quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

 

“A ORAÇÃO DA FÉ SALVARÁ O DOENTE...” (Tg 5,15).

 

            Escreveu Tiago na sua carta: “Sofre alguém dentre vós um contratempo? Recorra à oração. Está alguém alegre? Cante. Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé; e se tiver cometido pecados, estes serão perdoados... A oração fervorosa do justo tem grande poder.” (Tg 5,13-15.16).

            Jesus, nos Santos Evangelhos, jamais deixou um doente que o procurasse partir da maneira como estava; Jesus os transformava, consolava e os curava, tanto doente do corpo como doente da alma. Jesus sempre atendeu ao chamamento dos que o procuravam para curar algum doente e jamais deixou alguém que o procurasse implorando pelo restabelecimento de um doente voltar sem uma esperança, como aconteceu com o leproso (Mt 8,1-4), com o centurião romano, (Mt 8,5-13), com a sogra de Pedro, (Mt 8,14-18), como aconteceu a muitos endemoniados, (Mt 8,16-17), e a centenas de outros paralíticos, cegos, surdos, mudos, lunáticos, para que se cumprisse o que havia sido dito e escrito pelo profeta Isaias, se referindo ao Messias: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor.” (Mt 4,18-19).

            Jesus sempre atendeu aos apelos de cura dos doentes, restituindo-lhes a saúde, dando-lhes vida, e não somente os doentes do corpo mas também da alma, para que a vida fosse plena, mostrando coerência no que fazia e falava: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância.” (Jo 10,10).

É muito difícil em uma família não ter uma pessoa doente, uma pessoa idosa que não necessite de cuidados especiais. O doente é uma pessoa amada por Deus, pois que Jesus se faz passar por um deles para dar exemplo de quem seria merecedor do reino dos céus: “Vinde benditos de meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois... estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e vieste ver-me.” (Mt 25,34 e 36).

            Os doentes são as pessoas que mantém a humanidade unida entre si e a Deus, porque é através do sofrimento que nos purificamos e, pelos sofrimentos dos nossos doentes, nos elevamos a Deus. Os doentes são as pessoas que continuam, por todo o sempre, o sacrifício de Jesus Cristo no Calvário. São os queridos do Pai. E, muitas vezes, que pouca importância damos aos doentes.

            Quantas vezes tomamos conhecimento que um parente, um amigo, um conhecido está doente e não nos preocupamos em visitá-lo; negamos aos nossos doentes uma visita, a nossa presença amiga e fraternal, uma palavra de conforto, de carinho, uma afirmação de que estamos com ele naquele sofrimento, naqueles momentos difíceis por que passa.

            Para uma pessoa doente, internada em um hospital ou sendo tratada em casa, é muito importante, para o seu restabelecimento, a nossa presença, a nossa visita, porque, além de estarmos praticando um ato de caridade e amor, estamos cumprindo uma determinação evangélica, um ensinamento de Jesus, porque, através do sofrimento, Jesus se faz presente naquele doente, e isso ele confirma quando diz: Estive doente e me visitastes” (Mt 25,36).

            O Apóstolo Paulo escreve aos Colossenses: “Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e completo na minha carne o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja.” (Cl 1,24). Essa frase de Paulo se ajusta com perfeição na boca dos doentes, dos nossos irmãos que estão passando por algum problema de saúde, que está acamado, hospitalizado, enfim, que está em tratamento médico. Todos os doentes sofrem, e seria tão bom ouvi-los dizer como Paulo Apóstolo: Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos... e completo na minha carne o que falta das tribulações de Cristo...” (Cl 1,24).

            Os doentes são os companheiros inseparáveis de Jesus Cristo a caminho do Calvário. Os doentes são os participantes da agonia na cruz. O sofrimento dos doentes é o complemento dos sofrimentos de Jesus Cristo para a salvação de toda a humanidade. Os doentes são o corpo flagelado e dilacerado de Jesus; os doentes são a cabeça coroada de espinhos do Divino Mestre; os doentes são o coração sacrossanto de Jesus traspassado por uma lança; os doentes são as mãos e os pés de Jesus rasgados pelos cravos e pregados no madeiro da cruz... Os doentes sofrem, e esse sofrimento se funde ao sofrimento de Jesus para a salvação de todos os homens.       

Não existe sofrimento inútil.  Não existe dor que não seja revertida para a salvação de quem sofre, para a salvação da família de quem sofre, enfim, para a salvação de todos os homens.          

Todos lutamos para ter saúde; é um direito que todos temos, o de sermos sadios, sermos perfeitos. Mas, apesar dos nossos esforços para a conservação da saúde, a nossa natureza humana é frágil, e a doença, vez por outra, assedia-nos, ataca-nos e, muitas vezes, é uma companheira constante...  Então, precisamos fazer de nossa doença, do nosso sofrimento a ponte que nos liga ao Pai. Paulo Apóstolo se alegra na dor e afirma que a sua dor complementa o que faltas no sofrimento de Jesus. Desta forma os doentes deveriam pensar, porque eles são os amigos queridos de Jesus; porque somente quem sofre pode valorizar o sofrimento de Jesus que, sem merecer e de livre e expontânea vontade entregou-se à morte, e morte de cruz, para a salvação de todos os homens.

Nós, os que agora temos saúde, não deveríamos nos esquecer, jamais, dos nossos irmãos doentes; não poderíamos deixar que eles fiquem sozinhos na sua caminhada de dor. Hoje temos saúde, amanhã o doente poderá ser cada um de nós... A nossa saúde é como um fio de teia de aranha que pode se romper a qualquer momento; estejamos sempre preparados para isso...

            A melhor preparação para sermos pacientes e aceitarmos com resignação qualquer problema de saúde é visitar com frequência nossos irmãos doentes; como eles necessitam da nossa presença, da nossa visita, da nossa ajuda, da nossa palavra amiga.

            “Estive doente e me visitastes...” (Mt 25,36); o nosso irmão doente é o próprio Senhor Jesus que continua sofrendo para completar o sofrimento do Calvário...  

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

 

DOENTES, OS AMADOS DO PAI

 

Quando lemos os Santos Evangelhos, verificamos que Jesus Cristo jamais passou por um doente sem lhe dirigir uma palavra, sem olhar para ele com carinho sem procurar aliviar as suas dores, sem lhe dar esperanças de dias melhores.

Quando Jesus Cristo encontrava um doente, ou um doente o procurava, jamais o doente partia da mesma maneira como chegara; Jesus Cristo o transformava, o consolava, o curava.

Podia ser tanto doente do corpo como da alma.; e normalmente somos mais doentes da alma do que do corpo. Cristo sempre procurou estar com os doentes para restabelecer a saúde, para dar a vida, porque foi ele mesmo quem falou: “Eu vim para que vocês tenham vida, e a tenham em abundância...” “...quem crer em mim, viverá eternamente...”.

É muito difícil existir uma família onde não se tenha uma pessoa doente.

Doente é uma pessoa amada por Deus, é uma pessoa que sofre por aqueles que não sabem sofrer; é uma pessoa que sofre  para a salvação de sua família, para a salvação de pessoas que ele conhece e até de pessoas que ele não conhece, que ele nunca ouviu falar.

Os doentes são as pessoas que mantém a humanidade unida a Deus, porque, é através do sofrimento que nos purificamos e é através do sofrimento dos nossos doentes que todos nos elevamos até Deus.

Os doentes são as pessoas que continuam por todo o tempo o sacrifício de Jesus Cristo no Calvário.

Os doentes são os queridos de Deus. E nós, muitas vezes, damos pouca importância aos nossos doentes. Quantas vezes ficamos sabendo que um parente, um amigo, um conhecido ficou doente e não nos preocupamos em visitá-lo; negamos aos nossos doentes uma visita, uma palavra de conforto, uma presença amiga, uma afirmação de que estamos com eles  naquele sofrimento, naqueles momentos difíceis.

Para uma pessoa doente, internada em um hospital ou permanecendo em casa, é muito importante para o seu restabelecimento a nossa presença, a nossa visita, e se isso não ajudar em sua cura, pelo menos estamos cumprindo uma norma evangélica, um ato de caridade, uma ação de misericórdia, um ensinamento de Jesus Cristo, porque, através do sofrimento, Jesus Cristo se faz presente naquele doente, e isso ele confirma quando diz: “Estive doente e você foi me visitar...”.

Muitas vezes os nossos doentes passam muitos dias de cama, às vezes até semanas, meses, anos...            Quando isso acontece, há a necessidade de dar ao nosso doente uma assistência religiosa, um conforto espiritual. Tiago, em sua carta, escreve: “Entre vocês, alguém sofre um contratempo? Recorra à oração. Está alguém alegre? Cante. Alguém dentre vocês está doente? Mande chamar o sacerdote da igreja para que ore sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé; se tiver cometido pecados, estes serão perdoados. A oração fervorosa do justo tem grande poder.” (Tg 5, 13-15 e 16).

Quando tivermos um doente grave, ou que corre risco de vida, ou que já faz algum tempo que está acamado, é muito importante levar ao conhecimento do sacerdote da nossa Igreja para que ele faça uma visita e reze para o doente e junto com o doente, e também possa levar o alimento espiritual que é a Santa Eucaristia que conforta e dá ânimo ao doente para suportar com amor e resignação seu sofrimento.   

E depois que o sacerdote fizer essa primeira visita ele encarregará um cristão para representá-lo e continuar levando, de tempo em tempo, a Sagrada Eucaristia para o doente.

Todos nós que temos um doente em casa devemos chamar o sacerdote para dar a esse doente que não pode se locomover ou dirigir-se até a Igreja, um conforto espiritual, animá-lo na fé, rezar por ele e com ele e dar-lhe o alimento que cura tanto as doenças do corpo como as doenças da alma e dá mais ânimo para continua aceitando de Deus o sofrimento que purifica o mundo.

São comemorados, também, neste dia: Santo André Corsini, Santa Apolinária do Egito (virgem), São Celso de Antioquia (mártir), São Marcelino de Ancona (bispo), Santo Adriano de Cantuária (abade).

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

 

AME PERDOANDO... PERDOE AMANDO...

 

            Jesus disse: “Buscai primeiro o reino de Deus e o resto virá por acréscimo.”      

Ame a Deus, o resto virá por acréscimo, tudo o mais acontecerá normalmente. O Senhor Deus nos dá todo o seu amor e simplesmente pede que o amemos; Ele não nos obriga, Ele pede.

O Senhor respeita a nossa liberdade, mas Ele nos pede que O amemos em primeiro lugar e acima de tudo; além dos nossos entes queridos, o Senhor não quer dividir o nosso amor com o mundo, com as riquezas, com as futilidades, com as coisas que nos trazem um conforto momentâneo e enganador que não nos dá a paz interior.

O Senhor nos pede que o amemos através da pessoa que amamos, esposa, marido, dos nossos filhos, dos nossos pais, dos nossos irmãos, nossos amigos e até dos que não gostam de nós ou nós não nos simpatizamos com eles.

O Senhor Nosso Deus quer que O amemos através do nosso próximo.  “E se alguém diz: “Amo a Deus” mas odeia o seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama a seu irmão, a quem vê, não é possível que ame a Deus, a quem não vê. Quem ama a Deus, ame seu irmão.” (1Jo 4,19-21).

Jesus nos diz no seu Evangelho: Este é o meu mandamento: amai-vos um aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos.” (Jo 15,12-13), e “Amarás o teu próximo...”

Mas... quem é o meu próximo? perguntaria você... O seu próximo é aquele que está do seu lado, está dentro do seu coração, da sua mente e que mexe com os seus sentimentos; o seu próximo é aquele que está mais perto de você: é a sua pessoa amada; é também o seu filho, os seus pais, os seus irmãos, o seu vizinho; o seu próximo é o seu amigo, o seu inimigo, é o seu conhecido, o seu desconhecido, é o homem, é a mulher...          

Ame o seu próximo e perdoe as suas ofensas, as suas incompreensões, as suas limitações: ame e perdoa, mas, não se esqueça que o perdão só é válido quando é feito com amor e por amor...

Não somos perdoados se não perdoarmos, porque, não é assim que rezamos na oração do Pai Nosso?  Não adianta somente dizer: “Perdoai as nossas ofensas”,  se não completarmos: “Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”

O Senhor Nosso Deus nos ama e exige que O amemos através dos nossos irmãos. Deus nos perdoa com a condição de perdoarmos os que julgamos que nos tem ofendido.

Foi o próprio Senhor Jesus quem nos deu a maior lição de como se deve perdoar; Cristo que, apenas por amor quis morrer pelos homens, no momento em que nada mais lhe restava fazer, depois de haver dado até a última gota de seu sangue, depois de haver dado à humanidade a sua Mãe Santíssima, quando as lágrimas já haviam se esgotado, quando sua voz já era fraca, quando sua vida já estava se apagando e Ele sentia o fim chegar, teve forças ainda para levantar sua cabeça e com os olhos embaçados de sangue olhar o céu e, num último esforço, suplica ao Pai: “Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem.” (Lc 23,34).

Não é possível,  que, depois de uma lição dessa ainda não tenhamos aprendido a perdoar, e perdoar por amor!!! Ame perdoando... perdoe amando...

domingo, 9 de janeiro de 2022

 

CASAMENTO FELIZ

 

Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do Chefe, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo. - Amamo-nos... e queremos casar - disse o jovem. - Sim!... nós amamo-nos tanto, que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... qualquer coisa que nos garanta que vamos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos sempre um ao lado do outro até encontrarmos a morte.

Há algo que possamos fazer?... - E o velho, emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por um sinal, disse: - Há uma coisa a fazer..., mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada... Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia e tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!

Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada... no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam, ansiosos, cada um com a sua ave dentro de um saco.

De imediato, o velho sábio pediu que, com cuidado, as tirassem dos sacos... (eram verdadeiramente grandes e lindos exemplares). - E agora o que fazemos? - perguntou o jovem - matamo-las e depois bebemos a honra de seu sangue? - Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem. - Não! - disse o feiticeiro. Peguem nas aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com estas fitas de couro. Quando as tiverem bem amarradas, soltem-nas para que voem livres!

O guerreiro e a jovem assim fizeram e soltaram as majestosas aves.

A águia e o falcão permaneceram bem juntos e amarrados, tentaram voar, mas apenas conseguiram saltar pelo terreno.

Minutos depois, as aves irritadas pela incapacidade do vôo, arremessavam-se e começaram a lutar entre si, ferindo-se mutuamente com os bicos, e quase se  matavam!

E o velho sábio disse:  - Jamais esqueçam o que estão a ver. Este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, mais cedo ou mais tarde, começarão por se magoar gravemente um ao outro! - Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, livremente, jamais amarrados.

São comemorados neste dia: Santo André Corsini, Santa Apolinária do Egito (virgem), São Celso de Antioquia (mártir), São Marcelino de Ancona (bispo), Santo Adriano de Cantuária (abade).


sábado, 8 de janeiro de 2022

 

OS MAGOS E O REI HERODES

 

Os magos, ao chegarem em  Jerusalém, perguntaram: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo.” (Mt 2,2). 

A chegada dos magos em Jerusalém com seu séquito provocou um grande alvoroço na cidade e na coorte real.

O rei Herodes ficou surpreso e, “ao ouvir isso, o rei Herodes turbou-se, e toda a Jerusalém com ele. E, convocando todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Messias. E eles disseram: “Em Belém de Judá, porque assim foi escrito pelo profeta (Miquéias, 5, l): “E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe, que apascentará Israel, meu povo.” (Mt 2,3-6).

O rei Herodes, além de perturbado e surpreso, ficou também alarmado: como poderia ter nascido o rei dos judeus, se os judeus só tinha um rei que era ele próprio? Sentiu-se ameaçado no seu poder e o seu trono estava ameaçado de ser usurpado por um inocente menino recém-nascido.

Como isso poderia ter acontecido se ele, Herodes, o rei dos judeus, não havia sido notificado a respeito? Herodes pressentiu seu trono ameaçado e abalado e isso Maria, a mãe de Jesus já havia prenunciado e cantado quando de sua visita à sua parenta Isabel: “Agiu com a força de seu braço, dispersou os homens de coração orgulhoso. depôs poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.” (Lc 1,51-52).

Herodes era um homem sanguinário; não hesitaria exterminar quem quer que fosse para preservar o seu trono; prova disso é que já havia mandado matar vários de seus palacianos, algumas esposas e até filhos seus.

Diante da notícia trazida pelos magos e de sua pergunta: “onde havia de nascer o Messias?”. Herodes, a princípio, fingiu humildade, submissão e alegria e muita fé e procurou tirar proveito daquela situação diante dos estrangeiros, mandando chamar secretamente os magos para que pudessem lhe informar onde pudesse localizar esse “pretenso rei” para que ele pudesse também  prestar-lhe homenagens mas a sua intenção era outra: “Então Herodes, tendo chamado secretamente  os magos, inquiriu deles cuidadosamente acerca do tempo em que lhes tinha aparecido a estrela; e, enviando-os a Belém, disse: “Ide e informai-vos bem acerca do menino, e, quando o encontrardes, comunicai-mo, a fim de que eu o vá adorar.” (Mt 2,7-8). E os magos partiram de Jerusalém à busca do “rei dos judeus”; “... e eis que a estrela que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que, chegando sobre o lugar onde estava o menino, (a estrela) parou. Vendo novamente a estrela, ficaram possuídos de grande alegria. E, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se, o adoraram.”  (Mt 2,7-11).

Onde os magos encontraram o menino não era um palácio, como certamente esperavam, mas nem por isso se decepcionaram; prostraram-se e adoraram o menino no colo de sua mãe; por não ser um palácio, como esperavam, a fé e esperança deles não vacilaram  e nem diminuíram um só pouquinho. Por inspiração divina sabiam que se encontravam na presença daquele que, nascido de mulher e na mais extrema pobreza e desamparo, era o Rei do Universo.

Entraram na casa e ali encontraram o menino com Maria, sua mãe e, tomados do mais profundo respeito e veneração , se prostraram por terra e adoraram o menino, reconhecendo nele Deus e Salvador do mundo; “... e, abrindo seus tesouros, lhe ofereceram presentes de ouro, incenso e mirra.” (Mt 2,11), realizando assim as profecias de Isaias que, inspirado por Iahweh, disse e escreveu: “Os reis serão os que te alimentarão, e as rainhas as tuas amas; com o rosto inclinado até a terra te adorarão e lamberão o pó de teus pés. E saberás que eu sou o Senhor, e que não serão confundidos os que esperam em mim.” (Is 49,23), e “As nações caminharão à tua luz, e os reis, ao resplendor da tua aurora.” (Is 60,3), e ainda mais Isaias: “Então tu verás, estarás na abundância, o teu coração se espantará e se dilatará fora de si mesmo, quando se voltarem para ti as riquezas do mar, e a fortaleza das nações vier ter contigo. Ver-te-ás inundada duma multidão de camelos, de dromedários e de Efa; todos virão de Sabá trazendo-te ouro e incenso, e publicando os louvores do Senhor.” (Is 60,5-6).

O rei Davi, o grande rei, guerreiro e profeta, cantor e salmista, também inspirado pelo Espírito do Senhor, profetizou: “Os reis de Tarsis e as ilhas lhe oferecerão dons; os reis da Arábia e de Sabá lhe trarão presentes; e adorá-lo-ão todos os reis da terra, todas as nações o servirão, porque livrará o pobre do poderoso, e o indigente que não tem quem lhe valha.” (Sl 72 (71),10-13). 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

 

OS PRESENTES DOS MAGOS E A ESTRELA DE BELÉM, OS INOCENTES

 

Os magos, depois de se inclinarem por terra e adorarem o menino no colo de sua mãe, ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra, e esses presentes retratam um simbolismo todo especial: o ouro é o símbolo dos reis, da majestade, do poder, da riqueza e glorifica a realeza divina de Jesus Cristo com um símbolo material; presenteando ao Senhor Jesus com ouro os magos reconhecem em Jesus o Rei dos reis, o Imperador de todas as nações.

O incenso é a homenagem e o reconhecimento da onipotência do Senhor Jesus. Através do ouro reconheceram em Jesus “O HOMEM”, a sua humanidade e através do incenso reconheceram a sua natureza divina, o Filho do Pai Eterno, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

A mirra  é uma planta do oriente de onde se extrai uma goma aromática que os antigos usavam  para embalsamar os corpos de seus entes queridos falecidos; a mirra foi, portanto, um preito àquele que “Foi oferecido em sacrifício, porque ele mesmo quis, e não abriu a sua boca; como uma ovelha que é levada ao matadouro, como um cordeiro diante do que o tosquia, guardou silêncio e não abriu  sequer a boca.” (Isaias, 53, 7). “Verdadeiramente ele foi   o que tomou sobre si as nossas fraquezas, ele mesmo carregou as nossas dores; nós o reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado.  Mas foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados  com as suas pisaduras. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se extraviou por seu caminho; e o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós.” (Isaias, 53, 4-6).

A mirra foi um preito à Vítima que seria condenada à morte, carregando no seu sacrifício supremo todos os pecados do gênero humano. O ouro, o incenso e a mirra são o símbolo do amor, da oração e da morte.

A estrela que brilhou e levou os magos até onde estava o Menino Deus continua brilhando para nós, ainda hoje, e para todo o sempre: essa estrela é a nossa consciência que, cada vez que praticamos o bem e respeitamos o próximo, nos leva até Jesus e, ao contrário, quando descumprimos os mandamentos do Senhor ela se apaga e desaparece...

Os magos são para nós o maior exemplo de fé e perseverança.

Não sabemos exatamente de onde vieram os magos, mas de uma coisa temos certeza: eles vieram de muito longe, de tão longe que o Senhor Nosso Deus os equipou de um guia especial: uma estrela diferente brilhando no firmamento para orientá-los nessa longa jornada e conduzi-los e orientá-los até onde estava o Messias, e eles tinham certeza que, seguindo aquela estrela encontrariam o Rei dos Reis, a Salvação. Não desistiram.

Não sabemos por quanto tempo, mas caminharam até encontrar o “Rei dos judeus” anunciado em todo o Antigo Testamento. Tiveram fé, acreditaram e encontraram a Salvação. Não se intimidaram com o sanguinário Herodes: “E, avisados por Deus  em sonhos para não tornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra.” (Mt 2,12).

A atitude de Herodes ao se ver ludibriado pelos magos, tomamos conhecimento por Mateus: “Então Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos magos, irou-se em extremo, e mandou matar todos os meninos, que haviam em Belém, e em todos os seus arredores, da idade de dois anos para baixo, segundo a data  que tinha averiguado dos magos.” (Mt 2,16), isso numa tentativa extremamente criminosa e desesperada de que, no meio dos meninos com menos de dois anos de idade que fossem sacrificados à espada estivesse também o “Rei dos Judeus recém-nascido”. Tristemente mais uma profecia é cumprida: “Isto diz o Senhor: foram ouvidas no alto  vozes de lamentação, de pranto e de choro, são de Raquel, que chora os seus filhos e não quer ser consolada acerca deles, porque já não existem.” (Jr 31,15).

Que triste ironia: os magos vem de longe para adorarem e proclamarem o nascimento do Messias e partem, deixando atrás de si sangue, desolação, morte e desespero provocado pela ganância, sede de poder e autoritarismo de um débil mental que não mediu consequências para se manter no poder...

Nesse episódio todo da visita dos magos ao menino Jesus temos a segunda manifestação do Senhor Jesus à humanidade, e todas as duas de maneira maravilhosa: a primeira, quando nasceu, Anjos descem dos céus e anunciam aos pastores o nascimento do Senhor, se manifestando assim em primeiro lugar ao povo judeu que, naquela oportunidade, eram representados pelos pastores.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

 

A MISSÃO DA ESTRELA DE BELÉM É A MESMA DO CRISTÃO

 

A sua segunda manifestação, de maneira não menos maravilhosa, se deu tendo uma estrela servindo de guia aos magos que vieram de regiões longínquas e, desta feita, o Senhor se manifesta ao mundo todo nas pessoas dos magos que eram estrangeiros, vieram de longe, do oriente, de outras nações.

Em todos esses fatos que se seguiram ao nascimento do Senhor Jesus muitas coisas nos chamam a atenção: a cidade de Belém cheia de pessoas e não sendo possível a José e Maria encontrarem lugar para eles em pensões, hotéis, hospedarias ou mesmo em casas particulares, se vendo obrigados de se recolherem num abrigo de animais (Lc 2,7); os pastores que cuidavam de seus rebanhos ali nas proximidades; os Anjos que anunciam aos pastores o nascimento do Senhor (Lc 2,8-15); os magos que vem de longe, do oriente, para adorarem o “recém-nascido Rei dos Judeus” (Mt 2,1, 12).    

Mas, outras coisas nos passam desapercebidas e até julgamos  que servem apenas para enfeitar a narrativa dos Evangelistas e, na maioria das vezes, não nos preocupamos em parar e refletir os seus verdadeiros significados.

Na passagem, por exemplo, dos magos do Oriente que vieram adorar o Menino Deus, nos deparamos com uma estrela: “...nós vimos a sua estrela no oriente...” (Mt 2,2), e essa estrela para nós, à primeira vista, não passa de uma coisa romântica e poética, que serve apenas para deixar a narrativa mais bonita, mais emocionante.

Os magos deixaram a sua terra, saíram de seus países porque viram uma estrela diferente que lhes chamou a atenção e, através de seus estudos sabiam que aquela estrela indicava que a Boa Nova prometida aos homens em todo o Antigo Testamento e desde a criação do mundo havia chegado, e a estrela, luzindo no firmamento, os convidava para irem ao seu encontro.

E eles partiram de onde estavam à busca dessa Boa Nova.

A estrela de Belém tem um papel preponderante no contexto evangélico. Mateus cita essa estrela até o encontro dos magos com o Menino e não mais se referencia a ela na volta dos magos para as suas pátrias.

Quando encontram o Menino com sua mãe a estrela simplesmente desaparece porque já havia cumprido a sua missão: a de levar até Jesus Cristo homens sedentos da verdade, ansiosos da Boa Nova e com os corações cheios de fé e, depois desse encontro, preocupados em mudar de vida e de mentalidade. Essa estrela é o símbolo do cristão autêntico.

A estrela, simplesmente, trouxe os magos até onde estava Jesus. Essa foi a sua função.

Os cristãos tem por função fundamental a de levar todos os homens até onde está Jesus e apresentá-los a ele, e depois... sair de cena... 

Essa é a função do cristão. A estrela brilhou na escuridão e se destacou dentre todas as demais que haviam no céu e jamais se perdeu em qualquer constelação mas sempre se manteve em evidência para que os magos não a perdessem de vista em hipótese alguma.

Assim também deve ser o cristão: brilhar na escuridão do mundo e ser refratário ao pecado, sem se contaminar; se destacar entre todos os homens porque o cristão é alguém diferente, é alguém escolhido para viver uma vida nova, única e diferente.

O cristão não pode deixar se perder no emaranhado das idéias errôneas e doutrinas falsas que tentam levar os homens para caminhos diferentes daqueles que conduzem até Belém, onde está Jesus. O cristão, como a estrela de Belém, deve sempre se manter em evidência, viver uma vida diferente daquela que os homens do mundo levam ; uma vida de testemunho de quem acredita que aquele que nasceu num curral de animais é verdadeiramente “o Cordeiro de Deus” (Jo 1,36), o Filho de Deus “que se fez homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus.”

O cristão, como a estrela de Belém, não é um anônimo no meio da multidão, mas alguém que brilha na escuridão para indicar a todos os homens de boa vontade o caminho que leva até Jesus Cristo. O cristão, como a estrela de Belém, tem a função de levar todos os homens a adorarem Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, nascido de uma virgem por obra do Espírito Santo (Lc 1,31).

O brilho do cristão deve ser o seu modo de vida porque é vivendo como verdadeiros seguidores de Jesus Cristo  que se destaca no meio de todos os homens e, através desse brilho que vem do alto todos os homens possam vê-lo e identificá-lo no meio da multidão e da escuridão do mundo, e possam  seguí-lo pelo “Caminho, verdade e vida” (Jo 14, 6) que é Jesus Cristo.

Os magos, ao adorarem o Menino Deus, fizeram ver ao mundo que a estrela  havia cumprido a sua missão e, a partir daquele momento desaparecido de cena.

O cristão, como a estrela de Belém, depois de conduzir todos à presença do Divino Mestre, deve também sair de cena para que somente apareça Jesus Cristo e somente Jesus Cristo seja colocado em evidência na vida de todos os homens, como fez João Batista ao apontar a dois de seus discípulos Jesus que passava: “No outro dia João lá estava novamente com dois de seus discípulos e, vendo Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus.  Ouvindo as suas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus.” (Jo 1,35-36).

Os dois discípulos, apresentados a Jesus por João, seguiram Jesus e, a partir daí, João Batista saiu de cena, como aconteceu com a estrela de Belém e como deve ser todos os cristãos autênticos...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

 

DIA DE REIS E DA EPIFANIA DO SENHOR

 

O "Dia de Reis" é uma das festas tradicionais mais singelas celebrada em todo o mundo católico. Neste dia se comemora a visita de um grupo de reis magos (Mt 2,1-12), vindos do Oriente, para adorar a "Epifania do Senhor". Ou seja, o nascimento de Jesus, o Filho por Deus enviado, para a salvação da humanidade. O

 termo "mago" vem do antigo idioma persa e serviu para indicar o país de suas origens: a Pérsia. Eram reis, porque é um dos sinônimos daquela palavra, também usada para nomear os sábios discípulos de uma seita que cultuava um só Deus.

Portanto, não eram astrólogos nem bruxos, ao contrário, eram inimigos destas enganosas artes mágicas e misteriosas. Esses soberanos corretos, esperavam pelo Salvador, expectativa já presente mesmo entre os pagãos. Deus os recompensou pela retidão com a maravilhosa estrela, reconhecida pela sabedoria de suas mentes como o sinal a ser seguido, para orientação dos seus passos até onde se achava o Menino Deus.

Foram eles que mostraram ao mundo o cumprimento da profecia de séculos, chegando no palácio do rei Herodes, de surpresa e perguntando "pelo Messias, o recém-nascido rei dos judeus". Nesta época aquele tirano reprimia a população pelo medo, com ira sanguinária.

Mas os magos não o temeram, prosseguiram sua busca e encontraram o Menino Deus.

A Bíblia diz que os magos chegaram à casa e viram o Menino com sua Mãe. Isto porque José já tinha providenciado uma moradia muito pobre, mas mais apropriada, do que a gruta de Belém onde Jesus nascera.

Ali, os reis magos, depois de adorar o Messias, entregaram os presentes: ouro, incenso e mirra. O ouro, significa a realeza de Jesus; o incenso, sua essência divina e a mirra, sua essência humana. Prestada a homenagem, voltaram para suas nações, evitando novo contato com Herodes, como lhes indicou o anjo do Senhor.

A tradição dos primeiros séculos, seguindo a verdade da fé, evidenciou que eram três os reis magos: Melquior, Gaspar e Baltazar.

Até o ano 474 o que eram considerados restos mortais dos magos restos estiveram sepultados em Constantinopla, a capital cristã mais importante do Oriente da época, depois foram trasladados para a catedral de Milão, na Itália.

Em 1164 foram transferidos para a cidade de Colônia, na Alemanha, onde foi erguida a belíssima Catedral dos Reis Magos, que os guarda até hoje.

No século XII, com muita inspiração, São Beda, venerável doutor da Igreja, guiado por uma inspiração, descreveu o rosto dos três reis magos, assim: "O primeiro, diz, foi Melquior, velho, circunspecto, de barba e cabelos longos e grisalhos... O segundo tinha por nome Gaspar e era jovem, imberbe e louro... O terceiro, preto e totalmente barbado chamava-se Baltazar (cf "A Palavra de Cristo", IX, p. 195)".

Deus revelou seu Filho ao mundo e ordenou que o acatassem e seguissem. Os reis magos fizeram isto com toda humildade, gesto que simboliza o reconhecimento do mundo pagão desta Verdade. Isso é o mais importante a ser festejado nesta data.

A revelação, isto é, a Epifania, que confirma a divindade do Santo Filho de Deus feito homem, que no futuro sacrificaria a própria vida em nome da salvação de todos nós.

Também são celebrados neste dia: São Carlo de Sezze, São Dimas de Connor (bispo), São João de Rivera (bispo),São Julião e Santa Basilissa.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

 

“...VIMOS SUA ESTRELA NO ORIENTE...”  (Mt 2,2)

 

Os magos, homens sábios, vindos do Oriente e que haviam visto a sua “estrela”, saíram de suas terras e vieram até onde estava o menino Jesus para adorá-lo: ”Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? porque nós vimos a sua estrela  no Oriente e viemos adorá-lo.” (Mt 2,2).

Mais de dois anos antes do nascimento de Jesus o Profeta Balaão já profetiza sobre essa estrela vista pelos magos: “Eu o verei, mas não agora; eu o contemplarei, mas não de perto; nascerá uma estrela de Jacó, levantar-se-á uma vara de Israel...” (Nm 24,17).

O Profeta Isaias, mais ou menos seiscentos anos antes desses acontecimentos, com grande esplendor, também se manifesta e profetiza essa grande maravilha, a estrela de Belém, anunciando o nascimento do Messias , “recebe a luz, Jerusalém, porque chegou a tua luz, e a glória do Senhor nasceu sobre ti.  Porque eis que as trevas cobrirão a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti nascerá o Senhor, a sua glória se verá em ti. As nações caminharão na tua luz, e os reis, ao resplendor de tua aurora.” (Is 60 1-3).

E Isaias continua: “Então tu verás, estarás na abundância, o teu coração se espalhará e se dilatará fora de si mesmo, quando se voltarem para ti as riquezas do mar, e a fortaleza das nações vier ter contigo. Ver-te-ás inundada duma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e de Efa; todos virão de Sabá, trazendo-te ouro e incenso, e publicando os louvores do Senhor.” (Isaias, 60, 5-6).

Isaias não se cala: “Estarão sempre abertas as tuas portas; elas não se fecharão nem de dia nem de noite, a fim que te seja trazida a riqueza das nações e te sejam conduzidos os seus reis.” (Is 60,11).

E para que se cumprisse essas profecias, os magos, em terras longínquas, lá do Oriente, vêem uma estrela diferente no céu que anunciava um grande acontecimento e não tiveram dúvidas, se colocaram a caminho para adorarem o Rei dos Judeus que havia nascido.

As Sagradas Escrituras se omitem quanto ao número de magos: poderiam ser  dois ou mais; a tradição optou pelo número três, possivelmente pelos presentes que foram dados ao “Rei dos Judeus recém-nascido”, ouro, incenso e mirra. 

Nos escritos sagrados também não  é citada a nobreza que é atribuída a esses magos.

O Evangelista Mateus apenas se atém a chamá-los de “magos”, sem se preocupar com o número e o grau de importância que eles teriam na sociedade.

Nos sagrados escritos também é omitido o nome desses personagens, deixando-os no anonimato, mas, a partir do século VIII começaram a ser mencionados seus nomes, como sendo Melchior, Baltazar e Gaspar, sendo este último, negro, mas isso apenas nos é transmitido pela tradição.

Assim o Evangelista Mateus nos narra a significativa visita dos magos a Jesus, após o seu nascimento: “Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos chegaram do Oriente a Jerusalém, dizendo: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Porque nos vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.” (Mt 2,1-2).

O Messias nasceu na penúria em Belém,. cidade e casa do rei Davi; nasceu para a salvação de Israel e glória de Judá. Mas nem Israel e nem Judá deram importância a  esse acontecimento maravilhoso que fora predito, cantado e esperado por todos os profetas do Antigo Testamento. 

Somente os pobres e humildes pastores vieram até ele, convidados que foram pelos  Anjos (Lc 2,8-13).  Somente os pobres, humildes e oprimidos pastores chegaram  até Jesus para adorá-lo  no seu berço improvisado. Ninguém mais...

Israel, Judá, ou a cidade de Jerusalém não se importaram e nem se alegraram com o nascimento do Salvador. A salvação que ele veio trazer a todos os homens é oferecida a todos, mas somente é bem recebida aos que a procuram com o coração puro e sincero.

Quanto tempo depois de seu nascimento é que surgiram os magos? Não sabemos. Ninguém sabe, porque os Evangelhos não o citam.  Pelos fatos que se seguiram, e pelas atitudes de Herodes,  possivelmente, o menino Jesus estive com aproximadamente dois anos. Não vamos nos ater a isso. O importante é que, uma estrela diferente de todas as conhecidas até então, brilha no firmamento; uma estrela que já fora preconizada e antevista pelos profetas antes de Cristo.  

Todo o povo de Israel e todos aqueles que se diziam conhecedores das Sagradas Escrituras conheciam essas profecias e sabiam que, quando nascesse o Messias, o Salvador aguardado, alguma coisa de diferente aconteceria  nos céus, pois os profetas Balaão e Isaias já haviam alertado sobre esse fenômeno, mas ninguém se importou com isso.

Alguns estrangeiros, os magos, a viram lá de longe, de muito longe de suas terras e sabiam que essa estrela tinha um significado todo especial e se propuseram a seguí-la, fosse para onde fosse, não se importando com a distância e nem com os contratempos que isso fosse acarretar. E essa estrela conduziu os magos até a cidade de Belém.

Quando eles saíram de suas terras, qual o percurso que fizeram e quanto tempo caminharam? Não sabemos. O que sabemos é que os magos concluíram, através de seus estudos e meditações, que aquela estrela era o prenúncio de um grande acontecimento e que os céus abriram suas portas e a salvação havia chegado, e que o menino recém-nascido era o “Rei dos Judeus”, que nem os próprios judeus tinham conhecimento que havia nascido: o maior de todos os reis da terra e de todos os tempos, o Rei dos reis e, talvez por isso, passaram primeiro no palácio do rei Herodes porque, imaginavam, um grande rei só poderia ter nascido num palácio real, e esta foi a primeira grande contradição que Jesus trouxe aos homens: ele, o Rei dos reis não nasceu em palácio mas em um humilde abrigo de animais à beira da estrada.

Ao chegarem em  Jerusalém, perguntaram: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo.” (Mt 2,2).   

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

 

SANTÍSSIMO NOME DE JESUS

 

  O nome de Jesus é grande pelo que significa. O nome de Jesus foi posto por Maria e José, em obediência à ordem que lhe viera de Deus. Disse o Arcanjo a Maria: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus”. (Lc 1,31). A José o Anjo disse: “Não temas receber Maria, tua mulher; porque o que nela se gerou, é obra do Espírito Santo. E dará à luz um filho, e por nome o chamarás Jesus”. (Mt 1,20).

Ora, os nomes impostos a alguém por ordem de Deus significam sempre qualquer dom  gratuito concedido pelo céu, assim como foi dado a Abraão. “Serás chamado Abraão, porque te constitui pai de muita gente”. (Gn 41,51).

Santo Tomás de Aquino afirma que: “a Pedro foi dado o nome significativo: “Tu és Pedra, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja”. Porque a Cristo tinha sido conferido o dom da graça, pela qual todos seriam salvos, era conveniente que fosse chamado Jesus, isto é, “Salvador”. Este nome adorável, que significa salvação, foi predito pelos profetas, que chamaram ao Messias “Emanuel” (Is 7,14), isto é, Deus conosco, para assim designar  a causa da nossa salvação, que é a união da natureza divina com a humana, na pessoa do Filho de Deus, que, como Deus, fica conosco, participando da nossa natureza. Chamaram-no “admirável, conselheiro, Deus forte, Pai do futuro século, Príncipe da paz” (Is 9,6), títulos estes que designam todos o “caminho e o fim da nossa salvação, sendo nós, pelo admirável conselho e pela virtude divina, conduzidos à herança do futuro século, em que gozaremos da paz perfeita dos filhos de Deus, sob a própria soberania de Deus”.  Chamaram-no: “o homem, o nascituro”, para exprimir todo o mistério da Encarnação”. (Zc 6,12).

O nome de Jesus é o nome próprio do Verbo encarnado; é o nome que nos relembra o maior das obras de Deus e o maior benefício que d´Ele  nos veio.

O nome de Deus Redentor inclui o de Deus Criador, se bem que este não contenha aquele, pois a Redenção supõe a criação e a criação não encerra em si necessariamente a Redenção.

O nome de Jesus relembra-nos não só o Salvador e a salvação, que por Ele nos veio, mas também o modo admirável por que fomos salvos. Poderia salvar-nos por meio de uma só palavra, como por uma palavra só criou o mundo; mas quis tomar sobre si nossa enfermidade, para curar e tirar os nossos pecados; quis encarnar-se, nascer num estábulo, viver pobre, sofrer, ser crucificado e morrer por nós.

Levou a humildade e obediência até a morte, para assim merecer o nome de Jesus. Aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo – diz Paulo – “fazendo-se semelhante aos homens e sendo reconhecido pelo exterior como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou, e lhe deu um nome, que está acima de todo nome. A fim de que ao nome de Jesus todo o joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos; e toda a língua confesse que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai”. (Fl 2,7-11).

O nome de Jesus produz admiráveis efeitos naqueles que devotamente o invocam. Como os sacramentos não só significam a graça, mas também a produzem, assim o nome de Jesus não só significa, mas também produz a salvação de quem devotamente o invoca. “Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo”. (Jl 2,22; At 2,21; Rm 10,12). “Do céu abaixo, nenhum outro nome foi dado aos homens pelo o qual nos cumpra fazer a nossa salvação”. (Rm 4,12).

O nome de Jesus, devotamente invocado, salva-nos do perigo de sermos vítima do inimigo infernal. Satanás tem um verdadeiro pavor deste Nome.

São Jerônimo diz que: “Os demônios têm medo deste Nome, que os faz tremer. E nós podemos afugentá-los, invocando o Nome de Jesus crucificado”.

O nome de Jesus dá vigor aos mártires e a todos os fiéis que lutam pela fé. Fá-los triunfar generosamente de todos os obstáculos, de todas as perseguições e da própria morte.

O mundo, à semelhança do demônio, seu soberano, se agita ao ouvir o Nome de Jesus.

Queria que não mais se pronunciasse este Nome e cheio de ódio, com o Sinédrio de Jerusalém, até hoje declara: “Ameacemo-los, para que daqui em diante não falem neste nome a homem nenhum”. (At 4,17).

Mas em virtude deste Santo Nome os eleitos, para a confusão do mundo, operam verdadeiros milagres, segundo a profecia do próprio Salvador: “Em meu nome expulsarão os demônios, falarão novas línguas, manusearão as serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; porão as mãos sobre os enfermos e serão curados”. (Mc 16,17).

O nome de Jesus produz sempre grande milagre de aplacar as mais furiosas tempestades na alma daqueles que o invocam devotamente.

São Bernardo diz que: “Há entre vós alguém que se ache triste? Entre-lhe Jesus no coração e digam-no os lábios; e eis que, ao pronunciar este Nome, as nuvens se dissipam e volta a serenidade. Se entre vós houver quem tenha caído em falta grave e, deixando-se levar pelo desespero, nutrir idéias de suicídio: não voltará ao amor da vida, se invocar este nome da vida ?”

Invoquemos, pois, o Santíssimo Nome de Jesus nas tentações, nas perseguições, na aflição. Invoquemo-lo sempre. “Por ele ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que  lhe confessam o nome”. (Hb 13,15). “ Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, tudo seja em nome do Senhor Jesus Cristo, rendendo raças por ele a Deus Pai”. (Cl 3,17).

Pronunciemos muitas vezes em vida este Nome de salvação, para que o possamos pronunciar na morte, qual penhor seguro da felicidade eterna.

São comemorados também neste dia: Santo Antero (papa), Santa Genoveva, Santa Bertila de Marolle (viúva), São Florêncio de Viena (bispo e mártir).

domingo, 2 de janeiro de 2022

 

ADEUS ANO VELHO... FELIZ ANO NOVO...

 

Chegamos ao final de mais um ano; mais um ano vivido em nossa existência; estamos no alvorecer do ano novo. Quantas coisas aconteceram no ano  que se findou; quantas crianças nasceram, quantos entes queridos se foram para a casa do Pai, quantas coisas boas aconteceram, quantas situações desagradáveis nos foram impostas.

Para uns, o ano que passou foi um ano de realizações, de alegria e felicidade; para outros apenas um ano de luta onde a rotina imperou; para outros, ainda, desilusões, tristezas, amargura, sofrimento, enfim, para todos, o ano velho chega ao final.

Neste ano que se findou quanto amamos, quantos bens fizemos, quantas injustiças cometemos, quantas negações aos nossos ideais.

Neste momento, o que tenha acontecido no ano que passou de bom deve ser renovado, e o que aconteceu de não tão bom deve ser aproveitado como lição de vida para que não se repita.  

O ano novo já é uma realidade, mas a vida continua dentro de sua normalidade.

Quando se inicia um ano novo, temos a esperança de que muitas coisas mudarão, muitas dificuldades serão sanadas, muitos problemas vão ser resolvidos, muitas coisas boas acontecerão; mas, para que  a nossa vida possa melhorar no ano que se inicia depende de nós, somente de nós.

A nossa vida melhorará na medida em que formos melhores no ano que se finda.

Para termos uma vida melhor, com a consciência mais tranquila, para que a paz reine em nosso lar, no nosso trabalho, no nosso círculo de amizade, grande parte depende de nós, somente de nós.

Não adianta querermos a paz, se só promovemos a discórdia.

O ano novo será bom na medida em que cada um de nós for bom; o ano que se inicia será melhor que o ano que termina dependendo da maneira em que formos melhores do que fomos no ano que passou.

Todos temos boa vontade de progredir; todos deveríamos ser um instrumento de paz.  

Cada criatura humana pode ser, na realidade, um instrumento de paz, daquela paz verdadeira, da paz que somente Deus pode dar.

O maior obstáculo à paz consiste na maneira egoísta que cada um quer somente para si o que pertence a todos.

Neste ano novo que se inicia deveríamos  tomar como tema e lema e como um objetivo a ser alcançado, a maravilhosa oração do pobrezinho de Assis, Francisco de Assis: “Senhor, faze de mim um instrumento de tua paz...” Instrumento da paz de Deus em todos os ambientes onde possa imperar o ódio, a inveja, a ofensa, a discórdia, a dúvida, o desespero, a tristeza, a mentira...

Quem se propor a viver assim, com o esforço de cada dia, constante e sincero,  há de ser um instrumento de paz nas mãos de Deus, e conseguirá levar amor, compreensão, perdão, fé, união, verdade, esperança, alegria e consolação a toda parte e a toda gente.

Neste ano novo deveríamos ter como programa de vida esta linda oração do Pobrezinho de Assis; mas este programa de vida requer uma grande dose de boa vontade; e não foi exatamente aos homens de boa vontade que Deus prometeu a paz??? “Glória de Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade.” (Lc 2,14).

É levando a paz aos outros que cada um de nós terá esse tesouro no próprio coração.

Se não tivermos paz não podemos transmitir a paz, porque ninguém pode dar o que não tem, mas, é dando que se recebe... Dando a paz é que recebemos a paz.

Cada um de nós possui a paz no coração, mas, muitas vezes o nosso egoísmo impede os outros de a terem. No ano novo que se inicia sejamos instrumentos da paz que vem de Deus.

Comecemos o ano pedindo a Deus com Francisco de Assis:

 

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor;

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;

Onde houver discórdia, que eu leve a união;

Onde houver dúvida, que eu leve a fé;

Onde houver erro, que eu leve a verdade;

Onde houver desespero, que eu leve a esperança;

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre,

Fazei que eu procure mais

Consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois, é dando que se recebe,

é perdoando que se é perdoado,

e é morrendo que se vive para a vida eterna.

sábado, 1 de janeiro de 2022

 

SANTA MARIA, MÃE DE DEUS

 

No dia primeiro de janeiro, no primeiro dia de cada ano, a primeira festa litúrgica comemorada pela nossa Santa Igreja é dedicada à Maria, sob o título de “Mãe de Deus”.

A Igreja começa o ano  festejando Maria e a invocando sob o título de “Mãe de Deus”. Não poderia a Igreja ter feito uma escolha melhor.

Quando festejamos Maria como a “Mãe de Deus”, estamos adorando ao Senhor Nosso Deus, estamos agradecendo ao Senhor pela mulher que ele mais amou e que escolheu para ser a sua própria mãe. Muitos querem negar esse título a Maria.           

Os que negam Maria como sendo verdadeiramente a Mãe de Deus, ainda não foram tocados pela graça de Deus, porque somente quem é tocado  pela graça de Deus pode dizer que Jesus é o Senhor e que Maria é a mãe do Senhor Jesus, e, portanto, a Mãe de Deus.

Quem nega que Maria é a Mãe de Deus está negando a divindade do próprio Senhor Jesus, porque Maria é a Mãe de Jesus nas suas duas naturezas, humana e divina, e Maria, sendo mãe de Jesus homem é também Mãe de Jesus Deus, e, portanto, Maria é Mãe de Deus, porque o Senhor Jesus é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Maria foi escolhida por Deus desde toda a eternidade para ser a ponte que ligaria o Criador às criaturas e, através desta ponte nos viria a salvação. 

E assim, como Jesus que é Deus veio até nós por meio de Maria, somente por meio de Maria é que chegaremos a Jesus; foi o próprio Senhor quem escolheu esse caminho para chegar até nós e o exemplo, quem nos deixa é o próprio Senhor Nosso Deus; se ele escolheu Maria para chegar até nós, nós também temos de escolher Maria para chegar com mais facilidade até ele. Jesus confiou em Maria; Jesus se entregou aos cuidados de Maria durante nove meses em seu ventre virginal e imaculado e durante trinta anos em sua casa pobre e humilde de Nazaré; e nós devemos nos entregar aos cuidados de Maria a vida inteira seguindo o exemplo do próprio Senhor Jesus que a escolheu como Mãe.    

Neste mundo nenhuma criatura foi tão elevada, tão agraciada e tão honrada pelo Senhor Nosso Deus do que a Bem-aventurada sempre Virgem Maria.

A nossa Igreja a venera e lhe dá todos os títulos que uma mulher possa ter e receber.          Maria se fez escrava, e o Senhor fez da escrava uma rainha. E, para ser a Mãe de Deus, Maria foi preparada pelo próprio Senhor Nosso Deus desde a sua concepção no ventre de sua mãe.         Maria foi concebida sem a mácula do pecado original; em momento nenhum de sua vida, aquela que deveria ser a Mãe de Deus, esteve, um segundo sequer, sob o poder do demônio.    Maria nasceu isenta do pecado que é a herança de todos os homens,  o pecado original, e em toda a sua vida jamais cometeu um pecado, por menor que seja. Aquela que deveria ser a Mãe de Deus não poderia jamais ficar sob o poder do demônio.

O demônio jamais teve poder sobre Maria, e Maria é mais poderosa que todos os demônios juntos. Ao nome de Maria os infernos tremem, ao pronunciarmos nome de Maria os demônios fogem horrorizados.

Quem se consagra a Maria, quem se consagra totalmente  aos cuidados de Maria está protegido contra os ataques do maligno, porque, nunca se ouviu dizer que qualquer pessoa que tenha se consagrado inteiramente a Maria tenha sido por ela desamparado ou tenha se perdido eternamente, conforme ensinava São Bernardo.

Maria é a Mãe de Deus, porque Maria é a Mãe de Jesus, e Jesus é Deus.       

Jesus amou Maria com todas as forças do seu Divino Coração, e nós devemos seguir esse exemplo de Jesus; devemos amar Maria com todas as forças do nosso coração. É um exemplo que o próprio Senhor Jesus nos dá e nos incentiva a imitá-lo.

E Maria, sendo a Mãe de Deus, permaneceu sempre Virgem, porque o Senhor Nosso Deus quis guardar para si, somente para si, intacto e inviolado aquele corpo onde ele, Deus, foi gerado como homem, aquele corpo que o protegeu e o carregou por nove meses, aquele corpo que o formou com sua carne, fez correr em suas veias o seu sangue e o alimentou com o seu leite materno. Maria é a sempre Virgem, porque nenhum homem poderia ter tocado aquele corpo que serviu de instrumento e sacrário vivo para que Deus se tornasse homem e viesse habitar entre nós.

Maria é verdadeiramente concebida sem o pecado original; Maria é verdadeiramente a sempre Virgem; Maria é verdadeiramente a Mãe de Deus, quer queiram quer não queiram os inimigos da Igreja e de Maria, porque, quem negar essas verdades estará negando  o grande poder de Deus que fez Maravilhas em Maria, e por isso o seu nome é santo.

São comemorados, também, neste dia: São Basílio d’Aix-em-Provence (bispo), São Claro de Saint-Marcel (abade), Santo Eugênio de Condat (abade), São Félix de Bourges (bispo), São Fulgêncio de Ruspe (monge e bispo), São Fulgêncio e São Vicente Maria Strambi, Santo Agripino Frodeberto (bispo), São Justino (bispo), Santo Almáquio (mártir), São Concórdio (mártir), Santa Beatriz (vrigem), Santa Eufrosina (virgem), Santo Odilon (abade), São Guilherme (abade).