domingo, 13 de fevereiro de 2022

 

17º ANIVERSÁRIO DO FALECIMENTO DA IRMÃ LÚCIA, UMA DAS VIDENTES DE FÁTIMA

 

Nesta data 13 de fevereiro completam-se dezesseis anos que a Serva de Deus Irmã Lúcia partiu para junto de Deus. No Carmelo de S. Teresa, Coimbra, esta data será assinalada com uma Evocação da Irmã Lúcia composta por vários momentos.

Lúcia de Jesus dos Santos, a Irmã Lúcia, uma dos três videntes de Nossa Senhora de Fátima, nasceu no dia 23 de março de 1907, na Vila Aljustrel, Fátima, Portugal e faleceu no dia 13 de fevereiro de 2005, com 97 anos de idade, no Convento Carmelita de Santa Teresa, na cidade de Coimbra, Portugal.

No dia 13 de maio de 1917, durante a primeira guerra mundial, as três crianças, Lúcia, Jacinto e Francisca, estavam pastoreando nas colinas, quando surge um clarão após um relâmpago e a Virgem Maria aparece brilhando e vestida de branco. Ela pede que eles rezem pela paz no mundo e o fim da guerra.

As aparições continuaram, sempre no dia 13, pedindo para que as crianças continuassem rezando e revelou terríveis acontecimentos futuros, como a segunda guerra mundial, a queda do comunismo e uma terceira revelação que permaneceu em segredo.

Lúcia foi religiosa, freira da Ordem das Carmelitas Descalças, conhecida no Carmelo como Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado e reverenciada pela maioria dos católicos portugueses simplesmente como Irmã Lúcia.

Foi, juntamente com os seus primos Jacinta e Francisco Marto, os chamados “três pastorzinhos”, uma das três crianças que viram Nossa Senhora na Cova da Iria, em Fátima, durante o ano de 1917.

Lúcia nasceu no lugar de Aljustrel, próximo de Fátima, filha de António dos Santos e de sua mulher (casados em Fátima, Ourém, a 19 de Novembro de 1890) Maria Rosa, e era a irmã mais nova de sete irmãos: Maria dos Anjos, Teresa de Jesus Rosa dos Santos, Manuel Rosa dos Santos, Glória de Jesus Rosa dos Santos, Carolina de Jesus Rosa dos Santos e Maria Rosa.

Tinha dez anos e era completamente analfabeta quando viu, pela primeira vez, Nossa Senhora na Cova da Iria, juntamente com os primos Jacinta e Francisco Marto. Lúcia foi a única dos três primos que falava com a Virgem Nossa Senhora. Sua prima Jacinta ouvia mas não falava e Francisco nem sequer ouvia as palavras de Nossa Senhora, e como tal era a portadora do Segredo de Fátima. Nos primeiros tempos, a hierarquia católica revelou-se céptica sobre as afirmações dos Três Pastorinhos e foi só a 13 de outubro de 1930 que o Bispo de Leiria tornou público, oficialmente, que as aparições eram dignas de crédito.

A partir daí, o Santuário de Fátima ganhou uma expressão internacional, enquanto a irmã Lúcia viveu cada vez mais isolada.

Em 17 de junho de 1921, o Bispo de Leiria, Dom José Alves Correia da Silva, proporcionou a entrada de Lúcia no colégio das irmãs doroteias em Vilar, Porto, alegadamente para a proteger dos peregrinos e curiosos que acorriam cada vez mais à Cova da Iria e pretendiam falar com ela. Professou como doroteia em 1928, em Tui, Espanha, onde viveu alguns anos.

Em 1946 regressou a POrtugal e, dois anos depois, entrou para a clausura do Carmelo de Santa Teresa em Coimbra, onde professou como carmelita a 31 de maio de 1949. Foi neste convento que escreveu dois volumes com as suas Memórias e os Apelos da Mensagem de Fátima.

Em 1991, quando o Papa João Paulo II visitou Fátima, convidou a irmã Lúcia a deslocar-se ali e esteve reunido com ela doze minutos. Antes, a irmã Lúcia já se tinha encontrado também em Fátima com o Papa Paulo VI.

Lúcia morreu no dia 13 de fevereiro de 2005, aos 97 anos, no Convento Carmelita de Santa Teresa em Coimbra. O Papa João Paulo II, nesta ocasião, rezou por Irmã Lúcia e enviou o Cardeal Tarcisio Bertone para o representar no funeral. Em 19 de fevereiro de 2006 o seu corpo foi trasladado de Coimbra para o Santuário de Fátima onde foi sepultada junto dos seus primos.

A 12 de setembro de 1935, os restos mortais de Jacinta Marto são trasladados para o cemitério de Fátima. Ao abrir-se a urna, verifica-se que o rosto da vidente se encontrava incorrupto. Tiram-se então algumas fotografias e o então Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, remete algumas para Lúcia que se encontrava na altura em Pontevedra.

Na carta de agradecimento, Lúcia evoca a prima com saudade referindo alguns fatos sobre o carácter de Jacinta. Estas palavras levam D. José a ordenar-lhe que escrevesse tudo o que se recordava da prima. Assim nasce a Primeira Memória da Irmã Lúcia que fica concluída em Dezembro de 1935.

Passados dois anos sobre a revelação dos fatos relatados na Primeira Memória, o Bispo de Leiria, convencido da necessidade de se estudar mais a fundo os acontecimentos de Fátima, dá ordens a Lúcia para escrever a história da sua vida e das aparições.

A vidente obedece e redige, entre os dias 7 e 21 de novembro de 1937, o que fica conhecido como Segunda Memória da Irmã Lúcia. Neste texto, a vidente revela pela primeira vez os factos ocorridos com as três visões do Anjo.

Em 26 de Julho de 1941, o Bispo de Leiria escreve a Lúcia anunciando-lhe o livro "Jacinta" que estava a ser preparado pelo Dr. J. Galamba de Oliveira. Pede-lhe então para recordar tudo o mais o que pudesse lembrar sobre a prima, de modo a ser incluído nesta edição.

Esta ordem cai no fundo da alma da vidente como um raio de luz, dizendo-lhe que era chegado o momento de revelar as duas primeiras partes do “Segredo”. Manifesta então a vontade de acrescentar à edição dois capítulos: um sobre o Inferno e outro sobre o Imaculado Coração de Maria. Estas revelações são escritas e concluídas em 31 de outubro de 1941.

São posteriormente publicadas e conhecidas como a "Terceira Memória da Irmã Lúcia". Surpreendidos com os relatos da "Terceira Memória", Dom José Alves Correia da Silva e Galamba de Oliveira concluíram que Lúcia não tinha dito tudo nas narrações anteriores e que ocultaria ainda algumas coisas.

A 7 de Outubro de 1941, a vidente recebe ordem para escrever tudo o que soubesse sobre Francisco e completar o que faltasse sobre Jacinta e descrever, com mais pormenor, as Aparições do Anjo e de Nossa Senhora. Lúcia entrega o manuscrito a 8 de dezembro de 1941 deixando claro que nada mais tem a ocultar, excepto a Tersceira parte do Segredo.

O texto é depois publicado como "Quarta Memória da Irmã Lúcia" e nele a vidente escreve o texto definitivo das Orações do Anjo, acrescentando também ao segredo a frase “Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé etc.”

Em 31 de Maio de 2007 foi inaugurado em Coimbra um museu sobre a vidente de Fátima.

Foi projetado pelo arquiteto Florindo Belo Marques para uma área onde as freiras do Carmelo de Coimbra tinham galinheiros. O museu apresenta um espólio que remete até ao tempo das "aparições de Fátima".

Em 14 de fevereiro de 2008, na Catedral de Coimbra, em Portugal, o Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, por ocasião do aniversário da morte da "vidente de Fátima", tornou público que o papa Bento XVI, atendendo ao pedido do bispo Albino Mamede Cleto, de Coimbra, compartilhado com numerosos bispos e fiéis do mundo todo autorizou, excepcionando as normas do Direito Canônico (art. 9 das "Normae servandae"), o início da fase diocesana da causa da sua beatificação, transcorridos apenas três anos da sua morte.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

 

LAVOU-LHE OS PÉS COM LÁGRIMAS.” (Lc 7, 36)

 

Jesus Cristo não fazia distinção de pessoas; Jesus Cristo jamais fez distinção de pessoas.

Jesus Cristo veio para todos os homens, ele veio para salvar a todos, a “todos os homens (e mulheres) de boa vontade.”          A pregação inicial de Jesus Cristo foi para que todos “mudassem de vida e de mentalidade e acreditassem no Evangelho, porque o Reino dos Céus estava próximo.” Todos os que atenderam  ao chamamento de Jesus Cristo, todos os que seguiram o seu conselho, começaram a fazer parte  do Reino que ele viera trazer para todos os homens.           

Não interessava se era homem ou mulher, rico ou pobre, santo ou pecador, da própria pátria de Jesus ou estrangeiro; o importante é que mudassem de vida e de mentalidade e acreditassem no Evangelho. A todos os que se dirigiam a Jesus, ele os recebia com amor e carinho, curando as doenças de seus corpos e de suas almas, perdoando pecados e chamando-os  para uma vida mais santa e possível de ser vivida por que Jesus dizia estar com cada um que se propusesse a mudar de vida e de mentalidade e de seguir o seu Evangelho.

São Paulo, Apóstolo, entendeu tão bem esse chamamento de Jesus Cristo e o seguiu com tanto amor, dedicação e fé que chegou a declarar em uma de suas cartas, dizendo: “Estou crucificado com Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim. A minha vida atual eu a vivo pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou por mim.” (Gl 2,19-21).

Todos os que tinham boa vontade de mudar de vida e mentalidade se achegavam até Jesus, não importando que tipo de vida levavam antes desse encontro; importava, isso sim, o tipo de vida que se comprometessem a viver  depois desse encontro com Jesus.

E todos os que se achegavam a Jesus arrependidos de seus pecados com boa vontade de mudar de vida e de mentalidade, a todos Jesus abria os seus braços e os acolhia no seu reino de amor. Quantos exemplos disso temos nos Santos Evangelhos. Pecadores públicos, prostitutas, ladrões, exploradores do povo, todos os que se achegavam arrependidos aos pés de Jesus ele os acolhia com muito amor, os perdoava de seus pecados e os ajudava a se levantar na vida para começarem a viver uma vida mais voltada para Deus e para o próximo.

Certa vez, Jesus tomava uma refeição na casa de um rico fariseu.           

Nessa oportunidade achegou-se até ele uma mulher conhecida como pecadora na cidade, uma prostituta. Essa mulher havia trazido um vidro de um caro perfume. E enquanto Jesus estava assentado na mesa, com os demais, tomando a refeição, essa mulher se ajoelhou aos seus pés e começou a chorar e, com as lágrimas lavou os pés de Jesus e com os seus longos cabelos os enxugava enquanto cobria-os de beijos e derramava aquele rico perfume nos seus pés.

Todos os presentes naquela refeição ficaram escandalizados porque conheciam aquela mulher, todos conheciam a sua vida e os seus atos e todos sabiam que aquela mulher era uma prostituta. É assim que são os homens; fazem com que pessoas tomem caminhos errados na vida, e depois as marginalizam, as condenam, as criticam e jamais estendem a mão para lhes dar um apoio.

Mas, para quem se arrepende, para quem tem boa vontade e quer mudar de vida e de mentalidade, Jesus não se importa com a sua vida passada.          Jesus esquece tudo o que já passou; Jesus olha somente o coração, o interior da pessoa e a sua proposta de mudar de vida e de mentalidade. Não interessa para Jesus o mal que praticamos em nossa vida passada, os nossos pecados, o nosso desamor; interessa para Jesus, isso sim, o nosso arrependimento, a nossa boa vontade de mudar de vida e de mentalidade e seguir os seus preceitos.

Os homens continuarão a nos criticar, a nos marginalizar, a afastarem-se de nós como se fôssemos leprosos por termos cometidos algum ato que contraria os seus conceitos hipócritas de moral e bons costumes, mas Jesus nos acolhe, nos levanta, nos abraça com os seus braços divinos, nos apoia e nos  encaminha na vida.           

Aquela mulher foi criticada e os homens que se diziam honestos sentiram-se mal com a sua presença dentro daquela sala onde todos tomavam refeição juntamente com Jesus.

Mas Jesus acolheu aquela mulher  e, com muito amor e carinho a levantou de seus pés, porque ela ainda estava ajoelhada, e lhe disse carinhosamente: “Mulher, os seus pecados estão perdoados... sua fé a salvou, vá em paz.” (Lc 7,36s).

Jesus Cristo não mede os nossos pecados. Jesus Cristo mede, isso sim, o nosso amor e, pelo tamanho do nosso amor será o perdão que ele nos dará porque: “quem muito ama, muito será perdoado...”

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

 

NOSSA SENHORA DE LOURDES

 

Em 11 de fevereiro de 1858, na vila francesa de Lourdes, às margens do rio Gave, Maria, a Mãe de Jesus e nossa mãe, manifestou-se de maneira direta e próxima seu profundo amor para conosco, aparecendo a uma menina de 14 anos, chamada Bernadete (Bernardita) Soubirous.

A história da manifestação começa quando Bernadete, que nasceu em 7 de janeiro de 1844, saiu, junto com duas amigas, em busca de lenha na Pedra de Masabielle. Para isso, tinha que atravessar um pequeno rio, mas como Bernadete sofria de asma, não podia entrar na água fria e as águas daquele riacho estavam muitas geladas. Por isso ela ficou de um lado do rio, enquanto as duas companheiras iam buscar a lenha do outro lado.

Foi nesse momento, que Bernadete experimenta o encontro com Maria, experiência que marcaria sua vida, e é assim que ela narra o fato: “senti um forte vento que me obrigou a levantar a cabeça. Voltei a olhar e vi que os ramos de espinhos que rodeavam a gruta da pedra de Masabielle estavam se mexendo. Nesse momento apareceu na gruta uma belíssima Senhora, tão formosa, que ao vê-la uma vez, dá vontade de morrer, tal o desejo de voltar a vê-la. Ela vinha toda vestida de branco, com um cinto azul, um rosário entre seus dedos e uma rosa dourada em cada pé. Saudou-me inclinando a cabeça. Eu, achando que estava sonhando, esfreguei os olhos; mas levantando a vista vi novamente a bela Senhora que me sorria e me pedia que me aproximasse. Ms eu não me atrevia. Não que tivesse medo, porque quando alguém tem medo foge, e eu teria ficado alí olhando-a toda a vida. Então tive a idéia de rezar e tirei o rosário. Ajoelhei-me. Vi que a Senhora se persignava ao mesmo tempo em que eu. Enquanto ia passando as contas ela escutava as Ave-Marias sem dizer nada, mas passando também por suas mãos as contas do rosário. E quando eu dizia o Glória ao Pai, Ela o dizia também, inclinando um pouco a cabeça. Terminando o rosário, sorriu para mim outra vez e retrocedendo para as sombras da grupa, desapareceu”.

Em poucos dias a Virgem volta a aparecer a Bernadete na mesma gruta. Entretanto, quando sua mãe soube disso não gostou, porque pensava que sua filha estava inventando histórias - embora a verdade é que Bernadete não dizia mentiras–, ao mesmo tempo alguns pensavam que se tratava de uma alma do purgatório, e Bernadete ficou proibida de voltar à gruta Masabielle.

Apesar da proibição, muitos amigos de Bernadete pediam que voltasse à gruta; com isso, sua mãe disse que se consultasse com seu pai. O senhor Soubiruos, depois de pensar e duvidar, permitiu que ela voltasse na gruta no dia 18 de fevereiro.

Desta vez, Bernadete foi acompanha por várias pessoas, que com terços e água benta esperavam esclarecer e confirmar o narrado. Ao chegar todos os presentes começaram a rezar o rosário; é neste momento que Maria aparece pela segunda vez.

Bernadete narra assim a manifestação: “Quando estávamos rezando o terceiro mistério, a mesma Senhora vestida de branco fez-se presente como na vez anterior. Eu exclamei: ‘Aí está’. Mas os demais não a via. Então uma vizinha me deu água benta e eu lancei algumas gotas na visão. A Senhora sorriu e fez o sinal da cruz. Disse-lhe: ‘Se vieres da parte de Deus, aproxima-te’. Ela deu um passo adiante”.

Em seguida, a Virgem disse a Bernadete: “Venha aqui durante quinze dias seguidos”.

A menina prometeu que sim e a Senhora expressou-lhe “Eu te prometo que serás muito feliz, não neste mundo, mas no outro”. Depois deste intenso momento que cobriu a todos os presentes, a notícia das aparições correu por todo o povoado, e muitos iam à gruta crendo no ocorrido embora outros zombassem disso.

Entre os dias 11 de fevereiro e 16 de julho de 1858 houve 18 aparições. Estas se caracterizaram pela sobriedade das palavras da Virgem e pela aparição de uma fonte de água que brotou inesperadamente junto ao lugar das aparições e que deste então é um lugar de referência de inúmeros milagres constatados por homens de ciência.

 

Os primeiros milagres.

26 de fevereiro

A água milagrosa operou o primeiro milagre.

O bom pároco de Lourdes havia pedido um sinal, e em vez do pequeno que havia pedido, a Virgem acabava de dar um sinal muito grande, e não somente a ele, mas a toda a população.

Havia em Lourdes um pobre operário dos canteiros, chamado Bourriette, que vinte anos antes havia tido o olho esquerdo severamente atingido por uma explosão de uma mina. Era um homem muito honrado e muito cristão, que mandou a filha buscar água na nova fonte e se pôs a rezar, embora estivesse um pouco suja, esfregou os olhos com ela. Começou a gritar de alegria. As trevas haviam desaparecido, não lhe restava mais do que uma leve nuvem, que foi desaparecendo enquanto lavava. Os médicos haviam dito que ele jamais se curaria. Ao examiná-lo novamente não sobrou outra alternativa que chamar o ocorrido por seu nome: milagre.

E o maior foi que o milagre havia deixado as cicatrizes e lesões profundas da ferida, mas havia devolvido mesmo assim a vista. Muitos milagres continuam ocorrendo em Lourdes, havendo no santuário sempre uma multidão de doentes.

 

4 de março

Seguindo seu costume, Bernadete, antes ir à gruta, assistia á Santa Missa.

No final da aparição, teve a grande tristeza, a tristeza da separação. Voltaria a ver a Virgem?

A Virgem, sempre generosa, não quis que terminasse o dia sem uma manifestação de sua bondade: um grande milagre, um milagre maternal. Um menino de dois anos estava já agonizando, chamava-se Justino. Desde que nasceu teve uma febre que ia pouco a pouco destruindo sua vida.

Seus pais, nesse dia, o deram por morto. A mãe em seu desespero o pegou e o levou para a fonte. O menino não dava sinais de vida. A mãe o colocou 15 minutos na água que estava muito fria. Ao chegar em casa, notou que se ouvia com normalidade a respiração do menino.

No dia seguinte Justino acordou com a fronte fresca e viva, seus olhos cheios de vida, pedindo comida e suas pernas fortalecidas.

Este fato comoveu a toda a comarca e logo toda a França e Europa; três médicos de grande fama certificaram o milagre, chamando-o de primeira ordem.

São comemorados, também, neste dia: São Castrense, Santo Adolfo de Osnabruck (monge e bispo), São Gregório II (papa), São Lázaro de Milão (bispo), São Pascoal I (papa), Santa Teodora (imperatriz).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

 

SANTA ESCOLÁSTICA, IRMÃ GÊMEA DE SÃO BENTO - 480-547

 

Fundou a Ordem das Irmãs Beneditinas.

O nome de Santa Escolástica, irmã de São Bento, nos leva para o século V, para o primeiro mosteiro feminino ocidental, fundamentado na vida em comum, conceito introduzido na vida dos monges por ele. Foi o primeiro a orientar para servir a Deus não "fugindo do mundo" através da solidão ou da penitência itinerante, como os monges orientais, mas vivendo em comunidade duradoura e organizada, e dividindo rigorosamente o próprio tempo entre a oração, trabalho ou estudo e repouso. Escolástica e Bento, irmãos gêmeos, nasceram em Nórcia, região central da Itália, em 480.

Eram filhos de nobres, o pai Eupróprio ficou viúvo quando eles nasceram, pois a esposa morreu durante o parto. Ainda jovem Escolástica se consagrou a Deus com o voto de castidade, antes mesmo do irmão, que estudava retórica em Roma. Mais tarde, Bento fundou o mosteiro de Monte Cassino criando a Ordem dos monges beneditinos.

Escolástica, inspirada por ele, fundou um mosteiro, de irmãs, com um pequeno grupo de jovens consagradas. Estava criada a Ordem das beneditinas, que recebeu este nome em homenagem ao irmão, seu grande incentivador e que elaborou as Regras da comunidade.

São muito poucos os dados da vida de Escolástica, e foram escritos quarenta anos depois de sua morte, pelo o santo papa Gregório Magno, que era um beneditino. Ele recolheu alguns depoimentos de testemunhas vivas para o seu livro "Diálogos" e escreveu sobre ela apenas como uma referência na vida de Bento, mais como uma sombra do grande irmão, pai dos monges ocidentais. Nesta página expressiva contou que, mesmo vivendo em mosteiros próximos, os dois irmãos só se encontravam uma vez por ano, para manterem o espírito de mortificação e elevação da experiência espiritual. Isto ocorria na Páscoa e numa propriedade do mosteiro do irmão.

Certa vez, Escolástica foi ao seu encontro acompanhada por um pequeno grupo de irmãs, quando Bento chegou também acompanhado por alguns discípulos. Passaram todo o dia conversando sobre assuntos espirituais e sobre as atividades da Igreja. Quando anoiteceu, Bento, muito rigoroso às Regras disse à irmã que era hora de se despedirem.

Mas Escolástica pediu que ficasse para passarem a noite, todos juntos, conversando e rezando. Bento se manteve intransigente dizendo que deveria ir para suas obrigações. Neste momento ela se pôs a rezar com tal fervor que uma grande tempestade se formou com raios e uma chuva forte caiu a noite toda, e ele teve de ficar. Os dois irmãos puderam conversar a noite inteira.

No dia seguinte o sol apareceu, eles se despediram e cada grupo voltou para o seu mosteiro. Essa seria a última vez que os dois se veriam. Três dias depois, em seu mosteiro Bento recebeu a notícia da morte de Escolástica, enquanto rezava olhando para o céu, viu a alma de sua irmã, penetrar no paraíso em forma de pomba.

Bento mandou buscar o seu corpo e o colocou na sepultura que havia preparado para si. Ela morreu em 10 de fevereiro de 547, quarenta dias antes que seu venerado irmão Bento.

Escolástica foi considerada a primeira monja beneditina e Santa, pela Igreja que escolheu o dia de sua morte para as homenagens litúrgicas.

São lembrados, também, neste dia: São Guilherme de Malavale, São Desiderato de Clermont (bispo), São Erlufo de Werden (bispo e mártir), Santa Sotéria de Roma (virgem e mártir). 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

 

SANTA APOLÔNIA DE ALEXANDRIA - SÉCULO III

 

Os seis anos de 243 a 249, durante os quais o rumo do Império Romano ficou sob a direção de Felipe o Árabe, foram considerados: um intervalo de trégua do regime do anticristianismo. No último ano, porém, houve um episódio que comprovou que a aversão aos cristãos, pelo menos na província africana, não havia desaparecido. O ocorrido era narrado por Dionísio, o bispo da Alexandria no Egito, em uma carta que enviou ao bispo Fabio da diocese de Antioquia, em 249.

Na carta ele escreveu que: "No dia 9 de fevereiro, um charlatão alexandrino, "maligno adivinho e falso profeta", que insuflava a população pagã, sempre pronta a se agitar, provocou uma terrível revolta. As casas dos cristãos foram invadidas. Os pagãos saquearam os vizinhos católicos ou aqueles que estivessem mais próximos, levando as jóias e objetos preciosos.

Os móveis e as roupas foram levados para uma praça, onde ergueram uma grande fogueira.

Os cristãos, mesmo os velhos e as crianças, foram arrastados pelas ruas, espancados, escorraçados e, condenados a morte, caso não renegassem a fé em voz alta. A cidade parecia que tinha sido tomada por uma multidão de demônios enfurecidos". Os pagãos prenderam também a bondosa virgem Apolônia, que tinha idade avançada. Foi espancada violentamente no rosto porque se recusava a repetir as blasfêmias contra a Igreja, por isto teve os dentes arrancados.

Além disso, foi arrastada até a grande fogueira, que ardia no centro da cidade. No meio da multidão enlouquecida, disseram que seria queimada viva se não repetisse, em voz alta, uma declaração pagã renunciando a fé em Cristo. Neste instante, ela pediu para ser solta por um momento, sendo atendida ela saltou rapidamente na fogueira, sendo consumida pelo fogo."

O martírio da virgem Apolônia, que terminou aparentemente em suicídio, causou, exatamente por isto, um grande questionamento dentro da Igreja, que passou a avaliar se era correto e lícito, se entregar voluntariamente à morte para não renegar a fé. Esta dúvida encontrou eco também no livro " A cidade de Deus" de Santo Agostinho, que também não apresentou uma posição definida.

Contudo, o gesto da mártir Apolônia, a sua vida reclusa dedicada à caridade cristã, provocou grande emoção e devoção na província africana inteira, onde ela consumou o seu sacrifício. Passou a ser venerada, porque foi justamente o seu apostolado desenvolvido entre os pobres da comunidade que a colocou na mira do ódio e da perseguição dos pagãos, e o seu culto se difundiu pelas dioceses no Oriente e no Ocidente. Em várias cidades européias surgiram igrejas dedicadas a ela.

Em Roma foi erguida uma igreja, hoje desaparecida, próxima de Santa Maria em Trasteve, Itália. Sobre a sua vida não se teve outro registro, senão que seus devotos a elegeram, no decorrer dos tempos, como protetora contra as doenças da boca e das dores dos dentes. Mas restou seu exemplo de generosa e incondicional oferta a Cristo. A Igreja a canonizou e oficializou seu culto conforme a data citada na carta do bispo Dionísio.

Também são lembrados neste dia: Santo Alberto de Fontenelle (monge e bispo), São Miguell Febres Cordero Munhos do Equador (religioso), São Reinaldo de Nocera (monge e bispo e Santa Ana Catarina Emmerich. 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

 

SANTA JOSEFINA BAKHITAA FLOR DA ÁFRICA

 

Religiosa sudanesa da Congregação das Filhas da Caridade-Canossianas.

Bakhita nasceu no Sudão, África, em 1869. Este nome, que significa "afortunada", não recebeu de seus pais ao nascer, lhe foi imposto por seus raptores. Esta flor africana conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão, sendo vendida e comprada várias vezes.

A terrível experiência e o susto, provado naquele dia, causaram profundos danos em sua memória, inclusive o esquecimento do próprio nome. Na capital do Sudão, Bakhita foi finalmente comprada por um cônsul italiano, que depois a levou consigo para a Itália. Durante a viagem, ele a entregou para viver com a família de um amigo, que residia em Veneza, e cuja esposa, havia se afeiçoado à ela.Depois, com o nascimento da filha do casal, Bakhita se tornou sua babá e amiga.

Os negócios desta família, na África, exigiam que retornassem. Mas, aconselhado pelo administrador, o casal confiou as duas, às irmãs da congregação de Santa Madalena de Canossa, em Schio, também em Veneza. Alí, Bakhita, conheceu o Evangelho.

Era 1890 e ela tinha vinte e um anos quando foi batizada recebendo o nome de Josefina. Após algum tempo, quando vieram buscá-las, Bakhita ficou. Queria se tornar uma irmã canossiana, para servir a Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor. Depois de sentir muita clareza do chamado para a vida religiosa, em 1896, Josefina Bakhita se consagrou para sempre a Deus, que ela chamava com carinho "o meu Patrão!". Por mais de cinqüenta anos, esta humilde Filha da Caridade, se dedicou às diversas ocupações na congregação, sendo chamada por todos de "Irmã Morena".

Ela foi cozinheira, responsável do guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. As irmãs a estimavam pela generosidade, bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido. "Sedes boas, amem a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!". A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de toda população. Com a idade, chegou a doença longa e dolorosa.

Ela continuou a oferecer o seu testemunho de fé, expressando com estas simples palavras, escondidas detrás de um sorriso, a odisséia da sua vida: "Vou devagar, passo a passo, porque levo duas grandes malas: numa vão os meus pecados, e na outra, muito mais pesada, os méritos infinitos de Jesus. Quando chegar ao céu abrirei as malas e direi a Deus: Pai eterno, agora podes julgar. E a São Pedro: fecha a porta, porque fico". Na agonia reviveu os terríveis anos de escravidão e foi a Santa Virgem que a libertou dos sofrimentos. As suas últimas palavras foram: "Nossa Senhora!". Irmã Josefina Bakhita faleceu no dia 8 de fevereiro de 1947, na congregação em Schio, Itália. Muitos foram os milagres alcançados por sua intercessão. Em 1992, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e elevada à honra dos altares em 2000, pelo mesmo Sumo Pontífice. O dia para o culto de "Santa Irmã Morena" foi determinado o mesmo de sua morte.

São lembrados, também, neste dia: São Jerônimo Emiliano, Santo Honorato de Milão (bispo), São João Carlos Cornay (mártir de Tonkin).

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

 

ONDE DEVEMOS BUSCAR REFÚGIO

 

Na Nossa vida temos momentos de ansiedade, de angústia, de tristeza, de expectativa.    

Isso é normal na vida de qualquer ser humano. Todos nós já vivemos dias sombrios; quantas vezes vivemos momentos de alegria e de exaltação e, de repente, sentimos que uma nuvem negra cobre o nosso entusiasmo, e os nossos dias de sol radiante se transformam em dias escuros, negros e sem vida, e passamos por profundas depressões.

Pensamos, então, que tudo está perdido, que a vida não tem mais sentido, que a existência não tem mais graça, e que essa fase da vida por qual passamos não vai ter mais fim. São momentos terríveis que nos fazem sofrer profundamente.

Às vezes perdemos até toda a nossa esperança. Quando as nossas condições de saúde estão precárias, quando estamos mal no trabalho, quando o nosso ambiente familiar já não é mais aquele que desejaríamos e que sempre sonhamos que fosse, quando o relacionamento com o marido, com a esposa ou com os filhos está difícil, quando não vemos mais saída para nada, nós começamos a nos sentir inúteis e fracos.        E, nesses momentos, nós procuramos refúgio em muitas coisas, em muitos lugares. Se não encontramos soluções para os nossos problemas com aquilo que fazemos ou nos lugares onde as buscamos, geralmente procuramos outras atividades ou estarmos em outros lugares que, na maioria das vezes, nos dá uma falsa segurança, uma falsa sensação de bem estar.

Outro dia uma senhora me dizia que, quando entrava em depressão, ela fumava dois maços de cigarro por dia. Outras pessoas se apegam em remédios e buscam médicos, numa tentativa de acabar com a sua depressão, acabar com a sua angústia.

Outros, ainda, procuram frequentar lugares de intenso barulho, como bailes, reuniões festivas e muitas outras coisas mais para tentarem  fugir dos problemas que tem, tanto na família, como no trabalho, no dia a dia, no relacionamento com vizinhos e amigos.

Mas, nada disso resolve. A nossa  depressão, a nossa angústia vem de dentro, e a cura também, para isso, deve vir de dentro. Aquela senhora fuma dois maços de cigarro por dia para fugir de seus problemas, de suas frustrações, de suas angústias; fuma dois maços de cigarro por dia para não pensar nas coisas que a deprime. Aquela outra gasta dinheiro com médicos e remédios e mesmo assim não encontra solução para os seus problemas. Outros, ainda, procuram frequentar lugares incompatíveis e perigosos, e com isso só aumentam a sua angústia, a sua tristeza, a sua depressão. E nós nos esquecemos do amor de Maria, nos esquecemos do colo de Maria, onde devemos nos refugiar quando nos afundamos nos nossos problemas. Foi no colo de Maria que Jesus chorou muitas vezes, e encontrou refúgio e apoio como homem. Foi no colo de Maria que Jesus, como homem, aprendeu a superar os seus problemas, e, mais tarde ele chamou para si, como Deus, a responsabilidade de confortar, como sua mãe o confortou, e nós não podemos nos esquecer do chamamento de Jesus, que é o único médico, tanto dos problemas do corpo como da alma.    

E Jesus nos diz: “Vinde a mim todos vocês que estão cansados, angustiados, que eu vos aliviarei. O meu peso é leve e o meu jugo é suave. Vinde a mim vocês todos.” Você, meu irmão, você minha irmã, que gasta dinheiro com cigarro, com médicos, com remédios, com diversões perigosas, para fugir dos seus problemas, se, ao contrario, você saísse de dentro de si próprio e fosse ao encontro do irmão necessitado, daquele que tem mais problemas que você, se, no momento de angústia e tristeza você saísse de  dentro de sua casa e fosse visitar um doente, sentira que nessa visita, além de ser um conforto para o irmão doente, vai ver que existe pessoas em pior situação que você. Se você for a um asilo visitar os velhinhos que lá estão esquecidos pela sociedade e esquecido por seus próprios filhos; se você for a um orfanato visitar as crianças que foram abandonadas nas tuas pelos pais; se você fosse a um hospital visitar os doentes que estão em fase terminal de vida, você viria que seus problemas são uma agulha perdida num palheiro.  Se nas horas em que você não está fazendo nada em sua casa, a não ser pensando que você é a mais infeliz das criaturas,  e se preocupasse em fazer, com os retalhos que você joga fora, alguma roupinha de bebê, e fosse visitar uma mãe pobre que, talvez, não tem com que se vestir e vestir os seus filhos, você se sentiria bem melhor. Se você, meu irmão, você minha irmã, saísse de dentro de si próprio e parasse de sentir dó de você mesmo, e começasse a se preocupar com o irmão necessitado, a sua angústia, a sua depressão sairia de suas almas e daria lugar à alegria cristã de ter parado de pensar em si próprio e de ter ido ao encontro do irmão necessitado. 

domingo, 6 de fevereiro de 2022

 

MARIA DE MINHA INFÂNCIA

 

“Eu era pequeno, nem me lembro, só lembro que a noite, aos pés da cama, juntava as mäozinhas e rezava apressado, mas rezava como alguém que ama...”

Essa música, do Padre Zézinho, Maria da minha infância, retrata bem como foi o nosso relacionamento com Maria, na nossa infância e adolescência, e como está sendo o nosso relacionamento com Maria ainda hoje. Com fé, amor e devoção, quando éramos crianças, juntávamos nossas mãos em oração e rezávamos, inocentemente a aprece da Ave Maria, repetindo palavras que nem sabíamos direito os seus significados, mas, com que confiança rezamos. 

Que segurança sentíamos quando nos dirigíamos a Maria, repetindo as palavras de nossa  mãe ou avó, aquela oração  que fazia e faz de Maria a mais cheia de graça, a mais pura entre as mulheres. Mas isso, quando éramos pequenos. Quando éramos crianças. Que confiança as crianças tem na maezinha do céu.  

E o Senhor Jesus também foi criança nos braços de Maria – Jesus se entrega confiantemente nos braços virginais de sua mãe, Maria, e sem dúvida, sentia ali confiança, apoio, segurança, carinho, e que grande amor.    E quando Jesus era criança nos braços de Maria, ele se sentia no céu e, talvez, tenha sido por isso mesmo que, anos mais tarde, ele tenha dito aos seus apóstolos e discípulos, e nos diz ainda hoje – SE VOCÊS NÄO SE TORNAREM CRIANÇAS, VOCÊS NÄO ENTRARÃO NO REINO DOS CÉUS -. Isso, sem dúvida, ele aprendeu nos braços de Maria, isso ele experimentou nos braços maternais e virginais de Maria – se nos entregamos nos braços de Maria, como fez Jesus Menino, nós também nos sentiremos nos céus.         Como confiamos em nossa mãe quando somos crianças, quando somos pequenos.

Nos entregamos totalmente aos seus cuidados, e jamais duvidamos de qualquer palavra que ela diz – quando somos crianças, a palavra de nossa mãe é lei.          

Confiamos em tudo o que ela diz e faz, e isso sem sombra de qualquer dúvida.        

E foi nossa mãe quem nos ensinou amar Maria, foi nossa mãe quem nos ensinou confiar em Maria, foi nossa mãe que nos ensinou a oração da Ave Maria.      

Quando éramos crianças, dificilmente dormíamos sem antes recitarmos pelo menos uma Ave Maria, muitas vezes, como diz a música do Padre Zézinho, apressados, correndo, engolindo palavras, mas rezávamos. Depois, fomos crescendo, fomos deixando de sermos crianças, e fomos achando que era cafona rezar, que rezar era coisa para beatos e beatas, e que as coisas do céu já eram, que as coisas do céu eram somente para crianças inocentes que não sabiam nada da vida, e a gente foi esquecendo aquela amizade pura, simples e santa, que sempre tivemos, quando crianças, com a Mãe de Deus.      

Mas, quando um filho parte, a mãe fica sempre com o coração na mão e sempre na expectativa do seu regresso.      E, quando ele volta, a mãe, como o pai do filho pródigo, o recebe nos braços com festas e carinho. Assim é Maria para todos nós.

Quando éramos crianças nós a amamos muito, nós confiamos muito nela, mas, depois, fomos crescendo, fomos deixando de ser crianças, fomos deixando de confiar, enveredamos por outros caminhos e julgamos que, sendo grandes, já não precisaríamos mais dos cuidados da mãe, da mãe da terra e nem da Mãe do céu. 

E como nos enganamos.  Como nos iludimos. Quantos encontrões damos na vida por faltar ao nosso lado a presença amiga de nossa mãe, o apoio de nossa mãe, principalmente da nossa Mãe do Céu. É por isso que Jesus nos diz – SE VOCÊS NÄO SE TORNAREM CRIANÇAS, VOCÊS NÄO  ENTRARÃO NO REINO DOS CÉUS -. 

É por isso que precisamos continuar sendo sempre crianças, porque, qualquer que seja a idade que tivermos, se continuarmos com a confiança e a inocência de uma criança, sempre teremos um espaço nos braços maternais de Maria, e ela jamais desampara quem se entrega de corpo e alma aos seus cuidados maternais. Jesus Cristo passou por essa experiência, e por isso que ele nos diz e repete – SE VOCÊ NÄO SE TORNAR COMO UMA CRIANÇA, VOCÊ NÄO ENTRARÁ  NO REINO DOS CÉUS -. Se não permanecermos sempre crianças, sempre conversando com a nossa Mãe do céu, sempre confiando totalmente na sua guarda, jamais partilharemos do reino que Jesus veio  trazer para todos os homens de boa vontade, por meio de Maria.

Se já deixamos de ser crianças, é o momento de voltarmos a ser crianças e nos jogarmos nos braços maternais  de Maria, e confiar a ela todos os nossos problemas, nossas preocupações, nossas alegrias e tristezas, e ela, mais do que ninguém neste mundo, nos entenderia como mãe amorosa que é, jamais nos desamparará, e nos pegará no colo e nos levará na presença do Nosso Pai, por meio de Jesus Cristo.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

 

ESPOSAS  E  MÃES,  MARIA  NO LAR...

 

O exemplo mais digno e vivo que temos de Maria em nossos dias e no nosso meio, são as donas de casa, as nossas esposas, as nossas mães, que hoje cumprem com os seus deveres matrimoniais, com suas obrigações de casa, com a educação de seus filhos e com os cuidados com o marido.

Você, minha irmã, que é esposa, que é mãe, você que mora na cidade ou no sítio, no centro ou na zona rural, que levanta cedo para preparar o café da família, cuidar do almoço dos que vão trabalhar na roça, no comércio, nas suas profissões liberais ou de empregados, ou em qualquer outra atividade.           

Você minha irmã, que é esposa e mãe, que já de madrugada, de manhã bem cedo, está atarefada com suas obrigações domésticas de esposa, mãe e dona de casa,, você é o exemplo mais digno e vivo que temos no nosso meio de Maria, a mãe de Jesus.

Você, mãe e esposa, com Maria, é a continuação de Deus no seio da família, é a vontade de Deus que se faz presente no lar, é a aceitação da vida com todos os seus problemas, dificuldades, dores, tristezas e alegrias. Maria se entregava totalmente nas mãos de Deus até nos mais simples serviços domésticos.          Você, minha irmã, que é mãe e esposa,  temos certeza, já levanta de manhã com orações nos lábios e Deus no coração, como fazia Maria na sua pobrezinha casa de Nazaré.

Maria, a Nossa Senhora, continua no nosso meio, no nosso lar na figura de nossas mães e nossas esposas, mulheres abnegadas que lutam no dia a dia para que a felicidade do lar seja completa, e não seja falha.     

Você, minha irmã, que é mãe e esposa, é sempre a última pessoa no lar a se deitar à noite em sua casa, e é a primeira a se levantar todos os dias, e se houver algum problema de doença com os filhos ou com o marido, levanta a qualquer hora da noite para observar o estado de saúde de cada um.

Você, esposa e mãe, não se deita à noite enquanto não se conscientizar que todos os seus familiares já estão acomodados e que tudo está bem.

Você, esposa e mãe, é a primeira a se levantar, e já levanta da cama trabalhando, catando coisas esparramadas por todo canto da casa, acendendo o fogo para o café e para ferver o leite das crianças e para esquentar a comida para a marmita dos que vão trabalhar o dia todo e, com paciência e amor, começa a chamar seu marido e seus filhos que devem ir para o trabalho ou para a escola. A mãe e esposa é a sentinela vigilante dentro do lar.

Se, durante a noite tiver alguém doente em sua casa, a mãe se levanta quantas vezes forem necessárias para lhe dar o remédio ou para ver se o doente está com febre, está coberto, está bem. E, no dia seguinte, quando tem que se levantar, levanta com a mesma disposição, muito embora cansada, mas sem demonstrar no rosto qualquer traço desse cansaço que aqui na terra não tem recompensa alguma e que nem o marido e nem os filhos, na maior parte das vezes notam e reconhecem. Você, minha irmã, que é esposa e mãe, você é como Maria, a Nossa Senhora, você é a imagem de Maria que temos dentro de casa, no nosso lar.

As esposas e mães são a figura de Maria no nosso lar, numa entrega total à vontade de Deus.  É por isso que precisamos amar Maria.

É por isso que precisamos amar as nossas esposas e mãe dos nossos filhos.

É por isso que precisamos amar as nossas mães.   

É por isso que precisamos ter sempre Maria em nossos corações.                     

É por isso que não podemos esquecer jamais o sacrifício de nossas esposas e nossas mães. O exemplo mais vivo e mais digno que temos de Maria, a Nossa Senhora, em nossos lares, no nosso meio, são as nossas mães, são as nossas esposas, são as mães de nossos filhos.     

Todo e qualquer serviço doméstico que elas fazem, não aparece, todo amor que elas dedicam, não é retribuído, todo sacrifício que elas fazem para que amam, não tem a sua recompensa neste mundo, mas, para o Senhor Nosso Deus, nada disso é passado desapercebido, e um dia, temos certeza, as nossas mães, as nossas esposas, as Mães dos nossos filhos, gozarão a plena felicidade com Maria, a Nossa Senhora, que também como as nossas mães, nossas esposas e mães dos nossos filhos, neste mundo só amou e sofreu, mas que hoje, junto de Deus Pai está sentada num trono celeste reservada para todas as mães e esposas que, como ela, neste mundo, souberam amar e sofrer em silencio, fazendo em tudo a vontade do Pai...  

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

 

ZÉLIA E JERÔNIMO – O PRIMEIRO CASAL A SER BEATIFICADO NO BRASIL

 

As histórias virtuosas de Zélia Pedreira Abreu Magalhães (1857-1919) e de Jerônimo de Castro Abreu Magalhães (1851 -1909) cruzaram-se pelo casamento. No entanto, mesmo antes disso, ambas apresentavam características da mais profunda fé cristã.

Zélia, a primogênita de João Pedreira do Couto Ferraz, secretário do Supremo Tribunal de Justiça e aposentado do Supremo Tribunal Federal, e de Elisa Amália de Bulhões Pedreira, nasceu em 5 de abril de 1857, no bairro do Ingá, em Niterói, capital da então Província do Rio de Janeiro.

Recebeu primeiramente o nome da mãe, Elisa, logo trocado pelo anagrama Zélia, composto pelo pai. De família proeminente, Zélia teve como avós paternos o Desembargador Luís Pedreira do Couto Ferraz e Guilhermina Amália Correia Pedreira e como avós maternos, o Comendador José Manuel de Carvalho Bulhões e Justina Justa de Oliveira Bulhões.

Entre os parentes próximos, havia o Barão do Bom Retiro, presidente da Província do Rio de Janeiro, cargo que hoje corresponde ao de Governador do Estado, seu tio paterno; a Baronesa de Anadia, sua tia materna; o Visconde de Duprat, seu cunhado; e o Arcebispo de Porto Alegre, Dom José Claudio Ponce de Leão, seu primo.

Filho do fazendeiro Fernando de Castro Abreu Magalhães e de Rosa Rodrigues Magalhães, Jerônimo de Castro Abreu Magalhães (1851-1909) nasceu em Magé, Província do Rio de Janeiro, em 26 de julho de 1851. Seu pai, que veio para o Brasil acompanhar o irmão, Monsenhor Baccelar, Capelão do Imperador, construiu a grande fazenda de café Santa Fé, próxima ao Carmo do Cantagalo, e fez grande fortuna. Colaborou para o desenvolvimento da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, onde situava-se a fazenda, cooperou com a fundação do Colégio Anchieta em Nova Friburgo e extinguiu a escravatura em sua fazenda muito antes do decreto imperial. Teve quatro irmãos sacerdotes e algumas sobrinhas religiosas.

Jerônimo fez os estudos preparatórios em Lisboa, mas formou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro em 1873.

Zélia, enquanto isso, recebia primorosa educação literária, artística e científica e apresentava especial pendor para o estudo de idiomas. Aprendeu a falar e escrever fluentemente o francês, inglês, espanhol e italiano, além do português. Conhecia também alemão, latim e grego.

Aos 14 anos, traduziu do italiano para o português obra “Il Giovinetto” de Cesare Cantu, que publicou com o título de “O Adolescente”. O livro, de 250 páginas, foi oferecido ao Imperador D. Pedro II que agradeceu através de carta. Sua vida espiritual sempre recebeu grande atenção.

Durante dez anos, foi orientada pelo frade capuchinho Frei Luiz Gubbio e, depois de casada, recebeu orientação do grande sacerdote jesuíta padre Yabar e de outros sacerdotes importantes que frequentavam sua casa.

Em 27 de julho de 1876, Zélia, com pouco mais de 19 anos, e Jerônimo, com 25 anos recém-feitos, casaram-se na Chácara da Cachoeira, no bairro da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro.

Após uma temporada em Petrópolis, o casal fixou residência na Fazenda Santa Fé, de propriedade da família de Jerônimo e constituiu um autêntico lar cristão.

Na fazenda havia uma capela onde Zélia rezava inúmeras vezes ao dia. O casal jamais tratava os escravos, que viviam em liberdade e recebiam salário, como propriedade.

Eles iniciavam seu dia de trabalho com uma oração guiada por ela e acompanhada por Jerônimo, no coreto do pátio da fazenda. A preocupação de Zélia e Jerônimo com a vida espiritual desses homens, mulheres e crianças era tão grande que eles sempre participavam da Missa, das confissões e da catequese promovidas pelo casal e Zélia, pessoalmente, encarregava-se da catequese e da assistência aos escravos e necessitados. Tanto que construiu uma enfermaria para tratar dos doentes com visitas periódicas de um médico, dela mesma e de seus filhos.

Ao ser assinada a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, os escravos agora libertos legalmente lá permaneceram, uma vez que sempre haviam sido tratados como pessoas livres, a partir do exemplo do pai de Jerônimo.

Do feliz casamento nasceram treze filhos, quatro dos quais falecidos em tenra idade.

Todos os demais abraçaram ordens religiosas. Os três homens tornaram-se um Lazarista, um Jesuíta e um Franciscano. Dentre as seis mulheres, quatro tornaram-se Dorotéias e duas da Congregação do Bom Pastor.

O casal sempre preocupou-se com a educação dos filhos. A princípio, Zélia e Jerônimo os educavam em casa, em um ambiente intensamente cristão, frequentado por sacerdotes e bispos com assiduidade, no qual sempre havia Missas, Confissões e eram ministrados os demais sacramentos.

Já um pouco mais velhos, os filhos eram encaminhados para colégios católicos para aprimorarem não apenas os conhecimentos intelectuais como religiosos.

Jerônimo era tão dedicado à formação dos futuros sacerdotes seculares que reservava parte de suas economias para enviar aos seminários e casas religiosas, além de ajudar a propagação da mais profunda vivência da fé cristã. Sempre reunia os fazendeiros da região, não apenas para participarem da Missa e da Confissão, como para ajudarem com doações para a Igreja.

Por ter, assim como Zélia, entre seus diretores espirituais, o jesuíta padre Yabar, Jerônimo tinha muita afeição e espiritualidade inaciana, mas teve São Francisco como modelo de desprendimento dos bens terrenos e chegou a tornar-se franciscano da Ordem Terceira. Mas, na fazenda Santa Fé, Zélia e Jerônimo acolhiam diversos missionários Lazaristas, Redentoristas, Franciscanos e Jesuítas em missões que abrangiam toda a região e todo o povo de Deus, de escravos e colonos até fazendeiros insignes.

Como pai de família, Jerônimo, por várias vezes renovou o sacrifício de oferecer a Deus cada um dos seus filhos. Além disso, escreveu a um sacerdote que, seguindo os desígnios de Deus, ele próprio e sua esposa seguiriam ordens religiosas. Quando isso ocorresse, ele iria doar a Fazenda Santa Fé para alguma congregação e os demais bens para a Igreja e para os pobres.

No entanto, ele não pode concretizar sua vontade. Faleceu em alto grau de perfeição de vida cristã em 12 de agosto de 1909, aos 58 anos, deixando nove filhos religiosos, Zélia e acima de tudo um exemplo de santo pai amoroso.

Com a morte de Jerônimo, Zélia foi cuidar de seu pai viúvo com quem morou até a morte dele em 1 de novembro de 1913, quando tornou-se religiosa, ao ingressar no convento das Servas do Santíssimo Sacramento, o “Venite Adoremus”, estabelecido em 1912, no Largo do Machado, Rio de Janeiro. No entanto, a doença grave de uma das filhas e o filho mais novo, Fernando, jesuita, ainda sem os votos perpétuos, fizeram-na adiar um pouco o atendimento ao chamado de Cristo.

Após vender e doar seus bens aos mais necessitados e à Igreja, conforme o desejo de Jerônimo e a passagem do Evangelho, Zélia concretizou o total desprendimento dos bens materiais, tomou o hábito religioso em 22 de janeiro de 1918 e adotou o nome de Irmã Maria do Santíssimo Sacramento.

Em 8 de setembro de 1919, a edificante vida de Zélia, a Irmã Maria do Santíssimo Sacramento, teve fim. Ela foi sepultada em um simples jazigo no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Por causa do grande número de fiéis que frequentavam seu túmulo para rezar, seus restos mortais foram transladados para a Paróquia Nossa Senhora de Copacabana em uma cerimônia que deveria ser discreta, com Missa celebrada pelos três filhos. Mas, a notícia da transladação fez acorrer uma multidão para o cemitério e o número de fiéis foi tão grande que mais parecia uma procissão. A igreja não comportou o povo que acomodou-se nas ruas laterais da Paróquia.

A Missa teve transmissão através da Rádio Nacional e todos os jornais noticiaram o ocorrido.
A fama de Zélia espalhou-se por todo o país. Sua biografia chegou à 7ª edição, ainda em 1960, e foi traduzida para o alemão, o inglês, o francês, o espanhol, o italiano, o eslavo e publicada em português de Portugal. Inúmeras são as graças e milagres alcançados por esta grande mãe de família, filha fiel e toda de Deus.

O casal Zélia e Jerônimo não apenas renovou o sacrifício de entregar todos os seus filhos a Deus como entregar a si mesmos, como maior prova de amor.

São lembrados, também, neste dia: Santa Catarina de Ricci (virgem), Santa Joana de Valois (rainha, viúva, fundadora), Santo André Corsini, São Gilberto. 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

 

SÃO BRÁS – O SANTO DA BENÇÃO DA GARGANTA

 

A vida e os feitos de São Brás atingem aquele ápice de alguns poucos, que atraem a profunda fé e a admiração popular. Ele é venerado no Oriente e Ocidente com a mesma intensidade ao logo de séculos, e até hoje, mães aflitas recorrem à sua intercessão quando um filho engasga ou apresenta problemas de garganta. A bênção de São Brás, procurada principalmente por quem tem problemas nesta parte do corpo, onde é ministrada nesta data em muitas igrejas do mundo cristão.

O prodígio atribuído à ele quando era levado preso, para depois ser torturado, é dos mais conhecidos por pessoas de todo o planeta. Consta que uma mãe aflita jogou-se aos seus pés pedindo que socorresse o filho, que agonizava com uma espinha de peixe atravessada na garganta.

O santo rezou, fez o sinal da cruz sobre o menino e este se levantou milagrosa, e imediatamente como se nada lhe tivesse acontecido. Brás nasceu na Armênia, era médico, sacerdote e muito benevolente com os pobres e cristãos perseguidos e por essas virtudes foi nomeado bispo de Sebaste , isto no século três. Também sabemos que, apesar de aqueles anos marcarem os finais das grandes perseguições aos cristãos, muitos ainda torturados e mortos na mão dos poderosos pagãos.

Brás abandonou o bispado e se protegeu na caverna de uma montanha isolada e mesmo assim, depois de descoberto e capturado, morreu em testemunho de sua fé sob as ordens do imperador Licínio, em 316. Muitas tradições envolvem seus prodígios, graças e seu suplício. Segundo elas, fama de sua santidade rodou o mundo ainda enquanto vivia e sua morte foi impressionante.

O bispo Brás teria sido terrivelmente flagelado e torturado, sendo por fim pendurado em um andaime para morrer. Como isso não acontecia, primeiro lhe descarnaram os ossos com pentes de ferro. Depois tentaram afogá-lo duas vezes e, frustrados, o degolaram para ter certeza de sua morte. O corpo do santo mártir ficou guardado na sua catedral de Sebaste da Armênia, mas no ano 732 uma parte de suas relíquias foram embarcadas por alguns cristãos armênios que seguiam para Roma.

Nessa ocasião uma repentina tempestade interrompe a viagem na altura da cidade de Maratea, em Potenza; e alí os fieis acolhem as relíquias do santo numa pequena igreja, que depois se tornaria sua atual basílica e a localidade receberia o nome de Monte São Brás. Mais recentemente, em 1983 no local da igrejinha inicial foi erguida uma estátua de São Brás, com a altura de vinte e um metros.

Como dissemos, do Oriente ao Ocidente, todo mundo cristão se curva à devoção de São Brás nomeando ainda hoje cidades e locais, para render-lhes homenagem e veneração.

Bênção da garganta - Por intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, livra-te Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

 

APRESENTAÇÃO DO SENHOR NO TEMPLO

 

A data de hoje lembra o cumprimento, por Maria e José, de um preceito hebraico.

Quarenta dias após dar à luz, a mãe deveria passar por um ritual de "purificação" e apresentar o filho ao Senhor, no templo.

Desde o século quatro essa festa era chamada de "Purificação de Maria". Com a reforma litúrgica de 1960, passou-se a valorizar o sentido da "apresentação", oferta de Jesus ao Pai, para que seu destino se cumprisse, marcando em conseqüência a aceitação por parte de Maria do que o Pai preparara para o fruto de sua gestação.

A data passou a ser lembrada então como a da "Apresentação do Senhor". No templo, a família foi recebida pelo profeta Simeão e pela profetiza Ana, num encontro descrito por São Lucas no seu evangelho, da seguinte maneira: "Assim que se completaram os dias da purificação conforme a Lei de Moisés, levaram o Menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, segundo está escrito na Lei do Senhor, que "todo varão primogênito será consagrado ao Senhor" e para oferecerem em sacrifício, segundo o que está prescrito na Lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.

Havia em Jerusalém um homem justo chamado Simeão, muito piedoso, que esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.

Pelo Espírito Santo foi-lhe revelado que não veria a morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, veio ele ao templo e, ao entrarem os pais com o Menino Jesus, também ele tomou-o em seus braços, bendizendo a Deus, e disse: "Agora, Senhor, já podes deixar teu servo morrer em paz segundo a tua palavra, porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste ante a face de todos os povos, luz para iluminação das gentes e para a glória do teu povo, Israel".

José e Maria estavam maravilhados com as coisas que se diziam de Jesus. Simeão os abençoou e disse a Maria, sua Mãe: "Este Menino será um sinal de contradição, para ruína e salvação de muitos em Israel; e uma espada atravessará a tua alma para que se descubram os pensamentos de muitos corações". (Lc 2,22-35).

Ambos, Simeão e Ana, reconheceram em Jesus o esperado Messias e profetizaram o sofrimento e a glória que viriam para Ele e a família.

É na tradição dessa profecia que se baseia também a outra festa comemorada nesta data, a de Nossa Senhora da Candelária, ou da Luz, ou das Candeias, ou ainda, dos Navegantes.