terça-feira, 25 de janeiro de 2022

 

CONVERSÃO DE SÃO PAULO

 

O martírio de São Paulo é celebrado junto com o de São Pedro, em 29 de junho, mas sua conversão tem tanta importância para a história da Igreja que merece uma data à parte. Neste dia, no ano 1554, deu-se também a fundação da que seria a maior cidade do Brasil, São Paulo, que ganhou seu nome em homenagem a tão importante acontecimento.

Seu nome original era Saul, em homenagem ao primeiro rei do reino de Israel que na literatura bílica passou a ser Saulo., nasceu no ano 10 na cidade de Tarso, na Cilícia, atual Turquia. À época era um pólo de desenvolvimento financeiro e comercial, um populoso centro de cultura e diversões mundanas, pouco comum nas províncias romanas do Oriente. Seu pai Eliasar era fariseu e judeu descendente da tribo de Benjamim, e, também, um homem forte, instruído, tecelão, comerciante e legionário do imperador Augusto.

Pelo mérito de seus serviços recebeu o título de Cidadão Romano, que por tradição era legado aos filhos. Sua mãe uma dona de casa muito ocupada com a formação e educação do filho. Portanto, Saulo era um cidadão romano, fariseu de linhagem nobre, bem situado financeiramente, religioso, inteligente, estudioso e culto.

Aos quinze anos foi para Jerusalém dar continuidade aos estudos de latim, grego e hebraico, na conhecida Escola de Gamaliel, onde recebia séria educação religiosa fundamentada na doutrina dos fariseus, pois seus pais o queriam um grande Rabi, no futuro. Parece que era mesmo esse o anseio daquele jovem baixo, magro, de nariz aquilino, feições morenas de olhos negros, vivos e expressivos. Saulo já nessa idade se destacava pela oratória fluente e cativante marcada pela voz forte e agradável, ganhando as atenções dos colegas e não passando despercebido ao exigente professor Gamaliel.

Saulo era totalmente contrário ao cristianismo, combatia-o ferozmente, por isso tinha muitos adversários. Foi com ele que Estevão travou acirrado debate no templo judeu, chamado Sinédrio. Ele tanto clamou contra Estevão que este acabou apedrejado e morto, iniciando-se então uma incansável perseguição aos cristãos, com Saulo à frente com total apoio dos sacerdotes do Sinédrio. Um dia, às portas da cidade de Damasco, uma luz, descrita nas Sagradas Escrituras como "mais forte e mais brilhante que a luz do Sol", desceu dos céus, assustando o cavalo e lançando ao chão Saulo , ao mesmo tempo em que ouviu a voz de Jesus pedindo para que parasse de persegui-Lo e aos seus e, ao contrário, se juntasse aos apóstolos que pregavam as revelações de Sua vinda à Terra. Os acompanhantes que também tudo ouviram, mas não viram quem falava, quando a luz desapareceu ajudaram Saulo a levantar pois não conseguia mais enxergar. Saulo foi levado pela mão até a cidade de Damasco, onde recebeu outra "visita" de Jesus que lhe disse que nessa cidade deveria ficar alguns dias pois receberia uma revelação importante.

A experiência o transformou profundamente e ele permaneceu em Damasco por três dias sem enxergar, e à seu pedido também sem comer e sem beber. Depois Saulo teve uma visão com Ananias, um velho e respeitado cristão da cidade, na qual ele o curava. Enquanto no mesmo instante Ananias tinha a mesma visão em sua casa. Compreendendo sua missão, o velho cristão foi ao seu encontro colocando as mãos sobre sua cabeça fez Saulo voltar a enxergar, curando-o.

A conversão se deu no mesmo instante pois ele pediu para ser Batizado por Ananias. De Damasco saiu a pregar a palavra de Deus, já com o nome de Paulo, como lhe ordenara Jesus, tornando-se Seu grande apóstolo. Sua conversão chamou a atenção de vários círculos de cidadãos importantes e Paulo passou a viajar pelo mundo, evangelizando e realizando centenas de conversões. Perseguido incansavelmente, foi preso várias vezes e sofreu muito, sendo martirizado no ano 67, em Roma. Suas relíquias se encontram na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na Itália, festejada no dia de sua consagração em 18 de novembro.

O Senhor fez de Paulo seu grande apóstolo, o apóstolo dos gentios, isto é, o evangelizador dos pagãos. Ele escreveu 14 cartas, expondo a mensagem de Jesus, que se transformaram numa verdadeira "Teologia do Novo Testamento". Também é o patrono das Congregações Paulinas que continuam a sua obra de apóstolo, levando a mensagem do Cristianismo a todas as partes do mundo, através dos meios de comunicação.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

 

SÃO FRANCISCO DE SALES - 1567-1622

 

Fundou a Ordem da Visitação. Francisco de Sales, primogênito dos treze filhos dos Barões de Boisy, nasceu no castelo de Sales, na Sabóia, em 21 de agosto de 1567. A família devota de São Francisco de Assis, escolheu esse para ele, que posteriormente o assumiu como exemplo de vida.

A mãe se ocupava pessoalmente da educação de seus filhos. Para cada um escolheu um preceptor. O de Francisco era o padre Deage, que o acompanhou até sua morte, inclusive em Paris, onde o jovem barão fez os estudos universitários no Colégio dos jesuítas.

Francisco estudou retórica, filosofia e teologia que lhe permitiu ser depois o grande teólogo, pregador, polemista e diretor espiritual que caracterizaram seu trabalho apostólico. Por ser o herdeiro direto do nome e da tradição de sua família, recebeu também lições de esgrima, dança e equitação, para complementar sua já apurada formação. Mas se sentia chamado para servir inteiramente a Deus, por isso fez voto de castidade e se colocou sob a proteção da Virgem Maria.

Aos 24 anos, Francisco, doutor em leis, voltou para junto da família, que já lhe havia escolhido uma jovem nobre e rica herdeira para noiva e conseguido um cargo de membro do Senado saboiano. Ao vê-lo recusar tudo, seu pai soube do seu desejo de ser sacerdote, através do tio, cônego da catedral de Genebra, com quem Francisco havia conversado antes.

Nessa mesma ocasião faleceu o capelão da catedral de Chamberi, e, o cônego seu tio, imediatamente obteve do Papa a nomeação de seu sobrinho para esse posto. Só então seu pai, o Barão de Boisy, consentiu que seu primogênito se dedicasse inteiramente ao serviço de Deus. Sem poder prever que ele estava destinado a ser elevado à honra dos altares; e, muito mais, como Doutor da Igreja! Durante os cinco primeiros anos de sua ordenação, o então padre Francisco, se ocupou com a evangelização do Chablais, cidade situada às margens do lago de Genebra, convertendo, com o risco da própria vida, os calvinistas. Para isso, divulgava folhetos nos quais refutava suas heresias, mediante as verdades católicas. Conseguindo reconduzir ao seio da verdadeira Igreja milhares de almas que seguiam o herege Calvino. O nome do padre Francisco começava a emergir como grande confessor e diretor espiritual. Em 1599, foi nomeado Bispo auxiliar de Genebra; e, três anos depois, assumiu a titularidade da diocese. Seu campo de ação aumentou muito.

Assim, Dom Francisco de Sales fundou escolas, ensinou catecismo às crianças e adultos, dirigiu e conduziu à santidade grandes almas da nobreza, que desempenharam papel preponderante na reforma religiosa empreendida na época com madre Joana de Chantal, depois Santa, que se tornou sua co-fundadora da Ordem da Visitação, em 1610. Todos queriam ouvir a palavra do Bispo, que era convidado a pregar em toda parte. Até a família real da Sabóia não resistia ao Bispo-Príncipe de Genebra, que era sempre convidado para pregar também na Corte.

Publicou o livro que se tornaria imortal: "Introdução à vida devota". Francisco de Sales também escreveu para suas filhas da Visitação, o célebre "Tratado do Amor de Deus", onde desenvolveu o lema : "a medida de amar a Deus é amá-lo sem medida". Os contemporâneos do Bispo-Príncipe de Genebra não tinham dúvidas a respeito de sua santidade, dentre eles Santa Joana de Chantal e São Vicente de Paulo, dos quais foi diretor espiritual.

Francisco de Sales faleceu no dia 28 de dezembro de 1622, em Lion, França. O culto ao Santo começou no próprio momento de sua morte. Ele é celebrado no dia 24 de janeiro porque neste dia, do ano de 1623, as suas relíquias mortais foram trasladadas para a sepultura definitiva em Anneci. Sua beatificação, em 1661, foi a primeira a ocorrer na basílica de São Pedro em Roma. Foi canonizado quatro anos depois. Pio IX declarou-o Doutor da Igreja e Pio XI proclamou-o o Padroeiro dos jornalistas e dos escritores católicos. Dom Bosco admirava tanto São Francisco de Sales que deu o nome de Congregação Salesiana à Obra que fundou para a educação dos jovens.

São venerados também, neste dia: Bem-aventurado José Timóteo Giaccardo, Santo Artêmio de Clermont (bispo), São Bertrando de Saint-Quentin (abade), São Feliciano de Foligno. 

domingo, 23 de janeiro de 2022

 

PARA VOCÊ, QUEM É JESUS?

 

Certa vez Jesus perguntou aos seus discípulos: “Quem vocês dizem que eu sou?” (Lc 9,20). Jesus está continuamente na nossa vida perguntando-nos quem achamos que ele seja. Essa pergunta não é respondida apenas com palavras, mas com atitudes, com ação, com trabalho, com muito amor, com vida.

O que responderíamos, hoje, a Jesus, quando ele, olhando diretamente nos nossos olhos, nos fizesse essa pergunta? Será que pelas nossas atitudes e na nossa vida testemunharíamos quem seria Jesus para nós?

É muito difícil afirmar isso com segurança.  Os nossos atos não testemunham que Jesus é o Filho de Deus e Salvador da humanidade, em primeiro lugar porque não cumprimos fielmente os seus mandamentos; em segundo lugar porque desconhecemos a sua palavra transmitida pelo Evangelho; em terceiro lugar porque não vivemos a sua verdade que é a verdade por excelência e fora dessa verdade não existe outra; em quarto lugar porque não trilhamos o caminho por ele apontado e, em quinto lugar, porque não vivemos a vida de um verdadeiro filho de Deus resgatado do pecado pelo sacrifício de Jesus na cruz, ignorando o que ele afirma: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Jo 14,6).

Pela maneira que vivemos é muito difícil fazer com que os outros entendam que acreditamos realmente em Jesus e que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus que se fez homem para que os homens se tornassem filhos de Deus.

A pergunta feita por Jesus: “Quem vocês dizem que eu sou?” (Lc 9,20), não se responde por palavras e sim pelo tipo de vida que vivemos, pela maneira que convivemos com os irmãos e os tratamos e que colocamos o mandamento do amor em relação aos irmãos, seguindo os ditames do mandamento de Jesus: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos”. (Jo 15,12-13).

A essa resposta de Jesus, se não for respondida por atitudes e compromisso de vida e não com palavras, não passará de uma resposta hipócrita, de falsos cristãos e bajuladores baratos, porque não adianta dizer com a boca que Jesus é o Filho de Deus se não testemunhamos isso na nossa vida e não seguirmos as suas pegadas.

É o testemunho de vida, é o compromisso com a Igreja, é o relacionamento honesto com o irmão, é a fidelidade conjugal, é o compromisso com os pobres e oprimidos que dizem quem é Jesus para cada um de nós.

O nosso modo de vida, o nosso testemunho cristão é que dão resposta sobre quem pensamos que seja Jesus, respondendo à sua pergunta.

Então, para você, meu irmão, para você, minha irmã, quem é Jesus? O que você pensa dele? Como você o encara? Como você vive, em sua vida, os seus mandamentos, as suas determinações, as suas mensagens, o seu Evangelho?

Você até pode dizer que sabe quem ele seja e que acredita fiel e sinceramente que ele seja o Messias, o Filho de Deus que nos veio trazer a salvação, mas, recordando uma antiga música do padre Zezinho, você vive como ele viveu? Você ama como ele amou? Você reza como ele rezou? Você perdoa como ele perdoou? Você se coloca na pessoa do pobre e do oprimido como ele se colocou? Você consola o irmão como ele consolou? Você se alegra com os alegres e chora com os tristes, assim como ele fez?

Se você estiver fazendo tudo isso que Jesus fez e com muito amor, se você colocou a mão no arado e não olhou para trás, se você tomou a sua cruz e seguiu passo a passo as pegadas de Jesus com amor e aceitação, então podemos acreditar que você sabe quem é e que acredita em Jesus. Mas, sinceramente, você está fazendo isso?

sábado, 22 de janeiro de 2022

 

SÃO VICENTE - MÁRTIR

 

A história da origem do nome de São Vicente começou há muito tempo, no ano 325, na cidade espanhola de Huesca, uma então Província de Saragoza. Lá nasceu o jovem Vicente, diácono dedicado que se destacava por seu trabalho, tanto que o bispo de Saragoza, Valério, lhe confiou a missão de pregador cristão e doutrinador catequético.

Desde menino Vicente foi entregue por seus pais à orientação do bispo Valério, de Saragoza, recebendo uma sólida formação religiosa e humana. Muito jovem ingressou na vida religiosa e logo foi ordenado diácono da Igreja.

Depois, devido ao seu preparo intelectual e tendo o dom da palavra, foi escolhido para assistir o bispo, ficando encarregado do ministério da pregação do Evangelho.

Isto porque o bispo, em virtude da idade avançada, já não tinha mais forças para exercer esta tarefa.

Vicente desempenhou este cargo com total dignidade e, graças a eloquência dos seus sermões e obras, obteve expressivos resultados para a Igreja convertendo à fé, grande número de pagãos. Neste período, iniciava a terrível perseguição decretada pelos imperadores romanos Diocleciano e Maximiano, no solo espanhol.

Daciano, governador da província de Saragoça e Valência, querendo mostrar a sua lealdade e obediência aos decretos imperiais, mandou prender Valério e Vicente, ordenando que fossem levados para a prisão de Valência.

Depois de processados foram condenados à morte, mas o governador mostrando certa clemência para o bispo muito idoso, mandou que fosse exilado. Entretanto reservou seu requinte de crueldade para Vicente, que foi barbaramente chicoteado e esfolado, tendo os nervos e músculos esmigalhados.

O martírio sofrido por Vicente foi tão brutal, a ponto de surpreender os carrascos. Eles relataram a impressionante resistência do rapaz que, mesmo com gravetos de ferro entre as unhas e colocado sobre uma grelha de ferro para ser queimado aos poucos, não negou a fé cristã. Mas ele continuava vivo entoando hinos de louvor à Deus. Ao final daquele dia 22 de janeiro, os carrascos ficaram tão espantados e assustados que decidiram matar-lhe com garfos de ferro, dilacerando-o completamente.

Era o ano 304. Segundo a tradição, Daciano mandou que seu corpo fosse atirado num terreno pantanoso, para que os animais pudessem devorá-lo, mas acabou protegido por um corvo enorme, que não permitiu que seus restos fossem tocados.

Por isto, transtornado o governador mandou que o jogassem ao mar, com uma grande pedra amarrada no pescoço. O corpo de Vicente não afundou.

O Senhor o conduziu à praia, onde os fiéis o recolheram e sepultaram fora dos muros da cidade de Valência. O corpo de Vicente foi resgatado por cristãos, que o sepultaram em uma capela perto de Valência.

Depois, seus restos mortais foram levados à Abadia de Castes, na França, onde foram registrados milagres. Em seguida, foram levados para Lisboa, na Catedral da Sé, onde estão até hoje. Vicente foi canonizado e recebeu o nome de São Vicente Mártir, hoje santo padroeiro da primeira cidade fundada no Brasil, São Vicente e de Lisboa.

Desde então, o dia 22 de janeiro é dedicado a ele. Em Lisboa foi construída a belíssima Basílica dedicada à ele e que guarda suas relíquias até hoje.

São Vicente, diácono, é o mártir mais célebre da Espanha e Portugal. Um século após o seu testemunho da fé no Cristo, Santo Agostinho, doutor da Igreja, lhe dedicava todos os anos neste dia uma missa.

Por este motivo a Igreja manteve a sua festa nesta data. Por isso, quando a expedição portuguesa comandada por Gaspar de Lemos chegou aqui, em 22 de janeiro de 1502, deu à ilha o nome de São Vicente, pois o local era conhecido, até então, como Ilha de Gohayó.

Outro navegador português, Martim Afonso de Sousa, chegou aqui exatamente 30 anos depois, em 22 de janeiro de 1532. Ele foi enviado pela Coroa Portuguesa para constituir aqui a primeira Vila do Brasil e resolveu batizá-la reafirmando o nome do santo daquele dia, São Vicente, pois era reconhecidamente um católico fervoroso.

São venerados também, neste dia: São Vicente Pallotti (presbítero e fundador), Santo Anastácio, o Persa (mártir), Snata Blesila de Roma (viúva), São Bertoldo de Sarum (monge, bispo), Vicente de Digne (bispo).Bem-aventurados Laura Vicunha, José Nascimbeni e Guilherme José Chaminade. 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

 

SANTA INÊS

 

O nome "Agnes", para nós Inês, em grego significa pura e casta, enquanto em latim significa cordeiro. Para a Igreja, Santa Inês é o próprio símbolo da inocência e da castidade, que ela defendeu com a própria vida. A idéia da virgindade casta foi estabelecida na Igreja justamente para se contrapor à devassidão e aos costumes imorais dos pagãos. Inês levou às últimas conseqüências a escolha que fez à esses valores. É uma das Santas mais antigas do cristianismo. Era de família nobre, descendia da poderosa família Cláudia e desde pequena foi educada pelos pais na fé cristã. Cresceu virtuosa e decidiu consagrar sua pureza a Deus, resistindo às investidas dos jovens mais ricos da nobreza romana, desejosos de seu amor.

Sua existência transcorreu entre os séculos três e quatro, sendo martirizada durante a décima perseguição ordenada contra os cristãos, desta vez imposta pelo terrível imperador Diocleciano, em 304. Inês pertencia à uma rica, nobre e cristã família romana. Isso lhe possibilitou receber uma educação dentro dos mais exatos preceitos religiosos, o que a fez tomar a decisão precoce de se tornar "esposa de Cristo".

Santa Inês, nasceu em Roma no ano de 291 e foi martirizada, nesta mesma cidade, aos treze anos de idade, no ano de 304. É uma Virgem que deu a sua vida pela sua fé e pelos seus princípios cristãos, venerada como santa pela Igreja Católica e por outras denominações cristãs. É a padroeira da castidade, dos jardineiros, das moças, dos noivos, das vítimas de vilolação e virgens. Sua memória litúrgica se dá acontece no dia 21 de janeiro.

Inês, ou Agnes, viveu em Roma, onde foi martirizada. Tinha 13 anos quando foi cobiçada, por sua extraordinária beleza, riqueza e virtude, pelo jovem Fúlvio, filho do Prefeito de Roma, Semprônio. Como rejeitou o  pretendente e o convite do casamento, Inês foi levada a julgamento e obrigada a manter o fogo sagrado aceso de um templo dedicado à Vesta, deusa pagã romana do lar e do fogo, tendo recusada a fazer isso, dizendo: "Se recusei seu filho, que é um homem vivo, como pode pensar que eu aceite prestar honras a uma estátua que nada significa para mim? Meu esposo não é desta terra. Sou jovem, é verdade, mas a fé não se mede pelos anos e sim pelos sentimentos. Deus mede a alma, não a idade. Quanto aos deuses, podem até ficar furiosos, que eu não os temo. Meu Deus é amor." Por isso foi condenada a ser exposta nua num prostíbulo no Circo Agnolo (hoje praça Navona, onde se ergue a Basílica de Santa Inês in Agone).

Diz a história que, introduzida no local da desonra, uma luz celestial a protegeu e ninguém ousou aproximar-se dela. Seus cabelos cresceram maravilhosamente cobrindo seu corpo. Ao ser defendida por um anjo guardião, um dos seus lascivos pretendentes caiu morto, mas a santa, apiedada, orou a Deus e o ressuscitou. Temeroso, o Prefeito Simprônio passou o caso ao seu cruel substituto, Aspásio. Após novo interrogatório, a menina foi condenada a morrer queimada. As chamas também não a tocaram, voltando-se contra seus algozes e matando muitos deles.

Foi por fim decapitada, a mando do vice-prefeito de Roma, Aspásio. Seus pais sepultaram seu corpo num terreno próximo da Via Nomentana, onde a princesa Constantina, filha do imperador Constantino mandou erguer a majestosa basílica de Santa Inês Fora dos muros, palco de grandes milagres por intermédio da santa virgem.

A história conta que oito dias depois da morte, apareceu em grande glória aos pais que rezavam em seu túmulo, segurando um cordeirinho branco e cercada de muitas virgens e anjos e anunciou-lhes sua grande felicidade no céu.

Também conhecida como Santa Inês de Roma ou Santa Agnes, a sua festa canônica realiza-se a 21 de janeiro. Centenas de igrejas são nomeadas em sua honra. A mais célebre está em Roma, Sant’Agnese fuorele mura, acima mencionada.

Exames forenses realizados no crânio da jovem que se encontrava no tesouro de relíquias do "Sancta Sanctorum" da Basílica de Latrão recentemente comprovam que se trata realmente de uma menina de 13 anos. Hoje, a cabeça de Santa Inês se encontra na Igreja de Santa Inês em Agonia (Sant'Agnese in Agone), localizada na Praça Navona, em Roma.

Nos quadros Inês é representada frequentemente com um cordeiro junto a si, até porque o seu nome provém do latim "agnus" (cordeiro) e um lírio, símbolo da pureza.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

 

SÃO SEBASTIÃO - ANO 288

 

A reprodução do martírio de São Sebastião, amarrado a uma árvore e atravessado por flechas é uma imagem milhares de vezes retratada em quadros, pinturas e esculturas, por artistas de todos os tempos. Entretanto, nem todos sabem que o destemido Santo não morreu daquela maneira. O suplício das flechas não lhe tirou a vida, resguardada pela fé em Cristo.

Vejamos como tudo aconteceu. Sebastião nasceu em Narbônia, na Gália, atual França, mas foi criado por sua mãe em Milão, na Itália, de acordo com os registros de Santo Ambrósio. Pertencente a uma família cristã, foi batizado ainda pequenino. Mais tarde, tomou a decisão de engajar-se nas fileiras romanas e chegou a ser considerado um dos oficiais prediletos do imperador Diocleciano. Contudo, nunca deixou de ser um cristão convicto e protetor ativo dos cristãos.

Ele fazia tudo para ajudar os irmãos na fé, procurando revelar o Deus verdadeiro aos soldados e aos prisioneiros. Secretamente, Sebastião conseguiu converter muitos pagãos ao cristianismo. Até mesmo o governador de Roma, Cromácio, e seu filho Tibúrcio foram convertidos por ele. Em certa ocasião, Sebastião foi denunciado, pois estava contrariando o seu dever de oficial da lei. Teve então, que comparecer ante ao imperador para dar satisfações sobre o seu procedimento. O imperador da época era ninguém menos que o sanguinário Diocleciano, que lhe dispensara admiração e confiara nele, esperando vê-lo em destacada posição no seu exército, numa brilhante carreira e por isso considerou-se traído. Levado à sua presença, Sebastião não negou sua fé. O imperador lhe deu ainda uma chance para que escolhesse entre sua fé em Cristo e o seu posto no exército romano. Ele não titubeou, ficou mesmo com Cristo.

A sentença foi imediata: deveria ser amarrado a uma árvore e executado a flechadas. Após a ordem ser executada, Sebastião foi dado como morto e ali mesmo abandonado, pela mesma guarda pretoriana que antes chefiara. Entretanto, quando uma senhora cristã foi até o local à noite, pretendendo dar-lhe um túmulo digno encontrou-o vivo! Levou-o para casa e tratou de suas feridas até vê-lo curado.

Depois, cumprindo o que lhe vinha da alma, ele mesmo se apresentou àquele imperador anunciando o poder de Nosso Senhor Jesus Cristo e censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos, acusando-o de inimigo do Estado. Perplexo e irado com tamanha ousadia, o sanguinário Diocleciano o entregou à guarda pretoriana após condená-lo, desta vez, ao martírio no Circo.

Sebastião foi executado então com pauladas e boladas de chumbo, sendo açoitado até a morte, no dia 20 de janeiro de 288. Os algozes cumpriram a ordem e, para evitar a sua veneração, foi jogado numa fossa, de onde a piedosa cristã Santa Luciana o tirou, para sepultá-lo junto de São Pedro e São Paulo.

Posteriormente, em 680, as relíquias foram transportadas solenemente para a Basílica de São Paulo Fora dos Muros, construída pelo imperador Constantino. Naquela ocasião em Roma a peste vitimava muita gente, mas a terrível epidemia desapareceu na hora daquela transladação.

Em outras ocasiões foi constatado o mesmo fato; em 1575 em Milão, e em 1599 em Lisboa, ambas ficando livres da peste pela intercessão do glorioso mártir São Sebastião. No Brasil, diz a tradição, que no dia da festa do padroeiro, em 1565, ocorreu a batalha final que expulsou os franceses que ocupavam a cidade do Rio de Janeiro, quando São Sebastião foi visto de espada na mão entre os portugueses, mamelucos e índios, lutando contra os invasores franceses calvinistas.

Ele é o protetor da Humanidade, contra a fome, a peste e a guerra e é claro do cartão postal do Brasil, a cidade maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro.

São venerados também, neste dia: Santo Eustóquio de Messina (franciscano), Santo Eutímio, o Grego (abade), São Mauro de Cesena (monge e bispo), São Neófito de Nicéia (mártir), São Fabiano (papa) e Bem-aventurada Maria Cristina da Imaculada Conceição. 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

 

AMANDO  MARIA, AGRADAMOS A JESUS.

 

São Luiz Maria Grignon  de Montfort como um grande devoto de Maria, no livro que ele escreveu sobre Maria chamado “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, queixa-se, amorosamente a Jesus pelos cristãos desconhecerem a íntima  ligação que existe entre Jesus e Maria. E, nesse livro, ele escreve o seguinte:

“Neste ponto, dirijo-me a vós, um instante,  ò meu amável Jesus, para queixar-me amorosamente à Vossa Majestade de que a maior parte dos cristãos e até os mais ilustrados não sabem da união necessária que existe entre vós e vossa Mãe Santíssima. Estais sempre com Maria, ó meu Senhor, e Maria está sempre convosco e não pode estar sem vós; de outro modo deixaria de ser o que é; Maria está de tal forma transformada em vós pela graça que não vive mais, não existe mais; sois vós, unicamente, meu Jesus, que nela viveis e reinais, mais perfeitamente que todos os Anjos ou bem-aventurados. Ah! Se os homens conhecessem a glória e o amor que nessa admirável criatura recebeis, bem diversos seriam os seus sentimentos a vosso respeito e a respeito de Maria. Maria vos está tão intimamente unida, que seria mais fácil separar a luz do sol e o calor do fogo; digo mais, seria mais fácil separar de vós todos os anjos e santos que a pura Maria; porquanto ela vos ama mais ardentemente, vos glorifica mais perfeitamente que todas as outras criaturas juntas.   Isso dito, meu amável Jesus, não é verdade que causa espanto e compaixão ver a ignorância e as trevas de todas as criaturas deste mundo em relação à vossa Mãe Santíssima? Quantos cristãos católicos que fazem promessa de ensinar aos outros a verdade, e que, entretanto, não vos conhece a vós e a  Vossa Mãe Santíssima senão de um modo especulativo, seco, estéril e indiferente. Esses cristãos pouco falam de vossa Santa Mãe e da devoção que lhe é devida, porque temem, dizem eles, abusar ou vos injuriar honrando demasiadamente à Vossa Mãe Santíssima. Se vêem ou ouvem algum devoto da Santíssima Virgem  falar frequentemente  da devoção a esse boa mãe, de um modo terno, forte e persuasivo, como de um meio seguro e sem ilusão, de um caminho curto e sem perigo de uma senda imaculada e sem imperfeição, e de um segredo maravilhoso para achar-vos e amar-vos perfeitamente, clamam contra ele e apresentam mil falsas razões para provar-lhe que não deve falar tanto assim da Santíssima Virgem, que existem grandes abusos nessa devoção, que se deve trabalhar para destrui-los e antes falar em vós que incitar os povos à devoção à Santíssima Virgem que eles já dizem amar suficientemente... Ò meu amável Jesus, possui essa gente, por acaso, o vosso espírito? Será que eles vos contentam agindo dessa maneira? Será que eles vos agradam não empregando todos os esforços para agradar a vossa mãe, com medo de desagradar-vos? A devoção à vossa Santíssima Mãe impedirá a vossa? Preservai-me, Senhor, preservai-me desses sentimentos e dessas práticas e concedei-me a graça  de partilhar os sentimentos de gratidão, de estima, de respeito e de amor que consagrais à vossa Mãe Santíssima, a fim de que tanto mais vos ame e glorifique quanto mais de perto vos imitar e seguir. Como se até agora nada mais tivesse dito em honra de vossa Mãe Santíssima, fazei-me a graça de louvá-la dignamente apesar de todos os seus inimigos que são também os vossos, e permiti que eu lhes diga com os santos:- NÃO PODE ESPERAR A MISERICÓRDIA DE DEUS QUEM OFENDE A SUA MÃE!”

Isso que acabamos de ler são escritos de São Luiz Maria Grignon de Montfort. Este santo é um dos maiores devotos de Maria e um dos maiores propagadores da devoção à Santíssima Virgem, e, pelos seus escritos, aprendemos muito com ele como devemos amar Maria, e como devemos amar Jesus através de Maria.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

 

“ELES NÃO TÊM MAIS VINHO” (Jo 2,3).

 

Em certas ocasiões dos Evangelhos não é tão importante o que está escrito, mas o que está contido nas entrelinhas. Imaginemos a situação no casamento de Caná, na Galiléia, onde Jesus e sua mãe Maria estavam presentes.

Com que confiança, amor e carinho Maria se aproxima de seu Filho para pedir, na certeza que seria atendida, e, com que olhar de amor, carinho e respeito Jesus dirigiu à sua mãe chamando-lhe à realidade que ainda não havia chegado a sua hora, mas, na certeza de que atenderia sua mãe, qualquer que fosse o pedido que ela lhe fizesse, seguro de que ela não pedia para si e sim para alguém em dificuldades, ele anteciparia a sua hora por um pedido de sua mãe.

O momento do Filho Único de Deus se manifestar com toda a sua glória, o momento de Jesus mostrar a que veio, de derramar a misericórdia e os poderes de Deus a todos os necessitados ainda não havia chegado, e assim, taxativamente, ele se expressa: “Minha hora ainda não chegou.” (Jo 2,4), e, essa hora,  não era outra, senão a hora da cruz. Mas aquele era um momento especial; era a sua mãe que estava pedindo.

Era aquela a quem ele, o Filho Único de Deus, havia escolhido por mãe desde a queda do homem, desde o primeiro pecado, “E o Senhor disse à serpente: “...Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar.” (Gn 3,14-15), e Jesus, pelo grande amor que dedicava à sua mãe, não resistiu aquele pedido e antecipou a sua hora... Jesus não precisou dizer nada para sua mãe; entre os dois não havia necessidade de palavras; bastava apenas um olhar, e Maria entendeu que ele atendera à sua súplica, e Jesus, a uma mediação de sua mãe antecipa a sua hora e “Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5). 

Maria, através dos tempos, continua dizendo a todos os cristãos, a todos os discípulos, apóstolos e seguidores de seu Divino Filho: “Fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5). Naquele casamento, “havia seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma contendo de duas a três medidas. (correspondente a cerca de quarenta litros). Jesus lhes disse: Enchei as talhas de água.” Eles as encheram até a borda. Então lhes disse: “Tirai agora e levai ao mestre sala.” Eles levaram. Quando o mestre-sala provou a  água transformada em vinho - ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água - chamou o noivo e lhe disse: “Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados, serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora.” (Jo 2,6-10).

O mestre-sala, o organizador da festa do casamento não sabia que o vinho havia acabado e desconhecia o milagre realizado por Jesus e, ao provar do vinho, ficou admirado, pois era costume nas festas servir primeiro o melhor vinho para, depois, “...quando os convidados já estão embriagados, serve o inferior” e, por isso, chama a atenção do noivo.

Essa foi a participação de Jesus num casamento. Não somente ele, mas sua mãe, Maria, que teve uma participação fundamental e salvadora para os noivos. Jesus marcou presença, e deixou registrado ali, naquela festa, naquele cerimônia nupcial, o seu primeiro milagre, antecipado e realizado a pedido de sua mãe, Maria.

E Jesus, mais adiante, em seus ensinamentos, determina: “Não lestes que desde o princípio o Criador os fez homem e mulher? E que disse: “Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne?” PORTANTO, O  QUE  DEUS  UNIU, O  HOMEM NÃO   DEVE   SEPARAR.” (Mt 19,4-6). E depois, Jesus “acrescentou: “Nem todos são capazes de compreender essa palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.” (Lc 18,18).

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

 

“EIS AQUI A ESCRAVA DO SENHOR”.

 

Por mais que lemos as Sagradas Escrituras nos é difícil entender, realmente a fundo, a sua mensagem, o seu recado. Se pegarmos as Sagradas Escrituras todos os dias e lermos uma mesma frase, um mesmo versículo, todos os dias nós tiraremos uma mensagem diferente e veremos a realidade daquela mensagem por um outro ângulo.

Para cada dia uma mesma frase, um mesmo versículo nos transmite alguma coisa de diferente, nos diz algo de novo. Isso apenas uma frase, um versículo; agora imagine um capítulo inteiro, ou um livro inteiro, ou toda a Bíblia.

Através das Sagradas Escrituras tomamos conhecimento de que Maria, quando foi consultada pelo Anjo Gabriel para ser a Mãe do Filho de Deus, respondeu ao Anjo: “Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.”

Será que já paramos para pensar, para meditar sobre esta frase dita por Maria ao Anjo e que está contida na Bíblia, mais precisamente no Evangelho de Lucas?

Maria, quando consultada pelo Anjo se declara “Escrava do Senhor”, e se coloca à disposição de Deus para que a vontade do Altíssimo fosse realizada nela da maneira como o Senhor quisesse.            Para os nossos dias que não existe mais escravidão, não entendemos bem o significado da palavra “escrava”.

Ser escravo é não ter vontade própria, não ter desejos, não ter, absolutamente, liberdade.

Ser escravo é estar sujeito a um senhor como propriedade única e exclusiva dele; ser escravo  é estar sob o poder absoluto de um senhor que o cativou  ou o comprou.

Mas, quando o Senhor mandou o Anjo consultar Maria, demonstrou que respeitava a liberdade de Maria, que respeitava a vontade de Maria e que, se ela dissesse “não” à consulta de Deus, certamente e simplesmente ela não seria a escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus.

E esse convite do Senhor à Maria, não era um convite à glória, mas ao sacrifício, não era um convite à alegria, mas ao sofrimento.

Mas, diante do Senhor, Maria se diz escrava e se coloca totalmente nas mãos de Deus, e por livre e expontânea vontade deixa de ter vontade própria, se coloca nas mãos de Deus de tal maneira que se despoja de si própria para que o Senhor Nosso Deus fizesse nela de acordo com a sua vontade.           

Maria é a “escrava do Senhor”, é a consagrada de Deus.

Quem é de Deus não tem vontade própria.

Quem é de Deus é escravo do Amor, é escravo do Rei dos Reis, porque se abre de tal maneira que tudo o que acontece em sua vida é da vontade de Deus.

Maria não foi feita escrava; ela se fez escrava. Maria não foi obrigada a fazer nada que não fosse de sua vontade, mas, perante a vontade de Deus, a sua vontade passou a ser “nada” e Maria renuncia a sua vontade para fazer única e exclusivamente a vontade do Senhor seu Deus.

E, a exemplo de Maria, que se fez “escrava do Senhor”, que se consagrou totalmente ao serviço do Senhor, que desprezou a sua vontade para que nela fosse feita somente a  vontade de Deus, nos nossos dias temos verdadeiros seguidores  e seguidoras da Virgem, que renunciam a sua vontade e tudo o mais que tem neste mundo para fazer única e exclusivamente a vontade de Deus; e esses são os ministros de Deus, são os sacerdotes, os irmãos leigos, os religiosos, as religiosas; são as irmãs de caridade, e não somente as pessoas que se dedicam à vida contemplativa e religiosa, mas também homens e mulheres que não abraçam a vida religiosa mas, que, como cristãos leigos desprezam a vida mundana para se dedicar inteiramente ao serviço do Senhor.

Todos esses, à exemplo de Maria, se proclamam “escravos do Senhor, se esvaziam de si próprios para se encherem da vontade de Deus, para que a vontade do Senhor tome conta dele e, assim como Maria se fez a “escrava do Senhor”,  os nossos sacerdotes, religiosos e religiosas se fazem escravos do Senhor para, a exemplo de Maria, trazer Jesus vivo e verdadeiro até nós e para que nós nos tornemos realmente, por Jesus Cristo e por Maria, verdadeiros filhos de Deus...

domingo, 16 de janeiro de 2022

 

JOSÉ, O HOMEM JUSTO – MARIA, A NOIVA FIEL

 

José ficou numa situação difícil depois que Maria ficou grávida de Jesus.

Sem uma explicação aparente e razoável, de repente, vê a sua noiva grávida.

Mateus narra assim esse drama terrível vivido por José: sua “A origem de Jesus Cristo foi deste modo: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, achou-se ter concebido (por obra) do Espírito Santo, antes de coabitarem. José, seu esposo, sendo justo, e não a querendo difamar, resolveu repudiá-la secretamente. Andando ele com isto no pensamento, eis que um Anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos, e lhe disse: ‘José, filho de Davi, não temas  receber em tua casa Maria, tua esposa, porque o que nela foi concebido é (obra) do Espírito Santo.  Ela dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta que diz: ‘Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porão o nome de Emanuel, que quer dizer: ‘Deus conosco’.  Ao despertar José de seu sono, fez como lhe tinha mandado o Anjo do Senhor, e recebeu em sua casa (Maria),  esposa. Não a conheceu até que deu à luz um filho, e pôs-lhe o nome de Jesus.” (Mt 1,18-25).

Depois desse impasse resolvido e de toda a preparação por parte do Senhor para a vinda do Messias e Salvador de todos os homens, Lucas nos narra assim o seu nascimento: “José foi também da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, que se chamava Belém, porque era da casa e família de Davi, para se recensear juntamente com Maria, sua esposa, que estava grávida. Ora, estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que devia dar à luz o seu filho primogênito. Enfaixou-o e o reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.” (Lc 2, 4-7).

Até ai tudo certo, tudo resolvido; os planos do Senhor Nosso Deus estavam se realizando. 

Mas ainda havia um “porém”: apenas três pessoas estavam sabendo das maravilhas que o Espírito Santo estava operando em Maria: ela mesma, José  e uma parenta de Maria, chamada Isabel, que tomou conhecimento do fato quando Maria a visitou. Isabel, inspirada pelo Espírito Santo, ou melhor, deixemos que o Evangelista Lucas nos narre como isso aconteceu: “Naqueles dias, levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá.  Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Aconteceu que, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.  Exclamou ela em alta voz e disse: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde a mim esta dita, que a mãe do meu Senhor venha ter comigo? Porque logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre.  Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas’.” (Lc 1,39-47).

Mas, os planos do Senhor não era somente deixar Maria, José e Isabel desfrutarem dessas maravilhas e beberem desse néctar maravilhoso vindo dos céus. O Senhor queria que mais pessoas tomassem conhecimento e partilhassem da alegria do nascimento do Salvador prometido desde o início dos tempos.

O Senhor age de uma maneira que somente Deus tem condições de realizar, e assim fez: “Naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. Eis que apareceu junto deles um Anjo do Senhor, e a glória de Senhor os envolveu com a sua luz e tiveram grande temor. Porém, o Anjo disse-lhes: ‘Não temais porque eis que vos anuncio uma boa-nova, que será de grande alegria para todo o povo: Nasceu-vos hoje na cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo, o Senhor. Eis o sinal: Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura’. Subitamente apareceu com o Anjo uma multidão da milícia celeste louvando e glorificando a Deus, e dizendo: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade’.” (Lc 2,8-14).

Que espetáculo maravilhoso deve ter sido esse. Mas o Senhor Nosso Deus não precisa de espetáculos para anunciar as verdades da salvação, e dispensa até platéias sofisticadas; o Senhor quis apenas demonstrar a alegria que inundava o céu ao ser mandado para todos os homens “O Cordeiro de Deus” que veio para tirar o pecado do mundo. (Jo 1,29).

Para anunciar que o Filho de Deus havia nascido, o Senhor manda um Anjo, e depois uma multidão do exército celeste, mas... para quem??? Para os pobres, para os humildes, para os ignorantes e explorados pastores que “Não tinham onde reclinar a cabeça.” (Lc 9,58).

Esta foi a primeira, grande e maravilhosa manifestação do Senhor Jesus ao povo de Israel que, nessa oportunidade, estava sendo representado pelos pastores, os pobres, oprimidos, humildes e injustiçados homens da terra.

sábado, 15 de janeiro de 2022

 

CONVERSANDO COM MARIA, A MÃE DE JESUS

 

Todos nós, vossos filhos, vos amamos, Maria, e através de vós amamos a Deus e desejamos amá-lo mais ainda e cada vez mais.      

O nosso amor por vós nos dá forças para lutarmos para a maior glória de Deus.

Todos nós, que desejamos alguma coisa, alguma melhora na nossa vida ou na vida de alguém, todos nós que desejamos a vinda de melhores dias, um emprego, uma graça para vencermos um defeito particular, ou um pedido para a conversão de um filho, do marido, da esposa, do pai, irmãos ou amigos, quando precisamos de uma grande graça não exitamos e logo corremos aos vossos pés, doce Mãe, e dificilmente alguém de nós sai de perto de vós sem que a Senhora tenha atendido o nosso pedido.

Quantas vezes recorremos à vós, doce Mãe, quando notamos tristemente que a nossa fé vacila, quando esfriamos na nossa dedicação para com a Igreja de Deus, ou porque nos afligimos por termos que carregar uma grande cruz que parece muito pesada para a nossa fraqueza na fé, ou ainda, quando temos no seio de nossa família perturbações e infelicidades domésticas que nos parecem dificultar até a nossa própria salvação eterna, e, para todos nós que recorremos aos vossos pés, a oração parece trazer tão pouco alívio.     

Nós não sabemos rezar, Senhora. Ainda não aprendemos suficientemente o vosso ensinamento de como se deve pedir e agradecer ao Senhor Nosso Deus.           Não seguimos o vosso conselho quando, carinhosamente, vós nos apontais o vosso Divino Filho e nos diz, maternalmente: “Façam tudo o que ele vos disser” e, por isso, julgamos que as nossas orações não alcançam o seu objetivo. Nós não procuramos suficientemente o vosso amparo maternal.       

Nós nem nos preocupamos em ouvir a revelação dos grandes santos e santas, vossos filhos queridos e devotos, quando dizem que o refúgio no vosso manto maternal nos livra de todos os males e nos dá a certeza de ancorarmos em porto seguro.     

Todos nós que aqui estamos aos vossos pés, amamos e adoramos ao Senhor Nosso Deus, amamos e adoramos o vosso Divino Filho, amamos e adoramos ao Divino Espírito Santo, e vos amamos, doce Mãe.

Mas, a devoção que consagramos à vós é fraca demais, é escassa, é mesquinha, é deturpada pela nossa ignorância religiosa e muitas vezes chega às raias da heresia.        

Como gostaríamos de vos conhecer melhor, doce Mãe, conhecer-vos como vós realmente fostes, sem tronos, sem coroas e sem mantos, apenas uma mulher simples, de avental, cabelos em desalinho como todas as  donas de casa que se preocupam realmente e totalmente com o seu lar; olhos lagrimejantes pela fumaça do fogão a lenha enquanto preparáveis alimentos para vosso esposo  José e vosso filho Jesus, tal como fazem as esposas e mães no dia de hoje, só que hoje elas tem a vantagem de terem fogões a gás, e não mais à lenha como era o vosso.       

Se vos conhecêssemos melhor, Doce Mãe, também teríamos condições de vos mostrar aos nossos irmãos, vós que fostes tão pequena e humilde que todos nós nos sentiríamos mais à vontade junto de vós.

A nossa ignorância obscurece todo o vosso esplendor e distorce toda a vossa humildade. É por não vos conhecermos como mereceis ser conhecida que Jesus Cristo não é amado como deveria ser; é por não vos amarmos como mereceis e como deveríamos amar que os pecadores não se convertem; é por não vos amarmos como deveríamos vos amar que a nossa Santa Igreja não é exaltada; é por não vos amarmos como mereceis que temos tanta falta de sacerdotes e somos tão carentes de vocações sacerdotais e religiosas porque, na nossa ignorância, não vemos em vós a mãe do Sumo Sacerdote Jesus Cristo.           

Quantas almas poderiam ser salvas e que desfalecem na fé tomando caminhos diferentes daqueles que levam até Deus por não vos conhecer melhor.

Os sacramentos não são frequentados porque os fieis não vos amam, e não vos amando não amam verdadeiramente vosso Divino Jesus Cristo. As almas não são evangelizadas com entusiasmo e zelo apostólico porque quem as evangelizam, mas não se preocupam de aprender na escola que tem como Mestre o vosso Divino Filho. Jesus Cristo não é conhecido porque os cristãos não vos conhecem, doce Mãe; vós sois relegada ao segundo plano e ficais no esquecimento ou somente sois procurada por vossos devotos apenas por interesses  egoístas e mesquinhos.

Quantas almas se desviam do verdadeiro caminho que é Jesus Cristo, porque estão longe de vós, doce Mãe. E essa nossa falta  de interesse em vos conhecer melhor que é a causa de todas as nossas misérias, de todos os nossos males, de todas as nossas omissões, de toda a nossa tibieza. Se seguíssemos os conselhos dos grandes santos e santas que foram vossos devotos entenderíamos que o próprio Senhor Nosso Deus quer que tenhamos para convosco uma devoção mais vasta, mais extensa, mais sólida;  uma devoção muito diferente da que temos atualmente para com vós, Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.

Se Jesus Cristo não é conhecido como deveria ser, é porque ainda não vos amamos suficientemente, e somente por vós, Doce Mãe, chegaremos a Jesus, nosso Divino Mestre. 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

 

EUCARISTIA - O MILAGRE DE LANCIANO

 

Na Itália existe uma cidade de nome “Lanciano”, e, nessa cidade tem uma  igreja dedicada a São Longuinho, nome que se atribui ao soldado que traspassou o peito e o coração de Jesus Cristo com a lança na cruz.

No século VIII um padre, um monge da ordem de São Basílio, durante a celebração da santa missa e depois de ter realizado a consagração do pão e do vinho, começou a duvidar da presença do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo na hóstia e no cálice.

E a dúvida desse padre que era da ordem de São Basílio que, infelizmente não temos nem o nome, fez com que se realizasse um dos maiores, senão o maior dos milagres eucarísticos: ali no altar, devido a dúvida do celebrante  e diante dos olhos atônitos do padre incrédulo a hóstia consagrada se tornou um pedaço sangrento de carne viva e, no cálice, o vinho consagrado tornou-se verdadeiro sangue que, depois de algum tempo, que, depois de algum tempo, se coagulou em cinco pedrinhas irregulares de formas e tamanhos diferentes.

Esses acontecimentos se deram a doze séculos, ou seja, a mais de mil e duzentos anos, e os pedaços de carne que eram a hóstia e o sangue que era o vinho conservam-se até hoje em exposição na igreja da cidade de Lanciano, na Itália.

No correr dos séculos foram feitas várias pesquisas patrocinadas pela Igreja. Atualmente, nos nossos dias, para se certificar da autenticidade desse milagre, no dia 18 de novembro de 1.970, os Frades Menores Conventuais que cuidam atualmente dessa Igreja onde se realizou esse milagre, esses frades decidiram , com a autorização de Roma, confiar a um grupo de cientistas e peritos a análise científica daquelas relíquias datadas de doze séculos.

As pesquisas foram feitas  em laboratórios com estrito rigor, com a maior seriedade possível, e foram realizadas pelos professores e cientistas Linoli e Bertelli, sendo que Bertelli é da Universidade da cidade de Siena, na Itália.

E, a 4 de março de 1.971, estes cientistas davam  o seu veredicto, davam as suas conclusões que foram publicadas em inúmeras revistas de ciências do mundo inteiro.

E olhem as conclusões que os cientistas chegaram: “A carne é verdadeiramente carne. O Sangue é verdadeiro sangue. Tanto a carne como o sangue são carne e sangue humanos. A carne e o sangue são do mesmo grupo sanguíneo (AB). A carne e o sangue são de uma pessoa viva. O diagrama desse sangue corresponde ao de um sangue humano que tenha sido retirado de um corpo humano, NAQUELE DIA MESMO. A carne é constituída de tecidos musculares do coração (miocárdio). A conservação dessas relíquias, deixadas em estado natural durante séculos e expostas à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário.”       

Quem é que não fica estupefato diante de tais conclusões, que manifestam de maneira evidente  e precisa a autenticidade desse milagre eucarístico. Antes mesmo de darem a conhecer essas conclusões de modo oficial, os cientistas e peritos, no fim de suas análises, enviaram aos padres franciscanos da igreja de Lanciano, o seguinte telegrama, dizendo: Et Verbum caro factum est.”, que, traduzindo, quer dizer: “E o Verbo se fez carne.”

Este telegrama não é mais do que um ato de fé dos cientistas que examinaram minuciosamente aquele material que antes era pão e vivo e que se transformara em carne e sangue.

Outro detalhe inexplicável  e impressionante: se se pegassem as pedrinhas de sangue coagulado (que eram cinco e cada uma de um tamanho diferente), cada uma delas tem exatamente o mesmo peso entre si, e todas juntas tem o mesmo peso de cada uma.

Deus parece brincar com o peso normal dos objetos. O Senhor Nosso Deus, por meio de tão grande milagre, vem verdadeiramente em socorro da nossa incredulidade. Depois que foram conhecidas as conclusões desta pesquisa científica, os peregrinos vão de toda parte venerar a Hóstia que se tornou carne e o vinho consagrado que se tornou sangue.

Dois fatos podem espantar a todos nós: o primeiro é que se trata de carne e sangue de uma pessoa viva, vivendo atualmente, pois que esse sangue é o mesmo que tivesse sido retirado naquele mesmo dia de uma pessoa viva. É bem uma prova direta de que Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente, de que a Eucaristia é o Corpo e o Sangue de Cristo Glorioso, assentado à direita de Deus Pai e que, tendo saído do túmulo na manhã do domingo da Páscoa, não pode mais morrer.

Tantas tolices tem sido ditas nestes últimos anos contra a ressurreição de Cristo. Alguns desejariam, com empenho, que essa ressurreição não fosse senão um símbolo, elaborado como um rito pela piedade muito ardente dos primeiros cristãos...

Ora, e aí vem a ciência que, de certo modo vem em nosso socorro, e a própria ciência autentica o que a nossa fé nos dá a certeza: a Eucaristia é verdadeiramente o Corpo, o carne e o sangue de Jesus Cristo. Foi verdadeiramente na carne que o Cristo morreu e foi verdadeiramente também na carne que Jesus ressuscitou no terceiro dia.

E a mesma carne - verdadeira carne - nos é dada viva na Eucaristia para que possamos viver a vida de Cristo. Portanto, vendo a Hóstia Consagrada, podemos dizer, como disse o Apóstolo Tomé, oito dias depois da Páscoa, quando colocou  os dedos nas chagas de Cristo: “Meu Senhor e meu Deus”. A Eucaristia é bem a carne viva do Deus vivo.

Um segundo fato impressiona ainda muito mais: A carne que lá está é a carne do Coração, é um pedaço do coração de uma pessoa viva.          

Não é a carne de qualquer parte do Corpo adorável de Jesus, mas a carne do músculo que propulsiona o sangue - e, portanto, a vida - ao corpo inteiro, do músculo que é também o símbolo, o mais manifesto e o mais eloquente do amor do Salvador por nós.

Quando Jesus se entrega a nós na Eucaristia, é verdadeiramente seu próprio Coração que ele nos dá a comer, é ao seu amor que nós comungamos, um amor manso e humilde como este Coração mesmo, um amor poderoso e forte mais do que a morte, um amor que é o antídoto dos ferimentos de morte física e espiritual que carregamos em nossa “carne de pecado.”

(Padre Jean Ladame - compilado da tradução de “La revue du Rosaire”, de junho de 1.976, em “Lar Católico, de Juiz de Fora.).

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

 

PORQUE SÓ OS CRISTÃOS CATÓLICOS FAZEM O SINAL DA CRUZ?

 

O símbolo do cristianismo, lembra o teólogo americano John Stott, poderia ser a “manjedoura”, para simbolizar a encarnação de Jesus, a “carpintaria”, para dignificar o trabalho manual de Jesus ou a “toalha”, para lembrar o lava-pés de Jesus.

Mas todos foram ignorados em favor da cruz, o que é totalmente extraordinário, porque, na cultura greco-romana da época, a cruz era objeto de vergonha. Para John Julius Scott, professor de Bíblia e teologia no Wheaton College, nos Estados Unidos, “a cruz é um diamante multifacetado”; a cruz “é a demonstração suprema do amor que Deus tem pelo homem pecador”.

A cruz era um instrumento de tortura e morte usado durante o tempo do Império Romano, sendo usado para aplicar a pena de morte a indivíduos que eram condenados pelas autoridades. Alguns anos depois da crucificação de Jesus, os romanos baniram esta forma de punição por considerarem que era muito cruel.

A cruz cristã é o mais conhecido símbolo religioso do cristianismo.

É a representação do instrumento da crucificação de Jesus, a hora esperada por Jesus e está relacionada ao crucifíxo (cruz que inclui uma representação do corpo de Jesus) e à família mais ampla dos símbolos em forma de cruzes.

A cruz representou em diversas sociedades a interseção do plano material e do transcendental em seus eixos perpendiculares. Por exemplo, era insígna de Serápis no Egito.

Ao ser apropriado pelo cristianismo, este símbolo enriqueceu e sintetizou a história da salvação e paixão de Jesus, significando também a possibilidade de ressurreição.

A prática de fazer o sinal da cruz é o que há de mais visível na Igreja Católica Romana, mas é também praticado pelas Igrejas Ortodoxa Oriental e Episcopal.

A história do sinal da cruz remonta a Tertuliano, o pai da igreja primitiva que viveu entre 160 e 220 d.C. Tertuliano escreveu, recomendando o uso do sinal da cruz por parte dos cristãos nas mais variadas situações da vida: : “Quando nos pomos a caminhar, quando saímos e entramos, quando nos vestimos, quando nos lavamos, quando iniciamos as refeições, quando nos vamos deitar, quando nos sentamos, nessas ocasiões e em todas as nossas demais atividades, persignamo-nos a testa com o sinal da Cruz.” (Tertuliano, De Corona Militis 3).

A respeito da cruz, Paulo escreve:“Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gl 6,14-15); "A linguagem da Cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que foram salvos, para nós, é uma força divina" (1Cor 1,18);  “Na realidade, pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo” (Gl 2,19); “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6,12.14); “… anunciar o  Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a Cruz de Cristo” (1Cor 1,17).

Em várias passagens dos Evangelhos Jesus se refencia à cruz, dizendo: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (Mt 10,38); “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24); “E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,27).

No  Novo Testamento a Cruz é símbolo da virtude da penitência, domínio das paixões desregradas e do sofrer por amor de Cristo e da Igreja pelas salvação do mundo. Seria preciso apagar muitos versículos do Novo Testamento para dizer que a Cruz é um símbolo introduzido no século IV na vida dos cristãos, como afirmam cristãos de seguimento protestante.

O sinal da Cruz é o sinal dos cristãos ou o sinal do Deus vivo, de que fala o  livro do Apocalipse: “Vi também outro Anjo que vinha do outro lado, onde o sol nasce, , trazendo o selo do Deus vivo. [...] Vamos anotes marcar a fronte dos servos do nosso Deus” (Apo 7,2.3), fazendo eco ao que disse Ezequiel no seu livro: “Um anjo gritou em alta voz aos quatro Anjos que haviam sido encarregados de fazer mal à terra e ao mar: “Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores, até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus” (Ez 9,4).

Os primeiros cristãos poderiam receber um prêmio como publicitários, por terem criado a cruz como “logotipo de identidade corporativa” da Igreja.

Uma das primeiras perguntas de um antigo catecismo para crianças: “Qual é o sinal do cristão?” A resposta era: “o sinal do cristão é a cruz“.

Todas as instituições, hoje especialmente, têm um logotipo que representa sua imagem corporativa.

Os primeiros cristãos deveriam receber um prêmio como publicitários, por terem criado a cruz como logotipo de identidade corporativa da Igreja: é difícil encontrar uma imagem mais simples e mais “compreensiva”, em intensidade e extensão, da visão, missão e valores da Igreja, do que a cruz. Na simples cruz estão condensados o passado, o presente e o futuro da instituição divina da Igreja em favor dos homens.

Ao mesmo tempo, a cruz representa a caminhada diária do cristão: “Quem quiser ser meu discípulo, tome sua cruz de cada dia e me siga” (Lc 23).

Quando o cristão faz o sinal da cruz, ele não está praticando a magia, nem um exorcismo, como pensam alguns protestantes, mas está expressando, com um gesto simples, todo o ideal da sua vida, indicando que quer carregar a cruz de Cristo nesse dia, em sua cabeça, em seus lábios e em seu coração, com toda a sua alma e sua mente e, além disso, realizando um ato de fé na Trindade, pronunciando “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

Por tudo isso, muitas igrejas e lugares cristãos são presididos e coroados com a imagem da cruz ou de Cristo crucificado, querendo representar o momento culminante da história no qual a humanidade foi resgatada por Jesus para Deus Pai.