem, assumindo a sua natureza humana e dando-se a conhecer aos homens.

Em várias ocasiões as Sagradas Escrituras nos apresentam as oportunidades que Jesus deu-se a conhecer a diferentes pessoas e em diferentes momentos.

A Igreja celebra como epifanias três eventos, a saber:

a)      a manifestação propriamente dita perante os magos do oriente (Mt 2,1-12), que celebramos nesta oportunidade;

b)      a manifestação a João Batista no rio Jordão (Mc 1,9-11; Mt 3,13-17; Lc 3,21-22 e Jo 1,32-34); e

c)      a manifestação de Jesus aos seus discípulos e o início de sua vida pública com o milagre de Caná, na Galiléia, quando começa o seu ministério (Jo 2,1-12). 

Estas três manifestações: aos magos, a João Batista e aos seus discípulos, serão comemoradas na sequência, nos três domingos que se seguem depois da comemoração da festa de Maria, Mãe de Deus.

É claro que não podemos deixar de citar a primeira manifestação de Jesus na noite do seu nascimento em Belém, quando aconteceram coisas maravilhosas como o anúncio do nascimento do Salvador feita pelos anjos aos pastores e outras coisas que, anteriormente, já haviam sido anunciadas pelos Profetas do Antigo Testamento.

Este fato só é narrado no Evangelho de Lucas, 2,1-20.

A primeira manifestação, depois do nascimento de Jesus, é a que comemoramos hoje, quando os magos, homens sábios, vindos do Oriente e que haviam visto a sua “estrela”, saíram de suas terras e vieram até onde estava o menino Jesus para adorá-lo:

·         “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.” (Mt 2,2).

Este acontecimento só é narrado no Evangelho de Mateus, 2,1-14.

Mais de mil anos antes do nascimento de Jesus o Profeta Balaão já profetizara sobre essa estrela vista pelos magos:

·         “Eu o verei, mas não agora; eu o contemplarei, mas não de perto; nascerá uma estrela de Jacó, levantar-se-á uma vara de Israel...” (Nm 24,17).            

O Profeta Isaias, setecentos antes desses acontecimentos, com grande esplendor também se manifesta e profetiza essa grande maravilha, a estrela de Belém, anunciando o nascimento do Messias,

·         “Recebe a luz, Jerusalém, porque chegou a tua luz, e a glória do Senhor nasceu sobre ti. Porque eis que as trevas cobrirão a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti nascerá o Senhor, a sua glória se verá em ti. As nações caminharão na tua luz, e os reis, ao resplendor de tua aurora.” (Is 60,1-3).  Isaias não se cala: “Estarão sempre abertas as tuas portas; elas não se fecharão nem de dia nem de noite, a fim que te seja trazida a riqueza das nações e te sejam conduzidos os seus reis.” (Is 60,11).

E, para que se cumprissem essas profecias, os magos, em terras longínquas lá do Oriente, vêem uma estrela diferente no céu que anunciava um grande acontecimento e não tiveram dúvidas: colocaram-se a caminho para adorarem o Rei dos Judeus que havia nascido.        

As Sagradas Escrituras omitem-se quanto ao número de magos: poderiam ter ser dois ou mais; a tradição optou pelo número três, possivelmente pelo número de presentes que foram dados ao “Rei dos Judeus recém-nascido”: ouro, incenso e mirra.

Nos escritos sagrados também não é citado o grau de nobreza que seria atribuída a esses magos. O Evangelista Mateus apenas se atém a chamá-los de “magos”, sem se preocupar com o número e o grau de importância que eles teriam na sociedade. 

Quem teriam sido esses personagens? Talvez fossem astrólogos ou astrônomos, pois, segundo consta, viram uma estrela e foram, por isso, até a região onde nascera Jesus, dito o Cristo.

As referências bíblicas são vagas e o episódio quase passa despercebido dos evangelistas e são citados somente no Evangelho de Mateus 2,1-14, mas as contribuições da tradição cristã são muitas e elas têm força de fé e verdade.

Nos sagrados escritos também são omitidos os nomes desses personagens, deixando-os no anonimato, mas, a partir do século VIII começaram a ser mencionados seus nomes como sendo Melchior, Baltazar e Gaspar, sendo este último, negro, mas isso apenas nos é transmitido pela tradição. A devoção popular os chama de Reis Magos.

Representam os tronos, os governos, os senhores da terra que se curvara diante de Cristo, reconhecendo-lhe a divina realeza.

É a busca dos poderosos que vêem em Belchior, Gaspar e Baltazar o exemplo de submissão aos desígnios de Deus e que devem, como os magos, despojar-se de seus bens e depositá-los aos pés dos demais seres humanos, partilhando sua fortuna como dignos despenseiros de Deus.

O Messias nasceu na penúria em Belém, cidade e casa do rei Davi; nasceu para a salvação de Israel e glória de Judá. Mas nem Israel e nem Judá deram importância a esse acontecimento maravilhoso que fora predito, cantado e esperado por todos os profetas do Antigo Testamento. 

Por ocasião do seu nascimento, somente os pobres e humildes pastores vieram até ele, convidados que foram pelos Anjos, e foram os pastores que deram importância ao fato (Lc 2,8-13).

Somente os pobres, humildes e oprimidos pastores chegaram até Jesus para adorá-lo no seu berço improvisado. Ninguém mais... Israel, Judá, ou a cidade de Jerusalém não se importaram e nem se alegraram com o nascimento do Salvador.

A salvação que ele veio trazer a todos os homens é oferecida a todos, mas somente é bem recebida aos que a procuram com o coração puro e sincero,

·         “aos pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus”. (Mt 5,3).

Quanto tempo depois de nascimento de Jesus que surgiram os magos? Não sabemos.

Ninguém sabe, porque o Evangelho de Mateus não o cita.

Pelos fatos que se seguiram, e pelas atitudes de Herodes, possivelmente, o menino Jesus estive com aproximadamente dois anos.

Não vamos nos ater a isso; o importante é que, uma estrela diferente de todas as conhecidas até então, brilha no firmamento. Uma estrela que já fora preconizada e antevista pelos profetas antes de Cristo.

Todo o povo de Israel e todos aqueles que se diziam conhecedores das Sagradas Escrituras conheciam essas profecias e sabiam que, quando nascesse o Messias, o Salvador aguardado, alguma coisa de diferente aconteceria nos céus, pois os profetas Balaão e Isaias já haviam alertado sobre esse fenômeno, mas ninguém se importou com isso.

Alguns estrangeiros, os magos, a viram lá de longe, de muito longe, de suas terras e sabiam que essa estrela tinha um significado todo especial e se propuseram a seguí-la, fosse para onde fosse, não se importando com a distância e nem com os contratempos que isso fosse acarretar.

E essa estrela conduziu os magos até a cidade de Belém. 

Quando eles saíram de suas terras, qual o percurso que fizeram e quanto tempo caminharam?  Não sabemos.

O que sabemos é que os magos concluíram, através de seus estudos e meditações, que aquela estrela era o prenúncio de um grande acontecimento e que os céus abriram suas portas e a salvação havia chegado, e que o menino recém-nascido era o “Rei dos Judeus”, que nem os próprios judeus tinham conhecimento que havia nascido; o maior de todos os reis da terra e de todos os tempos, o Rei dos reis e, talvez por isso, os magos passaram primeiro pelo palácio do rei Herodes, porque imaginavam que um grande rei só poderia ter nascido num palácio real, e esta foi uma das grandes contradições que Jesus trouxe aos homens; ele, o Rei dos reis não nasceu em palácio, mas em um humilde abrigo de animais à beira da estrada.

Ao chegarem a Jerusalém, perguntaram:

·         “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo.” (Mt 2,2).

A chegada dos magos a Jerusalém com seu séquito provocou um grande alvoroço na cidade e na corte real.

O rei Herodes ficou tomado de espanto e apressou-se em querer sabem onde havia nascido esse pretenso rei (Mt 2,3-6).

O rei Herodes, além de perturbado e surpreso, ficou também alarmado: como poderia ter nascido o rei dos judeus, se os judeus só tinham um rei que era ele próprio? Sentiu-se ameaçado no seu poder e o seu trono estava na eminência de ser usurpado por um inocente menino recém-nascido. Como isso poderia ter acontecido se ele, Herodes, o pretenso grande rei dos judeus, não havia sido notificado a respeito?

Herodes pressentiu seu trono ameaçado e abalado e isso Maria, a mãe de Jesus, já havia prenunciado e cantado quando de sua visita à sua parenta Isabel:

·         “Agiu com a força de seu braço, dispersou os homens de coração orgulhoso. Depôs poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.” (Lc 1,51-52).

Herodes era um homem sanguinário; não hesitaria exterminar quem quer que fosse para preservar o seu trono; prova disso é que já havia mandado matar vários de seus palacianos, algumas esposas e até filhos seus.

Diante da notícia trazida pelos magos e de sua pergunta: “onde havia de nascer o Messias?”, Herodes, à princípio, fingiu curiosidade, humildade, submissão e alegria e muita fé e procurou tirar proveito daquela situação diante dos estrangeiros, mandando chamar secretamente os magos para que pudessem lhe informar onde pudesse localizar esse “pretenso rei” para que ele pudesse também prestar-lhe homenagens, mas a sua intenção era outra (Mt 2,7-8).

E os magos partiram de Jerusalém à busca do “rei dos judeus” (Mt 2,7-11).

Surpresa... Onde encontraram o menino não era um palácio, como certamente esperavam, mas nem por isso se decepcionaram. Prostraram-se por terra e adoraram o menino no colo de sua mãe que lhe servia de trono. Por não ser um palácio, como esperavam, a fé e esperança deles não vacilaram e nem diminuíram um só pouquinho.

Por inspiração divina sabiam que se encontravam na presença daquele que, nascido de mulher e na mais extrema pobreza e desamparo, era o Rei do Universo.

Entraram na casa e ali encontraram o menino com Maria, sua mãe e, tomados do mais profundo respeito e veneração, prostraram-se por terra e adoraram o menino, reconhecendo nele Deus e Salvador do mundo e, em seguida;

·         “abrindo seus tesouros, lhe ofereceram presentes de ouro, incenso e mirra.” (Mt 2,11).

Realizou-se, assim, as profecias de Isaias que, inspirado por Iahweh, disse e escreveu:

·         “Os reis serão os que te alimentarão, e as rainhas as tuas amas; com o rosto inclinado até a terra te adorarão e lamberão o pó de teus pés. E saberás que eu sou o Senhor, e que não serão confundidos os que esperam em mim.” (Is 49,23), e

·         “As nações caminharão à tua luz, e os reis, ao resplendor da tua aurora.” (Is 60,3).

E ainda mais Isaias:

·         “Então tu verás, estarás na abundância, o teu coração se espantará e se dilatará fora de si mesmo, quando se voltarem para ti as riquezas do mar, e a fortaleza das nações vier ter contigo. Ver-te-ás inundada duma multidão de camelos, de dromedários e de Efa; todos virão de Sabá trazendo-te ouro e incenso, e publicando os louvores do Senhor.” (Is 60, 5-6).

O rei Davi, o grande rei guerreiro e profeta, cantor e salmista, inspirado pelo Espírito do Senhor, profetizou:

·         “Os reis de Tarsis e as ilhas lhe oferecerão dons; os reis da Arábia e de Sabá lhe trarão presentes; e adorá-lo-ão todos os reis da terra, todas as nações o servirão, porque livrará o pobre do poderoso, e o indigente que não tem quem lhe valha.” (Sl 72 (71), 10-13).

Os magos, depois de se inclinarem por terra e adorarem o menino no colo de sua mãe, ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra.

Esses presentes retratam um simbolismo todo especial: o ouro é o símbolo dos reis, da majestade, do poder, da riqueza e glorifica a realeza divina de Jesus Cristo com um símbolo material; presenteando ao Senhor Jesus com ouro os magos reconhecem em Jesus o Rei dos reis, o Imperador de todas as nações.

O incenso é a homenagem e o reconhecimento da onipotência e divindade de Jesus.

Através do ouro reconheceram em Jesus ”o homem”, a sua humanidade e através do incenso reconheceram a sua natureza divina, o Filho do Pai Eterno, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

A mirra é uma planta do oriente de onde se extrai uma goma aromática que os antigos usavam para embalsamar os corpos de seus entes queridos falecidos; a mirra foi, portanto, um preito àquele que:

·         “foi oferecido em sacrifício, porque ele mesmo quis, e não abriu a sua boca; como uma ovelha que é levada ao matadouro, como um cordeiro diante do que o tosquia, guardou silêncio e não abriu  sequer a boca.” (Is 53,7).

·         “Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, ele mesmo carregou as nossas dores; nós o reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado. Mas foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz caiu sobre ele, e nós fomos sarados com as suas pisaduras. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se extraviou por seu caminho; e o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós.” (Is 53, 4-6).

A mirra foi um preito à Vítima que seria condenada à morte, carregando no seu sacrifício supremo todos os pecados do gênero humano.

O ouro, o incenso e a mirra são o símbolo do amor, da oração e do sacrifício supremo.

Os magos são para nós o maior exemplo de fé e perseverança. Não sabemos exatamente de onde vieram os magos, mas de uma coisa temos certeza: eles vieram de muito longe, de tão longe que o Senhor nosso Deus os equipou de um guia especial: uma estrela diferente brilhando no firmamento para orientá-los nessa longa jornada e conduzi-los e conduzi-los até onde estava o Messias, e eles tinham certeza que, seguindo aquela estrela encontrariam o Rei dos Reis, a Salvação. Não desistiram.

Não sabemos por quanto tempo e quais foram os obstáculos, mas caminharam até encontrar o “Rei dos judeus” anunciado em todo o Antigo Testamento. Tiveram fé, acreditaram e encontraram a Salvação. Não se intimidaram com o sanguinário Herodes:

·         “E, avisados por Deus em sonhos para não tornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra.” (Mt 2,12).

A atitude de Herodes ao se ver ludibriado pelos magos é narrada por Mateus:

·         “Então Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos magos, irou-se em extremo, e mandou matar todos os meninos, que haviam em Belém, e em todos os seus arredores, da idade de dois anos para baixo, segundo a data  que tinha averiguado dos magos” (Mt 2,16),

Isso aconteceu numa tentativa extremamente criminosa e desesperada de que, no meio dos meninos com menos de dois anos de idade que fossem sacrificados à espada estivesse também o “Rei dos Judeus recém-nascido”.

Tristemente mais uma profecia é cumprida:

·         “Isto diz o Senhor: foram ouvidas no alto vozes de lamentação, de pranto e de choro, são de Raquel, que chora os seus filhos e não quer ser consolada acerca deles, porque já não existem.” (Jr 31,15).  

Que triste ironia: os magos vêm de longe para adorar e proclamar o nascimento do Messias e partem, deixando atrás de si um rastro de sangue, um rio de lágrimas, desolação, morte e desespero provocado pela ganância, sede de poder e autoritarismo de um débil mental que não mediu consequências para se manter no poder...

Na passagem dos magos do Oriente que vieram adorar o Menino Deus, deparamo-nos com uma estrela: “... nós vimos a sua estrela no oriente...” (Mt 2,2), e essa estrela para nós, à primeira vista, não passa de uma coisa romântica e poética, que serve apenas para deixar a narrativa mais bonita, mais emocionante.  

A estrela de Belém tem um papel preponderante no contexto evangélico. Mateus cita essa estrela até o encontro dos magos com o Menino e não mais faz referência a ela na volta dos magos para as suas terras. Quando encontram o Menino com sua mãe, a estrela simplesmente desaparece porque já havia cumprido a sua missão: a de levar até Jesus homens sedentos da verdade, ansiosos da Boa Nova e com os corações cheios de fé e, depois desse encontro, preocupados em mudar de vida e de mentalidade.

Essa estrela é o símbolo do cristão autêntico. A estrela, simplesmente, trouxe os magos até onde estava Jesus. Essa foi a função da estrela.

Os cristãos têm por função fundamental a de levar todos os homens até onde está Jesus e apresentá-los a ele, e depois... sair de cena...  Essa é a função do cristão.

A estrela brilhou na escuridão e se destacou dentre todas as demais que havia no céu e jamais se perdeu em qualquer constelação, mas sempre se manteve em evidência para que os magos não a perdessem de vista em hipótese alguma.

O cristão, como a estrela de Belém, deve sempre manter-se em evidência, viver uma vida diferente daquela que os homens do mundo levam; uma vida de testemunho de quem acredita que aquele que nasceu num curral de animais é verdadeiramente “o Cordeiro de Deus” (Jo 1,36), o Filho de Deus “que se fez homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus”.

O brilho do cristão deve ser o seu modo de vida porque é vivendo como verdadeiros seguidores de Jesus Cristo que se destacam no meio de todos os homens e, através desse brilho que vem do alto todos os homens possam vê-lo e identificá-lo no meio da multidão e da escuridão do mundo, e possam seguí-lo ao encontro do “Caminho, verdade e vida” (Jo 14,6) que é Jesus.

Os magos, ao adorarem o Menino Deus, fizeram ver ao mundo que a estrela havia cumprido a sua missão e, a partir daquele momento desaparecido de cena.

O cristão, como a estrela de Belém, depois de conduzir todos à presença do Divino Mestre, deve também sair de cena para que somente apareça Jesus e somente Jesus seja colocado em evidência na vida de todos os homens.

Não foi isso que aconteceu, também, com Maria? Nas bodas de Caná e depois de dizer aos serventes: “Façam o que ele mandar” (Jo 2,5), saiu de cena para que Jesus dissesse a que veio:

·         “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas [...] conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou a vida pelas ovelhas”. (Jo 10, 11.14-15).

sábado, 2 de janeiro de 2021

 

ADEUS ANO VELHO... FELIZ ANO NOVO...

 

Chegamos ao final de mais um ano; mais um ano vivido em nossa existência; estamos no alvorecer do ano novo. Quantas coisas aconteceram no ano  que se findou; quantas crianças nasceram, quantos entes queridos se foram para a casa do Pai, quantas coisas boas aconteceram, quantas situações desagradáveis nos foram impostas.

Para uns, o ano que passou foi um ano de realizações, de alegria e felicidade; para outros apenas um ano de luta onde a rotina imperou; para outros, ainda, desilusões, tristezas, amargura, sofrimento, enfim, para todos, o ano velho chega ao final.

Neste ano que se findou quanto amamos, quantos bens fizemos, quantas injustiças cometemos, quantas negações aos nossos ideais.

Neste momento, o que tenha acontecido no ano que passou de bom deve ser renovado, e o que aconteceu de não tão bom deve ser aproveitado como lição de vida para que não se repita.  

O ano novo já é uma realidade, mas a vida continua dentro de sua normalidade.

Quando se inicia um ano novo, temos a esperança de que muitas coisas mudarão, muitas dificuldades serão sanadas, muitos problemas vão ser resolvidos, muitas coisas boas acontecerão; mas, para que  a nossa vida possa melhorar no ano que se inicia depende de nós, somente de nós.

A nossa vida melhorará na medida em que formos melhores no ano que se finda.

Para termos uma vida melhor, com a consciência mais tranquila, para que a paz reine em nosso lar, no nosso trabalho, no nosso círculo de amizade, grande parte depende de nós, somente de nós.

Não adianta querermos a paz, se só promovemos a discórdia.

O ano novo será bom na medida em que cada um de nós for bom; o ano que se inicia será melhor que o ano que termina dependendo da maneira em que formos melhores do que fomos no ano que passou.

Todos temos boa vontade de progredir; todos deveríamos ser um instrumento de paz.  

Cada criatura humana pode ser, na realidade, um instrumento de paz, daquela paz verdadeira, da paz que somente Deus pode dar.

O maior obstáculo à paz consiste na maneira egoísta que cada um quer somente para si o que pertence a todos.

Neste ano novo que se inicia deveríamos  tomar como tema e lema e como um objetivo a ser alcançado, a maravilhosa oração do pobrezinho de Assis, Francisco de Assis: “Senhor, faze de mim um instrumento de tua paz...” Instrumento da paz de Deus em todos os ambientes onde possa imperar o ódio, a inveja, a ofensa, a discórdia, a dúvida, o desespero, a tristeza, a mentira...

Quem se propor a viver assim, com o esforço de cada dia, constante e sincero,  há de ser um instrumento de paz nas mãos de Deus, e conseguirá levar amor, compreensão, perdão, fé, união, verdade, esperança, alegria e consolação a toda parte e a toda gente.

Neste ano novo deveríamos ter como programa de vida esta linda oração do Pobrezinho de Assis; mas este programa de vida requer uma grande dose de boa vontade; e não foi exatamente aos homens de boa vontade que Deus prometeu a paz??? “Glória de Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade.” (Lc 2,14).

É levando a paz aos outros que cada um de nós terá esse tesouro no próprio coração.

Se não tivermos paz não podemos transmitir a paz, porque ninguém pode dar o que não tem, mas, é dando que se recebe... Dando a paz é que recebemos a paz.

Cada um de nós possui a paz no coração, mas, muitas vezes o nosso egoísmo impede os outros de a terem. No ano novo que se inicia sejamos instrumentos da paz que vem de Deus.

Comecemos o ano pedindo a Deus com Francisco de Assis:

 

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor;

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;

Onde houver discórdia, que eu leve a união;

Onde houver dúvida, que eu leve a fé;

Onde houver erro, que eu leve a verdade;

Onde houver desespero, que eu leve a esperança;

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre,

Fazei que eu procure mais

Consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois, é dando que se recebe,

é perdoando que se é perdoado,

e é morrendo que se vive para a vida eterna.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

 

SANTA MARIA, MÃE DE DEUS

 

No dia primeiro de janeiro, no primeiro dia de cada ano, a primeira festa litúrgica comemorada pela nossa Santa Igreja é dedicada à Maria, sob o título de “Mãe de Deus”.

A Igreja começa o ano  festejando Maria e a invocando sob o título de “Mãe de Deus”. Não poderia a Igreja ter feito uma escolha melhor.

Quando festejamos Maria como a “Mãe de Deus”, estamos adorando ao Senhor Nosso Deus, estamos agradecendo ao Senhor pela mulher que ele mais amou e que escolheu para ser a sua própria mãe. Muitos querem negar esse título a Maria.      

Os que negam Maria como sendo verdadeiramente a Mãe de Deus, ainda não foram tocados pela graça de Deus, porque somente quem é tocado  pela graça de Deus pode dizer que Jesus é o Senhor e que Maria é a mãe do Senhor Jesus, e, portanto, a Mãe de Deus.

Quem nega que Maria é a Mãe de Deus está negando a divindade do próprio Senhor Jesus, porque Maria é a Mãe de Jesus nas suas duas naturezas, humana e divina, e Maria, sendo mãe de Jesus homem é também Mãe de Jesus Deus, e, portanto, Maria é Mãe de Deus, porque o Senhor Jesus é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Maria foi escolhida por Deus desde toda a eternidade para ser a ponte que ligaria o Criador às criaturas e, através desta ponte nos viria a salvação.   

E assim, como Jesus que é Deus veio até nós por meio de Maria, somente por meio de Maria é que chegaremos a Jesus; foi o próprio Senhor quem escolheu esse caminho para chegar até nós e o exemplo, quem nos deixa é o próprio Senhor Nosso Deus; se ele escolheu Maria para chegar até nós, nós também temos de escolher Maria para chegar com mais facilidade até ele. Jesus confiou em Maria; Jesus se entregou aos cuidados de Maria durante nove meses em seu ventre virginal e imaculado e durante trinta anos em sua casa pobre e humilde de Nazaré; e nós devemos nos entregar aos cuidados de Maria a vida inteira seguindo o exemplo do próprio Senhor Jesus que a escolheu como Mãe.  

Neste mundo nenhuma criatura foi tão elevada, tão agraciada e tão honrada pelo Senhor Nosso Deus do que a Bem-aventurada sempre Virgem Maria.

A nossa Igreja a venera e lhe dá todos os títulos que uma mulher possa ter e receber.     Maria se fez escrava, e o Senhor fez da escrava uma rainha. E, para ser a Mãe de Deus, Maria foi preparada pelo próprio Senhor Nosso Deus desde a sua concepção no ventre de sua mãe. Maria foi concebida sem a mácula do pecado original; em momento nenhum de sua vida, aquela que deveria ser a Mãe de Deus, esteve, um segundo sequer, sob o poder do demônio.         Maria nasceu isenta do pecado que é a herança de todos os homens,  o pecado original, e em toda a sua vida jamais cometeu um pecado, por menor que seja. Aquela que deveria ser a Mãe de Deus não poderia jamais ficar sob o poder do demônio.

O demônio jamais teve poder sobre Maria, e Maria é mais poderosa que todos os demônios juntos. Ao nome de Maria os infernos tremem, ao pronunciarmos nome de Maria os demônios fogem horrorizados.

Quem se consagra a Maria, quem se consagra totalmente  aos cuidados de Maria está protegido contra os ataques do maligno, porque, nunca se ouviu dizer que qualquer pessoa que tenha se consagrado inteiramente a Maria tenha sido por ela desamparado ou tenha se perdido eternamente, conforme ensinava São Bernardo.

Maria é a Mãe de Deus, porque Maria é a Mãe de Jesus, e Jesus é Deus.

Jesus amou Maria com todas as forças do seu Divino Coração, e nós devemos seguir esse exemplo de Jesus; devemos amar Maria com todas as forças do nosso coração. É um exemplo que o próprio Senhor Jesus nos dá e nos incentiva a imitá-lo.

E Maria, sendo a Mãe de Deus, permaneceu sempre Virgem, porque o Senhor Nosso Deus quis guardar para si, somente para si, intacto e inviolado aquele corpo onde ele, Deus, foi gerado como homem, aquele corpo que o protegeu e o carregou por nove meses, aquele corpo que o formou com sua carne, fez correr em suas veias o seu sangue e o alimentou com o seu leite materno. Maria é a sempre Virgem, porque nenhum homem poderia ter tocado aquele corpo que serviu de instrumento e sacrário vivo para que Deus se tornasse homem e viesse habitar entre nós.

Maria é verdadeiramente concebida sem o pecado original; Maria é verdadeiramente a sempre Virgem; Maria é verdadeiramente a Mãe de Deus, quer queiram quer não queiram os inimigos da Igreja e de Maria, porque, quem negar essas verdades estará negando  o grande poder de Deus que fez Maravilhas em Maria, e por isso o seu nome é santo.

São comemorados, também, neste dia: São Basílio d’Aix-em-Provence (bispo), São Claro de Saint-Marcel (abade), Santo Eugênio de Condat (abade), São Félix de Bourges (bispo), São Fulgêncio de Ruspe (monge e bispo), São Fulgêncio e São Vicente Maria Strambi, Santo Agripino Frodeberto (bispo), São Justino (bispo), Santo Almáquio (mártir), São Concórdio (mártir), Santa Beatriz (vrigem), Santa Eufrosina (virgem), Santo Odilon (abade), São Guilherme (abade).