domingo, 18 de julho de 2021

 

“JESUS VIU UMA NUMEROSA MULTIDÃO E TEVE COMPAIXÃO, PORQUE ERAM COMO OVELHAS SEM PASTOR.” Mc 6,34.

 

XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leituras: Jr 23,1-6; Sl 22; Ef 2,13-18; Mc 6,30-34.

 

 

Diácono Milton Restivo

 

Conforme constatamos no primeiro livro das Sagradas Escrituras, a profissão de pastor de ovelhas é a mais antiga do mundo, assim como a de agricultor:

·         "Abel tornou-se pastor de ovelhas e Caim cultivava o solo. Passado o tempo, Caim apresentou produtos do solo em oferenda a Iahweh. Abel, por sua vez, também ofereceu as primícias e a gordura do seu rebanho." (Gn 4,2-4).

O povo judeu teve a sua origem no pastoreio, considerando que os doze filhos de Jacó, depois Israel, que deram origem às doze tribos israelitas, eram pastores, conforme vemos em Gênesis 37.

A função do pastor era procurar pastagens e água para o rebanho, o que nem sempre era fácil devido a região árida em que habitava, o que exigia muita paciência e, principalmente, coragem para defender o rebanho contra as feras e ladrões.

Para tal fim, muniam-se de cajado que usavam como armas. Ovelhas são animais mansos, naturalmente desprovidos de atributos de defesa, sem garras ou chifres, sem presas mortíferas, incapazes de se defender. 

O pastor traz na mão o cajado, arma para a defesa do seu rebanho. E quando tudo estava tranquilo, as ovelhas pastando, as feras e ladrões mantidos à distância pelo pastor, ele podia se dedicar a contá-las tranquilamente para ver se não faltava nenhuma, se alguma havia se extraviado e se não havia nenhuma ovelha ferida ou, se houvesse, dedicar-se a medicá-la. 

A dedicação do pastor ao seu rebanho fez com que os profetas e o próprio Jesus identificassem a figura do pastor com o amor de Deus aos seus escolhidos, tornando-se o pastor a imagem clássica da providência divina.

No Antigo Testamento Iahweh, para demonstrar o seu amor e a sua dedicação para com o povo, se dizia dono do rebanho que indicava pastores, como os reis e sacerdotes para cuidar do seu rebanho. 

O Salmo 22, que recitamos ou cantamos nesta liturgia, que é um dos Salmos mais recitados e cantados na nossa Igreja, narra bem os cuidados do pastor e a confiança da ovelha em relação a quem a cuida, entregando-se totalmente sob sua providência:

·         “O Senhor é meu pastor. Nada me falta. Em verdes pastagens me faz repousar; para fontes tranquilas me conduz, e restaura minhas forças. Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome. Embora eu caminhe por um vale tenebroso nenhum mal temerei, pois junto a mim estás; teu bastão e teu cajado me deixam tranquilos”. (Sl 22,1-4).

Este Salmo, que é atribuído ao rei Davi, é um dos mais belos, mais conhecidos, mais cantados e mais recitados salmos em todo o mundo cristão.

O Salmo desta liturgia transmite o cuidado e o amor que Yahweh tem para com o seu povo e o salmista, manifestando os anseios de toda a humanidade, chama a Yahweh de seu pastor, considerando que pastor é Rei, colocando nele toda a sua confiança e segurança:

·         “Yahweh é meu pastor. Nada me falta. [...] Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome.” (Sl 22,1.3).

Conforme a tradição judaica, David teria escrito este Salmo quando estava cercado por tropas inimigas num oásis, à noite; daí o Salmo inserir tamanha confiança na Providência Divina contra os inimigos. Claro que há outras interpretações que defendem que esse Salmo tenha sido feito de outra maneira e em outro lugar e em outra ocasião mas, particularmente, prefiro ficar com a tradição judaica.

O rei Davi deleita-se ao entregar-se aos cuidados de Yahweh, a quem chama de Pastor:

·         Yahweh é o meu pastor. Nada me falta. Em verdes pastagens me faz repousar; para fontes tranquilas me conduz, e restaura minhas forças”. (Sl 23 (22),1-2).

O pastor passava o dia todo com as suas ovelhas e estabelecia com elas uma profunda identidade. No Salmo 80 (79) o salmista, em suas súplicas, também chama Yahweh de pastor:

·         “Pastor de Israel, dá ouvidos, tu que diriges a José como a um rebanho...”. (Sl 80 (79),1).

A confiança da ovelha ao pastor era extrema: não precisava preocupar-se com o alimento, com a água, com a restauração de suas forças e pelos caminhos que deveria trilhar:

·         “Em verdes pastagens me faz repousar. Para as águas tranquilas me conduz e restaura as minhas forças; ele me guia por caminhos justos, por causa do seu nome”.

A ovelha, na presença do pastor, goza de proteção e saúde. Tem alimento, e descanso. Repousa tranquila, e é levada às águas calmas. Quando é ferida, é curada; quando o lobo vem, é protegida; sente e recebe o carinho do pastor porque, quando cansada, é levada nos ombros pelo pastor. Para a ovelha, o amanhã é um dia que não existe, e o ontem já deixou de ser preocupação, como deveria ser para cada um que coloca seus cuidados nas mãos do Bom Pastor.

No Antigo Testamento Iahweh não se intitula pastor, mas como o dono do rebanho, e assim os escritores sagrados o coloca nessa situação quando quer transmitir ao povo o amor e cuidado que tem com a nação escolhida, atribuindo essa função de pastores aos governantes, líderes tanto religiosos quanto políticos, como fez com Moisés e Aarão, designados pastores do povo por Iahweh:

·         "Guiaste teu povo como um rebanho, pela mão de Moisés e Aarão." (Sl 77 (76), 21).

Iahweh coloca na boca do profeta Ezequiel uma chamada de atenção aos pastores negligentes, omissos e que querem tirar proveito do seu rebanho, das ovelhas que pertencem a Iahweh:

·         “Ai dos pastores de Israel que são pastores de si mesmos. Não é do rebanho que os pastores devem cuidar? Vocês bebem o leite, vestem a lã, matam as ovelhas gordas, mas não cuidam do rebanho. Vocês não procuram fortalecer as ovelhas fracas, não dão remédio para as que estão doentes, não curam as que se machucam, não trazem de volta as que se desgarraram e não procuram aquelas que se extraviaram. Pelo contrário, vocês dominam com violência e opressão. Por falta de pastor as minhas ovelhas se espalharam e se tornaram pasto de feras selvagens. Minhas ovelhas se espalharam e vagaram sem rumo pelos montes e morros. Minhas ovelhas se espalharam por toda a terra, e ninguém as procura para cuidar delas. Por isso, vocês, pastores, ouçam a palavra de Iahweh: Juro por minha vida – oráculo do Senhor Iahweh -. Minhas ovelhas tornaram-se presa fácil e servem de pasto para as feras selvagens. Elas não têm pastor, porque os meus pastores não se preocupam com o meu rebanho; ficam cuidando de si mesmos, em vez de cuidarem do meu rebanho. Por isso, pastores, ouçam a palavra de Iahweh! Assim diz o Senhor Iahweh: vou me colocar contra os pastores. Vou pedir contas a eles sobre o meu rebanho, e não deixarei mais que eles cuidem do meu rebanho. Deste modo, os pastores não ficarão mais cuidando de si mesmos. Eu arrancarei as minhas ovelhas da boca deles, e elas não servirão mais de pasto para eles. Eu mesmo vou procurar as minhas ovelhas. Como o pastor conta o seu rebanho, quando está no meio de suas ovelhas que se haviam dispersado, eu também contarei as minhas ovelhas, e as reunirei de todos os lugares por onde se haviam dispersado, nos dias nebulosos e escuros. [...] Eu mesmo conduzirei as minhas ovelhas para o pasto e as farei repousar. Procurarei aquelas que se perder, trarei de volta aquelas que se desgarrar, curarei a que se machucar, fortalecerei a que estiver fraca”. (Ez 34,2-12.15-16).

Na primeira leitura da liturgia deste domingo o profeta Jeremias insiste no mesmo problema que o profeta Ezequiel explanou acima: o desinteresse dos pastores para as ovelhas do rebanho de Iahweh:

·         “Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho de minha pastagem. [...] Vocês dispersaram o meu rebanho e o afugentou e não cuidou dele”. (Jr 23, 1.2).

Iahweh, por meio do profeta Jeremias, mostra-se descontente com os cuidados que são dispensados para o seu rebanho pelos pastores que dele deveriam cuidar, como o rei, os sacerdotes e todas as autoridades civis, religiosas e militares do povo, e promete enviar um pastor responsável “que vai dar a sua vida pelas ovelhas” (cf Jo 10,15).

Assim diz Iahweh por meio de Jeremias:

·         “Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei nascer um descendente de Davi; reinará como rei e será sábio; fará valer a justiça e a retidão na terra. Naqueles dias Judá será salvo e Israel viverá tranquilo; este é o nome com que o chamarão: ‘Senhor, nossa Justiça’”. (Jr 23,5-6).

E, na plenitude dos tempos, Iahweh nos manda o “Emanuel, que quer dizer: Deus conosco” (cf Is 7,14; Mt 1,23), Jesus, o Bom Pastor, que ao mesmo tempo em que é pastor também se faz “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), e esse cordeiro, quando é sacrificado, nem mesmo bale. Morre silenciosamente. Derrama o seu sangue e oferece sua carne e o seu sangue para o sustento do próprio rebanho. E o Filho de Deus se fez

·         “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. (Jo 1,29).

E Jesus, envolvido com o amor que o Pai dedicava às suas ovelhas no Antigo Testamento, assim como o Pai se dizia dono do rebanho, antes de se entregar como o Cordeiro, assume a postura do pastor da Nova Aliança, e passa a cuidar do rebanho do Pai:

·         “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário, que não é pastor e a quem as ovelhas não pertencem, quando vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e sai correndo. Então o lobo ataca e dispersa as ovelhas. O mercenário só trabalha por dinheiro, e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor: conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou a vida pelas ovelhas. Tenho também outras ovelhas que não são deste curral. Também a elas eu devo conduzir; elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. (Jo 10,11-16).

Marcos, na liturgia do domingo anterior, narrou que Jesus começa a preparar os seus discípulos e apóstolos para serem pastores de suas ovelhas:

·         “Jesus chamou os doze começou a enviá-los dois a dois." (Mc 6,7).

Na liturgia deste domingo os discípulos retornam depois de cumprirem a missão que lhes foi dada pelo Mestre e Pastor. Contam a Jesus tudo o que haviam feito e ensinado. Jesus, feliz com a experiência que havia feito com os discípulos e realizada com êxito de pastorear o rebanho de Iahweh, convida os discípulos para o repouso merecido, para a meditação, para a oração porque, depois de um longo dia de trabalho e de semear a Palavra, nada melhor que entrar em contato com o Pai para lhe agradecer do trabalho que havia sido realizado.

E foram, então, de barco para um lugar deserto e afastado porque à sua volta

·         “Havia de fato, tanta gente chegando e saindo, que não tinham tempo nem para comer.” (Mc 6,31).

Jesus não quer no seu Reino gente acomodada. Para os seus seguidores Jesus não oferece e nem promete mordomias, conforto e “status” e, para ensiná-los qual seria o perfil do pastor que ele quer para o rebanho de Iahweh, muitas vezes foi radical e não usou de meias palavras:

·         “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça. [...] Deixem que os mortos sepultem seus mortos; mas você, vá anunciar o Reino de Deus. [...] Quem põe a mão no arado e olha para trás, não serve para o Reino de Deus.” (Lc 9,58.60.61).

E disse ele ao jovem rico:

·         “Vai, vende tudo o que você tem, dê o dinheiro aos pobres e você terá um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me” (Mc 10,21).

É esse o perfil que Jesus quer para os seus seguidores e que venham pastorear o rebanho de Iahweh; nem mais, nem menos.

E, pela dificuldade que ele encontrou para selecionar pastores íntegros, desapegados e responsáveis, ele diria:

·         “Muitos são chamados, e pouco são escolhidos”. (Mt 22,14).

Mesmo atravessando o lago para tentar dar descanso aos seus discípulos, Jesus não teve êxito porque

·         “muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé e chegaram lá antes deles. Ao desembarcar Jesus viu uma numerosa multidão...”. (Mc 6,33-34).

Não adiantou querer fugir para descansar; a multidão sedenta da Palavra não dá sossego, não dá tréguas, e depois de atravessar o lago e

·         desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão, e teve compaixão, porque era como ovelhas sem pastor”. (Mc 6,34).

E não teve descanso, e começou tudo outra vez...

·         “Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”. (Mc 6,34).

Para o pastor não existe descanso. Para o pastor não tem um tempo que é só seu. Muitas vezes reclamamos nos omitimos no trato com o rebanho de Yahweh.

E, para essas ocasiões, depois de agradecer ao Pai pelos que colocam a mão no arado e não olham para trás, Jesus nos alenta, nos conforta, nos acolhe e nos oferece descanso no seu regaço:

·         “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do seu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Venham a mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso de seu fardo, e eu lhes darei descanso. Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. Porque a minha carga é suave e o meu fardo e leve”. . (Mt 11,25-30).

Mas Jesus não permite que seus seguidores acomodem-se e se descuidem de sua missão e orienta para que não cessem de pedir ao Pai pelos trabalhadores da messe:

·         A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos! Por isso, peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita”. (Mt 9,36-38).

Não nos esqueçamos que Jesus morreu de pé e de braços abertos para que não ficássemos sentados e de braços cruzados...

sábado, 17 de julho de 2021

 

BEM-AVENTURADOS INÁCIO DE AZEVEDO E COMPANHEIROS - 1527-1570

 

Inácio de Azevedo nasceu em Portugal, na cidade do Porto, em 1527. Seus pais, Manuel e Violante, eram descendentes de famílias lusitanas, ricas e poderosas. Desde pequeno foi educado sob preceitos cristãos e recebeu também vasta cultura acadêmica.

Aos dezoito anos, tornou-se administrador dos bens da família, pois tinha inteligência acima da média. Mas sua vocação era a religião.

Após um retiro na cidade de Coimbra, entrou para a Companhia de Jesus em 1548.

Cinco anos depois, recebeu a ordenação sacerdotal. Seus estudos eram tão avançados e seus conhecimentos tão extensos que, mesmo sem terminar o curso de teologia, foi nomeado reitor do Colégio Santo Antonio, em Lisboa.

Em 1565, foi escolhido pelos jesuítas para representá-los, em Roma, na eleição do novo geral, que era ninguém menos que o próprio Francisco Borja, hoje santo. Admirado com a capacidade de Inácio, deu-lhe a incumbência de vistoriar as missões jesuítas nas Índias e no Brasil.

Tal viagem de inspeção durou três anos. No Brasil, a evangelização começara havia apenas dezesseis anos, mas o trabalho dos jesuítas dava frutos em profusão. A Companhia de Jesus já estava presente em sete tribos no interior e, no litoral, possuía escolas e seminários.

Ao voltar, Inácio relatou ao geral que o trabalho ia muito bem, mas poderia render ainda mais se houvesse um número maior de missionários. Recebendo autorização do superior, recrutou jesuítas na Espanha e Portugal.

Após cinco meses de preparativos, ele e mais trinta e nove companheiros partiram para o Brasil, em 5 de junho de 1570, num navio mercante.

Na mesma data, partiu também uma embarcação de guerra comandada por dom Luis Vasconcelos, governador do Brasil, onde seguiam mais trinta jesuítas.

Oito dias depois, os dois navios pararam na ilha da Madeira, para esperar ventos mais fortes e melhor direcionados. O navio de guerra ali permaneceu, mas o capitão do mercante, que era Inácio, resolveu zarpar em direção às ilhas Canárias.

Apesar dos boatos da existência de piratas calvinistas no caminho, que estariam no encalço dos jesuítas, ele não quis ouvir os conselhos de não seguir viagem.

Inácio e seus parceiros preferiram permanecer a bordo e não desistir, pois não temiam a morte. Ela, de fato, os encontrou em alto mar.

O navio foi atacado pelo corsário calvinista francês Jacques Sourie, que partira de La Rochelle, justamente no encalço dos missionários.

O navio foi dominado, os tripulantes e demais passageiros poupados, mas todos os jesuítas foram degolados imediatamente. Era o dia 15 de julho de 1570.

O culto a Inácio de Azevedo e companheiros foi aprovado pelo papa Pio IX em 1854.

A festa ocorre no dia do trânsito dos quarenta de jesuítas martirizados pelas mãos de piratas calvinistas. São venerados como os "Mártires do Brasil".

São comemorados também, neste dia: São Boaventura de Albano, Santa Justa, Santa Rosália, São Charbel, São Vladimir de Kiev, Aprônia de Troyes (virgem), Santo Atanásio de Nápoles (bispo), São Balduino de Rieti (abade), São Bento de Angers (bispo), São Davi de Munkentorp (monge e bispo).

sexta-feira, 16 de julho de 2021

 

NOSSA SENHORA DO CARMO – ORIGEM

 

 Nossa Senhora do Carmo tem origem no século XII, quando um grupo de eremitas começou a se formar no monte Carmelo, na Palestina, terra Santa, iniciando um estilo de vida simples e pobre, ao lado da fonte do profeta Elias, que se estendeu ao mundo todo. A palavra Carmo, corresponde ao monte do Carmo ou monte Carmelo, em Israel, onde o profeta Elias se refugiou. A palavra carmo ou carmelo significa jardim.

 

História de Nossa Senhora do Carmo e os carmelitas - A ordem dos carmelitas venera com carinho o profeta Elias, que é seu patriarca, e a Virgem Maria, venerada com o título de Bem Aventurada Virgem do Carmo. Devido ao lugar, esse grupo foi chamado de carmelitas. Lá, esse grupo de eremitas construiu uma pequena capela dedicada a Senhora do Carmo, ou Nossa Senhora do Carmelo. Posteriormente os carmelitas foram obrigados a ir para a Europa fugindo da perseguição dos muçulmanos. Aí se espalhou ainda mais a Ordem do Carmelo.

 

Devoção a Nossa Senhora do Carmo - Com a expulsão dos carmelitas de Israel, a devoção a Nossa Senhora do Carmo começou a se espalhar por toda a Europa. Também foi levada para a América Latina, logo no começo de sua colonização, passando a ser conhecida em todos os lugares. E não somente no Carmelo. Foram construídas várias igrejas, capelas e até catedrais dedicadas a Senhora do Carmo.

 

Aparição de Nossa Senhora do Carmo a São Simão - São Simão era um dos mais piedosos carmelitas que vivia na Inglaterra. Vendo a Ordem dos Carmelitas ser perseguida até estar prestes a ser eliminada da face da terra, ele sofria muito e pedia socorro a Nossa Senhora do Carmo. Sua oração, que os carmelitas usam até hoje, foi a seguinte: “Flor do Carmelo, vide florida. Esplendor do Céu. Virgem Mãe incomparável. Doce Mãe, mas sempre virgem. Sede propícia aos carmelitas. Ó Estrela do mar.” Então Maria Santíssima, rodeada de anjos, apareceu para São Simão, entregou-lhe o Escapulário e lhe disse: “Recebe, meu filho muito amado, este escapulário de tua ordem, sinal do meu amor, privilégio para ti e para todos os carmelitas. Quem com ele morrer não se perderá. Eis aqui um sinal  da minha aliança, salvação nos perigos, aliança de paz e amor eterno.”

A partir desse milagre, o escapulário passou a fazer parte do hábito dos carmelitas.

 

Milagre de Nossa Senhora do Carmo - A partir da aparição de Nossa Senhora do Carmo a São Simão, a Ordem do Carmelo começou a florescer na Europa e em vários lugares do mundo, permanecendo firme até os dias de hoje. O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo é a tradição do Carmelo. A palavra escapulário, vem do latim, escápula, que significa  armadura, proteção. O escapulário é uma forma de devoção a Maria Santíssima. O uso do escapulário é um sinal de confiança em Nossa Senhora do Carmo. A pessoa que o usa, é coberta com a proteção e as graças da Virgem Do Carmo. O escapulário, segundo o Concilio Vaticano II é um Sacramental, um sinal sagrado, obtendo efeitos de proteção da Igreja Católica. É uma realidade visível que nos conduz a Deus. Santa Tereza dizia que: portar o escapulário, era estar vestida com o hábito de Nossa Senhora.

 

O valor do escapulário como vestimenta - A primeira veste de que se tenha notícia na História remonta ao Paraíso Terrestre. Conta-nos o Gênesis (3,21) que, após a queda de nossos primeiros pais, Adão e Eva, o próprio Deus lhes confeccionou túnicas de pele e com elas os revestiu. Bem mais tarde, Jacó fez uma túnica de variadas cores para o uso de José, seu filho bem-amado (Gn 37, 3). E assim, as vestimentas vão sendo citadas nestas ou naquelas circunstâncias, ao longo das Escrituras (Gn 27,15; 1Sm 2,19; etc). Uma túnica porém, ocupa lugar "princeps" entre todas as vestimentas: aquela sobre a qual os soldados deitaram sorte, por se tratar de uma peça de altíssimo valor, pelo fato de não possuir costura. Uma piedosa tradição atribui às puríssimas mãos de Maria a arte empregada em sua confecção. Ao se darem conta, os esbirros, da elevada qualidade daquela peça, tomaram a resolução de não rasgá-la. O Escapulário é um sinal de aliança com Nossa Senhora,e exprime nossa consagração a Ela. Assim vestia Maria a seu Filho Jesus, desde o seu nascimento, como esmerada e devotada Mãe. E da mesma forma quer revestir também a nós, seus filhos adotivos, Aquela que "como névoa cobre a terra inteira". Pois a Ela fomos entregues na mesma ocasião em que os soldados, pela sorte, decidiam sobre a propriedade da túnica de Jesus: "Mulher, eis aí teu filho" (Jo 19,26). E que roupa nos oferece Ela? O escapulário...

 

Oração a Nossa Senhora do Carmo - Senhora do Carmo, Rainha dos anjos, canal das mais ternas mercês de Deus para com os homens. Refúgio e advogada dos pecadores, com confiança eu me prostro diante de vós, suplicando-vos que obtenhais a graça que necessito, (pede-se a graça). Em reconhecimento, solenemente prometo recorrer a vós em todas as minhas dificuldades, sofrimentos e tentações, e farei de tudo que ao meu alcance estiver, a fim de induzir outros a amar-vos, reverenciar-vos e invocar-vos em todas as suas necessidades. Agradeço as inúmeras bênçãos que tenho recebido de vossa  mercê e poderosa intercessão. Continuai a ser meu escudo nos perigos, minha guia na vida e minha consolação na hora da morte. Amém. Nossa Senhora do Carmo, advogada dos pecadores mais abandonados, rogai pela alma do pecador mais abandonado do mundo. Ó Senhora, rogai por nós que recorremos a vós.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

 

MARIA, MÃE DOS AFLITOS

 

Mãe, em Fátima a Senhora disse aos pastorzinhos: “Eu nunca te abandonarei. O meu Coração Imaculado será o teu refúgio.”

Mãe, homem nenhum em tempo algum pode avaliar a tristeza, a amargura e o sofrimento do seu Coração ao acompanhar seu Filho Sacrossanto ao Calvário e presenciar o maior crime praticado pela humanidade contra Ele próprio: a crucificação e a morte do Filho de Deus, que é também seu Filho.           

Seu Coração estava amargo, sofrido e triste mas jamais chegou ao desespero, à revolta e à indignação  contra Deus por ver tamanha injustiça cometida  pelos homens contra seu Filho muito Amado. Quantos de nós, doce Mãe, estamos também caminhando pelos caminhos doloridos e espinhosos do Calvário, com o coração  em farrapos, cheio de angústia, de tristeza, de amargura e sofrimento, mas jamais, a seu exemplo, doce Mãe, jamais em desespero e revolta contra Deus pelas coisas que nos acontecem, porque sabemos que se algo desagradável nos acontece é culpa nossa mesmo, é consequência de nossas atitudes impensadas; mas o seu Filho, doce Mãe, o que de mal lhe aconteceu, não foi culpa dele e nem consequências de atos impensados que ele tenha praticado, mas foi culpa nossa.      

O seu Filho era inocente em todos os sentidos e de livre e espontânea vontade tomou a nossa natureza para colocar sobre seus ombros a nossa miséria e os nossos pecados.

Mas, às vezes, Senhora, muitos males se nos acometem, muitas doenças nos atingem e, na nossa caminhada neste vale de lágrimas e no nosso leito de dor repetimos como o seu Filho em sua última oração no monte das Oliveiras: “Pai, se é possível, afasta de mim esse cálice, mas não se faça como eu quero, mas sim como tu queres... Mas, se esse cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.”  (Mt 26, 39 e 42), e todos os dias repetimos a oração que o seu Filho nos ensinou: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mt 6, 10).

Mas, nos nossos momentos de dor, a quem poderíamos recorrer, senão à Senhora se, como disse Santo Afonso: “Tu és toda poderosa junto de Deus.”?

Nós sabemos, Mãe, e temos certeza e confiança que seu Divino Filho jamais deixou de atender a um pedido seu em qualquer circunstância: nós acreditamos que o seu Divino Filho jamais há de negar para a Senhora coisa alguma.

Diante de Santa Brígida o seu Divino Filho prometeu para a Senhora despachar favoravelmente a todos os que solicitarem dele alguma graça  por seu amor.

Também um Anjo disse a esta mesma Santa Brígida: “Não há ninguém que reze à Maria sem receber de sua caridade algum favor.”

Por isso, nós lhe pedimos, doce Mãe; roga ao seu Filho por todos nós, a Senhora que pode tudo o que quiser e pedir, e isso confiantes na promessa de seu Filho de jamais deixar de atender a um só pedido seu. Exemplo disso, doce Mãe, o Evangelista João nos dá na narração do casamento de Canaã, na Galiléia, quando a Senhora disse aos serventes da festa: “Façam tudo o que o meu Filho lhes disser.” (Jo 2, 5).

E seu Filho, a um pedido seu, transformou a água no mais saboroso dos vinhos.

Mãe, se a um pedido seu, seu Filho, por amor à Senhora e aos necessitados, altera até as leis da natureza, e até os ventos e o mar obedecem (cf Mt 8, 27); até os mortos voltam à vida por ordem de seu Filho, como na ressurreição do filho da viuva de Naim, (Lc 7, 11 ss), na ressurreição de Lázaro (Jo 11), e na ressurreição da filha de Jairo, quando ele disse:  “Talitha kum, que quer dizer: Menina, eu te ordeno, levanta-te.”  (Mc 5, 41).

Será, Mãe, que a um pedido seu, seu Filho não se compadeceria da nossa miséria, como fez com a viuva de Naim, que lhe devolveu com vida o seu filho que estava morto?

Ou o amor de seu Filho para conosco seria menor que aquele que ele demonstrou por Lázaro e suas irmãs Marta e Maria? Ou a nossa fé seria menor que a de Jairo?

Certo dia um leproso se aproximou de seu Divino Filho e lhe disse: “Senhor, se quiseres, podes limpar-me.”, e nós, com a mesma fé e no mesmo tom de súplica, dizemos ao seu Filho, pelo amor que ele tem pela Senhora: “Senhor, se o Senhor quiser, o Senhor pode nos livrar dos nossos pecados, das nossas misérias, das nossas doenças”.

É o seu Filho, Senhora, que nos dá essa confiança em pedir, porque foi ele mesmo quem nos incentivou a pedir, quando disse: “Peçam, e lhes será dado, busquem, e acharão, batam, e a porta se lhes abrirá.” (Mt 7,7). “Tudo o que vocês pedirem ao meu Pai em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se vocês pedirem alguma coisa em meu nome eu o farei.” (Jo 14, 13-14); e é com lágrimas, Senhora, que pedimos ao seu Filho, tendo a Senhora como intercessora, medianeira e advogada nossa, confiantes no que ele mesmo disse:  “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” (Mt 5,5).

Confiamos sem sombra de qualquer dúvida na Senhora, doce Mãe, porque a Senhora “é cheia de graça e o Senhor está com a Senhora.” (cf Lc 1, 28).

Na Senhora esperamos, porque a Senhora “é bendita entre as mulheres e bendito é o fruto do seu ventre."”(Lc 1, 42).

A Senhora mesma, doce Mãe, sentiu e testemunhou o poder do Altíssimo sobre a Senhora mesmo, quando em oração: “A minha alma glorifica ao Senhor, e o meu espirito exulta em Deus, meu Salvador. Porque lançou os olhos para a humilhação de sua serva; portanto, eis que de hoje em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada. Porque o Todo Poderoso fez em mim grandes coisas, o seu Nome é Santo.” (Lc 1, 46-49).

Os próprios ouvintes do seu Filho reconheceram a sua grandeza, Mãe, quando uma mulher, do meio da multidão, gritou em altos brados, para que todos pudessem ouvi-la: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos a que foste amamentado.” (Lc 11, 27).

São Bernardino de Sena ensinava que nenhuma graça vem do céu que não passe primeiro pelas suas mãos maternais.

São João Batista Maria Vianney, o Santo Cura de Ars, dizia que o Coração da Senhora é tão terno para nós que o coração  de todas as mães reunidas não passam de uma pedra de gelo aos pés do seu Coração, e que o seu Coração é só amor e misericórdia; o seu Coração só deseja ver-nos todos felizes; basta apenas nos dirigirmos à Senhora para sermos ouvidos.

Doce Mãe, nós lhe pedimos nos momentos difíceis de nossa vida que não nos deixe vacilar na fé; não permita, Senhora, que nos revoltemos contra aquilo que pode ser a vontade de Deus; cuida, Senhora, para que o desespero não se apodere dos nossos corações por qualquer motivo que seja que estejamos sendo provados na fé, e não nos deixe sozinhos na subida do nosso Calvário, porque nós acreditamos que assim como foi com o seu Filho, depois de todos os nossos sofrimentos vem a glória e a alegria da cura de todos os males e doenças, e sempre vamos continuar a lhe fazer esse apelo, porque, como disse São Luiz Maria Grignon de Montfort: “Um só suspiro seu tem maior poder do que as orações de todos os Anjos, Santos e homens juntos.”.

Repetimos, nesse momento, Senhora, o que disse São João Damasceno: “Salve, Ò Mãe, esperança dos desesperados. Ò Mãe de Deus, se eu estiver debaixo de sua proteção, nada temerei.”

E, todos os dias, doce Mãe, repetiremos a singela oração que São Bernardo sempre recitava para a Senhora, quando dizia: “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades. Mas livrai-nos de todos os perigos, ò Virgem Gloriosa e Bendita.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

 

SÃO CAMILO DE LÉLLIS - 1550-1614

 

Fundou a congregação dos Ministros Camilianos.

Camila Compelli e João de Lellis eram já idosos quando o filho foi anunciado.

Ele, um militar de carreira, ficou feliz, embora passasse pouco tempo em casa. Ela também, mas um pouco constrangida, por causa dos quase sessenta anos de idade. Do parto difícil, nasceu Camilo, uma criança grande e saudável, apenas de tamanho acima da média.

Ele nasceu no dia 25 de maio de 1550, na pequena Bucchianico, em Chieti, no sul da Itália. Cresceu e viveu ao lado da mãe, uma boa cristã, que o educou dentro da religião e dos bons costumes. Ela morreu quando ele tinha treze anos de idade.

Camilo não gostava de estudar e era rebelde. Foi então residir com o pai, que vivia de quartel em quartel, porque, viciado em jogo, ganhava e perdia tudo o que possuía. Apesar do péssimo exemplo, era um bom cristão e amava o filho. Percebendo que Camilo, aos quatorze anos, não sabia nem ler direito, colocou-o para trabalhar como soldado. O jovem, devido à sua grande estatura e físico atlético, era requisitado para os trabalhos braçais e nunca passou de soldado, por falta de instrução.

Tinha dezenove anos de idade quando o pai morreu e deixou-lhe como herança apenas o punhal e a espada. Na ocasião, Camilo já ganhara sua própria fama, de jogador fanático, briguento e violento, era um rapaz bizarro.

Em 1570, após uma conversa com um frade franciscano, sentiu-se atraído a ingressar na Ordem, mas foi recusado, porque apresentava uma úlcera no pé. Ele então foi enviado para o hospital de São Tiago, em Roma, que diagnosticou o tumor incurável. Sem dinheiro para o tratamento, conseguiu ser internado em troca do trabalho como servente.

Mesmo assim, afundou-se no jogo e foi posto na rua. Sabendo que o mosteiro dos capuchinhos estava sendo construído, ofereceu-se como ajudante de pedreiro e foi aceito. O contato com os franciscanos foi fundamental para sua conversão.

Um dia, a caminho do trabalho, teve uma visão celestial, nunca revelada a ninguém. Estava com vinte e cinco anos de idade, largou o jogo e pediu para ingressar na Ordem dos Franciscanos. Não conseguiu, por causa de sua ferida no pé.

Mas os franciscanos o ajudaram a ser novamente internado no hospital de São Tiago, que, passados quatro anos, estava sob a sua direção. Camilo, já tocado pela graça, dessa vez, além de tratar a eterna ferida passou a cuidar dos outros enfermos, como voluntário. Mas preferia assistir aos doentes mais repugnantes e terminais, pois percebeu que os funcionários, apesar de bem remunerados, abandonavam-nos à própria sorte, deixando-os passar privações e vexames.

Neles, Camilo viu o próprio Cristo e por eles passou a viver. Em 1584, sob orientação do amigo e contemporâneo, também fundador e santo, padre Filipe Néri, constituiu uma irmandade de voluntários para cuidar dos doentes pobres e miseráveis, depois intitulada Congregação dos Ministros Camilianos.

Ainda com a ajuda de Filipe Néri, estudou e vestiu o hábito negro com a cruz vermelha de sua própria Ordem, pois sua congregação, em 1591, recebeu a aprovação do Vaticano, sendo elevada à categoria de ordem religiosa. Eleito para superior, dirigiu por vinte anos sua Ordem dos padres enfermeiros, dizem que com "mão de ferro" e a determinação militar recebida na infância e juventude.

Depois, os últimos sete anos de vida preferiu ficar ensinado como os doentes deviam ser tratados e conviver entre eles. Mesmo sofrendo terríveis dores nos pés, Camilo ia visitar os doentes em casa e, quando necessário, chegava a carregá-los nas costas para o hospital.

Nessa hora, agradecia a Deus a estatura física que lhe dera. Recebeu o dom da cura pelas palavras e orações, logo a sua fama de padre milagreiro correu entre os fiéis, que, ricos e pobres, procuravam sua ajuda. Era um homem muito querido em toda a Itália, quando morreu em 14 de julho de 1614. Foi canonizado em 1746. São Camilo de Lellis, em1886, foi declarado Padroeiro dos Enfermos, dos Doentes e dos Hospitais.

São comemorados também, neste dia: Santa Catarina Tekakwitha (a primeira americana pele-vermelha a ter sua santidade reconhecida pela Igreja), São Gaspar de Bene, São Francisco Solano, São Ciro de Cartago (bispo), São Deusdedit de Cantuária (monge e bispo), São Félix de Como (bispo), São Focas de Sinope (bispo e mártir), São Heracles de Alexandria (bispo).

terça-feira, 13 de julho de 2021

 

MARIA, RAINHA E ESCRAVA

 

O povo tem o costume de engrandecer todos aqueles que é admirado, se destaca de alguma maneira em qualquer setor e atividade. Assim o povo faz, também com Maria.

Maria merece todo o respeito, toda veneração e, qualquer coisa que dissermos de Maria para a engrandecer ou para proclamá-la  Rainha do mundo, ainda é pouco por tudo aquilo que ela é e representa.   Tentando engrandecer Maria, incorremos no perigo de perdermos a originalidade de Maria.            Fazendo isso o povo perde a sua identidade com Maria.

Em quase todas as imagens de Maria que temos, vemos ou que estão em nossas igrejas, , normalmente Maria está com uma coroa na cabeça e com belos mantos de veludo nos ombros.     

Se for para tentarmos agradecer Maria por tudo o que ela é e representa para nós, isso é muito pouco, porque ela merece muito mais.             

O povo simples, humilde e pobre, se defrontando com uma Maria coroada e cheia de mantos, sente que ela se distancia demais dele.

Maria foi e é, e sempre será rainha, mas não essa rainha que o povo tenta fazer, entende e pinta, não uma rainha coberta das riquezas da terra, não uma rainha que senta no alto de seu trono e olha o povo de cima para baixo, não uma rainha de coroa de ouro e pérolas e mantos de veludos. Queiramos ou não, isso afasta Maria da realidade dos pobres, ela que sempre se proclamou pobre, ela que sempre foi  pobre, ela que foi a musa inspiradora de seu filho, quando Jesus proclamou o Sermão da Montanha enaltecendo a pobreza, a humildade e a mansidão que, sem dúvida, ele, como filho, enalteceu as virtudes de sua mãe. Maria, como mãe, foi a rainha da casa simples, pobre e humilde de Nazaré.

Uma rainha não com um cetro de ouro na mão, mas com uma vassoura na mão, não com uma coroa de ouro e pérolas na cabeça, mas com um pano na cabeça para proteger os seus cabelos da poeira que levanta quando se varre uma casa, assim como fazem as rainhas dos nossos lares ainda hoje – uma rainha de olhos lagrimejantes pela fumaça ardida da lenha ainda verde que queimava no seu fogão a lenha. Maria, de manto e coroa, é afastada do convívio do povo simples e humilde.

Maria, de manto e coroa, não se identifica com o povo pobre e sofrido.

Para nos identificarmos bem com Maria, é necessário que continuemos vê-la pobre e simples como ela sempre foi na sua casinha pobre e humilde de Nazaré, jamais se descuidando do bem-estar de seu esposo e filho, jamais deixando de atender algum parente, vizinho ou conhecido necessitado, e sempre pronta para interceder por alguém em dificuldades.           

Para que o povo simples e humilde possa se identificar com Maria, é preciso vê-la levantando cedo, como fazem as nossas mães e esposas ainda hoje, para preparar a refeição dos que vão trabalhar e o uniforme e os livros dos que vão estudar.

É preciso continuarmos ver Maria á beira do fogão, a beira do tanque, lavando roupas, fechando as janelas quando o vento bate forte ou quando faz frio, preocupada com algum sintoma de febre do seu pequenino Jesus, ou alguma dor nas costas do seu dedicado José.

Maria é rainha, esse é um título que ninguém lhe tira, mas ela é a rainha que se fez escrava.            Maria não é uma rainha que está sentada no alto de seu trono e que olha o seu povo de cima para baixo, mas, antes de ser rainha, ela é a Mãe que caminha com o seu povo, que sofre com o seu povo, que chora com o seu povo e que intercede ao seu filho Jesus por seu povo, como fez nas bodas de Cana.      

Quando você, minha irmã, estiver lavando a louça, varrendo a sua casa, tirando o pó dos móveis, passando roupas, coloque Maria do seu lado, e peça para que ela lhe ensine a fazer tudo isso com amor e dedicação, da mesma forma como ela fez em sua casinha pobre e humilde de Nazaré.            Quando você, meu irmão, estiver preocupado, de mau humor, com algum tipo de doença ou dor, sinta a presença de Maria, e ela, assim como ela mesma fazia com o seu pequenino Jesus e se dedicado José, estará solícita ao seu lado para aliviar as suas preocupações, abrandar o seu mau humor e amenizar a sua dor.

Maria é a rainha que se fez escrava, e mais do que isso, é a mãe que caminha com seus filhos neste vale de lágrimas, não desamparando, jamais, quem quer que seja que a invoque em qualquer momento e circunstancia da vida.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

 

MEDALHA DE SÃO BENTO - O PODEROSO SIGNIFICADO

 

O significado da medalha, as graças que você pode alcançar e uma poderosa oração a São Bento

A medalha de São Bento não é um “amuleto da sorte”. Trata-se de um sacramental, isto é, um sinal visível de nossa fé.

O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, como conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc.

Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica.

Todo cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos.

O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede, também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento com São José são padroeiros da boa morte.

Para se ficar livre das ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres religiosos: Oração, Missa dominical, recepção dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus.

Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados.

Numerosos são os benefícios atribuídos ao crucifixo de São Bento; de fato, se usado com fé e com o Patrocínio do Santo; protege:

·         Das epidemias;

·         Dos venenos;

·         De alguns tipos de doenças especiais;

·         Dos malefícios;

·         Dos perigos espirituais e materiais que possam causar o Demônio;

A Santa Sé a enriqueceu com numerosas indulgências: indulgência plenária em ponto de morte; indulgência parcial.

 

Significado da medalha

Na frente da medalha são apresentados uma cruz e entre seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti – “Cruz do Santo Pai Bento”.

Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A cruz sagrada seja minha luz”.

Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux – “Não seja o dragão meu guia”.

No alto da cruz está gravada a palavra PAX (“Paz”), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S.

A partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana – “Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!” e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas – “É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!”.

Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS – IN – OBITU – NRO – PRAESENTIA – MUNIAMUR – “Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte”.

É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.

 

Oração para alcançar alguma graça

Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça… que vos suplicamos, finalmente, vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso. Amém.

(Fontes: Mosteiro de São Bento e São Miguel Arcanjo)

domingo, 11 de julho de 2021

 

TERESA CRISTINA, MINHA FILHA. DOZE ANOS SEM A SUA PRESENÇA.

 

"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor” (Jo 15,1).

O Pai é o agricultor, o dono da messe, o dono do jardim. Cada um de nós somos os operários da messe, o jardineiro do jardim do Pai. Ele nos dá a terra, ele nos dá a semente, ele nos dá as condições dignas para que a terra seja boa, para que a semente se transforme em arbusto e para que o arbusto floresça, dê flores dignas de um rei.

O Pai nos dá uma família, nos dá filhos, mas família e filhos não são propriedades nossas, são do Pai. Os filhos são as flores que cultivamos no jardim do Pai. Compete a cada um de nós, pais, cuidar do jardim do Pai, dar-lhe flores viçosas, coloridas, perfumadas e perfeitas.

Devemos cuidar dessas flores desde em botão. Dar-lhes condições de crescerem saudáveis, floridas e perfumadas. Mas elas não são nossas, são do Pai. E o dia em que o Pai  achar por bem, ele visita o nosso jardim, colhe a sua flor preferida, a mais bonita entre todas e a leva para si, para embelezar o seu trono.  Assim aconteceu conosco.

Assim aconteceu com Teresa Cristina. Mulher bonita, inteligente, carinhosa, amigável, acolhedora, de sorriso fácil. Filha amorosa e presente. Quarenta e três anos. Câncer de  mama. E, no dia 11 de julho de 2010, há exatamente doze anos, o Pai visitou o meu jardim, escolheu dentre as flores a mais bela, e a levou consigo para embelezar o seu trono.

As pessoas boas deixam alegria. As pessoas más deixam lições. As pessoas maravilhosas deixam lembranças e saudades. Saudade é a confirmação do amor. Saudade é a perpetuação do amor. Saudade é o amor eterno presente no coração de quem ficou sem ter condições de esquecer a pessoa amada que partiu. Um dia a saudade deixa de ser dor e vira lembrança para compartilhar e guardar para sempre. As pessoas muito amadas por nós são eternas dentro da gente.

A mais bonita lágrima é a da saudade, pois ela nasce dos risos que não se acabam, das alegrias que marcaram e das lembranças que jamais se apagam.

Mais do que chorar a perda de um ente querido, não podemos perder a oportunidade de agradecer. Agradecer o tempo em que o Pai, o dono do jardim, permitiu que a flor Teresa Cristina ficasse conosco durante quarenta e três anos, embelezando o nosso lar, perfumando a nossa vida, aromatizando o nosso ambiente e transmitindo alegria no seu sorriso belo, singelo e encantador. Ela deixou o nosso jardim, mas está embelezando o trono do Pai, o dono do jardim.

Só nos resta repetir com o santo homem Jó: “O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1,21).

O acontecimento de uma pessoa amada nos deixar e ir para a casa do Pai leva-nos à conclusão de que não existe morte. A morte é, simplesmente, um ponto de partida, não um fim. A morte é um trampolim que nos arremessa para a vida eterna, para a vida que não se acaba mais.

A vida é eterna; a vida é abundante porque Jesus Cristo veio para que tivéssemos vida, e a tivéssemos em abundância: “Eu vim para que tenham a vida, e a tenham em abundância.” (Jo 10,10). A vida não se acaba. A vida da pessoa amada que se foi não se acabou, apenas passou para um plano superior onde a presença de Deus é permanente e visível, a felicidade é eterna e a certeza de que a morte jamais a atingirá, jamais a separará de ninguém.

Na nossa ignorância naquilo que diz respeito às promessas divinas em relação à vida eterna, sofremos, sofremos muito quando um ente querido nos deixa e parte desta para herdar a vida eterna.

Choramos, choramos muito dentro de nós, ainda que o nosso semblante se esforce para demonstrar conformismo. É bom chorar, se faz necessário chorar, mas o cristão não chora por desespero e revolta.

Antes de tudo, o cristão chora por saudade, saudade de alguém que partiu temporariamente mas, temos certeza, está na casa do Pai; apenas nos antecipou a isso e a nossa fé nos garante que um dia nos juntaremos a esse ente querido porque Jesus nos conforta dizendo: “Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas.” (Jo 14,1-2).

Apesar da certeza da ressurreição que nos é transmitida pelas Sagradas Escrituras, os nossos sentimentos humanos nos fazem sentir saudades dos nossos entes queridos que nos deixaram, mas, não podemos perder a esperança, não podemos perder a confiança nos ensinamentos de Jesus Cristo; temos de acreditar nas suas verdades evangélicas de que os nossos entes queridos, que caminharam conosco neste vale de lágrimas e que ouviram a voz do Bom Pastor e fizeram parte de seu rebanho, agora, depois desse passamento, estão na glória do Senhor, na casa do Pai, onde, segundo uma das promessas do Divino Mestre, existem muitas moradas: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vos teria dito, pois vou preparar-vos um lugar, e quando eu me for e vos tiver preparado um lugar, virei novamente e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também.” (Jo 14,2-3).

O Senhor Jesus venceu a morte ressuscitando e “... a morte não tem domínio sobre ele.” (Rm 6,9), e Paulo Apóstolo se baseia na ressurreição de Cristo para nos dar a certeza que também venceremos a morte: “Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia também é a vossa fé.” (1Cor 15,13-14).

Quem morre acaba de nascer, de nascer para a vida, de ressurgir para a vida em abundância, a vida que não se acaba mais, a vida que é para valer, e isso entendeu muito bem Francisco, o pobrezinho de Assis: “É MORRENDO QUE SE RESSUSCITA PÁRA A VIDA...” A presença, o perfume,o amor da Teresa Cristina são uma constante no nosso coração, na nossa casa, na nossa família...


sábado, 10 de julho de 2021

 

O S   C I N C O   E S T Á G I O S   D O   L U T O

 

O luto revela a dor e sofrimento por uma perda que ainda não foi superada

Dizem que a única certeza que temos na vida é a morte, porém, ela ainda é considerada um grande mistério para todas as pessoas. É possível prever o nascimento de uma pessoa, mas a morte, dificilmente iremos prever.

Mesmo que “os dias de vida” sejam contados e previstos por médicos, baseado em estado clínico terminal do paciente, por algum motivo de doença grave, ainda assim, o dia e hora exatos da nossa morte, dificilmente saberemos ao certo.

Talvez seja por isso, que não nos preparamos para esse momento.

Ele simplesmente acontece, assim, como um sopro ou um último suspiro e pronto, já não estaremos mais aqui, no mundo materializado, físico.

 

O Processo de Luto

Para quem fica, o luto é considerado um momento de dor e vazio, de despedida forçada e para sempre, porém ele é um processo necessário e fundamental para qualquer tipo de perda, não apenas pela perda de uma pessoa que estimamos, amamos, que faz parte de nós direta ou indiretamente, mas por qualquer tipo de perda, como emprego, carreira, relacionamentos, etc.

O processo de luto se dá para qualquer animal, humanos e animais irracionais.

A diferença está na forma que os sentimentos acontecem, pois geralmente o luto vem acompanhado por tristeza, revolta, culpa, susto (choque), solidão, ausência, desamparo, mas também, sentimentos como alívio, emancipação.

Tais sentimentos podem refletir em vários sintomas físicos e emocionais, tais como aperto no peito, dor de estômago, nó na garganta, falta de ar, perda de energia, tristeza profunda, isolamento, entre outros.

Tomar consciência de que nunca mais poderá ver aquela pessoa ou fazer as mesmas atividades, ter os mesmos momentos, podem levar uma pessoa a perder também todos os sonhos, projetos e todas as lembranças associadas ou a ressignificá-los, lhes dando um novo valor.

Assim como existe o ciclo da vida, segundo a biologia, que é Nascer, Crescer, Reproduzir e Morrer, existem os ciclos da morte, definidos pela psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross, que conseguiu identificar a reação psíquica de cada paciente em estado terminal e elaborou o Modelo Kübler-Ross, que propõe uma descrição de cinco fases (estágios) do luto, pelo qual as pessoas passam ao lidar com a perda, o luto e a tragédia.

Compreender os estágios do luto nos ajuda a entender a dor do outro e aprender a respeitar o seu tempo.

 

Essas cinco fases são: 

Negação – Raiva – Barganha – Depressão – Aceitação (NRBDA), que conforme Ross, nem sempre ocorrerão nesta ordem e também não possuem um prazo pré-definido para acontecerem, pois depende do tipo de perda e de como cada pessoa reage a essa perda, ao luto, à doença ou a uma tragédia. No entanto, uma pessoa sempre apresentará ao menos duas dessas fases, também considerados estágios:

 

1º Estágio: Negação

Essa é a primeira fase e a mais dolorida, também considerada o estágio do isolamento, pois a pessoa pode não querer falar sobre o assunto e se afastar.

É o momento dos “porquês” e dos “ses”. Momento em que parece impossível a perda, de acreditar no que aconteceu.

Essa fase é considerada um mecanismo de defesa temporário do Ego, contra a dor psíquica, diante da morte.

Esse estágio normalmente não persiste por muito tempo, sendo logo substituído por uma aceitação parcial, porém, varia de pessoa para pessoa, pois depende da intensidade do sofrimento de cada um e como as pessoas mais próximas são capazes de lidar com a dor. Durante a transição desse estágio para o estágio raiva, é comum a pessoa falar sobre a situação em um momento e de repente negá-la completamente.

 

2º Estágio: Raiva

Essa é fase da revolta, da rebeldia, do descontrole emocional, dos ressentimentos, onde a pessoa se sente injustiçada e inconformada com a perda, pelo fato do Ego não conseguir manter a negação e o isolamento.

É a fase do “porque comigo?”, “com tanta gente ruim pra morrer porque eu, eu que sempre fiz o bem, sempre trabalhei e fui honesto, perdi a pessoa que mais amo?”

Nessa fase, se relacionar é quase impossível. Os relacionamentos se tornam problemáticos, devido ao caos e a hostilização que a revolta traz ao ambiente. 

É importante, nessa fase, haver compreensão dos demais sobre a angústia transformada em raiva na pessoa que sente interrompidas suas atividades de vida pela doença ou pela morte.

 

3º Estágio: Barganha

Essa é fase também é conhecida como negociação da dor pela perda, pois foi deixado de lado a negação e o isolamento e a pessoa percebe que a raiva não resolveu, então começa-se a “barganhar” com ela mesmo e com Deus, em segredo, como pedidos de súplicas. É a fase do “Vou ser uma pessoa melhor, serei mais gentil e simpático com as pessoas, irei ter uma vida saudável.”

Nesse estágio, uma pessoa que, por exemplo,  está passando por uma doença, que a mantém impossibilitada de continuar suas atividades, começa a ficar mais serena, reflexiva e humilde.

Se a saúde dessa pessoa não se restabelece, mesmo tendo “barganhado” com Deus, a pessoa passa a utilizar inconscientemente outros recursos, que são os pactos, promessas, sacrifícios, acordos, de forma sigilosa entre ela e Deus, para que tudo volte ao normal.

 

4º Estágio: Depressão

Essa é a fase onde a pessoa toma consciência que perdeu e que não há como “voltar atrás” e a que leva mais tempo para passar para a fase de aceitação.

Algumas pessoas demoram décadas para sair dessa fase ou nunca vão aceitar a perda – muito comum quando se perde um filho.

Para quem está doente terminal, é o momento em que já não consegue negar suas condições de doente, quando as perspectivas da morte são claramente sentidas e que percebeu que negar, revoltar-se e negociar a cura não resolveu.

Esse é o momento em que as pessoas à sua volta devem estar mais próximas da pessoa doente ou que foi acometida pela perda de um ente querido, pois nessa fase, a pessoa se isola totalmente do mundo e do convívio social.

Sentimentos de melancolia, desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro e impotência são comuns diante da situação vivida.

 

5º Estágio: Aceitação

Essa é a última fase do luto e a pessoa aceita a perda com paz e tranquilidade, pois já não se nega mais, não se revolta e nem se negocia e o estado de depressão foi substituído pela aceitação, mudando, assim, a sua perspectiva e preenchendo o seu vazio. Para a pessoa que está doente, ela não experimenta mais o desespero e nem nega sua realidade, pois o que ela quer é “descansar em paz”.

Embora não entendamos porque as pessoas e coisas se vão e nunca mais poderemos tê-las de volta, ou porque uma doença chega exatamente em nós, mesmo existindo milhares de pessoas espalhadas na Terra, o importante é saber que o luto é necessário e muitas vezes inevitável.

Saber passar por cada estágio e sair dele é um processo que exige muito autoconhecimento e coragem para reagir diante do que aconteceu e tirar grandes aprendizados, o que pode tornar a vida melhor e com mais propósito e significado.

Valorizar o que temos, enquanto temos e darmos importância a nós, ao outro e ao mundo à nossa volta são atitudes importantes para continuar existindo.

Na maioria das vezes não será possível reviver todos os momentos plenamente, portanto, é necessário ressignificá-los. A escolha para isso, depende de cada um de nós, a como reagimos diante de cada situação.

Na vida, assim como na morte, devemos estar preparados para a mudança, para o encerramento de ciclos e entender a clareza do nosso papel no mundo. Isso é importante para evoluirmos como ser humano e aproveitarmos ao máximo o que a vida nos oferece e enquanto oferece.

 

COMO SUPERAR A PERDA E SEGUIR EM FRENTE?

Não se culpe

Quando perdemos alguém que amamos, é comum que a culpa e o peso na consciência tomem conta dos pensamentos. Isso porque a perda faz com que o indivíduo comece a pensar em tudo o que deixou de fazer e dizer.

Nesse momento, é importante ter em mente que nenhuma relação é perfeita e que as falhas cometidas não significam falta de amor. Entenda que você fez o que foi possível diante de cada circunstância e não se torture pelo que não foi possível fazer.

Adapte-se à nova rotina

Faça todos os ajustes possíveis para aprender a conviver com a ausência da pessoa.

Mude alguns hábitos e crie maneiras positivas de enfrentar a saudade — como iniciar um curso, fazer um trabalho voluntário ou ir viajar por um período.

Procure algo que proporcione prazer e traga uma sensação de preenchimento. Mesmo convivendo com a dor, é possível ser feliz encontrando motivação em atividades produtivas.

 

É importante entender que:

As pessoas não passam por essas fases de maneira linear, ou seja, elas podem superar uma fase, mas, depois, retornar a ela (ir e vir), estacionar em uma delas sem ter avanços por um longo período ou ainda suplantar todas as fases rapidamente até a aceitação. Não há regra.

Porém, sabe-se que, comumente, a fase mais longa é da depressão para a aceitação.

Tudo depende do histórico de experiências da pessoa e das crenças que ela tem sobre si mesma e sobre a situação em questão. 

Existem pessoas que podem passar meses ou anos num vai e vem e não chegar à aceitação nunca. Outras, em poucas horas ou dias, fazem todo o processo. Isso varia também em função da perda sofrida.

“Ninguém está preparado para perder o outro; é normal não conseguirmos nos desapegar. Temos a tendência de ficarmos presos em uma relação mesmo quando não a queremos mais.

A única saída, então, é ter coragem, enfrentar os desafios que virão e avaliar honestamente nossos sentimentos e emoções.”