quinta-feira, 19 de novembro de 2015

“PORTANTO, SEJAM PERFEITOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É PERFEITO.” (Mt 5,48)


“PORTANTO, SEJAM PERFEITOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É PERFEITO.” (Mt 5,48)



  Todas as vezes que pego as Sagradas Escrituras e leio, meditando os Santos Evangelhos de Jesus Cristo, sinto uma santa inveja  de todos aqueles que se assentavam na relva das montanhas e ou planícies e ouviam atentamente e maravilhados os ensinamentos do Senhor Jesus, bebendo das suas mensagens e se enriquecendo do seu imenso amor. 
Como deveria ser belo e divino olhar para aquela figura que impunha respeito, que encarava a vida com realidade, que, sem querer ser mais do que ninguém, mergulhava com serenidade no futuro que lhe estava reservado; que nunca fingiu em suas emoções e nem abusou dos sentimentos de quem quer que seja; que sempre se dirigiu a todos os que aceitavam as verdades eternas com doçura e tinha palavras duras para aqueles que delas faziam pouco caso. 
Jesus Cristo era alto, belo, majestoso, irradiando dignidade e demonstrando sempre firmeza de seu caráter. Como deveria ser divino e maravilhoso encarar aquele homem que impunha respeito e veneração; olhar para aqueles olhos que tocavam fundo o coração de pedra de qualquer pessoa e vislumbrava o mais profundo da alma de qualquer sofredor. 
Como deveria ser divino e maravilhoso ouvir aquela voz melodiosa que só expressava sabedoria e verdade e extasiava os seus ouvintes, atingindo o mais profundo do âmago do ser que o ouvia. Não foi atoa que, em certa ocasião, alguém que o ouvia maravilhado, afirmou cheio de convicção e admirado: “Nunca homem algum falou como este homem.” (Jo 7,46).
      Sua boca somente transmitia palavras de vida eterna, e não foi isso que num dos momentos mais difíceis de decisão dos Apóstolos se deveriam ou não continuarem seguindo Jesus que Pedro, sempre Pedro, o intrépido Pedro, fazendo-se porta-voz do grupo, respondeu ao Mestre: “Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna, e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus.” (Jo 6,67-69).   
Seu semblante irradiava confiança. Seus olhos dardejavam amor. Seus gestos abraçavam todos aqueles que se comoviam com o seu exemplo e se convertiam pelas suas palavras. 
Jesus Cristo é o homem por excelência que devia servir de modelo a todos os homens de boa vontade. Jesus Cristo foi e é santo, perfeito, inteiro, íntegro, belo, majestoso, maravilhoso, inteligente, amoroso, divino, sereno nas horas certas mas severo no momento adequado. Jesus Cristo tinha a altura de sua dignidade e sabedoria e era belo como a beleza de seu caráter. Como seria maravilhoso se fôssemos perfeitos assim, como Jesus foi. 
Ainda ressoam suas palavras nos meus ouvidos, através dos Santos Evangelhos, naquele dia em que, “Vendo as multidões, subiu à montanha.  Ao sentar-se, aproximaram-se dele os seus discípulos. E pôs-se a falar, dizendo: ‘Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puro de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurado sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos porque será grande a vossa recompensa nos céus...” (Mt 5,3-12). 
Ainda ouço, através dos Santos Evangelhos, além dessas benditas bem-aventuranças, Jesus dizer: “Vós sois o sal da terra...” (Mt 5,13); “Vós sois a luz do mundo...” (Mt 5,14);  “Ouvistes o que foi dito: “Olho por olho, dente por dente”. Eu, porém vos digo: não resistais ao homem mau; antes, aquele que te fere na face direita oferece-lhe também a esquerda...” (Mt 5,39). Observemos bem o que o Divino Mestre disse: “...aquele que te fere na face direita, oferece-lhe  também a esquerda...” (Mt 5,39), e o que fazemos nós? 
Não há a necessidade de chegarmos ao extremo de que alguém nos dê um tapa na face; basta apenas que alguém nos olhe “atravessado”, ou que nos dirija uma palavra amarga, que não gostamos, ou que nos faça quaisquer tipos de desaforos nós já retribuímos em dobro e sempre com ódio no coração e rancor nos olhos. 
E o Divino Mestre disse mais naquele dia em que todos se sentaram na relva para ouvi-lo: “Ouvistes o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; deste modo vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol  igualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre  justos e injustos. Com efeito, se amais aos que vos amam, que recompensa tendes?” (Mt 5,43-46). 
E, na sequência dos seus ensinamentos, nessa mesma oportunidade, ainda ouço a sua voz suave e melodiosa ensinando a todos como deveriam se dirigir ao Pai Eterno e nos transmite a oração que transcende o tempo, o espaço e a eternidade, e disse: “Portanto, orai dessa maneira: Pai Nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. E perdoa-nos as nossas dívidas como também nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos exponha à tentação, mas livra-nos do maligno”. (Mt 6,9-13). 
E, nessa oração, esse homem maravilhoso, belo como a beleza de seu caráter e alto, da altura da sua dignidade e sabedoria, nos ensina como devemos perdoar aos que nos tem ofendido, e complementa: “Pois, se perdoardes aos homens os seus delitos, também o vosso Pai Celeste vos perdoará; mas se não perdoardes aos homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos delitos.” (Mt 6,14-15). “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.  Não julgueis para não serdes julgados; não condeneis para não serdes condenados; perdoai e vos será perdoado. Dai e vos será dado; será derramada no vosso regaço uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, pois com a medida com que medirdes sereis medidos também.” (Lc 6,36-38). 
E, com isso,  Jesus nos diz que a medida do perdão de Deus para conosco é a mesma medida do nosso perdão para com o nosso próximo; se perdoarmos o nosso irmão, o Senhor nos perdoará; se não perdoarmos o nosso irmão. jamais teremos o perdão dos nossos delitos por parte do Senhor. 
As palavras das bem-aventuranças e de tudo o mais que o Divino Mestre ensinou naquela montanha, tendo à sua presença uma multidão de pessoas assentada na relva, vencem o tempo e ainda ressoam nos meus ouvidos como se estivessem sido ditas hoje e agora para cada um de nós que cremos nas verdades que Jesus veio nos transmitir. 
Jesus Cristo exalta o desprendimento, a caridade, a virtude e o perdão como valores da vida cristã. No Reino de Deus que Jesus Cristo veio trazer para todos os homens, só tem lugar para os puros de coração, para os que sabem perdoar, para os que aceitam o outro com todas as suas imperfeições e o ajuda na busca da perfeição para se tornar como Jesus Cristo foi e é. E Jesus nos dá a receita da verdadeira perfeição: “Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5,48). Isso seria possível? Não podemos dizer se seria ou não possível mas, pelo menos, estamos tentando?

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