“ELES NÃO TÊM MAIS VINHO” (Jo 2,3).
Em certas
ocasiões dos Evangelhos não é tão importante o que está escrito, mas o que está
contido nas entrelinhas. Imaginemos a situação no casamento de Caná, na
Galiléia, onde Jesus e sua mãe Maria estavam presentes.
Com que
confiança, amor e carinho Maria se aproxima de seu Filho para pedir, na certeza
que seria atendida, e, com que olhar de amor, carinho e respeito Jesus dirigiu
à sua mãe chamando-lhe à realidade que ainda não havia chegado a sua hora, mas,
na certeza de que atenderia sua mãe, qualquer que fosse o pedido que ela lhe
fizesse, seguro de que ela não pedia para si e sim para alguém em dificuldades,
ele anteciparia a sua hora por um pedido de sua mãe.
O momento do
Filho Único de Deus se manifestar com toda a sua glória, o momento de Jesus
mostrar a que veio, de derramar a misericórdia e os poderes de Deus a todos os
necessitados ainda não havia chegado, e assim, taxativamente, ele se expressa: “Minha hora ainda não chegou.” (Jo 2,4),
e, essa hora, não era outra, senão a
hora da cruz. Mas aquele era um momento especial; era a sua mãe que estava
pedindo.
Era aquela a
quem ele, o Filho Único de Deus, havia escolhido por mãe desde a queda do
homem, desde o primeiro pecado, “E o
Senhor disse à serpente: “...Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua
posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições
ao seu calcanhar.” (Gn 3,14-15), e Jesus, pelo grande amor que dedicava à
sua mãe, não resistiu aquele pedido e antecipou a sua hora... Jesus não
precisou dizer nada para sua mãe; entre os dois não havia necessidade de
palavras; bastava apenas um olhar, e Maria entendeu que ele atendera à sua
súplica, e Jesus, a uma mediação de sua mãe antecipa a sua hora e “Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o
que ele vos disser.” (Jo 2,5).


























