domingo, 7 de novembro de 2021

 

“VENHAM BENDITOS DE MEU PAI! RECEBAM COMO HERANÇA O REINO QUE MEU PAI PREPAROU PARA VOCÊS DESDE A CRIAÇÃO DO MUNDO”. (Mt 25,34).

 

TODOS OS SANTOS

Ano – B; - Cor: branca – Leituras: Apo 7,2-4.14; Sl 23,1-4b.5-6; 1Jo 3,1-3; Mt 5,1-12a.

 

Diácono Milton Restivo

 

O dia de Todos os Santos é comemorado no primeiro dia de novembro, que antigamente também era feriado, mas, como deixou de ser feriado, a Igreja transfere esta comemoração de Todos os Santos para o primeiro domingo do mês de novembro.

O dia de Todos os Santos, como sugere a comemoração, é dedicado a todos os santos e santas existentes; aos santos e santas que conhecemos e aos santos e santas que não conhecemos; aos santos e santas que sabemos o nome e a sua história, e aos santos e santas que não sabemos o nome nem a história de sua vida e que jamais ouvimos falar ou ouviremos falar; aos santos e santas que conviveram conosco e nos anteciparam na casa do Pai e lá estão nos aguardando.

Esta data é dedicada a todos os santos e santas que todos conhecem o seu nome e às santas e santos anônimos.

A festa de Todos os Santos é uma das comemorações mais antiga e mais importante do calendário litúrgico; é a festa da família de Deus, da família da Igreja de Jesus Cristo.

A fé apresenta-nos as santas e os santos todos como nossos irmãos e irmãs que viveram em épocas e lugares diferentes. A fé apresenta-nos os santos e santas como membros da mesma família, da família a qual todos pertencemos através do batismo.

Como membros dessa família, devemos encher-nos de alegria e congratularmos-nos com os nossos irmãos e irmãs que já venceram o mundo, a carne e os contratempos e se acham, agora, num lugar onde não há mais lágrimas, sofrimento, tristeza ou dor.

A Igreja apresenta os santos e santas como modelos de vida cristã e nos orientam na penosa viagem para a casa do Pai; eles já passaram pelo que estamos passando, viveram os problemas que estamos vivendo e, por isso, indicam-nos os meios que devemos aplicar para chegarmos ao porto da salvação. E esses meios que eles usaram e nos ensinam, é a observação dos mandamentos, da Lei de Deus, a observação do amor, da caridade e da partilha ao próximo, os mandamentos da lei da Igreja, trabalho, oração, mortificação, e aceitação dos sofrimentos que não podemos evitar.

A festa de Todos os Santos é, para nós que ainda caminhamos neste vale de lágrimas, um dia de alegria, de consolo e de animação: eles foram como nós e conseguiram, nós também somos como eles e podemos e devemos conseguir.

Os santos e santas foram o que somos hoje: homens e mulheres lutadores e, muitos dentre eles, grandes pecadores que reconheceram em Jesus a salvação e a ele aderiram incondicionalmente. Os santos e santas foram o que nós somos hoje, e nós seremos o que eles são: “Benditos do Pai”. Temos dentro de nós a semente da esperança do céu.

Quem tem esperança, santifica-se. Cremos na vida eterna.

Na luta, na dor, no desânimo e nas tribulações, lembremos-nos da glória que nos espera. Daqui a pouco tudo estará acabado e podemos, nós mesmos, se seguirmos os ensinamentos de Jesus Cristo e os exemplos dos santos e santas, experimentar e nos deliciar com as maravilhas celestes antecipadas por Paulo Apóstolo:

·         “Olho algum viu, ouvido nenhum ,ouviu, nem jamais veio à mente do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam.” 1Cor, 2, 9).

Santos e santas não são somente os que gozam da veneração da família cristã.

Todos os que estão na casa do Pai, gozando da eterna bem-aventurança da presença de Deus são os nossos santos e santas, saibamos ou não os seus nomes, as suas histórias, os seus sacrifícios, os seus martírios. Os nossos parentes, amigos, benfeitores, os nossos antepassados que já passaram por esta vida, por este vale de lágrimas, e que agora gozam da eterna bem-aventurança, são os santos e santas que comemoramos no dia de Todos os Santos; são os santos e santas anônimos da nossa festa.

Quantos conhecidos nossos e que conviveram conosco lá estão e são comemorados no dia de hoje. Com quantos santos convivemos e que hoje, na glória eterna, eles rezam por nós, velam por nós. Se estão na glória de Deus Pai são santos e santas e simplesmente, para serem santos e santas, não há a necessidade de terem sidos canonizados e frequentarem o ensejo da veneração do povo.

Nesta festa de Todos os Santos somos convidados a lançar um olhar nas magníficas habitações celestes e contemplar as multidões de santos e santas, aqueles benditos do Pai que se acham no reino que lhes foi preparado desde o princípio dos tempos:

·         “Venham vocês, que são abençoados pelo meu Pai. Recebam como herança ao Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo”. (cf Mt 25,34).

Não há espetáculo aqui na terra, por mais belo e atraente que seja que possa ser comparado com a grandiosidade do céu que hoje abre-se à nossa vista, por isso repito os dizeres de Paulo:

·         “Olho algum viu, ouvido nenhum ouviu, nem jamais veio à mente do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam.” 1Cor, 2, 9).

Todos sabemos e temos conhecimento, principalmente através das folhinhas e dos calendários que a nossa Santa Igreja, em cada dia do ano nos propõe a veneração, a memória e a lembrança de um ou mais santos e santas, de um ou mais bem-aventurados que foram modelos de perfeição cristã como a nos estimular na prática da virtude que nos leva ao nosso destino eterno, a verdadeira imortalidade para a qual foram criados todos os homens.

Todos os dias veneramos um ou mais santos.

Todos os dias é dia de algum santo, conhecido ou não.

Mas, mesmo nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano, mesmo que veneremos centenas de santos por dia, jamais veneraríamos todos os santos que estão na casa do Pai.

Claro, não os conhecemos a todos; são centenas de milhares, canonizados ou não, que são venerados ou não. E é por isso que a nossa Santa Igreja, na sabedoria que lhe transmite o Espírito Santo, instituiu o dia de Todos os Santos, para que nenhum santo ou santa ficasse no esquecimento, seja ela ou ele conhecido ou não.

No dia de Todos os Santos veneramos os nossos irmãos e irmãs que se encontram na glória eterna gozando das bem-aventuranças eternas.

Não é necessário ser canonizado para ser santo.

A Igreja simplesmente canoniza alguns para que sirvam de modelo de vida cristã a todos os demais que caminham neste vale de lágrimas, mas, em comparação às centenas de milhares de santos que se encontram na casa do Pai, os canonizados são poucos, pouquíssimos mesmo.

Todos os que estão no céu, gozando da presença beatífica de Deus, são santos e santas.

Todos os que viveram em plenitude as bem-aventuranças pregadas por Jesus Cristo e que foram perseguidos por amor da justiça e do nome do Senhor, são santos e santas. E é por isso que a Igreja, na comemoração do dia de Todos os Santos, através dos Santos Evangelhos, lembra a todos as bem-aventuranças pregadas por Jesus a todo o povo, do alto de uma montanha.

Quem levou e leva a serio essas bem-aventuranças e, quem é injuriado, perseguido, caluniado e maltratado por segui à risca as bem-aventuranças pregadas, ensinadas e vividas por Jesus, já é santo e santa nesta terra e, quando partir para a casa do Pai, será recebido com festas na morada eterna que Deus Pai preparou para todos.

Santos e santas não são somente aqueles que já gozam da presença eterna de Deus Pai.

Temos muitos santos e santas que hoje estão caminhando conosco, ao nosso lado, vivendo conosco no nosso dia-a-dia, padecendo conosco as agruras da vida, rindo conosco nas mesmas alegrias e chorando nas mesmas lágrimas as nossas tristezas e procurando viver as bem-aventuranças pregadas, ensinadas e vividas por Jesus Cristo.

Santos somos todos nós que vivemos a vida da graça, que vivemos a vida de Deus.

·         “A terra está cheia de santos. São os pobres e os aflitos, gente que chora porque foi privada das coisas mais necessárias para sobreviver ou porque foram atingidas injustamente naquilo que existe de mais sagrado. Santos são os mansos deste mundo, os que não tem forças para se defender, os que não podem levantar a voz para reclamar os seus direitos. Santos são os que tem fome e sede de justiça, que não se conformam com este mundo violento... Santos são os misericordiosos que aprenderam com Jesus Cristo a lei do perdão e do amor. Santos são os puros de coração que nunca se deixaram levar pela corrupção... Santos são os que promovem a paz, fonte de todos os bens, princípio da alegria...” (Padre Virgílio, 07.11.82). 

Santos somos todos que caminhamos seguindo as pegadas de Jesus Cristo neste vale de lágrimas. E hoje comemoramos os nossos falecidos, os que nos anteciparam na casa do Pai.

Todos nós, sempre e de um modo especial, nos lembramos dos nossos falecidos.

Todos temos, dentro de nós, uma lembrança, um vazio deixado por alguém a quem amamos e que partiu para a vida que não se acaba mais. Todos, de uma maneira ou de outra, conhecemos a dor do luto, lamentamos o lugar que ficou vazio na mesa, no sofá da sala, reclamamos a voz que se calou, sentimos a falta da presença que se tornou ausência.

Em muitos lares, senão em quase todos, já passou a figura tenebrosa e indesejável da morte, e a morte já levou muitos dos nossos entes queridos.

Se não conhecêssemos Cristo e a sua mensagem, talvez não houvesse esperanças em nossos corações e nossa vida seria uma fuga eterna da morte, uma fuga de uma realidade que nenhum ser vivente sobre esta terra poderá se livrar; o que nos conforta, quando pensamos sobre a morte ou somos atingidos por ela através de um ente querido são as palavras de Jesus Cristo:

·         “Em verdade, em verdade eu lhes digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte.” (Jo, 8,51).

Até Jesus e a sua Mãe, Maria, conheceram a morte e passaram por ela; passaram, mas venceram a morte, dando-nos a esperança e a certeza de uma vida plena depois desta vida, a vida que não se acaba, a vida eterna, a vida que o Senhor Jesus veio nos trazer em abundância, Jesus afirma isso no seu Evangelho quando conversava com as irmãs de Lázaro, Marta e Maria:

·         “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre.” (Jo, 11, 15-26).

A morte é, para o cristão, apenas a passagem que une o nosso tempo à eternidade; a morte é a porta que se abre para que possamos entrar na vida que Jesus Cristo preparou para todos,

·         “e não nos devemos admirar porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que fizeram o bem, sairão para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal, para a ressurreição do juízo.” (Jo, 5,28-29).

 Quando morre alguém da nossa família, do nosso círculo de amizade, choramos, e às vezes choramos muito. É bom chorar, é necessário que se chore porque as lágrimas sinceras são as provas mais evidentes do amor que tínhamos por aquela pessoa que se foi; as lágrimas são a demonstração e a exteriorização dos nossos sentimentos mais sinceros e mais íntimos. Todo cristão chora quando um ente querido parte para a vida eterna. Mas o cristão não chora de desespero nem de revolta.

O cristão chora, sim, mas de saudade.

Sentimos saudade do ente querido que se foi, mas temos confiança nos ensinamentos evangélicos de Jesus, acreditamos na sua mensagem e temos a certeza evangélica de que os nossos entes queridos que conviveram longo tempo conosco neste vale de lagrimas e que ouviram a voz do Bom Pastor e fizeram parte do seu rebanho, agora, depois de sua morte, estão na glória de Deus Pai, na casa do Pai onde, segundo uma das promessas de Jesus, existem muitas moradas:

·         “Não se perturbe o seu coração; creia em Deus, creia também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse eu não teria dito isso para vocês, porque eu vou preparar um lugar para vocês. Quando eu tiver ido e tiver preparado um lugar para vocês, de novo voltarei e tomarei vocês comigo, para onde eu estiver estejam  também vocês.” (Jo 14,1-3).  

Paulo, na sua carta aos Romanos, escreveu, para nos confortar, a respeito da morte:

·         “Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Pelo batismo fomos sepultados com ele na morte, para que assim, como Cristo foi ressuscitado dos mortos por meio da glória do Pai, assim nós também possamos caminhar numa vida nova. [...] Mas, se estamos mortos com Cristo, acreditamos que também vivemos com ele, pois sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais: a morte não tem poder sobre ele. (Rm 6,3-4.8-9).

Paulo, através dessa carta nos dá a certeza que a vida eterna já começou aqui e agora em nós pelo batismo e pela fé no Senhor Jesus.

João Evangelista, com sua mensagem de fé e amor, também nos conforta a todos e nos dá a certeza de que, um dia, após a nossa morte, veremos realmente a Deus tal qual ele é.

Na sua primeira carta, João escreve:

·         “Filhinhos, vejam como é grande o amor que o Pai tem por nós! Seu amor para conosco é tão grande que ele nos deu a graça de sermos chamados “Filhos de Deus”, e o somos de fato. O mundo não nos conhece, porque não conhece a Deus. Meus queridos amigos, já somos filhos de Deus aqui e agora, embora, externamente ainda não apareça o que vamos ser. Mas sabemos, com certeza, que, quando aparecer, seremos semelhantes a ele porque o veremos como ele realmente é. Todo aquele que tem essa esperança nele se torna puro, como também ele é puro.” (1Jo 3,1-3).

O que nos conforta sobre os pensamentos que temos sobre os nossos falecidos são as palavras de Jesus:

·         “Deus, não é Deus dos mortos, e sim dos vivos, porque para ele todos vivem.” (Lc 20,38).

Tudo isso revigora a nossa certeza de que os nossos mortos, os nossos entes queridos por quem a gente derramou copiosas lágrimas de dor e saudade, todos eles estão na casa do Pai.

sábado, 6 de novembro de 2021

 

“MARIA, A MÃE DE JESUS” (At 1,14).

 

Segundo o testemunho dos quatro Evangelistas, Maria, antes de tudo e em todos os níveis, é a “MÃE DE JESUS’.

Quando Maria deu à luz Jesus Cristo, (Lc 1,1-7), sua tarefa estava apenas começando que, como mãe, assim como todas as mães, teve de cuidar, educar e criar seu filho.

Maria esteve sempre presente com Jesus em toda a sua vida terrena, desde o seu nascimento (Lc 1,1-7), até a sua morte de cruz no Calvário (Jo 19,25-27). Obviamente, foi ela quem primeiro tocou, afagou, abraçou, beijou, banhou e envolveu Jesus em mantos e fraldas em seu nascimento.

Foi nos braços de Maria que Jesus foi apresentado às sus primeiras visitas, os pastores, que haviam sido alertados  por uma milícia celeste de Anjos sobre o nascimento do Salvador (Lc 1,8-20). Foi nos braços de Maria que Jesus foi conduzido e apresentado no templo, para que fosse cumprida a Lei de Moisés, e lá, nos braços de Maria, o velho Simeão e a profetisa Ana, inspirados pelo Espírito Santo, anteviram o destino do menino e as dores pelas quais sua mãe passaria: “Eis que este menino  está posto para a ruína e para ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. E uma espada trespassará a tua alma, a fim de descobrirem os pensamentos escondidos nos corações de muitos”. (Lc 2,34-35).

Foram os braços de Maria que serviram de altar e trono onde estava depositado o Menino Jesus para que os magos, que vieram do Oriente, o adorassem e lhe ofertassem presentes: ouro, incenso e mirra, como símbolos de majestade, oração em permanente contato com o Pai, e sofrimento extremo (Mt 2,1-12).

E a primeira espada preconizada pelo velho Simeão não se fez de rogada para acontecer; Herodes, ao se ver enganado pelos magos, (Mt 2,16-23), ordenou a morte dos meninos de Belém e arredores, de dois anos para baixo, e foram os braços de Maria que envolveram, protegeram  e apertaram contra o seu seio maternal, durante longos dias sob o calor abrasador e causticante do deserto e intermináveis dias de sol tórrido e noites gélidas e tenebrosas, levando-o para as longínquas terras do Egito, lugar seguro e longe do perigo da sanha assassina de Herodes, preservando a sua vida e cuidando para que nenhum mal lhe acontecesse, cumprindo-se, assim a profecia de Oséias que dizia: “...do Egito chamei meu filho.” (Os 11,1), e Jeremias: “Em Ramá se ouve uma vós, uma lamentação, um choro amargo: Raquel chora seus filhos, ela não quer ser consolada por seus filhos, porque eles já não existem.” (Jr 31,15).

E a segunda espada que trespassaria a alma de Maria não tardaria a chegar; quando Jesus completou doze anos de idade saiu com sua mãe, Maria, e seu pai adotivo, José, da cidade de Nazaré, segundo o costume dos judeus, e foi até a cidade de Jerusalém, para a festa da Páscoa, uma distância de, aproximadamente, cem quilômetros.

Na volta, Maria, sempre preocupada com seu filho Jesus, nota que ele não está na comitiva que reunia somente as mulheres. Julgou que ele estivesse na comitiva que reunia os homens e, ao observar que o menino não se encontrava nem entre as mulheres e nem entre os homens, que caminhavam durante o dia separados em grupos e à noite se agrupavam para que a família pernoitasse reunida, ela e José voltam desesperados para Jerusalém à procura do jovenzinho Jesus, e lá o encontraram, depois de três dias de angústia, sofrimento e intensa busca, no templo, conversando sobre as coisas do Pai com os doutores da lei. Maria, com o coração apertado e com a voz trêmula, amorosamente repreende seu filho Jesus, dizendo: “Filho, porque você procedeu assim conosco? Eis que seu pai e eu lhe procurávamos cheios de aflição”, e Jesus com sabedoria e prontamente, procura acalmá-la e aproveita a oportunidade para antecipar a sua missão neste mundo, o porque de sua vinda até nós:- “Porque vocês me procuravam? Não sabem que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Lc 2,48-49).

A “espada” profetizada pelo velho Simeão, até então, já entrara em ação por duas vezes, traspassando a alma de Maria causando-lhe angustiantes  dores e sofrimentos: fugindo para o Egito para escapar do espírito assassino de Herodes que queria matar seu pequeno Jesus, e, aos doze anos de idade, por tê-lo perdido em Jerusalém e ficado por três dias à sua busca, não descansando até encontrá-lo.

E, coisa interessante, a última referência que temos sobre a infância e adolescência de Jesus, e nesse período estando sempre presente a figura protetora e maternal de Maria acontece nessa oportunidade, quando Jesus tinha doze anos de idade e, com os seus pais, fora até Jerusalém para comemorar a páscoa dos judeus.

Dos doze anos de idade até a sua idade adulta, aproximadamente trinta anos, nenhum dos quatro Evangelistas ousou fazer qualquer referência, qualquer comentário; nenhum deles narra qualquer fato histórico ou doutrinário sobre a vida de Jesus durante esse período.

Porque? O Evangelista Lucas apenas referencia a volta de Jesus de Jerusalém, após a festa da Páscoa, para Nazaré quando ele tinha doze anos de idade: “Desceu com eles, foi a Nazaré e era-lhes submisso.” (Lc 2,51), isto é, foi um filho obediente, amoroso, prestativo, compreensivo, ajudando a sua mãe nos afazeres domésticos e auxiliando seu pai na oficina de carpintaria aprendendo a profissão de seu pai adotivo.

Naquela casa pobre e humilde de Nazaré Jesus, Deus que se fez homem, estava sob a guarda de duas de suas criaturas, as mais santas, as mais puras que já pisaram o nosso chão para merecerem tão divina missão. Ali era o ponto de contato entre o céu e a terra e, bem por isso, Evangelista algum tentou penetrar o segredo maravilhoso e o amor imenso vivido por essas três pessoas: Jesus, Maria e José, uma Sagrada Família, ou, a Sagrada Família por excelência.

Lucas, o Evangelista da infância de Jesus, não deixa passar despercebido um detalhe que somente quem tem um coração extremamente sensível poderia ter observado: “Sua mãe conservava todas essas coisas no seu coração.” (Lc 2,51).

Como Maria deve ter acompanhado a par-e-passo todos os movimentos, todas as palavras, odos os impulsos, todas as reações, todos os sentimentos e movimentos de seu filho Jesus, que ela sabia ser também o Filho de Deus; e ela, por toda a sua vida, “...conservava todas essas coisas no seu coração.” (Lc 2,51).

E os Evangelistas se calam nesse período; apenas Lucas deixa por conta do coração de Maria registrar e conservar tudo o que tenha acontecido, e volto a pergunta: porque?

Essa vida oculta de Jesus, Maria e José em Nazaré deve ter sido maravilhosa, divina e para que não fosse profanada ou mal interpretada e transmitida, nenhum dos Evangelistas ousou retratá-la, deixando para que a imaginação de cada um de nós navegasse sobre as coisas maravilhosas e divinas  que conversaram e viveram Jesus e sua mãe, Maria, nesse período; o período da preparação de Jesus para o início de sua vida pública “...para se ocupar das coisas do Pai.” (Lc 2,51).

E Lucas complementa sobre a infância de Jesus afirmando: “Jesus crescia em sabedoria, em estatura  e em graça diante de Deus e diante dos homens.” (Lc 2,52). Poderia ter havido alguma maneira mais digna e perfeita de um jovenzinho se tornar homem?

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

 

PADRE MARIANO DE LA MATA APARÍCIO

 

Mariano de La Mata Aparício nasceu na Espanha, em 31 de dezembro de 1905, e veio ao Brasil em agosto de 1931, um ano após a sua ordenação sacerdotal.

Mariano veio ao mundo numa família amorosamente católica, de oito filhos, sendo que todos os quatro homens tornaram-se agostinianos, e os casamentos de suas irmãs deram-lhe vinte e sete sobrinhos, dos quais três sacerdotes e três religiosas missionárias.

Mariano chegou primeiro na cidade de Taquaritinga, Estado de São Paulo, onde trabalhou como vigário capelão do colégio das Irmãs Agostinianas Missionárias.

Passou por São José do Rio Preto onde deu aulas no Colégio São José, da congregação dos Agostinianos e depois foi capelão no asilo no distrito de Engenheiro Schimit, São José do Rio Preto, onde celebrava na Igreja de Santa Apolôlia e atendia a paróquia de Cedral, aproximadamente quinze quilômetros de onde estava, fazendo esse percurso sempre à pé. Depois foi transferido para a capital paulista, onde permaneceu até a sua morte.

Em vida, não realizou ações extraordinárias aos olhos do mundo, levando uma vida aparentemente comum nesta imensa cidade de São Paulo, mas viveu um heroísmo autêntico, e teve o Amor a Deus como incentivo maior, até nos seus mínimos gestos.

A partir de 1961 padre Mariano viveu no Colégio-Paróquia Sto. Agostinho, como professor, diretor espiritual e vigário paroquial.

As pessoas que o conheceram dão testemunho de como foi a sua vida, especialmente o Vice-Postulador da causa de sua beatificação, padre Miguel Lucas, que narrou sua vida e a reproduziu em pinturas.

A sobrinha agostiniana, Irmã María Paz, disse: “Conhecer Pe. Mariano e não conhecer o Amor de Deus era impossível. Usava qualquer pretexto para falar de Deus aos outros”.

Padre Mariano era chamado “mensageiro da caridade”, porque percorria as ruas de São Paulo visitando as dezenas de casas das Associações de Santa Rita de Cássia, onde se faziam roupas para os pobres; foi diretor espiritual dessa obra por quase 31 anos.

Procurava recursos para socorrer os necessitados. Ficou conhecido por distribuir santinhos e medalhas de santo Agostinho e santa Rita de Cássia aos operários de uma grande construção próxima à igreja onde trabalhava. Sempre levava-lhes, também, alimento, e muita fé e coragem. Era um sacerdote zelosamente cumpridor de suas obrigações ministeriais.

Madrugava muito; pouco depois das seis horas já se podia vê-lo a preparar o Altar para as Missas. Destacou-se pela visita aos doentes: era um bálsamo para os enfermos, levava a eles a Eucaristia e os demais Sacramentos, a qualquer hora do dia ou da noite.

Nas horas de angústia e dor, consolava as viúvas e filhos dos falecidos. Era como um pai para todos. Padre José Luiz Martínez, que conviveu muito com o padre Mariano, testemunha que “nos momentos mais difíceis a sua presença era desejada, porque significava um elemento de equilíbrio e de paz”.

Sempre conciliador, às vezes alguém o enganava, ou melhor, ele se deixava enganar, desde que isso servisse para ganhar outros para Deus.

Nunca falava mal do próximo, nem comentava defeitos alheios. Relacionava-se tão bem com os pobres quanto com os ricos piedosos, e com as autoridades.

Padre Mariano tinha uma alma alegre, e uma simplicidade contagiante e acolhedora. Nunca se vangloriava das suas qualidades, mesmo ao exercer cargos importantes.

Como professor era muito querido pelos alunos, porque sabia, sem perder a autoridade, fazer de cada um deles um amigo.

Estava sempre disposto a sacrificar seus direitos pelo bem da unidade. Extrovertido, festejava os sucessos dos outros. Cecília Maria de Queiroz, secretária da Igreja de santo Agostinho, relembra: “Padre Mariano falava muito da devoção ao Terço. Vi-o muitas vezes caminhar de um lado ao outro, rezando com o Breviário e seu Terço. Recomendava-nos rezar muito e sempre. Punha as coisas de Deus sempre em primeiro lugar”.

Padre Mariano pode ser considerado também um protetor dos esportistas.

Padre Mariano não só organizava, orientava e motivava jovens atletas, mas aconselhava-os antes das competições. Num programa de rádio, ele disse: “Os jogos, além de enrijecer os músculos do corpo, fortalecem a vontade, fomentam o companheirismo, reanimam o coração nas lutas que se apresentam e oferecem descanso ao intelecto que reclama algumas horas de lazer”.

A manifestação de santidade de uma pessoa cresce ao longo da vida e às vezes atinge o auge nos momentos finais. Aquele que com tanta dedicação cuidou dos doentes, foi visitado pela doença. Numa tarde de 1983, padre Mariano sentou-se numa escada do Colégio, o que não era comum para ele, sempre cheio de energia e disposição.

Perguntado por que se sentara ali, respondeu: “Sinto como se um gato me arranhasse o estômago...”. Era o câncer. Aceitou e suportou a doença com grande resignação. Sofria grandes dores mas esquecia de si e preocupava-se com os outros doentes do Hospital do Câncer, onde fora internado. Apesar dos sofrimentos, conservava a alegria.

Seus gestos de amor para com os visitantes, pessoal do serviço e demais enfermos causavam admiração. Na Quinta-Feira Santa, recebeu a visita dos confrades, dos amigos e do Cardeal-Arcebispo Dom Evaristo Arns. Insistiu com sua sobrinha, Irmã María Paz, para ir visitar a unidade de crianças com câncer. Pediu que todos fossem celebrar juntos a Eucaristia. Passou tranquilo a noite, mas na manhã seguinte tinha muita dificuldade em falar. À

 tarde já não falava, e assim permaneceu no Sábado Santo e Domingo de Páscoa. Na segunda- feira após a cristandade celebrar a Ressurreição do Senhor, perto das oito da manhã, partiu padre Mariano para celebrar no Céu a Páscoa eterna: sem nenhum movimento, sem o mínimo gesto, simplesmente parou de respirar, inclinando suavemente a cabeça para a direita...

Tinha 78 anos de idade. Era 5 de abril de 1983. O milagre necessário para a beatificação, aprovado pela Congregação para as Causas dos Santos e pelo Papa Bento XVI, ocorreu no dia 26 de abril de 1996.

Em Barra Bonita, interior de São Paulo, o menino João Paulo Polotto, de São José do Rio Preto, de seis anos de idade, aluno do colégio agostiniano de São José do Rio Preto e que fazia parte de um grupo de alunos que visitavam aquela cidade, sofreu um gravíssimo acidente ao soltar-se de sua mãe e atravessar a rua. Foi atingido por um caminhão que lançou seu pequeno corpo pelos ares, a vários metros de distância.

O menino, com o impacto, sofreu fratura do crânio. Foi internado com parada respiratória e hemorragia cerebral. Padres e alunos do Colégio Agostiniano São José, de São José do Rio Preto, onde padre Mariano viveu, pediram oração a intercessão do Padre Mariano pela criança.

Socorrido em estado de coma, no hospital foi diagnosticada fratura craniana, traumatismo crânioencefálico grave, paralisia, batimentos cardíacos lentos, parada respiratória, globo ocular projetado e afundamento do crânio.

Estava praticamente morto. Alguns minutos após o acidente, padres e alunos do Colégio Agostiniano São José, de São José do Rio Preto, rezaram pedindo a intercessão de Padre Mariano, juntamente com familiares do menino.

O resultado foi que o menino se recuperou tão rapidamente que, dez dias depois, o médico que o tinha atendido no hospital foi visitá-lo e, estupefato, o encontrou já na rua, perfeito, brincando com os colegas, andando de patins, sem nenhuma sequela do terrível atropelamento, como se nada tivesse acontecido! João Paulo é hoje um moço.

Dez dias depois do acindente o menino era visto nas ruas da cidade caminhando e brincando sem qualquer sequela do acidente. O Altar em honra ao Beato Mariano e suas relíquias encontram-se na igreja da Paróquia Santo Agostinho, que fica na Praça Santo Agostinho, 79, próxima à estação Vergueiro do Metrô.

São comemorados também neste dia: Santa Bertila de Chelles (virgem, abadessa), São Caio de Nagasakiu (catequista, mártir), São Dominator de Brescia (bispo), São Domnino de Grenoble (bispo), São Galácio, São Guido Maria Conforti.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

 

MEDO DA MORTE

 

Todos nós sabemos que o nosso fim último é a morte. Todos morreremos um dia, isso é uma realidade incontestável e, a cada dia que passa, mais perto chegamos dessa realidade.

A cada dia que passa mais e mais tomamos conhecimento de pessoas que morrem: um parente, uma pessoa amiga, um vizinho, alguém da comunidade.

Dificilmente passa um dia sem termos conhecimento da morte de alguém; é só pegar o jornal e conferir quantas pessoas morreram no dia anterior. A morte convive conosco.

Mas, mesmo sendo a morte uma realidade, uma coisa com quem convivemos todos os dias, ainda não nos acostumamos com ela e talvez jamais nos acostumaremos.

A morte é sempre causa de dor, de tristeza, de lágrimas.

Todos tem medo da morte; uns mais, outros menos, mas todos tem medo da morte.

Todos temos medo do desconhecido e, muito embora a nossa fé seja motivo de esperança mesmo depois da morte, todos se sentem desprotegidos e inseguros quando se fala desse fim último de todos os seres viventes.

Mas uma pergunta sempre vem à nossa cabeça: porque termos medo da morte?

As promessas e as certezas que o Senhor Jesus nos deixou no seu Evangelho não seriam suficientes para nos encher de coragem e enfrentar esse momento difícil  na vida de cada um com coragem e esperança? Jesus nos diz no seu Evangelho que “na casa do Pai há muitas moradas e que se assim não fosse ele não teria dito isso” (cf Jo, 14, 1).

Na casa do Pai há muitas moradas para todos aqueles que ouvirem a voz do Bom Pastor e seguirem os seus ensinamentos, os seus mandamentos; mas, porque ainda persiste o medo da morte? A morte é fruto do pecado, e todos nós sem distinção, somos pecadores.

Todos sabemos que o pecado é a negação do plano de salvação de Deus; quando cometemos um pecado dizemos “não” a Deus e ficamos em dívida com ele. Segundo Santo Afonso Maria de Ligouri, “Três coisas costumam tornar amarga a morte: primeiro, o apego demasiado que temos com as coisas da terra. Segundo, o remorso que nos invade por causa dos pecados que cometemos e, terceiro, a incerteza da nossa salvação eterna.”

Todos nós relutamos contra a morte, porque somos apegados demais às coisas terrenas e lutamos para jamais deixar os nossos bens materiais, o nosso carro, a nossa casa, ou o que quer que seja que conseguimos, como dizemos, com suor e sangue.

A vida toda que vivemos não foi suficiente para que aprendêssemos que as coisas da terra, as coisas deste mundo são passageiras e que as coisas que tem realmente valor são as coisas do Reino de Deus, são as coisas do céu.  

E Santo Afonso Maria Ligouri continua nos seus escritos, dizendo: “Não há dúvida que o apego aos bens terrenos torna amarga e miserável a morte, como diz o Espírito Santo no livro do Eclesiástico (41, 1): “Ò morte, como é amarga a tua memória para um homem que tem a paz no meio de suas riquezas.”

Em segundo lugar, o que nos causa medo da morte são os pecados que cometemos durante toda a nossa vida, (e continua Santo Afonso Maria de Ligouri), “são os pecados cometidos que mais afligem e roem o coração dos pobres moribundos. Lembrando-se que eles deverão comparecer dentro de pouco perante o tribunal divino, se vêem nesse momento terrível rodeados de seus pecados, que os apavoram e lhes dizem: “Somos obras tuas; não te deixaremos.”, e o remorso invade o coração  do moribundo que se vê cheio de pecados diante do Juiz Eterno que vai o vai julgar logo após a sua morte.

E, em terceiro lugar, o que apavora o moribundo é a incerteza da sua salvação eterna após a sua morte. “A morte chama-se “trânsito”, porque, por ela se passa de uma vida para a outra, da vida breve para a vida eterna. Por isso é grande o espanto daqueles que morrem com dúvida de sua salvação e se avizinham do grande momento com justo temor de uma morte eterna.” (Santo Afonso Maria de Ligouri).

Sempre tivemos medo da morte, e nunca soubemos explicar as causas desse medo, mas, Santo Afonso Maria de Ligouri  nos indica as três principais causas, como vimos anteriormente, e que são: “primeiro, o apego às coisas terrenas; segundo, o remorso dos pecados cometidos e, terceira, a incerteza da salvação.”

Então, é o momento de nos sintonizarmos melhor com as coisas de Deus, viver com mais intensidade o nosso cristianismo, nos apegarmos mais às coisas do céu, evitar o cometimento de pecados que podem e devem ser evitados e acreditarmos nas palavras do Mestre que promete a salvação a todos os que ouvem a sua mensagem, seguem os seus mandamentos e acreditam nele; ”Não se perturbe o seu coração; acredite em Deus, acredita também em mim” (Jo, 14, 1), nos diz Jesus. “Porque deve ser muito grande a alegria dos santos quando vêem a morte se aproximar” (Sto Afonso Maria de Ligouri), porque os santos tem a certeza de que muito embora seus pecados tenham sido muitos, a misericórdia de Deus é maior do que o maior pecado do mundo.

Tenhamos confiança, e vamos nos preocupar mais com as coisas de Jesus Cristo porque, quando passarmos para a outra vida, será Jesus Cristo o primeiro a nos estender a mão para nos introduzir na vida que não se acaba mais, e vai nos dizer, com toda a certeza: “Vinde, benditos de meu Pai, tomem posse do reino preparado para vocês desde a criação do mundo...” (Mt 25, 34).

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

 

MORTE, PASSAGEM PARA A VIDA...

 

Todos nós, sempre e de um modo especial, nos lembramos dos nossos mortos. Todos temos dentro de nós uma lembrança, um vazio deixado por alguém a quem a gente amou e que partiu para a outra vida.    

Todos, de uma maneira ou de outra, conhecemos  a dor do luto, lamentamos o lugar que ficou vazio na mesa, no sofá da sala, reclamamos a voz que se calou, sentimos a falta da presença que se tornou ausência. Em muitos dos nossos lares, senão em quase todos, já passou a figura tenebrosa e indesejável da morte, e a morte já levou muitos dos nossos entes queridos.

Se não conhecêssemos a Cristo e a sua mensagem, talvez não houvesse esperanças em nossos corações e nossa vida seria uma fuga eterna da morte, uma fuga de uma realidade  que nenhum ser vivente sobre esta terra poderá se livrar; o que nos conforta, quando pensamos sobre a morte ou somos atingido por ela através de um ente querido são as palavras de Jesus Cristo, quando disse: “Em verdade, em verdade eu lhes digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte.”  (Jo, 8, 51).

Até Jesus Cristo e a sua Mãe Santíssima, Maria, conheceram a morte e passaram por ela; passaram pela morte, mas venceram a morte, nos dando a esperança e a certeza de uma vida plena depois da morte, a vida que não se acaba, a vida eterna, a vida que o Senhor Jesus nos veio trazer em abundância, e Jesus afirma isso no seu Evangelho quando conversava com as irmãs Marta e Maria: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre.” (Jo, 11, 15-26).

A morte é para o cristão apenas a passagem que une o nosso tempo à eternidade; a morte é a porta que se abre para que nós possamos entrar na vida que Jesus Cristo preparou para todos nós, “e não nos devemos admirar porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que fizeram o bem, sairão para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal, para a ressurreição do juízo.”  (conf Jo, 5, 28-29).         

Todos nós, quando morre alguém da nossa família, do nosso círculo de amizade, choramos, e às vezes choramos muito.      É bom chorar, é necessário que se chore porque as lágrimas sinceras são as provas mais evidentes do amor que tínhamos por aquela pessoa que se foi; as lágrimas são a demonstração e a exteriorização dos nossos sentimentos mais sinceros e mais íntimos.

Todo cristão chora quando um ente querido parte para a vida eterna.

Mas o cristão não chora de desespero, o cristão chora, sim, mas de saudade.

Nós sentimos saudade do ente querido que se foi, mas temos confiança  nos ensinamentos evangélicos de Jesus Cristo, acreditamos na sua mensagem e temos a certeza evangélica de que os nossos entes queridos que conviveram longo tempo conosco neste vale de lagrimas e que ouviram a voz do Bom Pastor e fizeram parte do seu rebanho, agora, depois de sua morte, estão na glória de Deus Pai, na casa do Pai onde, segundo uma das promessas de Jesus Cristo, existem muitas moradas, e Jesus nos diz no seu Evangelho: “Não se perturbe o seu coração; creia em Deus, creia também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse eu não teria dito isso para vocês, porque eu ou preparar um lugar para vocês. Quando eu tiver ido e tiver preparado um lugar para vocês, de novo voltarei e tomarei vocês comigo, para onde eu estiver estejam  também vocês.” (Jo 14, 1-3).           

Paulo, Apóstolo, em sua carta aos Romanos, ele escreveu para nos confortar a respeito da morte: “Pelo batismo fomos sepultados com Cristo na morte a fim de que nós também, como o Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, levemos uma vida nova. Mas, se morremos com Cristo, cremos também que vivemos com ele, sabendo que o Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte não tem mais poder sobre ele.” (Rom 6, 3-4, 8-9).       

Paulo, através dessa sua carta nos dá a certeza que a vida eterna já começou aqui e agora em nós pelo batismo e pela fé no Senhor Jesus.  João Evangelista, com sua mensagem de fé e amor, também nos conforta a todos e nos dá a certeza de que, um dia, após a nossa morte, nós veremos realmente a Deus tal qual ele é.

Na sua primeira carta, João nos escreve: “Filhinhos, vejam como é grande o amor que o Pai tem por nós! Seu amor para conosco é tão grande que ele nos deu a graça de sermos chamados “Filhos de Deus”, e o somos de fato. O mundo não nos conhece, porque não conhece a Deus. Meus queridos amigos, já somos filhos de Deus aqui e agora, embora, externamente ainda não apareça o que vamos ser. Mas sabemos, com certeza, que, quando aparecer, seremos semelhantes a ele porque o veremos como ele realmente é. Todo aquele que tem essa esperança nele se torna puro, como também ele é puro.” (1Jo, 3, 1-3).

O que nos conforta sobre os pensamentos que temos sobre os nossos mortos são as palavras de Jesus, quando diz: “Deus, não é Deus dos mortos, e sim dos vivos, porque para ele todos vivem.”  (Lc 20, 38).

Tudo isso revigora a nossa certeza de que os nossos mortos, os nossos entes queridos por quem a gente derramou copiosas lágrimas de dor e saudade, todos eles estão na casa do Pai. 

terça-feira, 2 de novembro de 2021

 

FINADOS

 

Quando se aproxima o mês e novembro, já, de uma maneira especial, nos voltamos para os nossos entes queridos que conviveram conosco durante tanto tempo, que nos amaram e que também os amamos, porque, no mês de novembro, e, de uma maneira especial, no dia dois de novembro comemoramos a memória dos nossos amados que se foram para a casa do Pai.

Dois de novembro, dia em que cultuamos os nossos queridos que agora repousam no sono eterno, esses mesmo entes queridos que passaram  tantos momentos inesquecíveis conosco nesta vida e que agora descansam na casa do Pai Eterno que prometeu e promete a ressurreição final para todos aqueles que seguirem e seguem os seus mandamentos e que ouviram e ouvem a voz do seu dileto filho Jesus Cristo.

Todos os anos esperamos ate com uma certa ansiedade o dia dos finados.        O dia de finados é um dia especial  para nós e que a nossa Santa Igreja, de uma maneira especial, dedica aos nossos falecidos.

Dia de Finados; é apenas mais um dia que a Igreja nos oferece para relembrarmos daqueles de quem às vezes nos esquecemos durante todo o ano; quantos entes queridos nossos que já partiram para a casa do Pai, que nos antecederam nessa última jornada, e que só nos lembramos deles no dia de finados.

Mortos e a palavra que empregamos para designar aqueles nossos irmãos que já passaram por esta vida, por este vale de lágrimas e que agora se encontram na casa do Pai.

Mas, para o cristão, para quem acredita realmente em Deus e nas promessas de Jesus Cristo, não existe morte, só existe vida. Entendemos por morte o fim de tudo, quando tudo se acaba. Isso não existe para o cristão que conhece e vive as verdades e as mensagens ensinadas por Jesus Cristo.            No seu Evangelho Jesus Cristo nos diz que ele nos veio trazer a vida e que nos veio trazer a vida em abundância: no seu evangelho Jesus diz ser o caminho, a verdade e a vida. Jesus diz, categoricamente que, todos aqueles que crêem nele, de verdade, não verão jamais a morte, mas terão a vida eterna.

Então, porque lamentamos tanto os nossos mortos? Será que não temos fé nas palavras do nosso Salvador e Mestre Jesus? Será que os nossos entes queridos se desmancharam em pó e cinzas e que nada mais resta senão aquilo que o túmulo guarda como sendo os últimos resquícios de um corpo belo e saudável que conhecíamos e que, se abríssemos o túmulo ficaríamos horrorizados? E a vida prometida por Jesus Cristo, onde está?

Temos que entender que os nossos entes queridos que se foram estão vivos na casa do Pai, e nem poderia ser diferente. A felicidade que eles estão vivendo neste momento, não tenham dúvidas meus irmãos, é muito maior do que imaginamos e dessa que vivemos neste vale de lágrimas.

É justificável  que choremos quando perdemos um ente querido.

Mas, as lágrimas que derramamos quando perdemos um ente querido, quando a pessoa que amamos parte para a outra vida jamais devem ser lágrimas de desespero e revolta, mas, antes de mais nada, devem ser lágrimas de saudade do tempo feliz que convivemos juntos, porque, dentro de pouco tempo também nós estaremos lá com eles, na outra vida e lá os encontraremos todos.

É costume nosso enfeitar os túmulos dos nossos falecidos queridos com flores e lá também acendemos velas que tem um simbolismo todo especial.

Mas, a bem da verdade, os nossos falecidos não necessitam de flores ou velas que se queimam sem saber o porque no cimento ardente do sol dos túmulos; o que os nossos falecidos necessitam realmente é de nossas orações, de nossas boas obras, orações constantes e ardentes.        

Talvez fosse mais justo empregar o dinheiro que se gasta com flores e velas em obras de caridade que seria melhor aproveitado. É justo que se ascenda algumas velas e se coloque algumas flores no túmulo do ente querido, mas nada com exageros. Porque é que a família do finado não se reúne em volta do seu túmulo, da sua última morada aqui neste vale de lágrimas e ali, todos juntos, não fazem uma oração pelo seu eterno descanso?

Como é bonito a gente passar pelo cemitério e ver em túmulos vários familiares reunidos e rezando um Pai Nosso, uma Ave Maria, um terço ou qualquer oração expontânea para aquele irmão que já partiu desta vida e se encontra na casa do Pai. Isso sim, tem valor. As flores e as velas que se colocaram no túmulo, quando chegar a tarde, estarão todas murchas e derretidas; mas a oração permanece como  um suave perfume que sobe até o trono do Altíssimo em benefício dos nossos irmãos que vivem agora a vida eterna.

Todos nós, cristãos, no dia de finados, temos a preocupação de visitar o túmulo dos nossos familiares falecidos e, para não fugir à regra, levamos flores e velas e muitas vezes nos esquecemos de levar um coração puro para podermos elevar uma doce oração até o trono de Deus Pai.

Quantos túmulos que vemos na época de finados totalmente coberto de flores e velas.

E eu fico pensando: quanto dinheiro desperdiçado na doce ilusão de que estamos agradando o falecido ou que estamos lhe fazendo algum benefício.

O amor para uma pessoa querida falecida não se demonstra com flores e velas, mas com orações, jejum e sacrifícios.

Quanta fumaça de vela se vai para o ar, quantas flores caras se murcham sobre o mármore dos túmulos sem trazer nenhum benefício ou conforto para o falecido; agindo assim, nós continuamos ainda a pensar somente na matéria, nos esquecemos do espírito, da alma.

O nosso ente querido falecido não necessita de flores ou velas; pense bem, que significado tem isso para ele ou para ela que já está na casa do Pai num plano muito superior ao nosso?

Está certo que, quando amamos uma pessoa de verdade a gente lhe dá de presente uma flor que simboliza a extensão do nosso amor, que demonstra todo o nosso afeto, toda a nossa dedicação, toda a nossa lembrança.

Está certo que, para as pessoas que amávamos e continuamos a amar, mas que já partiram para a casa do Pai, nós, no dia de finados ou em qualquer outro dia em que formos visitar o seu túmulo, levemos até lá uma flor, uma vela, e, nessa flor ou nessa vela está simbolizado todo o nosso amor e que essa pessoa falecida ainda vive deliciosamente em nossa lembrança e na nossa esperança, e o que é o principal, temos a certeza de que ela se encontra na casa do Pai, porque sabemos que, para nós cristãos, não existe morte mas vida, porque Deus não é o Deus dos mortos, mas o Deus dos vivos, e os que dizemos falecidos estão vivos na casa do Pai.

Mas, a bem da verdade, para eles, flores velas já de nada mais está adiantando; o que eles necessitam realmente são de nossas orações, do nosso sacrifício. É a nossa oração fervorosa  que vale realmente para os nossos falecidos e não flores caras que desbotam e murcham sobre o túmulo ou velas que se consomem sem levar nenhum conforto para os nossos falecidos; o que os conforta realmente, é a nossa oração, o nosso sacrifício, o nosso jejum.

A  nossa Santa Igreja nos ensina que é uma santa ocupação rezar pelos mortos. Desde o início da Igreja existe o costume de honrar os santos e rezar pelos mortos; em todas as Santas Missas rezadas e participadas no mundo inteiro existe um momento em que se reza pelos mortos.

A nossa Santa Igreja é uma vigorosa árvore com três grandes galhos, tendo como tronco o próprio Senhor Jesus, o filho de Deus Vivo, e cada galho tem um nome que todos os cristãos deveriam conhecer.

A um dos galhos damos o nome de igreja triunfante, que são os nossos irmãos que se santificaram e que já estão na casa de Deus Pai gozando da presença de Deus; são os nossos irmãos que venceram todas as dificuldades do mundo e do demônio e que agora gozam da felicidade eterna.

A outro dos galhos chamamos de igreja padecente, que são os nossos falecidos que estão se purificando de seus pecados cometidos aqui neste vale de lágrimas e que, através de nossas orações se purificam e passam a fazer parte da igreja triunfante, na medida em que, depois de purificados de suas faltas, passam a morar na casa do Pai.

Ao terceiro galho desta grande árvore chamamos de igreja militante, que somos nós que aqui estamos neste vale de lágrimas, neste mundo procurando fazer com que a vontade de Deus Pai reine entre nós e que o reino de Deus se estabeleça nesta nossa caminhada.

Essa é a tríplice denominação da família cristã: igreja triunfante, igreja padecente e igreja militante, unidas entre si como membros de um mesmo corpo, que é o Corpo Místico de Jesus Cristo e a que nós chamamos de “comunhão dos santos”, isto é, a nossa Igreja, a Igreja dos que vivem hoje e dos que viveram ontem neste vale de lágrimas.

Todas as vezes que rezamos o “Creio em Deus Pai”. ou o Credo, nós dizemos que cremos na “comunhão dos santos”, que não é senão a união de nós que aqui estamos com os nossos irmãos que já não vivem mais esta nossa vida e que estão na casa do Pai. Precisamos entender, meus irmãos, que o túmulo não relaxa os laços de fraternidade, de amizade: precisamos entender que o amor é mais forte do que a morte.

Os santos, os nossos entes queridos que agora estão na casa do Pai não cessam de rogar pelos vivos, que somos nós, e eles se aproveitam da presença de Deus Todo Poderoso para pedir por nós graças e favores e nós, por nossa parte, também rezamos pelos nossos falecidos pedindo ao Senhor nosso Deus que lhes dê o descanso eterno e que a luz perpétua os ilumine.

A devoção às almas é agradável à Deus. Lembre-se, meu irmão; lembre-se minha irmã: quando formos visitar um túmulo não vamos nos preocupar com flores caras e velas bonitas; vamos levar uma flor, isso sim, vamos ascender uma vela que é o símbolo do nosso amor e oração e que retratam a nossa saudade, mas, antes de tudo, vamos rezar pelos nossos entes queridos, porque é a oração que vale realmente para o seu descanso eterno.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

 

TODOS OS SANTOS

 

O dia de Todos os Santos deveria ser comemorado, como sempre foi, no primeiro dia de novembro que era feriado, mas, como deixou de ser feriado, a Igreja transfere esta comemoração de todos os santos para o primeiro domingo do mês de novembro.

E o dia de Todos os Santos, como sugere a comemoração, é dedicado a todos os santos existentes; aos santos que nós conhecemos e aos santos que não conhecemos; aos santos que sabemos o nome e a sua história, e aos santos que não sabemos o nome nem a história de sua vida e que jamais ouvimos falar.

Esta data é dedicada a todos os santos que todos conhecem o seu nome e aos santos anônimos. A festa de todos os santos é uma das comemorações mais importante do calendário litúrgico. A festa de todos os santos é a festa da família da Igreja.

A fé nos apresenta os santos todos como nossos irmãos que viveram em épocas e lugares diferentes; a fé nos apresenta os santos como membros da mesma família, da família a qual todos nós pertencemos.

Como membros dessa família, devemos nos encher de alegria e congratularmo-nos com os nossos irmãos que já venceram o mundo, a carne e o demônio e se acham, agora, num lugar onde não há mais lágrimas, sofrimento, tristeza ou dor.

Os santos orientam-nos na penosa viagem para o céu. Eles nos indicam os meios que devemos aplicar para chegarmos ao porto da salvação. E esses meios que eles usaram e nos ensinam, são a observação dos mandamentos, da Lei de Deus, a observação da caridade do próximo, os mandamentos da lei da Igreja, trabalho, oração, mortificação, sofrimento.

A festa de Todos os Santos é, para nos, que ainda caminhamos neste vale de lágrimas, um dia de alegria, de consolo e de animação.

Os santos foram o que nós somos hoje: lutadores e, muitos dentre eles, pecadores.  Eles foram o que nós somos, e nós seremos o que eles são: “Benditos do Pai.”

Guardemos a esperança do céu. Quem tem esperança, santifica-se. (Cf Jo 3,3).

Nós cremos na vida eterna. Na luta, na dor, no desânimo e nas tribulações, lembremo-nos da glória que nos espera. Daqui a pouco tudo estará acabado e podemos, nós mesmos, se seguirmos os ensinamentos de Jesus Cristo e os exemplos dos santos, nós mesmos poderemos experimentar a verdade dita por Paulo Apóstolo, quando disse:- “Olho algum viu, ouvido nenhum ouviu, nem jamais veio à mente do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam.” 1Cor, 2, 9).

E santos não são somente os que gozam da honra dos altares. Todos os que estão na casa do Pai, gozando da eterna bem-aventurança da presença de Deus  são os nossos santos.

Os nossos parentes, amigos, benfeitores, os nossos antepassados que já passaram por esta vida, por este vale de lágrimas, e que agora gozam da eterna bem-aventurança são os santos que comemoramos no dia de todos os santos.

Quantos conhecidos nossos lá estão e são comemorados no dia de hoje. Com quantos santos nós convivemos e que hoje, na glória eterna eles rezam por nós, eles velam por nós. Se estão na glória de Deus Pai, são santos, e simplesmente, para serem santos, não há a necessidade de terem sidos canonizados e frequentarem os nossos altares.

Nesta festa de todos os santos somos convidados para lançarmos um olhar nas magníficas  habitações celestes e contemplarmos as multidões de santos e santas, aqueles benditos do Pai que se acham no reino que lhes foi preparado desde o princípio dos tempos. (cf Mt 25, 34).

Não há espetáculo aqui na terra, por mais belo e atraente que seja , que se possa comparar com a grandiosidade do céu que hoje se abre à nossa vista. Vamos pedir a todos os santos que nos acompanhem na caminhada deste vale de lágrimas  e que um dia nos recebam  na casa do Pai, assim como eles foram recebidos pelos santos que os antecederam na glória eterna. (compilado do livro “Na Luz Perpétua”, pg 723, 724).

Todos sabemos e temos conhecimento, principalmente através das folhinhas e dos calendários que a nossa Santa Igreja, em cada dia do ano nos propõe a veneração de um ou mais santos, de um ou mais bem-aventurados que foram modelos de perfeição cristã como a nos estimular na prática da virtude que nos leva ao nosso destino eterno, a verdadeira imortalidade para a qual foram criados todos os homens.

Todos os dias nós veneramos um ou mais santos. Todos os dias é dia de algum santo, conhecido ou não. Mas, mesmo nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano, mesmo que veneremos cinco santos por dia, jamais veneraríamos todos os santos que estão na casa do Pai.

Claro, não os conhecemos a todos; são centenas de milhares, canonizados ou não; que frequentam as honras dos altares ou não. E é por isso que a nossa Santa Igreja, na sua sabedoria, instituiu o dia de todos os santos, para que nenhum santo ficasse no esquecimento, seja ele conhecido ou não. No dia de todos os santos nós veneramos os nossos irmãos que se encontram na glória eterna gozando das bem-aventuranças eternas.

Veneramos tanto os santos que honram os nossos altares como os santos que não foram canonizados, quem sabe até os nossos parentes, conhecidos e amigos que já se foram e se encontram gozando as delícias eternas com todos os santos, junto com Deus e ao lado da Santíssima Virgem Maria. Não é necessário ser canonizado para ser santo.

A Igreja simplesmente canoniza alguns para que sirvam de modelo de vida cristã a todos os demais que caminham neste vale de lágrimas, mas, em comparação às centenas de milhares de santos que se encontram na casa do Pai, os canonizados são poucos, pouquíssimos mesmo.

Todos os que estão no céu, gozando da presença de Deus, são santos. Todos os que viveram em plenitude as bem-aventuranças pregadas por Jesus Cristo e que foram perseguidos por amor da justiça e do nome do Senhor, são santos. E é por isso que, sabiamente, a nossa Santa Igreja , na comemoração do dia de Todos os Santos, através dos Santos Evangelhos, nos lembra a todos as bem-aventuranças pregadas por Jesus a todo o povo, do alto de uma montanha.

Quem levou e leva à serio essas bem-aventuranças e, quem são injuriados, perseguidos, caluniados e maltratados por seguirem à risca as bem-aventuranças pregadas, ensinadas e vividas pelo Senhor Jesus, já são santos nesta terra e, quando partirem para a outra vida, não tenham dúvidas meus irmãos, serão recebidos com festas na morada eterna que Deus Pai preparou para todos. E, portanto, santos não são somente aqueles que já gozam da presença eterna de Deus Pai.

Nós temos muitos santos que hoje estão caminhando do nosso lado, vivendo conosco no nosso dia-a-dia, padecendo conosco as agruras da vida, rindo conosco nas mesmas alegrias e chorando conosco nas mesmas lágrimas as nossas tristezas e procurando viver conosco as bem-aventuranças pregadas, ensinadas e vividas por Jesus Cristo.

Santos somos todos nós que vivemos a vida da graça, que vivemos a vida de Deus. “A terra está cheia de santos. São os pobres e os aflitos, gente que chora porque foi privada das coisas mais necessárias para sobreviver ou porque foram atingidas injustamente naquilo que existe de mais sagrado. Santos são os mansos deste mundo, os que não tem forças para se defender, os que não podem levantar a voz para reclamar os seus direitos. Santos são os que tem fome e sede de justiça, que não se conformam com este mundo violento... Santos são os misericordiosos que aprenderam com Jesus Cristo a lei do perdão e do amor. Santos são os puros de coração que nunca se deixaram levar pela corrupção...  Santos são os que promovem a paz, fonte de todos os bens, princípio da alegria...” (Padre Virgílio, 07.11.82).

Santos somos todos nós que caminhamos seguindo as pegadas de Jesus Cristo neste vale de lágrimas.

São comemorados também neste dia: São Licínio, São Tiago da Pérsia, Santa Maria, a Eslava (virgem e mártir), São Floriberto de Ghent (abade), São Genésio de Fontenelle (monge e bispo), São Germano de Montfort (monge), São Marcelo de Paris (bispo).