sábado, 12 de abril de 2014

DOMINGO DE RAMOS

DOMINGO DE RAMOS
Ano – A; Cor – vermelho; Leituras: Mt 21,1-11; Is 50,4-7; Sl 21 (22); Fl 2,6-11; Mt 27,11-54.

“HOSANA AO FILHO DE DAVI! BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR! HOSANA NO MAIS ALTO DOS CÉUS!” (Mt 21,9)

Diácono Milton Restivo


A solenidade dos Ramos é o domingo que antecede o Domingo da Páscoa. É o sexto domingo do Tempo da Quaresma e direciona a Igreja para os acontecimentos finais da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. É a preparação imediata da Páscoa da Ressurreição. Esta solenidade não faz parte do Tríduo Pascal: Quinta-feira Santa, Sexta-feira da Paixão e Sábado da vigília pascal.
Para fins de esclarecimentos sobre o Tríduo Pascal, que acontece no transcorrer da semana seguinte, a Quinta-feira Santa é a comemoração da última Ceia da páscoa hebraica que Jesus fez com os doze apóstolos antes de sua prisão e ser levado à morte na cruz.
Durante esta ceia Jesus instituiu, além da Eucaristia, o sacerdócio cristão, prefigurando o evento novo da Páscoa cristã que haveria de se realizar dois dias após. A Sexta-feira Santa é o único dia do ano em que a Igreja não celebra a Eucaristia. Recorda, apenas, a morte de Jesus por uma celebração da Palavra de Deus, constando de leituras bíblicas, de preces solenes, da adoração da cruz e da comunhão sacramental. A noite do Sábado Santo é a “mãe de todas as vigílias”, a celebração central da fé cristã. Nela a Igreja espera, velando a ressurreição de Cristo, e a celebra nos sacramentos do Batismo e da Eucaristia.
O Domingo de Ramos é, portanto, a data em que os cristãos celebram a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém e dá início à Semana Santa. Marca também o final da Quaresma, período em que os cristãos se prepararam para a Páscoa da Ressurreição, e o começo da Semana da Paixão, da semana Santa. No Domingo de Ramos a leitura feita antes da Santa Missa e geralmente fora da igreja e durante a bênção dos ramos, é a do Evangelho e narra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém num último esforço para que o povo entendesse a sua missão e visse nele a realização de todas as profecias do Antigo Testamento a respeito do Messias. Nas cinco semanas do Tempo da Quaresma anteriores a essa realidade, o povo de Deus deve ter se preparado através da oração, penitência, caridade e encontros de estudo e reflexão da Palavra.
         O Domingo de Ramos também é chamado de “Domingo da Paixão do Senhor” e, a partir daí a Igreja passa a viver a grande semana: a Semana Santa. O Domingo de Ramos abre as portas para a Semana Santa que, para os cristãos, é mais do que uma piedosa recordação de um acontecimento passado: é o memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
A primeira leitura da Liturgia da Palavra traz o profeta Isaias que, aproximadamente setecentos anos antes dos acontecimentos narrados no Evangelho, antevê o sacrifício supremo do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo: “Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto dos bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é o meu auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado”. (Is 50,6-7).
O Evangelho diz que “Levaram a Jesus o jumentinho, sobre o qual puseram as suas vestes. E ele o montou. Muitos estenderam as suas vestes pelo caminho, outros puseram ramos que haviam apanhado nos campos. Os que iam à frente dele e os que o seguiam, clamavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o reino que vem, do nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus” (Mt 21,7-9; Mc 11, 7-10). Jesus entra em Jerusalém.  É uma entrada triunfal, digna de um rei. O povo todo acorre para recebê-lo na entrada da cidade, ele que vem montado num jumentinho, como já havia predito o profeta Zacarias, centenas de anos antes disso acontecer: “Exulta muito, filha de Sião! Grita de alegria, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti: ele é justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho da jumenta.” (Zc, 9-9; Mt 21,4-5).
O povo todo vem a ele, recebe-o na entrada da cidade e o acompanha em todo o percurso, cantando e louvando, estendendo seus mantos no chão à sua frente, empunhando ramos e galhos de árvores como faziam aos seus reis e aos seus heróis que adentravam à cidade depois de uma batalha vitoriosa. Somente os reis e os heróis do povo eram recepcionados daquela forma. Jesus, acompanhado de seus apóstolos, montado em um jumentinho, era recebido clamorosamente na cidade e entrava triunfalmente em Jerusalém.
Era o começo do fim. Estava chegando a hora que Jesus prenunciara: “Eis que chega a hora, e ela já chegou, em que vocês se espalharão cada um para o seu lado, e me deixarão sozinho” (Jo 16,32). A hora final. A hora da entrega total. A hora do sacrifício supremo. Os homens jamais entenderiam isso. Os homens não podem, jamais, entender o sacrifício de um Deus. E Jesus é a vítima, a hóstia imaculada, que se coloca nas mãos do Pai para sofrer os maiores sacrifícios, as maiores humilhações, as maiores dores e, finalmente, morrer por aqueles que não sabem amar, cumprindo a vontade do Pai: “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele”. (Jo 3,16-17), dando, assim, provas daquilo que Jesus já ensinara aos seus discípulos: "Não há maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos". (Jo 15, 13). A entrada triunfal em Jerusalém é o começo do fim; é a entrega do Cordeiro nas mãos daqueles que o iriam sacrificar.
Horas depois Jesus faria, com seus apóstolos, a sua última ceia e, na oportunidade, lavaria os pés de cada um deles (Jo 13,1-20); instituiria a Eucaristia (Lc 22,19-20) e o sacerdócio cristão (Jo 17 – 18); iria rezar angustiosamente e suar sangue no Horto das Oliveiras (Lc, 22,39-47); suportaria com dor e resignação a traição de Judas (Lc 22,47-49); seria preso (Lc 22,47-54); Pedro, o Apóstolo que dissera que, se preciso fosse morreria com ele, o negaria por três vezes (Lc 22,54-62); seria flagelado, coroados de espinhos, escarrado, coberto com um manto jocoso de púrpura e os guardas caçoariam dele, o povo zombaria dele, passaria por um julgamento injusto e, finalmente, pela covardia de um homem, Pilatos, que, na oportunidade, representava toda a humanidade, seria entregue para ser crucificado e levantado entre o céu e a terra no monte Calvário na presença de todo o povo e sob os olhares dolorosos de sua mãe, a Mãe das Dores.
Na entrada triunfal de Jerusalém Jesus sabia que tudo isso lhe ia acontecer. Ele apenas queria passar os seus últimos momentos neste vale de lágrimas com os seus apóstolos. Queria dar-lhes as últimas instruções e fortalecê-los na fé. Um dia, antes de voltar para o Pai, ele ainda diria: “Toda a autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue. Vão, portanto, e façam que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto lhes ordenei. E eis que eu estou com vocês todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mt 28,17-20). Para antecipar a sua permanência “todos os dias, até a consumação dos séculos” no meio daqueles que o tem como Rei e Salvador, na última ceia que faz com seus apóstolos, institui a Eucaristia (Lc 22,19-20). A sua missão estava por terminar e Jesus não se esquecera de nada, absolutamente nada; agora, para comprovar e deixar claro a ingratidão dos homens, Jesus entra triunfalmente em Jerusalém e, aquele povo que o aclamava e o proclamava rei, vai ser o mesmo que, em seu julgamento, iria gritar cheio de cólera: “Crucifica-o” (Mc 15,13).
A maior das injustiças está para ser consumada; o maior pecado da humanidade está para acontecer. Mas, se não existisse o maior pecado, não poderia existir o maior perdão, como diria Agostinho, Bispo de Hipona, mais tarde: “Bendita culpa que me trouxe tão grande Salvador!”.
O Salmo 22 (21) atribuído ao rei Davi e escrito há mil anos antes desses fatos, descreve par e passo o drama vivido pelo Crucificado. Jesus, quando, pendurado na cruz, gritou alto para que todos o ouvissem: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” (Mt 27,46; Sl 22,2). Quando isso fez, não estava reclamando de o Pai tê-lo abandonado naquela hora desesperadora e final, porque isso não aconteceu; o Pai esteve com Jesus até ele entregar seu espírito em suas mãos: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). Quando Jesus fez esse lamento foi única e exclusivamente porque estava rezando o Salmo de Davi que antevia todos aqueles acontecimentos. Foi uma última tentativa de Jesus para despertar no coração dos seus acusadores e carrascos e autoridades religiosas judaicas, um momento de meditação, para que eles dessem prosseguimento ao Salmo e verificassem que tudo estava acontecendo como o Salmo profetizara. O Salmo começa com esse lamento e continua a descrever o dia mais tétrico, mais trágico, mais negro da história da humanidade, descrevendo minuciosamente aquele momento e a situação desesperadora do Crucificado: “Quanto a mim, sou um verme, não homem, risos dos homens e desprezo do povo; todos os que me vêem caçoam de mim, abrem a boca e meneiam a cabeça: ‘Voltou-se a Iahweh, que ele o liberte, que o salve, se é que o ama’.” (Sl 22 (21),7-9). E o que foi que aconteceu com o Crucificado pendente na cruz? Transformou-se num “verme, não homem”, todos o desprezavam e riam dele, e assim nos narram os Evangelistas essa cena constrangedora: “Os transeuntes injuriavam-no, meneando a cabeça e dizendo: “Tu que destróis o templo e em três dias o edificais, salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!”(Mt 27,40); “A outros ele salvou, que salve a si mesmo se é de fato o Messias de Deus, o Escolhido. Se és o rei dos judeus, salva a ti mesmo”. (Lc 23,35.36). Do mesmo modo, também, os chefes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e anciãos, as autoridades religiosas e elite do povo judeu caçoavam dele: “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! Rei de Israel que é, que desça agora da cruz e creremos nele! Confiou em Deus: pois que o livre agora, se é que se interessa por ele! Já que ele disse: ‘Eu sou Filho de Deus’. E até os ladrões, que foram crucificados junto com ele, o insultavam.” (Mt 27,39-44).
Existe alguma semelhança entre essa narrativa de Mateus com o Salmo de Davi?  Se existir, não é mera coincidência, porque coincidência não existe nos planos de Deus. Só os doutores da lei não entenderam. E o Crucificado rezava. E o Salmo continua em sua súplica: “Não fiques longe de mim, pois a angústia está perto e não há quem me socorra.” (Sl 22 (21),12).
Há necessidade de comentário? “Eu me derramo como água e meus ossos todos se desconjuntam; meu coração está como a cera, derretendo-se dentro de mim.” (Sl 22 (21),15).
Os ossos de uma pessoa pendente na cruz se desarticulam, praticamente perdem o contato entre si, causando as mais terríveis dores e tormentos, e o Crucificado também passou por esse momento terrível e, quem sofre essas dores se derrama como água e o coração se inflama, derretendo-se como cera. E o Salmo continua: “Meu vigor secou-se como barro cosido, minha língua pegou-se ao paladar; conduziste-me ao pó da sepultura.” (Sl 22 (21),16). O Crucificado sentiu seu vigor e seu paladar secos como um caco de cerâmica e sua língua colada ao maxilar e ao céu da boca; sentiu-se jogado na poeira da morte: “Depois, sabendo Jesus que tudo estava consumado, disse para que se cumprisse a escritura até o fim: “Tenho sede!”. (Jo 19,28).
O salmista não para por ai. “Porquanto me rodearam muitos cães; uma turba de malignos me assaltou.” (Sl 22 (21),17). E quantos cães e seres malignos rodearam o Crucificado na sua agonia na cruz: chefes dos sacerdotes, escribas, anciãos, as autoridades religiosas do povo judeu da época que ironizavam, insultavam, menosprezavam, desafiavam, escarneciam, enfim, ladravam impropérios e blasfêmias contra o Crucificado, não se apiedando um instante sequer da situação desgraçada por que passava aquele condenado na cruz. “Traspassaram minhas mãos e meus pés, contaram todos os meus ossos.” (Sl 22 (21),18). Lucas, o que nos fala a respeito disso? “Quando chegaram ao lugar que se chama Calvário, ali o crucificaram (traspassaram-lhe as mãos e os pés).” (Lc 23,33). E, depois de suspenso na cruz, entre o céu e a terra, o corpo do crucificado se estica de tal maneira que os ossos se lhes saltam quase que rasgando a pele, dando para contá-los. O Salmo continua: “Repartiram entre si as minhas vestes, lançaram sorte sobre a minha túnica.” (Sl 22 (21),19). Assim nos narra essa passagem da Escritura o Evangelista Mateus: “Depois que o crucificaram, repartiram entre si suas vestes, lançando sortes, cumprindo-se deste modo o que tinha sido anunciado pelo Profeta: “Repartiram entre si as minhas vestes, sobre a minha túnica lançaram sortes.” (Mt 27,35). Tudo, mas tudo mesmo o que aconteceu no Calvário estava e está contido no Salmo 22 (21) escrito pelo rei Davi centenas de anos antes desses acontecimentos.         
O Crucificado grita bem alto para que todos o pudessem ouvir na recitação do primeiro versículo desse Salmo, talvez, numa tentativa, numa última tentativa de fazer com que os homens entendessem o grande erro e a grande injustiça que eles acabavam de cometer. O Crucificado grita: “Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?” (Sl 22 (21),1; Mc 15,34).
E os homens que ali estavam, que se diziam entendidos das Sagradas Escrituras, além de não compreenderem o que o Crucificado estava dizendo e queria dizer, ainda escarneceram dele. Mas o Crucificado sabe muito bem que tipo de barro o homem foi feito, e não levou em consideração tão grande ingratidão e a mais tocante de suas orações não foi para pedir para si e nem para pedir punição para os que o crucificaram, mas para pedir perdão aos seus carrascos, por aqueles que o feriram e continuam a feri-lo pelos tempos afora. E reza o Crucificado: “Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem.” (Lc 23, 34). Como os homens são volúveis, instáveis; são como bandeirolas ao sabor do vento, para a direção que o vento sopra de acordo com seus interesses, se inclinam. Para onde vão as suas inclinações, os seus interesses, os seus desejos, os homens se deixam levar. Quantas vezes nos identificamos com aquele povo, aquelas pessoas que receberam triunfalmente Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho; quantas vezes isso acontece em nossas vidas. Quando tudo está bem, quando tudo corre às mil maravilhas, empunhamos ramos, colocamos nossos mantos no chão para que o Mestre passe por sobre eles, cantamos louvores e dizemos: “Bendito aquele que vem, o Rei, em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus!” (Lc 19,38; Mt 21,9). Mas, quando a situação se inverte, quando tudo começa a dar errado, quando o Cristo quer testar a nossa fé, a nossa perseverança e nos faz passar por grandes tribulações, com a mesma mão que levantamos e abanamos os ramos para saudá-lo, atiramos-lhe pedras e, com a mesma boca e voz que cantamos louvores, gritamos: “Crucifica-o”. (Mc 15,13).
Não somos, em nada, diferentes daquele povo que o louvou e depois clamou por sua morte, e morte de cruz. Jesus sobe, pela última vez, à cidade de Jerusalém que era o centro da religião judaica, aquela cidade que, por muitas vezes, recebera com festas os profetas, os enviados de Deus, os homens santos para, logo em seguida, matá-los por não concordar com as suas propostas de conversão, arrependimento e penitência. Com Jesus não iria ser diferente.
Quantas vezes Jesus, com os seus apóstolos e discípulos, cruzou as portas daquela cidade, entrou em Jerusalém como o Enviado de Deus, pregando a Boa Nova, curando toda espécie de doenças, perdoando os pecados, afugentando os demônios, expulsando os vendilhões do templo, chamando a atenção e discutindo com os hipócritas escribas, doutores da Lei e fariseus que se julgavam justos e santos quando, na verdade, eram eles que levavam o povo para o caminho contrário aos ensinamentos de Jesus. Por muitas vezes Jesus estivera em Jerusalém, sempre levando a certeza da salvação para aqueles que acreditassem nele, que ouvissem a sua voz e que colocassem em prática os seus ensinamentos. Mas o povo é muito inconstante.  
E como é inconstante e inconsequente. Enquanto Jesus estava com o povo, o povo estava com Jesus, cercava Jesus muito mais interessado em que Jesus lhe curasse os males físicos e lhe matasse a fome com multiplicações de pães e peixes do que em ouvir a Boa Nova da Salvação da qual Jesus se auto-proclamou, dizendo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”, (Jo 14,6), e garantiu: “Eu vim para que tenham a vida, e a tenham em abundância.” (Jo 10,10).
E agora Jesus está voltando, pela última vez, à cidade de Jerusalém. Seria a última vez que Jesus entraria, com vida, em Jerusalém. Não sairia de lá com vida. Que ironia! Nunca é demais repetir que, aquele mesmo povo que, por muitas vezes, se reuniu em praça pública, nas planícies, margens de lagos e montanhas para ouvi-lo, aquele mesmo povo que levou seus doentes até ele para serem curados de suas enfermidades, aquele mesmo povo que teve muitos de seus pecados perdoados, aquele mesmo povo que fora escolhido entre todos os povos da terra para receber, em primeiro lugar, a mensagem de salvação de Deus, também agora, nessa oportunidade em que Jesus entra montado em um jumentinho pelas portas de Jerusalém, se reúne para recebê-lo como a um Rei e aclamá-lo como um vencedor, iria vociferar, dizendo: “Crucifica-o.” (Mc 15,13).
Jesus conhecia muito bem aquele povo, como conhece a todos os homens. Jesus conhece muito bem os homens. Jesus conhece muito bem a cada um de nós. Ele já sabia que aquele povo que gritava, saudando-o: “Bendito aquele que vem, o Rei, em nome do Senhor!” (Lc 19,38; Mt 21,9), logo mais iria se juntar, defronte ao palácio de Pilatos, apontaria o dedo em riste em direção a ele e diria: “Crucifica-o.” (Mc 15,13). Jesus sabia de tudo isso, mas ele era a vítima santa e imaculada que deveria ser entregue para ser sacrificada pela salvação de todos os homens; ele era e é o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” (Jo 1,29).
O povo de hoje nada mudou em relação do povo do tempo de Jesus; em nada se difere do povo que recepcionou Jesus com aclamações para depois pedir pela sua morte e crucificação. Mas, para aqueles que aderiram ao Mestre, aceitaram a sua mensagem e receberam a Jesus como Salvador, Jesus deixa essa mensagem de amor e confiança: “Não se perturbe o coração de vocês! Acreditem em Deus, acreditem também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu lhes teria dito, pois vou preparar para vocês um lugar, e quando eu me for e lhes tiver preparado um lugar, virei novamente e levarei vocês comigo, a fim de que, onde em estiver, vocês estejam também. E para onde vou, vocês conhecem o caminho.” (Jo 14,2-4).

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