segunda-feira, 14 de novembro de 2011

SANTÍSSIMA TRINDADE

SANTÍSSIMA TRINDADE
Ano – A; Cor – Branco; Leituras: Ex 34,4-6.8-9; Dn 3; 2Cor 13,11-13; Jo 3,16-18.

“A GRAÇA DO SENHOR JESUS CRISTO, O AMOR DO PAI, E A COMUNHÃO DO ESPÍRITO SANTO ESTEJAM COM TODOS VOCÊS”. (2Cor 13,13).

Diácono Milton Restivo.
Ao terminar o Tempo Pascal e voltar ao Tempo Comum, a Igreja celebra a solenidade da Santíssima Trindade. O parágrafo 234 do Catecismo da Igreja Católica diz que o mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo, é, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina.
“A Trindade Santa é um mistério de fé no sentido estrito, um dos ‘mistérios escondidos em Deus que não podem ser conhecidos se não forem revelados do alto’. Sem dúvida, Deus deixou vestígios de seu ser trinitário em sua obra da Criação e em sua Revelação ao longo do Antigo Testamento (cf Gn 1,26). Mas a intimidade de seu Ser como Santíssima Trindade constitui um mistério inacessível à pura razão e até mesmo à fé de Israel antes da Encarnação do Filho de Deus e da missão do Espírito Santo”. (237 – Catecismo da Igreja Católica).

PENTECOSTES

PENTECOSTES
Ano – A; Cor – Vermelho; Leituras: At 2,1-11; Sl 103 (104); 1Cor 12,3-7.12-13; Jo 20,19-23.

“ENTÃO APARECERAM LÍNGUAS COMO DE FOGO QUE SE REPARTIAM E POUSAVAM SOBRE CADA UM DELES”. (At 2,3).

Diácono Milton Restivo.

Com o Domingo de Pentecostes encerramos o Tempo Pascal.
Quando falamos Pentecostes, obviamente no sentido cristão, vem-nos à mente a vinda do Espírito Santo sobre a igreja nascente, representada pelos Apóstolos e Maria, a mãe de Jesus.
Vale esclarecer que o Espírito Santo se manifestou no dia de uma festa milenar dos judeus, que era de grande alegria para os judeus, comemorada com vários nomes: Festa da Colheita, pois os judeus comemoravam o sucesso de uma grande colheita, “a festa dos primeiros frutos de seus trabalhos de semeadura nos campos” (Ex 23,16).
Os primeiros frutos ou grãos colhidos eram oferecidos a Yahweh, no Templo de Jerusalém. Também chamada de festa das Semanas, que era a festa de sete semanas e que tinha o seu início exatamente cinquenta dias depois da Páscoa dos judeus com a colheita da cevada, e o encerramento acontecia com a colheita do trigo: “Conte sete semanas. A partir do momento em que você começar a ceifar as espigas, conte sete semanas. Celebre então a festa das semanas em honra de Yahweh seu Deus.” (Dt 16,9-10a). Também era chamada de festa das Primícias dos Frutos, ou somente das Primícias por ser uma entrega de uma oferta voluntária, a Deus dos primeiros frutos da terra colhidos naquela colheita: “No dia dos primeiros frutos, quando vocês oferecerem a Yahweh uma oblação de frutos novos na festa das Semanas, façam uma assembléia santa e não realizem nenhum trabalho.” (Nm 28,26). Como vemos, Pentecostes era uma festa do antigo calendário bíblico judeu regida pela Lei mosaica (Ex 23,14-17; 34,18-23).

ASCENSÃO DO SENHOR

ASCENSÃO DO SENHOR
Ano – A; Cor – Branco; Leituras: At 1,1-11; Sl 46 (47); Ef 1,17-23; Mt 28,16-20.

“EU ESTAREI COM VOCÊS TODOS OS DIAS, ATÉ O FIM DO MUNDO”. (Mt 28,20).

Diácono Milton Restivo

Ainda dentro do Tempo Pascal a Igreja comemora a Ascensão do Senhor Jesus aos céus.
A primeira leitura é extraída do livro dos Atos dos Apóstolos, aliás, o seu início. Atribui-se a autoria dos Atos dos Apóstolos a Lucas, discípulo de Paulo e médico, como disse o próprio Paulo: “Lucas, o amado médico” (Cl 4,14). As únicas referências, nas Sagradas Escrituras que temos de Lucas, constam das cartas de Paulo: “Lucas, o amado médico” (Cl 4,14); “colaborador” (Fm 1,24); “Somente Lucas está comigo” (2Tm 4,11). Também é atribuído a Lucas o terceiro Evangelho sinótico, onde o Evangelista deixa claro que, em Jesus, Deus visitou o seu povo, quando Jesus chora sobre Jerusalém: “Eles esmagarão você e seus filhos, e não deixarão em você pedra sobre pedra. Porque você não reconheceu o tempo em que Deus veio visitá-la.” (Lc 19,44).
Os Atos dos Apóstolos retratam o início da história da Igreja e a Era Apostólica. A preocupação de Lucas, neste livro, é retratar a ação do Espírito Santo nas primeiras comunidades cristãs e, por elas, no mundo inteiro. O interessante é que, apesar do nome, este livro não narra os atos de todos os apóstolos, mas se atém somente em Pedro e muito mais em Paulo, sendo que João e Tiago entram apenas como figurantes. O livro dos Atos dos Apóstolos é a continuação ininterrupta do Evangelho de Lucas. Se pegarmos o final do Evangelho segundo Lucas e o início do livro dos Atos dos Apóstolos, veremos isso, ou seja, Lucas começa o livro de Atos dos Apóstolos com o mesmo fato com que havia terminado o seu Evangelho: a ascensão de Jesus Cristo aos céus.
Lucas é o único evangelho em que há indicações de um destinatário: Teófilo (Lc 1,3), o mesmo do livro dos Atos dos Apóstolos (At 1,3). Lucas começa o seu Evangelho com uma dedicatória a Teófilo, como da mesma forma, no início dos Atos dos Apóstolos ele faz a dedicatória ao mesmo destinatário. No Evangelho: “Muitos empreenderam compor uma história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram aqueles que foram desde o princípio testemunhas oculares e que se tornaram ministros da palavra. Também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio, escrevê-los para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo, para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido’. (Lc 1,1-4). E no livro dos Atos dos Apóstolos: “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas”. (At 1,1-2).

6º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO "A"

Ano – A; Cor – Branco; Leituras: At 8,5-8.14-17; Sl 65; 1Pd 3,15-18; Jo 14,15-21.

“SE VOCÊS ME AMAM, OBEDECERÃO AOS MEUS MANDAMENTOS” (Jo 14,15).

Diácono Milton Restivo.

A prisão e morte de Estevão narradas no livro dos Atos dos Apóstolos 6,8 – 7,60, deram início à primeira grande perseguição sofrida pela Igreja de Jesus Cristo: “Naquele dia, desencadeou-se uma grande perseguição contra a igreja de Jerusalém. [...] Saulo, porém, devastava a Igreja: entrava nas casas e arrastava para fora homens e mulheres, para colocá-los na prisão. E aqueles que se dispersaram iam de um lugar para outro, anunciando a Palavra.” (At 8,1b.3-4).
Com a morte de Estevão a Igreja passa por um período de sofrimento e perseguição. Com o martírio de Estevão as autoridades judaicas tentaram, de uma vez por todas, acabar com os seguidores do Ressuscitado, caçando e matando a todos, tanto mulheres como homens, que criam em Jesus Cristo.O sangue dos mártires é a semente da Igreja”, diria mais tarde Tertuliano (155-222).
Fato inédito e grande paradoxo: ao invés de a perseguição calar os seguidores do Ressuscitado e abafar o Evangelho, acabou fazendo com que o Evangelho saísse de Jerusalém e se espalhasse por outras regiões onde se refugiavam os discípulos e se difundisse cada vez mais e com mais ardor. É o Espírito Santo que assim força a Igreja a sair de seu estreito círculo original, a fim de anunciar o Evangelho “... em toda Judéia e Samaria, e até os extremos da terra.” (At 1,8b).
A primeira leitura desta liturgia narra exatamente os efeitos dessa perseguição quando Filipe, não o Apóstolo, mas aquele que fora escolhido entre os sete pelos Apóstolos (cf At 6,1-6), refugiando-se na Samaria, levou para lá o Evangelho de Jesus Cristo e, através da Palavra, realizando grandes maravilhas. Se não houvesse a perseguição o Evangelho permaneceria estancado em Jerusalém e a Igreja não se espalharia além da Palestina.

5º DOMINGO DA PÁSCOAL - ANO "A"

V DOMINGO DA PÁSCOAL
Ano – A; Cor – branco; Leituras: At 6,1-7; Sl 32; 1Pd 2,4-9; Jo 14,1-12.

“NÃO FIQUE PERTURBADO O CORAÇÃO DE VOCÊS”. (Jo 14,1).

Diácono Milton Restivo.

A primeira leitura deste V Domingo da Páscoa reporta-nos à Igreja primitiva, nos seus primeiros dias, quando “o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário”. (At 6,1). Vemos que, em Jerusalém, não era somente judeus que haviam se convertido para a Igreja do Caminho, mas, também, fiéis de origem grega aderiram aos ensinamentos do Divino Mestre. As pessoas carentes por parte dos judeus tinham atendimento preferencial por parte da comunidade, enquanto que os necessitados de origem grega eram negligenciados e, por isso, reclamaram. Para serem encarregados dessa tarefa foram escolhidos sete homens, todos de origem grega, “de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria” (At 6,3). Jamais poderíamos dizer com segurança que, ao serem encarregados esses sete homens para esse mister, estava instituído na Igreja o ministério diaconal porque, em primeira instância, Jesus foi o diácono por excelência: “quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês; e quem de vocês  quiser ser o primeiro, deverá tornar-se servo de vocês. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”. (Mt 20,26-28). Ninguém criou nada se já Jesus não tivesse sido ou dado o exemplo. Os Apóstolos, ao designarem esses sete homens, apenas acordaram para a realidade de que a Igreja de Jesus Cristo é diaconal por excelência, nasceu diaconal e deixa de ser Igreja se não for diaconal. Ao designar esses homens para esse serviço, os Apóstolos estavam delegando a eles um serviço, que em primeiríssimo lugar, era deles próprios, os Apóstolos, conforme disse o teólogo Collins que, fazendo isso, os Apóstolos poderiam continuar com o seu ministério apostólico no Templo, entre os judeus, ministério esse que era uma diaconia, a de proclamar ali a Palavra.
Os sete homens escolhidos eram de origem grega e, portanto, eles deveriam desempenhar a sua diaconia entre os cristãos de origem grega, e isso quer dizer que, não somente suprir as necessidades materiais desse seguimento, mas de proclamar também a Palavra para eles.

4º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO "A"

IV DOMINGO DA PÁSCOA
Ano – A; Cor – branco; Leituras: At 2,14.36-41; Sl 22; 1Pd 2,20-25; Jo 10,1-10.

“... EU GARANTO A VOCÊS: EU SOU A PORTA DAS OVELHAS”. (Jo 10,7b).

Diácono Milton Restivo

Este IV Domingo da Páscoa é chamado de o Domingo do Bom Pastor, mas hoje poderíamos chamar este domingo de “Domingo da Porta das ovelhas”. Por interessante que possa parecer, o foco da leitura do Evangelho não se prende ao Bom Pastor, embora Jesus estivesse falando dele, e nem é usado esse termo em toda a leitura evangélica, e sim somente se referindo ao seu adversário, o ladrão, o assaltante, o mercenário, referenciados nas autoridades religiosas judaicas do tempo de Jesus e em todos aqueles que se arvoram autoridades em religião e ou teologia, os falsos profetas que, através de seus ensinamentos dúbios, buscam persuadir as ovelhas e arrebatá-las do Bom Pastor. Quando Jesus fala de ladrão, assaltante e mercenário, refere-se às autoridades religiosas judaicas do seu tempo que dificultavam o arrebanhamento das ovelhas e incitavam o povo contra Jesus ameaçando-o de prisão e até apedrejamento (cf Jo 10,31-33.39), culminando com a sua morte de cruz. Os fariseus e os escribas e os doutores da Lei eram, na época de Jesus, os pastores que conduziam o povo de Yahweh, mas de maneira contrária àquilo que Yahweh esperava para o seu povo, e isso o profeta Ezequiel já os condenava no seu tempo: “Ai dos pastores de Israel, que são pastores de si mesmos. [...] Vocês não procuram fortalecer as ovelhas fracas, não dão remédio para as que estão doentes, não curam as que se machucam, não trazem de volta as que se desgarraram e não procuram aquelas que se extraviaram. Pelo contrário, vocês dominam com violência e opressão. [...] Por isso, vocês, pastores, ouçam a palavra de Yahweh: juro por minha vida – oráculo do Senhor Yahweh: minhas ovelhas se tornaram presa fácil e servem de pasto para as feras selvagens. Elas não têm pastor, porque os meus pastores não se preocupam com o meu rebanho. Por isso, pastores, ouçam a palavra de Yahweh! Assim diz o Senhor Yahweh: vou me colocar contra os pastores. Vou pedir contas a eles sobre o meu rebanho e não deixarei mais que eles cuidem do meu rebanho. Deste modo os pastores não ficarão mais cuidando de si mesmos. (Ez 34,2b.4.7-10a). Isso deixa claro o porque Deus serviu-se da figura do pastor para expressar a sua relação de amor para com a humanidade. O Salmo desta liturgia transmite o cuidado e o amor que Yahweh tem para com o seu povo e o salmista, manifestando os anseios de toda a humanidade, chama a Yahweh de seu pastor, colocando nele toda a sua confiança e segurança: “Yahweh é meu pastor. Nada me falta. [...] Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome.” (Sl 22,1.3).

3º DOMINGO DA PÁSCOA -ANO "A"

III DOMINGO DA PÁSCOA
Ano – A; Cor: Branco; Leituras: At 2,14.22-23; Sl 15; 1Pd 1,17,21; Lc 24,13-35.

“PERMANECE CONOSCO, POIS CAI A TARDE E O DIA JÁ DECLINA.” (Lc 24, 29).

Diácono Milton Restivo

Era um primeiro dia da semana, portanto, entende-se como sendo um domingo. Na sexta-feira anterior havia acontecido coisas terríveis em Jerusalém. As autoridades haviam julgado, condenado e mandado crucificar a Jesus de Nazaré. Naquele primeiro dia da semana, domingo, no terceiro dia após a crucificação e morte de Jesus, piedosas mulheres que seguiram a Jesus por toda a parte a partir da Galiléia durante sua peregrinação transmitindo a Boa Nova a todas as gentes, ainda de madrugada, se dirigiram ao sepulcro onde tinha sido colocado o corpo sem vida do Divino Mestre, levando os aromas que tinham preparado para embalsamá-lo. Ao lá chegarem, surpresa... O corpo de Jesus não estava mais no sepulcro; a pedra que fechava a entrada do túmulo havia sido removida e o túmulo estava vazio: “Mas ao entrar não encontraram o corpo do Senhor Jesus.” (Lc 24,3). Voltaram correndo até onde estavam reunidos os amedrontados apóstolos e discípulos e narraram-lhes o ocorrido, mas, porque eram mulheres, não foram levadas a sério: “... essas palavras, porém, pareceram desvario, e não lhes deram crédito.” (Lc 24,11). 
Os apóstolos e discípulos julgaram que as mulheres haviam tido alguma alucinação coletiva que poderia facilmente ser explicada pelos sofrimentos e angústias que passaram por terem acompanhado Jesus em toda a sua “via crucis”. Mas “Pedro, contudo, levantou-se e correu ao túmulo. Inclinou-se, porém, viu apenas os lençóis. E voltou para casa muito surpreso com o que acontecera.” (Lc 24,12).

2º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO "A"

II DOMINGO DA PÁSCOA
Ano – A; Cor – branco; Leituras: At 2,42-47; Sl 117; 1Pd 1,3-9; Jo 20,19-31.

“A PAZ ESTEJA COM VOCÊS” (Jo 20,19).

Diácono Milton Restivo

Neste domingo, chamado “in albis”, ou seja, “domingo das vestes brancas” ou da Divina Misericórdia, a liturgia acentua a nova existência do cristão regenerado pelo batismo ou pela renovação das promessas batismais que foram feitas na cerimônia da Vigília Pascal. Na igreja primitiva o batismo, principalmente dos adultos, acontecia na vigília do domingo da Páscoa.
No domingo seguinte, que seria o segundo domingo da Páscoa, os neocatecúmenos já podiam participar da Eucaristia e, para tanto, se apresentavam para as liturgias da Palavra e da Eucaristia vestidos de veste branca que fora recebida no seu batismo. No domingo seguinte da Páscoa Jesus se apresenta ressuscitado aos seus discípulos, criando e fortalecendo, no Espírito, a primeira comunidade cristã.
A primeira leitura, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos, mostra que as primeiras comunidades cristãs, já em plena evidência, transmitem o testemunho do Ressuscitado. Os novos cristãos “eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações”. (At 2,42).
Nessa atitude dos primeiros cristãos está o alicerce sólido da igreja de Jesus Cristo: 1) perseverança na fé; 2) perseverança ao ouvir a Palavra transmitida pelos Apóstolos; 3) perseverança na comunhão fraterna; 4) perseverança no partir o pão; 5) perseverança na oração. O jeito cristão de viver é ser perseverante e participante da comunidade dos irmãos.

PÁSCOA E RESSURREIÇÃO

PÁSCOA E RESSURREIÇÃO
Ano – A; Cor – Branco; Leituras: At 10,34.37-43; Sl 117 (118); Cl 3,1-4; Jo 20,1-9.

“TIRARAM O SENHOR DO TÚMULO E NÃO SABEMOS ONDE O COLOCARAM”. (Jo 20,2b).

Diácono Milton Restivo

Assim o Senhor Nosso Deus anunciava a Páscoa, a libertação ao povo israelita que se encontrava em escravidão nas terras do Egito sob o poder do Faraó: “Este dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão uma festa de Yahweh; vocês o celebrarão como um rito permanente, de geração em geração”. (Ex 12,14). A primeira Páscoa foi marcada com o sangue do cordeiro: “falem assim a toda a assembléia de Israel: no dia dez deste mês, cada família tome um animal, um anima para cada casa. [...] Pegarão o sangue e o passarão sobre os dois batentes e sobre a travessa da porta, nas casas onde comerem o animal”. (Ex 12,2.7).                     
O símbolo da primeira Páscoa foi designado por Yahweh para ser um cordeiro imolado e o seu sangue significou a libertação, a salvação do povo israelita da escravidão do Egito. O portal da casa israelita que fosse manchado pelo sangue do cordeiro imolado não sofreria a desgraça de ver seus filhos mortos pelo anjo da morte que dizimou os primogênitos egípcios: “Nessa noite eu passarei pela terra do Egito, matarei todos os primogênitos egípcios, desde os homens até os animais. E farei justiça contra todos os deuses egípcios. Eu sou Yahweh. O sangue nas casas será um sinal de que vocês estão dentro delas: ao ver o sangue eu passarei adiante. E o flagelo destruidor não atingirá vocês, quando eu ferir o Egito. Esse dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão um a festa de Yahweh. Vocês celebrarão como um rito permanente, de geração em geração”. (Ex 12,12,14).

SEXTA-FEIRA SANTA

SEXTA-FEIRA SANTA
AS SETE PALAVRAS DO CRISTO NA CRUZ PARA SEREM MEDITADAS.

Diácono Milton Restivo

1. “Pai, perdoa-lhes; eles não sabem o que fazem”. (Lc 23,34).
·        “Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele”. (Jo 3,17).
·        “E, se alguém ouvir as minhas palavras e não crer, eu não o julgo, porque eu vim não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo”. (Jo 12,47). 
Cristo nos ensina a perdoar:
·        “Vocês ouviram o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, lhes digo: amem os vossos inimigos e orem pelos que lhes perseguem; para que vocês se tornem filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se vocês amarem os que lhes amam, que recompensa vocês terão? Não fazem os publicanos também o mesmo?” (Mt 5,43-46);
·        “Amem os seus inimigos, façam o bem aos que aborrecem vocês, bendigam aos que lhes maldizem e orem pelos que lhes caluniam. Ao que lhe ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que lhe houver tirado a capa, dê-lhe também a túnica. Ama, pois, a seus inimigos, e façam o bem, e emprestem, sem nada esperar de volta, será grande o galardão de vocês, e vocês serão filhos do Altíssimo; porque Ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sejam, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso”. (Lc 6,27-29);
·        “Pai perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; porque, se vocês perdoarem aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste perdoará vocês; se, porém, não perdoarem aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai perdoará vocês as suas ofensas”. (Mt 6,12.14-15).

DOMINGO DE RAMOS

DOMINGO DE RAMOS
Ano – A; Cor – vermelho; Leituras: Mt 21,1-11; Is 50,4-7; Sl 21 (22); Fl 2,6-11; Mt 27,11-54.

“HOSANA AO FILHO DE DAVI! BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR! HOSANA NO MAIS ALTO DOS CÉUS!” (Mt 21,9)

Diácono Milton Restivo

A solenidade dos Ramos é o domingo que antecede o Domingo da Páscoa. É o sexto domingo do Tempo da Quaresma e direciona a Igreja para os acontecimentos finais da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. É a preparação imediata da Páscoa da Ressurreição. Esta solenidade não faz parte do Tríduo Pascal: Quinta-feira Santa, Sexta-feira da Paixão e Sábado da vigília pascal.
Para fins de esclarecimentos sobre o Tríduo Pascal, que acontece no transcorrer da semana seguinte, a Quinta-feira Santa é a comemoração da última Ceia da páscoa hebraica que Jesus fez com os doze apóstolos antes de sua prisão e ser levado à morte na cruz. Durante esta ceia Jesus instituiu, além da Eucaristia, o sacerdócio cristão, prefigurando o evento novo da Páscoa cristã que haveria de se realizar dois dias após. A Sexta-feira Santa é o único dia do ano em que a Igreja não celebra a Eucaristia. Recorda, apenas, a morte de Jesus por uma celebração da Palavra de Deus, constando de leituras bíblicas, de preces solenes, da adoração da cruz e da comunhão sacramental. A noite do Sábado Santo é a “mãe de todas as vigílias”, a celebração central da fé cristã. Nela a Igreja espera, velando, a ressurreição de Cristo, e a celebra nos sacramentos do Batismo e da Eucaristia. O Domingo de Ramos é, portanto, a data em que os cristãos celebram a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém e dá início à Semana Santa. Marca também o final da Quaresma, período em que os cristãos se prepararam para a Páscoa da Ressurreição, e o começo da Semana da Paixão, da semana Santa. No Domingo de Ramos a leitura feita antes da Santa Missa e geralmente fora da igreja e durante a benção dos ramos, é a do Evangelho e narra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém num último esforço para que o povo entendesse a sua missão e visse nele a realização de todas as profecias do Antigo Testamento a respeito do Messias. Nas cinco semanas do Tempo da Quaresma anteriores a essa realidade, o povo de Deus deve ter se preparado através da oração, penitência, caridade e encontros de estudo e reflexão da Palavra.

5º DOMINGO DA QUARESMA - ANO "A"

V DOMINGO DA QUARESMA
Ano – A; Cor - roxo; Leituras: Ez 37,12-14; Sl 129 (130); Rm 8,8-11; Jo 11,1-45.

“EU SOU A RESSURREIÇAO E A VIDA. QUEM CRER EM MIM, MESMO QUE ESTEJA MORTO, VIVERÁ”.  (Jo 11,25).
Diácono Milton Restivo

Neste V Domingo da Quaresma a liturgia da Palavra transpira a pequenez do homem e a magnitude de Deus, a fragilidade do homem e a grandeza de Deus, o fim inevitável do homem, a morte, e a eternidade de Deus. O profeta Ezequiel transmite a palavra de Yahweh para um povo que já estava na sepultura, isto é, sem esperanças, sem objetivos, sem perspectivas de dias melhores, pois vivia um período de escravidão, submetido a outros povos, e Yahweh promete a esse povo devolver-lhe a vida de esperança e reconduzi-lo à liberdade, colocando-o, de volta, na sua terra de origem, derramando sobre esse povo o seu espírito de fortaleza: “Ó meu povo, vou abrir os seus túmulos, tirar vocês de seus túmulos, povo meu, e vou levá-los para a terra de Israel. Povo meu, vocês ficarão sabendo que eu sou Yahweh, quando eu abrir seus túmulos, e de seus túmulos eu tirar vocês. Colocarei em vocês o meu espírito, e vocês reviverão. Eu os colocarei em sua própria terra, e vocês ficarão sabendo que eu, Yahweh, digo e faço”. (Ez 37,12-14).
O Salmo é o grito de desespero do pecador transformado numa oração de súplica a Yahweh: “Das profundezas eu clamo a ti, Yahweh: Senhor, ouve o meu grito! [...] Yahweh, se levas em conta as culpas, quem poderá resistir?” (Sl 129 (130),1-2.3).

4º DOMINGO DA QUARESMA - ANO "A"

IV DOMINGO DA QUARESMA
Ano – A; Cor – roxo; Leituras: 1Sm 16,1.6-7.10-13; Sl 22 (23); Ef 5,8-14; Jo 9,1-41.
“ENQUANTO ESTOU NO MUNDO, EU SOU A LUZ DO MUNDO” (Jo 9,5).

Diácono Milton Restivo
Neste IV Domingo da Quaresma a liturgia da Palavra é muito rica, e seria necessário que fosse meditada uma por uma todas as leituras apresentadas. A primeira leitura narra a escolha do adolescente pastor Davi para ser o futuro rei de Israel em substituição ao rei Saul que havia, por suas atitudes, desagradado a Yahweh. Davi é ungido pelo profeta e juiz Samuel para tal finalidade: “Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o espírito do Senhor se apoderou de Davi”. (1Sm 16,13). O Salmo 22, atribuído ao próprio Davi, é um dos mais belos, mais conhecidos, mais cantados e mais recitados salmos em todo o mundo cristão. Como o Evangelho de hoje é riquíssimo em ensinamentos, vamos nos ater única e exclusivamente na meditação do Evangelho, que é de João, que é o único que narra esse acontecimento. Ainda que estejamos no Ano A, que é atribuído à leitura do Evangelho de Mateus, vez por outra o Evangelho de João é lido, como o foi no domingo passado na passagem de Jesus com a samaritana. A passagem do Evangelho de hoje, do homem que é cego de nascença, retrata o único cego de nascença mencionado no Novo Testamento. O evangelista João não cita em seu Evangelho, nenhuma vez, a palavra milagre, e sim, sinal. Deixa claro aos seus leitores que os sinais narrados no seu Evangelho são uma manifestação da glória de Deus para aqueles que estão dispostos a penetrar no mistério de Jesus. O cego de nascença simboliza a comunidade que não tomou consciência de sua situação de cegueira. Mostra, também, o conflito das autoridades religiosas do tempo de Jesus e de todos os tempos que mantêm o povo na escuridão. Este sinal é o de número seis no Evangelho de João e, como todos os demais, tem por objetivo testificar a divindade de Jesus, o Filho de Deus. O primeiro sinal foi nas bodas de Caná, na transformação da água em vinho (Jo 2,1-11), simbolizando o amor e a salvação pela Palavra. O segundo sinal foi a cura do filho de um funcionário real (Jo 4,46-54), simbolizando saúde e a força da fé. O terceiro sinal foi a cura do paralítico, vítima da exclusão social (Jo 5,1-18), simbolizando solidariedade e graça. O quarto sinal foi a multiplicação dos pães (Jo 6,1-15), simbolizando a partilha e mostrando que o mundo recebe o Evangelho através dos homens cooperando com Deus. No quinto sinal Jesus caminha sobre as águas (Jo 6,16-21), retratando o medo e a insegurança dos discípulos quando Jesus está ausente e demonstrando a confiança que Jesus inspira a todos e a paz que advém ao sentirem a presença de Jesus no barco com eles. O sexto sinal é a cura do cego de nascença (Jo 9,1-41), simbolizando que Jesus é a luz do mundo: “enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo” (Jo 9,5). E, finalmente, o sétimo sinal, a ressurreição de Lázaro (11,1-44), atestando que Jesus é vida: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10). A ressurreição de Lázaro meditaremos no próximo domingo. Nesta passagem do Evangelho é narrado o episódio do cego de nascença. O Evangelho de João narra quatro tipos de cegueira e escuridão espirituais:

3º DOMINGO DA QUARESMA - ANO "A"

III DOMINGO DA QUARESMA
Ano – A; Cor – roxo; Leituras: Ex 17,3-7; Sl 94 (95); Rm 5,1-2.5-8; Jo 4,5-42.

“COMO É QUE TU, SENDO JUDEU, PEDES DE BEBER A MIM QUE SOU UMA MULHER SAMARITANA?” (Jo 4,9).
Diácono Milton Restivo
Quando procuramos meditar ou tirar mensagens dos acontecimentos bíblicos ou, de uma maneira geral, evangélicos, tratamos o fato como se estivesse acontecendo nos nossos dias, com as nossas leis, a nossa ética, a nossa moral e a nossa realidade. E, geralmente, chegamos a conclusões que, a nosso ver, seria a mais correta, mas que nada tem a ver com o fato que foi exposto. Quantos seguimentos religiosos, que se dizem cristãos, fazem isso, e impõem aos seus seguidores um jugo pesado de se levar, querendo que seus adeptos tenham os costumes de dois mil anos atrás, e os condenam se assim não for. Desconhecem a realidade política, social, moral, ética, os costumes do povo e a situação de dependência ou independência que aquele povo vivia dentro do contesto que se pretende meditar. Desconhecendo a realidade do povo na época desse acontecimento, é um leviandade querer tirar conclusões ou buscar conforto espiritual em um fato acontecido a dois mil anos que nada tem a ver com a nossa realidade, a nossa lei, com os nossos costumes e tudo o mais. A passagem do evangelho do encontro de Jesus com a mulher samaritana é um fato típico desses que envolve problemas de política, religião, sexo e povos diferentes que tinham as suas rivalidades políticas, religiosas e sociais e conflitos em vários seguimentos dos seus costumes e interpretações sobre a Lei de Moisés. Judeus e samaritanos não se suportavam e eram inimigos entre si.

2º DOMINGO DA QUARESMA - ANO "A"

II DOMINGO DA QUARESMA
Ano – A; Cor – roxo; Leituras: Gn 15,5-12.17-18; Sl 26 (27); Fl 3,17 – 4,1.

"ESTE É O MEU FILHO AMADO QUE MUITO ME AGRADA. ESCUTEM O QUE ELE DIZ." – (Mt 17,5).
Diácono Milton Restivo

A transfiguração de Jesus é uma passagem que se encontra em todos os Evangelhos sinóticos: Lucas 9,28-36, Mateus 17,1-9 e Marcos 9,2-10, mas cada um dos evangelistas sinóticos trabalhou a seu modo a narrativa dentro dos objetivos específicos que lhes era peculiar. A transfiguração de Jesus é o ponto culminante da sua vida pública, assim como o seu batismo é o seu ponto de partida, e sua ascensão aos céus é o seu termo. Pedro se refere a esse glorioso evento na sua segunda carta: “De fato, não tiramos de fábulas complicadas o que lhes ensinamos sobre o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pelo contrário, falamos porque somos testemunhas oculares da majestade dele. Pois ele recebeu de Deus Pai a honra e a glória, quando uma voz vinda de sua Glória, lhe disse: ‘Este é o meu Filho amado: nele encontro o meu agrado’.” (2Pd 1,16-18).
João, também, no seu Evangelho, não deixa passar despercebida a contemplação da glória de Jesus que foi testemunhada por ele: “E nós contemplamos a sua glória; glória do Filho único do Pai, cheio de amor e fidelidade.” (Jo 1,4b). Então, podemos dizer que duas das testemunhas oculares privilegiadas fazem alusão à transfiguração de Jesus.  
Quando falamos de Transfiguração de Jesus logo a associamos ao monte Tabor, mas, por incrível que possa parecer, nenhum dos evangelistas, que narra esse episódio, cita o fato como acontecido nesse monte; os evangelistas são unânimes em afirmar que Jesus subiu numa “alta montanha” (Mc 9,2; Mt 17,1), ou apenas “à montanha” (Lc 9,28) sem citar o nome da montanha. Pela narrativa dos Evangelhos não sabemos que montanha foi essa. A tradição deu o nome a essa montanha, como sendo o monte Tabor, a partir do século IV. Isso foi dito pela primeira vez por Cirilo de Jerusalém e por Jerônimo em suas obras literárias. O monte Tabor não é citado nenhuma vez no Novo Testamento, mas são encontrados treze registros do monte Tabor no Antigo Testamento, a saber: (Josias 19,12; 19,17; 19,22; 19,34; Juízes 4,6; 4,12; 4,14; 8,18; 1 Samuel 10,3; 1 Crônicas 6,62; Salmo 89 (88),13; Jeremias 46,18 e Oséias 5,1).

1º DOMINGO DO QUARESMA - ANO "A"

I DOMINGO DO QUARESMA
Ano – A; Cor – roxo; Leituras: Gn 2,7-9; 3,1-7; Sl 50 (51); Rm 5,12-19; Mt 4,1-11.

“VOCÊ ADORARÁ O SENHOR SEU DEUS, E SOMENTE A ELE SERVIRÁ”. (Mt 4,10).

Diácono Milton Restivo

A nossa liturgia nos introduz no Tempo da Quaresma. Termina a primeira parte do Tempo Comum que teve início na festa do Batismo do Senhor e se encerrou na terça-feira anterior à Quarta-Feira de Cinzas. O Tempo da Quaresma é um tempo destinado ao acolhimento do Reino de Deus pregado por Jesus; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos, contados, exatamente, quarenta dias.
Nas Sagradas Escrituras o número quarenta indica um tempo necessário para algo novo que vai chegar, ou um tempo que se finda uma geração, ou um tempo para conversão, de mudança de vida e de mentalidade como, por exemplo, os quarenta dias que duraram as águas do dilúvio (Gn 7,4.12.17; 8,6), quarenta dias e quarenta noites que Moisés passa entre as nuvens no cume do monte Sinai para receber as tábuas da Lei (Ex 24,18; 34,28; Dt 9,9.11.18.25; 10,10); quarenta anos de caminhada do povo israelita pelo deserto (Nm 14,33; 32,13; Dt 2,7;0 8,2; 29,4; Js 5,6; Sl 94,10; At 7,36; 13,18); quarenta anos de reinado de Davi em Israel (2Sm 5,4; 1Rs 2,11; 1Cr 29,27), quarenta anos de reinado de Salomão em Israel (1Rs 11,42; 2Cr 9,30); quarenta dias de caminhada de Elias pelo deserto até chegar no monte Horeb, a montanha de Deus ((1Rs 19,8); quarenta dias e quarenta noites que Jesus passou no deserto jejuando em oração e tentado pelo demônio (Mt 4,2; Mc 1,13; Lc 4,2); quarenta dias que Jesus passou entre os apóstolos depois de sua ressurreição e antes de sua ascensão aos céus (At 1,3). Quando alguém errava, para corrigi-lo, a Lei de Moisés determinava que lhe dessem quarenta chicotadas (Dt 25,3) e Paulo afirma que recebeu cinco vezes as quarenta chicotadas menos uma por pregar o Cristo Ressuscitado (2Cor 11,24).
Muitas outras citações do número quarenta acontecem nas Sagradas Escrituras preconizando mudanças, sempre para melhor. Vemos ai que, nas Sagradas Escrituras o número quarenta está implicitamente ligado a mudança de vida ou na expectativa de algo novo que deveria acontecer. O Tempo da Quaresma não foge a essa prescrição e tem essa finalidade: mudança de vida e de mentalidade e é a preparação de penitência, jejum e oração para a Páscoa.

9º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO "A"

IX DOMINGO DO TEMPO COMUM
Ano - A; Cor – verde; Leituras: Dt 11,18.26-28.32; Sl 30 (31); Rm 3,21-25.28; Mt 7,21-27.

“NEM TODO AQUELE QUE ME DIZ: ‘SENHOR, SENHOR’, ENTRARÁ NO REINO DO CÉU”.  (Mt 7,21a)

Diácono Milton Restivo

Moisés foi o libertador do povo israelita da escravidão no Egito e o legislador desse mesmo povo. É atribuída a ele a autoria dos cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, resumidamente chamados de “Pentateuco”. A liturgia de hoje evoca uma passagem importante do livro do Deuteronômio, onde Moisés transmite, ao povo no deserto, como se deve buscar a bênção de Deus obedecendo aos seus mandamentos, ou ir de encontro da maldição virando as costas para Yahweh: “Vejam! Hoje eu estou colocando diante de vocês a bênção e a maldição. A bênção se vocês obedecerem aos mandamentos de Yahweh seu Deus, que eu hoje lhes ordeno. A maldição se não obedecerem aos mandamentos de Yahweh, seu Deus, desviando-se do caminho que hoje eu lhes ordeno, para seguir outros deuses que vocês não conheceram”. (Dt 26-27).  Quando ditava os dez mandamentos a Moisés, Yahweh já havia dito: “Não tenha outros deuses diante de mim. Não faça para você ídolos, nenhuma representação daquilo que existe no céu e na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra. Não se prostre diante desses deuses, nem sirva a eles, porque eu sou Yahweh, seu Deus, sou um Deus ciumento: quando me odeiam, castigo a culpa dos pais nos filhos, netos e bisnetos; mas quando me amam e guardam os meus mandamentos, eu os trato com amor por mil gerações”. (Ex 20,3-6).

8º DOMINGO DO TEMPO COMUM -ANO "A"

VIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
Ano – A; Cor – verde; Leituras: Is 49,14-15; Sl 61 (62); 1Cor 4,1-5; Mt 6,24-34.

“ACASO PODE A MULHER ESQUECER-SE DO FILHO PEQUENO? SE ELA SE ESQUECER, EU, PORÉM, NÃO ME ESQUECEREI DE TI”. (Is 49,15).

Diácono Milton Restivo

A presença do profeta Isaias é uma constante nas leituras de nossas liturgias, principalmente quando o amor de Deus é colocado em pauta e exaltado. Na primeira leitura desta liturgia Isaias enaltece o amor de mãe que é tão grande e tão bonito que chega a ser comparado, na Bíblia, com o próprio amor de Deus: “Pode a mãe se esquecer do seu nenê, pode ela deixar de ter amor pelo filho de suas entranhas?” (Is 49,15a). Para justificar o sucesso do homem, costuma-se dizer que, por trás de um homem realizado há sempre a figura de uma grande mulher e, com mais definição, quando essa mulher é a mãe. As Sagradas Escrituras nos mostram exemplos disso. O grande profeta e juiz israelita Samuel não teria sido o que foi se não fosse as insistentes orações para ter um filho, de sua mãe, Ana, que era estéril, isto é, não podia ter filhos. A oração de agradecimento a Yahweh de Ana por ter tido um filho, se encontra no primeiro livro de Samuel, 2,1-10. Além de muitos outros exemplos, as Sagradas Escrituras também citam os de Sara, a mulher de Abraão, em favor de seu filho Isaac (cf Gn 21,8-10) e de Rebeca, esposa de Isaac a favor de seu filho Jacó (cf Gn 27).
O amor de mãe é tão importante e indispensável na vida e na formação de um filho que, para se fazer homem, o Filho de Deus quis ter uma mãe para ser gerado como homem: “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher...”. (Gl 4,4) e, por isso, por ter escolhido entre os humanos uma mãe e ter nascido de mulher, podemos dizer que “é em Cristo que habita, em forma corporal, toda plenitude da divindade” (Cl 2,9) e, ainda mais, que Isabel reconheceu em Maria a mãe de um Deus que se fez homem: “Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1,42-43). O amor materno de Maria para com Jesus foi tão grande que, nos estertores da morte, foi à sua mãe que Jesus se dirigiu pela última vez na cruz, transferindo, para a pessoa de João, que representava toda a humanidade naquele momento, todo amor maternal que Maria lhe dedicou em toda a sua vida terrena. A mãe é a face feminina de Deus no lar e tem a consciência de ser a colaboradora desse mesmo Deus na geração de novos filhos. A mãe sabe que seus filhos são uma benção de Deus e se torna responsável pela educação cristã de sua família.

7º DOMIGO DO TEMPO COMUM - ANO "A"

VII DOMIGO DO TEMPO COMUM
Ao – A; Cor – verde; Leituras: Lv 19,1-2.17-18; Sl 102; 1Cor 3,16-23; Mt 5,38-48.

“SEJAM PERFEITOS COMO É PERFEITO O PAI DE VOCÊS QUE ESTÁ NO CÉU”.
(Mt 5,48)

Diácono Milton Restivo

Desde o quarto domingo do Tempo Comum, 30 de janeiro, o Evangelho lido na liturgia aborda os ensinamentos de Jesus proferidos no monte das bem-aventuranças, numa sequência lógica, e assim irá continuar por mais alguns domingos. O sermão da montanha trata dos ensinamentos básicos para o seguimento a Jesus, ou seja, para que os seus discípulos “sejam perfeitos como é perfeito o Pai que está nos céus”. (Mt 5,48). A liturgia de hoje foca essa perfeição e, na primeira leitura, “Yahweh falou a Moisés: ‘Diga a toda a comunidade dos filhos de Israel: Sejam santos, porque eu, Yahweh, o Deus de vocês sou santo”. (Lv 19,1) como já havia dito a esse mesmo povo, anteriormente, em outra oportunidade: “E vocês foram santificados e se tornaram santos, porque eu sou santo [...] Eu sou Yahweh, que os tirei do Egito, para ser o Deus de vocês: sejam santos porque eu sou santo” (Lv 11,44.45), e diria mais tarde: “Sejam santos para mim, porque eu, Yahweh, sou santo. Eu separei vocês de todos os povos para que vocês pertençam a mim”. (Lv 20,26).
Essa ordem de o povo de Israel ser santo como Yahweh é santo, foi determinada pelo próprio Yahweh a Moisés. No Evangelho de hoje Jesus repetirá essa ordem aos seus discípulos: “sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está nos céus”. (Mt 5,48).
Na sua carta Pedro reforça essa ordem, transmitindo-a à Igreja de Jesus Cristo daquele tempo e também para a Igreja, do mesmo Cristo, do terceiro milênio: “Assim como é santo o Deus que os chamou, também vocês tornem-se santos em todo o comportamento, porque a Escritura diz: ‘sejam santos porque eu sou santo.”. (1Pd 1,15-16). Paulo, Apóstolo, assimilou com perfeição essa chamada para a santidade, e escreve aos tessalonicenses: “Deus não nos chamou para a imoralidade, mas para a santidade. Portanto, quem despreza essas normas, não despreza um homem, mas o próprio Deus, que dá o Espírito Santo para vocês” (1Ts 4,7-8).

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO "A"

VI DOMINGO DO TEMPO COMUM
Ano – A; Cor – Verde; Leituras: Eclo 15,16-21; Sl 118 (119); 1Cor 2,6-10; Mt 5,17-37.

“O QUE DEUS PREPAROU PARA OS QUE O AMAM É ALGO QUE OS OLHOS JAMAIS VIRAM NEM OS OUVIDOS OUVIRAM NEM CORAÇÃO ALGUM JAMAIS PRESSENTIU”.   (1Cor 2,9).
Diácono Milton Restivo

 Como temos visto, as primeiras leituras do Tempo Comum é sempre tirada de um dos livros do Antigo Testamento: Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Números. Levítico e Deuteronômio), do livro dos profetas, dos livros chamados históricos e dos livros chamados Sapienciais. A primeira leitura da liturgia de hoje é tirada de um livro sapiencial, o livro do Eclesiástico, que quer dizer "Livro da Igreja" porque, na Igreja primitiva, esse livro era utilizado com frequência para a instrução dos fiéis. O Eclesiástico está relacionado entre os “livros sapienciais” da Bíblia (como o Eclesiastes, com o qual não se confunde, Salmos, Provérbios e outros). Desde os primeiros séculos do Cristianismo até há pouco tempo, o nome mais comum para designar este livro era “Eclesiástico” (do latim “Ecclesiasticus liber”), o que significa o livro da igreja ou da assembléia. O bispo são Cipriano, falecido em 248, parece ter sido o primeiro a usar esse nome, devido ao uso que dele se fazia na Igreja antiga. Este livro também é conhecido como livro de Sirac ou, simplesmente, Sirácida, em relação ao seu autor, Jesus Ben Sirac: “Jesus, filho de Sirac, neto de Eleazar de Jerusalém, gravou neste livro uma instrução de sabedoria e ciência, derramando como chuva a sabedoria do seu coração.” (Eclo 50,27). O livro do Eclesiástico é formado por reflexões pessoais do autor e era comumente lido em templos cristãos para a formação dos convertidos para o cristianismo e para a catequese daqueles que se preparavam para receber o Batismo, os catecúmenos.
O livro do Eclesiástico trata-se, antes de tudo, de um escrito de sabedoria que, infelizmente, é excluído das Bíblias protestantes, perdendo, assim, os nossos queridos irmãos, uma sabedoria e espiritualidade que fortalece a vivência voltada para as coisas de Deus. Grande parte do conteúdo deste livro é dedicada a louvar a Deus e estimular o fiel à virtude religiosa. É no livro do Eclesiástico que encontram-se os primeiros escritos que chamam a atenção sobre os sete pecados capitais e como evitá-los, senão vejamos: 1º] Soberba: (Eclo 10,7.14); 2º] Avareza: (Eclo 10,9-10; 14,3-6; 31,1-8); 3º] Luxuria: (Eclo 23,23-37); 4º] Ira: (Eclo 28,1-9); 5º] Gula: (Eclo 31,12-25); 6º] Inveja: (Eclo 14,8-10) e 7º] Preguiça: (Eclo 22,1-2).