sábado, 12 de março de 2022

 

NOVE MULHERES QUE FORAM EXEMPLARES PARA A IGREJA E O MUNDO

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Há quem diga que a mulher não tem papéis importantes na Igreja. Entretanto, desde o início do cristianismo até a atualidade, Deus suscitou mulheres que orientaram o Povo de Deus, influenciando também no curso do Papado. Conheça 9 mulheres que foram exemplares para a Igreja.

1. A Virgem Maria

“Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4), disse Jesus à sua Mãe nas Bodas de Caná, em um casamento ao qual ambos tinham sido convidados. Cristo escutou sua mãe, a primeira mulher que acolhe o Senhor e motiva o primeiro milagre conhecido da vida pública de Jesus. Os primeiros séculos do cristianismo estão cheios de mulheres corajosas que não duvidaram em dar sua vida por Cristo, incentivando os demais cristãos a não fraquejar quando lhes chega o momento.

2. Santa Hildegarda de Bingen

Mais tarde, durante a Idade Média, a Igreja já não era perseguida, mas vivia-se uma cultura machista, própria da época. Isto não foi impedimento para Santa Hildegarda de Bingen (1098-1179), religiosa beneditina de origem alemã, que chegou a ter uma séria de visões místicas. Escreveu obras teológicas e de moral com notável profundidade e foi declarada Doutora da Igreja por Bento XVI no ano 2012, junto com São João d’Ávila. Sua popularidade fez com que muitas pessoas, entre bispos e abades, lhe pedissem conselhos. “Quando o imperador Federico Barbarroja provocou um cisma eclesial, opondo 3 antipapas ao Papa legítimo, Alexandre III, Hildegarda, inspirada em suas visões, não hesitou em recordar-lhe que também ele, o imperador, estava submetido ao juízo de Deus”, contou o Papa Bento XVI em sua audiência geral sobre esta santa em 2010.

3. Santa Catarina de Sena

Posteriormente, apareceria outra mística e Doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena (1347-1380), que vestiu o hábito da ordem terceira de Santa Domingo. Nesta época, os Papas viviam em Avignon (França) e os romanos se queixavam de ter sido abandonados por seus bispos, ameaçando com o cisma. Gregório XI fez um voto secreto a Deus de regressar a Roma e ao consultar Santa Catarina, ela lhe disse: “Cumpra com sua promessa feita a Deus”. O Pontífice ficou surpreso porque não tinha contado a ninguém sobre o voto e, mais tarde, o Santo Padre cumpriu sua promessa e voltou para a Cidade Eterna. Mais tarde, no pontificado de Urbano VI, os cardeais se distanciaram do Papa por seu temperamento e declararam nula sua eleição, designando Clemente VII, que foi residir em Avignon. Santa Catarina enviou cartas aos cardeais pressionando-os a reconhecer o autêntico Pontífice. A Santa também escreveu a Urbano VI, exortando-o a levar com temperança e alegria os problemas, controlando o temperamento. Santa Catarina foi a Roma, a pedido do Papa, que seguiu suas instruções. A Santa também escreveu aos reis da França e Hungria para que deixassem o cisma. Toma uma mostra de defesa do papado.

4. Santa Teresa de Jesus

Com a aparição do protestantismo, a Igreja se dividiu e foi realizado o Concílio de Trento. Estes são os anos de Santa Teresa de Jesus (1515-1582), religiosa contemplativa que marcou a Igreja com sua reforma carmelita. Apesar de ter sido incompreendida, perseguida e até acusada na Inquisição, seu amor a Deus a impulsionou a fundar novos conventos e a optar por uma vida mais austera, sem vaidades, nem luxos. Submersa muitas vezes em êxtases, nunca deixou de ser realista. Sendo Santa Teresa D’Ávila relativamente inculta, dialogava com membros da realeza, pessoas ilustres, membros eclesiásticos e santos de sua época para lhes dar conselhos, receber ajuda e levar adiante o que havia se proposto. Tornou-se escritora mística e é também Doutora da Igreja.

5. Santa Rosa de Lima

Do outro lado do mundo, na América, mais precisamente no Peru, Santa Rosa de Lima (1586-1617) tomou Santa Catarina de Sena como modelo e se omitiu àqueles que a pretendiam por sua grande beleza, para poder viver em virgindade, servindo aos pobres e doentes. “Provavelmente, não houve na América um missionário que com suas pregações tenha conquistado mais conversões do que as que Rosa de Lima obteve com sua oração e suas mortificações”, disse o Papa Inocêncio IX ao se referir à primeira Santa da América. São João Paulo II disse sobre a santa que sua vida simples e austera era “testemunho eloquente do papel decisivo que a mulher teve e segue tendo no anúncio do Evangelho”.

6. Santa Teresa de Lisieux

Do amor dos santos esposos franceses Louis Martin e Zélia Guérin, canonizados em outubro de 2015, nasceu Santa Teresa de Lisieux (1873-1897), Doutora da Igreja e padroeira universal das missões. Santa Teresa viveu somente 24 anos. Um ano depois de sua morte, a partir de seus escritos, foi publicado o livro “História de uma alma”, que conquistou o mundo porque deu a conhecer o muito que esta religiosa tinha amado Jesus. “Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face é a mais jovem dos ‘Doutores da Igreja’, mas seu ardente itinerário espiritual manifesta tal maturidade, e as intuições de fé expressas em seus escritos são tão vastas e profundas, que lhe merecem um lugar entre os grandes professores do espírito”, disse São João Paulo II sobre esta santa. O Papa Francisco também comentou em diversas ocasiões a profunda devoção que o une a esta santa e compartilhou em uma de suas viagens que antes de cada viagem ou diante de uma preocupação, costuma pedir “uma rosa”.

7. Santa Edith Stein

Durante a perseguição nazista no século XX, surgiu na Europa outra grande mulher, convertida do judaísmo, religiosa carmelita descalça e mártir, Santa Edith Stein, também conhecida como Santa Teresa Benedita da Cruz (1891-1942). Junto com outros judeus conversos, foi levada ao campo de concentração de Westerbork em vingança das autoridades pelo comunicado de protesto dos bispos católicos dos Países Baixos contra as deportações de judeus. Santa Edith foi transferida para Auschwitz, onde morreu nas câmaras de gás, junto com sua irmã Rosa, também convertida ao catolicismo, e muitos outros de seu povo. São João Paulo II diria sobre ela: “Uma filha de Israel, que durante a perseguição dos nazistas permaneceu, como católica, unida com fé e amor ao Senhor Crucificado, Jesus Cristo, e, como judia, ao seu povo”.

8. Santa Teresa de Calcutá

O testemunho de Santa Teresa de Calcutá (1910-1997) de servir a Cristo nos “mais pobres entre os pobres” ensinou que a maior pobreza não estava nos subúrbios de Calcutá, mas nos países “ricos” quando falta o amor ou nas sociedades que permitem o aborto. “Para poder amar, é preciso ter um coração puro e é preciso rezar. O fruto da oração é o aprofundamento da fé. O fruto da fé é o amor. E o fruto do amor é o serviço ao próximo. Isso nos conduz à paz”, dizia a também ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1979. Em sua canonização em outubro de 2016, o Papa Francisco disse que “Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que ‘quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável’”.

9. Santa Gianna Beretta Molla

Para encerrar esta lista de grandes mulheres que mudaram o mundo e a história, recordamos Santa Gianna Beretta Molla (1922-1962). Esta santa italiana adoeceu de câncer e decidiu continuar com a gravidez de seu quarto filho, em vez submeter-se a um aborto, como lhe sugeriam os médicos para salvar sua vida. Gianna estudou medicina e se especializou em pediatria. Seu trabalho com os doentes se resumia na seguinte frase: “Como o sacerdote toca Jesus, assim nós, os médicos, tocamos Jesus nos corpos de nossos pacientes”. Casou-se com o Pietro Molla, com quem teve quatro filhos. Durante toda sua vida, conseguiu equilibrar seu trabalho com sua missão de mãe de família. Gianna morreu em 28 de abril de 1962, aos 39 anos, uma semana depois de ter dado à luz. Foi canonizada em 16 de maio de 2004 pelo Papa João Paulo II, que a tornou padroeira da defesa da vida.

sexta-feira, 11 de março de 2022

 

COMO O POVO GOSTA DE CHAMAR MARIA, A MÃE DE JESUS

 

O amor inventa nomes. E nos nomes que o amor inventa está dito aquilo que mais se gosta na pessoa amada: sobressai a sua virtude, a sua beleza no nome que o amor dá à pessoa amada.

Quanto mais amada for a pessoa mais nomes a pessoa que a ama lhe dá. Se fôssemos falar todos  os nomes que o amor do povo deu à Maria ficaríamos aqui muito tempo e ainda não diríamos todos. Tem nomes para todos os momentos da vida: desde o nascimento até a morte.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Bom Parto ou Nossa Senhora da Boa Hora para proteger a mãe quando chega a hora de se dar à luz.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Boa Viagem para pedir a sua proteção quando nos dispomos a viajar.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do bom Conselho ou Nossa Senhora do Bom Sucesso quando estamos em dúvidas e pedimos o auxílio de Maria. Chamamos Maria de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro quando estamos em dificuldades.

Chamamos Maria de Nossa Senhora do Amparo e de Nossa Senhora da Ajuda quando precisamos de um apoio.

Chamamos Maria de Nossa Senhora dos Remédios e de Nossa Senhora da Saúde quando estamos doentes e necessitamos recuperar a saúde, ou alguém de nossa família está enfermo.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Guia ou de Nossa Senhora dos Navegantes quando estamos perdidos nas nossas decisões e não sabemos qual o caminho a tomar em nossa vida.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Consolação ou de Nossa Senhora das Dores quando neste mundo nos conforta e nada nos consola.

Chamamos Maria de Nossa Senhora das Angústias quando meditamos as suas angústias durante a sua vida e nos sentimos angustiados em nossa existência.

Chamamos Maria de Nossa Senhora Conquistadora quando alcançamos sucesso nas nossas empreitadas de nossa vida.

Chamamos Maria de Nossa Senhora das Graças quando pedimos e alcançamos graças sem fim de Nosso Deus e Senhor por mediação, por intermédio de Maria.

Chamamos Maria de Nossa Senhora da Boa Morte ou de Nossa Senhora do Bom Fim quando alguém de Nossa família está muito doente ou a gente se prepara para ter uma morte santa.

E quantos mais nomes poderíamos dar à Maria para nos socorrer em todos os momentos da nossa vida.

Maria, a Nossa Senhora acompanha o seu povo no desterro, na solidão, neste vale de lágrimas, nas dores e na morte.

Maria, a Nossa Senhora vai com o seu povo em todo canto e no povo alimenta a esperança com a sua ajuda, com os seus conselhos, com a sua consolação.

Maria, a Nossa Senhora, ajuda e ampara, guia e socorre, dá remédios e liberta, conduz à vitória e introduz na glória. Maria comunica a todos nós a sua alegria.

Maria tem nomes ligados aos lugares onde viveu, onde se manifesta e onde é venerada: Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora de Belém, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Aparecida, Nossa Senhora do Loreto, Nossa Senhora da Salete, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora do Líbano; todos esses nomes e muito mais são nomes dados pelo amor do povo à Maria.

Muitos lugares, dezenas de municípios, centenas de povoados em todo o território do Brasil tem nomes ligados ao nome de Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe. A imagem de Maria, a Nossa Senhora, com o Menino Jesus nos braços, ou a imagem de Nossa Senhora da Conceição que pisa na cabeça da serpente, está pendurada e é venerada em quase todas as casas do nosso povo simples, pobre e humilde, porque é esse o povo que realmente confia em Deus Maria é a imagem e o retrato fiel de todas as mães brasileiras que geram os seus filhos, acreditam na vida e, como Maria, derrotam a serpente do mal que quer empanar o brilho do reino de Deus que se espalha sobre nós. (do livro - A Mãe de Jesus - de Carlos Maesters). 

quinta-feira, 10 de março de 2022

 

OS QUARENTA SANTOS MÁRTIRES DE SEBASTE - (+ ARMÊNIA, 320)

 

Eram quarenta soldados cris­tãos, de várias nacionalidades, que foram presos e submetidos ao su­plício, em Sebaste, na Armênia no ano 320.Nessa época foi publicada na cidade uma ordem do governador Licínio, grande inimigo dos cristãos, afirmando que todos aqueles que não oferecessem sacrifícios aos deuses pagãos seriam punidos com a morte.

Contudo se apresentou diante da autoridade uma legião inteira de soldados, afirmando serem cristãos e recusando-se a queimar incenso ou sacrificar animais. Para testar até onde ia a coragem dos soldados, o prefeito local mandou que fossem presos e flagelados com correntes e ferros pontudos. De nada adiantou o castigo, pois os quarenta se mantiveram firmes em sua fé. O comandante os procurou então, dizendo que não queria perder seus mais valorosos soldados, pedindo que renegassem sua fé. Também de nada adiantou e os legionários foram condenados a uma morte lenta e extremamente dolorosa. Foram colocados, nus, num tanque de gelo, sob a guarda de uma sentinela. A região atravessava temperaturas muito baixas, de frio intenso. Ao lado havia uma sala com banhos quentes, roupas e comida para quem decidisse salvar a vida. Mas eles preferiram salvar a alma e ninguém se rendeu durante três dias e três noites. Foi na terceira e última noite que aconteceram fatos prodigiosos e plenos de graça. No meio da gélida madrugada, o sentinela viu uma multidão de anjos descer dos céus e confortar os soldados. Isto é, confortar trinta e nove deles, pois um único legionário desistira de enfrentar o frio e se dirigira à sala de banhos. Morreu assim que tocou na água quente.

Por outro lado, o sentinela que assistira à chegada dos anjos se arrependeu de estar escondendo sua condição religiosa, jogou longe as armas, ajoelhou-se, confessou ser cristão tirando as roupas e se juntou aos demais. Morreram quase todos congelados. Apenas um deles, bastante jovem, ainda vivia quando os corpos foram recolhidos e levados para cremação. A mãe desse jovem soldado, sabendo do que sentia o filho, apanhou-o no colo e seguiu as carroças com os cadáveres.

O legionário morreu em seus braços e teve o corpo cremado junto com os companheiros. Eles escreveram na prisão uma carta coletiva, que ainda hoje se conserva nos arquivos da Igreja e que cita os nomes de todos. Eis todos os mártires: Acácio, Aécio, Alexandre, Angias, Atanásio, Caio, Cândido, Chúdio, Cláudio, Cirilo, Domiciano, Domno, Edélcion, Euvico, Eutichio, Flávio, Gorgônio, Heliano, Helias, Heráclio, Hesichio, João, Bibiano, Leôncio, Lisimacho, Militão, Nicolau, Filoctimão, Prisco, Quirião, Sacerdão, Severiano, Sisínio, Smaragdo, Teódulo, Teófilo, Valente, Valério, Vibiano e Xanteas.

quarta-feira, 9 de março de 2022

 

MARIA VIVEU INTENSAMENTE A QUARESMA.

 

Quando meditamos sobre a quaresma, quando meditamos o recolhimento de Jesus no deserto por quarenta dias em completo jejum, penitência e oração, quando meditamos o seu afastamento de sua pequena Nazaré para dar início a uma vida totalmente nova e diferente daquela que levara por trinta anos em companhia de sua mãe, Maria, na pobreza da casa de Nazaré, talvez ainda não nos tenha ocorrido pensar em uma figura de suma importância em tudo isso e que foi responsável pela realização dos planos de Deus Pai para a salvação de toda a humanidade.

Quando chegou o tempo em que o Senhor Jesus deveria deixar sua casa, seus amigos, seu trabalho, para dedicar-se inteiramente ao serviço do Senhor, essa figura, que nos referimos, deve tê-lo acompanhado com os olhos até ele se perder no horizonte, com os olhos marejados de lágrimas e com o coração acompanhando Jesus em todos os seus passos e minutos da vida que ele se propusera viver para que a misericórdia de Deus atingisse todos os homens.

Essa figura não é outra senão Maria.

Durante toda a infância de Jesus, os santos evangelhos nos dizem que Maria observava tudo e guardava e meditava tudo em seu coração.

E nessas meditações lhe fora revelado tudo o que o seu Divino Filho deveria passar, sofrer, ser perseguido e até morrer pela salvação de todos os homens a quem ele viera para salvar.

E agora havia chegado a hora de seu filho Jesus cuidar das coisas do Pai e parte, parte para não mais voltar para aquela casa pobre e humilde de Nazaré, e, a única vez que Jesus tenta voltar para a sua casa, para a sua cidade, o povo já não o aceita mais, o povo já não mais acredita nele, e o que é o pior, aqueles que foram seus amigos de infância, aqueles que frequentaram a escola, que brincaram com seu Filho nas ruas ensolaradas e poeirentas de Nazaré e que foram com ele buscar água na fonte, aqueles mesmos que se diziam amigos de seu Filho e amigos da família, não entenderam a sua mensagem de salvação e pegaram pedras para apedrejar o seu Divino Filho e acabaram por expulsá-lo da cidade, e, a partir desse acontecimento, seu Filho parte da cidade de Nazaré para não mais regressar.     

Maria continuava observando tudo e guardando tudo em seu coração  de mãe.         A vida toda de Maria foi de orações, sacrifícios, penitências, sobressaltos, muito embora ela já soubesse tudo o que iria acontecer com o seu Divino Filho. Maria via, ouvia e observava tudo, e guardava tudo em seu coração.

Como o coração de Maria deve ter sido grande e generoso.

Como o coração de Maria foi paciente e misericordioso por ver tudo o que fizeram com o seu Filho e perdoar a todos pelas injustiças que praticaram  contra aquele a quem ela mais amou neste mundo em todos os tempos: o seu amado Filho, o seu querido Deus.

A vida de Maria foi uma quaresma permanente.      

Muitas vezes o seu Divino Filho escapava de suas vistas mas jamais ela deixou de o seguir, onde quer que ele fosse, com o seu coração.

Maria aguardou pacientemente passar os quarenta dias que o Senhor Jesus, o seu Filho, passara no deserto, e, como ele, com toda a certeza, nesses quarenta dias, em sua pobre casa de Nazaré, também fez penitências, jejuou e orou com muito fervor e, nesse período, não tenham dúvidas meus irmãos, Maria se preparou mais e melhor para o que estava por vir e colocou o seu Divino Filho nas mãos de Deus Pai, a vítima perfeita que seria imolada  para que o pecado do mundo fosse tirado; a vítima sem pecado, mais limpa, mais pura e mais sacrossanta; o seu próprio Filho e Filho de Deus que se fizera homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus.

Depois, quando Jesus partiu definitivamente para a evangelização de todos os homens, onde quer que ele estivesse, ali estava Maria acompanhando-o em todos os seus passos, em todos os momentos de sua vida, até o momento supremo do Calvário.

É isto que a Igreja convida-nos a fazer nesta quaresma: seguir o exemplo de Maria e nos prepararmos para acompanhar passo a passo Jesus até o Calvário.

É isso que devemos fazer nesta quaresma: colocarmo-nos sob o manto protetor da Santíssima Virgem  e com ela viver a quaresma para que possamos, através de Maria, entender melhor o sacrifício de Jesus, porque Maria não fez outra coisa melhor em sua vida senão guardar tudo e meditar em seu coração, e agora, o que ela guardou e meditou ela nos transmitirá nesta caminhada rumo ao calvário e assim poderemos entender melhor o sacrifício de um Deus feito homem.

terça-feira, 8 de março de 2022

 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

Hoje é o dia da mulher. Na nossa Igreja, como entendemos a influência, o trabalho e a participação da mulher na difusão do Evangelho de Jesus Cristo? Qual seria a tarefa da mulher? Para muitos, a função da mulher seria apenas para a limpeza da igreja, enfeitar o altar nos dias festivos ou casamentos.

Muitos ignoram qua a mulher é um membro adulto da Igreja.

Como todos os demais, a mulher foi batizada e, pelo batismo, assumiu com responsabilidade a ordem de Jesus Cristo antes de subir para o Pai: “Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que eu ordenei a vocês. eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,19-20).

A mulher é uma cristã que recebeu o sacramento do crisma e, pelo crisma, é portadora em potencial dos dons do Espírito Santo.

Pelo batismo e pelo crisma a mulher, como todos os cristãos, é enviada para uma missão; não precisa esperar um convite ou uma benção especial para atuar dentro da Igreja.

A evangelização e a catequese são o campo prioritário considerando o espírito maternal que é implícito na mulher no trato com a infância, adolescência e juventude.

Não podemos imaginar a Igreja no Brasil sem a participação da multidão de moças e senhoras catequistas dispostas a não medir esforços para anunciar o Evangelho e para catequisar, que é a primeira missão da nossa Igreja.

Quem não se lembra com saudade, amor e carinho da catequista que ensinou a cada um de nós, com amor, carinho e paciência, o Sinal da Cruz? E a Ave Maria? E o Pai Nosso?

Também é na família que as crianças recebem a sua primeira formação cristã. É na família onde é patente a participação e a influência da mãe, da avó, da tia na educação cristã da criança.

A mulher, corajosamente, deve fazer ouvir a sua voz na participação do serviço da sua comunidade, nos conselhos paroquiais e diocesanos.

O Papa Paulo VI não descartou a idéia da mulher ter voz nas decisões da Igreja.

Se Maria deu o seu “sim”, tomando parte no plano de salvação de todos os homens, porque a mulher ainda não tem lugar de proeminência dentro da Igreja? Porque na Igreja trata-se tanto dos problemas da mulher sem a presença da mulher para dar o seu parecer?

Trata-se dos problemas da mulher sem a presença da mulher e sem ouvir a sua voz. Devemos ficar atentos para a ação do Espírito Santo na Igreja. Muitas coisas que acontecem hoje na Igreja nem se podia pensar a trinta ou cincoenta anos atrás.

Será que, hoje, Jesus excluiria a mulher de certas tarefas dentro da Igreja simplesmente por ela ser mulher? Jesus também teve que levar em consideração e suplantar as estruturas da sociedade do seu tempo, mas lutou para libertar a mulher de sua situação de imposta inferioridade.

Essas  divergências de interpretações mostram que precisamos de muita reflexão.devemos deixar mais amadurecer as coisas que são, em grande parte, determinadas pela sociedade, pelo machismo e pelas estruturas da época. Enquanto isso a mulher está atuante.

Na Igreja do Brasil temos exemplos numerosos: a mulher dirige comunidades e até paróquias, basta conhecer a realidade do norte e nordeste do Brasil. A mulher dirige o culto sem presbítero, levando a sério a liturgia da Palavra que é o Cristo revelando-se aos pobres.

A mulher é chamada pelos bispos para preparar os novos cristãos para o Batismo e, em muitos casos, para administar o Sacramento do Batismo, para preparar os casais para o matrimônio e até para administrar o Sacramento do Matrimônio, basta conhecer a realidade do norte e nordeste do Brasil.

A Bíblia diz: “E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher. E Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sejam fecundos, multipliquem-se, encham e submetam a terra; dominem os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres vivos que rastejam sobre a terra’.” (Gn 1,27-28).

Partindo desta citação bíblica, onde Deus colocou o homem superior à mulher?

A sociedade humana só terá equilíbio se homem e mulher tiverem igual chance de partircipação. Nem homem, nem mulher deve dominar.

segunda-feira, 7 de março de 2022

 

SANTA PERPÉTUA E SANTA FELICIDADE

 

Senhora e escrava, Perpétua e Felicidade sofreram a prisão juntas, na fé e na solidariedade, no ano de 203, na África do Norte. O imperador Severo, também de origem africana, havia decretado a pena de morte para os cristãos. Perpétua era de família nobre, filha de pai pagão, tinha vinte e dois anos e um filho recém-nascido. Sua escrava, Felicidade, estava grávida de oito meses e rezava diariamente para que o filho nascesse antes da execução e obteve essa graça.

Isso aconteceu num parto de muito sofrimento, dois dias antes de serem levadas à arena, para as feras famintas. Perpétua escreveu um diário na prisão, onde relata todo o sofrimento de que foram vítimas e que figura entre os escritos mais realistas e comoventes da Igreja. Além de descrever os horrores da escuridão e a forma selvagem como eram tratadas no calabouço, ela narrou como seu pai a procurou na prisão, com autorização do juiz, para tentar fazê-la desistir da fé em Cristo e assim salvar sua vida. Mas ambas, senhora e escrava, mantiveram-se firmes, também como outros seis cristãos que se tornaram seus companheiros no martírio. Elas que ainda não tinham sido batizadas fizeram questão de receber o sacramento na prisão, para reafirmar suas posições de cristãs e, em nenhum momento sequer, pensaram em salvar as vidas negando o cristianismo.

Segundo os escritos oficiais que complementam o diário de Perpétua, os homens foram despedaçados por leopardos. Perpétua e Felicidade foram degoladas, depois de atacadas por touros e vacas. Era o dia 07 de março de 203. Perpétua viveu a última hora dando extraordinária prova de amor e de tranqüila dignidade. Viu Felicidade ser abatida sob os golpes dos animais, e docemente a amparou e a suspendeu nos braços; depois recompôs o seu vestido estraçalhado, demonstrando um genuíno respeito por ela. Esses gestos geraram na população pagã, um breve momento de comoção piedosa. Mas por poucos segundos, pois a vontade da massa enfurecida prevaleceu, até ver o golpe fatal da degolação. Pelo martírio, Perpétua e Felicidade entram para a Igreja, que as veneram nesse dia com as honras litúrgicas.

São lembrados também neste dia: São Saturnino, Santo Ardo de Aniane (abade), São Dráusio de Soissons (bispo), Santo Estervino de Wearmouth (abade).

domingo, 6 de março de 2022

 

O PADRE QUE NÃO ACREDITAVA NA EUCARISTIA - LANCIANO

 

Ele já não conseguia mais celebrar a missa com fé na hora da consagração. E foi então que Deus resolveu agir, dando uma prova de amor que dura até hoje

Era uma manhã de domingo comum, na cidade italiana de Lanciano, no mosteiro de São Legoziano, onde viviam os Monges de São Basílio. O mais incrédulo deles proferia as palavras da Oração Eucarística, quando, de repente, ocorreu o inesperado. Os olhos assustados do religioso denunciavam o evento. Deus havia condecorado a sua suspeita quanto à transubstanciação com o mais prodigioso dos milagres eucarísticos de que se ouviu falar.

 

Hóstia

A hóstia convertera-se em Carne viva e o vinho em Sangue Vivo. O pequeno monge que outrora duvidara da presença real de Cristo na Eucaristia agora era obrigado a reconhecer sua tolice, pedindo perdão a Deus – e à comunidade presente – por sua falta de fé: “Ó bem-aventuradas testemunhas diante de quem, para confundir a minha incredulidade, o Santo Deus quis desvendar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Vinde, irmãos, e admirai o nosso Deus que se aproximou de nós. Eis aqui a Carne e o Sangue do nosso Cristo muito amado!” (1)

Comoção geral. A pequena assembleia reunida se lançou sobre o altar, chorando e clamando a misericórdia de Deus. Havia nascido um novo São Tomé. O monge ganhara a fama do cético apóstolo de Jesus e Lanciano, as multidões que se dirigiram à cidade, ano após ano, em longas peregrinações.

 

Relíquia

A princípio, os fiéis guardaram as relíquias num tabernáculo de marfim, mas, em 1713, foram transferidas para uma custódia de prata e um cálice de cristal, onde se encontram até hoje, na Igreja de São Francisco. Enquanto o Sangue se dividia em cinco fragmentos, coagulados em diferentes dimensões, a Hóstia-Carne aparentava um tecido fibroso, de coloração escura, e rósea quando iluminado pelo lado oposto.

 

Milagre

A Igreja reconheceu o milagre de Lanciano em 1574. Mas foi somente em novembro de 1970 que os Frades Menores Conventuais, os responsáveis pela guarda das relíquias, tiveram a autorização para submetê-las ao exame de dois médicos. Concluída a pesquisa, em Arezzo, os renomados doutores Linoli e Bertelli publicaram um relatório, dizendo: “A Carne é verdadeira carne, o Sangue é verdadeiro sangue. A Carne é do tecido muscular do coração (miocárdio, endocárdio e nervo vago). A Carne e o Sangue são do mesmo tipo sanguíneo (AB) e pertencem à espécie humana. No sangue foram encontrados, além das proteínas normais, os seguintes materiais: cloretos, fósforos, magnésio, potássio, sódio e cálcio. A conservação da Carne e do Sangue, deixados em estado natural por 12 séculos e expostos à ação de agentes atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário.”

 

Resultados

Os resultados foram tão impactantes que antes mesmo do fim da análise, os médicos enviaram um telegrama aos Frades, confessando-lhes o espanto: “E o Verbo se fez Carne!”. É assim que o Milagre de Lanciano, desafiando a ação do tempo e toda a lógica da ciência humana, se apresenta aos nossos olhos como a prova mais viva e palpável de que “Comei e bebei todos vós, isto é o meu Corpo que é dado por vós.”

Em 1975, durante o Ano Santo, o Cardeal Karol Wotyla, futuro João Paulo II, fez uma peregrinação privada ao Santuário do Milagre Eucarístico em Lanciano. Recordando a ocasião numa visita Ad Limina dos bispos italianos dessa região, o Santo Padre insistiu para que a Eucaristia não fosse adorada “só na igreja do milagre, mas em todas as igrejas da vossa bonita terra.”

Curiosamente, o tipo sanguíneo das relíquias é o mesmo encontrado no Santo Sudário.

sábado, 5 de março de 2022

 

“PAI, PERDOA-LHES...” (Lc 23,34)

 

            Andando solitário, saudoso, melancólico, esnobado e descrente pelas estradas poeirentas da vida, deparei-me com um homem de porte majestoso, alto, de pele bronzeada, rosto suave, olhos meigos, cabelos negros e longos, roupas longas, pés descalços, gestos medidos, voz cativante, palavras de vida eterna. Aproximou-se alguém de mim que, como eu, o via passar, estendeu o seu braço direito e, com o dedo indicador em riste, apontou para aquele homem majestoso e me diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (João, 1, 29).

            Passei, então, a seguí-lo, em seu caminhar silencioso e meditativo.

            Ao notar minha presença, ele se volta, e pergunta: “Que está procurando?”, e eu lhe respondo, com outra pergunta: “Mestre, onde moras?” e ele me responde prontamente: “Vem e vê.” (Jo 1,38-39).           

Comecei a caminhar ao seu lado, e ele se volta para mim encarando-me com seu olhar doce,  meigo e profundo e me diz: “Arrepende-se, porque está próximo o Reino dos Céus.” (Mt 4,17), e, como se estivesse vivendo em uma outra dimensão sem tirar os pés do chão, continuou: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.” (Mt 16,24-25), e, a seguir, dizendo: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. se não fosse assim, eu lhe teria dito, pois vou lhe preparar um lugar, virei novamente e lhe levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, você esteja também” (Jo 14,2-3), acrescentando: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.” (Jo 14,6).

Dizendo isso  me convida a conhecer as suas moradas...    Levou-me até onde brincava uma inocente criança, abraçando-a olhando profundamente os seus olhinhos inocentes, calmos e cristalinos como uma lagoa que assimila e reflete o azul do céu e os raios dourados do sol,  e me diz: “... se você não se converter  e não se tornar  como as crianças, de modo algum  entrará no Reino dos Céus. Aquele, portanto, que se tornar pequenino como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus.” (Mt 18,2-4). “Aquele que receber uma criança como esta por causa do meu nome, recebe a mim, e aquele que me recebe, recebe aquele que me enviou...” (Lc 9,46-48);  “Em verdade lhe digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. (Mc 10,15), porque, como essa criança, serão “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mt 5,8).  

Passamos, depois, por diversas outras moradas do Mestre: o faminto, o sedento, o despido, o peregrino, o doente, o encarcerado e, olhando e apontando  para cada um deles,  me disse o Mestre: “E quem der, nem que seja um copo d’água a um desses pequeninos... em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.”(Mt, 10,42), porque serão “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus.” (Mt 5,8); socorra sempre os necessitados, disse-me ele, e aprenda esta regra de ouro: “Tudo aquilo, portanto, que você quer que os homens lhe faça, faça você a eles, pois esta é a Lei e os Profetas.” (Mt 7,12).

O Mestre, vendo-me calado e, penetrando em meu coração notou tantas amarguras, mágoas, ressentimentos e dores, colocou a mão em meu ombro e me conforta: “Ame os seus inimigos, faça o bem aos que lhe odeiam, bendiga os que lhe amaldiçoam, ore por aqueles que lhe difamam. A quem lhe ferir numa face, oferece a outra; a quem lhe arrebatar a capa, não recuse a túnica. Dá a quem lhe pedir e não reclame a quem tomar o que é seu. Como você quer que os outros lhe façam, faça também a eles. Se você ama os que lhe amam, que graça você vai alcançar? ...ame seus inimigos, faça o bem e empreste sem esperar coisa alguma em troca. Será grande a sua recompensa, e você será filho do Altíssimo, pois ele é bom para com os ingratos e maus.” (Lc 6,27-35).

Ao me dizer isso, eu o encarei descrente dessa possibilidade, pois, como iria eu amar meus inimigos que tantos males me fizeram? E os que disseram serem meus amigos, se só tentaram me prejudicar? E as pessoas que disseram que me amavam, se só pensaram em si próprias?   

            Como poderia eu amar quem me fez mal?

O Mestre, ao observar a minha descrença e na impossibilidade do perdão, acrescenta: “Seja misericordioso como o seu Pai é misericordioso. Não julgue para não ser julgado; não condene para não ser condenado; perdoa, e lhe será perdoado. Dê, e lhe será dado; será derramada no seu regaço uma boa medida, calcada, sacudida, trasbordante, pois com a medida com que você medir, você será medido também.” (Lc 6,36-38), e continuou: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” (Mt 5,7); e disse ainda para que eu não esquecesse o seu mandamento novo, quando afirmou: “Dou a você um mandamento novo: que amem-se uns aos outros. Como eu amei voces, vocês devem se amar também uns aos outros.” (Jo13,34).  

E eu lhe respondi: “Mestre, amo a Deus, mas é tão difícil perdoar a quem nos fez mal, é tão difícil esquecer as ofensas, é tão difícil esquecer as esnobações, é tão difícil esquecer ingratidões, despresos, traições...”, ele, prontamente, me respondeu: “não se esqueça do que eu disse, do alto da cruz, me referindo aos meus algozes: “Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem” (Lc 23,34); porque, se lhe prenderam, a mim prenderam também, se lhe caluniaram, a mim caluniaram também, se lhe desacreditaram, a mim desacreditaram também, se falaram mentiras a seu respeito, falaram também ao meu respeito, se lhe levaram a um tribunal, a mim levaram também, se lhe humilharam, lhe abandonaram, a mim fizeram isso também, porque você quer ser diferente de mim? Lembre-se do que eu disse: “Não existe discípulo superior ao seu mestre, nem servo superior ao seu senhor.”  (Mt 10,24); então, porque você quer ser diferente? Não se esqueça do que o meu Apóstolo João escreveu: “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, é um mentiroso: pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar. E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão.” (1Jo 4,20-21). E o Mestre continuou: “Quando você estiver rezando, perdoe tudo o que tiver contra alguém, para que o seu Pai que está no céu também perdoe os seus pecados. Porque, se você não perdoar, o seu Pai que está no céu também não perdoará os seus pecados” (Mc 11,25-26). Ao ouvir isso do Mestre, mesmo com o peito ferido e o coração sangrando, mesmo sem ver perspectivas de dias melhores, eu lhe respondo, do fundo do coração:

            “SENHOR,...  EU... AMO... EU PERDOO... 

sexta-feira, 4 de março de 2022

 

AMOR DE DEUS... AMOR DE MÃE...

 

O profeta Isaias enaltece o amor de mãe que é tão grande e tão bonito que chega a ser comparado, na Bíblia, com o próprio amor de Deus: “Pode a mãe se esquecer do seu nenê, pode ela deixar de ter amor pelo filho de suas entranhas?” (Is 49,15a).

Para justificar o sucesso do homem, costuma-se dizer que, por trás de um homem realizado há sempre a figura de uma grande mulher e, com mais definição, quando essa mulher é a mãe.

O amor de mãe é tão importante e indispensável na vida e na formação de um filho que, para se fazer homem, o Filho de Deus quis ter uma mãe para ser gerado como homem: “Quando, porém, chegou à plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher...” (Gl 4,4) e, por isso, por ter escolhido entre os humanos uma mãe e ter nascido de mulher, podemos dizer que “é em Cristo que habita, em forma corporal, toda plenitude da divindade” (Cl 2,9) e, ainda mais, que Isabel reconheceu em Maria a mãe de um Deus que se fez homem: “Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1,42-43).

O amor materno de Maria para com Jesus foi tão grande que, nos estertores da morte, foi à sua mãe que Jesus se dirigiu pela última vez na cruz, transferindo, para a pessoa de João, que representava toda a humanidade naquele momento, todo amor maternal que Maria lhe dedicou em toda a sua vida terrena.

A mãe é a face feminina de Deus no lar e tem a consciência de ser a colaboradora desse mesmo Deus na geração de novos filhos. A mãe sabe que seus filhos são uma benção de Deus e se torna responsável pela educação cristã de sua família.

Quantas vezes somos esquecidos por amigos, parentes ou quem sabe, até pelo cônjuge que não se lembra de datas importantes da nossa vida como, por exemplo, de aniversário e de casamento, mas a mãe responsável jamais se esquece de qualquer coisa que deixa o seu filho feliz.

Não foi por acaso que o profeta Isaias, para demonstrar o grande amor que Deus tem por nós, recorre à figura materna com os seus cuidados e amor em relação aos seus filhos: “Pode a mãe se esquecer do seu nenê, pode ela deixar de ter amor pelo filho de suas entranhas?” (Is 4915a).

Isaias não para por ai, vai além, e chega ao âmago do amor extremado de Deus por seus filhos: “Ainda que ela se esqueça, eu não me esquecerei de você” (Is 49,15b).

Pena que a citação de Isaias, na leitura, parou por ai. O que vem a seguir e que não consta da leitura desta celebração é tão forte e envolvente como o que está contido no versículo 15. Yahweh continua declarando o seu amor e diz: “Eu tatuei você na palma de minha mão” (Is 49,16a).

Gravar ou tatuar é colocar uma imagem de uma pessoa amada, permanente, indelével e impossível de ser apagada. A pessoa que tem alguém tatuado em sua pele tem por objetivo manifestar o seu amor e para jamais se esquecer da pessoa retratada na tatuagem.

E Deus tatuou a cada um de nós na palma de sua mão para não ter como se esquecer de nós. Pode haver lugar do corpo mais visível para a própria pessoa do que a palma da mão? E é na palma de sua mão que Yahweh diz ter tatuado o nosso nome e o nosso semblante. Maior do que o amor de mãe, só o amor do Pai, amor que “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13,7). 

As Sagradas Escrituras também comparam o amor de Deus aos seus filhos ao amor da ave pelos seus filhotes: “Como águia que cuida de seu ninho e revoa por cima dos filhotes, ele o tomou, estendendo as suas asas, e o carregou em cima de suas penas” (Dt 32,11).

Mais tarde Jesus usaria o mesmo exemplo, a mesma metáfora para queixar-se da ingratidão dos homens: “Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os que foram enviados a você! Quantas vezes eu quis reunir seus filhos como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas você não quis” (Mt 23,37). O profeta Oséias compara a ira do Senhor contra quem fere os seus filhos à selvageria da ursa de quem roubaram os filhotes: “... vou atacá-los como a ursa da qual roubaram os filhotes... (Os 13,8a).

quinta-feira, 3 de março de 2022

 

LUTO - CINCO FASES FUNDAMENTAIS

 

Todos estamos numa fila invisível da morte com uma senha na mão. Um dia a nossa senha será chamada, e lá estamos nós, diante do Criador. Quanto mais longa e íntima for a relação com a pessoa que perdemos, maior o sentimento de perda que ela gera. A mente tem suas ferramentas para lidar com essa ausência e há todo um processo, que pode ocorrer sucessiva ou simultaneamente, ou que seja igual para todos. O tempo e a forma como cada um lida com a dor varia de pessoa para pessoa. Alguns passam muito tempo negando, outros sofrendo, outros com raiva e assim vai. Existem cinco fases básicas do luto. Luto, aqui, está relacionado a qualquer perda significante, inclusive o término de um relacionamento amoroso.

 

1. Negação

Negação é o primeiro mecanismo que a pessoa utiliza para se proteger da dor psíquica diante de uma perda. A intensidade da negação varia, quanto melhor alguém consegue lidar com sua dor, menor o grau de negação. Geralmente essa fase é curta. A negação é a primeira fase do luto. É o momento que nos parece impossível a perda, em que não somos capazes de acreditar. A dor da perda seria tão grande, que não pode ser possível, não poderia ser real.

 

2. Raiva

Como não dá pra viver em negação pra sempre sem ficar louco, a raiva é a reação da pessoa ao ter que encarar a realidade. Inveja e ressentimento andam de mãos dadas com a raiva, que geralmente tem como alvo todo ambiente externo. Tudo é hostilizado, nada é bom. A raiva surge depois da negação. Mas mesmo assim, apesar da perda já consumada negamo-nos a acreditar. Pensamento de “porque comigo?” surgem nesta fase, como também sentimentos de inveja e raiva. Nesta fase, qualquer palavra de conforto, parece-nos falsa, custando acreditar na sua veracidade.

 

3. Barganha

Quando a pessoa percebe que não dá para negar o que aconteceu e a fúria, a raiva também não resolveu, ocorre a tentativa de negociação para que as coisas “voltem a ser como antes”. Súplicas e promessas são os atores principais nessa fase, principalmente aqueles feitos “em segredo”, numa tentativa desesperada de preencher a lacuna. A negociação surge quando o individuo começa a entender o peso da perda, e perante isso tenta negociar, a maioria das vezes com Deus, para que esta não seja verdade. As negociações com Deus são sempre sob forma de promessas ou sacrifícios.

 

4. Depressão

Quando não resta mais nada a não ser encarar a perda, vem a fase de maior sofrimento, a depressão. Geralmente essa fase vem acompanhada da necessidade de introspecção e isolamento. As perspectivas da perda se tornam claras e a dor mais profunda. A depressão surge quando se toma consciência que a perda é inevitável e incontornável. Não há como escapar à perda, e começa a sentir o “espaço” vazio da pessoa que perdeu. Toma consciência que nunca mais irá ver aquela pessoa, e com o desaparecimento dela, vão com ela todos os sonhos, projetos e todas as lembranças associadas a essa pessoa ganham um novo valor.

 

5. Aceitação

Aqui, além de ter plena consciência de sua realidade, a pessoa se habilita a enfrentá-la, mesmo com todas as limitações existentes. Apesar de não ser uma fase propriamente “feliz”, já que é destituída de sentimentos, é o primeiro passo para voltar à vida normal. A aceitação é a última fase do luto. Esta fase é quando a pessoa aceita a perda com paz e serenidade, sem desespero nem negação. Nesta fase o espaço vazio deixado pela perda é preenchido. Esta fase depende muito da capacidade da pessoa mudar a perspectiva e preencher o vazio. Devemos sempre valorizar o que temos, enquanto o temos. Pois não sabemos quando o vamos deixar de ter. Curiosamente muitas vezes só nos apercebemos da importância de determinada pessoa quando a perdemos, porque o valor dessas pessoas dilui-se no valor das coisas que a rodeiam. Porém quando a perdemos, não a perdemos apenas a ela, mas muito do valor das coisas que a rodeavam e é aí que notamos a sua falta. Metaforicamente falando, como se o ambiente que a envolvia “entristecesse” e “perdesse a cor”, e dificilmente voltará a ser como era.

quarta-feira, 2 de março de 2022

 

NÚMERO QUARENTA NA BÍBLIA. QUAL O SIGNIFICADO?

 

A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Faz memória dos 40 dias do dilúvio, dos 40 anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos 40 dias de Moisés e de Elias na montanha, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito, que neste caso se entende como 40 X 10. No Novo Testamento, o número se remete aos 40 dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública.

 

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades. Por isso, uma interpretação une o tempo de nossa vida marcada pelas dificuldades e provações, que precisam ser vencidas como Jesus, no deserto: com oração, jejum, penitência e obediente à Palavra de Deus.

Por que quarenta dias? Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material e o quarenta é a duração de uma geração. Em quarenta dias ou quarenta anos tudo se renova.

Quarenta foram os dias em que Moisés recebeu das mãos de Deus as Leis e Mandamentos que orientaram o povo escolhido a deixar para trás a escravidão e a viver a vida de liberdade total.

Quarenta foram os dias em que Jesus esteve no deserto, entrando ali como simples e humilde carpinteiro e de lá saindo como o Salvador da humanidade. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia.

A Quaresma evoca as passagens que se referem ao número quarenta. Dos quarenta dias do dilúvio: “Durantequarenta dias caiu o dilúvio sobre a terra. [...] No fim de quarenta dias, Noé abriu a clarabóia que tinha feito na arca, e soltou o corvo, que ia e vinha, esperando que as águas secassem sobre a terra.”  (Gn 7,17; 8,6 ).

Dos quarenta anos de peregrinação do povo israelita pelo deserto: “A ira de Yahweh se inflamou contra Israel, e ele o fez andar errante pelo deserto durante quarenta anos, até que desaparecesse aquela geração que fez o que Yahweh reprova.” (Nm 32,13; 14,33; Dt 8,2; 29,4; etc.). Dos quarenta dias e quarenta noites de Moisés no monte Sinai, também conhecido como Monte Horeb ou Jebel Musa, que significa “Monte de Moisés” em árabe: “Moisés ficou ali com Deus, o Senhor,quarenta dias e quarenta noites e durante esse tempo não comeu nem bebeu nada. Ele escreveu nas placas de pedra as palavras da aliança, isto é, os dez mandamentos.” (Ex 34,28; 24,18; Dt 9,9-11; 10,10).

Dos quarenta dias e quarenta noites da caminhada do profeta Elias para a montanha: “Elias se levantou, comeu, bebeu, e sustentado pela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até o Horeb, a montanha de Deus.” (1Rs 19,8).

Dos quarenta dias que foi o tempo que Yahweh deu a Jonas para destruir a cidade de Nínive, se esta não se arrependesse de seus pecados: “Jonas entrou na cidade e começou a percorrê-la, caminhando um dia inteiro. Ele dizia: ‘Dentro de quarenta dias a cidade será destruída.” (Jn 3,4). Dos quarenta anos que foi o tempo que Davi reinou em Israel: “Davi foi rei em Israel durante quarenta anos; reinou sete anos em Hebron, e trinta e três anos em Jerusalém.” (1Rs 2,11).

Dos quarenta dias e quarenta noites em que Jesus jejuou no deserto antes de começar o seu ministério: “Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, sentiu fome.” (Mt 4,2; Mc 1,12; Lc 4,2).

Dos quarenta dias depois da Ressurreição acontece a Ascensão de Jesus: “Foi aos apóstolos que Jesus, com numerosas provas, se mostrou vivo depois de sua paixão: durante quarenta dias apareceu a eles, e falou-lhes do Reino de Deus. [...] Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu à vista deles.” (At 1,3.9).

Das quarenta chicotadas previstas pela Lei de Moisés ao infrator que tenha contrariado alguma recomendação da Lei: “Podem açoitá-lo até quarenta vezes”. (Dt 25,3). Das quarenta chicotadas menos uma que Paulo recebeu por cinco vezes para ser punido por difundir a mensagem de Jesus e do Reino de Deus: “Dos judeus recebi cinco vezes os quarentagolpes menos um.” (1Cor 11,24). Tendo como início o número quatro, podemos citar ainda os quatrocentos anos de escravidão do povo israelita no Egito: “Ai nessa terra eles ficarão como escravos e serão oprimidos durante quatrocentos anos.” (Gn 15,13), e mais: “A estada dos filhos de Israel no Egito durou quatrocentos e trinta anos. No mesmo dia em que terminaram os quatrocentos e trinta anos, os exércitos de Israel saíram do Egito”. (Ex 12,40-41).

Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo de destaque que vai acontecer: a concretização da conversão, a passagem da escravidão para a liberdade; a mudança de vida e de mentalidade, como dizia João Batista: “Convertam-se, porque o Reino de Deus está próximo”. (Mt 3,2), o que foi ratificado por Jesus: “Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: ‘Convertam-se, porque o Reino de Deus está próximo.” (Mt 4,17).

A Igreja propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade.

terça-feira, 1 de março de 2022

 

A ORAÇÃO QUE O SENHOR NOS ENSINOU... (Mt, 6, 9.)

 

PAI... um mundo tão grande em três letras apenas. O tesouro de um Pai. A graça de um Pai. Devemos agradecer emocionados e felizes tudo o que um pai representa na vida da gente. PAI NOSSO... não apenas meu... não apenas seu... Pai meu e Pai seu; Pai do rico e Pai do pobre; Pai do bom e Pai do mau: Pai do branco e Pai do preto; Pai do livre e Pai do encarcerado...  Pai de todos os homens de todas as nacionalidades, ideologias e religiões.  Deus é Pai de todos. É Pai Universal que nos ama infinitamente e deseja a nossa felicidade e realização, a nossa plenitude... Enviou seu Filho  para nos redimir. Deixou-nos os ensinamentos das Sagradas Escrituras para nos abastecer, orientar e santificar.  Somos filhos do Pai, filhos de Deus, e, portanto, filhos do Rei e herdeiros dos céus.

PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS... que está nos céus, está na terra, está nos corações, está em nossas vidas, está em todas as partes. O nosso Pai é Onipotente e Onipresente. Quem vive está com Deus, sempre, em todos os momentos, na dor, na alegria, na vivência da fraternidade, especialmente do amor. Onde existe amor, Deus aí está, porque "Deus é amor." (Jo 4,8).

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME... Seja santificado por mim, por você, por todos os homens, por todas as criaturas, por toda a natureza. Santificado e adorado seja agora e para sempre o Santo Nome do Senhor. Santificado seja o teu Nome através do dom da vida, do apostolado que realizamos, do nosso testemunho de vida cristã, da nossa caridade vivida no dia-a-dia.

VENHA O TEU REINO... reino de paz, de alegria, de justiça, de concórdia, de amor. Reino que acontece no silêncio dos corações dos homens de boa vontade, homens e mulheres, não pela força das armas, da violência, da coação e da opressão. Reino invisível, reino eterno, reino libertador, reino espiritual. Reino que Jesus veio trazer para todos nós, o reino de amor, reino de união, reino de confraternização. Venha o teu reino que deverá ser participado por todos os homens e mulheres de boa vontade.

SEJA FEITA A TUA VONTADE...  e a vontade do Pai é que todos os homens sejam seus filhos e filhos felizes.  Que todos os seus filhos se amem uns aos outros, assim como o próprio Jesus amou e ensinou a todos se amarem. A vontade do Pai é que não haja mais desavenças, brigas, ódios, guerras, roubos, mortes, violências, acidentes, abortos, desuniões, infidelidades... Mas, infelizmente, não cumprimos a vontade do Pai e, bem por isso, existem tantas infidelidades, desuniões, ódios...  Humanos e egoístas que somos, buscamos fazer, quase sempre, a nossa vontade, negligenciando a vontade do Pai, tentando adaptar a vontade divina à nossa vontade. Nas horas fáceis, é fácil dizer: "Seja feita a tua vontade...", mas, nos momentos ásperos da vida, nas horas da provação, do sofrimento maior, custa-nos muito aceitar  a vontade do Pai. O céu desce até nós quando construímos ambientes de paz de harmonia, de amizade, de amor, de compreensão. O céu se afasta de nós e o inferno se instala em nosso meio quando campeiam o ódio, a inveja, a infidelidade, a injustiça, o ciúme, a inimizade, o rancor, a desavença, o desrespeito, o ressentimento, a falta de perdão, a impaciência, o desamor... Porque nos odiamos e nos infernizamos se temos tão pouco tempo para nos amar e nos querermos bem? E Jesus, na agonia que antecedeu a sua paixão e morte,  já sabendo qual seria o seu fim, naquela angústia em que até a alma fica aterrorizada diante da possibilidade da morte,  como ele mesmo disse: "Minha alma está triste até a morte." (Mt 26,38), não fugiu do destino que Deus Pai lhe havia determinado e faz uma súplica angustiante, entregando tudo de acordo com a vontade do Pai: "Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice; contudo não seja como eu quero, mas como tu queres." (Mt 26,39.42). Jesus se entregou à morte, e morte de cruz para obedecer e fazer cumprir a vontade do Pai. Exemplo que Jesus nos deixa é que a vontade do Pai está sobre e acima até de nossa própria vida. Maria, a escolhida por Deus para ser a mãe de seu Filho, também aceita sem reservas a vontade do Pai, e afirma: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra." (Lc 1,38).

NA TERRA COMO NO CÉU...   na terra, onde o Pai, depois de ter criado todas as coisas, depois de ter criado o homem e a mulher e "Deus viu o que tinha feito, e era muito bom." (Gn 1,31), onde deveria imperar a vontade do Pai,  vem o demônio, personificado numa serpente, e destroi tudo de bom que o Senhor havia feito, (Gn 3,1-24). Mas o Senhor  quis e quer que a sua vontade seja feita na terra e por isso nos mandou seu Filho Jesus, sendo que "...todos os que o receberam deu o poder  de se tornarem filhos de Deus...  (Jo 1,12). E hoje, cabe a cada um de nós, que nos dizemos cristãos, fazer com que a vontade de Deus seja feita aqui na terra, porque, no céu, os Anjos não se cansam de cantar os seus louvores, e não cessam de o louvar e o adorar.

O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE...  e qual seria esse pão? É o próprio Jesus quem nos responde: "Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu, mas é meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu; porque o pão de Deus é aquele que desce dos céus e dá vida ao mundo." (Jo 6,32-33), e completa: "Eu sou o pão da vida.  Quem vem a mim,  nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede." (Jo 6,35). Jesus se auto afirma "o pão espiritual" para as nossas almas, para o nosso espírito; é o pão que Deus Pai nos manda do céu para que não tenhamos mais fome  e nem sede das coisas do Pai. Mas, também precisamos do pão material da mesma forma que precisamos do pão dos valores eternos.  O pão de trigo, sem bromato. O pão da verdade, sem mentiras. O pão da fidelidade, sem traições. O pão da justiça, sem injustiças. O pão da liberdade, sem opressão. O pão do amor, sem ódio. O pão da união, sem abandono. O pão da luz, sem trevas. O pão da alegria, sem tristezas. O pão da fé, sem dúvidas. O pão do perdão, sem mágoas. Esse pão que devemos repartir com os nossos irmãos. O pão que sobra na mesa dos ricos e faz falta na mesa dos pobres. O pão que os egoístas querem só para si enquanto centenas e milhares morrem à mingua por falta do pão de trigo, do pão da justiça, do pão da liberdade. O pão da amabilidade que revela nobreza de coração e respeito à individualidade do outro. O pão vindo do céu, que é o Senhor Jesus, que alimenta nossos ideais de apostolado cristão. O pão da solidariedade de quem reparte tempo, atenção, alegria e jovialidade com seus irmãos. O pão da fé e da esperança num mundo descrente, confuso, desencantado, materialista e pagão. O pão da justiça e do respeito aos direitos humanos, numa sociedade de opressores e oprimidos,  nesse século que nós, cristãos, desejamos cristianizar e converter o mundo para Deus.

E PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS... Ah! Senhor Deus, perdoa a nossa mediocridade, a nossa falta de idealismo, o nosso cansaço, as nossas rebeldias, as nossas críticas precipitadas, a nossa violência, as nossas omissões e comodismo, a nossa fé nem sempre adulta, a nossa fragilidade, a nossa impaciência em aceitar as limitações próprias  e as limitações dos nossos irmãos; perdoa, Senhor, as nossas  dívidas, que temos convosco e com os nossos irmãos...

COMO TAMBÉM NÓS PERDOAMOS OS NOSSOS DEVEDORES... Perdoa, oh! Pai, as nossas dívidas, as nossas ofensas, que são tantas, mas ensina-nos, também, a perdoarmos os que nos ofendem, porque, o seu perdão, Pai,  só o recebemos na medida em que sabemos perdoar a quem nos tem ofendido. Sabemos, Pai, que se não soubermos perdoar, também não seremos perdoados pelo Senhor. Se guardarmos ódio contra os irmãos no coração, não receberemos o perdão do Pai. Se guardarmos mágoa contra qualquer irmão,  somos indignos de repetir a oração do Pai Nosso que Jesus nos ensinou. Se quisermos repetir a oração do Pai Nosso, é indispensável que antes tenhamos perdoado a todos os que nos tem ofendido, indistintamente. Magoamos e somos magoados a cada passo. Decepcionamos os nossos irmãos, e somos decepcionados por eles. Não amamos como deveríamos e nem somos amados como gostaríamos. Ferimos tantas, vezes, e até sem querer... Somos feridos muitas vezes. até sem merecer... Nem sempre é fácil perdoar injustiças e maldades, ofensas e incompreensões, desamores e infidelidades... A ingratidão dói, a indelicadeza nos desalenta. Perdoar exige heroísmo, muitas vezes. Especialmente quando fomos magoados pelas pessoas que amamos. Mas o Pai nos perdoa na medida em que perdoarmos a quem nos tem ofendido, porque, assim nos disse Jesus: "Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis, sereis medidos"... (Mt 7,1-2).

E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO... à tentação do mais fácil, do mais cômodo. À tentação da vanglória e da inimizade. Na tentação de seguir os nossos caprichos e leviandades. Na tentação de abandonarmos o seu Reino e buscarmos o nosso próprio reino, o reino do mundo, vulgar, mesquinho, egoísta. Na tentação de vivermos uma fé sem obras, de uma religião desencarnada da verdade e da realidade. A tentação de quem prega Jesus Cristo mas desconhece as Sagradas Escrituras, os Santos Evangelhos. A tentação de quem fala em paz e só promove intrigas;  de quem prega a justiça e só pratica a injustiça; que quem diz que vive o amor e semeia o desamor, o ódio, a desconfiança. Não nos exponha à tentação de abandonar a doutrina  pregada e vivida por Jesus Cristo. Não nos exponha à tentação de virarmos as costas para os nossos irmãos necessitados, tanto material como espiritualmente. Não nos exponha à tentação de querermos tudo para nós e não repartirmos nada cos os outros....

MAS LIVRA-NOS DO MAL... livra-nos do mal da auto-suficiência, da vaidade, do orgulho, da presunção, da prepotência. Alguém já disse que "os maus não são bons porque os bons não são melhores." Todos necessitamos de conversão. Continuamos recitando muitos Pais Nossos de mentirinha. Os nossos lábios falam e recitam a prece mas o nosso coração e a nossa vivência cristã desmentem o que os lábios dizem.

AMÉM... Pai, dá-nos  a vossa redenção. Ajuda-nos a vivenciar e não apenas recitar essa magnífica prece que o próprio Senhor Jesus nos ensinou.  Pai, aceita e recebe a nossa boa vontade, o nosso desejo de acertar e crescer no seu amor. Queremos ser instrumentos de seu amor num reino a construir hoje e sempre...