quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

MARIA VIVEU A QUARESMA.

MARIA VIVEU A QUARESMA.


Quando meditamos sobre a quaresma, quando meditamos o recolhimento de Jesus no deserto por quarenta dias em completo jejum, penitência e oração, quando meditamos o seu afastamento de sua pequena Nazaré para dar início a uma vida totalmente nova e diferente daquela que levara por trinta anos em companhia de sua mãe, Maria, na pobreza da casa de Nazaré, talvez ainda não nos tenha ocorrido pensar em uma figura de suma importância em tudo isso e que foi responsável pela realização dos planos de Deus Pai para a salvação de toda a humanidade.
Quando chegou o tempo em que o Senhor Jesus deveria deixar sua casa, seus amigos, seu trabalho, para dedicar-se inteiramente ao serviço do Senhor, essa figura, que nos referimos, deve tê-lo acompanhado com os olhos até ele se perder no horizonte, com os olhos marejados de lágrimas e com o coração acompanhando Jesus em todos os seus passos e minutos da vida que ele se propusera viver para que a misericórdia de Deus atingisse todos os homens.
Essa figura não é outra senão Maria.
Durante toda a infância de Jesus, os santos evangelhos nos dizem que Maria observava tudo e guardava e meditava tudo em seu coração.
E nessas meditações lhe fora revelado tudo o que o seu Divino Filho deveria passar, sofrer, ser perseguido e até morrer pela salvação de todos os homens a quem ele viera para salvar.
         E agora havia chegado a hora de seu filho Jesus cuidar das coisas do Pai e parte, parte para não mais voltar para aquela casa pobre e humilde de Nazaré, e, a única vez que Jesus tenta voltar para a sua casa, para a sua cidade, o povo já não o aceita mais, o povo já não mais acredita nele, e o que é o pior, aqueles que foram seus amigos de infância, aqueles que frequentaram a escola, que brincaram com seu Filho nas ruas ensolaradas e poeirentas de Nazaré e que foram com ele buscar água na fonte, aqueles mesmos que se diziam amigos de seu Filho e amigos da família, não entenderam a sua mensagem de salvação e pegaram pedras para apedrejar o seu Divino Filho e acabaram por expulsá-lo da cidade, e, a partir desse acontecimento, seu Filho parte da cidade de Nazaré para não mais regressar.        
Maria continuava observando tudo e guardando tudo em seu coração  de mãe.      
A vida toda de Maria foi de orações, sacrifícios, penitências, sobressaltos, muito embora ela já soubesse tudo o que iria acontecer com o seu Divino Filho. Maria via, ouvia e observava tudo, e guardava tudo em seu coração.
Como o coração de Maria deve ter sido grande e generoso.
Como o coração de Maria foi paciente e misericordioso por ver tudo o que fizeram com o seu Filho e perdoar a todos pelas injustiças que praticaram  contra aquele a quem ela mais amou neste mundo em todos os tempos: o seu amado Filho, o seu querido Deus.
A vida de Maria foi uma quaresma permanente.        
Muitas vezes o seu Divino Filho escapava de suas vistas mas jamais ela deixou de o seguir, onde quer que ele fosse, com o seu coração.
Maria aguardou pacientemente passar os quarenta dias que o Senhor Jesus, o seu Filho, passara no deserto, e, como ele, com toda a certeza, nesses quarenta dias, em sua pobre casa de Nazaré, também fez penitências, jejuou e orou com muito fervor e, nesse período, não tenham dúvidas meus irmãos, Maria se preparou mais e melhor para o que estava por vir e colocou o seu Divino Filho nas mãos de Deus Pai, a vítima perfeita que seria imolada  para que o pecado do mundo fosse tirado; a vítima sem pecado, mais limpa, mais pura e mais sacrossanta; o seu próprio Filho e Filho de Deus que se fizera homem para que todos os homens se tornassem filhos de Deus.
Depois, quando Jesus partiu definitivamente para a evangelização de todos os homens, onde quer que ele estivesse, ali estava Maria acompanhando-o em todos os seus passos, em todos os momentos de sua vida, até o momento supremo do Calvário.
É isto que a Igreja convida-nos a fazer nesta quaresma: seguir o exemplo de Maria e nos prepararmos para acompanhar passo a passo Jesus até o Calvário.
É isso que devemos fazer nesta quaresma: colocarmo-nos sob o manto protetor da Santíssima Virgem  e com ela viver a quaresma para que possamos, através de Maria, entender melhor o sacrifício de Jesus, porque Maria não fez outra coisa melhor em sua vida senão guardar tudo e meditar em seu coração, e agora, o que ela guardou e meditou ela nos transmitirá nesta caminhada rumo ao calvário e assim poderemos entender melhor o sacrifício de um Deus feito homem.

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